As irmãs Black
4 Distrações de Narcisa
Notas iniciais
Narcisa colhia flores no campo quando suas tias maternas chegaram no palácio. Eram meio e dia e Narcisa já podia escutar seu estomago roncando de fome, porém não tinha tantas esperanças de almoçar logo; na noite anterior sua mãe deixara claro que o almoço iria sair bem mais tarde do que o habitual; por isso Druella não se importara quando Narcisa lhe disse que iria mexer com suas flores no campo até perto do almoço ser servido. Com uma jardineira simples e luvas cor de rosa, Ciça mexia com habilidade nas roseiras do castelo; era a única coisa alem de desenhar roupas que ela gostava de fazer, tal situação que era criticada pelas irmãs, mas ela não se importava. Ali mexendo com a terra, Ciça começara a pensar que era de fato irônico que as irmãs a chamava de fresca.
Sabia que a maioria das pessoas que a conhecia, a achava uma patricinha nojenta. Mas, Ciça era muito mais do que uma patricinha. Ela tinha preferência sim por rosa, mas não se importava em sujar a unha mexendo com terra ou até mesmo de retirar uma minhoca de um vaso de planta; gostava de ajudar as cozinheiras a preparar o almoço e não tinha frescura em lavar seu próprio banheiro. Ela até gostava desse tipo de coisa. Se fosse para chamar alguém de patricinha nojenta essa pessoa com certeza seria Bella. A irmã era cheia de não me toque e algumas vezes dava chilique se seu vestido estivesse um pouco amassado. Ela não era assim e tinha a certeza que jamais agiria como a irmã; aliás, era muito diferente das irmãs mais velhas. Todos falavam que Bella e Andie eram bem parecidas no temperamento — tal argumento que as duas discordavam profundamente – e Narcisa concordava convicta. Andie poderia ser o filho homem que o pai não tivera, mas quando ela queria ela conseguia ser tão má quanto Bella, ou tão fria quanto a irmã mais velha e Bella também conseguia as vezes ser tão petulante quanto Andie e Narcisa... Bem, a mais nova estava preocupada demais em sonhar com o futuro para prestar atenção nas queixas das irmãs. E fora num desses momentos de distração que Narcisa não vira quando Andie saíra da mata juntamente com um jovem rapaz; para a sorte de Andie, Narcisa só percebera que havia mais convidado na casa quando o galope de cavalo chegara à seus ouvidos. Ela se virara para ver quem era o tolo que estava na roseira com um cavalo à ponto de esmagar todas as rosas que estavam nascendo. Seu rosto ferveu de raiva.
– Quem é você? – Narcisa perguntou com tom de voz superior. Uma das características marcantes dos Black. O estranho riu e jogou a cabeça para trás. Narcisa juntou os olhos encarando o estranho quando percebera que o desconhecido na verdade era bastante conhecido. Colocou a mão na boca para esconder a surpresa. Mais alto do que ela se lembrava e com os cabelos maior e o corpo um pouco mais atlético, ali na sua frente, estava ninguém mais ninguém menos do que Sirius Black. Seu primo mais velho. – Sirius! – Ela disse correndo para abraçar o primo.
– Não acredito que não me reconheceu Barbie! – Ele disse e Narcisa sorriu ao escutar o apelido. Apenas Sirius lhe chamava assim. – Espera, eu estou tão bonito assim que você não me reconheceu? –Ele disse brincando.
– Continua o mesmo convencido. – Narcisa revirou os olhos. – Eu vi sua mãe chegando com Régulos, mas não o vi, até pensei que não iria vir. – Sirius dera de ombros.
– Fui dar uma volta, matar a saudades. – Ele sorriu olhando à sua volta – Continua com a mesma fixação por flores ainda. – Narcisa assentiu feliz. – Fico feliz que sua essência continua a mesma. – O tom de voz de Sirius estava sombrio.
– O que você quer dizer com isso? – Ela perguntou curiosa pela súbita mudança de tom na voz do primo.
– Nada demais – Ele colocou a mão no bolso – Só que tive o prazer de reencontrar Bella, depois de cinco anos. – Narcisa assentiu entendendo o que o primo quis dizer. A Bella de hoje estava muito diferente da Bella de cinco anos atrás; mais maléfica e fria do que de costume. – Ela mudou bastante, sabe, gostava mais da Bella que ria das minhas piadas idiotas. – Ele riu nostálgico.
– Todas mudamos Sirius, não somos mais a mesma. Veja só, Bella com vinte e quatro anos já está louca para casar... Quem diria não é? Há cinco anos atrás ela faltava pouco nos torturar se ousássemos falar de casamento perto dela – Eles riram – E Andie, acho que é a única que continua mesma de sempre.
– Andie sempre fora muito parecida comigo. Fico feliz em saber que ela continua assim. – Narcisa sentiu uma pontada de ciúme, mas ignorou. Ela nunca fora tão próxima de Sirius por conta das idades, mas quando Bella a fazia chorar, Sirius era o único que confrontava-a para lhe defender e era por isso que ela gostava tanto do primo. De todos os primos, Narcisa se dava melhor com Régulos, ele na verdade era seu melhor amigo desde sempre. Os dois tinham a mesma idade e o mesmo modo de pensar, porém, de um tempo para cá, Régulos tinha se mostrado mais distante da família e de Narcisa principalmente.
Eles conversaram mais um pouco e só foram interrompidos pela governanta da família dizendo-lhes que o almoço iria ser servido dentro de uma hora e que Druella ordenara que Narcisa fosse se aprontar-se rapidamente. Após despedir-se do primo, a mais nova seguiu em direção ao seus aposentos. O quarto de Narcisa era todo rosa e branco, com um papel de parede de flores do jeito que ela gostava. Assim que chegara no corredor, estranhara a porta de seu quarto aberta, já começara a preparar para brigar com Andie – pois a irmã que tinha mania de entrar em seu quarto e deixar a porta aberta – porém, ao entrar, percebera que não era Andie que estava lá e sim um garoto. Ela encarou-o petrificada. Quando Narcisa o vira de longe, estava distante o suficiente para não prestar atenção nele, mas assim, ao vê-lo tão de perto ela sentiu algo estranho dentro dela. Por quanto tempo ficara sem vê-lo? Aos dezoito anos, Régulus era um garoto bem formado, com corpo esbelto e os cabelos lisos caindo sobre o olho; os olhos tão negros quanto o de Bella mas calorosos. Ele estava sentado no parapeito da janela contemplando o jardim do lado de fora; Narcisa não tinha certeza quanto tempo ele estava lá, mas da onde ele estava tinha a clara visão dela mexendo nas flores.
– Régulus. – Ela murmurou atraindo a atenção dele para ela. Só havia se passado três anos desde a ultima visita do garoto ao palácio, mas os irmãos Black haviam mudado tanto.
– Ciça. – Ele disse com a voz arrastada como se tivesse preguiça de pronunciar. – Estava te observando. – Seu rosto corou.
– Por que não fora conversar comigo? – Ela aproximou-se dele, não tão perto, mas o bastante para sentir o perfume que exalava dele. – Senti sua falta. – Ela admitiu.
– Também senti. – Ele encarou o azul do olho dela. – Eu precisava te ver pela ultima vez. – A voz dele tornou-se sombria. Narcisa lhe deu um olhar confuso. – Não me pergunte nada, você sabe que não consigo mentir para você Ciça.
– O que é que está acontecendo Régulus? – Ela perguntou sentando-se no chão de frente para o primo – Eu li uma carta da sua mãe para a minha, e lá afirmava que você não andava bem. O que anda acontecendo? Somos melhores amigos e não escondemos nada um do outro. – Ela segurou a mão do garoto.
– Eu não posso dizer – Ele fechou os olhos e bateu a cabeça na parede. – Por favor Ciça, não me pressione. – Ele tirou a mão dele da dela. – Hoje a meia noite, me encontre no roseiral. Não se esqueça de ir. – Ele levantou e caminhou em direção à porta – Te esperarei lá. – Disse por fim, deixando Narcisa completamente confusa para trás.
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