As maravilhas do acaso
1 Prólogo - A Cornversa
Notas iniciais
cNovembro de 2012
E lá estava ele , como sempre isolado nas arquibancadas da escola enquanto toda a sala se divertia.
Thiago estava quieto, à nove meses perdera seu pai , não conseguia esquecer das imagens daquela câmera que filmou o exato momento em que três covardes tiraram a vida de seu pai.
Nesses nove meses ele não foi mais o mesmo, ganhou peso e ficou agressivo, diferente do garoto gentil que sempre fora.
Aquele era o último dia de aula, e estavam todos emocionados , rindo e despedindo-se dos amigos para mais um período de ferias, exceto Thiago , o garoto havia afastado os amigos meses atrás.
Ao soar o sinal, indicando o fim do ano letivo Regina , a professora de Filosofia, chamou Thiago para uma conversa , que foi meio contra vontade.
R : E aí , como estão as coisas ?
T : O que a senhora quer saber ?
R : Olha Thiago eu me preocupo com você, gostaria que pudessemos conversar sem eu ser atacada por suas palavras .
T : Se preocupa comigo — diz ele num tom de deboche — a senhora tem pena de mim, assim como todos nessa escola, desde quando me pai morreu todos estão me tratando diferente , eu só queria ser um aluno normal !
R : Você afastou a todos, quando tentamos ajudar você se isolou.
T : Acha que é fácil ? — diz ele quase gritando e já chorando — as pessoas me lembrarem o tempo todo do que aconteceu, eu só queria esquecer e seguir em frete.
R : Você acha que é isso que seu pai merece , o esquecimento? É claro que você tem que seguir em frete , mas sempre respeitando e honrando a memória dele.
Eu sei que é difícil as pessoas ficarem lembrando, mas enquanto estudar aqui elas vão lembrar, sua mãe teve as gêmeas à seis meses e você, a pessoa que ela mais esperava ajuda, está assim , fora de si . Pensa nisso, ela perdeu o marido durante a gravidez , imagina o quanto ela sofreu , o que ela deve ter pensado , como ela criaria 4 filhos ?
Nessa hora cada palavra da professora era um tapa em Thiago, e ele já chorava .
R : Não precisa chorar garoto, vêm cá -Só me promete que vai segurar essa barra, saiba que você não está sozinho, sempre terá sua família e amigos dispostos a te ajudar .
T : ( entre lagrimas ) Desculpa, eu não sei o que está acontecendo, não consigo mais fazer muitas coisas que fazia antes, ficar num lugar que me lembra tanto meu pai não ajuda.
R : Fala isso pra sua mãe , tenho certeza que ela entenderá, e ela pode te ajudar. Não precisa se desculpar comigo, agora , já deve ser a hora de você voltar , sua mãe deve estar preocupada.
T : Muito obrigado professora , mas , o que eu digo pra ela ?
R : Diga o que você está sentindo , e o mais importante, diga que a ama.
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