As irmãs Black
3 Um estranho no meio do caminho.
Notas iniciais
Andrômeda saíra do quarto da irmã em direção aos jardins do castelo. Uma névoa leve se demorava na região. Naquela manhã, Andie ainda não havia visto sua mãe e pressupôs que ela estava ocupada demais com os afazeres do aniversário da irmã para prestar atenção nela ou em qualquer outra pessoa. Na hora do almoço, as três irmãs de Druella chegaria e mais tarde os irmãos de seu pai também chegariam; fato que estava deixando a mãe no limite do nervosismo. Os parentes de seu pai sempre deixaram sua mãe nervosa, por serem pessoas difíceis de lidar, Druella sempre tentava deixar tudo nos lugar e impecável. Andie nunca gostara de nenhum dos seus tios, talvez por eles levarem ao pé da letra essa coisa de seguir a tradição da família, mas havia um primo que ela gostava bastante. Sirius. Ele era o filho mais velho da irmã mais nova de sua mãe; como Andie, Sirius sempre gostara de quebrar as regras e odiava seguir a tradição da família; apesar de Sirius ser mais velho um ano de Andie, isso não os impedia de brincarem juntos quando mais novos e continuarem amigos agora mais velhos e era por causa dele que Andie não se sentia deslocada nas festas da família. Como Bella seria apresentada para o futuro noivo, a lista de convidados desse ano duplicara para o pavor de Andie. Sua mãe no dia anterior, havia levado-as para escolherem seus vestidos de festa e pela primeira vez Andie recebera um elogio das irmãs e da mãe sobre o vestido que comprara. Não podia negar que ele era incrivelmente bonito.
Ela caminhou entre os jardins do castelo observando cada tipo de flor que tinha ali. Não se importaria com os olhares surpresos dos jardineiros ao verem-na de pijama no meio do povo. Claro, que se não fosse a festa de Bella sua mãe já teria lhe dado o grito e mandado-a vestir uma roupa decente e lhe dito mais um monte de coisas. Druella não entendia que Andie não tinha desejo nenhum de agir como uma princesa. Ela só queria ser livre apenas. Queria ser dona de suas próprias decisões e não ficar obedecendo ordens de alguém superior. Olhou para o relógio na Torre: faltava uma hora para seus tios começarem a chegar. Ela tinha apenas uma hora para ir em seu esconderijo. Correu em direção aos campos e avistou de longe seu cavalo pastando; diferente de Bella, Andie tinha uma paixão inexplicável por cavalos. Acariciou o animal que já estava selado e montou nele indo em direção às montanhas atrás do Castelo. Para ir, Andie passara por casas de fazendas em ruínas e subira o morro. Em alguns minutos já estava em cima do morro. Era o lugar mais bonito dali, pois tinha uma ampla visão do povoado que quase nunca visitava. O centro do povoado se estendia por apenas dois quarteirões onde havia muitas lojas fechadas. Atrás dela podia ver o imenso castelo em que morava. Quando pequena, tinha a mania de vir para cá quando seus pais lhe chamava a atenção ou quando Bella lhe dizia coisas duras. Ficava enquanto podia e só voltava para casar depois do por do sol. Estava tão absorta em seus pensamentos, que não percebera a presença de um estranho no local e só fora perceber quando ele levantou-se de onde estava e caminhou em direção à Andie que recuou assustada. Ele era um jovem que usava roupas simples, mas parecia perdido.
– Desculpe-me, não quero assustá-la. – Ele disse. A voz rouca fizera arrepiar-se de medo. Andie não tinha com quem conversar no castelo e as poucas pessoas com quem conversava (escondido, é claro) era os empregados. – É só que, preciso ir ao castelo do Rei Black e não sei o caminho. – Ele riu sem graça.
– O que você pretende fazer lá? – Ela perguntou desconfiada cruzando os braços. O estranho deu um passo mais à frente e Andie recuou mais ainda. Ele balançou a cabeça.
– Quem é você? – Ele perguntou analisando-a. Andie ponderou por um momento. Será que seria seguro ela lhe dizer quem era? Sim, era mais seguro. Assim ele teria receio de fazer qualquer coisa conhecendo a fama de seu pai.
– Sou Andrômeda, Andrômeda Black. – O olhar dele passou de curiosidade para surpresa e Andie sorriu vitoriosa. – Filha do Rei Black e não irei informá-lo onde moramos até saber o motivo de você querer saber.
– Andrômeda... A filha do meio de Cygnus – Ele riu baixinho – Fala como o pai e age da mesma forma também. – Ele coçou a cabeça – Fui convidado para o aniversário de sua irmã, a senhorita Bellatrix Black. – Andie assentiu – A propósito, sou Teddy; Teddy Tonks.
– Você estava indo no rumo certo. Por que parou? – Andrômeda perguntou.
– Por causa dessa encruzilhada – Ele apontou para a encruzilhada à sua frente e Andie murmurou “ah” em resposta – Fiquei em dúvida por onde ir, ainda bem que encontrei você. – Ele sorriu de lado.
– Certo – Ela respondeu sem jeito. Nunca ficara a sós com um rapaz em sua vida. – Eu tenho que ir – Ela disse depois de perceber que ainda estava de pijama; tal pensamento que a fizera corar rapidamente – Você vem? – Ela perguntou montando no cavalo. Teddy assentiu montando em seu cavalo também.
– Obrigado por estar me ajudando – Ele disse enquanto cavalgavam em direção ao castelo.
– Não tem de quê. – Ela disse sentindo o coque se soltar. Provavelmente devia estar assustadora, de pijamas, descalço e com os cabelos arrepiados . – Está chegando cedo para o aniversário, você é de qual reino? – Ela perguntou e não percebeu quando Teddy se remexeu desconfortavelmente no cavalo.
– Um reino bem distante – Ele disse e Andie sorriu divertida – Sou o príncipe Teddy, meu pai era o rei Tonks, morreu em um acidente e logo depois minha mãe se casara com meu tio. – Ele riu amargurado. Andie olhou-o penalizada. Pelo tom de voz de Teddy, Andie percebera que ele não estava feliz com o casamento de sua mãe e achou melhor não continuar com a conversa. O restante do caminho para o castelo fora em absoluto silêncio; e ao chegarem lá Andie dera a desculpa que tinha que levar seu cavalo para o estábulo e assim sumira de vista do rapaz. Mas a verdade, era que ninguém do castelo poderia ver a princesa chegando do meio do mato com um rapaz; seu pai mataria o garoto e sua mãe provavelmente lhe deserdaria.
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