As aventuras de uma Docete Ciclope
98 Capítulo 93
Notas iniciais

Passei a semana sendo "invisível" pro Nathaniel.
Eu tentava pensar que aquilo era só uma fase . . . Sei lá, nosso relacionamento era sempre mil maravilhas . . . Poucas brigas e normalmente logo nos resolvíamos.
Uma hora iriamos ter problemas não é mesmo ?
Eu tive muita esperança que tudo acabaria bem . . .
Tentei agir normalmente a semana toda.
Brinquei e tudo mais com todos, inclusive com o próprio Nathaniel, que se mantinha afastado.
Em meio a minhas provocações de sempre com o Armin, e devoluções de suas brincadeiras de mal gosto, eu decidi comprar um Dakimakura pra presentear ele.
Queria devolver um pouco as coisas que ele aprontava comigo.
Ao chegar no colégio com o embrulho, eu fui logo pra perto do Armin e da Priya.
"Armin" Cheguei cantarolante perto dele.
"Lá vem . . . " ele resmungou.
"Trouxe um presente pra você . . . Você está sempre me apoiando e é um ótimo amigo ! Decidi que merecia ganhar algo. Eu lembrei do presente quando saía de casa e decidi trazer comigo."
Eu dei um presente pro Armin. Armin, desconfiado como sempre, colocou do lado da mochila.
"Mais tarde eu abro." Ele falou.
"Porque mais tarde ? Poxa . . . Tava doida pra ver sua cara . . . Comprei especialmente pra você." falei emburrando a cara.
"Abre Armin ! Por favor ! Estou curiosa agora !" Priya falou puxando a blusa do Armin.
"Eu não quero abrir agora ! Conhecendo a Boreal como conheço, ela não me daria um presente assim do nada . . . Tem algo nisso aqui." Armin não parava de olhar pro pacote com olhar desconfiado.
Priya então tomou o pacote e falou que ia abrir ela mesma.
Armin tentava tomar dela, enquanto eu ? Só ria.
Ao abrir, era um dakimakura da Priya . . .
Pude ver o Armin mudando de cor.
Acho que ele ficou todas as cores do arco-iris.
Deve ter tido uma mistura de sentimentos.
"Eu sabia que você queria MUITO esse dakimakura . . . Então mandei fazer." eu dizia naturalmente.
Priya começou a rir descontroladamente.
"EU SOU 3D ARMIN ! NÃO SIRVO PRA WAIFU ! ME DESCULPA TE DECEPCIONAR !" Ela falava.
Armin estava super envergonhado e começou a gritar comigo.
"ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM ! VAI TER VOLTA !!" ele falou enquanto saía e jogava o Dakimakura no chão.
Eu e a Priya não parávamos de rir. Eu consegui atingir o ego dele, isso era tão saboroso.
Alguns segundos depois ele voltou, pegou o Dakimakura e se retirou encarando nós duas . . .
Acredito que ele pensou que eu e ela fomos cúmplices nisso.
Eu fiquei lá com a Priya conversando e rindo da situação.
Até que o Nath chegou . . .
Fui correndo nele cumprimenta-lo, porém . . . Ele só falou um "oi" frio e desvirou quando tentei beija-lo . . .
Aquilo acabou comigo . . .
Priya viu tudo e perguntou se estava tudo bem.
"Não sei . . . Já tem 1 semana que ele mal fala comigo . . . " eu estava muito desanimada.
"Ele pode estar tenso com algo, não sei. Não deve ter a ver contigo Boreal. Todos nesse colégio sabem o quanto ele é dedicado e se importa contigo horrores. Acho que a pessoa pode chegar hoje que já vai reparar isso." Priya falou.
"Eu sei . . . Mas . . . Ai não sei o que pensar. . . "
Armin então estava passando pra pegar coisas no armário quando a Priya chamou ele pra junto de nós.
"NÃO FALO COM GENTINHA FEITO VOCÊS !" ele falou irritado enquanto abria o armário, era possível ver o Dakimakura da Priya guardado lá.
Ele realmente foi provocado . . . Orgulhosa de mim mesma por tal proeza.
"Sério Armin ! Vem comigo." A Priya puxou o Armin a força pra perto de mim.
"O Armin já sabe de tudo Priya . . . " eu falei.
" Sei ? Do que ?"
"Que o Nath está frio comigo . . . Você até falou que ia conversar com ele." quando completei o Armin pareceu sem graça.
"Er . . . Falei né . . . Tipo . . . Eu meio que esqueci . . . " Armin parecia um tanto quanto sem graça de ter esquecido.
"Nossa Armin ! Grande amigo você hein ?! Como pode esquecer de algo tão importante ??" A Priya estava realmente irritada com o Armin, e confesso que aquilo me deixou feliz.
"Ow dona Priya ! Vem não ! A culpa foi sua !! No dia que eu estava indo falar com o Nathaniel você surgiu me chamando pra ir comprar o lançamento do XCOM ! Eu esqueci o que estava fazendo e fui com você !" Armin gritava com a Priya.
"PRIORIDADES ARMIN ! Nathaniel em primeiro lugar ! Se você tivesse me dito que ia falar com ele obviamente eu não teria te chamado."
"MAS EU QUERIA IR CONTIGO UÉ !
. . . Só acabei me esquecendo do Nathaniel . . . Assim, eu tive a sensação de estar esquecendo algo, só não sabia o que." Armin parecia sem graça apesar de tudo . . . Confesso que é engraçado ver a Priya e o Armin discutindo.
Me lembra nós dois . . . E isso me faz chegar a conclusão de que não tem jeito, no fim todo mundo fica intimo do Armin rápido demais e sempre acabam "se irritando" com ele.
"Desculpa ok ? Sei que não prometi nada, nem era minha obrigação pra vocês estarem no meu pé desse jeito. Mas . . . Sei também que eu errei em ter colocado um jogo . . . Na frente da situaçã- . . . AH NÃO CARA ! NÃO ERREI NÃO ! É XCOM !" A Priya então pegou o livro que o Armin estava segurando do colégio, bateu com força na cabeça dele, devolveu pra ele e me puxou pra longe dele.
Confesso que eu ri da situação ao todo . . . E ter a Priya como amiga tem sido maravilhoso.
Até porque não tenho nem sinal da Rosalya. . .
Eu me despedi dela enquanto entrava na minha sala.
Ela me deu força até o ultimo segundo, em seguida ela puxou o Armin pelo cachecol enquanto enforcava ele e o levava pra sala de aula . . . Parecia que ela estava pagando esporro pra ele enquanto puxava.
A aula foi um saco . . . Eu não prestei atenção em nada, só no Nathaniel.
No intervalo eu fui até a Priya após ter perdido o Nath de vista, e pelo que ela havia dito o Armin foi atrás do Nathaniel.
"Já falei . . . Vai ser passageiro. Tenta não se focar nisso. Além do mais, o Armin falou que ia conversar com o Nath não é ? Então." Eu tentei me focar no que ela havia dito.
Não vimos nem o Nath nem o Armin o intervalo todo.
No fim da aula, eu procurei por eles, mas não os achei . . . No que eu estava indo embora Priya e Armin vieram correndo até mim.
Eles pareciam desesperados pra contar algo.
"Que olhar é esse de vocês ?! Aconteceu algo ??" Perguntei espantada.
"O Nathaniel ! É urgente ! Ele vai--" o Armin foi interrompido pelo próprio Nathaniel.
"Boreal . . . Podemos ir na minha casa hoje ?" Armin encarou o Nathaniel com um olhar triste e puxou a Priya.
"M-Mas . . . Armin !" a Priya dizia.
"Vamos Priya." O Armin olhou pra Priya com um olhar MUITO sério e imponente. Ele parecia querer que ela obedecesse ele de fato.
E a Priya foi com ele. . . Enquanto me encarava com um olhar de desespero . . . Eu . . . Fiquei muito confusa.
Eu segui o Nath até o carro.
Estava feliz. Mas algo me incomodava . . .
O clima ainda estava tenso.
Nathaniel não falou comigo o caminho todo, ficamos em silêncio.
Quando eu puxava assunto ele só sorria de leve e mal me encarava . . . Ele desviava o olhar o tempo todo.
Chegamos na casa dele e estava vazia.
"Eu . . . Digo, trouxeram um gato pra cá hoje. Eu estou tomando conta dele . . . " Nathaniel parecia nervoso.
Nathaniel se sentou em uma cadeira na sala e me mostrou um gato alienígena.
Era um gato com um olhar brilhante e de pelagem similar a do Cookie.
"Nossa ele lembra o Cookie !" Eu falei.
"Desconfio que seja do mesmo planeta . . . Os dois são muito inteligentes e ambos não tem local de origem . . . Assim como você e sua mãe."
Eu então comecei a bater na parte de madeira da porta fazendo código morse e tentando me comunicar com o gato como o Armin faz com o Cookie.
E funcionou !
"Quando aprendeu código morse ???" Nathaniel perguntou espantado.
"Tenho memória fotográfica meu caro. Armin me deu uma pequena explicação e eu decorei tudo. Acho que nem ele sabe que eu sei."eu falei toda cheia de mim.
Ali foi a primeira vez em 1 semana que vi o Nath sorrir de novo.
"Senti falta disso !" Falei pra ele sorrindo . . . E ele desviou o olhar.
Aquilo me fez ficar em silêncio na mesma hora . . . Ele foi ríspido sem pensar duas vezes.
Tentei então puxar assunto.
"E-Esse gato . . . Está aqui pelo mesmo motivo que o Cookie ficou na casa do Ken ?"
"Sim . . . Não temos pra onde enviar ele, digo . . . Eles não tem, pois eu estou desligado apesar de ainda confiarem em mim. Como falei, não encontram o local de origem deles." ele parecia outra pessoa . . . Eu não conseguia compreender . . .
"E-E ainda procuram o Cookie ?" perguntei com uma mistura de curiosidade e forma de puxar assunto.
"Sim . . . Eles não podem saber que está com o Armin, se não ele terá a mente apagada novamente. Aliás . . . Armin chegou a falar contigo algo ?" Nathaniel perguntou finalmente me encarando. Por algum motivo, parecia ser difícil pra ele olhar pra mim.
"Algo ? Especifique . . . "
"Pelo visto ele não falou nada . . . " Nathaniel completou.
"Acho que ele tinha algo pra me dizer mas não falou e---" eu então fui bruscamente interrompida pelo Nathaniel.
"Boreal . . . precisamos ter uma conversa séria" Nathaniel me chamou pra falar com ele no quarto dele, dizia que caso chegasse algum empregado ou os pais ele não iria gostar de ser interrompido.
Por algum motivo eu suava . . . Minha mão, meu corpo . . .
Era como se eu soubesse que algo negativo ia acontecer.
A tensão do olhar dele talvez ? Eu não sei . . .
Passei tempos maravilhosos com ele e . . . Estava com medo, pois na ultima semana esses tempos maravilhosos se tornaram no meu pior pesadelo.
Nathaniel pediu para que eu fechasse aporta após entrar, eu o fiz.
Ele respirava fundo sem me olhar.
"Serei direto . . . Eu . . . Eu quero terminar nosso relacionamento."
Quando ele falou isso eu comecei a rir . . . Não, eu não queria rir.
Mas . . . Foi minha primeira reação.
Nunca passei por um termino.
Nunca tive um relacionamento sério com alguém.
Nunca confiei tanto em alguém como confiei nele (e no Armin).
Nunca fiquei tanto tempo com uma pessoa, convivendo dessa forma como convivi com o Nathaniel.
E mais importante . . . Nunca gostei de alguém como gosto dele.
Ouvir isso provocou uma reação inesperada em mim.
Eu não esperava isso . . . Não do Nathaniel.
Eu estava mais nervosa do que todas as situações que passei na vida.
Nathaniel me encarava e desviava o olhar as vezes.
"Desculpa . . . Tem que ser assim." ele falou sério.
"É uma das suas brincadeiras né ? Essas brincadeiras que você tem feito que envolvem o Armin." eu não queria acreditar.
"Boreal . . . É sério. Acabou." Nathaniel estava com o olhar melancólico, isso tornava tudo ainda mais difícil de acreditar.
Aos poucos foi caindo a ficha . . . Minha mente estava lutando entre acreditar nele e não acreditar nele.
Mesmo ele falando que não queria mais nada comigo, minha mente não me deixou aceitar isso tranquilamente . . .
Eu fiquei pelo menos 2 minutos só processando o que houve em silêncio . . . Até que finalmente consegui por pra fora.
"Nathaniel . . . Porque ?! ME DÊ UM MOTIVO ! ESTÁVAMOS BEM ! É por causa das brigas bobas que temos ?? Todo casal tem não tem ???" Eu comecei a me desesperar.
Eu falava rápido e gritando em mistura de engasgo por conta do choro.
"Não torne mais difícil . . . Só aceite."
"ACEITAR ?! ACEITAR UMA COISA ILÓGICA DESSAS ?! VOCÊ ESTAVA BEM ! FOI LITERALMENTE DO DIA PRA NOITE ! É POR CAUSA DA OUTRA GAROTA NÉ ?!" eu gritei então.
"Garota ?! Que garota ??" Nathaniel pareceu surpreso, acho que ele não esperava por isso.
"Eu vi você no parque conversando com uma menina . . . E você tocava nela de uma forma que me incomodava muito . . . "
Nathaniel então ficou em silêncio . . . Ele parecia engasgado.
Foi quando finalmente ele falou.
"Sim . . . É por causa dela. Agora que já sabe pode ir embora."
Eu então corri até o Nathaniel chorando, eu . . . Eu precisava saber a verdade ! Eu não consigo acreditar que essa seja a verdade . . . Não consigo !
"Você não é assim . . . Você mentiu pra mim ?! Aquele Nathaniel santo e dedicado era uma mentira ?! Aquele amor todo eterno seu ?!"
"Talvez eu só tenha me apegado a você por parecer com a Boreal da outra linha. Só isso." pude ver os olhos do Nathaniel cheios de água . . . Aquilo não parecia ser difícil só pra mim, então . . . Porque ?! Porque ele queria terminar se claramente ele gostava de mim e não tinhamos problema nenhum um com o outro ?
"Você falou que gostava de mim como eu era . . . "
"E se a Debrah tiver mentido de novo ?? E se eu não for nada do que ela falou e contar inúmeras mentiras ?! Boreal, só aceita." O Nathaniel então dirigiu a cadeira dele em direção ao banheiro e se trancou lá gritando pra eu ir embora.
Ele falava de forma fria, porém, eu sentia sua voz tremula.
Bati na porta do banheiro algumas vezes antes de tomar coragem de ir embora . . .
Mas quando eu fui, eu fui correndo.
A casa dele é bem distante da minha se for caminhando.
Mas . . . Eu fui caminhando.
Não quis ônibus, carro, nada . . .
Provavelmente as pessoas me acharam uma louca na rua.
Eu chorava e volta e meia corria destrambelhada. Cai algumas vezes, mas . . . A dor de cair foi a de menos.
Chegaram a perguntar se estava tudo bem, se tinham me feito mal na rua. Eu só queria chegar em casa . . .
Eu estava sem chão, só sabia chorar.
Porque as coisas terminam assim ? Mortes, desgraças . . . Tudo acontece de pior na minha vida ou com as pessoas ao meu redor . . . Acho que me isolar seria a melhor solução . . .
Eu só sirvo pra trazer desgraça pras pessoas ou/e pra mim mesma.
Eu corria e volta e meia diminuía o passo, ofegante, e fiquei nesse loop. Como já estava caindo a noite quando saí da casa do Nathaniel, aquela altura do campeonato já estava noite . . . No meio do caminho, um carro foi parando aos poucos quando eu estava ofegante . . .
Eu parei e fiquei encarando o carro, ainda chorando muito.
De dentro saiu o Armin.
Era o carro do pai dele.
Ao ver o Armin eu chorei ainda mais . . . Muito mais. Eu o abracei com tanta força que me sentia sem ar.
As pessoas na rua provavelmente não entendiam o que estava acontecendo.
"Seus pais não te ensinaram que não deve se aproximar de carros que diminuem o movimento enquanto te seguem ?" Armin falou baixinho pra mim.
Eu sentia que ele estava triste mas estava tentando jogar um alivio cômico em cima de mim.
Eu então entrei no carro e deitada no banco de trás fiquei lá, chorando.
Eu não perguntei nada o caminho todo, e ele também não me dirigiu a palavra.
Armin parou algumas vezes o carro e saiu pra fazer algo, não faço ideia do que ele fez, sinceramente.
Mas ele sempre voltava com uma sacola.
Foram 3 vezes no total, quando finalmente paramos na minha casa.
Eu saí e subi direto pro meu quarto sem cumprimentar meus pais.
Eu só tirei a blusa e a calça e me joguei na cama.
Estava com uma blusa fina por baixo e um daqueles shorts . . . Calcinhas, não sei como chamar aquilo, mas parecia um short.
Armin demorou um pouco pra subir . . . Provavelmente contou pra eles o que aconteceu.
Eu gritei contra o travesseiro . . . Eu não queria fazer mais nada.
Eu . . . Não aguentava. Nem sei como aguentei trocar de roupa, sinceramente.
A dor era mais intensa do que quando eu achei que o Nathaniel estava morto . . . Será que é errado eu me sentir pior agora do que quando eu achava que ele estava morto ?
A dor não para . . . Talvez fosse melhor que eu tivesse morrido pra Ambre . . . Certeza que seria melhor.
Pela intensidade da dor eu me pergunto, será que sentimentos machucam no literal ? Porque parecia que eu ia morrer e que estava sangrando muito. Nunca me senti desse jeito na vida.
Charlie ficou com a cabeça escorada do lado da minha cama o tempo todo . . . Ele parecia sem reação, sem saber o que fazer.
Foi quando o Armin entrou no quarto.
A luz estava apagada, meu olho ardia só de olhar pra pequena luz da porta que entrava junto do Armin.
Ele estava com as sacolas que pegou na viagem, e deixou elas sobre a minha mesinha do computador.
Sem acender as luzes em momento algum o Armin se deitou do meu lado e deu um puxão bem de leve em mim, mostrando que eu poderia abraçar ele.
Ali eu agarrei o tronco dele de uma vez e não parei de chorar.
Parecia que o abraço dele tinha ativado uma torneira que estava vazando, mas . . . Tinha estourado de vez essa torneira, pois ao abraçar ele eu não consegui mais fechar a torneira.
Eu apertava o tronco dele e ele não falava nada.
Armin não tentou falar palavras de consolo, me forçar a fazer algo ou sequer perguntar como eu estava.
Ele só ficou em silêncio me permitindo chorar e me abraçando.
Provavelmente foi bem tedioso pra ele . . . Ele teve que ficar horas com uma menina idiota chorando no peito dele, no escuro sem fazer nada. Nem conversar ele fazia.
Passamos realmente horas ali até que eu peguei no sono . . . Sinceramente não acordei em momento algum até a manhã seguinte.
Ao acordar de manhã eu sentia meu corpo pesado . . . Um caco.
Parecia que eu tinha feito um esforço tremendo.
Se levar em conta que andei muito e chorei muito . . . Acho que fiz muito esforço.
Armin estava adormecido ainda, ele estava me abraçando ainda, provavelmente dormimos abraçados a noite toda . . . Pobre Armin.
Eu faço ele passar por cada barra . . .
Eu tentei me levantar sem acordar ele, mas foi falha minha tentativa.
Assim que comecei a tirar o braço dele de cima de mim ele abriu o olho.
"Tá tudo bem ?" ele finalmente perguntou.
A vontade de chorar ainda existia . . . Mas estava um pouco menor . . . Talvez por falta de lagrimas ?
"Você sabia não é . . . ?" eu falei.
"Sim . . . Foi isso que eu e a Priya tentamos te avisar. Tentamos te preparar . . ."
"Ele te contou o porque da atitude dele . . . ?" perguntei.
"Mais ou menos . . . Isso não é importante agora. Agora Eu só quero que responda minha pergunta: Tá tudo bem ?" ele voltou a falar olhando fixamente no meu olho.
"NÃO ! VOCÊ JÁ SABE A RESPOSTA !" eu acabei chorando de novo . . . Mas nada comparado ao dia anterior.
"Mas eu precisava ouvir de você. Lembra que eu sempre falo que o primeiro passo pra mudar é aceitar o erro ? Muitas pessoas quando terminam não aceitam o termino e tentam dizer pro mundo que estão bem, por isso caem . . . Pra mim é importante ouvir que você está mal. Sei que terá uma melhora . . . " Armin então falou, e incrivelmente, me tranquilizou de certa forma.
"Você . . . Acha que é definitivo ?" Eu perguntei.
"Acho . . . " ele respondeu sem medir palavras.
"Porque ??? Ele falou da outra garota ??? ELE TE CONTOU ?? ME CONTA POR FAVOR ARMIN !" Eu estava desesperada, eu sacudia o Armin compulsivamente.
"Ele contou sim . . . E ele não vai voltar Boreal.
Eu tentei, juro que tentei convencer ele de voltar atrás . . . Mas ele não vai."
"Porque . . . ? Eu pensei que ele gostasse de mim . . . Como ele pode me trair . . . ?" foi quando me joguei novamente na cama.
"Ele não te traiu . . . E ele terminou contigo justamente porque gosta de você . . . Como amigo dos dois e como pessoa mais sensata e neutra desse grupo, me escute quando eu digo: Nathaniel te ama de uma forma descomunal. Ele faz TUDO pensando em você.
Lembra que antes ele nem falava contigo ? Sabe o quanto devia ser difícil pra ele se manter afastado gostando de você e sabendo que teve uma vida contigo ?
Mesmo que pareça errado agora . . . Saiba que ele fez isso porque se importa . . . Da mesma forma que el ficava afastado de você antes. " quando o Armin disse isso, sinceramente, tudo que entendi foi "Você é uma idiota, imbecil e deformada e ele te trocou por alguém mais interessante e sem deformidades."
"É porque sou deformada né ???" eu falei chorando.
"Você quer que eu te bata é isso mesmo que eu entendi ?" Armin respondeu irritado.
"Claro que não !"
"Então para de falar merda . . . Porque serei obrigado a te bater até você morrer por falar uma coisa dessas. Boreal, para de tentar achar lógica. Com o tempo talvez tudo clareie . . . " O Armin então deu 3 tapinhas na minha cabeça e puxou as sacolas de cima da minha mesinha.
Armin então virou tudo de uma vez na cama.
Tinha doces, brinquedos e HQs.
"Armin . . . Foram as coisas que você comprou ontem . . . ?" perguntei olhando tudo.
"Sim . . . Eu já sabia que você ia estar um caco, ia comprar antes de te buscar. Mas . . . Não deu tempo. A Priya inclusive mandou você não ir pro colégio hoje. E eu concordo."
"Meu Deus . . . Eu tenho o melhor amigo de todos." Eu então abracei o Armin chorando ainda mais enquanto olhava aquela coleção de coisas.
"É, e você paga seu amigo dando um dakimakura pra ele da waifu 3D dele na frente dela." Armin então resmungou.
Confesso que ele me fez rir.
"Olha ! Tivemos avanços. Em menos de 24 horas eu consegui te fazer rir." Acho que se o Armin não estivesse ali por mim eu estaria muito pior.
"Eu vou levar o carro pro meu pai, posso demorar um pouco pois vou voltar com condução publica e tudo mais. Enquanto isso, leia os HQs que comprei ontem, se entope dos doces que comprei e jogue os jogos que eu vi que você nem tocou.
Provavelmente voltarei antes que você termine já que é lesada." Armin então se levantou e foi em direção a porta.
Sabe . . . Me tranquilizou MUITO ter esses mimos do Armin.
Ele é sempre áspero, mesmo quando é carinhoso. Mas de fato, desde antes de perder a memória ele sabia como lidar comigo.
Armin sabe que existem momentos que não dá pra ser frio e brincalhão como ele sempre é . . . E acho que ver meu empenho e que eu não estava pra brincadeira com o Nath fez ele ser mais gentil e pegar mais leve comigo.
E a Priya . . . Ela tem se destacado bastante na minha vida.
Eu não sei o que fazer, mas estou seriamente pensando em incluir ela na minha "party" . . .
Só preciso de mais certeza de que é isso que quero . . .
Mas ela me da forças tanto quanto o Armin, e isso me deixa muito feliz . . .
Eles são versões masculina e feminina de uma mesma pessoa.
Eu fiz exatamente o que o Armin mandou: Li, comi e joguei . . . Mas minha mente ainda estava no Nathaniel.
Eu queria saber que ia voltar pra escola e ver o Nathaniel, ter o carinho dele . . . Mas eu sabia que provavelmente iriamos os tratar como estranho . . . Como quando cheguei na escola.
Se não pior . . .
Pensar nisso me fez sentir uma enorme dor no peito . . .
Minha mãe ouviu eu chorando com certeza, e veio me ver.
"Armin nos contou sobre o Nathaniel filha . . . " ao ouvir a voz dela falando isso eu desabei de chorar de novo.
Minha mãe me abraçou e ficou ali comigo um bom tempo.
Até que finalmente ela falou pra eu tomar um banho.
"É o melhor lugar pra chorar, você se sente mais leve depois de chorar no banho do que ao chorar fora dele . . . Falando por experiencia própria." é engraçado ouvir isso da minha mãe.
Mas eu obedeci.
Fiquei lá no banho por horas chorando e chorando, pensei que tinham acabado as lagrimas no dinha anterior, me enganei.
Por fim . . . O Armin voltou.
Ele já chegou soltando piada.
"Nossa ! Você lembra de tomar banho ?!" ele gritava em direção a porta do banheiro.
Armin não parava de falar alto sobre varias aleatoriedades.
Ele falava do tal jogo que ele comprou com a Priya sem parar.
Fiquei o resto do banho ouvindo ele no meu quarto falando disso, até que por fim, eu terminei e me vesti no banheiro.
Ao sair pela porta vi que ele estava escorado, sentado de costas na porta enquanto jogava.
"Sério que você passou esse tempo todo gritando sobre um jogo ?" eu falei.
"Sim ! Porque o jogo é ótimo ! Inclusive, você vai jogar ele."
Ao olhar pra minha cama tinha vários jogos e variados.
Até consoles tinham ali, e sem ser portáteis.
"Eu demorei porque trouxe coisas pra distrair sua cabeça. Como eu sei que você não é louca de quebrar minhas coisas, gosta das mesmas coisas que eu e eu já acabei esses que trouxe, eu decidi deixar aqui." ele falou enquanto polia um portátil com um paninho.
"Mas . . . E os portáteis ?"
"Minha mãe compra portáteis sempre pra mim e pro Alexy lembra ? Sendo que ele não usa.
Aquela coisa de "igualdade". Acho meio idiota esse pensamento dela, porque seria a mesma coisa se ela comprasse um vibrador pra mim e pro Alexy só por conta de igualdade. Eu daria pro meu irmão obviamente assim como ele faz com os consoles repetidos." confesso que ri, justamente porque consigo imaginar a mãe deles fazendo isso.
Armin aquele dia faltou aula.
Ele ficou a tarde toda falando varias coisas aleatórias e me mantendo ocupada fazendo varias atividades.
Jogando, lendo, falando, interagindo com meus pais . . .
Sempre que eu começava a amolecer e querer chorar, ele vinha e me metralhava com informações . . .
Consegui encarar o dia bem, e sou grata ao Armin . . .
Mas sei que o Armin não vai ficar na minha casa pra sempre, e isso me preocupa . . . Quando eu e meus pensamentos estivermos a sós.
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