As pegadas da Borboleta

5 Terça – Cidade X – interior do Paraná


O branco leitoso de Crisântemos tomava minhas vistas. Na China estas flores são consideradas nobres, mas por aqui... onde eu moro, são consideradas flores de cemitério.

A família de Amanda mandou uma grande coroa de Crisântemos ao funeral. E ela, como boa amiga, estava ao meu lado o tempo todo.

Nunca pensei em sentir tanto pesar pela morte de Aidan. Meu próprio pai sempre fora uma grande incógnita em minha vida. Mas, como questões em aberto, ele sempre fora misterioso, como se escondesse algo em meio ao redemoinho de cores de seus olhos de lince. Eu o admirava mesmo não querendo admitir isso, nem mesmo a ele e ao resto do mundo. Permaneci olhando sua fotografia sorridente emoldurada por um porta retrato de vidro. Provavelmente fui a única pessoa que passou horas olhando aquela fotografia, mas não apenas lamentando mas sim agradecendo por tudo que fizera em minha vida.

Com a morte existe perdão!

“Eu nunca mais vou vê-lo... as chamas do helicóptero consumiram com seu corpo... carbonizaram até seus ossos”; minha mente vagava por pensamentos obscuros.

A cerimônia do velório era privada. Apenas parentes e amigos tinham a permissão de adentrar e dar os pêsames das duas viúvas de Aidan, e as suas filhas.

Eu abracei Marina – ou Nina como gostava de ser chamada – tão forte que senti alguns ossos estalarem. Por mais que tivéssemos um grande enfrentamento familiar, o qual fugia de nossos princípios morais, eu sabia que ela sentia a mesma dor angustiante que eu. Não poderia ser egoísta. Não com aquela que também possuía o mesmo sangue de Aidan.

...

Fazia sol, e o cheiro doce das flores emanava do Cemitério das Aroeiras – uma planície esmeraldina com lapides em mármore branco ou preto. O cortejo seguiu pela estreita rua de ladrilhos margeada por arvores, arvores de mesmo nome do local.

Abracei minha mãe e fiquei ao lado dela quando desceram o caixão – de fachada, apenas com a fotografia de meu pai em seu interior. Ela chorou mais que do quem em qualquer momento do dia. Parecia que o abalo emocional havia a atingido finalmente.

— "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo; o teu bordão e o teu cajado me consolam." – o padre local ditava Salmos 23:4 com pesar na voz. – Queridos familiares, a morte não deve ser encarada como algo banal. Ela representa nossa finitude, mas também nosso resguardo na vida Eterna... – ele prosseguiu com seu sermão carregado de pressupostos religiosos. Minha atenção não ficou presa às palavras do padre, estava sendo carregada assim como a aragem rumo ao norte.

...

Elena, minha avô materna; uma senhora de setenta e poucos anos, qual não aparentava a idade – sempre se mantinha com roupas joviais e a face carregada de maquiagem – fez uma recepção para atender a todos logo após o enterro.

Não foram muitas pessoas em sua casa de veraneio. E a essa altura muitos fotógrafos já haviam conseguido captar em suas câmeras os corações despedaçados das duas famílias de meu pai.

— Você precisa de alguma coisa? – Amanda me perguntou logo após eu descansar o corpo em uma das cadeiras perto da piscina. Balancei a cabeça negativamente. – você não comeu nada o dia todo, vou ver o que posso fazer. – eu sabia que aquela era uma desculpa para me deixar sozinha com meus pensamentos.

Mas não por muito tempo.

— Posso me sentar com você? – Nina se aproximou. Éramos tão diferentes fisicamente. Ela parecia uma modelo mesmo com seus dezessete anos. Possuíam os cabelos encaracolados e negros, a pele em um tom chocolate, boca carnuda e pernas longas. A mim restavam os cabelos toados em louro escuro e a baixa estatura da família de minha mãe, assim como as coxas e canelas grossas. A única coisa que tínhamos em comum eram os olhos esverdeados que Aidan nos deixara.

Assenti positivamente em resposta, ela dividiu o banco de madeira comigo.

— Como você está? – era uma pergunta ridícula em um momento ridículo, mas não sabia muito que falar. Minha mãe sempre comentou que a família de Nina nunca gostara da gente. Sempre encontravam um problema para colocar nossos nomes no meio, ou então uma forma de Aidan não vir nos visitar em momentos oportunos. Nina me encarou com o olhar perdido, não sabendo a resposta para a questão que eu havia aberto. – foi uma pergunta idiota, esquece.

— Nunca ficamos por tanto tempo no mesmo lugar, eu sei que você não sabe lidar comigo... assim como não sei como lidar com você. – sua voz estava calma e carregada de certeza. Nunca havia parado para pensar por aquele lado. Assenti com a cabeça. As duas únicas vezes que eu a vira foram: a vez que minha mãe armou um barraco com a mãe de nina (cinco anos atrás, quando descobrimos a existência delas), e em um aniversário de nosso pai (onde minha mãe ficou apenas por meia hora até se embebedar; ainda estava angustiada com a ideia do fim do casamento).

— Você é minha irmã, mas também uma completa estranha. – desabafei de forma espontânea, minhas palavras saíram antes de meu cérebro as processar, como se saíssem do fundo de minha índole.

Ela sorriu, mostrando os dentes com aparelho ortodôntico. “Como ela é jovem”, eu pensei. Não que eu fosse uma anciã com meus vinte e um anos.

— Sempre fomos estranhos na vida uns dos outros. – ela olhou para o azul da piscina que reluzia com a luz do sol.

Sorri de uma forma nostálgica pensando em Aidan, e no que ele já havia aprontado em sua vida.

— Aquela Criatura sabia como nos colocar em cada situação. – comentei. Como filha do mesmo homem provavelmente passara pelas mesmas aventuras (reais e imaginarias) que Aidan me fizera experiênciar.

— Ele fez isso. – ela sorriu, e encontrei um pedaço de mim dentro dela. Sentia o que eu sentia naquele momento. — porém, gosto da ideia de ainda ter um pedaço dele perto de mim. – ela se referia a mim, inclinou a face para me olhar. Seus olhos carregavam uma chama de ternura, como se tudo que eu tivesse ouvido de Nina fosse uma grande mentira, mesmo que tais afirmações tenham saído da boca de minha própria mãe. Sabia que isso era alienação parental, talvez tivesse medo de me perder para outra família assim como seu marido.

— Eu também quero pensar assim, Nina. – confessei, levei minha mão por sobre a dela, como se aquilo fosse um apelo por paz.

— Como ele te contou que eu existia? – queria saber, esboçava sua curiosidade.

Descontrai os ombros, findei o olhar procurando a memoria em minha mente.

— Ele nunca me contou, foi minha mãe quem descobriu. – falei rapidamente. Bom a historia não foi a melhor do mundo, e nem digna da investigação de Sherlock Holmes; mas minha mãe sempre desconfiara de algo. Então um dia comprou passagens de avião para o lugar onde ele mantinha o escritório, o qual não queria fechar por motivos aleatórios, acabou descobrindo que o real motivo era a mulher a filha que ele sustentava naquele lugar. — ele falou de mim para você? – também queria saber. Aquela era nossa primeira conversa digna. Não era apenas um “oi”, ou um abraço forçado pela família.

— Uma vez. – confessou elevando as sobrancelhas enquanto balançava a cabeça positivamente de forma animada. — ele disse: ela, a sua irmã, tem gênio forte. – tentou imitar a voz de Aidan. E aquela foi a primeira vez que eu ri com minha irmã. — acho que ele pensou que eu sabia que tinha uma irmã, eu apenas sabia que ele tinha outra mulher. – comentou, ouvi o mesmo pesar que saída de minha voz refletido na fala de Nina.

— Pelo menos você soube da minha existência pela boca dele. – comentei como um incentivo.

Ouvimos um barulho e conversas exaltadas na sala que concedia acesso a piscina. Meus olhos percorreram as cortinas brancas das janelas, era nítido Cecilia e Margaret novamente se confrontavam.

— Acho que nossas mães não se gostam. – deduziu o obvio. Retirou os olhos das duas mulheres e os depositou sobre os meus.

— Não acho que seja motivo para nós não nos gostarmos... – comentei como um incentivo, mas nem sempre pensei dessa forma. Observei que minha mãe dera às costas a mãe de Nina.

— NINA? – a voz de Cecilia estava carregada de tenção, como se desaprovasse a nossa aproximação.

— Eu já vou mãe... – Nina respondeu quase que imediatamente levantando-se, cessando o toque de nossas mãos.

— Vocês vão ficar onde? – perguntei, gostaria de encontra-la novamente. Trocar experiências, luto, ou apenas conversa fora.

Ela caminhou alguns passos.

— No Hotel Napoleon... – respondeu-me. Pareceu pensativa por alguns instantes. Então observou a movimentação na sala que concedia acesso ao ambiente onde estávamos, Cecilia não estava por lá. — estamos no quarto vinte e sete...

Também chequei a movimentação. Ninguém gostaria de ver um barraco de Cecilia e Margaret (minha mãe) se prolongar, estavam satisfeitas em nos manter separadas por tanto tempo.

— Posso aparecer por lá? – quis saber.

— É claro... vou ficar até o fim de semana. – informou, sua voz estava animada.

— Eu apareço. – assenti a vendo ser engolida pela casa.

Retirei os sapatos e mergulhei meus pés na piscina. Apanhei o smartphone do meu bolso para chegar as mensagens.

— Que conversarada toda foi aquela? – Amanda apareceu instantaneamente, como um fantasma.

— AI que susto, Amanda. – dei um pulo no lugar, nisso meus dedos cederam deixando o aparelho eletrônico mergulhar na piscina.

— DROGA! – gritou Amanda enfiando os dois braços dentro da piscina apanhando o aparelho, que por sorte caíra na superfície mais rasa.

— MERDA! – minha vez de gritar. Ela me esticou o aparelho, estava ensopado e com a tela desligada. – Já era.

— Calma podemos colocar no arroz. – ela comentou, provavelmente sentia-se culpada.

...

— Vi você falando com a outra filha... – minha mãe começou mais um de seus discursos na mesa de jantar. Seus olhos castanhos caçaram o meu olhar. Bebeu o liquido violáceo da taça de vinho. Já era a terceira taça naquela noite.

— Eu estava. – foram minhas únicas palavras as quais dissera de forma displicente. Dei uma garfada no bife cortado, não estava com fome.

— E o que ela queria? – minha mãe usava sarcasmo, como se isso fosse permitido num dia como aqueles.

Resfoleguei. E mirei a face de Amanda. Ela estava terminado o prato de comida.

— Eu vou pro quarto. – disse levantando-se, percebendo a tensão que aquela conversa propagaria.

— Tudo bem. – comentei assentindo, projetando-lhe um sorriso suave. A contemplei deixar o recinto.

— Não quero você de papo com aquela menina. – minha mãe esbravejou socando a mesa assim que a figura de Amanda recolheu-se escada a cima.

Mirei os olhos ébrios de Margaret. Tentei controlar meus ânimos.

— O erro não foi dela, e sim do papai. – fiz um leve comentário.

— Está defendendo aquela garota? – senti mais um impacto contra a mesa. Quis saber se aquela era uma pergunta real. Elevei as sobrancelhas encarando-a com cara de interrogação profunda. — Seu pai fez tudo que queria fazer, tudo! Inclusive outra filha... – acredito que minha mãe pensava que discursos como aqueles poderiam me atingir.

Há cinco anos trás eles eram como TNT sendo arremessada em cima de uma pilha de destroços psicológicos. Mas hoje em dia, eles não me atingem com a mesma magnitude.

— Isso não é problema meu... – balancei a cabeça negativamente, minhas palavras saíram secas, como se eu não tivesse sentimento algum. Mas havia. Havia um emaranhado deles se debatendo contra meu crânio. — eu não posso ignorar o fato de ter uma irmã para o resto da vida... – levantei-me da mesa. — não só porque você quer.

— Isso seria sinal de respeito. – Margaret pegou a garrafa de vinho despejou o liquido dentro da taça. — respeito a mim, a sua mãe que foi traída. – engoliu o liquido como se quisesse engolir algum remédio antidepressivo, como se quisesse engolir uma pílula de esquecimento, para não lembrar mais de Aidan. Mas era inevitável.

— Eu não vou ouvir isso, não hoje. – não era justo aquela conversa. Não agora que o caixão representativo da figura de meu pai ainda nem esfriara no solo. — fique como seu luto e suas paranoias. – esbravejei, dando as costas a ela. Então ouvi um barulho de vidro se partindo, virei rapidamente para ver o que era. A mão direita de Margaret estava ensanguentada, possivelmente não medira a força com que segurara a taça fazendo-a virar estilhaços. Apanhei o guardanapo de pano que repousava ao lado de meu prato e caminhei em sua direção. — calma... calma. – pedi a ela enquanto envolvia sua mão com o tecido. Conseguia sentir o cheiro de álcool emanar de sua boa. Ela não bebera apenas vinho.

— Eu o amava, Catarina... eu amava seu pai... – ela despencou em choro e lamentos. Estava tão angustiada quanto no cemitério. Respirei fundo tentando não enlouquecer. — não acredito que ele foi capaz de fazer isso comigo. – era nítido que minha mãe não superara tudo que passara. Era nítido que ela ainda amava Aidan, que ainda o queria; mas agora era impossível tê-lo.

— Foi a tanto tempo mãe... precisamos viver com isso. – disse ajudando-a a se levantar da cadeira. Estava tonta.

— Precisamos conviver. – ela me corrigiu com pesar na voz passando a outra mão na face, limpando as lagrimas. Coloquei seu braço em volta de meu pescoço tentando faze-la caminhar.

— Eu vou te levar para cama... – argumentei direcionando meus passos, e o corpo embriagado, de minha mãe para a escadaria.

Foi um desafio subir as escadas com Margaret ancorada em meu corpo magrelo. Mas consegui a colocar na cama. Só esperava não precisar levar minha própria mãe para o banheiro e segurar seus cabelos em frente ao vaso sanitário, enquanto se segue um show de vomito.

Ela estava quase adormecendo quando apanhei o kit de primeiros socorros e limpei os pequenos ferimentos que os cacos da taça provocaram suas mãos. Fiz-lhe um curativo com gaze e esparadrapo, a essa altura ela já estava dormindo. Deixei-a descansar.

Fui para meu quarto.

— — Como ela está? – Amanda quis saber assim que adentrei o aposento. Encarei sua face, constatei que segurava um riso. Claro, ver a mãe de sua amiga bêbada é o ponto alto da sua noite, não há como não rir.

Olhei para o colchão de visitas no chão, estava arrumado mas não tinha travesseiro algum. Atravessei o quarto, parei a frente do armário, peguei dois travesseiros e estendi-os a Amanda que os apanhou imediatamente.

— Encheu a cara... mesmo depois do divorcio eu sei que ela ama ele. – era nítido. O fracasso familiar nunca fora esquecido pelo coração de Margaret. Minha mãe era uma pessoa frustrada, isso não significava nada mais do que eu deveria apoia-la em dobro. — todos adoramos um bom drama familiar. – ironizei fazendo uma careta.

— Como consegue manter o senso de humor nessas horas? – questionou-me de forma repreensiva. Deitou-se no colchão de forma confortável.

— Se chama humor negro. – a respondi indo até as malas de viagem à procura de meu pijama.

— Estou acabada... – falou após um bocejo.

— Descansa... você deve está esgotada. – vasculhei o interior da mala encontrando as peças de roupa. — muito obrigada por ficar comigo... – inclinei a face para encará-la, estava quase dormindo, mas mesmo assim tinha de agradecê-la por tudo. Era uma boa amiga, a melhor. Encontrei a peça de roupa.

— É para isso que servem as amizades. – ela disse fechando os olhos.

— Boa noite. – desejei.

Amanda estava exausta, e não era para menos: viajamos por mais de quatro horas da capital até a Cidade X, e tivemos que nos manter firme a tarde inteira em frente a meus parentes e amigos da família.

Troquei de roupas, apaguei a luz e me deitei, mas meus pensamentos não conseguiam ser minados. Minha mente ainda estava a mil por hora.

Levantei-me de forma a não fazer barulho, fui ate a cozinha e tentei religar o celular, mas a tela ainda mantinha-se úmida externamente. Revirei os olhos e bufei, voltei a colocar o aparelho em meio ao arroz, apanhei o chipe e voltei a subir para meus aposentos. Enquanto subia a escadaria lembrara que eu possuía outro celular, um tanto que arcaico para a tecnologia de hoje em dia. Mas preferiria utilizar um aparelho jurássico a ficar sem contato com o mundo.

Revirei as gavetas a procura do aparelho. Assim que o encontrei conectei-o no carregador. Era o celular que eu havia abandonado antes de começar a faculdade, abandonara até mesmo o numero antigo. Não sabia o que encontraria ali, provavelmente seria nostálgico; coisas de meu tempo adolescente.

Liguei o aparelho. Havia três mensagens de voz.

Pensei em ouvi-las. Talvez alguma deles pudesse me animar.

Ok, eram três e meia da manhã, e eu iria ouvir mensagens de voz de no mínimo um ano e meio atrás.

— Mensagem do dia oito de novembro de dois mil e quatorze – informou-me a secretaria eletrônica. — Oi querida... é a mamãe... escuta vou jantar com a tia Katia hoje... – minha mãe falava tranquilamente do outro lado da linha. Comecei a rir, até o tom da voz dela era diferente. A mensagem acabou. Cliquei para ouvir a outra.

— Mensagem do dia treze de fevereiro de dois mil e quinze. — A mensagem era de um vendedor, fazendo propaganda da loja onde minha mãe havia efetuado um cadastro, mas que registrou meu numero como segunda opção.

Andei até a velha escrivaninha sentando-me na cadeira, a qual jurei que iria ceder ao meu peso. Coloquei para tocar finalmente a ultima mensagem de voz.

— Mensagem do dia dez de janeiro de dois mil e dezesseis. – congelei ao ouvir aquela informação. – Oi... é o papai... – era a voz dele meu coração disparou, senti todos os membros de meu corpo tornar-se quentes. O ambiente novamente parecia não comportar ar para dilatar meus pulmões. — querida eu vou fazer uma viagem... deixei algumas coisas no laptop do escritório, de uma olhada. – era um pedido gentil, assim como sua voz. – sei que o assunto não é bom, mas precisa chamar a sua irmã... espero que façam isso por mim... – uma voz ao fundo o chamou. — Tudo bem... por favor, querida... amo vocês. – ao dizer aquilo a ligação se encerrou.

Fiquei entregue e inercia de meus pensamentos e ator por longos segundos.

O que era aquilo?

Por que ele me pedia algo? Nunca fora de ligar a não ser em datas comemorativas como aniversário e festas de fim de ano.

E por que eu teria de encontrar com Nina? A outra filha de meu pai. Ele nunca me pedira para visita-la.

Mas eu sempre soube que Aidam Matias estava tramando alguma coisa.

A cadeira cedeu, fazendo com que meu corpo encontrasse o chão de forma violenta, propagando um barulho por toda a ambiência. Possivelmente acordados a todos na casa.

Eu estava bem. Precisava de um “choque de realidade” para me chamar ao mundo real.