As aventuras de uma Docete Ciclope
88 Capítulo 83
Notas iniciais

Eu estava beijando o Lysandre no corredor, triste e desolada, quando sem mais nem menos o Nath apareceu descendo de cabo da parte superior do colégio diretamente de um helicóptero com roupa hospitalar aberta atrás e aqueles tripés de arrastar soro.
O Nathaniel gritava sem parar "Eu não acredito" e eu estava desesperada !
Eu fiquei em PÂNICO !
Ao me virar estava o Castiel na parte da escada!!
Ele estava todo molhado, roupas detonadas e haviam peixes em algumas partes de sua roupa.
Ele, assim como o Nath, gritou o mesmo, "Eu não acredito" completado por um "vou te matar Lysandre"
Eu então comecei a correr desesperada de lá . . . Foi quando o Armin saiu de uma sala de aula gritando "DEVOLVE MEU PSP !"
Em meio a correria . . . Eu acordei.
Eu estava deitada do lado do Lysandre . . . Ele estava nu.
Aquilo me deixou em PÂNICO ! ERA UM REMORSO SEM FIM !
Foi quando o Ken apareceu na porta do meu quarto e falou "Querem biscoito ?" E eu finalmente acordei de verdade . . .
Foi assim que começou meu dia após o pedido do Lysandre.
Eu quis contar isso para deixar claro o nível de pânico que eu estava em me imaginar namorando com o Lysandre. . .
Aquele dia eu acordei assustada e aquilo me fez recuar 100% na decisão de aceitar o pedido de namoro do Lysandre.
Eu já estava prestes a recusar, mas esse pesadelo me fez ver que era o certo a se fazer.
Eu não enrolei muito e fui para escola . . .
Todo dia estava sendo horrível pra mim, afinal, todos agiam tão naturalmente, isso realmente me incomodava.
Eu pensei naquele mesmo dia de falar com a Melody pra ver se ela tinha alguma informação referente ao Nath . . .
Além do mais, eu estava com a intenção de esclarecer pro Lys que não iria ter nada com ele.
Fui até o grêmio pra falar com a Melody, e como esperado, ela estava lá.
Ao chegar lá já fui recebida com um olhar que se pudesse iria me metralhar . . .
"Melody . . . Está cuidando do grêmio sozinha ?" eu perguntei.
"O que te importa ?" Ela respondeu grosseiramente.
"E o Nathaniel . . . ?" nessa hora a Melody ficou com olhar distante enquanto desviava o olhar.
". . . Estou muito ocupada, saia" Ela já saiu me empurrando. Mas eu segurei o braço dela e desviei entrando no grêmio novamente.
"Não vou sair até que me responda . . . E o Nathaniel ?"
"Porque quer saber dele ?! Ele não é seu namoradinho ?! Você quem devia me responder o que houve com ele !" a Melody estava com os olhos cheios de lágrimas e ela gritava comigo. . . Aquilo me deixou assustada . . . Eu esperava que ela soubesse algo, mas ela parecia tão perdida quanto eu.
"M-Melody . . . Desculpe . . . Eu também estou preocupada com ele . . . e--" no que eu tentei falar ela me interrompeu e me trouxe de volta pra minha realidade da qual eu tentava fugir.
"VOCÊ NÃO TÁ PREOCUPADA COM ELE ! EU VI VOCÊ ONTEM NA ESCADA COM O LYSANDRE !! . . . Não entendo porque ele escolheu você, não entendo . . . " A Melody estava chorando muito. Ela provavelmente sabia que ele estava acidentado, mas não sabia de nada além disso.
Eu realmente ali enxerguei mais do que nunca que ela tinha razão . . .Se eu estava preocupada, devia dar o devido valor para o Nath . . . Além do mais, Lysandre estava sendo muito precipitado.
"A Ambre morreu . . . Você sabe né . . . ?" eu falei pra Melody.
Ela em silêncio só balançou positivamente a cabeça.
"Ela quem acidentou o Nath . . . Eu estava na hora."
"Eu só queria saber se ele está vivo . . . " Melody estava tremendo . . . Ela realmente gosta mesmo do Nathaniel. Cheguei a me sentir mal por "roubar" ele dela.
Talvez ele com ela não sofresse tudo que sofreu comigo . . .
Eu só toquei o ombro da Melody como consolo . . . Eu estava acabada com o desespero de pensar que ele estava morto, porém, ver ela mais desesperada que eu acabou anulando o meu desespero.
"Uma hora teremos alguma noticia . . . E será boa." tentei falar gentilmente.
"Não pense que porque você está sendo gentil comigo eu vou perdoar tudo que você fez com o Nathaniel ! Eu vi de perto você tratar ele mal e trair ele . . . " A Melody tirou minha mão do ombro dela e me olhava com raiva, porém, ao mesmo ela parecia terna.
Eu me retirei do grêmio ainda mais decidida a não me manter próxima do Lysandre . . . Pelo menos não da forma como ele deseja.
Se for pra acontecer, vai acontecer no seu tempo, era tudo que eu conseguia pensar. . . E foi quando ele veio até mim, como estava sendo toda manhã.
Ele não deu bom dia e ele parecia bem pra baixo.
"Lysandre . . . Que cara é essa . . . ?" perguntei sem hesitar.
Ele olhou pra mim respirando fundo, seus olhos estavam vermelhos.
"L-Lysandre . . . O que houve . . . ?" Nessa segunda pergunta eu já estava morta de medo da resposta . . .
"O Castiel . . . Acharam o corpo dele . . . "
Ao ouvir aquilo eu gelei "Como assim . . . ?" era tudo que eu conseguia expressar.
"O que você ouviu . . . Acharam o corpo dele. Ele está morto." O Lysandre então começou a chorar ainda mais. Ele tentava conter as lágrimas mas não conseguia.
Eu estava estática e sem palavras . . . Eu não acreditava no que estava ouvindo.
"QUE PROVAS TEM DISSO ?!" Eu gritava.
"Os pais dele me ligaram . . . Estão muito abalados . . . Ainda estão fazendo autopsia e laudo pra saber a causa da morte . . . Provavelmente assim que acabar as investigações vão fazer o enterro do Castiel . . . " Lysandre estava ao mesmo tempo que muito abalado, muito apático.
E aquilo me contagiou . . . Eu fiquei sem reação.
Queria chorar, queria fazer algo.
Eu abracei o Lysandre que chorou ainda mais . . . E por ali ficamos um tempo.
Ele estava muito abalado . . . Eu nunca pensei que veria o Lysandre naquele estado.
Ele soluçava . . . Castiel definitivamente é muito importante para o Lysandre.
Por fim, o Lysandre se afastou dizendo que precisava de um tempo pra pensar.
Ele foi em direção ao porão muito cabisbaixo.
Eu segui pro caminho oposto,tão chorosa quanto ele.
Meu pensamento de fazer com que o Armin lembrasse de mim estava cada vez maior.
Eu pensava no Armin como uma solução pros meus problemas . . . Tristezas, dicas, conselhos e a maquina do tempo.
Eu não podia aceitar a morte do Castiel sentada . . . Eu precisava fazer algo a respeito ! E o Armin tinha o receptor . . . Eu estava me garantindo nisso.
Quem diria . . . O cara por quem me apaixonei assim que cheguei em sweet Amoris agora estava morto.
Pensar nisso agora é até engraçado . . . Eu me mantinha próxima dele por motivos de achar interessante o jeito rebelde dele. . . Ele me assustava mas eu estava cega, e atos como ele espancar o Nathaniel, ter um cão venenoso ou me stalkear não me assustavam tanto quanto agora.
Eu estava cega e eu não acreditava que tudo isso poderia ser algo anormal demais. . .
Ele foi quem mais desgraçou minha vida até certo ponto, e também foi um dos que mais tentou corrigir minha vida.
Agora, ele está morto. O rapaz que tanto lutou pra se manter vivo e pra me manter viva depois de tentativas frustradas de me matar, morreu.
Eu passei momentos maravilhosos com o Castiel . . . É horrível pensar que tudo não passa de lembrança agora.
Não que eu queira voltar a ficar me agarrando com ele por aí, mas, antes de tudo isso ele era meu amigo, e um amigo precioso, mesmo que errando muito.
Eu na verdade sou incapaz de julgar quem é certo e errado, afinal, eu sou uma das pessoas que mais errou/erra sempre . . .
Eu só queria que o Armin se lembrasse de mim e mais que tudo relembrasse do receptor e consertasse ele . . .
Além de tudo, eu queria muito ver o corpo do Castiel . . . Mas eu tinha medo. . .
Não consigo acreditar apenas em palavras dos pais dele e na reação do Lysandre.
Eu então me sentei no jardim pra pensar e chorar sozinha . . . Eu estava em desespero.
Eu pensava sem parar nas mortes do Castiel e do Nath . . . Sabe, remoer tanto os mesmos pensamentos me fazia me sentir uma vitrola velha.
Enquanto eu chorava ali isolada de todos Armin se aproximou de mim por trás. . . Eu estava chorando muito e estava sozinha, realmente preferi afastar o Lysandre depois pensando melhor.
"Vai me devolver o PSP finalmente ?" Ele dizia.
Eu virei limpando o rosto e gritando um "NÃO ENCHE !"
Ele pareceu assustado, e logo estava sentado do meu lado.
Eu não olhava pra ele em momento algum, continuei com o olhar distante para o chão chorando . . . Foi quando eu vi a mão dele estendendo pra mim.
Ao levantar a cabeça ele estava sem o cachecol e segurava ele dobrado estendendo pra mim.
"Eu não tenho um lenço . . . Desculpa." Eu realmente fiquei sem reação, eu olhava fixo pra ele . . . A atitude dele tinha sido tão gentil que me fez chorar ainda mais.
Ele pareceu muito desconcertado e ele levantava os braços de forma como quem queria saber o que fazer enquanto eu chorava mais e enxugava as lágrimas com o cachecol dele.
O Armin de antes provavelmente me abraçaria ou ficaria parado me olhando enquanto falava algo reconfortante. Mas ele tinha intimidade pra isso.
Esse Armin "novo" não sabe que tem essa intimidade toda comigo, então pra ele ver uma menina que é amiga do irmão dele chorando desesperadamente deve ser algo muito complicado.
Então ele finalmente tomou alguma atitude e colocou as mãos sobre meus ombros enquanto se desculpava. Um braço em torno do meu pescoço e o outro no ombro mais próximo do corpo dele.
Ele estava um tanto quanto duro enquanto dava tapinhas leves no meu ombro.
Ali eu amoleci totalmente e me joguei no peito dele como sempre foi de costume.
Na hora eu não quis saber se ele lembrava de mim ou não, eu queria um ombro amigo. Amigo mesmo.
Adoro o Lysandre mas . . . Eu queria o Armin ou o Ken . . .
Armin aos poucos foi dando uns tapinhas nas minhas costas ainda bem duro e robótico.
Agora pensando foi engraçado, mas na situação . . . Eu queria o Armin antigo pra me consolar.
"Eu não sei o que tá acontecendo mas . . . Você tem que se acalmar . . . " Ele dizia, eu me mantive em silêncio chorando.
"Quer que eu chame o Lysandre ou meu irmão ? Eles vão poder te ajudar melhor . . . " ele falou bem sem graça.
"Não . . . Eu quero você . . . " eu então apertei ainda mais o tronco dele.
Se eu pudesse escolher pra que ele chamasse alguém pra ficar com NÓS DOIS ali seria o Ken no máximo . . . O Lysandre estava me assustando um pouco com a pressa dele, devo admitir . . . De qualquer forma, acho que ele também precisa de um tempo pra por a cabeça no lugar depois da noticia de um "Castiel morto confirmado" . . .
Meu maior desejo ali foi de saber onde estava o receptor e se o Armin tinha conseguido consertar antes de tudo isso acontecer . . . Mas eu nunca saberia, afinal, aquele Armin não existe mais.
Armin então finalmente perguntou, e ali, já parecia o meu Armin antigo no timbre usado.
"Eu não vou te forçar a nada, mas se quiser falar sobre, estou aqui pra ouvi-la. Não acredito que eu possa ajudar em nada, sinceramente, mas posso tentar de alguma forma. Aliás, você é bem chorona.
Primeiro o HQ, agora . . . Qual o motivo de agora ?" ele perguntou curioso.
"O Castiel morreu." Eu falei sem hesitar.
"Castiel . . . ? Aquele roqueiro ruivo que vinha pras aulas ?" quando o Armin perguntou isso só confirmou minha duvida: ele não lembrava de muita coisa.
Modificaram MUITO as lembranças dele . . . Eu não conseguia ver sentido nessa mudança drástica.
"Ah sim. Vocês eram próximos ?" ele perguntou.
"Sim . . . Éramos amigos, muito amigos . . . " eu voltei a deprimir. Armin só falou um"sinto muito" rápido.
Eu pude sentir que aos poucos ele estava relaxando e ficando menos duro enquanto me abraçava.
A forma como ele alisava meu ombros já não me parecia robótica, mas sim, natural.
Eu fiquei ali nos braços do Armin em silencio, sentia como se ele não tivesse perdido a memória . . . Mesmo sendo o contrario.
Após um longo tempo em silencio, e tentando me acalmar, eu consegui parar de chorar . . . Ou melhor, diminuir as lágrimas. Diminuir o suficiente pra voltar a falar feito uma pessoa normal sem interrupções de soluços.
Armin então se pôs a falar me olhando fixamente.
"Agora que está mais calma . . . Posso perguntar mais uma coisa ?"
Sinceramente, eu esperava mais reclamação referente ao PSP mas eu errei.
"Porque chorou aquela vez enquanto líamos juntos ?" ele perguntou.
Eu realmente não esperava essa pergunta . . . Eu então fui sincera e respondi ele.
"Porque quem me apresentou aquele HQ foi meu melhor amigo . . . E eu perdi ele."
Armin ficou em silêncio e parecia triste enquanto perguntava "Foi o Castiel ?"
"Não, foi um tal de Armin . . ." Eu encarava ele fixamente, provavelmente com o olho vermelho e inchado.
Armin me encarava seriamente, e conhecendo ele como conheço, sei que ele estava confuso.
"Porque você insiste nessa historia ? Cara, eu sei que eu e o Alexy somos gêmeos mas não temos nada a ver"
"Armin . . . Eu sei muito bem a diferença entre vocês dois. E VOCÊ era meu melhor amigo, não o Alexy.
sei que você tem paranoia com higiene, sei que você quando está curioso sobre alguém procura todos os dados daquela pessoa. Sei que você tem como hobby juntar provas contra grandes criminosos. Sei que você franze a testa quando está pensando de forma muito concentrada. Sei que você tem depressão mesmo não compreendendo bem essa doença . . . "
Cada coisa que eu dizia parecia impressionar ele mais e mais.
"Quem é você . . . ? Sério . . . " Ele perguntou impressionado.
"Eu já falei . . . Sua melhor amiga. Apagaram sua memória após você se envolver comigo. Eu sou um alienígena."
Armin então pausadamente começou a rir.
"Nossa, e eu achei que eu visse muito anime e seriado . . . " ele falava rindo.
"Armin, é serio ! Eu nem tenho como provar nada . . . Que ódio . . . Se eu tivesse meu diário talvez conseguisse . . . Ou não, já que tudo que escrevi posso ditar pra você."
"Eu realmente não entendo porque você tem me rondado do dia pra noite, inventado essas coisas e me tratado tão bem . . . Mas definitivamente não é porque éramos amigos. Eu lembraria se eu tivesse uma amiga com ciclopia. " Armin estava falando de forma confiante, mas eu pude sentir receio no tom de voz que ele empregou.
"Você nunca foi cético dessa forma . . . Por favor . . . Procure informações sobre mim, sobre minha mãe, SOBRE NÓS DOIS. Eu te imploro . . . Não desiste de mim."
Armin parecia cada vez mais confuso.
Por fim . . . Ele mesmo se levantou ainda extasiado enquanto o Dakota se aproximava.
"Vejam quem estão aqui ! Minha garota favorita e o menino aleatório amigo dela." Dakota já chegou colocando seu braço em cima do meu ombro.
"Nossa ! Você sabe falar "aleatório" ?" Existe vida inteligente no seu cérebro ?" Eu realmente havia dito isso pro Dakota na raiva, eu odeio a presença dele e eu não estava bem.
Mas o Armin começou a rir sem conter nenhum pouco, enquanto elogiava minha "tirada".
Dakota parecia incomodado com o que falei mas ele mesmo ignorou.
"O que estavam conversando ?" Ele perguntou.
"Nada que te interesse" fui grossa novamente nesse momento.
Foi então que em meio ao silencio que o Dakota gerou no ambiente eu fui obrigada a ouvir algo de extremo mal gosto "onde tá aquele ruivo viado que quebrou meu braço ?"
No que eu ouvi aquilo o que eu mais desejei era que eu nunca tivesse quebrado o pacto com a Ambre.
Queria ter a super força que era consequência do pacto, juro.
Eu dei um soco, não foi um tapa, foi realmente um soco no Dakota.
Ele ficou extasiado.
"O ruivo de quem ele se refere é o Castiel ?" Armin perguntou enquanto eu só afirmava.
"Olha . . . O Castiel pelo que foi informado pela dona ciclope aí está morto."
Quando o Armin disse isso, eu senti o mesmo arrepio que senti em todas as vezes que ouvi alguém falar isso ou quando recebi a noticia.
Acho que eu poderia ouvir isso milhares de vezes que sempre soaria como novidade pra mim . . . E uma novidade PÉSSIMA.
Dakota pareceu chocado com a noticia . . . Acho que mesmo os dois sendo rivais e se odiando é algo que choca até mesmo ele.
Ele ficou com uma cara de bobo descrente.
"Como ?! Ele resistiu a lobos, tiro e mais uma porrada de coisa. Como esse merdinha morreu ?!" Dakota apesar de falar de forma agressiva parecia chateado com a noticia.
Acho que no fundo, mesmo "odiando" o Castiel, ele não queria que o Castiel morresse . . .
"Não importa . . . " Eu então saí de perto deles irritada.
Eu não queria pensar nisso, como minha vida e a vida dos meus amigos estava arruinada.
Eu então me isolei o resto da aula . . . A tal aula que eu não estava cabulando mas decidi cabular por conta dos meus pensamentos desesperados com o Castiel . . .
Eu não esbarrei com o Lysandre até o fim do dia . . . Ele provavelmente estava muito mal e se isolou de todos.
Por fim, quando nos encontramos no portão na hora da saída, estava um clima fúnebre entre nós dois.
Com um olhar sem vida e triste ele me olhou . . . Apesar de tudo não parecia estar olhando pra mim, mas sim além de mim.
Ele estava muito abalado . . . Pra quem disse que ia aceitar a morte do Castiel pra sofrer menos depois, ele não se saiu muito bem fazendo isso.
"Eu . . . Vou na casa do Castiel ver como está as coisas e de lá vou visitar o hospital pra onde o corpo dele foi levado . . . " Lysandre falava.
Eu tive vontade de pedir pra ir, mas parte de mim estava receosa . . .
Ver o Castiel morto . . . Me doeria MUITO.
Eu só dei um abraço silencioso no Lysandre . . . Ele tremia bastante.
Lysandre normalmente me convidaria, mas nessa ocasião, ele sequer citou a possibilidade de me levar.
Lysandre caminhava cabisbaixo em direção a casa do Castiel, era horrível ver ele assim . . .Era horrível cada pensamento meu.
Armin, ao sair tocou meu ombro de leve e sorriu pra mim.
Eu sentia que ele havia tentado fazer um gesto gentil pra me deixar pra cima.
Não era bem o que o Armin, meu amigo faria, mas estava dentro dos padrões aceitáveis do Armin.
Apesar de ser algo bobo, aquele pequeno sorriso dele foi reconfortante . . .
Tudo que me restava era ir pra casa . . . pra casa chorar e ficar tensa.
Eu temia com o fato de que provavelmente seria chamada para o suposto enterro do Castiel . . . E eu precisava urgentemente pensar em uma forma de recobrar as memórias do Armin.
Eu precisava corrigir essas mortes.
Eu estava decidida . . .
Meu olho pesava, foi um dia longo e com grandes emoções . . .
No momento o que eu mais queria era minha vida de volta.
Aquela de quando eu tinha pacto com a Ambre.
Eu não ligaria de matar pessoas, se em troca eu tivesse as pessoas importantes pra mim do meu lado novamente como antes . . .
Kentin, Armin, Castiel e Nathaniel . . .
Nem a Rosalya eu tinha mais pra contar . . .
Cheguei a pensar na possibilidade de me matar. Nunca pensei nisso na vida . . . Mas em meio a situação eu pensei que minha morte ajudaria a vida de todos a voltar aos eixos . . . Eu realmente acreditei que tudo que acontecia de ruim com meus amigos (e bizarro também) era unicamente culpa minha . . .
Na verdade ainda acredito, porém, já consigo enxergar algo positivo nisso tudo . . .
Bem, aquele dia tudo que me restou foi dormir.
Minha mãe não sabia o que estava se passando, mas tinha noção.
Inclusive, eu adormeci em meio aos cafunés dela . . .
Inclusive eu sabia que só saberia o que houve e o que foi resolvido referente ao corpo do Castiel na segunda.
E eu temia . . .
Eu torcia para que o Lysandre falasse que ele estava vivo . . .
Ou que erraram o corpo.
Aquele fim de semana eu não saí da cama.
Dormi sem parar, as poucas vezes que levantei foi pra fazer afazeres naturais como usar o banheiro.
A morte "confirmada" do Castiel me fez naquele momento remoer ainda mais a morte do Nath, e com isso, pensar que ele estava de fato morto.
Eu queria pensar positivamente, mas estava cada vez mais difícil . . .
Contei as horas de sexta para segunda . . . E no final de semana decidi que não iria querer ver o corpo do Castiel . . . Eu não tenho esse sangue frio.
Queria manter nítida as lembranças que havíamos passados juntos.
Ele VIVO.
A única vontade que me passou pela cabeça foi de ir na casa do Castiel.
Aliás, naquela tarde de domingo, eu tive uma surpresa inusitada . . .
Um cão que ficou parado na minha porta.
Esse cão era o Charlie . . . o Cachorro do Castiel.
Minha mãe me chamou desesperada ao ver que o cachorro não saía de nossa porta.
E pra minha surpresa era ele.
Ele estava magro e bem triste . . .
Levei ele pra dentro e comecei a cuidar do Charlie.
Minha mãe teve medo inicialmente dele, inclusive acho que se não fosse por toda a depressão que eu estava passando ela jamais iria aceitar um cão daquele porte em nossa casa.
Por sorte Charlie entende bem a língua das pessoas e tem lógica sem igual.
E bem, ele se recusava a sair do meu quarto.
Onde eu ia ele ia atrás no quarto . . . E quando estava parado ele ficava na janela olhando de forma distante. Era uma cena de partir o coração.
A união do Castiel e do Charlie era admiravelmente linda.
Charlie e eu dormimos juntos . . . E isso se tornaria um habito a partir dali.
Aliás, algo engraçado . . . Charlie só obedecia a mim e minha mãe.
Ele ignorava as ordens do meu pai . . . Vale lembrar que a única pessoa com autoridade com o Charlie era o Castiel.
Irônico eu e minha mãe conseguirmos esse respeito em cima de um cão demoniaco . . .
Charlie fazia sons de choro enquanto dormia . . . E eu provavelmente também fazia sons de choro enquanto dormia com ele . . .
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