As aventuras de uma Docete Ciclope
156 Capítulo 151

Eu pude sentir minha mão suar de nervoso com a filmagem.
Iris então se aproximou de Ken com aquele objeto preto em mãos e o entregou na mão do Ken.
"Eu não quero que pense que pretendo usar isso. . ." Iris dizia.
". . . É o teaser que Lysandre te deu pra se defender de mim não é?" Ken retrucou.
"Não de você Kentin. . . de qualquer um que me ameace." ela respondia enquanto Ken estava devolvendo o teaser que a Iris jogou em uma lixeira.
"Não precisa ter esse pudor com as palavras . . . Eu sei o quanto ele me odeia Iris. . ." Ken estava com os olhos vermelhos ainda, ele tinha acabado de falar comigo na sala de artes . . .
"Seus olhos . . . estão vermelhos. . . Tá tudo bem ? Estava chorando Kentin ?"Iris falava delicadamente.
"Não importa. . ."Ken então se afastou enquanto ficava de costas e esfregava os olhos.
Os dois ficaram em silencio por um tempo.
Iris então, com jeito tímido enquanto mexia em seu próprio braço parecia querer falar algo com ele.
Os dois começaram a falar ao mesmo tempo,entretanto, Iris não prosseguiu.
"Sabe . . . Tomei uma decisão inportante hoje . . ." Ken começou a falar.
"Qual ?" ela questionou com grande interesse.
". . . eu não estava mais aguentando tudo que eu vinha sofrendo. . . Todos pegando no meu pé e me humilhando por varias coisas.
Tentei me defender e bancar o durão.
Estava disposto a acabar com todos hoje . . . Eu vim decidido a acabar com meu sofrimento. . . Com quem me trazia sofrimento."Ken dizia.
". . . D-do que está f-falando Kentin . . . ?" Iris questionou.
". . . Eu conversei com a Boreal e . . . Decidi que não iria mais fazer o que vim decidido a fazer.
Se eu fui tratado igual lixo sempre . . .Talvez o problema seja eu . .. Certo ?
Eu sou o problema . . . Não as pessoas. . ."Ken estava claramente abalado, mesmo de longe da camera era visivel seu estado psicológico.
ken então puxou uma arma de sua mochila.
Iris deu um pequeno salto com o susto.
"kentin. . . isso é uma--"
"Sim. Arma. Peguei do meu pai.
Eu sai decidido a por um fim nisso tudo.
Eu . . . queria matar todos que me causaram dor . . . Falar com a Boreal me fez voltar atrás . . .
Eu fiquei pensando na minha vida e no fim conclui que eu sou o problema . . . "Ken estava chorando essa altura.
Iris, sem grande cautela ou medo da postura do Ken, se aproximou dele.
". . . Em meio a sua conclusão. . . o que vai fazer ?" ela perguntou sem medo.
". . . Dar um fim em quem está fazendo esse bando de merda. . . Eu mesmo." Quando ele disse isso ele apontou a arma pra própria cabeça.
"KEN NÃO !" Iris dizia se aproximando.
"Porque não?! Ninguém nesse Colégio se importa comigo. To sozinho ! Só irei livrar as pessoas do meu peso !" quilo me era tão familiar . . . Acabei olhando pro Armin no modo automático.
"Eu me importo ! Te chamei aqui justamente pra dizer isso !!" Iris dizia puxando o braço dele.
" Você tá falando isso porque quer que eu não me mate! PARE COM A PENA " Ken já estava em prantos enquanto puxava o seu braço e se soltava da Iris, assim retornando a arma para sua cabeça.
Iris puxou novamente seu braço e os dois estavam lutando pra ver quem conseguia a direção da arma.
Iris tentanto tirar da direção do ken e o Ken tentando apontar para sua própria cabeça.
"VOCÊ SÓ ESTÁ ME IMPEDINDO PORQUE SOCIALMENTE ESTA ERRADO DEIXAR UM COLEGA DE CLASSE SE MATAR !" ele gritou puxando o braço ainda com mais agressividade.
Iris puxou com mais força.
Os gritos estavam muito intensos.
"NÃO FALE POR MIM ! " Iris abraçava o tronco de Ken tentando imobilizar totalmente enquanto segurava a mão que continha a arma.
Os gritos se intensificavam mais e mais até que se ouviu um disparo em meio aquela confusão pouco depois de Iris se declarar.
"Eu me importo e amo você Ken." foi tudo que foi ouvido antes de Ken disparar contra Iris.
Ken tremia.
Ele tremia muito.
O tiro foi certeiro na cabeça da Iris. . .
Ela caiu instantaneamente. . .
"Iris . . .?" Ken dizia tremendo.
Nessa hora pude ver a porta se abrindo e entrando Armin,Azriel, Nath e eu.
Dali pra frente, eu já tinha visto tudo ao vivo.
O silêncio se estendeu pelo quarto.
Ninguém tinha o que dizer.
. . . Iris morreu por acidente. . .
Armin respirava fundo, todos estavam ansiosos e assustados com o que viram.
"Essa filmagem mostra que não tinha um culpado . . . a Iris só estava tentando fazer o Ken não se matar e ele acidentalmente acertou ela . . . " Peggy parecia muito abalada enquanto se jogava pra trás.
Um conjunto de sentimentos deve invadir seu peito nesse instante.
Ela gostava da Iris afinal.
Ver sua amada se declarando pra outro e morrendo pro mesmo deve ser . . terrivel.
Só de me imaginar na situação me doi o peito.
"Ken provavelmente agiu de forna agressiva justamente por estar em choque. . . entendemos tudo errado."Nathaniel dizia.
"Bati nele . . . Atoa. Ele não merecia." Azriel voltou então a se culpar e chorar.
"Ninguém podia fazer nada Azriel. Ele estava descontrolado. Ele iria matar bem mais pessoas nem que fosse por acidente. Talvez terminar se matando por conta da pressão de ter destruído vidas."Armin completou
" . . . Seu destino não mudou muito já que ele se matou . . . "Alexy completou.
"Ele se matou pra salvar a Boreal, não por peso na consciencia em si. . . Isso só prova mais que tinha alguém ali naquele corpo."Nathaniel dizia.
"Astuto de sua parte Peggy. Foram informações uteis." Ambre dizia.
"Assim que acusaram a Iris de ter ido pra cima do Ken e ter sido legitima defesa, eu comecei a providenciar provas contra ele e achei isso . . . Os dois são inocentes no fim das contas . . ." Peggy dizia com um olhar frustrado.
Ela tentava conter suas emoções.
"E agora ? O que fazer ?" Bia questionou.
"Não são informações realmente uteis. Saber disso não vai nos salvar de nada, só sabemos que as dúvidas que tínhamos foram tiradas completamente.
Por exemplo: Kentin não é um assassino.
A diretora se meteu nisso tudo como sempre.
Iris não é uma doida." Armin dizia seguramente serio.
"E agora temos que juntar essas informações e--" quando o Nathaniel começou a falar Armin interrompeu.
"Juntar pra que ? Sinceramente isso tudo serviu de merda nenhuma ! O Kentin está morto !
Iris, Violette, todos mortos !!
A escola mexeu os pauzinhos de novo e não pudemos fazer absolutamente nada !
NÃO TEM O QUE FAZER ! JUNTAR ESSAS INFORMAÇÕES É INÚTIL !!" Armin falou alterado.
"A PEGGY SE MATOU PRA TRAZER ESSAS INFORMAÇÕES PRA GENTE E VOCÊ AGORA DIZ ISSO ARMIN ?!" Nathaniel gritava ainda mais alto e mais alterado . . . Nunca o vi assim, não com o Armin.
"ELA SÓ TROUXE INFORMAÇÕES INÚTEIS ! NÃO SOU IGUAL VOCÊ QUE FALA AS MERDAS PRA AGRADAR OS OUTROS ! EU NÃO VOU MENTIR !!" Armin gritou direcionado ao Nathaniel.
Nunca vi os dois discutirem . . . Acho que a tensão está bem forte no local . . .
"Peggy . . . Descul--" Peggy então interrompeu o Nathaniel.
". . . O Armin tem razão Nathaniel. E eu não estou magoada com ele.
Eu sei que essas informações não valem de muita coisa no estado atual das coisas, mas só trouxe pra que soubessem a verdade.
Não precisa tentar encobrir algo que eu já sei Nathaniel." Peggy respondia desanimada enquanto fechava seu notebook.
O clima estava tenso no local, quando tudo se silenciava, só dava pra ouvir o choro descontrolado do Azriel . . . Ele está muito mal . . .
Uma enfermeira então entrou no local pedindo silêncio educadamente, um pouco acanhada talvez pela presença do Nathaniel que é seu "chefe".
Nathaniel se desculpou educadamente e Amin virou de costas pra todos se cobrindo . . . Tipico dele.
Eu não pretendia insistir por conhece-lo e saber que ele faria pirraça como sempre, então só me despedi rapidamente do Nathaniel e Alexy com um abraço e o mesmo foi feito com o Armin, mesmo com ele me ignorando.
Saí do local com Ambre, Castiel, Azriel, Peggy e Armin do futuro, que por sinal se mantinha calado o tempo inteiro.
"Não temos o que falar depois dessa confusão. . . " Ambre dizia.
"Eu entendo o Armin . . . Ele tem razão em tudo que falou, só temos informações inúteis." Peggy completou saindo.
"Vai onde ?" perguntei.
"Pra casa pensar um pouco . . . Amanhã nos falamos, o dia foi um pouco conturbado pra mim. . . " Peggy dizia.
Queria ter perguntado se estava tudo bem, mesmo por desencargo de consciência, mas . . . Não tive coragem nem
"Vocês vão pra onde ?" Castiel. perguntou pra Armin e eu.
"Vou levar a Boreal na casa dela e ir resolver algumas coisas." Armin do futuro dizia.
"Eu . . . Quero ir pra casa da Bia . . . " Azriel falava timidamente. . . .pobrezinho, ele está tão abalado.
"OK Azriel, eu levo vocês . . . " Ambre dizia empurrando eles dois, porém, antes, me dando um abraço de despedida.
Ela parecia tristonha . . . O clima está estranho pra todos . . .
Castiel estava bem mais calado que o normal . . . Ele parecia muito pensativo (se é tem como ele pensar né . . . )
Não enrolamos muito, Azriel entrou abatido no carro de Ambre com Bia e Castiel, e eu entrei no carro do Armin.
No caminho Armin parecia pensar demais também . . .Me pegunto quais eram seus pensamentos já que ele não se abre.
"Tá tudo bem ?" questionei quebrando seu olhar distante.
"Eu quem pergunto . . . Tá tudo bem ?" ele retrucou.
". . . .Claro que não . . . 3 óbitos em menos de 1 mês . . . Um deles do meu amigo de infância . . .
Pessoas importantes pra mim feridas e hospitalizadas . . . Claro que não tá tudo bem . . . " respondi.
". . . Mas, não acha que isso possa te afetar mentalmente ?" Armin perguntou enquanto parava o carro em um semáforo e voltava sua atenção pra mim.
"O que quer dizer ?"
". . .Nada . . . " Armin então esperou um tempo antes de prosseguir a viagem em silêncio.
Chegamos em casa e ele dessa vez não ficou por muito tempo, saiu apressadamente falando que tinha coisas importantes pra resolver.
Ele pediu pra que eu não me agitasse muito e ficasse calma pois tudo ia se resolver, em seguida falou algo com o Charlie e saiu pela porta.
Me sentei no sofá . . . Era tão estranho . . . Estava sozinha com 2 cachorros e 1 gato. Quanto tempo não ficava sozinha desse jeito . . .
Armin estava no hospital, meu pai no trabalho e minha mãe morta.
Decidi ir no antigo escritório do meu pai, que agora estava se tornando um laboratório.
Lá estava muito bonito e reforçado.
Eu não tinha parado pra entrar depois das obras.
Ainda tinham obras sendo feitas e muitos equipamentos sendo colocados, mas maior parte do laboratório estava feito, pelo menos no laboratório que era o mais difícil e onde o Armin e o Alexy passam maior parte do tempo.
Entrei e andei um pouco por ali.
Eram tantas maquinas das quais eu não fazia ideia do que cada uma fazia.
Num canto, vi um relógio e me aproximei, parecia ser aquele receptor velho.
Estava aberto, pelo visto Armin estava tentando consertar.
Mexi um pouco nas peças e notei que pareciam peças de um relógio comum, queimadas, porém, comuns.
Logo saí de lá e fiquei no tédio . . .
Não demorou muito até que eu pegasse no sono no sofá.
Não mexi no celular nem nada, só escrevi um pouco e logo adormeci . . .
Ao acordar na manhã seguinte estava coberta e meu pai estava preparando o café da manhã.
Eu já estava sem noção de hora e dia.
Me sentei e conversei um pouco com meu pai sobre o dia anterior, sem muitos detalhes e com grande desanimo e sono ainda.
Ele foi paciente e não me pressionou.
Eu estava me sentindo mal por ter ficado sozinha . . . me acostumei com a casa cheia, principalmente, com companhia pra dormir, e o mais importante: Aquele sofá era duro.
Sabe, meu psicológico não tá dos melhores ultimamente . . . Não sinto que vou vegetar como o Armin temia, mas . . . sinto que não to bem.
Entretanto . . . Acho que nunca senti esse ódio que sinto atualmente no meu peito . . .
Eu comecei a chorar repentinamente pensando no que aconteceu esses últimos dias . . . Não to nada bem com isso tudo.
O telefone de casa tocou e meu pai atendeu enquanto se sentava do meu lado e esfregava minhas costas carinhosamente me acalmando, foi quando prestando atenção em sua conversa entendi uma parte.
"Armin tá tudo bem ?
OK.
Vou tentar passar ai pra te buscar no caminho pro trabalho só---" e em seguida pareceu que a pessoa do outro lado da linha desligou.
Perguntei que era e ele falou que o Armin havia recebido alta e ligou avisando que estava saindo, entretanto, meu pai falou que iria buscar ele de carro.
Ele resmungou um pouco a respeito de estar atrasado, mas nada demais.
Eu então fui correndo até a porta e puxei um casaco longo enquanto vestia rapidamente algumas botas, estávamos entrando no inverno e estava um tanto quanto frio.
Na realidade não vesti, coloquei o casaco sobre os ombros de qualquer forma usando ele como manta.
Decidi eu mesma ir de encontro ao Armin, sem dar brecha pro meu pai falar, sai de casa correndo e peguei o carro do Armin.
Eu sabia que meu pai tinha que ir pro trabalho aquele dia, então eu não esperei muito e tomei frente pra busca-lo.
Eu tinha noção de como dirigir mesmo sem ter carteira graças ao meu pai que me ensinou, e eu lembrava bem o caminho graças a minha memória.
Estava toda largada, de pijama ainda. OK, não exatamente, estava com a blusa de um pijama mas a roupa estava embaralhada com a roupa que usei no dia anterior . . .
Assim que cheguei na recepção pedi pra ir ao quarto do Armin, sem demora, fui a seu encontro.
"Armin !" acabei soltando enquanto corria em sua direção ao notar que ele estava melhor e dei um abraço muito preocupada deixando o casaco cair. Talvez eu tenha exagerado na força levando em conta seu gemido de dor. A ultima coisa que quero é mais óbitos . .. Estava realmente preocupada com o Armin.
"Tá tudo bem ?! Você já pode sair da cama ?!" perguntei histérica enquanto olhava fixamente seu olho roxo.
"Já . . . Por sorte o tiro não pegou em um local que me comprometeu demais . . . posso repousar em casa assim como Nathaniel e meu irmão . . . Além de que todos nós nos curamos muito rápido . . . Acredito que alguém tenha mexido os pauzinhos pra isso." Pelo visto Armin sabia que alguém usou a bactéria entretanto não sabia quem nem porque. Ele deve deduzir que foi ele do futuro quem fez.
"Onde estão os meninos ?" perguntei.
"Alexy foi com meu pai, Nathaniel com o Francis e eu pedi pra ficar mais. . ." Armin dizia sério. Ele estava com uma postura estranha. Não consigo decifrar seus pensamentos.
Ele tinha um band-aid no machucado abaixo do olho.
Armin parecia abatido ainda . . . Com motivo, afinal, muita coisa aconteceu em pouco tempo . . .
Acompanhei ele até em casa, Armin estava claramente incomodado com as bandagens que pareciam coçar bastante principalmente ao roçar no banco do carro.
Chegando em casa meu pai ainda estava lá e já chegou reclamando. Ele muito tempo do dia de trabalho já que a clinica onde o Armin estava internado era um tanto quanto distante.
"Porque saiu desse jeito desesperado ?! Fiquei preocupado ! Você nunca dirigiu sozinha antes !" eu não respondi nada, só levei o Armin até o sofá. Meu pai encarou nós dois em silencio e respirou fundo.
". . . Tá tudo bem Armin ?" meu pai perguntou em tom mais calmo.
". . . Fisicamente sim . . . " ouvir aquilo foi o suficiente pra saber que psicologicamente, não.
Armin mexia inquieto na manga de sua blusa.
Ficou um silêncio estranho no local antes que meu pai saísse de lá apressadamente olhando o relógio, de fato, ele estava atrasado.
Ele foi a cozinha e rapidamente pegou uma trufa, enquanto jogava no colo do Armin, ele se dirigiu aporta.
Assim que meu pai saiu, Azriel estava na porta, meu pai deu abertura e mostrou que ele estava , ali, cabisbaixo.
"Azriel ? Tudo bem contigo ?" meu pai perguntou.
Azriel só balançou a cabeça negativamente.
Eu me levantei, peguei a mão do Azriel e puxei ele pro sofá.
Meu pai hesitou ir embora, mas logo falou que tinha que ir correndo e que ligaria pra saber se estava tudo bem, assim, saindo as pressas.
"Então ?" Armin falou direcionado ao Azriel que acariciava a cabeça de Charlie.
"A Bia teve que sair então pedi pra mãe dela me deixar aqui . . . " Azriel dizia com olhar tristonho.
Armin parecia sentir dor, decidi ver como estava seu ferimento, não tinha visto ainda, ao levantar sua blusa estava com bandagens então não pude ver.
"Acredite, é como se eu tivesse levado pontos em um machucado superficial . . . Nem parece que foi um tiro." Armin dizia sem eu ao menos perguntar.
Novamente olhei pro Azriel triste e decidi tentar anima-lo um pouco.
Peguei chocolates que tinham, eram do Armin, mas . . . Sei que ele não brigaria, era por uma boa causa.
Sem o Azriel notar eu enfiei uma trufa em sua boca.
Ele ficou com olhar espantado enquanto Armin ria.
"Sua intensão era alegrar ele com MEUS doces ??" ele dizia de forma egocêntrica enquanto ria da situação.
"Azriel estava com uma cara um pouco sem graça mas ele engoliu a trufa.
". . . Boreal . . . Eu . . . Não gosto de chocolate." Quando o Azriel disse isso Armin riu mais ainda, era como se ele já soubesse.
"mas . . . Eu já vi você comendo e . . ."
"Eu comi mais por experimentar já que eu não podia comer isso antes . . . Particularmente não gostei mas mantive a postura de quem gostou porque queria me enturmar digamos assim . . . " Azriel estava mais sorridente pelo menos.
Armin ainda rindo, se levantou e foi pra cozinha pegar algo, creio que pro Azriel.
"E o Lysandre Azriel ? Tem falado com ele ?" questionei.
". . . Com ele não, mas com os pais dele sim . . . Ele está internado . . . " Azriel respondeu tremendo a voz. . . Como me arrependi da pergunta . . .
Como já tinha jogado a merda nele, decidi prosseguir com as perguntas.
"Internado ? O que houve com ele ??"
". . . Ele está um tanto quanto, louco . . .
Estão dando inúmeros sedativos pra ele e tentando controlar ele.
Eu o visitei uma vez, ele me parecia normal sabe, mas . . . A internação é pra evitar que ele tente roubar o corpo da irmã de novo e coisas do gênero, sinceramente não acredito que ele vai voltar a fazer . . .
Seu pai está internado também, mas no caso dele é por causa das doenças físicas e não por causa da saúde psicológica . . . Lysandre não sabe mas . . . O pai dele está piorando gradativamente . . . " Ali vi o olhar de desespero do Azriel novamente.
"Muita coisa tem acontecido . . . Não quero que pensem que sou um fraco mas . . . É difícil pra minha mente entender tudo isso . . .
Pra mim ainda faz pouco tempo que eu era só um menino doente que não saia do quarto . . . Eu jamais pensei que fosse andar sequer, que dirá ver as coisa que tenho visto . . ." Azriel começou a falar repentinamente.
". . . Tudo bem . . . " falei.
"Não se esforce tanto Azriel, você é forte demais, Boreal na verdade é uma aberração por aguentar tudo isso. Ela devia estar num estado MUITO pior que o seu." Amin dizia.
Azriel deu um leve sorriso antes de prosseguir com seus lamentos.
"Vocês pelo menos sabem se defender.
Boreal atira, você sabe lutar. . . E eu ?"
"Tem super força ! Quer melhor ?" falei.
". . . .Não é muito útil na verdade . . . Uma arma eu teria mais controle do que a força . . . Eu feri muito o Ken por não ter me controlado " Azriel se lamentava mais e mais.
Fiquei um pouco pensativa enquanto o Armin voltava pra perto de nós com alguns salgadinhos de vários tipos.
Fui até a gaveta da mesa da sala e peguei a arma.
". . . E se fizéssemos essa troca Azriel ?" falei.
". . . Troca ?"
"Sim ! Eu te ensino o que o Dake me ensinou e mais um pouco, e você fecha um contrato comigo !" falei sem peso algum.
Pude ver o olhar de espanto de ambos.
"Tá louca ?! Era isso que o Armin disse que aconteceria contigo no futuro ??" Armin gritou.
"Não. Estou completamente sã. Eu quero super força." falei segura enquanto mexia na arma.
"Boreal ! Você vai ter que matar pessoas !!" Azriel gritava.
"Eu sei . . . E eu tenho uma lista extensa pra eliminar . . . Isso só me daria motivação pra prosseguir em frente com o plano."
"Você está louca ?! Da ultima vez que disse que queria vingança você viveu uma vida normal e olha no que deu."Armin gritou me sacudindo.
". . . Eu sei. A diferença de antes pra agora é que eu estou aceitando que sou a meda de um imã e eu VOU parar essas pessoas que estão desgraçando minha vida sem brincar de Terráquea.
Porém, assim que chamei o nome do Azriel pra pedir novamente o contrato, um barulho estridente ecoou pela sala e uma . . . cabine telefônica azul surgiu.
. . . Tinha como minha vida ficar mais ridícula ? Não tinha.
Eu nem estava surpresa . . . Aquilo era obra do Armin e suas nerdices como sempre, eu tinha certeza disso, e em poucos minutos eu tive minha resposta quando a porta se abriu e o Armin do futuro saiu de dentro desesperado.
"Uma Tardis ?!" Armin do passado falou.
"Foda né ?! Por dentro não é gigante igual a original mas, isso não é o momento, eu vim pra falar algo urgente e--" eu interrompi ele rapidamente.
". . . Armin ! Se o que eu te pedir der errado você entra por aquela porta agora e me impede de fazer ?!" falei empurrando o Armin do presente e segurando o Armin do futuro que parecia confuso.
Eu aguardei alguns segundos olhando pra porta e nada.
"Perfeito ! Você não me impediu, significa que vai funcionar. É o seguinte, me tragam no meu corpo, rápido antes que minha alma se desprenda." e na mesma hora eu puxei o gatilho na direção de minha cabeça.
Tudo apagou, e senti uma dor aguda por uns segundos que logo desapareceu completamente deixando um choque intenso se espalhar pelo meu corpo.
Tomei atitudes rápidas e talvez impensadas, mas sinceramente ? Estou cansada de ficar parada. Cansada de ser a pedra no sapato . . . Eu vou mudar as coisas ao meu redor.
Eu preciso de uma motivação pras tais mudanças e essa "morte" acho que é o inicio das minhas mudanças.
Eu acordei na sala.
Havia sangue por toda parte, um Azriel no canto do sofá traumatizado, um corpo de um homem que parecia ser um indigente e um Armin possesso de raiva gritando comigo assim que abri o olho.
Um Armin raivoso ? Corrijo, dois Armins raivosos.
"VOCÊ TÁ LOUCA ?! PORQUE RAIOS FEZ ESSA MERDA ?!" os dos gritavam ao mesmo tempo.
"Deu certo não deu ?! Então pronto !" falei enquanto testava meu corpo, ainda fraco
"E SE DESSE ERRADO ?! VOCÊ TERIA SE MATADO SUA DOENTE !!" Armin do presente então puxou a arma das minhas mãos irritado.
"Se desse errado o Armin do futuro teria impedido ou até mesmo voltado pra me salvar, fim de papo.
"NÃO EU NÃO IA !! ERA ISSO QUE EU VIM AVISAR !! AS LINHAS SE QUEBRARAM !" Armin gritava enquanto me segurava firmemente e me olhava com grande raiva.
". . . Quebraram ? Como assim . . . ?" eu não conseguia entender naquele momento do que ele falava.
"BOREAL ! NÃO TEM MAIS COMO VOLTAR NO TEMPO DESSE JEITO SÓ PRA SALVAR ALGO.
NÃO TEM MAIS LINHA TEMPORAL PRA ISSO.
Sabe tudo que tem no futuro ?? Digamos que estou sem teto !
Não tem mais meu futuro. Não tem mais linha ! Eu não sei mais o que acontece ! Eu não sei mais o que acontece faz tempo !
A Boreal era pra estar uma casca sem alma agora vegetando por ai ! Mas ao invés disso ela tá bancando a fodona por ai e fazendo eu matar indigente pra trazer ela de volta com super força!
Não notou que eu não estava mais voltando pro futuro faz um tempo ?! " Armin do futuro gritava.
". . . Pera . . . Você não sou eu. . . ? Você ficou com a Boreal . . . inventando que eramos a mesma pessoa ?!" Armin falou pausadamente.
"ARMIN ! NÓS SOMOS A MESMA PESSOA ! SENDO QUE DEU UMA QUEBRA NO TEMPO. NÃO É HORA PRA TER CRISE DE CIUMES ! TEMOS QUE SAIR DAQUI AGORA.
Por isso eu implementei os receptores que eu tinha nessa carcaça velha de colecionador da Tardis, pra poder caber vocês.
Toda a destruição que está prevista pra ser o fim do mundo lá na frente vai acontecer a qualquer momento, e provavelmente não vai ser aquele futuro pós apocalíptico que o Nathaniel viveu, mas sim . . .VAMOS TODOS SUMIR COMO A DEBRAH JÁ DESCREVEU ANTERIORMENTE." Armin dizia desesperado.
". . . Então . . ."
"Então nada Boreal ! Temos que sair daqui ! Eu não sei quanto tempo essa linha vai durar !
As coisas estranhas dessa linha estão ocorrendo com cada vez mais frequência.
Uma porta que você abre e dá em um lugar que não deveria, uma pessoa que está em um lugar que não devia . . . Vão me dizer que nunca presenciaram isso ?"
Ali, na mesma hora lembrei de todas as vezes que algo estranho aconteceu comigo.
Aquela Ambre doente no colégio . . . Fazia parte dessa quebra ?
". . . as portas do ginásio . . . ?" Azriel dizia, me fazendo lembrar do dia em que minha mãe foi morta.
"Muitas coisas tem acontecido . . . Vocês não notaram mas a frequência tem aumentado esporadicamente. Só entrem todos na Tardis agora ! . . . Nossa . . . Eu sempre quis dizer isso, me sinto um doctor." Armin falava trazendo um alivio cômico a situação desesperadora que nos encontrávamos.
O mundo está acabando e ele fazendo piada . . . Esse é o Armin, o cara com quem você se relaciona, parabéns Boreal.
Não tivemos tempo de pensar nem de pegar nada, só de correr pra cabine.
Azriel, Charlie, eu e Armin.
Assim que entramos, vimos o Alexy.
"Alexy ?!" falamos espantados enquanto ele acenava debochadamente.
"É, ele me viu entrando na maquina e se meteu aqui quando perguntou onde eu ia. Tive que explicar tudo pra ele" Armin respondeu.
"Ele estava guardando essa geringonça na garagem lá de casa ! Acreditam ?! Papai estava encobrindo tudo. Alias, eu não ia deixar ele me deixar pra trás com a porra toda se destruindo. Ah tá bom que ele ia me deixar pra morrer." Alexy falou.
"E cade o nosso pai ? Porque ele não veio junto ?" Armin perguntou.
"Primeiro porque não cabia, e segundo porque . . . Só estou trazendo quem consegui salvar na mesma hora.
Se eu conseguir concluir meus planos pode ser que eu salve todos, até quem desapareceu . . . Mas a Boreal, eu preciso preservar viva. Não sei quantas Boreais tem por ai. Fora que . . . Essa é a linha que eu quero manter . . . Vocês são as pessoas que eu quero manter vivas. Não quero outro Alexy, outro Armin, outra Boreal, Azriel, Nathaniel, quero vocês vivos na minha vida então . . . Preciso fazer algo." Armin dizia mexendo num pequeno painel na parede.
Estava um pouco apertada a cabine pela quantidade de gente.
Os relógios brilharam e o brilho se espalhou pela cabine inteira.
Vi aos poucos os dois Armins, Alexy, Charlie e Azriel brilharem juntos da cabine toda.
De repente, o brilho se dissipou.
Em um milésimo de segundo eu senti como se um elevador parasse, era estranha a sensação.
Armin do futuro estava ofegante, claramente estava tenso.
Ele então abriu a porta da cabine, estávamos na garagem da casa dele.
Armin do futuro saiu e abraçou o pai que parecia tratar tudo naturalmente.
"OK . . . Você mudou a gente de lugar." Alexy falou.
". . . E de tempo." Armin do futuro então respondeu.
Armin do presente saiu assustado caminhando até o portão.
"Esse portão é o antigo . . . Perai . . . "
"Bem vindos ao passado." Arnaud finalmente falou algo com aquele olhar apático de sempre.
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