Notas iniciais
Oin. Gente, hoje, aqui está o primeiro capítulo de um personagem já repetido. Mas ainda não acabaram os personagens principais. Ao todo, serão nove, Foram apenas 4: Gan, Cawel, Annie e Elysia. Divirtam-se

CAWEL

Já era noite quando os Sanguardas – Cavalheiros mais fiéis do reino de Sanchezo – Rodearam a zona onde a segunda pedra caíra, com estacas de madeira. A pedra caíra bem longe da casa de Cawel, mas já se ouviam notícias de cidadãos com a doença do raio.

O rei de Sanchezo, alto e esbelto, novo ainda, já sabia o que estava por vir. Não era tão alegre, tinha o dever correndo em suas veias. O rei recolheu a pedra do solo, e até hoje não pediu a segunda recompensa.

Tinha acabado de acordar.

Vestiu suas roupas mais simples, e desceu para a cozinha, como fazia sempre em sua rotina.

Estranhamente, sua avó não se encontrava ali na cozinha como sempre.

Cawel arqueou as sobrancelhas e subiu para o terceiro andar, onde ficava o quarto da avó.

Eram raras as vezes que Cawel tinha permissão para entrar ali. A avó odiava, dizia que um quarto de uma sacerdote era sagrado, e apenas sacerdotes eram bem-vindos.

A porta do quarto de sua avó era vermelha, talhada com flores em cada canto, e no centro um circulo partido ao meio.

Cawel bateu na porta. Não ouve resultado.

Esperou um pouco, e bateu de novo, desta vez com mais força.

Toc Toc Toc. Sem resultados.

O menino abriu a porta vagarosamente, com medo de a avó o repreender.

O quarto era mais barango que bizarro. Era todo vermelho e preto, com joias presas nas paredes, e as janelas e cortinas fechadas, apenas a do centro jazia aberta, fazendo a luz do sol passar apenas ali, onde a avó se encontrava sentada, imóvel como uma estátua, com um colar de prata em suas mãos.

– V-vó? – Gaguejou Cawel. – Está tudo bem?

Cawel foi adentrando devagar no quarto pequeno. Em suas paredes havia desenhos brancos, cada um com uma forma diferente, e Cawel se perguntou o que aquilo significaria.

A avó estava de olhos abertos, vazios e profundos, olhando para o nada.

Mas em seus olhos não havia pupila. Em toda a região do olho, estava um espelho. Mas o espelho não refletia o que Cawel via, mas o que a avó via.

Ele não via muito claro, mas conseguiu enxergar ele e mais uma menina de cabelos negros e grandes, em um gramado verde, e então ela pegou algo do chão. Cawel se aproximou do rosto da avó para poder enxergar melhor, mas a avó fechou bruscamente os olhos, e quando os abriu, estavam ali, de novo, as pupilas.

– Cawel! – Disse a avó severa. – O que faz aqui! Já lhe disse que não quero você aqui.

– Desculpe vó, — disse ele rapidamente – Eu bati na porta, juro que bati, mas a senhora não respondeu. O que foi aquilo vó? O que aconteceu!?

A vó ohou com desdem.

– Não é da sua conta. – Disse ela. – Vá ao merc...

– Não! – Disse ele antes que a avó terminasse de falar. – Olha, eu já estou cansado de você me dá ordens apenas para mudar de assunto. Já tem um ano que estão acontecendo coisas estranhas aqui, e eu quero uma explicação.

– Fale direito comigo, mocinho! Sou sua avó, e sou a única que cuida de você. – Disse ela. – Agora vá ao mercado e compre qualquer... qualquer coisinha que achar.

De passos pesados e largos, Cawel saiu do quarto.

Não queria ir ao mercado, como ia todos os dias. Já estava cansado da mesma rotina sempre.

Tinha ele escolha?

Desceu as escadas, e saiu de casa.

Caminhou pelo mesmo caminho que fazia todos os dias, mas desta vez, parou no rio.

O rio hoje estava correndo firme e rápido, e mulheres lavavam suas roupas e crianças nadavam ali.

Cawel deu um sorriso. Atravessou a ponte de madeira até o meio, onde ali parou. Subiu em seu suporte apoiando na ponta dos pés. Olhou para baixo. A água funda e límpida corria.

Talvez, se Cawel não tivesse escorregado ali, não tivesse de roupa e tudo, mergulhado no rio.

Com toda certeza ele não se arrependeu.

O calafrio da água gelada percorreu seu corpo em uma sensação gostosa e refrescante. Seus cabelos ruivos balançavam em encontro a água, e Cawel nadou até o fundo.

Graças aos Deuses, seu fôlego era gigante.

Nadou até seus ouvidos doerem. Ficou ali, então, parado, olhando para cima, onde o sol refletia na água, e onde pés de meninos nadavam ali.

Não aguentou, decidiu subir de volta, buscar fôlego, e talvez mergulhar de novo.

Mas seu pé prendera.

Cawel deu um grito desesperado, perdendo o fôlego mais ainda.

Estava prestes a desmaiar, quando viu uma pulseira de prata prendendo seu pé. A retirou desesperadamente e subiu a superfície.

Tossiu mais do que conseguia imaginar, arrastando seu corpo contra a terra molhada.

Olhou para frente, possuía um pé cheio de rugas.

Olhou para cima, sua avó estava ali, parada.

– Da próxima vez Cawel, mais respeito. – Disse ela. Em suas mãos, a corrente de prata.

Notas finais
Entãu :3 Espero que tenham gostado. Capitulo que vem tem um personagem novo. Ou melhor, personagem Aguardem 'Rose'. Tiuan