As estrelas se alinham
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Notas iniciais
'Nós sabemos que estive muito tempo só e totalmente parado no tempo, no meu tempo. Sei que a vida é curta, mas só damos o verdadeiro valor a essa frase quando não temos mais tanto tempo e é por isso que nós adolescentes comuns adoramos desperdiçar nossas vidas de merda reclamando de como odiamos provas e como queremos nascer denovo só que mais bonitos (se bem que acredito que isso não irá mudar muito no meu caso). Enfim, não estou escrevendo nesse diário velho pra refletir sobre coisas que ja reflito o tempo todo nessa minha cabeça confusa, mas sim porquê nessas férias meu melhor amigo, Pierce (e que já estou cansada de citar esse viado aqui) se mudou pra esse fim de mundo chamado Bergeny, e pra minha grandiooosa surpresa, ele conhece a maioria dos adolescentes que moram aqui, talvez seja pelo fato de seus tios morarem uma rua acima da minha, mas isso não seria justificável se fosse no meu caso. Não vou visitar meus tios e aproveitar pra sair e fazer amizade com quem passar por mim, mas isso é tanto a cara do Pierce que não me comove, não mais.
Bom, passou menos de uma semana que essa desgraça se mudou e já me convidou para uma festa. Me mudei há 8 meses e mal fiz amizade com as plantas da minha casa, porra. Esse menino me irrita tanto por ser social, mas me alegra pra caramba por pensar em mim nessas horas, um morto como eu que não sai há séculos e reclama de dor na coluna quando dá 10 passos. Posso não andar muito mas a verdade é que sempre quero sair. Quando eu morava na minha antiga casa, Pierce me chamava pra ir beber com seus amigos, um 'eu' meu dizia ''SIM, POR FAVOR TIRE ESSA BUNDA QUADRADA DAÍ E CONVERSE UM POUCO'', já meu outro 'eu' não era de falar muito, sempre dizia o mesmo: ''você só vai passar vergonha''. OBVIAMENTE que analisando essa situação não precisaria nem dizer que o meu segundo 'eu' que sempre ganhava essa discussão.
Sem querer enrolar muito (não querendo dar spoiler mas já dando, tenho uma festa do balaco baco para ir) dessa vez aceitei e vou sem medo, talvez eu morra amanhã e pouco antes lembre desse momento e nunca me perdoe por ter dito que estava muito ocupada fazendo muitos nadas e deixar Pierce triste mais uma vez. Acredito que todo adolescente pense isso antes de dizer que vai a uma festa, claro.
Eu e Pierce nos conhecemos há uns quatro anos e não sei exatamente o que nos aproximou tanto, somos bem diferentes e ao mesmo tempo bem equilibrados, eu amo a companhia dele, apesar de meio exagerado e nercisista e exagerado.
Ah , lembrei, nós nos conhecemos quando um grupo de pessoas estavam falando sobre animes no intervalo da nossa escola (que agora não será mais nossa escola), sim, animes. Éramos dois otacos fedidos procurando por outro otaco fedido e falar de otaquisses. Essa foi a primeira e única vez que os animes ajudaram na minha vida social.
Uh, eu nem sei porque estou falando disso, já devo ter contado nesse diário como nos conhecemos, mas adoro voltar no tempo e falar das mesmas coisas como se fosse a primeira vez e ainda em um diário, onde só eu vou ler mas conto como se fosse para várias pessoas, é...Me pergunto se isso é normal.
Enfim, não vou ficar enrolando, tenho roupas para vestir, isso se Pierce deixar eu vestir o que quero, musicas para dançar (na minha cabeça apenas, claro) e bebidas super fortes para beber (espero que tenha batidinha de maracujá, é o máximo de alcool que já provei). Que eu não tropece no nada e caia no chão hoje, amém meu senhor Jesus Cristo.'
—Taylor, Pierce está aqui! — Minha mãe diz num tom mais elevado que o de costume.
—Abra pra mim, por favor, já estou indo! — E lá vou eu.
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