Notas iniciais
NÃO VOU COMENTAR NADA ALÉM DE: VAI TER REVELAÇÃO HOJE

Lysandre me pegou ligando pra policia e ele gritou comigo.

—Quando te dei permissão pra sair do porão?! — O mesmo saiu puxando o fio do telefone enquanto olhava pra mim de forma ameaçadora com uma tesoura sem ponta nas mãos!

Aquele dia de fato havia começado de forma da qual eu não esperava, porque eu sempre tenho que viver coisas tão horríveis sempre?

O Lysandre estava me mantendo em cárcere privado em minha própria casa!

Ele matou meus pais e dizia que se eu fosse uma boa menina ele me permitiria visitar o corpo morto deles, que se encontravam no quarto deles.

Lysandre não me permitia fazer nada, ele não me permitia sequer sair de casa. Eu estava desesperada, horrorizada, aos prantos.

Os vizinhos não me ouviam, ele ma mantinha presa no porão e dizia que me amaria para sempre.

Tudo que eu podia fazer era escrever em meu diário, eu estou registrando cada dia agoniante do qual eu passo.

Quando escrevi que viraria a noite passando minhas lembranças para o diário, eu não esperava que o Lysandre fosse aparecer aqui em casa e fazer essas atrocidades.

Já faz 1 mês que estou trancada no porão.

Ele cerrou minhas pernas para que eu não fugisse... Estou seca de lágrimas, seca de esperanças.

Ele falou que caso eu volte a bater nele ele irá serrar meus braços...

Lysandre é um psicopata sem igual. Eu jamais saberia que sua verdadeira natureza era es---

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OK

Vamos ignorar o que o Armin escreveu acima ?

Vamos né . . .

Como eu falei em paginas atrás, eu passei a noite passando a limpo tudo que vivi enquanto estava sem o diário.

E o Armin dormiu aqui em casa essa noite, eu simplesmente saí para tomar banho e quando voltei ele se deu ao trabalho de pegar meu diário e começar a escrever essas bostas.

Agora que ele sabe que tem que anotar tudo e que ele tem livre acesso ao diário ele se acha no direito de escrever essas "Fanfics" doentes dele aqui.

Já bati nele e o expulsei, Armin agora está no meu computador arquivando coisas.

O que importa é que devo encerrar o que comecei . . .

Bem, como eu falei, mesmo depois de ter recuperado o diário eu passei um tempo sem escrever nele, por motivos de ter esquecido.

Armin já me zoou o suficiente por conta disso: "Como pode ter uma memória fotográfica e esquecer de escrever coisas importantes ?"

"Como pode ter memória fotográfica e esquecer de comer ?"

"Como pode ter memória fotográfica e ser ruim nas provas ?"

Virou a nova dele . . . Ele ama ter vícios de linguagem, incrível.

Me chama de ameba, faz piadas repetidas com "hora", passou um tempo só falando o PSP e agora, desde que descobriu sobre minha memória fotográfica ele não para de jogar ela na minha cara.

Inclusive, esses questionamentos dele fez nós dois conversarmos a respeito de minha memória e eu concluí que eu nunca fui boa em provas e aprendizado por questões de insegurança.

Eu ficava nervosa em provas e afins e acabava me saindo mal e "esquecendo" as coisas.

Desde que descobri que tenho memória fotográfica eu nunca mais me senti insegura e tenho me saído bem em muitas coisas.

Um exemplo ? Estou gabaritando provas. Eu estou REALMENTE ME SENTINDO SEGURA com isso tudo.

E graças a essa segurança que veio junto com a descoberta, eu tenho me sentido mais inteligente a cada dia que passa.

Tenho conseguido entender facilmente tudo que o Armin fala, e bem, o Armin tinha razão ao falar que minhas atitudes e "inteligência" não avançada era a maior prova de que eu só andava com gente . . . Burra.

De fato, Ken é inteligente, e eu troquei ele pela Lety.

Passei um longo período andando com o Castiel, que convenhamos, nunca teve nada para acrescentar.

E desde que voltei a andar com o Ken e passei a andar com o Armin e o Nathaniel, eu tenho entendido as coisas com mais facilidade, porém, minha insegurança e minha auto afirmação de que eu era estúpida só me fez me ver como uma menina comum e incapaz.

Eu agora tenho total certeza que sou mais capaz que todos eles, e isso tem sido minha arma contra o Armin quando ele começa a crescer pro meu lado.

Agora sabendo minhas "habilidades", eu consigo com grande facilidade acessar cada lembrança minha, e isso tem sido muito usado ao meu favor.

De qualquer forma . . . Vamos continuar a ultima entrada . . . Essa provavelmente será minha ultima entrada no diário referente ao que aconteceu enquanto eu estava sem o diário e sem escrever nele.

Após Lysandre, Armin e eu começarmos a investigar coisas, nós formamos o "novo trio".

Eu, Armin e Lysandre no caso, ao invés do Ken.

Tentar qualquer aproximação com o Ken era impossível.

Armin adquiriu muitas informações do Cookie. Lembranças, ajuda e informações úteis.

Mas evitávamos andar juntos por motivos de medo. Afinal, se estavam na cola da Rosalya e o Leigh, que prova tínhamos que não estariam na nossa cola ?

Armin foi quem deu a ideia.

Ele e eu interagíamos principalmente através do Lysandre, pois o Lysandre estava livre de suspeitas.

A organização acreditava que só eu tinha as lembranças, eles não sabiam que a memória do Lysandre estava intacta e que o Armin teria acesso as lembranças antigas (mesmo sem lembrar delas).

Armin continuava a agir como se eu fosse a amiga do irmão dele, e somente.

E aos poucos ele começou a fazer um "Quartel general" na minha casa.

Ele espalhou fios de cobre na entrada do meu quarto para desativar equipamentos que pudessem ter sidos implementados no meu quarto para me espionar.

Durante o dia, nos tratávamos como estranhos, na minha casa, éramos amigos tentando arrumar uma solução para nossos amigos "perdidos".

E assim, Lysandre e Armin passaram a ir periodicamente na minha casa.

Pois a minha casa era a mais próxima da casa dos dois e meus pais não discordariam e apoiariam a gente.

Durante dias, após as aulas eles vinham até minha casa.

Ficamos mais unidos e conhecemos uns aos outros melhor.

Bem, o Armin eu já conhecia . . . E o Armin sabia o que tinha lido sobre mim e sobre o Lysandre.

Mas . . . O Lysandre não nos conhecia também e nem nós sabíamos nada a fundo sobre ele.

Lysandre estava ficando cada vez mais e mais solto, e aquilo era muito agradável.

Eu estava me tornando amiga dele, amiga mesmo, ele passou de uma paixão para um grande amigo meu, e minha mãe parecia estar muito feliz de me ver novamente sorrindo com amigos, e mais, ver que o Armin estava retornando pra minha vida. Ela sabia o quanto ele era importante pra mim.

Dake ficou insistindo aproximação como sempre, sendo que, pasme, ele entrou para nosso "grupo".

Não de forma direta, ele não sabia bem o que estava acontecendo, mas o Armin passou a usar o fato dele saber sobre os segredos do Dakota ao nosso favor, e o Dakota passou a nos ajudar, meio que obrigado.

"Lysandre, se sua memória está boa, como usou o truque do bloco de notas na organização ?" o Armin um dia comentou isso sem mais nem menos.

"Minha memória ainda estava falha . . . Ela ficou nítida mesmo a um tempo atrás . . . Atualmente eu não me garanto fazendo aquilo de novo." Lysandre respondeu.

Estávamos sentados no terraço enquanto Dake se aproximava com a papelada que o Armin havia pedido para que ele pegasse na sala dos professores.

"Nunca pensei que diria isso, mas você é MUITO útil." Armin sorria de forma superior enquanto pegava os papeis do Dake, que rosnava para ele.

"PORRA ! DEPOIS NÃO RECLAMA QUANDO EU FIZER ALGUMA MERDA CONTIGO !" o Dake gritava enquanto o Armin continuava a rir e folheava os papeis que o Dake trouxe.

"Calma . . . Você sabe que ele é assim. É o jeito dele de dizer que gosta de você" Eu disse colocando a mão no ombro do Dake.

"Não é mesmo ! Não fale por mim mocinha." Armin retrucou. Lysandre estava sorridente com a situação.

Acho que essa interação social está fazendo bem pra ele, até porque ele estava mais comunicativo.

Armin então me chamou para perto dele para ver os papeis com ele.

Armin tem feito muito isso, ele tem usado minha memória pra isso.

Ele pediu para que eu decorasse quais fichas estavam com ele e os nomes de cada professor, não sabia bem pra que ele queria isso mas . . . Eu o fiz.

Armin então pediu meu celular emprestado aparentemente ele ia instalar algo no celular, ele estava fazendo isso no celular de todos.

Eu rapidamente coloquei de wallpaper o rosto dele da foto que eu tirei.

"Ah serio isso ?! É pra me provocar ??" Ele gritou.

"Oi ? Te provocar ? Do que está falando ?" Eu me fiz de desentendida pra irritar ele, e funcionou, inclusive ele deletou a foto.

"Ops, deletei a foto sem querer" ele dizia.

"No problem. Eu tenho ela no computador . . . E na internet. . . Caso acabe invadindo minhas redes sociais e meu computador e termine apagando a foto "Sem querer" eu fiz backup em um CD, Pen driver, disquete e capaz de eu fazer até em fita cassete." eu falei rindo.

"Pera . . . O que ? Como . . . "

"Lembre-se que eu tenho memória fotográfica, então tudo que você já me explicou como fazer e onde fazer eu decorei . . ." o Armin parecia frustrado e me empurrou de uma vez, como eu sentia falta daquele nosso clima de provocação constante.

Armin instalou no celular de todos um aplicativo de segurança que ele criou.

Assim ninguém teria acesso aos nossos aparelhos sem antes passar por ele.

Ele nunca muda em suas paranoias.

Ele fez isso no meu, o dele, o do Lysandre e o do Dakota.

Armin então puxou do bolso uma pequena chave e entregou para o DAkota.

"Obrigado por ter trago. Seu tio sentiu falta da chave ?" o Armin dizia.

"Não . . . Mas logo logo vai sentir, então preciso por essa chave no lugar." Dakota dizia enquanto guardava a chave.

O Armin pediu para que o Dakota pegasse a chave, todo dia o Dake estava levando uma chave diferente do molho de chaves para que o Armin fizesse copia. Atualmente ele tem copia de todas as chaves do colégio que ficavam em posse do Boris.

"Vem cá . . . Vocês tem me pedido ajuda nessas paradas, mas que porra é essa que estão fazendo ? O que isso tudo tem relação com o ruivo e o loirinho viado ?" Dakota finalmente perguntou.

"É complicado falar disso agora . . . Principalmente porque não confio em você." Armin foi direto.

"Eu to fazendo tudo que vocês mandam ! O mínimo que quero é saber no que eu to me envolvendo !" O Dakota tinha um ponto.

"Sim, mas você só está fazendo porque estou te ameaçando com seus segredinhos. O que me garante que você não vai pegar nossas informações e levar pro seu tio ? Se você falar que estamos com as chaves eu posso jogar a culpa em você e jogar as merdas no ventilador, mas se eu falar tudo a fundo e você der com a língua pro seu tio, eu não quero saber o que pode acontecer. Então . . . Sinta-se como meu empregado apenas, e eu te pago não levando seus segredos ao publico. Vamos ver se você merece ser promovido de empregado para companheiro." Armin sempre encarava o Dakota com desprezo, e eu devo admitir, esses dias de convivência estavam me fazendo gostar mais do Dakota.

Nos sentamos e o Armin começou a ver os papeis que o Dakota levou.

"Isso é muito estranho . . . " ele dizia.

Ao perguntarmos o que ele dizia "Está tudo . . . Normal . . . Esses papeis, essas informações. Estão comuns demais."

"Mas não deviam ser comuns ?" Eu retruquei.

"Não sei . . . Algo está muito estranho . . . Boris está no país de forma ilegal. . . É comum que alterem a papelada, mas . . . Tem informações aqui que não batem . . . Me deixe pensar . . . "

"Armin . . . Você acha que o Nathaniel está vivo depois das coisas que tem procurado ver ?" eu perguntei sem mais nem menos.

"Olha . . . É muito suspeito que eu não encontre informação nenhuma sobre ele e nem consiga entrar em contato com a família dele, muito estranho MESMO."

"A organização provavelmente fez isso. Assim como apagaram sua memória e a do Ken. Nathaniel era um membro importante e antigo." Lysandre completou.

Dake parecia confuso mas decidiu falar.

"Vem cá, Nathaniel não é aquele loiro que andava por aqui cuidado de papel e X9vando os alunos ?"

"Sim . . . Ele era o representante de turma e cuidava do grêmio. Aliás, ele era namorado da Boreal, então pode parar de ficar se engraçando com ela." O Armin falou o mais ríspido possível, ele definitivamente não gosta do Dakota.

"Todos os meninos desse colégio gostam dela, não é possível. Assim fica difícil pra mim." Dakota falou bufando.

"Falar que todos os meninos gostam dela é exagero. Os únicos que gostam dela são os que convivem com ela, que mal chega a 5 meninos,o que é normal convivência levar a um sentimento. Mesmo assim não numere "todos". Se você pensa que pra um menino chegar perto de uma garota tem que ter interesse amoroso você é um babaca." Armin falava pro Dake que estava irritado. Armin tem sido MUITO ríspido com o Dake . . . E eu não vou parar de escrever isso . . . Acho que é karma. Antes era o Castiel, agora o Armin. Se bem que o Dakota realmente é um cara difícil de se gostar.

"Então todos os amiguinhos dela estão apaixonados por ela ! Eu to certo !"

"Não, nem todos. Meu irmão é gay." Dake ficou com uma cara de bunda que me fez rir, confesso.

Lysandre se meteu falando em defesa ao Armin.

"O próprio Armin é um exemplo de grande amigo. Ele sempre gostou muito dela e nunca teve essa malícia nos sentimentos."

"Sério isso ? Duvido !" Dakota retrucava.

"Nós viemos pra discutir nossos sentimentos pela Boreal, serio isso ? Pouco importa o que sentimos por ela ou não, nós não viemos discutir sobre como ajudar o Kentin, Castiel e Nathaniel ?" eu não queria dizer nada . . . Mas eu achei bizarro o jeito do Armin.

Talvez ele ainda não se sinta 100% a vontade pra fazer aquelas brincadeiras e me xingar. Talvez ele ache que se falar que nunca ficaria comigo nem em sonho eu me magoe . . . Mas eu me senti estranha em não ver ele me xingar. Nossa como sou imbecil, eu sinto falta dele me xingando, alguém me bata.

"Agora não podemos ficar juntos, eu vou me separar e pensar melhor, final da aula, todos na casa da Boreal . . ."

"Eu também ?" Dakota perguntou.

Após um grande "hummm" o Armin falou que sim. Que precisava de mais favores do Dakota . . .

Quem diria . . . Eu, Dakota, Lys e Armin. Que grupo mais estranho.

Lysandre é fechado, se veste de forma vitoriana, é possessivo e misterioso com um ar inglês.

Armin é um nerd super inteligente com nível de sarcasmo altíssimo e depressivo.

Dakota é um estrangeiro que está de forma ilegal no país e age como um bandidinho das bandas da América do Sul.

E eu sou um alienígena com memória fotográfica que se envolveu em uma enorme bola de neve . . .

Meu Deus, o que estou fazendo com minha vida. . .

Ao fim da aula todos fomos para minha casa.

Ao chegar lá, minha mãe já esperava por mim, Armin e Lysandre como tem sido, mas não esperava o Dakota.

"Mãe . . . Esse é o Dakota. . . Ele está ajudando a gente a descobrir o paradeiro do Nathaniel e uma solução pro Ken"eu o apresentei.

"E aí sogrinha" o Dakota falou enquanto abraçava minha mãe.

Aquilo além de ser constrangedor me deu MUITA raiva.

"S-Sogrinha" ?? Peraí . . . Você não é o tal Dake que rasgou as costas da minha filha na praia ?"

Quando minha mãe falou isso eu lembrei que o Castiel havia tido isso pra minha mãe naquele incidente da praia em que o Nathaniel me salvou.

Dakota parecia realmente confuso.

"M-Mãe ! Foi o Castiel, já conversamos sobre isso . . . "

Minha mãe parecia desconfiada, mas permitiu a entrada do Dakota já o Charlie . . . Não aceitou tão bem o Dakota e rosnou pra ele.

"Calma garoto, eu sei que ele é insuportável mas ele está nos ajudando" o Armin dizia acariciando a cabeça do Charlie que olhava desconfiado para o Dakota.

Definitivamente NINGUÉM consegue gostar dele.

Nós nos sentamos na sala e o Armin puxou seu note.

"É o seguinte . . . Eu não estou conseguindo acessar nenhum arquivo da organização onde o Ken trabalhava, e isso está sendo um problema. Pois assim não sei o que houve de fato com o Nathaniel, e não consigo saber se temos como ter acesso aos pertences do Kentin . . .

Eu gostaria de falar com os pais dele, mas estão inacessíveis, e eu não posso aparecer pra eles sem mais nem menos,não depois do que houve."

"E se eu tentasse falar com os pais do Ken ? Minha memória não foi apagada afinal . . . " eu então sugeri. Armin logo aceitou.

Armin então pediu para que eu buscasse os equipamentos eletrônicos que ele guardou no meu quarto.

"Vai lá você. Aquilo tudo é muito pesado." Eu dizia.

"Pede pro Dakota ou pro Lysandre irem contigo, eu to ocupado passando os arquivos que o Dakota pegou pro meu note" Armin falava fazendo pouco caso pro fato de que eu teria que pegar tudo sozinha. Minha mãe então me chamou na cozinha para ajuda-la com os lanches que ela estava preparando para as visitas.

"Pois é Armin. Vai ter que ir sozinho, puxa vida." Eu então bati no ombro dele rindo.

Armin adora explorar os outros em base da preguiça dele e da genialidade dele.

Ele e o Dakota subiram pra pegar as coisas, ele chamou o Dakota dizendo que queria ficar de olho nele.

Eu entrei na cozinha com minha mãe e deixei o Lysandre sozinho na sala com o Charlie.

Enquanto eu estava na cozinha, pude ouvir o telefone tocar, minha mãe gritou para que o Lysandre atendesse e levasse para a gente na cozinha, ele já estava nesse nível de intimidade, minha mãe de fato adorou ele. (inclusive comparou ele inúmeras vezes com meu pai biológico)

Nesse momento eu ouvi latidos excessivos do Charlie, deixei minha mãe na cozinha com os lanches e corri pra sala, era o Lysandre.

Ele olhava pra mim e o Charlie finalmente parou de latir.

Charlie olhava pra mim e para o Lysandre, o mesmo estava com o telefone em mãos.

"Quem é no telefone ?" Perguntei.

Lysandre levando o telefone de volta para o gancho falou "É engano. Uma empresa."

Nessa hora eu estranhei muito . . . Porque semanas atrás ele disse o mesmo ao atender o meu celular. A mesma empresa tentar entrar em contato comigo duas vezes ? Foi suspeito.

Antes que ele desligasse eu fui até ele pra pegar o telefone, e ele fez força contra tentando por o telefone no gancho.

Aquilo foi ainda mais suspeito, então eu tomei o telefone dele e atendi.

"Alô ? Com quem deseja falar ?" Eu perguntei. Lysandre colocava a mão no meu ombro e repetia "eu já falei que era engano, pode desligar". Ele repetia inúmeras vezes.

E tive um espanto. . . A voz do outro lado estava em uma mistura de empolgação e alivio.

"Boreal ?! Graças a Deus ! Estou tentando entrar em contato contigo a semanas !" aquela voz era muito familiar.

"Adelaide . . . ?" eu falei.

"Sim querida ! Eu já liguei pro seu celular mas atenderam falando que era engano . . . Pensei que tivesse mudado de numero após tudo que aconteceu, então comecei a procurar o número de sua casa. Cogitei de ir aí, mas eu não posso sair no momento e deixar a casa sozinha. Demitimos os empregados antigos pois a casa ficou muito tempo sozinha e sob investigação por conta da morte do Castiel e a baderna da Ambre, com toda a confusão eu não tive tempo de entrevistar novos." Adelaide dizia.

Eu encarei o Lysandre com muita raiva. Ele entendeu bem meu olhar e pareceu sem graça.

"Eu tentei contato inúmeras vezes também, na sua casa chamava e ninguém atendia, e no celular do Nath . . . Nem chamava."

Ao falar do Nathaniel ela ficou em silêncio, e aquilo me incomodou, então ela se pôs a falar finalmente.

"Era sobre ele que eu queria falar contigo querida . . . Depois de toda aquela confusão eu não tive cabeça pra mais nada, e eu e meu marido ficamos esse tempo todo no hospital com ele, mas assim que o Nathaniel apresentou melhoras eu tentei entrar em contato."

Quando ela falou de melhoras eu lacrimejei na hora.

Pude ver o Dakota e o Armin vindo sem entender bem a situação . . .

"Ele tá vivo ??? O NATHANIEL TÁ BEM ?! COMO ELE ESTÁ ?!" eu falava desesperada.

"Sim ele está vivo. Eu sabia que estaria preocupada, afinal, vocês eram bem próximos. Inclusive, se puder visita-lo, estamos de volta em casa, ele vai ficar muito feliz de vê-la."

"EU POSSO VER O NATHANIEL ?!" Eu estava chorando, era uma mistura de felicidade com decepção.

A felicidade era de saber que o Nath estava vivo, a decepção era de saber que o Lysandre mentiu pra mim . . .

"Nathaniel está vivo ?!" Armin se aproximou rapidamente e falava baixo empolgado, acho que mesmo sem "conhecer" o Nathaniel ele ficou feliz com a situação tomando um caminho melhor.

Adelaide falou que eu poderia ir a hora que quisesse que seria bem vinda como sempre. Então desligamos.

Eu encarava o Lysandre em silêncio.

E a sala estava em silêncio, todos pareciam ter entendido que algo ocorreu enquanto eles estavam ausentes.

"Lysandre . . . Você falou que uma empresa tinha ligado pro meu celular aquela vez, e agora aqui pra casa . . . Como pode mentir pra mim sobre algo tão grave ? Como pôde esconder de mim que a mãe do Nathaniel queria falar comigo ?? Você sabia o tempo todo que o Nathaniel estava vivo !!" eu falei realmente decepcionada.

"Burro ! Usou a mesma mentira duas vezes." o Armin falou .

"Vem cá ! Tá do meu lado ou não ?!" Eu gritei na direção do Armin.

"Desculpe Boreal . . . Eu . . . Eu não quis--"

"NÃO QUIS O QUE ?! MENTIR PRA MIM ?! ME FAZER DE IDIOTA ?!"

"Eu . . .Só tive medo . . . Eu sabia que se eu falasse pra você você ia me abandonar e, eu realmente não sabia que o Nathaniel estava vivo . . . Eu tive medo de confirmar e você me deixar e--"

"Lysandre . . . DE ONDE TIROU ISSO ?! EU SEMPRE FALEI COM TODO MUNDO NORMALMENTE !!" eu gritei interrompendo ele.

"Eu . . . Eu sei que é errado eu . . . "

"Lysandre ! Imagine se eu descubro que o Castiel está vivo e começo a esconder de você ?! Eu não esperava que você fosse mentir pra mim sobre algo sério assim . . . " Eu pude ver os olhos do Lysandre encherem de lágrimas.

Ele repetia incansavelmente "desculpas".

Eu parei de responder ele e o silêncio tomou conta da sala, quando finalmente foi interrompido pelo Armin.

"O que está esperando pra ir visitar o Nathaniel ?" Ele dizia.

"A-Agora ?!"

"Claro. Vai logo, nós arrumamos as coisas por aqui com sua mãe . . . Você ficou tempo demais pensando nele e tentando descobrir se estava vivo ou não, acho justo que vá AGORA." Armin já saiu puxando meu casaco que se encontrava em cima do sofá e me entregando.

Minha mãe, que havia vindo até a sala ver a situação sorriu gentilmente pra mim, parecia aprovar que eu saísse naquele momento em busca do Nathaniel.

Aquela atitude do Armin me deixou feliz mas em seguida eu olhei pro Lysandre que estava prestes a chorar . . . Eu estava com muita raiva do que ele fez.

Mesmo pensando com carinho em tudo que ele fez e entendendo ele, eu estava com raiva na hora, então antes de sair eu falei pra ele: "Lysandre . . . A resposta é não. Eu não vou namorar com você NUNCA." e me retirei.

Eu não sabia o que tinha acontecido depois que saí . . . Mas sabia que eu provavelmente havia deixado o Lysandre bem mal.

Eu não queria deixar ele mal . . . Mas minha raiva tomou conta de mim.

Eu corri pro ponto de ônibus e aguardei ansiosamente.

Os minutos pareciam infinitos. E finalmente peguei o ônibus.

Aquele tempo no ônibus me fez entrar em pânico.

Eu não sabia como estava o Nath, o que falar para ele, nada. Eu suava.

Cheguei próximo a casa deles e fui caminhando, então toquei o interfone.

A voz da Adelaide me atendeu gentilmente.

"Querida você veio ! Irei abrir o portão" ela dizia gentilmente enquanto destravava o portão da casa que se abria em minha frente. Quanto tempo eu não via aquele portão . . .

Eu entrei e sentia minhas pernas bambas, eu tremia, era uma mistura de emoção, felicidade, medo, tudo. A casa estava vazia, era estranha ver aquela casa sem empregados. . .

Eu não sabia bem o que estava sentindo, mas sabia que queria ver ele vivo.

Aquilo era demais pra mim, primeiro recuperei o Armin e agora estava prestes a recuperar o Nathaniel, eu estava realmente feliz e ansiosa.

A mãe do Nathaniel estava vindo até mim correndo, ela me abraçou como quem estava matando uma saudade enorme, e admito, eu a abracei da mesma forma.

"Querida que bom que está bem." ela dizia gentilmente.

"Fico feliz de ver que também está bem. . . " Eu me silenciei antes de prosseguir com o assunto.

"Me desculpe . . . Pela Ambre . . . " eu estava com isso entalado a dias . . . Eu realmente me sentia péssima.

Ela fez um ritual pra trazer a filha de volta e eu simplesmente tirei a vida dela.

A Adelaide gentilmente acariciou meus cabelos.

"Está tudo bem . . . Quem errou foi eu ao trazer minha falecida filha de volta a vida. Eu fiz muita gente sofrer, tudo que você fez foi corrigir meu erro, eu que me desculpo por ter envolvido você . . .

Por conta da minha atitude impensada de trazer a Ambre de volta eu quase perdi o Nathaniel também." as palavras dela eram tão gentis . . .

"Ele está bem? Quando você falou que ele estava fora do Hospital eu . . . Não pude evitar de vir. Até hesitei mas . . ."

"Obrigada por se preocupar tanto com o Nathaniel. Ele ficou gravemente ferido depois do que houve com a Ambre . . . E passou por varias operações e situações de grave risco. Eu estive sem cabeça pra nada, foi muita sorte ele ter sobrevivido a aquele ferimento que a Ambre fez. Nós voltamos pra casa essa semana." Adelaide completou enquanto me levava para dentro da casa.

"Ele está dormindo ? Qualquer coisa volto outra hora . . . "

"Não ele está no jardim dos fundos. Venha, vou te levar até lá." Adelaide me levava para a porta que dava no jardim dos fundos.

Eu sentia a palma das minhas mãos suarem.

"Eu estive tão ansiosa pra ver ele esse tempo todo . . . É tão bom saber que ele está bem . . . Perder ele e o Castiel ao mesmo tempo foi um baque pra mim . . . E ainda apagaram a memória dos meus amigos. "

"Ele está bem na medida do possível, ainda está se recuperando graças a Deus.

De qualquer forma eu soube dessa sua situação . . . Talvez tenha uma forma de mudar as coisas. Reverter a memória, não sei. Nathaniel deve saber de algo.

Agora que ele está de volta . . . Talvez vocês encontrem uma solução para seus amigos juntos !"

Após chegarmos na área do jardim ela voltou pra dentro.

"Deixarei que conversem sozinhos. Devem ter muita coisa pra conversar . . . Mais uma vez, obrigada pro vir. Sua visita irá fazer muito bem para o Nathaniel." Adelaide parecia de fato agradecida.

Ela parecia realmente feliz e satisfeita com minha visita, e não posso negar que essa situação toda me tranquilizou. Parte do nervosismo foi embora por conta do sorriso gentil da Adelaide.

Eu então comecei a caminhar até o jardim, e vi o Nathaniel, de costas sentado entre as plantas, parecia estar lendo algo, havia uma mureta de plantas entre nós que se estendia até a pequena entrada do jardim onde ele se encontrava.

Meu coração disparou, era ele mesmo ! VIVO !

Eu chamei seu nome e ele virou em minha direção.

Seu olhar parecia surpreso, porém, melancólico, era um pouco diferente do Nathaniel convencional que estava sempre com um sorriso sereno. Mas eu pensei, poderia ser pela situação toda que ele passou, pela surpresa de me ver, ou até por achar que eu negligenciei e deixei ele de propósito.

Eu comecei a me aproximar dele e ele lentamente começou a se aproximar de mim.

Eu caminhei pelo pequeno muro até a entrada e . . .

. . . Ele estava sentado em uma cadeira de rodas . . .

Notas finais
Quiz: http://pt.quizur.com/trivia/as-aventuras-da-docete-ciclope-kZy Youtube: http://youtube.com/kazumitakashi informações de ultima hora no twitter twitter: http://twitter.com/kazumitakashi Blog (possui coisas relacionadas a fic) http://blog.kazumitakashi.com Tumblr http://kazumitakashi.com —--------------------------------------------------------- Essa historia é postada somente no facebook, socialspirits, wattpad e aqui. Por favor ! Se vir em outro lugar me avise ! Álbum da historia no facebook: http://tinyurl.com/knbb8mn Link do Social spirit: http://socialspir.it/3446819 Wattpad: https://embed.wattpad.com/story/65603520-as-aventuras-de-uma-docete-ciclope Minha conta no amor doce: http://amordoce.com/profil/KazumiTakashi