As aventuras de uma Docete Ciclope
183 As Aventuras de quem?
Notas iniciais

O sangue de minha filha encharcava o braço daquela versão distorcida de seu amigo. As luzes provenientes das chamas que começavam a consumir a residencia iluminavam o jardim, e a cor rubro do sangue parecia brilhar como um adorno de rubi entre os seios de Boreal. O reflexo vermelho incandescente no olhar de Nathaniel representavam bem o teor da cena, assim como o sentimento de sua alma. Sua voz era fria e cada palavra soava como um corte de um vento gélido contra um corpo sem vestimentas.
--Você foi o centro de tudo isso... seu egocentrismo, a forma como o seu bem estar, o seu futuro é colocado como pivô central de tudo que existe. A forma como a própria existência é deturpada e como os alicerces da realidade foram distorcidos inúmeras vezes em diversas linhas, sempre com o único intuito de garantir sua segurança, assegurar a sua existência. --disse Nathaniel empurrando o braço ainda mais para dentro da caixa torácica do corpo inerte em sua frente.
--A sua própria existência é um paradoxo sem fim. Agora você, a original, está morta, mas isso não basta. Somente quando eu alcançar a origem...
Nathaniel parou de falar abruptamente. A mão de boreal agarrou seu braço e seu rosto se ergueu. Sangue escorria de sua boca, mas ainda assim ela falou normalmente em voz baixa:
--Posso te contar um segredo? Diferente da sua raça, o coração da minha raça não fica no peito. --disse ela com uma voz masculina e apertando o braço dele com ainda mais força, agora usando ambas as mãos.
--QUE!? QUEM É VOCÊ!? --Esbravejou Nathaniel deixando sua pose calma de lado e voltando para sua emanação de ódio. Era possível sentir, quase que fisicamente, o calor de sua aura, tamanho o ódio que tinha.
--Eu que pergunto, quem você acha que é para mexer com a minha filha --respondeu Eliott, que até então estava se passando por minha filha. Nathaniel provavelmente aprendeu a se metamorfosear observando "do outro lado" os antigos druidas nórdicos. Infelizmente, para ele, ele parecia não fazer ideia de que tal habilidade havia sido ensinada para eles pelos antepassados da raça de Eliott.
Naquele momento Castiel surgiu repentinamente, como um ogro se erguendo do pântano com seu tacape gigantesco, com um pedaço de madeira maciça gigantesco, o qual sinceramente não faço ideia de onde ele tirou. Provavelmente era algum escombro da casa.
--FILHO DE UMA PUUUUUUTAAAAAAAAAAA! --gritou Castiel, seguido de um urro homérico.
Eliott assegurou que Nathaniel não se soltasse até o ultimo momento e então, instintivamente, soltou o braço dele com o intuito de preservar a própria vida. Ele sabia que poderia sobreviver ao ter seu peito atravessado por um braço, mas definitivamente não sobreviveria aquela monstruosidade feita por Castiel.
Castiel reproduziu perfeitamente os movimentos de um de um jogador de basebol profissional. O impacto contra o cranio de Nathaniel foi o suficiente para manda-lo voando por uns 200 metros de distância através do telhado de uma casa próxima. Era como ver um home run na final da World Series. Só que ao invés de um bastão de basebol ele usava um caibro de madeira e sua bola era o próprio Nathaniel.
--MORRE CUZÃO DESGRAÇADO!!!
--Você podia ter me matado! --repreendeu Eliott em uma expressão de puro pânico, imaginando as consequências de ser acertado por aquele golpe.
--Você tá vivo, não tá? E ele tá morto, então não fode! Eu matei o desgraçado e é assim que você me agradece!-- Castiel esbravejava para Eliott.
--Vamos sair daqui, agora! --ordenei
--Qual foi velho? --respondeu Castiel ajudando Eliott a se sustentar. --Não sei se tu notou mas o cara aqui ta com um buraco no peito jorrando sangue.
--Ele vai ficar bem até logo, assim como você ficaria.
--Cara isso aqui é um buraco no peito! Vai demorar um pouco pra regenerar e...
Naquele momento uma explosão vermelha incandescente iluminou a noite. Uma bola de fogo, que na verdade era um carro em chamas, caiu do céu próximo a nós.
--Puta que pariu, tu tá de sacanagem comigo... --falou Castiel abaixando os ombros e fazendo uma expressão de desanimo.--é sério essa porra? Eu com certeza esfarelei os ossos dele e transformei os miolos dele em purê! Isso deve ter sido só ele explodindo. --completou ele visivelmente descrente de suas próprias palavras.
--Ele tem poderes o suficiente para se intitular um Deus. Por mais que você tenha potencial para um ótimo jogador de basebol, isso não vai ser o suficiente. Nós temos que sair daqui e seguir com o plano. --Completei.
--Plano? Que plano? --Questionou Castiel.
--Vamos encontrar minha filha.
O resto da história você sabe como foi, certo filha?
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Antes de sair na caçada a diretora e seu "amor" meu pai Philippe se sentou comigo e discutimos um plano completo.
Depois que ele revelou tudo, sua identidade e o quanto ele sabia, Armin e ele fizeram um planejamento completo de tudo que seria feito a partir dali.
Armin não sabia quem era o querido da diretora, porém, meu pai sabia, e sabia bem, mesmo que não soubesse bem de como era sua aparência real . . .
Eu até então não fazia ideia também.
Ele criou um plano completo, e distribuiu os afazeres entre nós.
Ninguém havia me informado até então quem poderia ser o suposto "demônio" que a diretora queria tanto trazer, mas acredito que nem ele soubesse, ou talvez ele soubesse e quisesse me poupar do choque . . .
Tudo que sabíamos era que caso chegássemos no local e ela tivesse conseguido trazer ele, as coisas se tornariam mais complicadas dali pra frente.
Antes de ir atrás da Boreal do passado, nos dividimos.
Enquanto meu pai, os Armins e Castiel foram até a casa da diretora com meu pai Eliott se passando por mim, eu e meu filho Remy fomos os responsáveis por reunir todos que poderiam se tornar vitimas do "amado" da diretora.
Armin foi filmando toda a situação para mim, era a forma de me manter informada de tudo e a posto de saber quando executar todo o resto do plano e as ações.
Ele usava uma pequena câmera acoplada em um broche que enviava sinais para meu dispositivo movel.
Previamente coloquei todos em segurança no colégio a vista.
Remy, Ambre, Nathaniel, minha mãe e os Alexys.
Remy insistiu em levar a Violette, e a própria insistiu que queria ajudar.
Confesso que quanto mais gente melhor. . . O plano era complexo e dividido em duas etapas.
Celo de poderes e mudança de dimensão.
No meu caso, eu seria a responsável pela mudança de dimensões.
Armin estava a caminho.
Após a explosão na casa da diretora ele correu de lá e vinha em direção a escola, ele executaria o plano junto comigo.
No caso Armin cuidaria do celo magico e eu cuidaria da abertura do portal.
Azriel e Lysandre vieram pro colégio junto comigo.
Eles dois me ajudariam a executar o plano.
O plano era simples: Atrair o Nathaniel "vilão" para o colégio e isola-lo em outra dimensão.
Agora eu sei bem o quão poderosa eu sou quanto a esses portais.
Armin e meu pai Philippe construíram a algum tempo um circulo mistico ao redor do colégio para isolar o mesmo e anular temporariamente os poderes de Nathaniel e Philippe ali.
Afinal, ambos se usam de poderes mágicos né ?
Armin cujo o qual era o Armin que raptou meu pai. . .
O Armin do futuro conseguiu executar bem todos os comandos e todo o resto do plano com o minimo de auxilio do meu pai que era quem teve contato com o outro Armin que o raptou e planejou tudo, assim, não precisando desse tal "Armin original" presente.
Eles me passaram a planta e o básico do que eu teria de fazer para ativar todo o circulo do ritual de portais e fazer o plano ser um sucesso.
O colégio basicamente é uma zona segura onde meu pai e Nathaniel não conseguirão usar "magia"(ou qualquer outro que venha se atrever a tentar usar um desses rituais e cosias "magicas").
Esse circulo é literalmente um celo para esses poderes.
Coisas mais físicas como super força, regeneração e até mesmo metamorfose de meu pai Eliott, não são anuladas.
Armim ia tentar levar o colégio para a zona atemporal, a tal "cidade futurística" que foi citada por meu pai. . .
Era tudo bem objetivo e simples: assim que chegássemos na tal zona atemporal a ordem de evacuar seria dada de acordo com o treinamento que todos lá já tem para esse momento, deixando somente Nathaniel preso na cidade que serviria de bolha temporal onde ele ficaria preso sem um dispositivo de viagem no tempo e agora preso também a uma forma física que só existe em uma única linha.
Tudo foi meticulosamente planejado.
Ai entra eu no plano todo.
Pra abrir um portal grande o suficiente para passar tanta coisa, eu seria usada.
Confesso que é um pouco assustadora a ideia de ser usada. . . Principalmente levando em conta tudo que sei e como tudo funcionou das outras vezes.
Sacrifícios e afins. . . Mas eu confio em meus pais e nos Armins.
Eles não me colocariam em risco . . . E sinceramente, atualmente, mesmo que me colocassem . . . Acho que meu sacrifício seria pra um bem maior.
Eu fui levada para o terraço do colégio, lá era o local mais próximo da fenda encontrada que tinha constantemente aberta.
Porém essa fenda era muito pequena, era o tamanho de um furo de agulha.
Eu seria a responsável por expandi-la.
Meu pai Philippe me auxiliou com tudo, como seria realizado o ritual e o que eu devia fazer para expandir aquele "buraco de agulha" assim possibilitando a passagem do colégio.
Eu entendi e absorvi tudo, estava pronta pra por o plano em prática.
Eu sou o "catalizador" que expande portais.
Eu sou.
Todos estavam em seus devidos postos. Azriel e Lysandre foram comigo para o terraço.
Lysandre seria de grande ajuda já que ele sabia como funcionava os rituais muito bem.
Azriel desceu as escadas e com sua super força ele decidiu encobrir a área.
Caso alguém tentasse subir para o terraço, ele impediria.
Estava lá eu, ansiosa vendo meu celular sem parar enquanto acompanhava toda a confusão.
A câmera estava com meu pai, Armin passou para ele durante a confusão toda pouco antes de correr com seus outros dois eus.
Aconteceu bastante coisa . . .
Eu me preocuparia com as autoridades se não soubesse que tudo não está uma bagunça e breve estaríamos no colégio localizado em outra dimensão.
Estava eu pronta para realizar o ritual assim que me fosse avisado que todos os necessários pisaram no colégio.
"Eles estão demorando não ?" Lysandre dizia caminhando até a grade do terraço.
Ele olhava do terraço pra baixo.
"Sim . . . Espero que tudo ocorra bem . . . Pelo menos sei que todos estão vivos ainda." falei para ele sem tirar meus olhos da tela do celular.
"Sim. . . Todos estão se esforçando bastante."
"Acho que é por isso que as coisas estão caminhando tão bem. Por conta desse esforço em conjunto com nossa união." respondi aliviada.
"Sim. . . Todos sabem o quanto isso tudo pode prejudicar a vida de talvez a humanidade toda.
Todo mundo conversou entre si e tiveram muito empenho para mante-la protegida." Lysandre dizia.
"Creio que falar que querem me manter protegida é exagero. Sei que sou peça importante, reconheço isso . . .Mas acho que o principal é corrigir toda a bagunça que foi feita." respondi.
"Castiel é apaixonado por uma versão sua. Pelo menos 2 dos Armins tem um relacionamento com uma versão sua. Nathaniel é seu ex em outra linha e é apaixonado por você até hoje. Seus pais obviamente querem preservar sua vida. Acho que só de citar esse numero extenso de nomes que se preocupam cegamente contigo já demonstra o quanto você é querida. De certa forma, por mais que seja o centro de tudo e seja o planejamento central, as pessoas querem te preservar de forma egoísta. Eles querem seu bem porque você é importante pra elas." ele dizia.
Olhei pro Lysandre de relance que continuava a olhar pro portão concentrado e voltei meu olhar para o celular.
"Não é bem assim Lysandre. . . Sei que eles se importam comigo e sei como é querer fazer sacrifícios por pessoas que ama. Mas eles estão fazendo isso por todos. Pra manter nossa linha." respondi.
"Tem certeza que mesmo que te manter viva fosse levar a destruição das linhas eles não te salvariam de qualquer forma ? É natural do ser humano querer manter seus bens preciosos inteiros." ele respondeu.
Eu não tive o que responder.
Infelizmente, essa questão só poderia ser respondida por eles mesmos.
E de fato já pensei em sacrificar coisas por minha mãe . . .
Lysandre continuou a falar mesmo sem minha resposta.
"Sabe, você é o centro de tudo, seja dos planos darem certo ou das coisas darem errado. Você tem noção disso não tem ?" ele perguntou.
"Sim . . . E isso foi minha motivação por muito tempo em tirar minha vida . . . " falei melancólica ainda focando no celular.
Eu sentia vergonha de olhar pro Lysandre . . . Por conta de tudo ser verdade.
"Viu ? Até você sabe o quanto estar viva é perigoso, mas eles sabendo dos riscos ainda assim tentam te manter viva. O amor humano é incrível não é ? Eu faria tudo por quem é meu bem precioso também, eu entendo a motivação deles . . ." Lysandre respondia.
". . . eu já quase fiz tudo, só que me impediram . . . quando minha mãe morreu eu fiquei . . . acabada." respondi.
"Imagino . . . lidar com a morte de um ente querido é trágico.
Eu . . . Nunca aceitei a morte da Iris. . . " quando ele falou isso, eu travei.
A morte da Iris ?
Como ele sabia . . . ?
Primeira coisa que passou pela minha cabeça foi que o Azriel contou pra ele . . .
Eu estava confusa.
Eu me virei pra questionar o que estava acontecendo.
De onde ele tirou essa informação ?
Entretanto . . . Assim que eu me virei, ele me deu uma facada sem rodeios ou conversa.
"L-Ly. . . Lysandre . . . ?" foi tudo que consegui falar durante minha expressão de surpresa seguida do gosto amargo de sangue que subia para minha boca.
"Você foi responsável pela morte da minha irmã . . . Se você não existisse nenhum dos acontecimentos que desencadearam na morte dela teriam acontecido." ele falava enfiando a faca ainda mais fundo.
Doía, doía muito . . .
Eu gritava de dor enquanto ele me pegava com a outra mão e me arrastava até a beira do terraço pelo cabelo.
Ele tinha uma força . . . que não era normal.
"Sua irmã . . . Está viva . . . " falei sem ar entre um gemido e outro de dor intensa levando minha mão até a faca que ele continuamente segurava firme.
"Aquela não é minha irmã . . . Aquela é uma estranha ! Minha irmã está morta !! ELA FOI MORTA POR CULPA SUA !!
Eu não cresci com essa Iris que anda por esse tempo.
Ela é irmã do Lysandre que a essa altura já deve estar se deteriorando no fundo do mar.
E agora, você vai encontrar com esse Lysandre e com minha irmã.
Caso encontre com ela, diga que eu mandei um oi." ele dizia me encarando com grande frieza.
Não parecia ter piedade alguma em seu olhar ou em seus atos, era uma pedra de gelo.
Ali eu me dei conta . . . Aquele não era o Lysandre do passado.
Era o Lysandre do meu tempo. Era ele !
Como ele veio pro passado . . . ?
Ele matou seu próprio eu do passado a sangue frio assim . . . ?
O que estava acontecendo . . . ?
Ele olhou pro celular, meu pai dava o aviso de que poderíamos iniciar tudo.
Lysandre só pegou meu celular e jogou no chão ainda me segurando com força pelo cabelo.
Ele pisou estraçalhando completamente meu celular no chão.
"Parece que a Boreal não pode executar o plano agora . . . " ele falava.
"P-Porque . . . ?" falei sufocada.
Ele não respondeu, só me levantou e girou a faca.
Eu sentia tudo rasgando mais e mais, era HORRÍVEL.
Eu queria morrer naquele momento só pra não ter que sentir aquela dor aguda que se espalhava pelo meu corpo inteiro a partir da barriga.
Ele não falava nada, só me estendeu para fora do terraço pendurada pelo meu cabelo.
Metade de meu corpo estava pra dentro da grade ainda, ele empurrava com o pé o resto de meu corpo como se eu fosse um pedaço de lixo.
O que estava acontecendo com minha super força que parecia ser inútil naquele momento ?
Falando em super força, o Azriel chegou e o empurrou com tudo.
Parecia um touro enfurecido.
Ele empurrou o Lysandre de uma vez que me soltou. O peso do meu corpo caiu sobre a faca que entrou mais me fazendo gritar de dor.
Lysandre caiu no chão já se levantando e chamando o nome do Azriel enfurecido.
"PORQUE LYSANDRE ?" Azriel gritava.
"Vocês não vão concretizar esse plano . . . " Lysandre dizia enfurecido.
Eu estava tonta no chão, não conseguia pensar bem no que acontecia, só me concentrava na dor e tentava tirar aquela faca a todo custo . . .
Seria uma faca com algum preparo como a que meu pai usou na diretora ?
Ou seria só eu fraquejando mesmo ?
Fazia tempo que eu não matava ninguém . . . Mas eu não me sentia fraca desde que fui pro passado . . .
As vozes pareciam distantes . . .
Seria eu ficando inconsciente ? Eu não conseguia me concentrar em nada . . . só tentava ir pra perto da fenda pra continuar com o plano.
Me faltava energia . . .
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Eu estava esperando que a ativação dos portais tivessem inicio desde que Philippe pisou no território em que me encontrava.
Por algum motivo misterioso, nada acontecia.
Nenhum som.
Nenhum ritual ou mudança climática.
Estava os outros dois Armins e eu na quadra na hora exata, coloquei o corpo do Armin do presente em um canto com o meu eu do passado cuidando dele e fui para a área onde ficava a parte "técnica" que seria ativada por minha conta.
Não conseguia entender.
Era estranho demais a situação toda.
O Philippe havia dado sinal verde para a Boreal iniciar a parte dela, entretanto, por algum motivo ela não o fez.
Seria ela tão ameba que não lembrou do que deveria fazer?
Não.
Eu confio em sua memória.
Eu confio cegamente em sua capacidade cognitiva pelo menos por parte de sua memória.
Tentei ligar para Boreal incansavelmente entretanto dava sempre que seu celular estava fora de área.
Nathaniel já estava dentro do colégio como planejado, precisávamos acelerar o plano.
O problema era justamente esse: Ele estava dentro do colégio sem o plano ter tomado inicio em sua execução.
Meu pensamento inicial foi de ter certeza se Boreal se encontrava em seu posto, sem ela próxima a fenda não conseguiríamos prosseguir.
Pedi para que o Armin do passado se escondesse com meu eu inconsciente enquanto eu iria atrás dos demais, procuraria a Lucia e levaria ela pra perto do portal, no caso emergencial que vivenciávamos no momento precisávamos de um plano B, e nosso plano B seria a Lucia.
Corri de lá atrás de Lucia, meu objetivo naquele momento era leva-la para o terraço e eu mesmo dar inicio ao plano usando-a e por fim ativando o celo magico.
Meu maior medo naquele momento era descobrir que a Boreal estava morta...
Jamais me perdoaria por deixa-la sozinha...
Não era tempo para pensar nisso, eu devia correr.
Diferente das demais vezes, ali eu não tinha como parar o tempo ou voltar a meu bel prazer para modificar meticulosamente detalhes.
Eu bem queria poder usar meu "poder" de voltar no tempo naquele momento...
Nathaniel, o vilão, chegou e eu não tinha mais tempo, eu não sabia o que fazer.
Nunca me senti perdido dessa forma, sempre tive certeza de meus planos e das porcentagens de acerto.
As porcentagens estavam descontroladas justamente por conter tantas variáveis chamadas "pessoas".
Depender dos outros para executarem seus planos é uma merda por isso.
Faça você mesmo o serviço se quer perfeição.
Complicado aplicar essa teoria quando se PRECISA de alguém.
Ouvir a voz de Nathaniel se aproximando enquanto ria era insuportável.
Pensar no Nathaniel como meu inimigo era insuportável...
Ele era meu melhor amigo e uma das pessoas mais importantes para mim.
—Correram de seu destino? Parecem um bando de baratas. Assim que o dono da residencia chega e abre as portas as baratas correm para frestas escuras se esconderem na esperança de não serem vistas e mortas. As vezes ficam algumas para trás não é mesmo Armin?- foi a primeira frase que ouvi vinda da voz daquele que eu chamo de melhor amigo.
Respirei fundo e tentei pensar ao máximo que aquele não era o Nathaniel que eu conhecia e havia convivido, era um Nathaniel que nunca me conheceu.
Um Nathaniel do qual nunca me tornei amigo em linha alguma.
—Dizem que baratas são difíceis de morrer ao ponto de sobreviverem a radiação nuclear sabia?- eu não poderia ficar calado diante a sua comparação chula.
—E basta um pisão pra acabar com elas, quem diria. Sabe, odeio baratas.- quando o Nathaniel disse isso ele se aproximou de uma vez só com algo que se assemelhava a teleporte.
Eu estava tranquilo com sua aproximação.
Sei que jamais teria chance de sobreviver em um combate corporal contra o Nathaniel, porém sabia que a ativação do circulo não dependia da Boreal.
A Boreal seria a responsável de ativar o portal que nos isolaria na dimensão atemporal, entretanto, não era a responsável pelo celo magico, então eu mesmo poderia anular os poderes de Nathaniel naquele momento.
Pude notar o Castiel, Philippe e Eliott se aproximando.
—A festa finalmente está ficando completa.- foi tudo que ouvi do Nathaniel antes de estalar meus lábios a contragosto com a situação.
—Nathaniel, porque esse empenho todo pra matar a Boreal? Se saiu do limbo em que se encontrava, para que quer mover montanhas unicamente para matar minha filha?!- Eliott questionava o Nathaniel.
—Simplesmente quero consertar minha vida. Eu vou destruir tudo, tudo que foi feito e vivido.
Eu vivi isolado por anos, milênios, aeons talvez só esperando a chance de sair daquele lugar.
Irei destruir a origem de TUDO.
Meu único objetivo é abrir um portal para seu mundo e destruí-lo completamente Eliott.
Você, sua filha, e todos os relacionados a doença que assolou meu futuro, minha realidade.
Se eu vivi tudo que vivi é culpa do paradoxo que VOCÊS CRIARAM.- Ele parecia muito raivoso e vingativo.
Era praticamente irreconhecível um Nathaniel por trás daquela mascara de vilão.
Nathaniel foi pra perto do Eliott sumindo e reaparecendo atrás dele já o atacando com uma mão que parecia estar flamejante, sendo que o Eliott já estava ferido.
Castiel ao notar avançou com grande fúria para cima dos dois com uma tora de madeira enorme cujo a qual eu não faço a menor ideia de onde ele retirou.
Eu estava próximo ao mecanismo da maquina, enquanto eles atacavam nosso rival eu corri para ativar a maquina e desligar todos os seus poderes.
A vantagem estaria ao nosso lado já que o mesmo se utiliza apenas de poderes mágicos.
Era a sorte a nosso favor.
Abaixei a alavanca apressadamente e... NADA ACONTECEU.
Nathaniel estava usando os poderes da mesma forma.
Levantei e abaixei a alavanca por várias vezes, mas nada acontecia, absolutamente nada.
Eu comecei a pensar no que poderia estar errado.
Nunca me esqueci de nada, nenhum detalhe crucial em minhas invenções, não seria agora que eu cometeria tal erro.
Justo em um momento importante destes.
Enquanto eu pensava a respeito de tudo que me assolava naquele momento, um rapaz saiu por de trás das cortinas do auditório.
Era eu.
Mais novo.
Aparentava ter a idade entre meu eu do passado e do presente, entretanto, eu o reconhecia bem de outra época e por conta de outro detalhe: sua cicatriz.
Estaria tudo bem se ele não estivesse carregando uma peça essencial para que meu mecanismo funcionasse.
—Parece que seu plano não vai dar certo, que pena.- ele dizia jogando a peça no chão.
Eu estava como nunca estive na vida.
Tive meu planejamento inteiro frustrado diante de meus olhos por uma versão de mim mesmo.
—Armin, que surpresa agradável. Vejo que sabotou algo de nossos inimigos.- Nathaniel dizia enquanto se esquivava de Castiel e atirava Eliott contra o próprio que por sua vez caiu sob Philippe desencadeando uma coleção de escombros caindo sobre eles.
Armin só acenava com a cabeça de forma positiva ao Nathaniel.
Acho que no fim das contas o Nathaniel tem sua amizade comigo de alguma linha...
Mas esse Armin ainda era um mistério para mim.
Castiel incansável como era levantou-se dos escombros e partiu para cima dele segurando um pedaço do escombro que caiu sobre ele.
Sem muito esforço Nathaniel atirou ele longe.
—Creio que agora devo dar um fim aos convidados da festa antes de arrumar o salão para a nova grande festa.- Nathaniel dizia caminhando até Philippe e Eliott.
Armin correu até sua frente e o parou falando que ele não devia matar ninguém no local, mas que ambos deviam ir embora de lá por ser perigoso.
—Armin, lembre-se, quem é o poderoso aqui? Eles não vão acabar com minha vida nem que queiram.- Nathaniel falou sério fitando Armin.
—Lembre-se que por mais poderoso que seja você não é mais onipresente nem onisciente como antes. Seja mais cauteloso com suas atitudes.
Eu conheço melhor o mecanismo de como as coisas funcionam na Terra do que você.
Agora que você possui corpo físico você limitou sua visão. Se não quer cair em uma armadilha, me escute.- assim que ele falou isso, Nathaniel parou, encarou todos no local "apagou" a chama em sua mão.
Nathaniel respirou fundo, e pediu para Armin deixa-lo fazer apenas uma coisa antes de irem embora.
Armin parecia saber o que era e sinalizou com um sim.
Os dois eram uma dupla, claramente.
Nathaniel então desapareceu diante de nossos olhos e reapareceu atrás de Philippe já enfiando uma faca, a mesma faca que Philippe usou para matar Sophie o Nathaniel enfiou em Philippe.
Em meio ao seu grito de dor ele enfiou a faca ainda mais fundo desaparecendo em seguida junto com Armin deixando apenas um eco que dizia "Vida longa ao rei".
Philippe estava gravemente ferido.
Ele caia agonizando de dor no chão.
Os céus cada vez mais estavam ficando de coloração muito estranha, esverdeado com luzes vermelhas sem sentido algum.
Os "vilões" haviam fugido e provavelmente viriam atrás de nós a qualquer momento.
Philippe estava gravemente ferido.
Boreal não deu inicio ao ritual de transferência de dimensões.
E claramente nossa historia estava sendo reescrita de maneira drástica e nada agradável. . .
Fomos...derrotados.
Philippe debilitado só chamava por sua filha.
Estavam todos feridos fisicamente ou psicologicamente.
Um Armin inconsciente, um Eliott ferido juntamente de um Castiel e um Philippe esfaqueado.
Precisava pensar em uma forma de levar todos para um local seguro temporário e o mais importante: achar a Boreal.
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Eu estava sem forças.
Minha vista embaçava e as vozes eram distantes.
Pude ouvir que tinham uns gritos e barulhos bizarros de coisas sendo destruídas nos andares de baixo, mas eu não conseguia nem resolver as merdas que estavam acontecendo no terraço, não tinha como me preocupar com os andares de baixo.
Repentinamente apareceu o Nathaniel e o Armin juntos.
Era aquele Nathaniel de cabelos longos que a diretora invocou e vi nas filmagens, não tinha visto ele ao vivo ainda.
Mas . . . O que o Armin fazia com eles ?!
"Vamos Lysandre." eu ouvi claramente o Armin dizer.
"Ora, ora se não chegamos ao fim do arco-iris. Vejo um pote de ouro logo a frente ?" Nathaniel respondia me encarando enquanto com uma mão apenas arremessava o Azriel de cima do terraço.
Eu estava fraca e sangrava muito no chão, ao ver Azriel ser jogado do terraço eu me contrai em meio ao desespero fazendo assim que meu corpo expelisse mais sangue.
"Essa eu posso matar Armin ?" Nathaniel dizia rindo e olhando para o Armin que ria junto dele enquanto me encarava com raiva.
Ele não dizia nada, mas eu sentia seu desprezo, mesmo com minha visão desfocada eu conseguia sentir todo seu repudio direcionado a mim.
Chamei pelo seu nome mas ele só riu.
Nathaniel então se aproximou de mim e chutou onde havia a faca fazendo sangrar ainda mais.
"Bom trabalho Lysandre. Sabia que era de confiança." Nathaniel dizia para Lysandre que se mantinha calado só assinalando positivamente com a cabeça.
Vez ou outra ele virava sua cabeça na direção em que Azriel foi arremessado.
Preocupação talvez ?
Aquela cena era horrível.
Eu não poderia deixar tudo como estava.
Em um pico de força de vontade eu levantei de uma vez.
Já havia me arrastado até o local em que se encontrava a fenda, só faltava essa motivação para ficar de pé.
Meu corpo tremia, me sentia fraca e parecia que saia mais e mais sangue com o esforço que fiz.
Eu me levantei e coloquei a mão onde eu sabia que estava o tal "furo de agulha" ao notar que o Nathaniel se aproximava de mim.
Com força que me restava eu tentei expandir o rasgo, pude notar o olhar de desespero dos meninos.
"Vamos embora Nathaniel !" Armin dizia com movimentos apreensivos direcionados ao Nathaniel.
Com muita força eu continuava a puxar o portal.
Eles pareciam desesperados com a situação e com medo de se aproximar de mim naquele momento. Eu estava tentando abrir a fenda e com um esforço tremendo, sozinha, sem qualquer ritual, e o pior (ou melhor) era ver que sim, estava abrindo um rasgo.
Eles não esperaram pra ver, fugiram.
Ao notar que eles fugiram eu comecei a perder as forças e escorregar de volta pra baixo.
Era como se tivesse sido um pico de energia só pra assustar eles, mas eu não conseguia me manter em pé, havia perdido muito sangue.
Minha mão soltou aos poucos o rasgo em que eu me segurava, quando estava pra cair no chão senti algo me segurar sem que me deixasse cair, juntamente havia uma mão sob a minha que segurava minha mão na direção do rasgo.
Com a visão debilitada notei minha mãe, era ela quem estava do meu lado me segurando.
Minha mãe começou a puxar a fenda comigo.
Nossas mãos estavam unidas e ela não deixava que eu caisse.
Nós rasgamos a fenda com muita força, a força das duas conseguiram abrir algo que rasgava o céu de ponta a ponta do colégio.
Era. . . Enorme.
Emanava muita luz.
Quando vi aquele portal enorme engolindo a escola eu relaxei e por fim cai nos braços de minha mãe que parecia exausta tanto quanto eu.
Sinto que cumpri o que foi prometido por mim.
A ultima coisa da qual me lembro foi de ver meus amigos passando pela porta do terraço. . . Eu fiquei inconsciente depois dessa visão. . .
Entretanto . . .
. . .Acho que fomos derrotados . . .
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