As incríveis aventuras de Amy Night
8 Pressão baixou
[Narrador]
Amy se arruma. Perfume. Máscara. Maquiagem. Batom. Depois de muito tempo, viu que não era ela (ela não gosta muito de maquiagem) e foi para a casa de Leonard sendo ela mesma: Com uma blusa branca, short jeans azul, e um All Star azul. Essa é a Amy. Ela chega na frente do portão, respira, prepara para apertar o “ding dong”, e falha. Respira, respira, respira... E... Aperta. Vem uma voz de velha falando:– Quem fala?– É... A Amy. *silêncio*– Que Amy??–Eu sou amiga do seu filho, Leonard.– Ele não tem amiga.– Eu só vim para estudar com ele. (mentira do bem) – Olha aqui, meu bem... – chega à voz do Leonard no interfone– Sai, mãe, ela é uma convidada especial!– Desculpa, Amy, minha mãe é uma idiota. Pode entrar.[Personagem] Coração batendo, mãos suando, rosto vermelho e...Eu entro. Vejo quadros antigos e entediantes, a mãe dele com uma verruga no final do queixo me encarando, o pai toma café e lê uma revista, a empregada sorri. Sinto-me uma estranha.– Desculpa, ta? Minha mãe tem ciúmes de mim.– Você nunca teve um amigo?– Já tive vários, mas ela os expulsa.– Ah...– Pode entrar, aqui é o meu quarto. – Vi paredes pintadas, pôsteres de bandas e rebeldia. Mas ele continua sendo fofo.– Sua mãe não vai brigar me vendo dentro do seu quarto, com a porta trancada?? – eu disse.– Não. Se for pelo estudo, ela deixa ficar até em cima do piano. – eu ri. Passaram-se as horas, e fomos nos empolgando. Ele com o violão, nós dois cantando (obs.: para ele poder tocar e cantar o quanto quiser, sem que os pais briguem, ele colocou uns abafadores de som por toda a extensão do seu quarto). Eu em cima da cama de solteiro, e ele no chão, tocando Legião Urbana. Estávamos acabando a música “Será”: “Será só imaginação?Será que nada vai acontecer?Será que é tudo isso em vão?Será que vamos conseguir vencer?Ô ô ô ô ô ô ô ô ôBrigar pra quêSe é sem quererQuem é que vai nos proteger?Será que vamos terQue responderPelos erros a maisEu e você?” Nesse momento, não sei o que deu nele, mas a cena era a seguinte: Eu, de cabeça para baixo, na cama, e ele na minha frente, no chão. Ele simplesmente ergueu minha cabeça, falando:– Você canta tão bem. – E me beijou.
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