As aventuras de uma Docete Ciclope
93 Capítulo 88
Notas iniciais

O pai do Ken olhava fixamente pra mim.
Ele parecia estar realmente com muita raiva . . .
"Giles . . . O que houve ?" minha mãe falava espantada.
"Vocês duas . . . Quero as duas longe do meu filho." ele falava respirando fundo.
"Mas . . . Ele sempre foi meu amigo de infância !"
"PASSADO ! O PRESENTE ELE NEM LEMBRA DE VOCÊ ! E É BOM QUE CONTINUE ASSIM !!" ele então berrou comigo.
Minha mãe tomou frente.
"Você sempre nos ajudou muito e sou muito grata a você, mas não pense que pode entrar na nossa casa e gritar com minha filha desse jeito !" Minha mãe berrou de volta.
Eu estava assustada mas empurrei calmamente minha mãe pro lado.
"G-Giles . . . Explica direito, eu e o Ken não nos falamos mais . . . Desde que ele teve a memória apagada."
"Ele me contou que uma menina louca de 1 olho só saiu abraçando ele na quadra." ali eu recordei do que o pai do Ken estava se referindo.
"Sim . . . Eu não sabia que tinham apagado a memória dele . . . Inclusive estava muito assustada com o número de ferimentos que ele tinha . . . COMO PUDERAM MACHUCAR ELE TANTO ?! COMO PUDERAM APAGAR TODA A MEMÓRIA DELE !? FOI A MEMÓRIA TODA !!! " eu estava começando a me exaltar quando ele me interrompeu.
"FOI ELE QUEM APAGOU A PRÓPRIA MEMÓRIA !" nessa hora eu e minha mãe ficamos em silêncio, ambas MUITO assustadas . . . Ken . . . Apagou a própria memória ?
"Giles . . . Como assim ??" Minha mãe estava muito atônita.
"Estavam tentando descobrir o que ele escondia . . . O que eram esses segredos que você e seus amigos estavam envolvidos.
Por varias vezes ele lutou com os agentes pra tentar fugir . . . Os ferimentos foram ganhos assim . . . Ele é bem treinado, e quase conseguiu fugir varias vezes. Tiveram que prender ele em uma sela intensiva.
Quando ameaçaram de usar um dos agentes com telecinesia pra entrar na mente dele . . . Ele atacou um dos agentes que estavam tomando conta dele, roubou o receptor, colocou na potência máxima e . . . Apagou a própria memória." quando ele falou aquilo eu comecei a tremer . . . O Ken fez aquilo por mim, por nós todos.
Ele sacrificou todas as memórias dele, tudo que ele era . . . Pra manter nosso segredo a salvo.
Aquilo me chocou, me desesperou demais e eu comecei a chorar . . . Sou chorona, admito . . . Mas a vida parece que gosta de me fazer chorar também . . .
Nesse momento o pai do Ken pareceu estar sem graça.
Era bom até certo ponto, pois ele chegou totalmente sem tato, e agora, estava mais calmo e gentil.
"Confesso que tentamos recobrar as memórias dele . . Mas . . . Foi em vão. Dificilmente memórias retornam depois que usa-se o Neuralyzer.A porcentagem é baixíssima de pessoas que recuperaram a memória."
"Não existe um aparelho que recupere a memória perdida ?" perguntei aos prantos.
"Existe . . . Mas está em fase de testes faz anos . . . " eu estava feliz de estar tendo uma conversa civilizada com o pai do Ken finalmente . . .
Após um silencio, já com tom mais calmo e um olhar mais sereno ele voltou a pedir.
"Por favor . . . Não se aproxime mais do meu filho . . . Pro bem dos dois . . .
Ele já sofreu demais a vida toda . . . Abusado pelos professores, desprezado pela garota que ele gosta, apanhando pra revelar informações confidenciais e mesmo assim no fim ele se sacrificou pelos amigos. . . Deixe que ele tenha uma vida normal . . . Longe de alienígenas, organizações e essas cosias estranhas . . . "
"Peraí . . . Você sabe dos abusos ?" Eu me espantei.
"Sim . . . E infelizmente, minhas denuncias foram todas em vão . . . Algo sempre as atrapalha e anula toda e qualquer denuncia que eu faça. E eu prometo pra mim todos os dias que vou me vingar . . . " ao ouvir aquilo eu senti um peso enorme . . .Era horrível pensar que o pai do Ken sabia de tudo . . .Pobre Ken.
"Enfim . . . Só vim pedir isso . . . Desculpe a grosseria e o incomodo . . . Não é nada contra vocês, mas . . . Eu precisava pedir isso, pelo Kentin." Antes do pai do Ken ir eu puxei ele e perguntei algo que martelou minha cabeça.
"Você não veio me interrogar ? Descobrir o que o Ken escondia ?" ele então deu um leve sorriso melancólico pra mim.
"Não . . . Se o Kentin fez tanta questão de esconder, é porque deve ser algo que eu não posso saber né ? Vou respeitar a vontade dele . . . Ele lutou pra manter o segredo de vocês, e eu vou respeitar isso.
Eu explodi com ele o suficiente quando soube tudo que ele fez de errado . . . Eu quase perdi meu cargo, mas agora . . . Acho que ambos pagaram o preço." Giles então saiu. Ele estava com os ombros caídos, uma postura que jamais vi vinda dele.
Ele realmente parecia triste. Deve ser um conjunto de coisas. Filho "traidor", pressão dos outros agentes em cima dele, a própria pressão de "cuidar" de mim e da minha mãe . . . Pobre Giles . . . Eu realmente queria fazer algo por ele, de verdade.
E se eu pudesse, sem duvidas voltaria no tempo e mudaria tudo que aconteceu com o Ken . . . Os abusos, minhas atitudes, TUDO . . .
Minha mãe parecia tensa mas tentava passar tranquilidade . . . Subi de volta para meu quarto onde o Armin se encontrava.
Ao mexer na porta reparei que estava trancada.
"Armin ? Não me diga que tá homenageando suas waifus no meu quarto ?!" Eu gritei.
Ele abriu irritado e pálido falou "Não sua ameba ! Eu estava com medo do pai do Kentin subir."
"Porque ele subiria ?" perguntei.
"Sei lá ! Investigação. Não sei pra que ele veio, só sei que ao ouvir os berros pensei que se ele me visse por aqui iria voltar a estaca zero. Provavelmente apagaria minha memória de novo e de novo . . . Daqui a pouco vão torrar meu cérebro."
"Ele veio pra pedir que eu não tentasse contato com o Ken . . . Aparentemente quem apagou a memória do Ken foi o próprio Ken . . . " Eu falei cabisbaixa.
"Como assim ?!"
"Sim . . . Ele queria proteger nosso segredo, e quando soube que iam fazer uma invasão no cérebro dele . . . Ele atacou um agente e apagou a própria memória na potencia máxima. . . ."
Nessa hora o Armin começou a rir sozinho.
"Hey ! O que foi !! ? Não falei nada engraçado !"
"Desculpa . . . É que você falou que iam fazer uma invasão no cérebro dele e eu imaginei aliens invadindo o cérebro dele e atirando lazer." Ali, eu vi a oportunidade de usar o extintor que o Armin me deu . . . NELE MESMO.
E por fim . . . Terminamos esquecendo os problemas e indo dormir depois de brincarmos e jogarmos coisas um com o outro e com o Charlie. . . Isso porque ele disse que ia investigar coisas mas ok.
Charlie tem sido um grande companheiro . . . Eu consigo entende com clareza agora todo o amor que o Castiel tinha por esse cachorro. Ele é fantástico . . .
No dia seguinte, para ir pro colégio o Armin parecia preocupado, ele havia acordado BEM CEDO.
Ele já tinha dormido algumas vezes na minha casa desde então mas, dessa vez ele parecia mais preocupado que o normal.
"Acho melhor eu ir na frente e bem cedo pro pai do Ken não desconfiar de nada . . . " ele falava apreensivo.
"Relaxa. Ele não tá atrás da gente. Além do mais, se quiser eu digo que você é meu namorado."
Armin gritou um "que ?" um tanto quanto agudo e irritante.
"Em que isso iria ajudar ? Você tem cada ideia . . . "
"Oras . . . Acho que você não sabe, mas quem tem relacionamento sério com alienígena é absolvido e pode manter a memória. Porque a pessoa normalmente já sabe, então isso não iria afetar o relacionamento nem a convivência do indivíduo com a organização. Enfim, assim ele sairia da sua cola. Se é que ele tá na sua cola . . . "
"Ah claro. E ele nem vai achar estranho você me namorar e namorar o Nathaniel ao mesmo tempo . . . "
". . . É não tinha pensado nisso . . . Ah qualquer coisa eu falo que nós três temos um relacionamento liberal."
"Não obrigado, deixa nosso menage pra próxima. Vou na frente pra me precaver." Armin então sacudiu meu cabelo de forma irritante, acariciou o Charlie e saiu.
Por eu ter acordado bem cedo por conta da inquietação do Armin, eu pude enrolar, mas o tédio e a ansiedade eram maiores, então logo me arrumei e saí.
Enquanto eu saía algo . . . ou melhor, alguém me puxou.
"O que meu pai queria com você ?" Era o Ken.
Eu estava assustada, não esperava por isso. Ken era a ultima pessoa que eu poderia imaginar vindo até mim.
"D-Do que você está falando ?"
"Ontem eu estava voltando do mercado quando vi meu pai saindo da sua casa . . . O que ele queria contigo ? Foi falar pra você parar de me importunar né ?" Ken dizia com as sobrancelhas franzidas.
"S-Sim . . . Mas . . . "
"Ele tem que parar de me tratar como um bebê . . . " Ken parecia chateado.
Mesmo me partindo o coração eu preferi seguir o que o Giles falou e não tentar nenhuma aproximação com o Ken.
Ele tinha razão, afinal, eu trouxe muito mal pro Ken . . .
Eu então tentei me afastar e ir em frente, estava chorosa como sempre . . . Confesso que detesto essa minha sensibilidade.
Foi quando o Ken me puxou.
"Você está chorando . . . Desculpa . . . Meu pai deve ter sido bem grosso com você . . . "
"Não imagina tá tudo bem !" Eu sorri e tentei sair, mas o Ken não me largava.
"Eu também fui . . . É que você me assustou me abraçando . . . Você me confundiu com alguém . . . ?"
"S-Sim . . . Confundi com um amigo meu que se parece muito contigo . . . Desculpe." e voltei a tentar seguir meu caminho.
"É que eu sou meio traumatizado com essas meninas que ficam se aproximando de atleta . . . Só naquele colégio teve varias. E elas ainda achavam sexy minhas cicatrizes conseguidas no exercito ! Isso me irrita !" É tão engraçado ver que o Ken esqueceu de tudo . . . E que eu sei de tudo mas não posso falar . . .
"Olha, talvez seu pai tenha razão, é melhor não nos falarmos ok. Desculpa de novo." Eu me soltei de uma vez e fui na frente.
Aquilo me partia o coração . . . Virar as costas daquela forma pro meu amigo e infância . . . Mas eu concordava com o pai do Ken, eu trouxe muita coisa ruim pra vida dele . . .
Em alguns minutos ele estava do meu lado de novo.
"O que meu pai falou pra você ? Você parece ter medo de ficar perto de mim . . . "
"Ken, na boa para de me seguir ! Meu namorado não vai gostar nada disso " eu falei tentando afastar o Ken.
"Ah mas eu não to fazendo nada de mais ! Só quero saber o que meu pai falou contigo! "o Ken parecia grosso e não parava de aumentar o passo cada vez que eu aumentava.
"Bom dia Kentin." Nathaniel mais a frente falou sorrindo enquanto se aproximava com a cadeira de rodas.
"B-Bom dia Nathaniel." o Ken pareceu nervoso.
"Nath ! Você veio ! Eu não acredito !" Eu então fui correndo até o Nathaniel abraçar ele.
"Sim . . . Pensei no que você falou ontem e decidi vir . . . O Kentin . . . ?" Nathaniel apontou discretamente pro Ken, logo entendi que ele queria saber se o Ken tinha recordado tudo ou ficado igual o Armin.
"N-Não . . . Depois te explico."
"Ele é seu namorado ? Você namora o de Cristo ?!" o Ken falou espantado.
"S-Sim . . . Porque ?"
"Nada . . . Desculpa perturbar sua namorada. Eu só queria saber o que meu pai tinha dito pra ela. Eu já me desculpei pelo mal entendido da outra vez . . . Desculpe novamente." Ken parecia apreensivo e ele parecia ter um respeito acima do normal com o Nathaniel.
"Tudo bem Kentin, sem ressentimentos. Ela me contou tudo já."
"C-contei ? Ah sim contei . . . Te confundi com meu amigo . . . " eu ria nervosa.
O Ken logo se retirou.
"Tá tudo bem ?" Nath perguntou.
"Sim . . . É que o pai do Ken foi ontem na minha casa pedindo pra eu me afastar do Ken . . . Aparentemente ele aparou a própria memória pra guardar nossos segredos . . . E o Ken viu o pai dele saindo e agora queria saber o que houve."
"Meu Deus . . . O Kentin fez isso por nós . . . ? Estou em sentindo horrível . . . " Nath parecia frustrado.
"Confesso que eu também . . . " Nós continuamos em direção a escola, que estava logo na frente, e Armin, estava no portão.
"Boreal ! Bom dia ! Quanto tempo !" ele dizia debochada mente.
"Engraçado você . . . "
Ele então virou-se subitamente para o Nathaniel.
"Então você é o Nathaniel ?" ele dizia olhando pro Nath e cima baixo.
"Ouvi dizer que éramos amigos né ?" Armin apesar de tudo sorria, ele parecia encantado com o Nath.
"Ouvi dizer que perdeu a memória né ?" Nath respondeu de volta.
"Sim, e eu ouvi dizer que você perdeu o movimento das pernas né ?" nessa hora eu quase bati no Armin.
Mas por espanto, Nath começou a rir.
"Você não muda . . . Podem apagar sua memória que você continua o mesmo."
"Bem, estou começando a achar coisas em comum na gente ! Você perdeu o movimento das pernas, eu a memória. No fim nós dois perdemos algo por culpa da Boreal." Nath ria ainda mais.
"Aliás, todo mundo aqui segue esse padrão, o Ken perdeu a memória também, o Castiel perdeu a vida . . . E vai indo."
"CHEGA NÉ ARMIN ?" Eu empurrei ele.
"Que seja. É muito bom conhece-lo de novo Nathaniel. Espero que sejamos amigos novamente." Armin parecia realmente empolgado com o fato de estar fazendo amizade com o Nathaniel. Não sei bem o que passa na cabeça dele, mas era bom ver aquilo.
Ao entrar tinha vários olhares em nossa direção e pessoas comentando, provavelmente por causa do estado do Nath.
Nathaniel não parecia desconfortável ou irritado, aliás, ele nem dava atenção pras pessoas.
Eu então coloquei a mão no ombro dele e ele sorriu gentilmente.
"Não se preocupe, eu já esperava por esses olhares e comentários. Mas estava cansado de ficar em casa . . . "
Nesse momento a Melody veio até nós assustada.
"N-Nathaniel ?! O que houve ???? Porque está nesse estado horrível ? Porque não está ajudando ele garota ???" ela olhava com fúria pra mim e desespero pro Nath. Aquilo me irritou.
Nathaniel pareceu irritado também, mas respondeu educadamente.
"Bom dia Melody. Sofri um acidente, só isso."
"Meu deus que horrível !! Qualquer coisa que precisar me chame . . . Aliás, vamos, vou te levar pro grêmio." No que ela foi pra trás da cadeira do Nathaniel inquieta e nervosa, o Nath deu meia volta com a cadeira de rodas e olhou fixamente pra ela.
"Obrigado pela ajuda Melody, mas eu não preciso. Aliás, vou por grêmio mais tarde. Agora vou sair com o Armin e a Boreal." nisso ele deixou ela e voltou a se mover.
"Ter gente sempre achando que você é um coitado é horrível." Armin falou.
"Horrível é pouco . . . " Nathaniel completou e seguimos nosso caminho.
Após caminhar até a entrada do colégio o Armin começou a falar.
"Bem . . . Temos nos encontrado sempre no terraço, mas como o Nathaniel está com esse pequeno problema, acho melhor irmos pro esconderijo mesmo. Só vamos evitar falar coisas comprometedoras demais." Armin dizia enquanto apontava pro esconderijo e saia de perto.
"Vai onde ? "
"Procurar o Lysandre e meu escravo, é óbvio" ele então saiu enquanto o Nathaniel olhava confuso pra mim.
"O escravo dele é o Dakota . . . " justifiquei rapidamente. Nathaniel pareceu achar engraçada a situação . . . E o titulo.
Eu e o Nath ficamos lá embaixo da árvore sentados.
Não falávamos nada, só ficávamos em silêncio sentindo a brisa.
"Ken parece ter muito respeito por você . . . "
"É . . . Normalmente é assim. As pessoas me tratam como um filho dos de Cristo e não como o Nathaniel só . . . Sempre me colocam como uma pessoa superior só por minha família ser rica e influente." ele parecia se lamentar, claramente não gostava da situação que ele vivia.
"Bem . . . É a primeira vez que vejo o Armin trata-lo assim. E confesso que eu nunca soube nada sobre sua família."
"É bom saber que se aproximou de mim independente de títulos e status"
"Eu to feliz que você decidiu vir . . . "
"Foi graças a você . . . As coisas que você falou. Não digo que to 100% bem, mas . . . Estou tentando."
Ali demos as mãos, ele não estava com um olhar feliz, mas parecia transmitir muito carinho no olhar, que involuntariamente me fez sorrir.
Nesse momento o Armin chegou com o Lysandre e o Dakota.
Lysandre estava com olheiras e olhava fixo pra nós dois . . . Pude sentir uma hostilidade no ar por parte dos meninos.
Lysandre e Nathaniel se encaravam, Dakota encarava o Nathaniel . . . E Armin . . . Sorria como se nada estivesse acontecendo. Eu conhecia o Armin, aquele sorriso dele era algo como "eba, treta".
"Acho que eu lembro desse loirinho ai . . . "
"É o representante da turma da Boreal, presidente do grêmio e dedo duro que você estava comentando outro dia. Aliás, namorado da Boreal e da família de Cristo." Armin completou, ele parecia estar provocando o Lysandre e o Dakota em um combo . . . É incrível como ele se diverte fazendo pequenas intrigas. Isso nunca vai mudar. Aliás, ele nunca vai mudar independente de memórias apagadas, certeza.
"Ah tá . . . Nossa. Como você faz tanta coisa numa cadeira de rodas ?" ele perguntou sem tato nenhum.
"Cadeira de rodas não impossibilita ninguém de nada. E outra, eu estou assim faz pouco tempo . . . " Nath parecia impaciente.
"Bem . . . Já que estamos reunidos. Primeiramente quero avisar que o Kentin apagou a memória sozinho. Ele queria guardar nossos segredos e com isso apagou a própria memória. Acho que Nathaniel já soube né ?" Nath só confirmou com a cabeça.
Lysandre parecia surpreso.
"Outra coisa que tenho que avisar é que o Nathaniel voltou. E bem, como o grupo tá um tanto quanto diferente da ultima vez, o que me inclui e inclui a Boreal, afinal ela agora é inteligente e eu sou um sem sentimentos concretos por vocês . . . Vamos ter que nos adaptar uns aos outros. Exceto o Dakota, esse aí é um zé ninguém, só é meu empregado mesmo." o Nath começou a rir e o Dake começou a soltar farpas pra cima do Armin.
Confesso que tem sido divertido ver a interação deles, me atrevo a dizer que o Armin está até gostando do Dake. Eu confesso estar gostando amis do Dake. Ele se tornou mais suportavel com a convivência. Mesmo que seja tudo culpa do Armin que "escraviza" ele em troca e manter o segredo, ele tem sido menos chato . . . Insistência continua ? Sim. Mas está mais suportável de todo modo.
Bem, na falta de uma ameba pra atormentar, ele arrumou uma ameba nova. Plausível.
"Por fim, Dakota me entregou um pen drive hoje que contém uma lista de alunos que ele pegou do tio." Armin então plugou o pen drive no note dele e começou a mostrar para nós todos a lista.
"Essa é uma lista padrão de controle de alunos . . . O que tem de mais ?" Nathaniel falou.
"Prestem muita atenção . . . Tem algo MUITO estranho . . . Se uma ameba feito o Dakota notou o erro, vocês vão notar. "
Nós olhamos fixamente quando . . . Parece que todos captaram ao mesmo tempo.
"Porque . . . Só tem alguns alunos ?" eu falei.
"Seria comum essa lista ter ou todos os alunos, ou os alunos separados por turma. Mas ao invés disso . . . São alunos sortidos. Eu, Nathaniel, Alexy, Boreal, e todos os que tem alguma relação direta ou indireta com essa situação toda . . . "
"Tem mais . . . " Nathaniel então apontou para um nome . . . Estava escrito Priya na lista.
"PRIYA ?! MAS . . . AQUELA PRIYA ??"
"Pois é . . . Achei suspeito . . . Não encontrei NENHUM ficha de nenhuma Priya no colégio. Essa Priya simplesmente não existe . . . Só na linha do Nathaniel." o clima ficou com uma tensão enorme no ar . . .
Essa lista . . . O nome da Priya . . . Tudo parecia ainda mais confuso . . .
Então o sinal bateu.
"Acho melhor irmos pra aula . . . Não podemos deixar exposto que estamos juntos e conspirando algo." Nathaniel completou.
"Sim . . . Sinto que vou adorar você." Armin sorria pro Nathaniel.
Ali eu hesitei de ir, e pensei em chamar o Lysandre pra pedir desculpas . . . Sendo que eu tive medo do Nathaniel se irritar ou algo do tipo, então só passei direto pelo Lysandre . . . Sabe, eu me senti mal com aquilo.
No corredor enquanto eu ia pra sala de aula eu chamei o Nathaniel no canto pra falar com ele da situação do Lysandre. Não quero mais esconder nada dele.
Da ultima vez que fiquei escondendo coisas dos meninos deu uma confusão enorme.
"Então . . . Eu falei pra você que o Lysandre escondia sobre seu paradeiro . . . Sendo que . . . Eu quero me desculpar com ele." Nath parecia apreensivo.
"Você faz o que quiser. Não estou te proibindo nem te controlando."
"É que não quero que pense algo errado ou que ache que estou escondendo algo. Hoje da hora da saída eu quero pedir desculpas pro Lysandre . . . Ele errou, mas eu reconheço, eu exagerei. Ele já está sofrendo o suficiente com toda a perda dele . . . Sabia que ele foi jogado no lixo pela mãe ?" eu completei.
"Eu fui jogado pra definhar na terra com minha familia, mas tudo bem. Faça o que quiser." ele parecia incomodado.
"Você tá irritado ?"
"Não . . . Só não consigo aceitar isso que o Lysandre fez . . . Mas se você acha que pegou pesado, tudo bem, vai em frente e se desculpe." Ele então entrou na sala e eu entrem em seguida.
O tempo parecia infinito, eu estava nervosa.
O dia hoje seria só de provas, o que significava que sairíamos cedo. Não tão cedo assim, mas um pouco mais cedo.
Nath acabou entre os primeiros.
Eu tentei enrolar o máximo que pude pra tentar ficar sozinha com o Lysandre mas ele saiu e logo entreguei minha prova também.
Teríamos o intervalo e após o intervalo pegaríamos nossas coisas para ir pra casa. A diretora dizia que queria avisar algo para nós no pátio.
Eu antes de ir a encontro da diretora procurei o Lysandre desesperadamente. E ele estava no pátio, já pra ouvir o aviso da diretora.
Cabisbaixo . . .
Cheguei perto dele pra me desculpar no meio da multidão mas . . .A diretora começou a falar.
"Lysandre . . . Podemos conversar na sala de aula antes de ir ?" ele afirmou com a cabeça e deu um sorriso tristonho . . . Aquilo me partiu o coração.
A diretora só avisou que o colégio entraria em uma pequena reforma nos próximos 3 dias e deu um papel assinado por ela.
Nos próximos 3 dias não teríamos aula.
Após o aviso dela, retornei para a minha sala pra buscar minhas coisas.
Pedi pro Nath ir na frente, ele sabia que eu iria falar com o Lysandre . . . Aquilo me deixou triste, pois era visível que ele não estava satisfeito com o fato de eu ficar a sós com o Lysandre.
Não tiro o direito dele, depois do Lysandre omitir sua vida, é complicado confiar.
Lysandre entrou na sala e ficou por lá, sentado em sua mesa como quem arrumava seus materiais repetidamente, ele estava como eu, esperando que todos fossem embora.
Quando finalmente ficamos sozinhos eu fui até a mesa dele.
"Lysandre . . . Me desculpa por ter sido grossa com você . . . " eu fui mais direta possível.
Lysandre estava em silêncio.
De perto pude ver que seus olhos estavam inchados, o aspecto de seu rosto era de quem mal tinha dormido . . . Ele estava péssimo.
"Eu . . . Sei que exagerei. Eu não devia ter dito aquelas coisas sobre nunca ficar contigo . . . Eu estava com a cabeça quente, desculpe."
"Eu errei . . . Eu reconheço . . . Desculpe . . .Passei dos limites, eu sei . . .
Você tem razão, eu teria raiva se você me escondesse o paradeiro do Castiel." ele falou.
A voz do Lysandre estava rouca. Era a primeira vez aquele dia que eu estava ouvindo sua voz de fato.
"Por favor . . . Não vamos estragar a nossa amizade. Eu realmente não quero isso.
VocÊ é um rapaz maravilhoso e me ajudou muito quando estive sozinha . . .
Mas . . . Não quero que confunda as coisas. "
Lysandre então sorriu enquanto dizia um tudo bem" gentil".
Eu não tinha muito o que falar, e estava muito sem graça.
Então me apressei para pegar minhas coisas na minha mesa e sair da sala.
Foi quando eu senti o Lysandre se aproximando . . . Ele me abraçou.
Não era um abraço malicioso ou algo do tipo. Me chocou, confesso.
Fiquei surpresa . . .
"Por favor . . . Não me abandona também . . . " ele dizia chorando.
Eu estava confusa de como reagir.
Se eu trataria tudo normalmente, se eu abraçaria, afastaria, não sabia o que fazer, estava totalmente perdida.
"L-Lysandre . . . Eu não vou te abandonar."
"Eu escondi sobre o Nathaniel porque eu sabia que ele ia passar a ter toda sua atenção . . . Eu estava adorando ter toda a sua atenção. Já foi insuportável aceitar dividir sua atenção com o Armin . . . " ali eu percebi o quanto o Lysandre era possessivo.
Algo que justifica muita atitude dele. Desde usar o neuralyzer na Rosa e no irmão até fazer planos pra manter o Castiel vivo.
Ele realmente gosta dessas pessoas,mas tudo que ele fez não foi por elas, mas sim por ele mesmo. Pra manter essas pessoas vivas e bem pra ele, não pra elas.
Eu estava dividida entre achar fofo e assustador.
"Lysandre . . . Eu estar com o Nathaniel não quer dizer quer vou te largar de lado."
"E insuportável saber que vocês estão juntos . . . ver vocês e saber que estão juntos . . . Não consigo lidar com isso." Lysandre chorava. Não era histérico, mas chorava bastante.
"VocÊ soube lidar quando eu estava com o Castiel . . . "
"Foi dificil . . . E eu não tinha tido todo esse convívio contigo ainda . . . Eu não vou pedir pra que largue o Nathaniel . . . Somente que não me largue." O Lysandre olhava fixamente pra mim.
Eu o abracei de volta e tentei por na cabeça dele que eu continuaria ali pra ele e que ele não precisava estar em um romance comigo pra sermos próximos.
Lysandre me abraçava de uma forma um tanto quanto intensa, como se não quisesse me soltar mais.
Ele segurava minha cabeça e chorava, era bem triste.
Mas acho que mais vale ele sofrer agora do que no futuro por um relacionamento sem futuro nenhum.
Eu então segurei o rosto do Lysandre fixamente, e olhando pra ele tentei acalma-lo.
Ele parecia uma criança.
Em momento algum ele me desrespeitou ou tentou algo errado, e achei aquilo ótimo.
E eu me admiro com o fato de estar tão próxima do Lysandre . . . Quem diria que um dia eu ficaria com o rosto tão próximo do dele sem vontade de beija-lo por exemplo.
Ele pareceu se acalmar com o decorrer do que eu ia falando . . . Mas nem tudo são rosas . . .
A Melody apareceu na porta.
Do ângulo dela ela provavelmente entendeu tudo errado . . .
E como eu e o Lysandre estávamos muito próximos, abraçados e olhamos MUITO surpresos pra ela . . . Aquilo só ajudou a nos "incriminar"
"Não acredito !!! Só porque o Lysandre anda e o Nathaniel não você vai trocar ele ??" Melody esbravejava na porta.
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