As lendas de heróis sagrados

10 O lamento dos três! Almas também choram (Parte Final)


Notas iniciais
Olá pessoal!!! Mais um capítulo da história para vocês!! Quero agradecer as 207 visualizações até o momento. Espero que gostem. Boa leitura!

Na mitologia grega as Parcas eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses quanto dos seres humanos. Eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar o fio da vida dos mortais. Durante o trabalho, as Parcas fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios. As voltas da roda posicionam o fio de cada pessoa em sua parte mais privilegiada, o topo; ou em sua parte menos desejável, o fundo, explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos.

As três deusas decidiam o destino individual dos antigos gregos e criaram Têmis, Nêmesis e as Erínias. Pertenciam à primeira geração divina originadas do Caos. As Parcas eram filhas de Nix (a noite) e assim como Nix, eram domadoras de deusas e homens. Parca, no singular, era inicialmente o destino. Na Ilíada representava uma lei que pairava sobre deuses e homens, pois nem Zeus estava autorizado a transgredi-la sem interferir na harmonia cósmica.

Na Odisséia aparecem as fiandeiras. Os poetas da antiguidade descreviam como donzelas de aspecto sinistro, de grandes dentes e longas unhas. Nas artes plásticas, ao contrário, aparecem representadas como lindas donzelas.

Cloto, em grego significa fiar, segurava o fuso e tecia o fio da vida. Junto de Ilítia, Ártemis e Hécate, Cloto atuava como deusa dos nascimentos e partos.

Láquesis, em grego significa sortear, puxava e enrolava o fio tecido. Láquesis atuava junto com Tyche, Pluto, Moros e outros, sorteando o quinhão de atribuições que se ganhava em vida.

Átropos, em grego significa afastar, ela cortava o fio da vida. Átropos juntamente a Tânatos, Queres e Moros, determinava o fim da vida.

Os meses do calendário atual foram adaptados do antigo calendário lunar. Para os romanos, eram chamadas de Parcas e o significado do nome das Parcas vem do verbo parir, dar à luz. A gravidez humana dura nove luas e não nove meses. Portanto, a Nona lua, é a Parca que tece o fio da vida no útero materno.

No antigo calendário romano, Dezembro era o décimo mês chamado de Decem, uma homenagem à deusa Décima, uma das Senhoras do Destino. A Décima lua, é a do nascimento, o cordão umbilical sendo cortado, o começo de uma vida terrena. Morta, é a Parca que preside a outra extremidade da vida, o próprio fim que pode acontecer a qualquer momento. Conta-se que elas eram cegas.

E há muito tempo Cloto fiava um novo fio que daria início a vida do pequeno bebê no Reino de Canaban, o futuro herói da nação, Ercnard Sieghart.

Nascido na nobre família dos Sieghart, Ercnard já nascia com um destino, defender o Reino de Canaban sendo líder das tropas de sua família, Os Cavaleiros Vermelhos, que eram conhecidos pelos seus enormes atos heróicos durante toda história de Canaban,

Durante seus primeiros sete anos, o garoto foi criado cercado dos mimos de sua família, tendo do bom e do melhor sempre que desejava, mas apesar disso não era arrogante ou egoísta e sim tinha um nobre coração.

Quando completou oito anos, seus pais decidiram começar a treiná-lo, porém não como todos os outros e sim um treinamento particular e especial. Com o próprio general do Reino de Canaban, Neferpitou.

Neferpitou era um homem em seus trinta anos, com cabelos e olhos negros, de altura média, que sempre estava usando um sobretudo preto. Era conhecido por sua força e determinação, não havia um só cidadão que não soubesse do seu grande feito. Em uma terrível batalha contra as tropas de Victor, um líder corrompido pela magia negra, onde as chances de vitórias já pareciam um milagre, Neferpitou, um soldado raso, foi capaz de destruir a linha de frente completamente sozinho, o que abriu espaço para seus companheiros avançarem e impedirem a vitória inimiga. Tal feito lhe concedeu a patente de General do Reino.

O pequeno Ercnard se admirava cada vez que ouvia essa história, e agora mal podia esperar pelo seu treinamento com o guerreiro mais poderoso de Canaban. Em seu primeiro dia a ansiedade subia os nervos. Quando chegou na quadra de treinamento militar do castelo real ficou vislumbrado com tudo que via, seus olhos brilhavam a cada passo que dava em direção a sua nova jornada, até que ficou frente a frente com seu novo mestre.

— E quem é você garoto? — perguntou.

— Meu nome é Ercnard Sieghart! — respondeu o pequenino alegre.

— Que belo nome, e o que você deseja? — indagou novamente o novo mestre.

— Ser o herói de Canaban, e proteger todas as pessoas, igual a você capitão Neferpitou. — falou entusiasmado.

— Nesse caso te ensinarei toda a arte da guerra para que seja o maior herói que o Reino de Canaban já teve. Ou melhor, que toda raça humana já viu. Será imbatível!

— O senhor pode mesmo fazer isso? — pareceu surpreso ao saber de quão grande poderia ser sua força.

— Claro que posso. E a partir de agora pode me chamar de Sensei. — avisou o Capitão.

— Certo, Sensei. — respondeu de prontidão. — Sensei, o que vamos aprender hoje? — olhava curiosamente todos os materiais do centro de treinamento.

— Vamos aprender como empunhar uma espada. — respondeu o Sensei preparando para começar a aula.

E a partir daquele dia um laço maior do que mestre e pupilo se criaria, um laço de amizade.

Neferpitou treinou o garoto dia após dia sem cessar, ensinando-lhe as maiores artes de luta com espada, lança e espadas gêmeas. Ercnard ia aprendendo com facilidade cada vez mais, sua dedicação era incomparável, sua vontade de ser um herói era imbatível.

Com quinze anos foi mandado a sua primeira missão oficial, onde conseguiu concluir com êxito. Seu mestre o achou digno de uma alma e coração puro para lhe ensinar magia das trevas, como encantar sua arma para que pudesse usar em combates.

O jovem jurou jamais se entregar ao poder das trevas e só usá-lo quando necessário, e assim foi lecionado na arte negra de combate. Dominando essa magia, foi ficando cada vez mais conhecido em todo o reino e finalmente, aos dezesseis anos, promovido a líder dos Cavaleiros Vermelhos, o que lhe deu uma grande festa de comemoração. Mas para ele isso não era o suficiente, ser líder daquele grupo não era grande coisa para o que tinha em mente.

Com dezoito anos foi eleito líder dos Sieghart. E também foi nesse ano em que tudo na sua vida mudaria. Em algum dia de Junho seu mestre lhe chamou em sua sala. O convite parecia bem sério pelo conteúdo ser sigiloso.

Neferpitou explicou que seus planos era tornar o Reino de Canaban imbatível com algo que se chamava Ritual da Imortalidade. Ele pretendia deixar todo o exército como seres imortais para que pudessem combater seres como os Asmodianos, que tinham um tempo de vida bem maior do que dos humanos. No entanto, era algo realmente perigoso nunca havia sido feito em nenhum humano, e pelos seus estudos necessitava de um grande espírito de luta e energia mágica para tal feito. Propôs então se seu pupilo estaria disposto a ser o primeiro cobaia para teste.

Sem pensar duas vezes, pensando no tempo em que isso lhe daria para se tornar um herói, Ercnard aceitou de imediato. O grande dia chegou e em um salão fechado do castelo começaram os procedimentos. O general invocou magia negra em suas mão e perfurou o peito de seu pupilo apertando diretamente seu coração, o jovem gritava de dor, mas pediu para concluir. Ao sentir a pulsação do coração de Ercnard, Neferpitou sentiu como era caloroso e puro, por um momento pensou em se arrepender, mas afastou esses pensamentos e então, apertou o coração, o cobrindo de magia negra, e por fim, retirou sua mão de lá. O jovem caiu no chão sem forças, sangrando pelo peito devido ao ferimento, Neferpitou achou que ele fosse morrer, mas seu ferimento começou a se fechar e assim nascia o primeiro ser humano imortal, Ercnard Sieghart.

Durante os próximos cem anos Ercnard havia se tornado uma lenda, agora abandonava seu primeiro nome e era conhecido apenas por Sieghart, o imortal. Apesar de sua grande força, o general decidiu que estava na hora dele trabalhar em equipe, o que para Sieghart não era boa ideia, para ele bastava ser líder. Sua nova equipe eram com mais três membros treinados por Neferpitou. Ikelos, o jovem que conseguiu dominar Crescente, uma das três armas demoníacas dos Asmodianos. Phantasos, da raça das fadas, conseguiu dominar a magia das trevas se tornando uma fada negra. E Morpheu, o jovem prodígio da ordem dos magos que se tornou o mago negro. Com isso, Neferpitou conseguia criar algo de seus sonhos, uma equipe que conseguisse dominar magia das trevas sem sucumbir ao mal. Com o tempo, Sieghart se tornou grande amigo de todos, e juntos eram realmente implacáveis.

Passado um ano como novo líder, apesar dos combates, haviam também as burocracias e cordialidades que ele deveria cumprir, isso incluía bailes, festas, eventos que ele não suportava. E em um desses tais eventos no qual ele achava que seria mais uma noite tediosa o jovem Ercnard conheceu a duquesa Mari Ming Onette, do reino de Calnat. Uma linda jovem de cabelos médios azuis e olhos heterocrômicos, vermelho e azul, em um maravilhoso vestido de baile roxo que valorizava seu corpo. E com aquela intensa troca de olhares, naquela noite florescia o verdadeiro amor.

Passado um ano, o líder dos Cavaleiros Vermelhos já tinha planos para seu casamento com Mari, tecnomaga de Calnat, reino conhecido por esse tipo de habilidade, oriunda e única de lá.

Em pouco tempo Calnat foi atacada por tropas Asmodianas, lideradas pelo Príncipe das Trevas, Dio Burning Cannyon. Que conhecia a fama de Sieghart e queria testar seu potencial. Em algumas horas as tropas de Canaban estavam em Calnat, e o imortal estava pronto para lutar. Mas Mari havia o alertado que deveriam recuar o povo primeiro, enquanto a linha de frente manteria Dio ocupado por algum tempo, porém ele disse que daria conta de tudo, e prometeu a sua amada que voltaria em breve para que pudessem se casar. Um último beijo de adeus, e de confiança. Seguiu para a batalha contra o Asmodiano, mas não esperava tamanha força de seu oponente, estava exausto e teve que invocar a Soluna, a espada do Sol e da Lua que era concedida no seu estado de Avatar, que foi obtido com um duro treinamento após se tornar imortal. Um impacto extremamente poderoso surgiu entre os dois, e todo o reino de Calnat juntos com seus habitantes foram destruídos.

Sieghart não podia mais acreditar. Sua amada havia morrido por sua causa e pelos Asmodianos. Ele passou a odiar tudo e todos, o Reino de Canaban, Neferpitou e até mesmo seus amigos queridos o culparam por dizimar toda tecnomagia existente no mundo, e o condenaram a expulsão de líder dos Cavaleiros Vermelhos, mais tarde a nova líder seria Elesis, e ao exílio.

Cheio de ódio e sedento por vingança ele jurou destruir os Asmodianos e também o reino em que outrora ele era o herói. Foi pego em uma emboscada feita por Dio, preso na ponte Infernal, torturado dia após dia durante três anos e selado com poderes mágicos do povo de Elyos.

Até que um dia foi misteriosamente liberto por ordens da Sacerdotisa de Canaban, e mais uma vez acordado, estava pronto para sua vingança. E seu primeiro encontro seria no reino. Onde destruiu seu antigo mestre, após saber que se tratava de um Asmodiano disfarçado.

Agora em busca de um homem chamado Uno, por ordens da sacerdotisa, que havia lhe prometido que Mari estava viva e em posse dos Asmodianos, Sieghart se encontrava em um combate terrível contra seus antigos amigos, e agora estava pronto para a sentença de morte.

— Láquesis, o que está fazendo? — perguntava Átropos ao perceber que a irmã a impediu de cortar o fio da vida de Sieghart.

—Sieghart não deve morrer. Aquela mulher desafiou nós, as Parcas, se tornando invulnerável a nossa magia. Mas as pessoas ao seu redor não são. — respondeu.

— O que pretende fazer? — perguntou Cloto.

— Mudar a sorte deste homem, e começar a vingança das Parcas. — respondeu séria. — ninguém pode ter o poder de impedir o destino que nós fiamos. A sorte está do seu lado, Ercnard Sieghart.

Morpheu se preparava para desferir seu ataque final em seu antigo amigo. Porém em um último instante foi atacado por uma katana nas costas fazendo com que sangue saísse de sua boca.

— Morpheu! — gritou Phantasos.

— Ninguém deve matar Sieghart. — disse o dono da katana.

A essa altura, pela distração de todos, o imortal já voltava a se recuperar. Mas isso levaria bastante tempo devido aos danos recebidos.

— Meu nome é Uno. E não permitirei que matem a única pessoa capaz de me entender. — disse Uno em frente ao imortal.

— Maldito! — gritou Morpheu caído com muita dor.

— Ikelos, devemos recuar. Não podemos deixar ele om esses ferimentos. — alertou a garota.

— Tem razão. Até uma próxima, Sieghart. — dito isso, os dois amigos levantaram Morpheu e o levaram de volta ao reino de Canaban.

— Quem é você? Por que me salvou? — pergunta o imortal exausto.

— Tenho algumas perguntas para você. — estendeu a mão para ajudá-lo a levantar.

De volta ao reino de Canaban, quando os alunos de Duel chegaram, perceberam que havia uma grande festa em frente ao castelo, multidões para todos os lados. Decidiram então perguntar o que estava acontecendo, até que encontraram Elesis.

— O que está havendo aqui? — perguntou Phantasos.

— O rei Eraklyon acabou falecendo em um acidente misterioso. Estão comemorando a ascensão da nova imperatriz de Canaban.

— Império?! E quem é ela? — indagou Morpheu.

— A antiga sacerdotisa, Lin.

Continua...

Notas finais
Então gostaram?! Espero que sim. Até essa semana com o capítulo 11.