Ha muitas eras atrás aproximadamente no segundo milênio na historia quando a magia ainda caminhava livremente sobre a terra e o bem e o mal compartilhavam de um equilíbrio que mantinha o mundo em paz. Os segredos da magia eram guardados pelas Bruxas e Feiticeiros que existiam nesta época, mas fadas, elfos, metamorfos, duendes, ninfas e muitos outros seres usufruíram da magia, magia essa que era usufruída até pelos tão frágeis humanos que diferente dos outros seres tinha uma vida curta e muitas vezes cheias de enfermidades.

Naquele primeiro milênio foi comemorado o casamento de um grande Feiticeiro Negro e a maior das Bruxas Brancas, como um acordo entre a luz e as trevas, depois de anos brigando pelo território onde hoje correspondem à região do Peru, eles concordaram seriam mais promissor para ambos um casamento, pois assim os dois poderiam utilizar as belezas daquelas terras, que durante milhares de anos foi rica das mais belas pedras já conhecidas.

Depois de alguns séculos casados, já haviam deixado grandes marcas culturais naquelas terras, todo monumento e prestigio deste rico lugar se deve a essa união. Mas o tempo foi passando e o prestígio adquirido por todo o reino já não era mais suficiente para eles, lhes faltavam algo: o amor. Foi então que pela primeira vez na história o bem e o mal se uniram, eles se apaixonaram encontrando um ao outro o que faltavam.

Os seres mais poderosos que o reino de Statera conheceu, descobriram então uma nova forma de poder, e assim viveram um amor avassalador e incontrolável, eles se completavam, a calma e adorável rainha Alessandra era a bondade que faltava no temido e impiedoso rei Ronald, eles haviam finalmente achado o equilíbrio e viveriam em harmonia, e mesmo que nem todas bruxas e feiticeiros compreendessem e aceitassem essa união, eles juntos venceram inúmeras batalhas defendendo esse tão desejado equilíbrio.

Desse amor para a surpresa de todos surgiu uma gravidez, que muitos imaginavam impossível diante de tanto poder. Porém, com ela veio às dificuldades, foi uma gravidez cheia de complicação e risco, mas com todo o amor do marido ao seu lado, e com as melhores curandeiras brancas e o tratamento necessário, o casal foi abençoado com trigêmeas, três lindas filhas, surgia então às três novas herdeiras do reino.

Mas para a supressa e desgraça do reino, Alessandra não suportou tanto poder sendo sugadas pelas já amadas filhas, e por mais que tenha sido feito de tudo, o último brilho dos olhos cristalinos da piedosa rainha se apagaram ao ver suas três pequenas filhas chorando.

Nunca houve tanta dor em Statera, o equilíbrio se rompeu, e Ronald voltou a ser o homem impiedoso sem sua amada, morreu com a rainha a única faísca de bondade que havia no coração do rei, e com ela parte do reino. Choveu constantemente durante todo o mês, perderam então toda a plantação e o alimento de todo o sol deixou de aparecer assim como a alegria do povo, o castelo fechou as portas e o rei se afundou em mágoa.

Os boatos da ruína do reino se espalharam por toda parte, e com eles os inimigos ameaçavam invadir, as notícias chegaram até Alesa Leroy a última anciã das Bruxas Brancas a líder de todas, e a única irmã de Alessandra. Ao saber da morte da caçula e das pequenas sobrinhas, sentiu como obrigação ajudar o reino deixado por sua irmã. Mas ela sabia que Ronald jamais aceitaria a Brancas controlando seu reino, percebendo então que ele arruinaria tudo o que a irmã levou a vida para construir e alimentada pela dor e ódio da perda de sua única família, não lhe restou escolha. Ela seria a nova rainha de Statera e daria continuidade ao trabalho da irmã.

Alesa convocou as mais poderosas Bruxas e seguiu em um caminho sem volta, porém necessário, ao chegar na região notou a dor e a tristeza que ali reinavam, ficou horrorizada de ver o lar de sua doca irmãzinha arruinado, estava irreconhecível tomado pelas trevas ali onde antes havia flores, crianças brincando, pessoas trabalhando e famílias felizes agora sobrara apenas dor, pragas, doenças, ranger de dente e plantações alagadas. Não restava duvida o rei daquele que parecia outro reino havia afundado, deixando a escuridão dominar até que todos morressem. Surgiria então uma nova batalha entre o bem e o mal.

Foi à primeira fez durante tanto meses que o tempo abriu com a chegada da magia Branca o sol surgiu e trouxe um pouco de luz de volta, a chuva cessou e começava não só um novo dia, mas sim uma nova era.

A serena Alesa adentrou o reino com seus cavalheiros, todos cobertos com capuz branco apenas com o símbolo lilás da magia Branca marcado no peito, tampando o rosto para não ser reconhecidos se aproximavam cada vez mais do castelo. Ao se aproximar havia apenas soldados das trevas que lutaram em devesa de seu rei, foi uma batalha sanguenta que custou doze soldados que perderam sua luz pela causa, para que finalmente Alesa entrasse nas fortalezas de Ronald.

O palácio todo estava assustadoramente silencioso, todo o restante de cavalheiros e bruxas fecharam o castelo para assegurar que não entrasse mais ninguém, o único som que se ouvia era os passos firmes do salto de Alesa a procura do rei. Ao entrar em seus aposentos encontrou Ronald em pé no centro do salão seu corpo estava extremamente rígido, com seu cabelo negro caído sobre seus fundos olhos. Alesa se aproximou dele determinada e lhe disse:

— Não vim aqui te convencer Ronald, o que você fez com este reino e com a minha irmã não tem perdão – parou onde estava o olhou com frieza nos olhos e continuou — e eu não o pouparei de seu castigo.

Ele chegou ainda mais perto dela e viu a surpresa dos olhos dela quando se ajoelhou de braços abertos aos seus pés e lhe disse:

— Eu não quero seu perdão Alesa – disse seu nome com desprezo — só quero por um fim em tudo isso, você pode ficar com esse reino e com aquelas malditas criaturas que mataram sua irmã – ele engoliu seco e prosseguiu – só quero acabar com essa dor e encontrar minha amada, agora faça o seu papel.

Alesa consumida pela primeira vez de ódio lhe enfiou sua espada de prata no coração do senhor das trevas, e desceu um raio do céu fazendo tremer todo o chão, com seu último suspiro as órbitas negras de Ronald Farck escorreu uma única lágrima e se fecharam para sempre.

O tempo passou e com o domínio das Brancas Statera se reergueu e voltou a ser um reino próspero, Alesa passou a governar toda a região, os poucos feiticeiros das trevas e todas criaturas magias que se voltaram contra a nova rainha perderam sua magia a passaram a viver trancados nas masmorras, os feiticeiros fervorosos que restaram foram embora do reino pois se negavam a obedecer uma Bruxa, e os mais pacíficos se adaptaram a nova liderança e aprenderam a conviver com a luz.

A primeira atitude de Alesa foi resgatar suas pequenas sobrinhas que estavam no subsolo, ela não conseguia crer como alguém poderia tratar com tanto desprezo, mas não se surpreenderia daquela atitude vim de um Farck, diante daquelas pequeninas criaturas cheias de luz, pois ela mesmo sentia no peito o pesar de nunca poder sentir filhas em seus braços, já que há muitas décadas lhe fora lançada uma maldição que jamais lhe permitiria o dom de ser mãe. Maldição essa lançada em um dos conflitos com os poderosos Feiticeiros Negros, onde o maior rei das trevas Bernard Farck lhe tirou a maior benção que uma Branca poderia ter.

As pequenas princesas estavam em um pequeno cômodo com um uma única soldada das trevas que as cuidavam a mando do antigo rei, elas já estavam com um pouco mais que cinco meses e nunca haviam saído daquele cubículo. Quando Alesa invadiu o cômodo e rendeu a ultima serva leal de Ronald notou em seu peito gravado o nome de Rebeca, a mesma lhe confessou que as herdeiras tinham sido batizadas pela mãe. Após libertar as garotas do ultimo vestígio das trevas a nova rainha notou que cada uma tinha uma pequena pulseira de ouro branco com nomes gravados.

A tia que agora faria o papel de mãe na vida daquelas pequenas garotinhas se encheu de graça ao ver a beleza delas, todas possuía os olhos puros e azuis das poderosas Leroy, mas apesar de serem gêmeas o poder que corria em suas veias não lhes permitiu muita semelhança.

Alesa se aproximou primeiramente da única que possuía cabelos negros que se destacavam na boquinha carnuda da mais quieta das três, olhou a pequena que retribuiu o olhar sem vacilar, pegou a pulseira em seu braço e leu Elis Leroy. A segunda possuía cabelos ruivos como o fogo, e pequenas sardinhas por todo o rosto até o canto de seus pequenos e atentos olhos azuis, havia uma certa determinação em seu olhar, mas abriu um pequeno sorriso ao ver um novo rosto, essa era Luna Leroy. A terceira herdeira era a mais inquieta mesmo sendo a mais pequenina, ela tinha a pele branca como a neve com cabelos loiros como o da mãe, pelo olhar e jeito risonho da caçula Alesa sentiu que Alícia Leroy era uma legitima Branca.

A nova rainha cuidou de tudo para as garotas, escolheu o maior quarto do palácio a elas, deixando elas sempre arrumadas e muito bem acomodadas com todo o conforto de verdadeiras herdeiras que eram. Após um mês que estava morando no novo palácio Alesa decidiu que estava na hora de fazer um pronunciamento ao seus súditos.

Quando chegou o grande dia a bela rainha vestiu as três pequeninas como verdadeiras princesas, com vestidos graciosos em três tons de azul para mostrar que uma nova harmonia surgiria em Statera. Após as princesas estarem prontas ela vestiu seu vestido favorito, branco como a neve com lírios lilás que subiam dos pés a cintura, lírios estes que eram o símbolo da magia Branca e que brilhavam somente na presença desta magia. Depois de uma pequena duvida resolveu ousar em colocar um batom vermelho nos lábios mesmo com a idade para destacar no loiro dos cabelos presos em duas tranças formando um coque, e seguiu.

Ao chegar no centro do reino em um pequeno palco olhou para seu povo e começou o discurso que havia ensaiado inúmeras vezes.

— Amado povo de Statera, eu sua nova rainha venho aqui para apresentar meu reinado, minha regras e minhas ideologias – fez uma pequena pausa enquanto todos a olhavam atenciosos e continuou – Como todos vocês sabem minha irmã caçula era tão poderosa como eu, e doou toda a sua vida a vocês, ela os deu segurança, trabalho e felicidade.

‘’Mesmo casada com Ronald ela sempre manteve a paz neste reino, e esse é o meu principal objetivo, como vocês sabem após sua lamentável morte o rei estava afundando a todos nós, e como defensora da harmonia tive de intervir, Ronald não é mais um problema a esse reino e para o bem de todos a luz reinara em Statera, peço a união de vocês para voltarmos a crescer e prosperar como no reinado de minha querida irmã.

— A amada Alessandra não resistiu ao fim da gravidez mas nos deixou três graciosas herdeiras – entraram então escoltadas Elis, Luna e Alícia e todos suspiraram com a beleza delas – Como podem ver são legitimas da realeza, legitimas Brancas, eu como tia e única família delas, dou a minha palavra de cuidar, amar e educar elas para serem as sucessoras deste trono. Conto com o apoio de vocês meu amado povo, vou seguir as mesmas leis e regras da minha irmã para continuarmos caminhando para o sucesso !

Quando encerrou o discurso lhe subiu um arrepio ao esperar a resposta do povo todos os músculos rígidos da rainha se aliviaram quando a multidão gritou:

— Vida longa a rainha Alesa!

E assim deu inicio a uma nova era de paz e tranquilidade, as pequenas já haviam ganhado o coração de todos os súditos, e com a sabia rainha no comando, Statera voltou a crescer.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.