As estrelas da noite

1 Sem sentimentos ou sem alma?


Bom, prazer conhecer você, ou melhor, não conhecer, quando você estiver lendo isso já é tarde demais, então... Vou te explicar tudo pra que não me pergunte nada... Depois de... Bom, meu nome é Jace Katori, meus avôs são asiáticos então, eu tinha que ter o sobrenome deles. Bom, meus pais morreram quando eu tinha 3 anos, e a única lembrança que eu tenho deles é uma música que eles cantavam para eu dormir, desde esse dia sou criado pela minha avó, (meu avô está internado desde meus 10 anos, e ele era muito doente, então minha avó cuidava de tudo). Ah, é mesmo, chegou a hora de contar realmente da minha vida. Boa sorte!

Vó — Não vai tomar o café da manhã Jay?

Jace — Não

Vó — Por favor! Eu fiz com tanto carinho...

Jace — Vó, eu não tenho tempo *bota fone de ouvido*

Jace — Já é tarde, tenho que ir

Vó — *beija Jace na bochecha* Tchau! Se comporte!

Jace — Tá... (ela sabe o quanto eu tento me comportar...)

Na escola...

Jace senta no chão, debaixo de uma árvore e começa a escutar música...

??? — Hey seus pais não vieram pra reunião de novo?

??? — Ah, espera, eles MORRERAM!!!

??? — hahahahahaha

Jace fecha seus punhos com força, mas não responde à pessoa

??? — Que foi? Seus pais nunca te deram educação?

??? — Deve ser porque você é o netinho que vive no colo da vovó!!!

Jace começa a sentir pontadas em sua coluna

??? — Não vai me responder não? Que foi? Tá com medinho de apanhar?

Jace se segura

??? — Heh, sabe que vai apanhar do mesmo jeito *se prepara para bater em Jace*

O sinal toca

??? — Salvo pelo gongo, mas na próxima vez não serei tão piedoso!

Jace sobe as escadas sem nunca olhar para ninguém, nem expressar sentimento algum em seu rosto, ele sabe que as pessoas podem se aproveitar de qualquer brecha em sua defesa.

Na merenda...

Jace — (Hum... Não sei porque o professor insiste em tentar explicar química pra esses... Zumbis, só querem cérebros porque os deles apodreceram! Aquele maldito Brian!)

Jace — (Melhor ficar longe dele, por hoje, vou tentar achar um canto sossegado para desenhar)

Jace vai pra biblioteca (que tem menos gente que o resto da escola) ele coloca seus fones, coloca música, pega seu caderno lápis e borracha para começar a desenhar

Até que...

??? — Oi!

Jace — *ignorando*

??? — Você tá me ouvindo?

Jace — Sim... *não presta atenção*

??? — Qual seu nome?

Jace — Pra que saber? *continua a desenhar*

??? — Porque sou nova na escola, e queria conhecer você

Jace — Não

??? — Porque não?

Jace — Você não tem necessidade de saber meu nome, tanto como não tenho de saber o seu

??? — Mas dizer o nome é educado!

Jace — Educação e respeito são duas coisas que essa escola não admite, basta olhar para os corredores daqui

??? — Só porque eles falam umas besteiras e fazem umas também??

Jace — Você ainda tem tempo de sair daqui

??? — Porque? Conheci um garoto tão legal hoje!!

Jace — (parece uma criança, ela não sabe oque a espera)

Jace — Se quer sofrer, a escolha é sua

??? — Pessimismo não leva a nada

Jace — Otimismo também não

??? — Você gosta mesmo de desenhar não é?

Jace — Não

??? — Então porque faz isso?

Jace — Você não deve saber

??? — Porque?

Jace — Não é nada da sua vida

Marcy — Hum... Ah! A propósito, meu nome é marcy

Jace — Hum... *não parou de desenhar um instante*

Marcy — De que turma você é?

Jace — 1 ano

Marcy — Eu também! Será que vamos estudar juntos?

Jace — Tanto faz...

Marcy — Porque você é assim?

Jace — Porque não pergunta pra escola toda? *começa a ficar agressivo*

Marcy — Desculpe...

Jace — Não faça perguntas bobas, eu não tenho todo o tempo do mundo

Marcy — Mas você não parou de desenhar nem por um minuto

Jace — Mas enquanto você me faz perguntas eu poderia estar escutando música

Marcy — Posso escutar também?

Jace — Não

Marcy — Porque?

Jace — Porque você vai usar o meu fone, e eu detesto quando usam minhas coisas

Marcy — Oh...

Marcy — Você tem amigos?

Jace — Desnecessário

Marcy — Os amigos?

Jace — Sim

Marcy — *levanta da cadeira* Mas são eles que te apoiam e te ajudam nas horas difíceis felizes e até tristes da sua vida, quando você faz coisas malucas ou ridículas são eles que estão lá para te acompanhar, rir com você, rir de você, fazer piadas do seu cabelo, roupa, mas que sempre serão os primeiros a pedir desculpas.

Jace — ... *olha pro desenho*

Jace — Por isso não preciso de amigos

Marcy — Porque?

Jace — Porque desde meus 3 anos...

Jace — *olha fixamente para o desenho* Eu não sinto nada...

Marcy — Nem raiva?

Jace — Eu bato nas pessoas porque elas fizeram algo de errado

Marcy — Sem ódio?

Jace — Pra que?

Marcy — E o amor?

Jace — As pessoas que eu amava eu nem ao menos conheço

Marcy — Nem amor por um parente sequer?

Jace — Eu respeito a minha avó

Marcy — Mas não a ama?

Jace — Como eu disse, eu respeito ela

Marcy — Mas ela é sua avó!

Jace — *olha pra ela com olhos vazios* Quem eu amo já morreu há muito tempo

Marcy — Mas se você não tem sentimentos... Você... Não tem alma...

Jace — Que nem os demônios

Marcy assustada se levanta da cadeira, se despede e senta nas escadas

Marcy — Que garoto estranho...

O dia termina, todos vão para suas casas. Mas eu, sem perceber conheci a garota que tinha mais sentimentos em seu coração do que qualquer pessoa que eu havia conhecido ou conhecia. E seu nome era Marcy...

Notas finais
Pra quem não entendeu porque ele ama a avó, eu explico no próximo capítulo. E a pessoa no começo desse capítulo é diferente da Marcy.