As aventuras de uma Docete Ciclope
100 Capítulo 95
Notas iniciais

Fui pro colégio na manhã seguinte como de costume.
Armin me esperava na porta do colégio.
"Que milagre é esse ? Sem a Priya ?" falei brincando.
"Pois é, é difícil viver sem mim, mas eu falei pra ela que ela vai ter que aprender a ficar longe de mim um pouco." eu então chutei o Armin.
Eu e Armin começamos a entrar.
"Sério onde está a Priya ?!" perguntei novamente.
"Ela falou que tinha umas papeladas da inscrição dela pra resolver com o Nathaniel. Inclusive ela chamou meu escravo pra ir com ela."
"Ué o Dake ? Cuidado hein, ela vai te trair com o Dake." Armin então teve uma crise de riso.
"Priya tem bom gosto ! Ela nunca ficaria com o Dakota." eu e Armin entramos e fomos nos armários.
"A proposito, meu pai pediu para que fosse lá em casa hoje. Não é nada de mais não, provavelmente só quer ver você movendo coisas com a mente já que é uma alienígena ." Armin falou sério apesar do comentário cômico.
"Seu . . . Pai ?" perguntei assustada.
Armin só se despediu e entrou na sala . . . Ele não me permitiu perguntar nada.
Fiquei encucada com isso.
Pude ver o Dake e a Priya saindo do grêmio, ambos falavam com Nathaniel.
Dake então saiu de perto da Priya e veio pro meu lado.
"Gata ! Eu soube que você e o loiro X9 terminaram né ?" ele já chegou falando isso.
"Sim terminamos . . .Mas me conta Dake, o que você tava fazendo com a Priya e o Nathaniel ?" eu ignorei completamente a tentativa falha do Dake de aproximação pra tentar ter informações.
"Ah . . . A Priya tá querendo uns papeis aí com informações de alunos antigos, ela falou que era porque uma tia dela disse que uma prima, sobrinha, sei lá, desapareceu e ela estudava aqui.
Ai como eu sou sobrinho do Boris ela pediu pra eu acompanhar ela.
Tipo, a mina acha que vou ter como dar os papeis pra ela e que eu teria o que argumentar com o Nathaniel." na mesma hora eu pensei naquela menina que morreu que era amiga do Armin, a tal da Lynn. Eu pelo menos não lembrava de mais ninguém . . . Eu queria falar disso com o Armin.
Será que o Armin sabia disso ??
Fui pra aula ansiosa pra falar com o Armin, e ainda assim, triste por estar longe do Nathaniel . . .
O Nathaniel estava com olheiras e parecia mais magro . . . Aquilo me preocupava.
Minha vontade de cuidar dele estava gritando, mas eu sabia que levaria um fora caso tentasse me aproximar.
Foi mais um dia sem prestar atenção em nada.
Eu aguardei o Armin ansiosa pra contar tudo pra ele, e pra ir na casa dele, eu queria saber o que o pai dele queria comigo.
Foi quando vi o Nathaniel saindo pela porta da escola com a Priya.
Ver os dois saindo me fez por impulso seguir eles.
Pude ver o Nathaniel entrando no carro com a Priya
Eu não suportava ver o Nathaniel com ela . . . Me dava vontade de bater nela, bater nele, bater em todo mundo . . .
Eu então decidi seguir eles.
O problema é que eu não fazia ideia de onde estavam indo . . .
Eu peguei as poucas economias que me restavam e tentei pegar um táxi.
É doentio ? Talvez . . . Agora parando pra pensar eu fui uma maluca.
Eu segui meu ex com um táxi . . . E foi mais por ciumes do que por outro sentimento qualquer.
O carro do Nathaniel entrou na casa dele com a Priya.
"Priya ?! O que fazia na casa do Nathaniel ?" eu sentia meu sangue ferver
Eu estava com muito ódio . . . Muito ódio mesmo.
Sei lá, eu sei que o Dake falou que ela queria uns papeis e só, mas não consigo controlar meu ciume.
E outra, porque ele levou ela em casa ??? Que papeis são esses ???
Eu estava me roendo de ciumes e fiquei lá parada esperando ela sair.
Queria saber quanto tempo passaram la dentro.
Passou-se 30 minutos e nada.
"Que ódio !!" então ouvi uma voz vindo de trás de mim.
"Controla esse ciume porque da ultima vez você quase matou ela." Ao virar era o Armin jogando tranquilamente.
"A-ARMIN ?!" eu gritei espantada.
"Tô aqui já faz meia hora" ele não tirava os olhos do video game.
"Porque não falou comigo antes ?!" eu perguntei.
"Queria ver quanto tempo ia demorar pra me notar. Mas ao ver que estava começando a ficar agressiva eu decidi comentar algo. Aliás, obrigado por esquecer de mim no colégio quando combinamos de ir lá pra minha casa." Armin continuava fixado no video game.
"Ah . . . Desculpa . . . Quando eu vi já tinha seguido a Priya e o Nath . . . Eu . . . Desculpa."
"Você é ciumenta demais . . . E olha que nem está mais com ele. Cara a Priya sabe o quanto você gosta do Nathaniel e ela realmente te adora, acha mesmo que ela iria arrastar asa pro Nathaniel ? Deve ter vindo estudar, pegar algo, sei lá, até falar com ele sobre você." Armin finalmente olhou pra mim.
"Não sei . . . To muito confusa. Principalmente depois que eu soube que ela está querendo as fichas dos alunos." nessa hora a expressão do Armin mudou, ele pareceu finalmente interessado no que eu estava falando.
"Fichas ? Pra que ? Onde soube disso ?" ele perguntou.
"Dake me falou. Ele disse que mais cedo ela pediu fichas dos alunos antigos. Pelo que ele me contou uma prima, sobrinha, sei lá, desapareceu e essa aluna estudava no nosso colégio . . . Eu deduzi de ser a Lynn, aquela sua amiga. E isso justificaria o porque de ela estar tão próxima de você." completei.
"Gostei de ver. Está raciocinando. Acho que aquela operação serviu pra por um cérebro nessa sua cabeça oca. Mas infelizmente acho que uma coisa não tem a ver com a outra . . . " Armin estava pensativo.
"Porque ?"
"Veja bem, ninguém sabia que eu e a Lynn nos falávamos. A menos que ela tenha comentado com a Priya, mas mesmo assim, não acho que ela iria investigar a partir de mim. A Lynn tinha outros amigos além de mim, e amigos até mais próximos. Mas . . . Vou ficar ligado nisso." Armin completou.
"Bem . . . Vamos pra sua casa então . . . " Eu não parava de olhar pra casa do Nathaniel triste . . . Queria poder entrar lá.
Quando estávamos saindo, a Priya estava saindo do portão com o Nathaniel.
Ela sorria e carregava um livro, caderno, pasta, não deu pra ver bem. Priya logo colocou na bolsa.
Não dava pra entender bem o que eles falavam mas ele sorria pra ela . . . Parecia triste . . . Aquilo acabava comigo.
Eu sentia uma quentura no peito, era intenso.
Queria voar no pescoço dela de tanta raiva.
Eu sei que ela não tem culpa mas na hora . . . Só pensei nisso.
Quando o Nath finalmente voltou pra dentro Armin apareceu pra Priya.
"Ora ora Priya, o que está fazendo aqui ?" ele dizia rindo.
"Nossa Armin, para de me stalkear tanto. Daqui a pouco eu começo a fugir de você. Seja menos obcecado por mim ok ?" Priya falou rindo e ele começou a rir de volta.
"Fala isso pra criatura de um olho só ali" Armin então apontou pra onde eu estava.
"Boreal ?! Porque me seguiu ??" Priya parecia realmente surpresa.
"D-Desculpa . . . Eu vi você saindo com o Nathaniel . . . Foi por impulso." eu estava muito sem graça e queria matar o Armin.
"Ah . . . Ciumes né ? Eu só . . . vim pegar essas fichas antigas. Se desfizeram das fichas no colégio sendo que o Nathaniel tinha cópias em casa, ai por isso vim com ele. Eu precisava com urgência. É só isso." ela parecia tranquila e sincera. A menos que fosse uma ótima mentirosa, era impossível duvidar dela.
Armin então se aproximando da Priya perguntou "E pra que precisa desses papeis ?"
"Uma prima minha sumiu . . . E conseguimos alguém pra nos ajudar nas buscas, mas essa pessoa pediu a papelada de fichas antigas." Priya respondeu.
"E qual seria o nome da sua prima ? Talvez eu possa ajudar." A Priya parecia nervosa por algum motivo.
"Er . . . Ela se chama . . . Len"
"Lynn ?" eu respondi em seguida.
"Isso !"
Armin então retrucou a Priya olhando fixamente pra ela.
"Priya o que você está escondendo da gente ?"
"Vocês também escondem coisas e eu não cobro nada de vocês . . . Todo mundo tem segredos . . ." Ela tentava se afastar.
"Se te servir . . . Eu era amigo da Lynn. Ela nunca mencionou sobre você."
"Era ?! Bem, nunca fomos próximas . . . Pode ser por isso. Estou fazendo isso mais pela minha tia. Olha, eu tenho que ir. Desculpa a pressa mas eu preciso entregar esses papeis." a Priya não nos deu tempo de questionar mais, ela saiu correndo.
Armin estava pensativo . . . MUITO pensativo.
"Vamos pra minha casa . . . " ele falou me puxando e guardando o PSP.
Pegamos a condução e fomos pra casa dele como planejado no inicio do dia.
"Armin desculpa de novo ter te deixado plantado . . . " eu falei sem graça.
"Ainda bem que reconhece que fez bosta." ele é delicado como uma mula como sempre.
Assim que chegamos na casa dele logo de cara ouvi a mãe dele gritando e vindo receber ele na porta
"Armin ! Quantas vezes vou ter que mandar você parar de escrever binário na parede da garagem ?!" a mãe do Armin parecia bem irritada . . .E como sempre,. o tipo de bronca dessa casa não é comum.
"Mas eu nunca mais fiz ! Porque não pergunta pro meu pai ?! Ele quem estava na garagem da ultima vez." nessa hora vi o pai do Armin olhar com raiva pro Armin, ele estava no sofá sentado.
Enquanto ele se levantava ele dizia: "vai ter volta . . ." e foi em direção da garagem.
Eu só falei um "olá" sem graça, só pra dizer que fui educada . . . Mas acho que ele nem me ouviu.
Armin e eu fomos pro quarto.
"Olha quem veio de novo. Ain amiga, tanto boy no colégio e você foi escolher justo meu irmão pra panhar ?" o Alexy estava no corredor quando disse isso.
Armin só deu um soco nele que socou ele de volta, e os dois estavam aos tapas já.
Eu não sabia o que fazer. Aliás, eles brigavam muito bem um com o outro !
Era como ver um filme de luta, sei lá.
Foi quando a mãe deles apareceu e começou a gritar com eles.
"ISSO SÃO MODOS ??? TEMOS VISITA E VOCÊS FICAM SE PEGANDO COMO DOIS TIGRES NO MEIO DO CORREDOR ! JÁ FALEI QUE AQUI NÃO É LUGAR PRA ISSO! NÃO QUERO ESSE TIPO DE COMPORTAMENTO DE BAIXO DO MEU TETO ! AÍ DEPOIS APARECEM COM HEMATOMA POR AI E QUEM VAI LEVAR A CULPA ??? OS PAIS CLARO ! PORQUE ESPANCAMOS NOSSOS FILHOS !
ATÉ PORQUE UM É HOMO E O OUTRO É EXCLUÍDO SOCIALMENTE ! VAI VIR LOGO AQUELES HOMOFÓBICOS PRECONCEITUOSOS ACHAR QUE EU SOU O TIPO DE MÃE QUE NEGA OS FILHOS E BATE NELES !
AÍ NO FIM VOU SER OBRIGADA A PROCESSAR ESSES IMBECIS QUE ME ACUSAM DE COISAS QUE NÃO SÃO VERÍDICAS E QUE SÃO OS VERDADEIROS CONCEITUOSOS DA HISTORIA !
VOU GANHAR O CASO ?? VOU ! MAS ISSO NÃO JUSTIFICA VOCÊS FICAREM SE BATENDO !
EU NÃO CRIEI FILHO MEU PRA FICAR FAZENDO MMA NO CORREDOR DE CASA !
AH JÁ SEI ! FOI O PAI DE VOCÊS NÉ ?? ELE COLOCOU VOCÊS PRA BRIGAREM E FALOU QUE IA DAR DINHEIRO PRA QUEM VENCESSE DE NOVO ! JÁ MANDEI ELE PARAR COM ISSO !!
EU VOU BRIGAR COM O ARNAUD ! AH ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM !!!
TRABALHO TODO DIA PRA DAR UMA VIDA BOA PRA VOCÊS E NO FIM VOU SER ACUSADA POR ABUSO !
MAS SAIBA QUE ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM ARNAUD ! SE ME ACUSAREM VOU ACUSAR VOCÊ TAMBÉM !"
Ela então saiu de lá indo em direção a garagem.
Alexy, Armin e eu estávamos parados sem reação.
"Vou pro meu quarto" Alexy falou.
"Sim sim, vou pro meu também." Armin falou entrando junto comigo.
Estavam ambos apáticos, e confesso que até retornar a minha postura falante eu estava chocada demais com a mãe deles . . .Alexy definitivamente é a mãe dele escarrado . . . SE bem que até o Alexy parece ficar perplexo com certas atitudes da mãe.
Armin se sentou no computador e começou a mexer em algo.
Eu parei do lado dele.
"Tá . . . Porque tá procurando a Priya ?" eu perguntei.
"Quero saber mais sobre ela . . . Bem mais." Armin dizia.
"Seu nível de stalker com ela tá ultrapassando os limites." Armin me encarou com um pouco de desprezo.
"Priya estava nervosa demais quando questionei ela . . . E como ela disse . . . Todos temos segredos. Eu não gosto que me escondam segredos." Armin puxou dados de todas as fichas antigas do colégio.
"Você tinha tudo armazenado ??" perguntei.
"Dakota serve pra algo. Vamos ver quais alunos morreram enquanto estavam no colégio" Armin começou a listar calmamente os alunos.
Eu não tinha muito o que fazer.
Me senti inútil ali.
"A Lynn realmente nunca falou da Priya ?" Perguntei.
"A Lynn nunca falou de familiar nenhum.
Eu só falei aquilo pra ver a reação da Priya . . . E foi suspeita . . . " Armin estava ficando muito desconfiado.
"Porque se sente mal da Priya ter um segredo ? Você mesmo tem vários."
"Eu gosto de estar sobre o controle de tudo. A Priya escondendo algo significa que eu não tenho ela sobre o meu controle."Armin respondeu sério.
"Nossa . . . Isso é bizarro Armin . . . Você não pode querer controlar todo mundo." Respondi.
"Não quero controlar todo mundo, só quero ter certeza que caso algo dê errado com aquela pessoa eu vou ter como me livrar dela ou faze-la me obedecer. Não tenho a intensão de usar os segredos dos outros pra controlar eles por futilidade, só pra casos de emergência como já fiz com o Dakota por exemplo ou quando te defendi da Peggy no passado. Lembra que você sempre diz que sou paranoico ? Tem razão. Mas tenho que ser na situação que nos encontramos." ouvindo assim fez bastante sentido pra mim as atitudes do Armin.
E me fez até ver sem ser "atrocidade" o ato dele de tentar ter o segredo de todo mundo em suas mãos.
Porque de fato, esse tempo todo que conheço o Armin, eu nunca vi ele usar um segredo de alguém pra algo idiota, somente pra casos de vida ou morte.
Armin então pediu minha ajuda.
Ele pediu pra que eu separasse os nomes no notebook dele que estivessem dados como óbito, o que achei muito estranho.
Era uma lista enorme . . . É incrível isso.
"Armin . . . Tanta gente assim morreu na escola ?"
Armin virou sério pra mim "Quer o pior ? Depois que o Castiel foi pro colégio houve uma diminuição drástica de mortes. Na lógica não era pra ter diminuído . . . "
"Como ninguém nunca investigou esse colégio ?"falei impressionada com os números.
"Pelo mesmo motivo que a morte do Dajan caiu sobre o Jade . . .
Pelo mesmo motivo que nunca descobriram os abusos que o Ken sofria mesmo o pai dele denunciando o colégio . . . "
Eu continuei olhar aquela lista abismada . . . e os pais dessas pessoas ?
"Ninguém tem o sobrenome da Priya . . . " Armin falou pensativo.
"Bem, sendo primo pode ser que isso aconteça mesmo." eu completei.
"Sim . . . Mas . . . Vamos ver até onde descobrimos algo."
Nessa hora o pai do Armin bateu na porta, confesso que tomei um susto.
"Se eu não estiver interrompendo nada. . . Posso entrar ?" Ele dizia.
"Não está interrompendo nada . . . Só estava verificando a lista de alunos do colégio pai." Armin falou sem se virar pra porta.
O pai do Armin entrou, fechou a porta e foi direto na cama. Se sentou do meu lado.
Ele passou o olho rápido no note que estava no meu colo.
"Hmm . . . Entendi. Quantos óbitos. Não sabia que listagens escolares carregavam esse tipo de informação."
"Sim . . . Estamos tentando achar a prima de uma amiga nossa." eu falei.
"Qual o nome dela ?" o pai do Armin pegou o note do meu colo e começou a digitar algo.
"É Priya . . . Ela é nova no colégio, entrou esse mês, é estrangeira." respondi.
"Ah tá, é a waifu 3D do Armin." ele começou a digitar coisas com o nome do nosso colégio e afins, sem nem perguntar o sobrenome e por fim abriu o perfil online dela.
"Armin . . . Você já parou pra procurar informações online sobre a Priya em redes sociais ?" o pai do Armin falou.
"Não, porque ?"
"Porque tem ficha dela completa na internet." o Armin pareceu se sentir um idiota . . . Ele estava com uma cara de frustração.
"Eu já te falei que tentar coisas simples pode nos levar a resposta. Nem tudo tá no caminho difícil." Arnaud jogou o note no colo do Armin.
Isso me lembrou quando o Armin não sabia que os pais do Castiel eram pais do Castiel . . .
"Eu sei . . . É que pensei que por ela ter os segredos dela, ela esconderia tudo . . . " Armin ainda desanimado começou a ler a ficha.
O pai do Armin foi no oco da parede pegar os livros do Armin e o receptor.
Ele parecia curioso e mexia nas coisas, Armin não restringia o pai dele em momento algum, continuava concentrado lendo as informações online sobre a Priya.
"EU ACHEI ! ACHEI ALGO ESTRANHO SOBRE A PRIYA !!" Armin gritava.
"O que foi ?!" eu corri pra perto do computador junto com o Arnaud.
"Antes de ler as informações sobre ela . . . Olha bem essa foto de casamento . . . " Armin então abriu uma foto . . .
Aparentemente era o casório de alguém. UM parente dela provavelmente.
Ao olhar aquela foto algo me impressionou . . . A pessoa que estava abraçada com ela.
Era o . . . Dajan ?
Mas o que o Dajan fazia com a Priya ?? Eles se conheciam ??
"Aparentemente esse é o casamento da mãe do pai da Priya. Ela mora com a madrasta e o com o pai. A questão é, porque o Dajan está junto com ela ? Procurei a tia dela e não tem relação alguma com a Lynn . . . "
"Os dois parecem um casal . . . Eles estão de mãos dadas e abraçados . . . " eu comentei.
"Dajan seria ?" Arnaud questionou.
"Um colega de turma que foi morto por outro colega de turma nosso." Armin respondeu rapidamente.
"Nossa . . . Eu queria ter essa vida de vocês na minha juventude. De verdade. Cheia de emoções e assassinatos. "
Eu confesso que fiquei bem surpresa de ouvir um PAI falar isso mas tudo bem.
"Armin . . . Porque de repente seu foco mudou de consertar o receptor para descobrir a vida da Priya ? Tem a ver com seu interesse amoroso ?" perguntei.
"Não . . . Acho que isso pode nos responder coisas. Tudo parece ligado. O nome da Priya não ia estar naquela lista no colégio atoa. Eu preciso pensar . . . "
Armin então pareceu desajeitado ao tentar transferir os dados do computador para o notebook.
Arnaud tomou frente e fez para o Armin. "É verdade né . . . Você trabalha com computadores. Meus pais são uma negação com maquinas" eu falei.
"Tudo que sei eu aprendi com meu pai. Ele é muito mais inteligente que eu, ainda tenho muito que aprender." Armin dizia.
Arnaud então virou em nossa direção e falou
"Sim, ensinei tudo que sei pra você, mas não sei se notou Armin, você já me passou a tempos. Seu conhecimento está muito superior ao meu atualmente, então pode se gabar da sua inteligencia." O Armin pareceu ter corado e sorrido. Ele não falou nada, só pareceu muito feliz de ter ouvido isso.
O que reparei da relação de pai e filho deles é que o Armin tem uma admiração muito grande pelo pai. Qualquer elogio soltado pra ele o deixa muito feliz. Me atrevo a dizer que o pai do Armin é o ídolo dele.
"Você é tão inteligente Armin, que com certeza conseguiria criar uma maquina do tempo sozinho. Já eu ? Nunca." O pai do Armin dizia batendo no ombro do Armin que sorria orgulhoso de receber esse elogio do pai.
Pude ouvir a Vitoria chamando a gente pra comer.
"Não faça desfeita, ela fica uma fera quando não vamos na mesa de jantar." Arnaud falava se apressando e falando em minha direção.
Eu e Armin saímos em seguida.
Ao chegar na mesa vi todo mundo com cara de nojo sem querer comer e forçando a comida.
Ao olhar para meu prato era . . . Foie Gras.
Essa comida está me perseguindo . . . Não é possível !
Quase vomitei só de olhar.
Eu sabia como era a mãe do Armin, sabia que ela iria gritar horrores se eu fizesse desfeita e talvez até me processasse por isso.
Eu então vi o Cookie na porta e comecei a tentar chamar ele com código morse dando pequenas batidinhas na mesa com a unha, o pai do Armin então começou a falar algo em código morse "NÃO FAZ" foi tudo que consegui entender antes de ser interrompida por um grito.
"SEM CÓDIGO MORSE NA MESA DE JANTAR !" a mãe do Armin gritou irritada.
"Eu tentei avisar que era melhor você parar de falar por código morse. . ." o pai do Armin dizia frustrado.
"Se um dia meus pais se separarem vocês dois vão com o papai !" Alexy dizia apontando pra mim e pro Armin.
"Pera . . . Eu ?" falei assustada.
"Sim, você mesma senhorita Boreal, não negam que são filhos do mesmo pai."
"Mas eu nasci da minha mãe Lucia com o meu pai ! E ele não era o Arnaud . . . " eu gritei.
"Eu também não nasci da minha mãe e do meu pai e mesmo assim isso não influenciou em nada, puxei mamãe enquanto vocês puxaram papai." Alexy dizia comendo emburrado.
Meu Deus . . . Já não me bastava meus pais tratando o Armin como filho, agora a família do Armin me trata como filha ?
Eu comecei a forçar a comida . . . Mas não aguentei, eu corri pro banheiro pra vomitar.
Era horrível.
"Meu deus ! A Boreal está passando mal ! Vou lá cuidar dela !" Armin saiu correndo.
"E eu . . . Vou cuidar do Armin cuidando dela." o pai do Armin falou enquanto a Vitoria gritava "SOSSEGA AÍ ARNAUD !!"
"Eu vou sair porque a comida é ruim mesmo." Alexy se levantou e saiu.
Pude ouvir discussões intensas na sala de jantar que era praticamente na frente do banheiro.
Armin chegou no banheiro enquanto eu vomitava tudo.
Ele mal olhava pra mim, só parou na porta mesmo.
"Você não falou que veio me ajudar ?" eu disse ofegante.
"Sim. Só pra sair da mesa de jantar mesmo. Odeio Foie Gras. Aliás, to aqui pra te dar apoio moral. Força, poe pra fora." deu vontade de virar e vomitar nele só de raiva, mas sei que seria extremo, então só chutei ele enquanto saía do banheiro.
Eu então voltei pra sala passando mal.
A mãe do Armin veio perto de mim perguntando se eu queria uma água ou algo do tipo.
"Não obrigada." eu estava com aquele gosto horrível na boca ainda . . . Ela não podia saber que eu vomitei porque . . . Acho essa comida repulsiva.
Ela provavelmente levaria pro pessoal. Mas eu realmente não SUPORTO essa comida. Não desce.
"Armin ! Você não usa camisinha não ?!" Alexy perguntou.
Vi o Armin ficar MUITO VERMELHO E SURPRESO com essa afirmação. Ele gritou um "oi" altíssimo.
"É ! A SUA NAMORADA ESTÁ GRAVIDA POR CULPA SUA !! OLHA A IDADE DE VOCÊS E JÁ ESTÃO ME DANDO NETOS !! VOCÊS NEM ACABARAM O COLÉGIO !" ela gritava.
"A BOREAL NÃO TÁ GRAVIDA ! E ELA NÃO É MINHA NAMORADA !"
"Querida, você está gravida de outra pessoa ?" a Vitoria falou gentilmente comigo.
"NÃO !!! EU NÃO TO GRAVIDA ! EU SÓ VOMITEI PORQUE A COMI----"
"ELA COMEU UM DOCE QUE DEI PRA ELA QUE ESTAVA FORA DA VALIDADE ! EU TAMBÉM VOMITEI MAIS CEDO ! SOU UM IDIOTA !" Armin me interrompeu.
"Por isso não aceito as comidas que você me oferece." a Vitoria saiu da sala.
"Você tá doida ??? Sabe o quanto a minha mãe ia te encher o saco caso falasse que vomitou por causa da comida dela ??" Armin cochichava.
"Foi sem querer ! Mesmo assim . . . Foi por causa do Foie Gras, não da comida dela em sí." respondi sem graça.
"A comida da minha mãe é ruim. Ela sisma de cozinhar sempre que tem visita. Normalmente comemos fora ou o Alexy quem faz." Armin completou.
Isso explica a reação de todo mundo no lugar . . .
"Acho melhor eu ir pra casa . . .Por hoje já deu " falei rindo.
"Eu te levo" Armin disse pegando a chave do carro e mostrando pro pai que se encontrava na cozinha que assim que nos viu veio correndo cochichar.
"Posso ir com vocês ? Ela dobrou o Foie Gras no meu prato . . . " Armin então balançou a cabeça positivamente.
"Vitoria, vou levar a amiga do nosso filho em casa e já volto." Vitoria reclamou um pouco e mandou ele deixar a chave com o Armin, mas ele insistiu.
"Armin ainda está se sentindo mal, ele pediu pra que eu levasse eles." Vitoria depois de muito resmungar liberou o Arnaud.
A relação deles é engraçada.
Nós então fomos no carro todos conversando.
"Porque a Vitoria disse que o senhor colocou seus filhos pra se baterem . . . DE NOVO ?" Eu perguntei sem mais nem menos.
Ele respirou profundamente.
"Quando Alexy e Armin eram crianças eles eram idênticos.
Mesma cor de cabelo e tudo mais.
Eu combinava com eles que eles iam se bater enquanto eu apostava com algum pai de onde eles faziam luta em um dos meus filhos.
Sempre eu apostava no vencedor.
Como eles eram idênticos eu apostava no Alexy por exemplo, e o Armin vencia, ai eu falava que apostei no Alexy e vencia dessa forma. O Armin e o Alexy ficavam caladinhos e trocavam de lugar e assim eu ganhava o dinheiro da aposta."
"Bons tempos . . . Depois ele pagava sorvete pro meu irmão e pra mim." Armin então completou.
"Vocês são estranhos" eu falei
"Ah claro, falou a normal né ?" Arnaud e Armin repetiram ao mesmo tempo. Meu Deus, como os dois são parecidos.
Já sei como o Armin vai ser quando envelhecer: a mesma coisa.
Quando estávamos nos aproximando da minha casa eu decidi fazer uma ultima pergunta:
"Estive pensando . . . Vitória e Alexy acham o que de um cão verde ?" perguntei curiosa.
"Eu falei pra ela que é uma especie rara não legalizada, mas que eu tinha conseguido uma licenças pra criar.
Criei uma pagina na web falsa com a raça inventada pro Cookie só pra mostrar pra ela e pro Alexy e por fim tentei convence-los ao máximo que deviam ficar calados sobre o Cookie.
Por mais que eu tenha a licença seria bem chato ter que mostrar pra federais. Coisas do tipo.
Vitória reclamou algumas vezes mas atualmente ela gosta muito do Cookie e por isso fica quieta.
E pro Alexy é melhor, pois ele estava se irritando já com o Armin pegando sempre o furão pra brincar." Arnaud respondeu.
"Então aquela não foi a primeira vez que pegou o furão senhor Armin ?" Perguntei olhando pra ele.
Ao chegar em casa Armin me acompanhou até a porta de casa.
"Provavelmente agora meu pai vai comprar algo pra comer e levar pra minha mãe pra ver se faz ela esquecer de tudo." Armin dizia respirando fundo.
"Seus pais tem um relacionamento engraçado. Eles brigam direto mas se dão bem de uma forma estranha. Eles parecem amigos se provocando. Pior que não vejo seu pai se irritar ou coisa do tipo, eles continuam se tratando bem mesmo com tantas provocações. Eu gosto de passar tempo na sua casa confesso. Mas acho estranho pais discutirem tanto e continuarem juntos." eu falei rindo e olhando o Arnaud lá longe no carro.
"De certa forma é tipo nós dois." Armin falou e logo pareceu tentar se corrigir.
Não sei porque mas eu fiquei nervosa em ouvir isso, uma frase idiota dessas.
"Eu to falando de se dar bem em meio a brigas ! Mão faça essa cara !" ele dizia se justificando, parecia um tanto nervoso com o erro cometido.
Confesso que eu ri.
Armin então bateu no topo da minha cabeça.
"Continue sorrindo depois que entrar entendeu ? Tchau caolha." ele se afastou então.
Engraçado ver ele me chamar de caolha. . . Ele me chamava assim na época que eu estava com o Castiel, inclusive, pegou essa mania do Castiel. . .
O dia foi tão agitado que nem deu tempo de pensar nada de ruim . . .
Na manhã seguinte eu me sentei no pátio.
Não cheguei tão cedo . . . Ainda sinto meu corpo um caco . . . E ficar sozinha em casa ainda me faz remoer o Nathaniel, o que é perfeitamente normal né.
Não cheguei cedo principalmente porque não queria esbarrar com o Nath.
Armin se aproximou de mim com o Dake.
"Priya não chegou ainda ?" Armin perguntava.
"Ai, para de falar de Priya toda hora." Dake respondeu.
"Tá com ciumes ? Dakota, eu não sou gay. Esse território é do meu irmão. Por sua sorte somos gêmeos" Dake então bateu no Armin e o clima começou bem descontraído.
Priya chegou de repente dando bom dia toda felizinha.
"Sabe da nova ? Dakota tá com ciumes de você. Ele se apaixonou por mim" Armin dizia enquanto Dake batia nele mais uma vez.
"Ah Dake ! Que amor ! Acho que vocês dois formam um belo casal. Torço pra felicidade de vocês" Armin emburrou a cara.
Conversamos sobre assuntos variados antes do sinal tocar.
Até que a Priya fez uma pergunta curiosa.
"Eu soube que um aluno daqui morreu . . . Dajan né ?" Priya comentou.
"Sim . . . Ele foi assassinado. Foi horrível." respondi.
"Na verdade outros alunos também foram mortos, mas só o caso do Dajan causou repercussão. E o assassino não levou culpa de nada." Armin completou
"Que horror ! Todos pela mesma pessoa ??" Priya parecia curiosa.
"Pessoas diferentes. Um matava por sobrevivência o outro por prazer. Acredito que tenha mais assassinos envolvidos . . ."
"E o que aconteceu com esse Castiel ? Na ficha dele está dado como morto, nem sabia que fichas escolares tinham esse nível de detalhe . . . Ele morreu ?" Priya estava curiosa demais.
"Sim . . . Ele morreu em um acidente na ponte principal. A ponte despencou comigo, com ele e a irmã do Nathaniel. O corpo dele foi encontrado morto, eu sobrevivi e o corpo da irmã do Nathaniel nunca foi encontrado." Priya aprecia pensativa demais.
"Priya, qual sua relação com ele ?" Armin perguntou sério.
"Do que você tá falando Armin ?" Priya realmente parecia confusa.
"Você sabe muito bem, com o Dajan." ali vi a Priya ficar muito nervosa.
"Ele . . . Era um aluno daqui né ? Eu li nas fichas e . . . "
"Vimos as fotos no perfil de sua família. Em uma das fotos você estava abraçada com o Dajan de forma muito intima."
Priya estava muito nervosa, ela parecia perdida e procurando uma resposta.
"Veja . . . Armin eu . . . " Priya parecia pensar em uma desculpa. Ela sem dúvidas escondia algo.
"Priya . . . Porque não conta a verdade ?" eu falei.
Priya estava respirando de forma ofegante, então ela finalmente falou.
"Dajan é o parente que eu estava procurando o paradeiro tá bom ? Pronto."
"Porque mentiu pra gente ?" Armin perguntou.
"Porque a Boreal já comentou sobre ser amiga do assassino dele . . . Fiquei sem jeito de falar isso pra vocês."
"Priya, não iriamos nos afastar nem coisa do tipo. De qualquer forma, o Castiel está morto agora"
O silêncio então pairou no local . . . A Priya parecia desconfortável com a situação e com o ambiente.
"Como assim um dos assassinos matava por necessidade ?" Priya perguntou sem mais nem menos.
"É uma historia complicada, um dia te contamos. Assim como um dia espero que você conte tudo pra gente." Armin falou se levantando pra ir pra sala de aula, juntamente ele puxou o Dake, que por sua vez parecia bastante confuso com a situação toda. Ele estava apático e sério. Posso dizer que existia uma certa frieza no olhar do Armin.
Me surpreende ver esse tipo de olhar dele direcionado a Priya, afinal, ela é a "Deusa" dele.
Eu me levantei em seguida. Até pensei em dizer algo, mas . . . Se o Armin fez isso tudo, algum motivo tem.
Prefiro consultar ele antes de tomar qualquer medida, seja por pena ou amizade.
Armin normalmente sabe o que está fazendo, prefiro confiar nele.
A Priya ficou pra trás pensativa. Ela sequer falou algo ou tentou impedir a gente de sair de perto . . . Me pergunto o que passava na cabeça dela . . .
Eu então fui em direção da sala de aula após pegar meus pertences no armário, porém fui interrompida por algo . . .
No caminho ouvi vozes . . . Era uma voz familiar. A voz do Nathaniel.
Eu segui até onde estava as vozes, vinham do porão.
Cautelosamente entrei no porão, inclusive, estranhei um bocado.
Nathaniel no porão ? Ele nunca foi de ir no porão.
Bem, ultimamente ele tem feito muitas coisas que eu diria "ele nunca" . . .
Desci levemente as escadas, o suficiente pra ver o que acontecia mas pra não ser vista . . .
Pude ver claramente que Nathaniel se encontrava com outra pessoa . . .
Era aquela menina de porte físico desconhecido pra mim.
Ela estava com roupas similares ao meu encontro anterior com ela. Roupas que mal me permitiam vê-la direito.
Calça larga e um casaco de capuz cinza, estava de costas pra porta.
Nathaniel estava chorando muito, foi quando a menina de casaco de capuz . . . Abaixou e beijou ele.
Ele não empurrou ela . . . Pelo contrario, ele retribuiu.
Aquilo foi uma facada no meu peito . . . Eu senti vontade de gritar e. . . Chorei, chorei como sempre.
Mas . . . Aquela minha esperança dele me amar . . . Se foi com as lagrimas.
Eu não sabia mais no que acreditar.
Eu poderia morrer ali mesmo . . . Como pode um sentimento doer mais que dor física ?? COMO ??
Eu quase deixei minhas coisas caírem e saí correndo de lá.
O banheiro foi meu esconderijo . . .
Tudo que eu sabia fazer naquele momento era chorar, e chorar mais . . .
Passei a aula toda no banheiro . . . A Priya me encontrou e me levou até o Armin . . .
Eu não contei nada do que vi pra nenhum dos dois . . . Só fui pra casa, acompanhada por eles.
Eles ate insistiram no caminho pra que eu falasse algo, mas minha reação foi ficar apática . . .
Armin me ligou a noite toda . . . Eu não atendi ele nenhuma vez ou respondi suas mensagens sequer.
Parece que quando começo a tirar minha cabeça do Nathaniel, algo acontece e me puxa de novo pra ele . . .
Fale com o autor