As habilidades da Magia
5 O pior dia da história.
Notas iniciais
Eu não sou muito organizado, mas até eu fiquei horrorizado com a bagunça. Depois que minha irmãzinha linda (#SQN) quase me sufocou com as malas, nos mandaram para quartos de lados diferentes. Eu fui para a direita e ela para a esquerda. A entrada da esquerda me levou para um corredor escuro com várias portas, algumas tinham desenhos ou plaquinhas feitas a mão. A porta que disseram que era a minha estava com um desenho de uma caveira muita malfeita e tinha o número 18 meio preso . E aqui estou eu agora, parado na moldura da porta e olhando para a bagunça que me cerca. O quarto tem duas beliches de cada lado e entre elas quatro baús encostados na parede. Três dos baús estão abertos com roupas saindo de dentro deles. As beliches parecem que foram atingidas por um furacão, só que em vez de levar, ele deixou entulhos aqui: pacotes de biscoitos, latinhas de refrigerantes e acho que eu vi uma coisa peluda se movimentar ali no meio da cama de baixo. A única cama que só está um pouco desarrumada e sem nada em cima é a do alto na direita, eu suponho que seja a minha. Caminho em direção ao baú vazio e começo a esvaziar minha mala, coloco minhas coisas lá dentro e sento em cima dele pra fechar. Sento em cima da beliche e fico olhando ao redor, quando nos trouxeram eu imaginei alguma coisa mais obscura, sei lá, um fosso, dormitórios no calabouço talvez. Isso aqui parece muito cotidiano pra ser normal. Suspiro e começo a olhar para o teto, vejo que ele tem vários adesivos de planetas e estrelas que brilham no escuro. Apesar de ser meio infantil, eu gosto.
– Que suspiro dramático, espero que o seu dom não tenha a ver com teatro — Uma voz diz isso com uma pitada de diversão. Olho pra baixo e vejo que tem um garoto parado no meio do quarto me olhando como se soubesse de alguma coisa que eu não sei. Ele é alto e magro com cabelos castanhos e olhos verdes. Está com as mãos no bolso de sua bermuda verde e eu vejo uma corrente em volta do seu pescoço. Parece que tem alguma coisa no final, mas está oculta pela sua camisa.
– Eu sou o Naveen, mas pode me chamar de Nav — Ele continua falando — Eu sou um dos seus colegas de quarto e vim aqui te buscar pra ir jantar.
Eu olho pra ele com desconfiança. — Como você entrou sem eu ouvir?- Ele só sorri em resposta e começa a andar pra fora do quarto. Sem ter mais o que fazer eu o sigo.
– Aqui é o seguinte — Ele volta a falar enquanto caminha pelos corredores- Nós acordamos as 7:00 e tomamos o café da manhã no refeitório que é pra onde eu estou te levando, depois nós temos duas aulas, cada uma com 3 horas. 13:00 nós almoçamos e depois temos mais uma aula. Depois disso nós temos as aulas extra, são as aulas que você pode escolher na diretoria, são três e elas se repetem todo dia, as 19:00 é a janta e depois você pode dormir quando quiser desde que consiga acordar cedo. Sábado e domingo você está livre pra fazer o que quiser se não tiver alguma atividade de campo. — Ando atrás dele tentando absorver toda essa informação — As aulas normais do dia são escolhidas pela direção de acordo com os dons da pessoa e a cada seis meses algumas delas mudam.
Ele para de falar quando chegamos em um lugar grande, com duas portas de correr feitas de vidro. Lá dentro tem várias mesas espalhadas e um grande balcão de mármore com algumas mulheres atrás dele usando touca e avental. As mesas estão apinhadas de gente, adolescentes , adultos e algumas crianças correm pelo salão. Um burburinho formado por um monte de pessoas falando ao mesmo tempo enche o cômodo e uma das mulheres de touca fala nomes em um megafone.
Eu continuo olhando as mesas e acabo vendo a cabeça com cabelos pretos longos da minha irmã. Ela está sentada em uma das mesas do canto rindo de alguma coisa que uma garota loira disse. Ela parece feliz, como se essa já fosse a família dela e isso me enche com uma sensação estranhamente ruim.
– Então, todo dia tem um cardápio , você escolhe o que quer comer e vai até o balcão, diz pra uma das mulheres e dá seu nome e sobrenome, quando seu prato ficar pronto elas dizem seu nome no megafone e você vai buscar, funciona assim na janta também. Só no café da manhã que é um bufê e você mesmo se serve — Naveen que tinha me dado um tempo pra observar fala parecendo muito entediado — Eu vou sentar ali — Ele aponta para uma mesa com alguns garotos e uma garota — E depois que você pedir sua comida pode vir sentar comigo se quiser — Ele dá um tapinha amigável nas minhas costas e anda em direção a mesa.
Você já teve a sensação de que é o único diferente num lugar e que todos estão olhando pra você? Bem, é exatamente isso que eu estou sentindo agora.
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