As aventuras de uma Docete Ciclope
208 Capitulo 203
Notas iniciais

Querido diário, eu tive o pior pesadelo esta noite.
Sonhei que Lysandre estava atrás de mim e queria me matar.
Acordei suando frio, mas tentei não pensar muito nisso e segui meu dia normalmente.
Queria eu que esse diário fosse normal, mas afinal, nem minha aparência é normal… Foda-se, eu sou um alien dimensional, quem eu to querendo enganar?
Rayan e Ambre estavam nos trailers conosco pouco antes da desgraça estourar dias atrás.
Ambre estava recuperada já graças aos Nathanieis.
Não queríamos perder tempo, mas tivemos que esperar alguns dias antes de tomar mais uma ação.
E agora… bem…
Esse dia de hoje começou péssimo e agora, nesse exato momento que estou escrevendo, é basicamente uma terapia que estou fazendo comigo mesma depois de toda a merda que aconteceu de uma vez.
Estamos nesse exato momento escondidos do Lysandre em uma casa abandonada pouco antes de partir.
Estávamos tentando recuperar o aparelho dimensional do Armin pra irmos pra dimensão distorcida do Lysandre pra finalmente entrarmos no bunker.
Não sabemos como nem quando o aparelho foi roubado, mas estamos em desespero.
É nossa última chance.
Estou escrevendo a luz de velas em um canto dessa casa abandonada que encontramos no meio do mato pouco antes de partir dessa linha.
Nós viemos pra essa casa no início da semana, muita coisa aconteceu nesse período.
Não vou contar 100% o que houve, só os eventos importantes, apenas tendo em mente que tudo aconteceu no período de 2 semanas.
Minha vida tem sido um inferno sem descanso…
Bem, o estopim pra bomba explodir foi a Nina.
Sim, a Nina.
Durante um dia em que estávamos nessa casa abandonada nos escondendo do Lysandre, Thomas e Rémy enquanto vigiam o lado de fora encontraram a Nina.
Obviamente contiveram ela e a jogaram dentro da casa sob vigilância.
Foi uma confusão, afinal, se o Ken estava morto, era culpa dela que dedurou tudo pro Lysandre.
Nunca iriamos confiar nela depois daquilo.
Daniel estava desesperado quando viu que a Nina estava lá, ele não tinha encontrado com ela desde que soube da morte de seu querido amigo Ken.
“Nina… O QUE FAZ AQUI?!” ele já perdeu o controle assim que a viu.
“Eu quero ajudar, dessa vez é sério, me desculpem e–” Antes que ela pudesse falar mais, ele já arremessou uma cadeira na direção dela.
“EU NÃO QUERO OUVIR SUA VOZ!!! CALA A MERDA DESSA SUA BOCA IMUNDA QUE SÓ SERVIU PRA MATAR O KENTIN!!” ele estava rouco de tanto gritar e chorava com muita raiva.
Ele estava tendo um princípio de crise, e dessa vez não tínhamos o Ken pra conter ele.
Nina chorava desesperada, e tentávamos conter o Daniel.
Ele tinha motivo pra estar com tanta raiva, era a menina que ele cresceu com e por quem era apaixonado, que foi responsável pela morte de seu melhor amigo.
Nina apesar de assustada, não tirava a razão do Daniel.
“Eu sei que nada do que eu falar vai trazer o Ken de volta… me perdoa, eu queria proteger vocês! Eu não esperava que fossem matar ele e—”
“NÓS FALÁVAMOS TODOS OS DIAS PRA VOCÊ QUE O LYSANDRE ERA O VILÃO DA HISTORIA! VOCÊ PREFERIA DAR OUVIDOS PRA MERDA DE UM POLÍTICO DO QUE PROS SEUS AMIGOS!! NINA, NÓS CRESCEMOS JUNTOS! EU TE AMEI MAIS DO QUE COMO UMA AMIGA, EU FUI APAIXONADO POR VOCÊ!! E POR SUA CULPA MINHA ÚNICA FAMÍLIA, MEU MELHOR AMIGO ESTÁ MORTO!!!” Armin arremessava mais coisas na direção dela que se quebravam ao redor dela que dava pequenos gritos, mas só chorava e aceitava que estava ouvindo, repetindo sem parar “desculpa Daniel.”
Depois de uma discussão acalorada, Daniel finalmente se acalmou e parou de lançar objetos em Nina. Todos estavam exaustos, tanto fisicamente quanto emocionalmente.
A cena estava tensa e ninguém sabia como agir diante da situação. Daniel estava fora de si e Nina parecia ter finalmente percebido o erro que cometeu. Eu precisava intervir antes que a situação piorasse ainda mais. “Daniel, você precisa se acalmar. Não é com violência que vamos resolver isso”, disse tentando acalmar ele.
Daniel estava perdendo o controle mais e mais, e era difícil contê-lo.
Armin, que estava ao seu lado, tentava acalmá-lo, já que são tecnicamente a mesma pessoa, ele sabia o que fazer, mas nada parecia funcionar.
Armin colocou o Daniel sentado e ele chorava e colocava a mão na cabeça em crise.
Nina, por sua vez, chorava e se desculpava sem parar, sabendo que nada que dissesse poderia mudar o passado e trazer Kentin de volta.
Foi quando ouvimos um barulho vindo do lado de fora da casa. Rémy, que estava de guarda, se aproximou correndo e sussurrou algo no ouvido de Thomas.
O clima tenso dentro da casa aumentou ainda mais, e todos ficamos em silêncio, esperando para ver o que estava acontecendo.
Thomas se aproximou de nós e disse: "Lysandre está vindo para cá. Precisamos sair daqui agora".
“Não ele não está! Ele pode estar por perto, mas ele não sabe que estão nessa casa, de verdade e—” Nina foi bruscamente cortada por Daniel.
“Espera que a gente confie em você?! Faça-nos o favor e suma daqui!” ele gritava.
“Nina, o que quer dizer? Por que ele não viria aqui?” Nathaniel deu a chance dela falar.
“Eu vim com ele escondido, ele não sabe, desde a morte do Ken eu me infiltrei na casa dele e vi ele usar o aparelho de viagem varias vezes. Em uma das vindas dele eu fui ao ratio do aparelho e vim com ele infiltrada pra entender o que tava acontecendo…” Nina dizia.
“Eu não sei até agora como ele me roubou… e como ele mudou de dimensão a primeira vez…” Armin do passado dizia.
“Talvez da mesma forma que a Nina fez.” Violette dizia tímida.
“OK, mas o Lysandre tá vindo mesmo?” Armin do passado perguntou pra Rémy e Thomas que afirmaram com a cabeça.
“Eu to falando que não e–”
“Nina, eu acredito que você está arrependida e quer ajudar, mas precisamos pensar em uma forma de provar sua lealdade. Não podemos só sair acreditando em você. Alguma ideia de como?”, Nathaniel perguntou tentando encontrar uma solução pacífica.
Nina olhou para mim, olhou pro Daniel que desviava o olhar e ainda chorando disse que tinha um plano.
“Não vamos ouvir agora, ela pode estar ganhando tempo. Castiel, amarre a Nina e vende ela, vamos levá-la conosco pro esconderijo, quando estivermos seguros ouvimos o que ela tem a nos dizer.” Armin do presente pegou a mochila que estava preparando para essa situação e disse: "Vamos pelo túnel secreto que encontrei na semana passada".
Sem dar espaço pra Nina falar.
Era arriscado, mas era nossa única opção.
Saímos correndo pela porta dos fundos e entramos no túnel. Era escuro e úmido, mas pelo menos estaríamos longe de Lysandre por um tempo. Andamos por cerca de 10 minutos, quando chegamos a uma escadaria que dava para a superfície.
Thomas subiu primeiro para verificar se era seguro, e logo nos chamou. Subimos correndo a escadaria e saímos em uma rua deserta.
Não sabíamos para onde ir, mas precisávamos sair dali antes que Lysandre nos encontrasse. Foi então que ouvimos um barulho vindo de uma caverna próxima.
Decidimos nos aproximar com cautela, e Castiel foi na frente com Azriel verificar se havia alguém ou algo lá dentro.
"Parece vazia", Azriel disse, decidimos entrar.
Era uma caverna grande e escura, com teias de aranha por toda parte.
A Nina mesmo vendada chorava muito.
Ela tinha informações valiosas sobre Lysandre e sua organização, informações que poderiam ajudar a acabar com tudo isso de uma vez por todas.
Decidi puxar assunto com a Nina novamente, mas ela não queria falar comigo ou com Daniel, ela queria falar diretamente com o líder do grupo naquele momento, o Thomas.
Não era uma ideia fácil de engolir, confiar em alguém que já nos prejudicou antes, mas era a única pista que tínhamos no momento.
Falei com Thomas, ele ficou relutante, mas acabou concordando em falar com Nina.
Tiraram a venda dela, e Thomas foi com ela pros fundos da caverna, acompanhado de Chani a tira colo.
Ficamos apenas no aguardo, em silêncio, apreensivos com tudo.
Foi uma reunião tensa e perigosa, mas ao que tudo indicava, Nina entregou informações valiosas sobre as próximas ações do Lysandre. Ela realmente estava vigiando ele… ela realmente queria compensar tudo que fez.
Mas ela escolheu falar com o Thomas porque não queria ser interrompida como seria com o Daniel.
Com isso, pudemos armar um plano para deter Lysandre de uma vez por todas. E assim, finalmente, acabamos com essa história de terror.
…Ou pelo menos achávamos que daria certo de alguma forma…
Todos nós pagamos um preço alto, mas estávamos prontos para seguir em frente, juntos, como uma família.
E a nina, ainda não tinha nossa confiança, e pra ser sincera, duvido que um dia recuperaria essa confiança do Daniel…
Nina passou todo o mapeamento local e onde o Lysandre se encontrava enquanto estava nessa linha, e isso sim foi o que me chocou: ele estava escondido na versão da minha casa dessa linha temporal.
Sim, isso mesmo.
Armin olhava pra mim sabendo que eu estava apreensiva.
“É mentira né?” Rémy dizia.
“Podem confirmar se quiserem, inclusive a casa está cercada de guardas dele… Eu saí de lá.” Nina falava.
Se ela saiu de lá, significa que ele veio usando o portal…? Pelo que o Armin do passado disse, sua maquina transfere a pessoa de uma dimensão pra outra não de local.
Se eles vieram da minha casa o Lysandre sabe do portal…?
Eu perguntei se a Nina sabia do portal, ela disse que não viu nada, e que pela postura do Lysandre ele parecia não ter visto nada também.
Não desamarrar ela em momento algum, e ela pareceu só aceitar isso.
Começamos a nos organizar para ir ver a “casa dele”, na esperança de conseguir algo.
Estava amanhecendo já.
Nina nos passou os horários e padrões do Lysandre.
E assim montamos times para ficar na casa abandonada, ficar com a Nina e ir comigo em minha antiga casa.
Armin como sempre não aceita sair da minha cola, especialmente desde que começamos a ser ativos com a situação, ele conversou com o Daniel e os dois instalaram comunicadores em seus fones que os ajudassem a falar um com o outro e transmitir informações para caso de emergência e até mesmo tirar dúvidas com a própria Nina.
Fora isso, levamos conosco um dos 3 Nathanieis, no caso, o que era amigo do Lysandre, já que ele poderia ver um padrão e o Azriel.
Não levamos muita gente conosco por motivos óbvios.
Nina e Daniel foram até metade do local, pra poder nos dar ordens, e deixamos Peggy junto com o Daniel para controla-lo caso ele explodisse com ela.
E assim fomos até a cidade.
Fizemos como planejado, Azriel e Nathaniel aguardavam do lado de fora da casa, e como Nina falou, sim, tinham guardas cuidando da minha antiga casa…
Ela não mentiu.
Eu sabia que a Boreal dessa linha temporal estava morta, ou nunca existiu, o Armin do passado havia me dito sobre isso já, o problema é que nunca pensei que descobriria o que houve com ela…
Armin e eu entramos na minha casa, estava completamente vazia, mas parecia que alguém tinha saído recentemente.
Se estivéssemos certos, o Lysandre estava usando a casa.
Armin usou a tática que ele usava no colégio pra desligar o sinal da casa pra caso houvesse câmeras e algo do gênero envolvendo os arredores com fios de cobre.
Azriel se manteve do lado de fora vigiando.
Queríamos algo pra usar contra o Lysandre.
Procuramos em todo canto, foi quando o Armin desceu as escadas do porão e logo voltou assustado.
“Achou algo?”
Ele olhou pra mim me empurrando pra longe da porta do porão.
“Sim…”
“O que achou Armin?” perguntei assustada com sua reação.
“Algo que não deve ver…” ele dizia.
“Fala logo!” eu tentava empurrar ele.
“Cotoco Ciclope live action.” quando ele falou isso eu me lembrei na hora da fanfic que ele criou no meu diário antes de perder a memória.
E congelei… Quanto tempo fazia que o Lysandre estava nessa linha…?
Foi ele quem mutilou a minha eu dessa linha temporal e prendeu no porão…?
Eu queria vomitar só de imaginar que tinha uma versão minha mutilada no porão do Lysandre.
Ar me abraçou com força tentando me acalmar. Afinal, Lysandre poderia voltar a qualquer momento, e eu não podia perder tempo chorando.
Decidimos procurar mais pela casa, mas agora com ainda mais cautela.
Eu estava tremendo de medo, mas precisava manter a mente focada em encontrar alguma pista sobre o que o Lysandre estava planejando.
Vasculhamos cada canto da casa, mas não encontramos nada de valor.
Foi quando o Armin decidiu olhar nos pertences do Lysandre, que ainda estavam lá. Encontramos um caderno com anotações sobre experimentos genéticos.
Havia nomes de várias pessoas que eu conhecia, incluindo o meu. As anotações mostravam que o Lysandre estava planejando criar seres com habilidades sobre-humanas, tipo os animais do Castiel, só que com seres humanos.
Ele estava usando os rituais ocultos dele para isso.
Foi aí que tudo se encaixou.
A Boreal dessa linha não estava apenas desaparecida, ela havia sido assassinada pelo Lysandre porque ela provavelmente era um dos experimentos dele também.
Ele quer, sim, se vingar de mim, mas ele está tentando alcançar um nível de poder ainda mais insano, seja pra vir atrás de mim ou até pra se sentir mais forte em modo geral, controlar pessoas é o que ele mais preza.
Fora que se der certo, ele com certeza sabe que poderá trazer a sua irmã de volta.
E agora, ele estava atrás de mim e dos meus amigos para nos usar em seus experimentos também, além de sua vingança doentia em cima de mim.
Nós tínhamos que agir rápido.
Ele com certeza sabia onde estávamos e o que estávamos fazendo, e ele com certeza estava fazendo o Armin e o Nathaniel de idiotas, Armin e Nathaniel achavam estarem um passo a frente do Lysandre, mas ele estava um passo a frente da gente.
Tudo seria tão mais prático se o Lysandre não existisse… Como pude ser apaixonada por essa coisa um dia?
Como nunca enxerguei sua verdadeira natureza?!
“Armin” eu falei sem mais nem menos caminhando pela casa e me sentindo meio nostalgica.
“Oi?”
“...Um dia vamos voltar a ter uma vida normal? Sabe, pelo menos perto do normal…? Igual quando morávamos juntos aqui?” eu dizia passando a mão sobre a janela. Eu não o olhava, mas pela pausa que ele deu, ele estava tentando ter forças pra continuar o dialogo.
“É pra isso que estou lutando né…?” ele respondeu.
“O Armin do futuro parece ter desistido… Ele não fala conosco e só fica no PSP.” respondi.
“Duvido. Ele com certeza tá tramando algo… Só não sabemos se ele vai nos ajudar, e eu duvido muito que ele vá nos ajudar.” ele tinha um ponto forte. Armin foi longe desse jeito e não vai desistir nem nos deixar chegar perto da Boreal.
Ele em breve será nosso inimigo, e sinto que isso está mais próximo do que eu imagino…
Eu tenho certeza que ele sabe o que está acontecendo, e fingir que ele não sabe chega a ser piada.
Explorei mais um pouco antes de me retirar com o Armin. Não tivemos avanço algum além do trauma de que eu estava destroçada no porão.
O lugar estava completamente destruído, com paredes desmoronando e objetos quebrados espalhados por todo o lado.
Eu senti uma mistura de curiosidade sobre o que houve ali e medo, mas sabia que precisava manter a calma para conseguir pegar o que precisava e voltar para casa abandonada.
Finalmente consegui pegar tudo o que precisávamos e comecei a me retirar do local.
À medida que andávamos pelos corredores do andar de cima, a sensação de que alguém nos observava aumentava.
Eu sabia que precisávamos de um plano, mas a tensão era tão alta que mal conseguíamos raciocinar direito. Foi quando ouvimos um barulho vindo do lado de fora da casa.
Fomos correndo até a janela e ouvimos algo inesperado.
Nina estava solta e começou a gritar com um guarda.
Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo — Nina estava nos ajudando?
Mas isso era ruim… se ela estava tomando aquela atitude, significava que…
Foi quando ouvimos uma voz atrás de nós: "Finalmente nos encontramos de novo". Era Lysandre.
Armin e eu demos um pulo pra trás, mas não tínhamos pra onde fugir.
Meu coração disparava, ele não ia cometer o mesmo erro da outra vez.
Armin foi rápido e quebrou a janela com o cotovelo e já me jogou de lá enquanto levava um tiro de raspão na perna.
Eu gritei seu nome desesperada, e vi os guardas se reunirem ao nosso redor.
Eu podia ouvir o som de uma arma sendo sacada e me encolhi ainda mais, sentindo meu coração parar.
Armin apertou minha mão com força e eu soube que ele estava tão assustado quanto eu.
Eu o puxei com minha super força e tentei correr de lá, mesmo com ele ferido e sendo muito mais alto que eu.
Foi quando ouvi um disparo na minha frente, mas eu não fui atingida.
"Eu dedurei a localização da Boreal para o guarda. Eu achei que estava fazendo o melhor para o Ken, mas agora vejo que fui egoísta" Nina estava em pé na nossa frente e disse isso, com lágrimas nos olhos.
“Eu não vou deixar mais ninguém morrer por minha causa, mesmo sendo alguém desconhecido de mim. Se o Ken e o Dan lutaram por causa dessa garota, eu também vou lutar por ela!” Nina gritou disparando novamente.
Ela estava armada, e ao seguir seu alvo notei que ela havia dado dois tiros no Lysandre.
Porém, aparecia que nada fazia efeito, ele estava intacto, e caminhava em sua direção.
Seu olhar era vazio, sem emoção alguma, e ele carregava uma arma em suas mãos.
Nina se assustou. Ela sabia que aquele Lysandre não era o mesmo de antes, pelo menos não o que ela idolatra esse tempo todo, agora ela estava conhecendo o verdadeiro Lysandre.
"O-O que você quer?" ela perguntou pro Lysandre, sua voz estava tremendo.
"Você sabe o que eu quero", ele respondeu, com uma voz fria e calculada apontando sua cabeça em minha direção.
Nina engoliu em seco, percebendo que não havia escapatória e levantou a arma mais uma vez na direção dele e atirou, mas mais uma vez, foi em vão… O que ele se tornou…?
"Por que você está fazendo isso, Nina?" Lysandre falou calmamente.
"Porque eu não quero que você machuque a Boreal!" Nina respondeu, claramente descontrolada.
Lysandre parecia surpreso, mas não parecia assustado. Ele parecia estar em controle da situação. Fiquei assustada com a frieza dele. Ele realmente mudou muito desde que o conheci, ou melhor, ele não mudou, eu quem mudei minha percepção.
"Nina, não é assim que se resolve as coisas", eu disse, tentando acalmar a situação e afasta-la do local.
Nina não parecia me ouvir. Ela continuou a encarar o Lysandre, e eu comecei a temer pelo pior.
Ela tentou correr em um momento, mas Lysandre a alcançou facilmente.
Ele a agarrou pelo braço e apontou a arma para sua cabeça.
"Por que está fazendo isso?" ela implorou, tentando manter a calma.
"Porque você é o único obstáculo que me impede de conseguir o que quero no momento. Mas obrigado Nina, você foi útil esse tempo todo. É uma pena que não foi leal até o fim.", Lysandre disse com frieza, antes de puxar o gatilho.
O som ensurdecedor da arma ecoou pela rua.
E eu pude ouvir o som do sangue espirrando.
Eu não podia ficar de olho fechado, então lentamente abri o olho, e arma estava na minha cara.
Não tive tempo sequer de olhar o corpo da Nina no chão.
Armin estava jogado do meu lado estático, ele falava meu nome bem baixinho repetidamente.
Eu fechei o olho, esperando pelo impacto da bala, mas nada aconteceu.
Eu abri o olho devagar e vi que Nathaniel, estava segurando o braço de Lysandre.
"Você não pode fazer isso", Nathaniel gritou, tentando tirar a arma das mãos de Lysandre.
"Vocês precisam sair daqui agora", disse Nathaniel, com um olhar sério no rosto.
Não precisamos de mais incentivo. Corremos o mais rápido que pudemos, tentando fugir do perigo.
Corri o mais rápido que pude, sem olhar para trás.
Mas Lysandre estava em nosso encalço.
"Eu não vou deixar você escapar, Boreal!!", gritou ele, com raiva.
Eu sabia que Nathaniel estava segurando Lysandre, mas por quanto tempo ele conseguiria fazê-lo?
Bem esse Nathaniel era muito forte.
Eu corri na direção do Daniel que estava no canto sendo segurado pela Peggy.
Ele chorava muito e estava desesperado querendo se aproximar dela.
Acho que no fim, apesar de todo o ódio, ele ainda amava ela, claro, isso não ia passar do nada.
Mas não tínhamos tempo pra ficar ali pensando, tínhamos que aproveitar o tempo ganho do Nathaniel pra correr, eu era o alvo, e todos iam sofrer comigo.
Até então eu tinha total confiança que o Nathaniel sairia são e salvo. Afinal, sabíamos que ele era mais forte que todos ali, mas eu já devia ter desconfiado quando vi o Lysandre tomar tiros e mais tiros e se regenerar na minha frente… Devia ter desconfiado que o pior aconteceria…
Enquanto corríamos de lá, de repente, ouvimos um grito de dor intensa.
Quando nos viramos, vimos o Nathaniel partindo completamente no meio, como se fosse uma folha de papel.
Foi a coisa mais grotesca que eu vi na minha vida.
Eu tentava a todo custo ignorar, e era puxada por Peggy, mas era horrível, horrível, a imagem não saia da minha mente, por que eu sou obrigada a passar por isso??
Nós corríamos, e só ouvíamos a voz do Lysandre ecoando na rua.
Lysandre matou Nathaniel em frio sangue, sem hesitar. Eu queria gritar, mas não podia chamar atenção pra nossa localidade, além do mais, fiquei chocada demais para fazer qualquer coisa. Eu nunca vi tanta violência na minha vida. "Nathaniel!" Eu exclamei chorosa, correndo para longe.
Lysandre estava parado ao lado dele, parecendo satisfeito consigo mesmo.
Eu não conseguia entender como alguém poderia ser tão cruel.
Assim que chegamos em casa, eu tremia muito, muito mesmo.
E Daniel começou a gritar, e gritar, e gritar mais enquanto chorava intensamente segurando algo.
Quando perguntamos o que houve, ele mostrou, Nina roubou a máquina dimensional e colocou no bolso do Daniel…
Ela nos ajudou antes de morrer… Nina…Nathaniel…
Não importa como corrijamos tudo isso…A morte de Ken, Nathaniel e Nina, a luta contra Lysandre... tudo isso mudou minha vida para sempre.
Meu grupo estava cada vez mais reduzido…E eu cada vez mais sem esperanças…
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