Notas iniciais
Esse capitulo está beeem grande e o próximo será tanto quanto . . . Esse é o penúltimo capitulo do arco da Ambre. Ainda tem muita coisa pra acontecer, então fiquem calmos quanto ao final "estar proximo" adhuasidh E sobre a fic . . . Como sempre ressalto: Ela já está feita No máximo acrescento coisas volta e meia, mas a base da historia e as "pontas" estão todas ligadas já. Então, se algo aconteceu, já estava nos planos, não foi algo que decidi de ultima hora . . . Raramente eventos grandes decido de ultima hora. Espero que apreciem e respirem essa semana . . . Porque semana que vem além de longo, não vai deixar o cap de hoje pra trás . . . Boa leitura c:

Eu acordei com bastante medo sabe . . . Eu sabia que minha mãe iria falar com o Castiel . . . E isso me deixava receosa.

Meu pai como todos os dias saí cedo pro trabalho.

Minha mãe por ser dona de onde ela trabalha raramente vai pro trabalho. Ela comparece mais pra checar se está tudo em ordem . . .Enfim.

Após tomar meu café da manhã, meu pai se despediu de nós duas, e assim que ele saiu pela porta ela veio me encher de perguntas.

Coisas como "você se sente bem ?" , "Tomou suas vitaminas ?" . . . Sabe, eu entendo ela, a preocupação e tudo mais . . . Mas me irrita.

Eu fiz tudo que ela mandou e em poucos segundos estava um silêncio tenso entre nós duas.

"Boreal . . . Me conte um pouco sobre seus amigos ?" Minha mãe falou com um sorriso um tanto quanto forçado. Ela claramente estava abalada e tentava descontrair o ambiente.

"O que deseja ouvir mãe ?" perguntei.

"Me conte como conheceu cada um deles. Eu realmente estou curiosa. São pessoas bem diferentes umas das outras."

Eu inicialmente fiquei incomodada e receosa de falar algo pra ela . . . Mas lembrei do ato do Armin, e mais . . . Que ela está reagindo bem as coisas . . . Fora aquela frase dela sobre eu nunca falar nada pra ela . . . Acho que a essa altura ela é de confiança, aliás, ela sempre foi, é minha mãe afinal.

"O Ken eu sempre conheci mãe, vocÊ sabe sobre ele."

"Sim, quero ouvir sobre os outros meninos. Armin, Castiel, Nathaniel . . . Me conte sobre eles. É curioso como um rapaz como o Nathaniel anda com um rapaz feito o Castiel. São extremos opostos." ela falou.

"Ah . . . Castiel e Nathaniel não andam exatamente juntos . . . Eles se suportam, e bem mal na verdade.

Eles são amigos de infância mas . . . Castiel tem rancor do Nathaniel pelo que aconteceu, sabe, essa "maldição" que carregamos. Ele se sente usado até hoje. Ele trata como se o Nathaniel fosse culpado, por mais que a culpa seja dos pais dele que o convenceram ainda criança de que "não doeria nada" no Castiel . . . Aliás, o Nathaniel que era o rebelde da historia, não o Castiel.

E o Lysandre é melhor amigo do Castiel desde essa época em que eles se afastaram.

Eu conheci o Nathaniel como representante de turma mesmo, e o Castiel era só um rebeldezinho do colégio do qual fiz amizade logo de cara.

Aliás, eu conheci do Nathaniel antes . . . Bem antes, mas eu não lembrava . . . Quando vocÊ me matriculou, ele tentou me impedir de ir pro colégio.

Ele sabia que o Castiel tentaria me matar e tentou impedir . . . " Sabe, depois que comecei a falar, tudo começou a fluir facilmente, e não me incomodava falar essas coisas pra minha mãe . . .

"Castiel tentou te matar ? como ele sabia ?!" Minha mãe parecia atenta, era como se assistisse uma novela.

"Nathaniel vem de outra linha temporal . . . E ele acabou parando nessa linha ao voltar no tempo e impedir minha morte.

Nathaniel me conhecia na outra linha, por isso ele se aproximou de mim como se eu fosse reconhecer ele, e na outra linha, o Castiel me matou.

Nessa, eu acabei virando amiga do Castiel e ele desistiu dessa ideia doida . . . "

"Serio filha . . . Isso chega a ser inacreditável . . .

Eu lembro que vocÊ chegou a falar que tinha pessoas fazendo rituais no colégio, mas te chamei de fresca.Eu realmente pensei que fosse algo da sua cabeça . . . Desculpe"

Minha mãe então segurou minha mão. Acho que se ela pudesse voltar no tempo, ela teria acreditado em mim . . . Agora é tarde.

"Armin estudou por um bom tempo comigo sendo um zé ninguém pra mim.

Eu sempre andei colada com o irmão dele, o Alexy. No fim, um dia eu acabei meio que ficando trancada em uma sala com o Armin, ele estava lá jogando e eu estava fugindo dos meninos pois tinha tido uma pequena confusão em que cai sobre o Nathaniel e fiquei morta de vergonha . . .

Lá, nos falamos de fato pela primeira vez.

Foi a primeira vez que vi que o Armin não era um ser bizarro como eu sempre julguei.

Foi a partir daí que nos tornamos amigos.

Ele começou a ficar cada vez mais próximo, tentar me ajudar, mesmo que por achar tudo divertido, e no fim . . . Aqui estamos."

Eu podia visualizar minha mãe comendo pipoca enquanto me ouvia se tivéssemos um pote ali.

"É . . . Incrível. Um viajante temporal, um gênio, um rapaz de organização governamental e um menino endemoniado estão cercando minha filha e tentando proteger ela. . . Qual a probabilidade disso acontecer ?"

"Não se esqueça do desmemoriado com uma biblioteca cheia de livros de ocultismo" eu completei rindo.

"Filha . . . Como tudo isso passou e eu não reparei."

"Digamos que somos todos bastantes discretos . . . "

A conversa durou por um longo tempo, e mal vimos as horas passarem.

Meu telefone então tocou, era o Armin.

"Olha, eu to na casa do Castiel . . . Vim chamar ele. E você tem certeza que é pra levar ele aí ne ?" Eu já atendi com ele falando isso.

"Ué, não é você que tá de amizadezinha com minha mãe ? Agora tá na duvida ? Se vira com ela."

Minha mãe ficou curiosa e me perguntava o que era.

Armin só desligou dizendo "Tá estamos indo praí"

Algo me dizia que o dia ia ser longo e desagradável . . . E eu acertei.

Castiel e Armin logo estavam aqui em casa, e como esperado, Castiel estava um tanto quanto sem jeito perto da minha mãe.

"Relaxa Castiel. Dona Boreal é muito legal." O Armin falou.

Minha mãe pareceu se achar um pouco com a frase do Armin.

"Então Castiel, me conte o que sabe." Minha mãe foi direta, sem enrolar.

Castiel olhou pra mim como se pedisse permissão pra falar, e eu afirmei que ele podia falar tudo.

"Já que você diz . . . Então, eu e sua filha começamos a nos pegar do nada. Sério, sem mais nem menos e--"

Quando eu ouvi ele falar isso eu comecei a gritar

"CASTIEL !! EU TO FALANDO SOBRE O PACTO COM A AMBRE !!! É PRA FALAR DO PACTO !!!"

"Como assim começaram a se pegar do nada ?!" Minha mãe falou espantada como se quisesse saber mais.

Eu juro que desejei com todas as forças morrer naquele momento . . .

Se a Ambre passasse por mim ali eu atiraria nela pra morrer e levar de brinde o Castiel . . .

Castiel muito sem graça começou a falar enquanto Armin ria da situação . . . Como sempre.

"Er . . . O que quer saber mesmo ? Sobre a Ambre né . . . Ela . . . "

"Não, me conte sobre você e minha filha. Eu pensei que vocês fossem só amigos . . . " ELa falou

"E-E somos !" Castiel estava muito nervoso e o Armin ria DEMAIS.

"MÃE ! ISSO NÃO É IMPORTANTE ! O IMPORTANTE É QUE EU VOU MORRER !" Isso fez ela voltar pro foco. Admito que eu usei essa frase única e exclusivamente pra fazer ela "voltar ao assunto central"

Minha mãe pediu pra que ele explicasse como funcionava essa ligação com a Ambre, de forma detalhada.

"Basicamente eu e a sua filha temos a vida sugada por ela e temos que matar pessoas pra repor o que ela suga de nós."

"Quando isso começou ?" ELa perguntou.

Ele pareceu receoso, ele realmente não curte muito falar desse assunto, até porque envolve o Nath . . .

". . . Eu fui um idiota que quis ajudar um amigo que queria trazer a irmã de volta a vida e me ofereci pro ritual. Eu era uma criança e mal sabia o que estava fazendo, até porque me garantiram que não aconteceria nada comigo.

Quando vi, estava cada vez mais fraco, eles sequer olhavam na minha cara ou perguntavam como eu estava até eu conhecer o Lysandre, meu amigo, que tem uma biblioteca com livros de ocultismo que diziam como eu poderia sobreviver . . . "

Eu tive que me meter nesse instante

"Castiel, você sabe que o Nathaniel foi enganado tanto quanto você né ? Os pais dele enganaram ele e--"

"FODA-SE ! EU SOU O PREJUDICADO DA HISTORIA ! APESAR DE TUDO ELE TÁ BEM COM A IRMÃ DELE ! E VEJA, ESSA VAGABUNDA AINDA TE LEVOU JUNTO !!"

Minha mãe ficou um pouco chocada, e o Castiel se desculpou por se alterar.

"Você consegue dizer quanto tempo de vida minha filha tem ?" ela disse.

"Olha . . . Ela tá bem forte até, tanto que eu só reparei que ela está mais magra quando prestei atenção. Acho que ainda tem um tempo. Mas como a vida dela tá se perdendo rápido . . . Não sei né. Eu consigo ficar sem matar as vezes até por 3 meses. Ela tá tendo uma frequência muito maior que a minha . . . "

"Porque ela perde mais energia vital que você ? Não entendo . . . "

Nessa hora eu e o Armin ficamos tensos.

"Não importa mãe ! O que importa é que eu perco" Eu tentei interromper ele pra que ele não dissesse nada, afinal, a culpa era dele.

"Eu sou a causa . . . Desculpa." ele falou cabisbaixo.

Armin, eu e ela não conseguíamos ter reação, aliás, esboçávamos a mesma reação de espanto, mas creio que cada um por um motivo diferente.

"C-Como assim . . . ?" Ela estava perplexa.

"Eu . . . A muito tempo atrás estava desesperado e bem, eu ia usar a Boreal pra fazer o mesmo tipo de ritual da Ambre. Eu não queria matar ela necessariamente . . . Quis por um bom tempo, mas estava meio perdido nas minhas decisões e eu cheguei a realizar o ritual . . . Sendo que saiu errado e bem . . . A vida dela começou a vazar pro nada.

Parte vai pra Ambre e parte vai pra lugar nenhum . . . Por isso ela fica mais fraca que eu mais rápido . . . "

Minha mãe ficou com um olhar distante, ela estava bem perplexa.

Castiel ficou calado de cabeça baixa, ele não tinha coragem de olhar para minha mãe.

"Tudo bem . . . sabe . . . Assim como ela você só quis sobreviver . . . Não tinha vinculo nenhum com ela . . . Eu não posso te julgar a partir do momento em que eu estou querendo que minha filha mate alguém . . . "

O Castiel parecia aliviado, e parecia choroso com a piedade da minha mãe . . . Ela realmente é muito compreensiva.

Não sei se outra mãe ouviria que um rapaz tentou matar sua filha e conseguiria perdoar dessa forma. Talvez por tudo que ela passou ela tenha se tornado maleável e consiga enxergar as situações a partir de todos os ângulos.

"Sua filha se recusa a matar . . . Sabe disso né ?" Castiel falou.

"Sim . . . "

"Porque sempre que falam disso tratam como se eu não estivesse no ambiente ?!" Eu exclamei.

"Cara . . . Vocês tem sorte sabia ?" nós fomos interrompidos pelo Armin.

"Sorte ? Porque ?"Castiel estava com bastante duvida ao perguntar isso, não nego que eu também.

"Vocês tem super força, se regeneram rápido . . . Sério, eu iria adorar ter isso ! Admito que já pensei em fazer pacto com a Ambre por mim mesmo. Vocês não sabem fazer limonada com os limões que te deram"

Castiel pulou em cima do Armin nessa hora.

"VOCÊ ESCUTOU A MERDA QUE ACABOU DE FALAR ?! SORTE ?! CARA !! ISSO É UMA MALDIÇÃO ! EU TENHO QUE FICAR MATANDO PRA ME MANTER VIVO ! PENSANDO SEMPRE SE VOU SOBREVIVER ! COM MEDO DE MATAREM A AMBRE !!"

Castiel realmente tem MUITA raiva desse pacto, e eu não nego que também fiquei sentida.

"Continuo invejando vocês. Vocês tem sorte . . ."

Castiel então deu um soco no Armin, ninguém esperava por isso.

"NUNCA MAIS FALA QUE TEMOS SORTE POR SERMOS AMALDIÇOADOS !"

Eu e minha mãe não tínhamos como parar ou reagir . . . Só esperamos a quebra do silêncio súbito vir, que foi a partir do Armin.

"Desculpe . . . Sei que falei estupidez . . . Mas, se focalizassem essas mortes em gente que merece como bandidos e afins, seria uma mão lavando outra. Se manteriam e ajudariam inocentes . . . E você pode me socar o quanto for, não vou mudar meu pensamento." Armin não demonstrava medo quanto a postura agressiva do CAstiel, que logo o soltou.

O rosto do ARmin estava bem machucado.

"Boreal leve o Armin para seu quarto e trate o ferimento dele . . . Vou aproveitar para conversar com o Castiel em particular." Minha mãe parecia séria.

Armin e eu saímos de perto e fomos pro meu quarto.

Eu até tentei ouvir a conversa, mas ela foi cuidadosa e eu não conseguia ouvir nada.

"Armin. O telefone de todo mundo é grampeado né ? Me deixa ouvir a conversa deles ??" Eu falei empolgada.

"Olha, também estou curioso, mas . . . Não vou deixar você ouvir não. Mais tarde eu mesmo escutarei, mas você ? Não.

A senhorita já faz coisa errada demais sem esse tipo de informação." ele falou deitando na minha cama e puxando meu diário.

"Você é tão engraçadinho . . . Eu só quero saber !" eu fui até ele puxando o diário de volta.

"Vai ficar querendo. Aliás, isso aí é seu diário ?"

"Sim, porque ?"

"Vejo você levar isso as vezes pro colégio . . . Se tiver segredos aí é um tanto quanto imbecil você deixar de bobeira por aí." ele falou

. Eu olhei pro diário e fiquei pensativa.

"Você tem razão . . . Mas . . . Eu gosto de escrever pra relaxar. Sei lá, por meus sentimentos e acontecimentos nele me faz ver tudo de uma forma menos pior. Principalmente quando paro pra reler."

"É interessante a ideia mas, acho que se tiver coisas como nosso dia dia, são informações que complicariam nossas vidas, seria bom tomar mais cuidado. Minhas anotações eu deixo escondidas de tal forma que ninguém vai alcançar. Se quiser faço uma trava de segurança pro seu diário que se alguém tocar ele explode."

Quando ele falou isso eu fiquei bem impressionada.

"serio que você conseguiria fazer isso ?"

"Sim . . . Só precisaria da sua digital. Eu falo que sou um Deus da inteligência e vocês não me ouvem."

"Vou pensar se te deixo fazer isso no meu diário, afinal, pode ser uma desculpa pra ler ele." falei rindo.

"Meh, seu diário deve ser muito sem graça igual você. A única coisa interessante em você é sua ciclopia."

Eu então puxei alguns medicamentos e passei no rosto do Armin.

"Você já levou soco do Lysandre, Nathaniel, Castiel . . . Falta o Ken" eu ria.

"Nossa que engraçada." ele então tomou as coisas da minha mão e começou a cuidar do rosto ele mesmo.

Então ouvimos a voz da minha mãe chamando a gente.

Castiel parecia feliz e empolgado.

Ele me puxou pelo braço saindo.

"Eu to de castigo ! Tá doido ?!" falei parando ele.

Minha mãe não estava de carão.

"Sua mãe deixou ! Eu conversei com ela e ela deixou que você saísse hoje comigo !" Ele parecia realmente muito empolgado.

"M-mãe ?! É verdade ??" Falei espantada."

"Sim. Você merece essa folga. Vê se não apronta." Ela sorriu gentilmente.

O Armin parecia espantado também com a atitude da minha mãe.

Castiel me puxava, e tudo que pude ver enquanto me distanciava, era o Armin falando com minha mãe.

Eu estava meio tonta com a situação. Castiel convenceu minha mãe como ??

No meio do caminho eu finalmente parei ele

"CASTIEL ! COMO ME PUXA ASSIM SEM MAIS NEM MENOS SEM ME EXPLICAR !?

COMO CONSEGUIU QUE MINHA MÃE PERMITISSE QUE EU SAÍSSE DO CASTIGO ?!"

"Cara . . . Eu também to pra morrer igual você. Foi bem fácil achar argumento pra que ela deixasse.

Só falei que é injusto enquanto você morre aos poucos, ela te deixar de castigo. Coisas desse tipo, aí ela liberou. Falei que ia te levar e te trazer de volta antes do seu pai chegar então . . . Vamos aproveitar o dia !" ele estava realmente empolgado.

Sabe . . . Pensei, talvez ele tivesse razão, mesmo sendo uma "mentira" só pra me fazer sair, eu preciso aproveitar um pouco e relaxar, principalmente depois de tudo que aconteceu. Se até minha mãe havia permitido que eu relaxasse . . . Porque não né ? Se bem que . . . Logo eu descobriria que não era bem essa a intenção da minha mãe.

"Então Castiel . . . Está me levando pra onde ?"

"Ah sei lá . . . Pra onde quer ir ?" ele perguntou.

"Realmente estou sem ideias . . . Não esperava por isso sabe

"Então . . . Eu preciso comprar algumas coisas pros meus animais, deposi que eu comprar podemos decidir algo pra fazer que tal ?"Ele falou empolgado.

Eu aceitei a sugestão e realmente estava curiosa sobre o que ele conversou com minha mãe . . .

Estávamos passando por um petshop quando ele passou direto.

"Castiel . . . O petshop já passou." eu falei.

"Sim eu sei. Eu não vou comprar coisas pra eles no petshop. Você sabe que eles não são normais."

E quando me dei conta, estávamos na frente de um sexshop.

Aquilo foi muito constrangedor ! Nunca pensei que eu fosse entrar em um sexshop pra comprar brinquedos de animais !! Aliás, minha primeira vez no sexshop foi traumatizante !! Eu nunca nem tive intenção de entrar em um lugar desses . . . "

Ele entrou naturalmente e eu estava muito constrangida.

Ele então foi direto na atendente.

"Moça, onde fica as coleiras ?" ele perguntou.

Pude ver ela me encarar, obviamente ela pensou que era pra mim.

Ela então apontou pra sessão.

"Tem coleira com sino por aqui ? E bolas, tem aqueles pesos de ferro de ginástica pra mulher ?" ele perguntou novamente.

Sendo sincera eu queria correr de lá e ir pra casa . . . Mas acho que ficaria ainda mais constrangida.

Ela sorria gentilmente pra mim, mas eu podia sentir que ela estava me julgando, AH SE ESTAVA !!

Então fomos até a sessão procurada.

Ele começou a encher uma sacola da loja com coisas que ele ia comprar.

"Vai querer algo ?" Ele perguntou pra mim.

"NÃO !! DEFINITIVAMENTE NÃO !!!" todos na loja me encaravam e ele ria.

Ele pegou varias coisas, até que ele pegou um vibrador ligou e me deu.

"Olha que brinquedo legal pro meu gato !" ele falava feliz.

Eu estava morta de vergonha com aquilo na mão . . . Até que me toquei . . . GATO ?!

"V-Você tem gato desde quando . . . ?" Eu perguntei.

"Desde o inicio da semana" eu senti medo de descobrir mais sobre esse gato . . .

Após as compras e muito constrangimento fomos pra casa dele.

"Castiel . . . Seja sincero. Essas coisas realmente são pros seus animais ?"

"São. Eu compro em sexy shop porque normalmente os objetos são mais resistentes. Aliás, por algum motivo meus animais não meio que cuidadosos com silicone, ai acho melhor comprar essas coisas em sexy shop por causa disso. Acho que eles pensam que é pele e acabam tomando cuidado pra não rasgar. Eles meio que tem consciência de que não podem machucar pessoas. Por mais que sejam venenosos e tudo mais."

Ele ao se sentar veio o cachorro dele receber ele todo feliz, o Hamster estava inquieto na caixinha de vidro, mas eu não via gato nenhum, só um sapo com uma cara de raiva na cômoda.

"C-CAstiel . . . Um sapo . . . "

"SIM ! PEGUEI ANTES DE ONTEM ! LEGAL NÉ ?!"

"Castiel . . . Ele é um sapo normal ?"

"Não . . . Eu achei ele morto lá no parque." quando ele disse isso já respondeu minha duvida.

Eu podia ver o sapo me olhar com raiva, ele bufava . . . O SAPO BUFAVA !!

"C-CAstiel . . . ele tá me olhando com raiva . . . " Eu falei com medo do olhar do sapo.

"Sim, ele é sempre assim. Aliás não toca nele." ele falou

"porque ? veneno ? "

"Não . . . Explosivo." ele respondeu.

"O sapo explode ?! Como sabe ???" eu perguntei.

"Olha . . . Não tenho certeza não . . . Mas sei que eu tava brincando com ele ontem pra descobrir o que ele fazia de mais, ai comecei a irritar ele. O papo dele começou a inchar, e inchar, ate que começou a fazer um "beep" de bomba como se fosse explodir . . . Decidi acalmar ele e deixar pra lá . . .

Como ele é estressado, melhor evitar até tocar nele."

Meu Deus . . . Um sapo hipertenso. . .

Era tudo que eu precisava na minha vida . . .

Enquanto ele dava os "brinquedos" bizarros pros animais . . . Algo me tocou nas costas.

Eu fiquei pulando, eu sentia algo agarrado no meu ombro mas não via nada.

"Ahh ! Meu gato ! Finalmente apareceu" Ele dizia tocando meu ombro e pegando o gato.

Era um gato invisível que se tornou visivel.

"Castiel . . . Um gato . . . invisível ?"

"Ele desaparece e aparece toda hora. dei o nome pra ele de Cheshire por causa do gato da Alice.

ELe é bonzinho, fica tranquila . . . Que bom que ele é bonzinho, imagine se esse animal fosse ruim com esse poder ? Eu comprei essa coleira de sino pra ele por isso. Aqueles gizos de bicho são muito baixos."

Eu realmente cheguei a acreditar que estava sonhando.

Meus dias são sempre irreais e bizarros, principalmente com o Castiel, mas hoje ? Estava batendo o record.

O que diabos foi aquilo . . . Sapo explosivo ? Gato invisível ?!

"Esse gato veio de onde Castiel ?" tive que perguntar.

"Sabe aquela senhora que é minha vizinha ? Lembra que meu Hamster mordeu o gato dela ? Descobrir que ele é venenoso . . . O gato morreu, só que demorou um pouco."

Fiquei horrorizada, pobre senhora, tudo que ela tinha era o gato.

"Então decidi trazer o gato de volta. Gosto daquela senhora, ela é gentil. Mas . . . Ela não recebeu ele muito bem.

Ele ficou aparecendo e desaparecendo pra ela, ela achou que era um fantasma e infartou. . . "

"CASTIEL !! VOCÊ MATOU A SENHORA ?!" eu gritei.

"Não, ela tá bem. Mas mesmo que morresse . . . Eu to de olho no velho do andar de baixo. Ele tá pra morrer . . . O cara já tá com o pé tão na cova que nem se eu quisesse matar ele pra ganhar vida extra ia servir. Eu ia ganhar provavelmente horas de vida."

Eu não sabia se ficava feliz com o fato dele AINDA não ter usado o velho, ou desesperada com as ideias doentes dele. Ainda me pergunto como tenho sanidade.

Castiel enquanto distribuiria os brinquedos pros animais tropeçou em algo

"Aff . . . Lysandre esqueceu essa bolsa de ração pra coelho aqui de novo." Castiel reclamava.

Ao ouvir isso me lembrou de perguntar algo que eu nunca tive respostas . . .

"Castiel . . . Falando em memória e Lysandre . . . Ele sempre foi desmemoriado ?"

Ele então se sentou do meu lado e respirando fundo começou a falar.

"Não . . . Eu quem destruí a memória dele." No que ele falou isso eu fiquei com uma mistura de raiva, pavor, tudo . . . Mas eu queria saber o que havia acontecido e pedi pra ele explicar.

"Quando éramos mais novos, ele tinha 11 e eu uns 12, ele se apaixonou pela Rosa. Mas não era uma paixãozinha, era uma parada loca.

Ele é MUITO compulsivo com as coisas que ele gosta. É só ver como ele me trata ou trata coelhos.

Se ele se apegar a algo ele fica doente com aquilo.

E bem, a Rosa ele não via só como amiga, era amor né. O cara ficou doido.

Um ano depois ela começou a namorar o Leigh, aí piorou tudo.

Ele meio que passou a ter raiva do irmão, era uma coisa doentia.

Eu ajudava ele porque ele é meu amigo e me ajudava muito, então comecei a ajudar ele a perseguir o irmão pra descobrir porque a Rosa gostava do Leith e não do Lysandre.

Crianças achando que era assim que funcionava esse troço de gostar ou não, hilário . . .

Eu sei que durante nossa perseguição descobrimos que ele fazia parte da organização lá do Ken, aquela de alienígenas." quando ele falou isso eu fiquei bem tonta.

Porque ele agiu com surpresa quando descobriu que eu era um alienígena ! E eu indaguei isso. Mas a resposta dele foi simples:

"Eu sei da existência de alienígenas ué. Pra mim foi uma surpresa saber que VOCÊ é uma." Então ele prosseguiu com a historia da memória do Lys.

"O Lysandre descobriu um aparelho que apagava memória que era do irmão e decidimos roubar. A intenção do Lysandre era usar isso no próprio irmão e na Rosa.

Ele ia usar pra apagar a memória dos dois referente um ao outro e fazer ela gostar dele.

Eu achei extremista aquilo.

Foi quando o Lysandre se revoltou.

Começou a falar que me considerava muito mas que se eu continuasse interferindo ele ia apagar a minha.

Nós brigamos muito, e eu bem, tenho mais força que ele obviamente.

Durante a briga ele tentando tomar de mim apertou o botão do aparelho e nisso apagou a própria memória. . . Por sorte eu não olhei pra luz. Me dei conta a tempo e tampei os olhos, afinal, já tinha visto o irmão dele usar isso outras vezes e sabia que o truque tava na luz.

Eu vi que o troço tava com defeito, ele soltava umas faíscas estranhas. Acho que foi isso que bugou a memória dele . . . As memórias que ele tinha ficaram embaralhadas com as novas, e a cabeça dele nunca decora as coisas direito. Ele virou isso que você tá vendo.

Mas a obsessão dele pela Rosa continuou. Tudo que fiz foi falar formas saudáveis dele ficar com a Rosa e comecei a tentar desviar a atenção dele pra outras meninas.

Ele se veste vitoriano pra agradar ela . . . Ele atualmente curte se vestir assim, mas quando começou era pra imitar o irmão.

Inclusive, ele passou a criar coelhos por conta da Rosa. Era o animal favorito dela, e ele achava que falando pra ela que criava coelhos ia conseguir seduzir ela . . . No fim, ele realmente ama as coisas que faz atualmente, mas tudo começou por causa da obsessão dele pela Rosa."

Eu fiquei impressionada com a historia, ela me tirou duvidas, mas não consegui evitar de pensar em como tudo que envolve Lysandre e Castiel é bizarro ao extremo !

Não é pouco bizarro, é sempre MUITO bizarro.

"Uau . . . Essa historia foi . . . Diferente do que eu esperava."

Castiel ria e parecia um tanto quanto tranquilo em ver que não culpei ele.

"Ele não lembra disso . . . Por favor, não conte pra ele tá . . . ?" Ele pediu antes de retornar para a distribuição de "presentes".

Pelo visto nem o Lys sabe porque ele é daquele jeito. . .

Após a distribuição de presentes ele perguntou o que eu iria querer fazer.

Eu falei que não sabia, pois de fato não sabia.

Então ele deu a ideia de irmos na praia por causa de um estabelecimento que tinham aberto lá. Achei interessante a ideia até.

Por fim, Castiel começou a se aproximar de mim de forma maldosa . . . Acho que pra compensar o tempo que não passamos a sós . . . E bem, eu sou mole com ele, e isso não é novidade, então em poucos minutos eu e ele já estávamos nos agarrando . . . Nenhuma novidade até aí . . . SE NÃO FOSSE AQUELE SAPO !

Ele olhava fixo pra mim.

Me olhava sem parar, e eu sinceramente não conseguia aproveitar meu momento ali com o Castiel olhando pra quele sapo cheio de ódio no coração.

"Não dá Castiel . . . Esse sapo não para de olhar feio pra mim." eu falei empurrando o Castiel pra longe.

Castiel bufando olhou pro sapo e falou "qual é cara, para de empacar a foda. Saí do quarto vai." Castiel deu um leve empurrão no sapo.

O sapo então começou a inchar, e inchar e ficar bufando cada vez mais, ele claramente entendeu o que o CAstiel falou e se irritou

"DESCULPA ! PODE FICAR COM O QUARTO !" Castiel me puxou de uma vez . . . Eu realmente senti como se o sapo fosse explodir.

"Viu ? Não parece que ele vai explodir ?" ele dizia.

"Sim . . . Cara . . . porque você ainda faz isso ?"

"Diversão !" ele sorria como uma criança. Ele realmente levava essa palhaçada de trazer animais de volta a vida como algo divertido.

"Arrume outra diversão Castiel ! Você já se ferrou com esse rituais . . . Pense um pouco."

"Bem . . . Você poderia me divertir. Eu iria esquecer os animais por uns instantes" Ele já falou aquilo me olhando de tal forma que eu . . . Bem . . . Terminou da mesma forma que sempre terminamos: sexo.

Porém . . . Aquela provavelmente foi a ultima vez . . .

Sabe, eu já tenho tentado me afastar dele faz tempo . . . Gosto muito do Castiel mas . . . Eu não quero me envolver com ele além do carnal. E ele cometeu o deslize que eu precisava pra tomar coragem de cortar tudo.

Enquanto estávamos deitados ele me acariciando falou que me amava. . .

Ao ouvir aquilo eu vi em que ponto estávamos chegando.

"Eu sabia . . . " eu falei me sentando e ouvindo um "O que foi ?" vindo dele.

"Você . . . Eu de inicio realmente acreditei que você conseguiria separar o carnal do sentimental, mas . . . Não." ao falar isso ele não pensou duas vezes ao falar "Eu consigo !"

"Castiel, se você consegue, o que foi esse "eu te amo" agora ? Sério . . . Não podemos continuar com isso. O Armin tinha razão, você vai sair magoado dessa nossa brincadeirinha."

Eu pude ver o Castiel desesperado, mas ele tentava falar calmamente.

"Sério, não precisa isso tudo . . . Eu . . .Eu sei que não é nada serio ! Só falei por impulso. Por carinho mesmo ! Se quiser eu não repito mais isso . . . "

"Viu Castiel ?! Sua postura ! Você está com postura de quem não quer que o namoro termine, mas nós dois sequer somos namorados ! Sua cabeça já confundiu tudo . . . E eu sou culpada . . . Eu deixei isso chegar onde chegou."

Ele então me segurou de uma vez. Ele estava com uma expressão bruta, mas agora que conheço ele tão bem, cada partezinha do rosto dele já entrega algo, e eu pude ver que o olhar dele era de desespero.

"Eu prometo pra você que não vou mais repetir isso. Cara, foi impulso. Eu realmente falei sem pensar."

"OK . . . Então você não sente nada por mim é isso ?" eu fiquei impressionada comigo mesma.

Eu consegui me manter séria e não fraquejei mesmo sentindo vontade.

E essa pergunta silenciou o Castiel.

"Seu silêncio entregou tudo. Você se sente feliz vivendo isso ? Sabendo que tá ficando comigo mas que eu não sou nada sua ?" perguntei pra ele.

"Sim, me sinto ! Uma hora isso iria acabar ou iríamos continuar. Mas tenho certeza que você tá precipitando as coisas.

E se ficássemos juntos mais um tempo e você decidisse que quer ficar comigo ?? Porque não espera mais um tempo ! Você sempre gosta de ficar comigo, você mesma falou que se sente bem com minha companhia, é o primeiro passo pra-- "

Ele estava tentando a todo custo argumentar algo que me mantivesse com ele naquele falso relacionamento só de sexo.

"Castiel . . . Eu não quero mais ficar contigo justamente porque gosto de você. Eu já magoei gente demais . . . Chega. Você é precioso pra mim, e por isso não quero mais ficar nesse rolo todo."

Castiel chorava, e aquilo pra mim foi o que quase me fez voltar com minha decisão . . . Mas eu não podia fazer isso com ele.

Se for pra ficar com qualquer um dos meninos, eu quero ter certeza que gosto dele . . . E eu não tinha essa certeza com o Castiel.

Minha cabeça não saía do Nathaniel um segundo.

Eu levantei enquanto ele chorava e peguei minhas coisas.

Me desculpando eu me dirigi à saída do local, e ele falou.

"Sua mãe . . . Me pediu pra tentar fazer você matar alguém . . . Por isso ela deixou que você saísse comigo . . . Ela queria que eu repetisse o que fiz naquela festa . . . "

Eu pensei em argumentar algo, mas . . . Sinto que ele usou essa conversa que ele teve com minha mãe pra tentar me fazer ficar mais tempo ali com ele . . . Eu resisti e saí.

Sabe, eu não pensei que fosse ser tão difícil "terminar" com ele.

Não tínhamos nada afinal.

Mas . . . Ver o estado dele me deixou destruída . . . E meus pensamentos referentes ao Nathaniel também não me permitiriam a ficar com ele.

Talvez em um mundo sem Nathaniel eu ficasse com o Castiel . . .

O Nathaniel conseguiu da pior forma possível me fazer ver que eu gosto dele.

Eu fui um monstro com ele, e bem, terminando isso com o Castiel antes que começasse foi o melhor a se fazer. Eu sei que meu coração estava começando a se render pra ele também, e já sou confusa o suficiente com minha vida . . .

Agora eu só queria uma coisa: Me desculpar com o Nathaniel.

Caso ele não me desculpasse, eu não vou ficaria magoada.

Caso ele me tratasse mal, eu não ficaria magoada . . .

Eu mereço.

Aliás, se o Castiel quisesse parar de falar comigo eu aceitaria.

Sei que ele concordou com minha proposta mas . . . É óbvio que ele concordaria. Ele gosta de mim e ele diferente do Nathaniel, está disposto a arriscar e lutar pelo que quer.

A lógica dele foi boa em tentar me fazer gostar dele aos poucos . . . E teria funcionado se não fosse o Nathaniel.

Mas agora, tudo que preciso é me livrar desse peso.

Depois que eu me desculpar com o Nathaniel poderei pensar com calma.

Eu tentei ser lógica da outra vez, e estava indo bem até levar o fora do Lysandre.

Não vou deixar que nada me abale de novo.

Dessa vez, eu vou me resolver com todos eles e não vou deixar que isso me afete.

. . . Pelo menos era isso que eu pensava . . .

Até eu chegar na casa do Nathaniel.

Eu tinha pouco dinheiro, era só a passagem de ida.

Mas . . . Eu precisava ir.

Quem sabe quanto tempo eu teria de vida afinal ?

Meus pensamentos me remoíam . . . Minha fraqueza estava acabando comigo . . .

Ao chegar na porta da casa do Nathaniel, eu tremia.

Eu senti aquele frio na barriga que eu senti quando fui me declarar para o Lysandre.

Ao mesmo tempo eu senti um medo desesperador. Era medo da reação do Nathaniel.

Eu esperava grosseria dele, mas . . . Meu medo dele em sí estava maior.

Ele estava muito irritado afinal.

Com muita dificuldade eu toquei o interfone.

Pude ouvir o mordomo falar a presentação formal de sempre e perguntar quem era.

Com grande dificuldade eu falei que era eu. Ele tinha ordens de me deixar entrar sempre que eu viesse a casa. Estava com "passe livre" na mansão do Nathaniel.

Tanto os pais quando o próprio Nathaniel tinham feito isso por mim.

Eu entrei quando o portão se abriu . . . E eu sentia que ia cair a qualquer minuto . . . Minhas pernas tremiam muito.

Fui até a sala principal das escadarias e fiquei parada lá.

A empregada muito gentil perguntou se eu gostaria de algo, recusei e avisei gentilmente que queria falar com o Nathaniel.

Ela disse que não tinha certeza se ele estava em casa mas que avisaria a mãe do Nath que eu estava lá.

Em poucos minutos a Adelaide estava me cumprimentando. Ela vinha da direção do jardim toda empolgada . . .

"Querida ! Quanto tempo não aparece por aqui !" Adelaide me abraçava gentilmente e muito feliz em me ver.

Eu sorri e cumprimentei ela da forma devida.

"Está tão tristinha . . . Está tudo bem ?" Ela perguntou acariciando meu rosto e parecia estar verificando minha saúde.

"Sim . . . Só um pouco fraca, sabe como é. Aquele pacto . . . " Como sempre ela se entristeceu e me abraçou.

Eu estava um tanto quanto sem jeito e ainda com medo de enfrentar o Nathaniel . . . Então só abracei ela de volta e decidi esperar que ela mesma me perguntasse se eu estava ali pra ver o Nathaniel.

Assim que ela perguntou, eu já falei desesperada que sim, que estava ali pra ver o Nathaniel.

Sorrindo gentilmente ela falou que ele se encontrava no segundo andar, no quarto dele. E que como eu era "de casa" podia subir e chamar ele.

Tremendo e com grande dificuldade por mistura do medo e fraqueza, eu subi as escadas . . .

A cada passo eu tinha mais vontade de correr e de chorar . . .

E . . . A cada palavra que avanço é mais difícil conter as lágrimas . . .

Parei em frente a porta do Nathaniel e bati na mesma.

Ele perguntou quem era, ao ouvir a resposta ele ficou calado.

Acho que ele não esperava que eu viesse a casa dele.

Provavelmente eu era a ultima pessoa que ele esperava receber visita.

Após um silêncio em tempo contestável, ele abriu a porta.

Ele olhava pra mim friamente.

Seus olhos estavam inchados, mas não parecia ser de choro recente . . .

Ele estava com a blusa branca aberta na frente e pude ver alguns cortes pelo corpo.

Braços, tronco . . . Mas ele parecia tentar ocultar discretamente.

Ficamos em silêncio um tempo só olhando um para o outro . . .

Até que ele finalmente falou "pra que veio ?"

Era tão diferente daquele Nathaniel de sempre . . . Era um tom ríspido.

"Quero conversar com você . . . " Eu falei.

Ele virou as costas e já se sentou na cama dele. O olhar dele continuava frio e penetrante.

Fechei a porta calmamente e me dirigi à sua frente.

Fiquei em pé em silêncio por um longo tempo.

"VAMOS. FALE O QUE QUER ? VEIO PRA ME FAZER PERDER TEMPO ?" Ele dizia alterado.

Aquilo me fez tremer mais.

Eu estava um tanto quanto tonta . . . Aquela pressão com a fraqueza estava acabando comigo . . .

Com grande dificuldade eu me desculpei.

Foram as palavras mais difíceis de serem ditas na minha vida.

Ele não respondeu, ele não mudou de posição, ele não fez nada.

"Eu . . . Só quero me desculpar pelos últimos dias . . . Eu . . . Eu reconheço que venho sendo um monstro." estava prestes a chorar essa altura.

E tudo que tive foi mais silêncio.

"Era . . . Só isso mesmo . . . " Após tanto tempo em meio ao silêncio, reparei que minha presença era indesejada e decidi me retirar . . . Porém, Nathaniel me parou ao falar "Porque não se desculpou antes ?"

Sabe, eu não esperava uma exigência de desculpas vindo dele, justo dele. Por mais que ele devesse exigir, afinal, fui um monstro.

"Eu . . . Não tinha me tocado ainda da burrada que eu havia feito . . . "

"Me sinto péssimo por querer que você se desculpe comigo . . . Mas . . . Eu não consigo. Eu não sou Deus. Eu não sou nada.

Sou um menino normal . . . Eu tenho sentimentos e eu não to conseguindo controlar eles. Eu nunca passei por esse descontrole . . . Desculpa" Nathaniel parecia discutir com ele mesmo. Ele estava confuso.

Ele sempre foi centrado e estabilizado, eu destruí toda estabilidade que ele construiu esses anos todos.

Nathaniel estava choroso novamente.

"Nathaniel. Me desculpa ! Olha o que fiz com você ! Você voltou no tempo por mim e eu destruí você."

"Você não tem que ficar comigo se não quiser. Você não é a "minha Boreal" afinal. Mas . . . Porque ficou comigo e deixou tudo aquilo acontecer ? Porque falou aquelas coisas horríveis . . . ? Eu . . . Eu realmente mereço tudo isso ? Eu tenho questionado . . . Eu tenho questionado até meus questionamentos !" Nathaniel parecia insano. Ele estava perdido nos próprios pensamentos.

Pra ele questionar os ''castigos" recebidos era novidade.

Pra ele, sentir necessidade de ouvir desculpas de alguém, era novidade também.

São sentimentos que ele sempre conseguiu controlar bem . . . Como eu sou destrutiva,. eu consegui acabar com o mundinho dele.

"Eu estou aqui pra ser sincera . . . Eu . . . Eu gosto de você Nathaniel . . . Eu precisei cair muito pra me tocar disso mas . . . Agora eu posso falar. Se não quiser falar comigo mais eu entenderei. Sem ressentimentos, mas . . . Quero me livrar desse peso.

E agora, se eu for rejeitada, não vou simplesmente correr pros braços de outro pra me consolar . . . Só saiba disso: Eu realmente me arrependo do que fiz contigo e--" Antes que eu pudesse completar minha frase ele me abraçou e me beijou chorando.

Aquilo me fez chorar junto.

Eu não podia acreditar que estava tendo uma segunda chance. . . Aquilo me fez até querer viver mais . . .

Posso dizer que isso, esse dialogo simples com o Nathaniel, em despertou e me fez parar pra pensar em inúmeras coisas.

Em meio a nosso abraço eu sentia cara uma de suas feridas . . . Ele voltou a se mutilar, e a culpa era minha.

Talvez se eu não tivesse brincado com os sentimentos dele por causa da minha carência ele não tivesse ficado no estado em que ficou.

Afinal, antes disso tudo ele não ficava acabado por eu ficar com um menino (ou pelo menos dar a entender isso, pois ele achava que eu já tinha ficado com o Castiel)

Ele me encheu de beijos e de "eu te amo"s. Aquilo me deixou esperançosa, ali eu vi que teria uma segunda chance vinda dele . . .

Após nossa longa crise de choro e desculpas compulsivas um para o outro finalmente nos acalmamos.

Sentados na cama dele, segurando gentilmente minha mão ele perguntou porque eu havia tomado essa decisão.

"Como o Armin sempre diz pra mim: O primeiro passo pra mudar é aceitar os erros . . . Eu errei muito. Não só contigo, com todo mundo . . . E eu quero corrigir isso.

Se eu morrer não quero deixar marcas horríveis pra trás. Quero que lembrem de mim de forma positiva . . . E eu destruí todos a minha volta de alguma forma. . . Além do mais, eu falei pra você uma vez que não queria levar arrependimentos ao morrer . . .

Se eu não ficasse bem com você, eu levaria arrependimentos. Mesmo que você não aceitasse meu perdão, eu precisava por pra fora. Suas atitudes foram humanas e normais, eu que fui um monstrinho. . . E descobrir que minha vida foi uma mentira, meu pai está morto e tudo isso . . . Me fez ver que ser enganado doi e muito. Até então eu não tinha sentido a dor real disso tudo . . . "

Nathaniel com olhar de espanto então perguntou "Sobre o que está falando ? Seu pai morreu ???" ELe disse assustado.

Ali me lembrei que ele não sabia . . . Eu até cheguei a acreditar que ele soubesse por conta da outra linha temporal, mas aparentemente, não.

"Minha vida foi criada Nath . . . O pessoal da tal organização fez isso, implantaram lembranças falsas em mim.

Meu pai, Philippe, não é meu pai biológico . . . Ele é um homem que minha mãe conheceu aqui na Terra e se casou. . .

Meu pai biológico morreu no nosso planeta quando eu tinha 2 anos."

Nathaniel pareceu muito perplexo com a noticia, ele realmente não sabia de nada.

"Como assim . . . Como eu nunca soube disso ? E você ? Como descobriu ??"

"Minha mãe me contou tudo . . . Já que estamos falando disso . . . Pode me contar mais sobre a doença da Ambre ? Transmissão, quanto tempo ela tinha, etc" Nath pareceu não entender bem minha pergunta. Mas sem questionou ele respondeu.

"Quando ela pegou eu não sei, mas acredito que após o período de incubação da doença, ela deve ter passado 2 anos com aquela doença.

Um no futuro e outro no presente. . . Nunca soubemos bem como ela transmitia.

Enquanto não posso fazer pesquisas a respeito, acredito que seja através de comida contaminada. No caso, carne animal.

Eu deduzi isso seguindo padrões . . . Reparei que toda família que comia carne de animal pegava isso porém, quem comia carne de gatos, não pegava isso.

Em algum momento minha irmã provavelmente comeu outra carne . . . É a única coisa que acredito . . .

Mas não tenho certeza, são somente hipóteses, posso estar errado . . . Porque essa pergunta agora ?"

"Meu pai . . . Quando minha mãe descreveu a doença dele era idêntica a da Ambre."

Quando eu falei isso eu pude ver o Nathaniel ficar pálido.

"Você acha que . . . Pode ser uma doença alienígena ???" ele exclamou.

"Não sei . . . To tão confusa . . . "

Nesse momento, a porta se abriu de uma vez.

A Ambre, era a Ambre.

Ela estava estranha, pois chorava.

Ela avançou sobre mim gritando "FOI VOCÊ ! VOCÊS TROUXERAM A DOENÇA QUE ME MATOU PRA TERRA !!"

Não parecia aquela menina de sempre. Era como se fosse uma consciência humana embaralhada.

"TUDO QUE SOFRI FOI CULPA SUA E DA SUA FAMÍLIA !!"

Eu estava desesperada.

Na minha cabeça ela não me mataria, afinal, ela depende de mim, mas . . . Ela estava muito estranha e raivosa.

Nathaniel puxou ela e jogou pra longe de mim.

"SAÍ DAQUI SEU DEMÔNIO REPULSIVO !!"

"VOCÊ VAI FICAR DO LADO DE QUEM CAUSOU A MORTE DA SUA IRMÃ NATHANIEL ??! SÉRIO ?! VOCÊ REALMENTE NUNCA ME SUPORTOU NÉ ?! POR ISSO ME TRATAVA DAQUELE JEITO !!"

Nathaniel pareceu confuso e ele só esboçou "Ambre ?" sem entender o que acontecia.

"TUDO QUE EU SOFRI ESSE TEMPO TODO FOI CULPA DESSA GAROTA E DA FAMILIA DELA !! EU TENHO CERTEZA !!

TALVEZ SE EU MATAR ELA AGORA EU NÃO TENHA ESSA DOENÇA NO FUTURO !!!" Ela então veio pra cima de mim.

Ela ia me matar.

Ela queria mudar o próprio futuro . . .

Mas o Nathaniel entrou na minha frente . . .

Ambre gritava o nome do Nathaniel enquanto gritava com ela mesma.

Era como se tivesse duas pessoas brigando pelo mesmo corpo . . .

Nathaniel me enchia de sangue . . . Ele estava com um buraco enorme no tronco causado pelo braço da Ambre . . .

E eu, que já estava fraca, me vi caindo desmaiada . . .

Eu preciso de um tempo pra continuar a escrever . . . Eu . . . Não sei se consigo, não consigo parar de chorar . . .

Notas finais
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