As aventuras de uma Docete Ciclope
177 Capítulo 172
Notas iniciais

Armin e Boreal do passado foram obrigados a ficar aqui em casa.
. . . Armin do presente e eu estamos tomando atitudes desesperadas quanto a situação dos nossos "egos do passado" . . . tenho noção disso.
Mas tem um motivo grande por trás disso: MEDO.
O Armin do futuro notou nosso desespero em "nos colocar juntos" e veio questionar nós dois hoje cedo.
Explicamos rapidamente que se tudo continuasse assim poderíamos ter consequenciais futuras, consequências das quais nem Armin nem eu queremos.
Ele só riu. Sim, Armin do futuro simplesmente riu.
Riu e falou que somos idiotas.
"Armin, tu tem certeza que você sou eu ?"ele ria mais e mais enquanto focava na gente.
"Porque ?" Armin do presente questionou confuso.
"Porque ? Cara, só usa a lógica, se estivessem alterando nossa linha temporal, tudo estaria mudando nesse exato momento. Não tem porque ficar em pânico em juntar vocês dois aqui.
"Obvio que eu pensei isso que o Armin do futuro falou, mas . . . Eu acho tudo incerto demais.
E se no meio dessa bagunça temporal toda nós mudarmos o futuro ? O NOSSO futuro. . .? Você mesmo confirmou que está tudo um caos." Armin insistia.
". . . Pense o que quiser." Armin do futuro dizia enquanto se retirava pra cozinha e amarrava seu cabelo em forma de coque.
Comentário a parte que não convém nem tem nada a ver com o assunto anterior ou o assunto a seguir: eu acho sexy ele amarrando o cabelo.
Só isso mesmo.
Prossigamos . . .
É, assim começou meu dia.
Uma "pequena" discussão no corredor dos quartos com o Armin do futuro.
Eu segui para a cozinha com o Armin do presente, ele estava com um olhar sério, era um pouco difícil dizer ao certo o que se passava ali em sua mente, coisa que normalmente eu consigo desvendar facilmente.
Assim que chagamos na cozinha, acabamos sorrindo um para o outro ao notar a cena, o Armin conversando com a Boreal. Sim, os dois do passado.
Nunca pensei que meu OTP seria eu mesma com meu namorado, chega a ser irônico e engraçado.
Nos sentamos, os dois me lembravam muito a época em que Armin e eu eramos só amigos.
Ele era bem fechado e quase impossível de alcançar, sinceramente.
Confesso que foi uma época complicada entre nós dois, mas era uma amizade maravilhosa, alias, é uma amizade maravilhosa já que continuamos amigos.
Até nossas discussões e forma como nos batemos lembra aquela época até hoje, a diferença é que agora conheço seu lado mais amoroso também.
Um lado que bem, um amigo não demonstra.
Se levar em conta nossa relação naquela época, provavelmente o Armin não vai ter interesse por mim, no passado, NUNCA, a menos que apaguemos sua memoria, como foi antes e como o próprio escreveu em meu diário.
Ainda assim o risco de não funcionar é alto já que meus erros passados não foram corrigidos . .. Basicamente apagar a memoria ele pra ele me conhecer podre novamente é inútil.
De qualquer forma era interessante ver os dois interagindo e pensar: "somos nós ali . . . né ?"
Tanta coisa seria diferente se eu tivesse minha maturidade de agora . . .
"Vocês estão se dando bem pelo visto né ?" falei rindo.
"Nem adianta dar esse sorriso. Eu não vou ficar com ela e ela está namorando o Castiel." Armin respondeu apático. Era visível seu desinteresse e sinceridade nas palavras. Que pena.
"Inclusive, marquei com ele hoje. Com licença pra vocês" minha eu dizia se levantando e saindo enquanto tomava um ultimo gole de suco e colocava o copo sob a mesa.
Armin voltou sua atenção a comida novamente normalmente.
"Li o que escreveu no diário Armin." falei puxando assunto enquanto me sentava em sua frente.
"E ? Me acha um psicopata agora ?" ele dizia apático.
"Não . . . Eu já conversei com seu eu do presente e do futuro sobre isso." falei.
"Sabe que pra mim meu eu do presente sou eu mesmo né ?" ele respondia me fitando com a cabeça direcionada a sua refeição.
Terminei rindo desse embolo todo de palavras, mas ele tinha razão no fim das contas, ele é o do presente pra ele mesmo.
"Sim eu sei." respondi.
"O que estava escrito ?" Armin perguntou.
"Você não leu ? Pensei que fizessem tudo juntos." Armin respondia.
"Não fazemos tudo juntos. E o diário é dela, eu mexo se ela permitir basicamente, de qualquer forma não tenho porque ler na verdade já que muita das coisa que ela escreve eu vivencio com ela." Armin dizia.
"Basicamente ele só disse o que eu já sei.
O quanto ele odeia viver, o quanto ele quer que todo mundo morra e o quanto ele despreza minha eu do passado." falei me apoiando no meu braço em cima da mesa como se falasse algo comum no cotidiano direcionado ao Armin do presente, bem, de fato era comum, afinal, ele repete isso tantas vezes . . .E eu vejo com clareza que ele é sincero quando fala.
"Cara, o que eu mais queria no momento era ter a maturidade que tenho agora na sua idade. Me vendo no passado fico até meio decepcionado." Armin do presente dizia.
Acabei rindo ao notar que ele pensou o mesmo que eu havia pensado mais cedo a meu respeito no passado.
É engraçado notar isso.
"E você Boreal ? já aceitou que eu não sou assim como você gostaria que eu fosse ?
Empático que quer ajudar todos e super altamente altruísta ?" Armin do presente falou me olhando.
"Porque isso do nada Armin ?" perguntei.
"Porque da ultima vez que falamos sobre isso você pareceu meio chocada com meu tipo de pensamento .. . " Armin dizia.
"De fato me chocou . . . Mas . . . Eu te conheço e sei que você não é um psicopata e pelo contrario, tem sentimentos bem aflorados, até mais do que gostaria" falei rindo.
Ele terminou dando um sorriso de canto enquanto começou a falar mais a respeito de sua linha de raciocínio.
"Meu pensamento é totalmente humano. Minha maior diferença é que eu não fico medindo esforços pra expor ele.
Claro que eu não vou falar pra qualquer um que penso assim pois as pessoas tendem a ficar chocadas quando escutam verdades, mas a verdade é que maior parte das pessoas são assim.
Podemos dizer que 89% da humanidade pensa igual mim.
Todo mundo só liga pra o que lhe convêm e pra pessoas que realmente te importam, ninguém quer saber de quem não é importante.
É difícil pras pessoas ouvirem que elas não são 100% humanitárias e altruístas.
Na realidade, eu acho que poucas pessoas no mundo de fato são assim, e algumas delas são as que se tornam policiais ou bombeiros, pessoas que arriscam suas vidas pelas vidas de outras pessoas sem terem apego emocional ou vinculo, somente apego humanitário.
Antigamente, na época do Armin que está aqui na minha frente, eu literalmente tinha muitas crises existenciais por conta de me achar um monstro, mas agora, sei e tenho total certeza que sou humano e totalmente normal.
Eu sou como maior parte das pessoas no mundo, eu sou parte daqueles 89%.
E se levarmos em conta, a porcentagem de policiais e bombeiros no mundo é pequeno, logo, não são todos que são altruístas e humanitários, maior parte das pessoas são como eu , são 'frias'.
Me por no mesmo patamar do Lysandre chega a ser ofensivo, sinceramente, ele sim tem problemas com empatia e afins, eu sou só . . . Um ser humano comum." Armin completou.
Aquilo que ele falou me tocou fundo, eu não havia parado pra pensar nisso tudo, e no fim, ele tinha razão, plena razão.
Eu me considero humanitária, mas eu tenho consciência de que eu jamais iria me sacrificar por um estranho . . .
Ouvir eu falando em voz alta que eu "prefiro que fulano morra do que minha mãe" por exemplo soa MUITO cruel e me sinto MUITO errada. Mas . . . É verdade.
Entretanto, sim, eu me sacrificaria pelo mundo, diferente do Armin que só mantem o mundo porque no mundo tem gente que lhe interessa, eu manteria porque . . . é o mundo.
Se o Armin não tem quem importe pra ele no mundo, automaticamente, ele não precisa preservar o mundo e quer "que tudo se exploda" no literal da frase.
O caso do Armin do passado é esse.
Ele ama as pessoas a sua volta mas não o suficiente pra querer preservar o mundo em que vivem.
"Bem . . . Teoricamente eu devia ir pro colégio esses dias que estou aqui." Armin do passado interrompeu bebendo suco.
"E pra que quer ir pra escola ? Já sabe que lá só tem doente mesmo." Armin dizia.
"Teoricamente eu faço parte do plano de vocês certo ?" Armin do passado dizia.
"Exatamente. Só na teoria. Na pratica você já deixou claro que quer que todo mundo se foda." Armin disse apático.
". . . Eu não faço questão de ir, só pra constar." Armin do passado dizia se jogando no encosto da cadeira.
"Bem . . . Poderíamos ir lá fazer algo pelo menos." Armin do presente sugeriu.
"Jogar nos árcades do shopping ?" falei enquanto o Armin do passado levantava ligeiramente sua sobrancelha e me encarava, conheço bem esse gesto, peguei a atenção dele.
". . . Boreal vai encontrar com o Castiel na casa dele." Armin falou sem mais nem menos.
Armin do presente deu um sorriso sádico.
". . . Sempre amei ser empata foda dos outros." ele falava levantando e indo pegar seus sapatos.
É, aquele dia tínhamos um destino, atrapalhar minha eu do passado.
Porque o Armin tinha interesse nela ? Não.
Porque eu tava incomodada com o "namoro" dela ? Não.
Simplesmente porque seria divertido.
Sou eu mesma, eu posso permitir que os outros me trollem.
E assim eu entendo porque o Armin do futuro adora perturbar o Armin do presente.
Peguei minhas coisas, Armin do passado também, e saímos.
Fomos de transporte publico mesmo já que bem cedo Armin do futuro havia levado meu pai na casa da minha tia.
Passamos direto a escola, a casa do Castiel não era muito longe na verdade, então logo estávamos na casa dele.
Engraçado que ele mora perto e sempre foi um dos que mais chegava atrasado no colégio . . . Em compensação, Armin e Alexy sempre moraram longe e nunca se atrasavam.
Assim que chegamos, eu sabia onde ele guardava as chaves reservas, afinal, eu já fiquei com ele e fugia constantemente pra casa dele.
Ele literalmente tinha chaves extras.
"É, se eles estiverem em um momento mais intimo literalmente iremos empatar foda". Armin do passado ria de leve.
". . . Eu quero muito fazer isso, mas não sei se estou pronto psicologicamente pra ver minha namorada no passado transando com o Castiel . . . " Armin do presente dizia com olhar assustado.
Eu só ri e segui em frente.
Decidi que eu veria e liberaria a passagem pra eles se achasse justo, não quero que um perca a vontade de ficar comigo e o outro fique com crise de ciumes.
Abri a porta entretanto fui apenas recebida por um cachorro me olhando, os dois colocaram a cabeça sob meu ombro.
Vamos lembrar que esse não é o meu pai . . . E de acordo com meu pai, era um cachorro comum.
Ele me encarava e eu sentia que ele poderia muito bem me atacar pra defender seu território, então após notar que a casa estava vazia, só fechei a porta.
"Tá, cadê eles ?" perguntei.
"Será que saíram ?" Armin do presente disse.
"Bem, ela não me falou nada, só disse que viria na casa do Castiel." Armin do passado dizia.
É engraçado que na época que eu tinha essa relação de amizade de "amor e ódio" com o Armin, eu estava com o Castiel.
. . .No fim vejo a coisas se repetindo numa velocidade mais acelerada . .. não sei até onde isso tudo é bom.
Mortes . . . Esse é meu medo.
Saímos do prédio do Castiel com nossos planos frustrados.
"Ainda nos resta os arcades" falei.
". . . Tem certeza que você era aquela coisa caolha que eu conheço ?" Armin do passado falou me encarando.
"Nem eu acredito quando olho pro meu passado Armin, acredite." respondi.
"É porque não leu o diário dela nas primeiras paginas ! Ia ficar assustado !" Armin do presente dizia rindo enquanto eu o cotovelava.
Estávamos caminhando até o shopping, pra passar pro Shopping temos que passar em frente a escola, e ali começaram-se as descobertas.
Não seria um problema normalmente, mas a diretora transformou em problema.
Ela nos viu, e nos parou.
"Armin ? Já faz 2 dias que não aparece, aconteceu algo ?" Ela parecia preocupada.
Armin encarou eu e o Armin do presente.
"E esses seriam . . . ?" ela perguntou.
"É meu irmão mais velho." Armin respondeu rapidamente.
"Estão todos cabulando aula ? Pelo que me lembro você também tem cadastro aqui no colégio, mas nunca compareceu a nenhuma aula." ela dizia olhando pro Armin do presente e então me encarou em seguida. Será que ela acha que sou a Boreal, aluna dela ?
De qualquer forma é estranho que ela lembre tão bem da ficha dos alunos e de detalhes como se eles faltam ou não . . . Eu tenho memoria fotográfica, mas ela ? A menos que esteja tomando conta da gente ela teria que ter memoria fotográfica também . . .
"Você é o Edward, Alexy ou o Alexander?" a diretora perguntava direcionada ao Armin do presente.
Armin pareceu pensar um pouco antes de falar "Edward". Acho que ele mesmo esqueceu qual nome escolheu, comum já que ele escolheu o nome dele duas vezes, como David e Edward.
Ficamos todos em silencio nos encarando, quando Armin do presente parecia ter o que falar, ouvimos uma voz das nossas costas.
"Ah, estão dando trabalho de novo ?" Era o Armin do futuro que falava rindo colocando a mão sob a cabeça do Armin do presente e do passado.
"Você seria ?" ela dizia sorrindo pra ele como sinal de cumprimento.
"O irmão mais velho, David. Sou responsável por eles quando meus pais não estão presentes." Ele falava naturalmente como se fosse a verdade absoluta, até eu que sei que é mentira tudo isso acreditaria.
"Nossa quantos irmãos. Enfim, podem me acompanhar até minha sala ? E a senhorita vá para a aula, mais tarde quero falar com sua mã--" ela falou sendo interrompida pelo Armin do futuro que tomou minha frente.
"Ela é irmã mais velha da Boreal, a Aurora, acho que confundiu as duas. Mas note bem que visivelmente ela é mais alta e adulta." ele falava rindo.
. . . essa historia de Aurora de novo.
A diretora realmente me encarou e logo "notou".
Eu não me acho tão diferente assim . . . Será que to maluca ?
Entramos todos na sala da diretora, Armin passava sempre conforto e confiança em suas palavras, ele agia naturalmente como responsável dos dois, já eu . .. Não sabia bem como agir.
Rapidamente ele cochichou pra mim "relaxa, só finge que quer saber onde sua irmã foi e finge que tá preocupada." ele dizia rindo.
Entramos na sala e nos sentamos.
A diretora então começou a falar que os "irmãos" do Armin não iam pra escola a dias, e que minha "irmã" também.
Eu não sabia como agir mas fingi esbravejar, bem, anteriormente Armin já elogiou minha interpretação, então creio estar bem quanto a isso mesmo sentindo muito nervoso interno.
Ele só olhou pros meninos e falou "a mãe vai matar vocês e eu não vou acobertar viu ?" ele falava passando veracidade.
Me pergunto quantas mentiras ele já não contou pra mim e eu cai . . .
Se bem que até agora tudo que achei que ele mentiu ele falou a verdade.
Que confuso . . .
A diretora repentinamente se levantou.
"Ah sim, não ofereci nada pra tomarem." ela então foi em uma pequena mesa que tinha vários chás.
"Qual prefere querida ?" ela perguntava pra mim.
"Ah . . .E-eu não gosto de chá, obrigada." falei.
"E você ? Seu favorito ainda é hortelã ?" ela perguntou sorrindo.
Ele olhou pra ela e levantou uma sobrancelha, ele estava analisando tudo e tetando entender oq que se passava.
"Eu . . . não . . . " a diretora continuou a encara-lo sorridente.
"Não quer chá ?" ela falava.
"Não obrigado." ele respondia.
Ela então se sentou sorrindo e bebendo seu chá.
A diretora conversava normalmente, explicava a situação da escola, parecia ate uma profissional de verdade, irônico já que maior parte do tempo ela parece um monstro . . .
Por fim . . . Fomos liberados.
Agi como se fosse dar bronca na Boreal e fingi ligar pra ela já o Armin agia como se fosse dedurar pra mãe.
Antes de irmos ela parou o Armin e falou "Não se esquece que você me deve um pires novo viu ?" ela sorria gentilmente e fomos embora.
Eu fiquei encarando o Armin por muito tempo, sem entender.
Do que ela estava falando ???
Naquele momento eu ainda não tinha entendido a gravidade da situação. . .
Eu não tive tempo de perguntar nada pra ele.
Armin estava muito MUITO pensativo e parecia ignorar maior parte das coisas a sua volta, mas o ponto não foi esse, e sim as vozes que ouvimos enquanto nos retirávamos da escola, Charlotte gritando um "SAI DAQUI !" bem alto.
Vinha do jardim.
Fomos até o local por mera curiosidade.
Chegamos lá tinha um grupo de meninas rindo da Charlotte.
Ela estava sozinha . . .verdade, Ambre e Li brigaram com ela, elas não eram mais as 'rainhas' do colégio . . . Pelo visto a coroa foi passada.
"Como está Kévin ? Cade suas amigas ?" as garotas riam.
Elas três pareciam a Charlotte, Ambre e Li antes . . .
Confesso que foi bom ver a Charlotte provar do próprio veneno, mas eu não consigo . . . eu senti pena.
Era covardia . . . 3 contra uma.
Sei que elas já fizeram parecido com a Bia e foi covardia também mas . . . Não consigo "pagar na mesma moeda" quando a vitima está na minha frente.
Eu fiquei com pena.
"O QUE IMPORTA PRA VOCÊS ?!" ela gritava.
Charlotte parecia tentar ignorar elas mexendo no celular mas elas batiam em seu celular incontáveis vezes.
eu diria que nunca vou entender essas pessoas que fazem bullying sem motivo aparente mas . . . eu já fui uma delas.
Pobre Ken . . .
E porque ? Por que isso me fazia superior, forte.
. . . E patética.
"Que foi Kévin ? Brigou com as amiguinhas por ser INTERESSEIRO ?" elas riam mais enquanto falavam coisas que claramente machucavam a Charlotte.
Ela estava claramente muito nervosa e estava muito acuada . . .
"Não me chama por esse nome !" ela não se continha, ela explodia a raiva toda. . . Isso piorava obviamente, afinal, se elas sabem seu ponto fraco, elas vão usar ainda mais contra você.
As meninas riam mais e mais do desespero da Charlotte.
Eu não aguentei e me meti.
"O QUE ESTÃO FAZENDO COM A CHARLOTTE ?!" gritei.
"Kévin você quis dizer ?" elas voltavam a rir.
". . . Amanhã pode ser vocês sendo humilhadas por ai sabiam ?" respondi irritada e confesso que sem saber o que dizer.
Causei só mais risos da parte delas.
"Cala a boca monstrinho." Uma delas falou pra mim.
"Não seremos nós lá. Não temos nada a esconder dos outros feito O KEVIN" elas voltavam a falar da Charlotte que claramente tremia.
"Não ? Que bom . . . então acho que posso falar pela escola do trabalho de camgirl de vocês né ?" Armin do futuro tomou frente.
"D-do que está falando ?" uma delas gaguejou.
"Aqui esse vídeo, é de vocês 3 não é ? Se pegando por dinheiro na internet enquanto tampam o rosto, boa tática." Armin falava calmamente enquanto sorria e mostrava o celular.
"E-essas não somos nós !" outra gritou muito nervosa.
"Não ? Ué . . . mas esse endereço bate com uma de vocês . . . OPA, ACHO QUE ALGUÉM ESQUECEU DE TAMPAR A WEBCAM NA HORA DE TIRAR A MASCARA !" Armin dizia mostrando o resto da filmagem. Era o rosto delas mesmo . . . Meu deus.
"c-Como . . ."
"É muito fácil hackear uma webcam . . . Bem, mas vocês disseram que não tem nada a esconder então vou mandar pra uns amigos aqui no colégio . . . " ele estava prestes a apertar o botão de envio.
Elas então começaram a se desesperar.
Eu ignorei elas enquanto se resolviam com o Armin e fui até a Charlotte.
Ela estava com os olhos cheios de lagrimas.
". . . tá tudo bem ?" quando tentei encostar nela ela tirou o braço de uma vez e se tornou muito mais agressiva que antes.
"EU SEI ME VIRAR SOZINHA ! NÃO PRECISO DA PENA DE FRACASSADOS POBRES COMO VOCÊS !!" ela gritou e saiu de lá.
. . . Porque ela é tão complicada ?
Armin após se livrar das meninas se aproximou logo em seguida enquanto eu encarava a Charlotte indo ao longe.
"Fracassados e pobres ? Eu sou um revolucionário da tecnologia ! E muito rico, obrigado ! Estou ofendido." ele falava em tom brincalhão.
Não tínhamos muita coisa pra fazer mais . . .só nos restava ir pra casa.
Armin do futuro parecia pensativo o tempo todo.
Perguntei como ele tinha aquelas filmagens, ele disse que enquanto estávamos distraídos vendo as 3 humilharem a Charlotte ele usou o receptor pra buscar sobre as meninas.
Armin do presente pareceu ser o único a notar de fato sua saída.
Cheater.
O caminho de volta estava tedioso, claramente os outros 2 armins estavam encucados também com o mesmo que eu: Diretora.
Mas eles estavam destraidos com outras coisas mais em suas conversas.
Me restou me aproximar do Armin e perguntar o que houve.
Assim que chegamos em casa, os dois Armins mais novos foram pra cozinha pegar algo pra comer. A casa estava um silencio e só tinha nós 4.
Fui na sala, Armin do futuro estava sozinho pensativo.
Meu pai estava na minha tia, Remy levou a Vio em casa, os Armins estavam na cozinha.
Me sentei ao seu lado e chamei seu nome.
Sem que eu questionasse nada ele já começou a falar.
"Eu acho que sei de onde a diretora me conhece . . . " Armin do futuro dizia me fitando.
". . . De onde ?" falei surpresa dele saber o que eu pensava.
". . . Eu sempre fui curioso sabe. Conhecer fatos históricos e épocas distintas." Armin dizia.
"Sim, e o que isso tem a ver com a diretora ??" perguntei.
"Marie-Antoinette de Habsbourg-Lorraine. Conhece esse nome ?" quando Armin falou, rapidamente puxei da memória, logo, sem dificuldade alguma, lembrei, era um nome que eu ouvi nas aulas de historia, um nome grandioso e poderoso.
Era a rainha da França na época da revolução francesa.
"Sim. . . é o nome da rainha não é ?" questionei.
"Exato. Quando fui em meados da revolução, ver tudo que acontecia . . . Eu conheci ela." ele falava.
"Tá . . . vai falar o que ? Que a diretora é a rainha ?" falei rindo.
". . . Eu quebrei o pires da rainha dela e terminei por sujar seu vestido acidentalmente. Eu não gostava de nada que era oferecido pra beber e só aceitei chá de hortelã por ser a unica bebida que me agradava mais entre as oferecidas". Armin se silenciou . . .
Quando ele falou isso . . . eu gelei.
Eu entendi . . . certo ?
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