Hoje eu vou na casa do Leonard. DE NOVO. SIM, DE NOVO. Mas não é para ficar com ele, é para falar com os pais dele. Por quê? Porque tenho que saber como toda a escola soube do nosso namoro. Vou tirar satisfação.

Chamo a mãe dele, ela me atende:

– Quem é?

– Sou eu.

– Quem?

– Amy Night.

– Não te conheço.

– Conhece sim, sou a namorada do seu filho.

– Meu... Filho não tem namorada.

– Tem sim, quer apostar? Me desculpa senhora, mas preciso falar com você.

– Ah... Tudo bem, menina, entre. – eu entro na casa, o pai continua na mesma pose, a empregada toma um susto com minha presença. Ela pede que eu sentasse no sofá, junto ao seu marido, e pede para a empregada ir fazer alguma coisa.

– O que você quer? – diz a mãe.

– Quero saber se gosta de mim, se me respeita.

– Ora pois, te respeito sim, só acho que deveria deixar seu cabelo na cor natural, não vermelho.

– Eu sou ruiva de nascença.

– Não parece, é tão artificial, parece até..

– Vamos deixar dessa conversa e ir ao ponto, senhora? Estou com pressa.

– Então tudo bem, vou dizer, não gostei muito de você quando veio para estudar com meu filho. Achei você muito rebelde para ele.

– Por isso contou para a escola que namoramos?

– Eu nem sabia. A Lúcia me contou. Ela ouviu a conversa dos dois, mesmo com os abafadores. Não vou mentir, eu pedi a ela que fizesse isso. Fiquei curiosa com sua inusitada visita ao meu filho.

– Lúcia?

– Nossa empregada.

– Isso é muito cruel, senhora...

– Eu sei. Mas não gosto do meu filho com más companhias. – ela me olha de cima a baixo.

– OLHA AQUI, SENHORA. NÃO SOU MÁ COMPANHIA. E SE VOCÊ ACHA ISSO, É SÓ VOCÊ. SE VOCÊ CONTINUAR PRENDENDO SEU FILHO, ELE VAI CONTINUAR TRISTE E DEPOIS VAI EXPLODIR. TOME CUIDADO COM VOSSA VIDA.

*silêncio*

Depois de um tempo, o Leo percebeu que havia alguém em sua casa:

– Amy??

– Oi, Leo. Não se preocupe, só vim bater um papo com sua mãe. – olho para ela de cima para baixo.

– Teve briga por aqui?

– Não, mas vai ter. – me direciono a cozinha, onde a tal Lúcia fica. Ela tá lavando os pratos, eu chego, e tomo o prato que tá na mão dela:

– Então foi você, sua imunda? – quebro o prato no chão.

– Eu o quê, moça??

– Ora moça... Você que espionou nossa privacidade.

– Eu??

– Você sim, e não se faça de lesa!

– Mas... Eu só obedeci ordens.

– Não senhora! Se ela morrer você morre também? Você não precisa fazer tudo que ela manda! Quem errou foi você!

– Me perdoe. Fiz isso para aumentar meu salário. – Leo tenta me acalmar, estava muito nervosa.

– Calma Amy! Nunca vi você assim!

– Espera Leo! Tenho que acabar com esse assunto de ve.. – sinto uma pontada no coração, como se uma agulha espetasse ele. Fico ofegante. Minhas mãos formigam. Sinto-me tonta outra vez, mas muito forte. Por um momento não ouço quase nada. Apenas algumas vozes, da minha mãe e do Leo. “Amy! Minha filha! O que houve? Acorde!!” e “Amy! Amor!! O que foi?? Acorde, por favor!!”. Depois tudo ficou escuro.