As aventuras de um héroi chamado Preguiça
5 Filhos geniais eram um saco..
Notas iniciais
Os garotos levantaram, doloridos pelo esporro de mais cedo e se arrastando ate a cozinha. Era uma cena comum. Lene ajudando Gula a cozinhar e Gula manuseando suas faca de cozinha que nem um violinista com seu instrumento.. Preguiça estava jogado numa cadeira qualquer....ele parecia mais nolstalgico que qualquer outra coisa.
Os pirralhos se deixaram largar em cadeiras, imitando o mestre. Depois de uns minutos Gula e Lene serviram a comida. Pão quentinho, grande, com passas e nozes. Morango, mamão e banana fatiado em tirinhas e banhados em mel. Ensopado de coelho, batata e cenoura e vinho pra acompanhar. Preguiça só saiu de seu devaneio por causa do cheiro da comida.
Eles começavam a comer. Gula e Helena provavam e elogiavam a comida um do outro. Handy e Ugo comiam quietinhos , tentando não se mover muito. Preguiça soltou um bocejo e entre comer pedaços do pão puxou conversa com os garotos.
— Oe garotos..-os dois levantaram os olhos-...lutaram bem hoje.
Um sorriso foi brotando no rosto dos dois.
— Hummm...- ele parecia quase degustar desse som multe expressivo- É. Realmente. Manolos, vocês lutaram bem pra caralho. Ugo, você direcionou sem dificuldade nenhuma sua eletricidade e conseguiu dosar sua magia. Handy, seus movimentos foram fluidos, fortes e a perca de velocidade foi mínima, mesmo com todo o peso dos armamentos. As runas também operaram melhor do que ontem. Amanha vou te mostrar uma runa nova. Humm..ok. Agora.. Ugo!
O garoto entrou em posição de sentido. O sorriso estava estampado no rosto dele em antecipação ao que viria.
— Pois bem...tire suas roupas.
Calma, não é nesse sentido.
Ugo desbotou a camisa, deixando-a escorrer pelo chão e mostrando seus músculos magros mas bem trabalhados. Ele se virou, deixando suas costas a mostra para o Pecado Capital.
As costas de Ugo, pálidas por falta de sol, ostentavam runas. Parecidas com as de Handy- que observava atento junto com os outros- mas também diferentes. Eram quatro círculos, um dentro do outro e no epicentro disso uma runa, “Limites”.
Preguiça se aproximou, a energia do demônio fluido pra ponta do indicador. Suavemente ele encostou o dedo nas costas de Ugo, seguindo o contorno das marcações enquanto sua magia transpassava a pele de seu aprendiz, obliterando as partículas de magia antigas que permeavam o selo.
A marcação em circulo se apagou, ao menos uma delas, e o que já era esperado aconteceu. De súbito energia começou a escapar do garoto, se alastrando e estralando no ar.
Era muita magia, magia transmutada em eletricidade que desprendia de Ugo. Os músculos outrora pálidos agora estavam avermelhados e irritadiços e ate os cabelos negros como tinta nanquim eram afetados pela estática. Cada veia do corpo dele parecia vibrar, dilatada.
Ugo cerrou os punhos. Cada vez mais ele sentia como se houvesse um rombo, um espaço vazio no seu estomago que só aumentava com o decorrer dos segundos. Depois de um leve momento de surpresa o pivete fechou os olhos, recolhendo sua energia aos poucos, os veios de eletricidade parando de estralar enquanto ele sentia aquele mesmo buraco tampado.
Preguiça subiu o dedo, indo das costas do garoto ate encostar em sua nuca, a energia na ponta do indicador indo do azul pro habitual tom cinzento. Mais uma vez ela parecer penetrar do corpo de seu aprendiz, percorrendo todo seu sistema nervoso e adormecendo a musculatura fadigada.
O aprendiz se jogou na cadeira mais uma vez, uma expressão indestrutível de triunfo estampada no seu rosto. Seus dois amigos sorriam também, mas do que devia ser possível.
— Ugo, UOU! Foi foda demais, maninho. Agora só mais três. O mestre não perde por esperar- berrou Handy.
Ate a princesa, normalmente calma, se revelava como a pestinha que realmente era.
— Ugo..- ela curvou um dos sorrisos mais doces que se podia mostrar. O sorriso de uma irmã- você foi fantástico! Você pode tudo Uginho, nunca esqueça disso!
— Sim!
Preguiça riu. Ele não pode evitar. “ vocês são de outro nível, crianças” pensou olhando pra Ugo. Por uma razão ou outra acabou se lembrando da primeira vez que falou sobre magia pra eles.
“ — Magia?- Handy curvou a cabeça pra esquerda, parecendo um gato curioso.
— Sim.
Eles ficaram descrentes.
— Mas isso não existe de verdade, mestre, é só de livros e contos de fadas- disse Handy abanando a mão- não fale boba-
O ar começou a ser tingido de cinza, um cinza que parecia infestar o ar enquanto o pecado não fazia o mínimo esforço, só usando de um pensamento consciente pra fazer sua energia fluir.
— ei, garotos, vocês disseram que queria ficar fortes não é?
O trio olhou embasbacado. Tomando o silencio como uma afirmativa o mestre prosseguiu.
— Magia é a melhor maneira pra isso. Não vai ser fácil e vocês vão ter que ralar mas a força que vocês podem obter com isso é surreal.
Ugo levantou timidamente a mão
— Mas mestre...o que é magia?
Heee..ok, como ele iria explicar isso?
— Heee..ok, como eu explico isso pra vocês? Falando bem por cima magia é usar da sua energia interior para afetar a si mesmo ou o que te cerca.
As caras de confuso deles foram adoráveis.
— humm... Vai ser mais pratico eu simplesmente demostrar esse conceito.
A energia cinzenta deixou o ar, escorrendo pra baixo ate alcançar o chão, vibrando agora em tons de verde. As ervas daninhas cresceram de imediato, se arrastando pela grama, que também pareceu reagir a vontade do homem, se tornando mais cheia e mais verde. O impressionante foi quando visgos se contorceram, curvando e envolvendo a si mesmo, parando a altura dos olhos de Helena.
Dali uma flor desabrochou.
— Uma flor para uma flor, minha princesa- disse abrindo um sorriso.
Lene abriu aquele sorriso de criança que todos se derretem ao ver.
— Enfim, deixando gracejos de lado, isso foi magia. Usei da minha vontade pra fazer essa flor brotar. Guiei minha vontade através dos visgos e pelo botão da flor, fazendo-a nascer.
Agora Handy levantou a mão:
— Mas, mestre...ok, você fez a rosa crescer...como?
— Em vários países existe o entendimento de Energia interna. Chamam isso de uma porrada de jeitos. KI, Magoi, Energia Interior, Cosmo e etc. mas basicamente pra se fazer magia, que é usar dessa energia pra manipular tudo, como eu já disse, é necessário primeiro despertar essa energia.
Lene dessa vez, encaixando a flor atrás das orelha:
— Mestre, mas como fazemos isso?
— Sentimentos.
— Sentimentos?
— Já ouviram falar que o amor move o mundo? Pois então. Quanto mais forte forem seus sentimentos, sejam eles quais forem, maior será sua energia interna e maior será sua magia. Quanto maior for sua chama da vontade maior será teu poder. Pense no que te anima ou no que faz teu sangue ferver. Tu maior amor, aquela coisa que te faz acordar todas as manhãs, pensem nisso, tentem sentir o calor que isso te trás e tentem move-lo dentro de seus corpos.
— Sentir? Mas como vamos sentir...bem...nossos sentimentos?
Preguiça deu de ombros.
— Ouvi dizer que meditar é legal..-parou pra soltar um bocejo-..hummm..por que vocês não vão tentando sentir isso enquanto eu tiro uma pestana, sim?
Antes que eles pudessem protestar Preguiça já estava escorado numa arvore qualquer e parecia que nada no mundo iria move-lo.
Depois de algumas horas Preguiça acordou por...nada em especial. Bem, já que alguma força sobrenatural interrompera seu sono por que não dar um pouco de atenção a seus filhotes?
Ele esperava encontrar três pivetes putos da vida com ele. Ledo engano.
Handy era um gênio. O demônio se aproximou e, tentando ficar o mais imóvel que podia, estava o garoto. Tudo bem, normal. Envolta do garoto estava uma fina película brilhante, reverberando em vermelho. Ele conseguiu controlar sua energia para que ela não escapasse, reduzindo-a a uma só camada
O pecado notou que sua energia era pouco, verdade, mas com aquele nível de controle...não fazia tanta diferença.
Helena estava envolta por uma aura esverdeada, que a circulava como um manto, alcançando um perímetro de quase 1 metro e se deformando aqui ou acolá. Mais magia que Handy, menos controle que Handy.
E Ugo, coitado do pequeno Ugo. Nada. Talvez por pena, ao ver que ele fora o único do trio que não conseguira despertar sua energia de primeira- mesmo que isso fosse uma puta exceção- resolveu dar uma força.
Ele chegou por trás, encostando da nuca do garoto e distribuindo pequenos pulsos de energia que serviriam pra estimular um pouco o poder do garoto. Preguiça esperava encontrar o remexer suave de um pouco de magia.
A magia de Ugo rugiu. Se desprendeu do corpo dele, se espalhando por metros e metros e pintando o ar em um azul brilhante. Ele podia ouvir o ar ruindo com a eletricidade. Era muita magia. Tanta magia que destruiria o corpo do garoto. Tanta magia que ele teve que sela-la. Cinco vezes. mais magia que os dois, menos controle que os dois.
Ao fim daquele dia Preguiça teve a certeza que seus filhotes eram os maiores gênios daquela geração.”
O demônio saiu do transe e ainda olhando pra Ugo, sorriu. Realmente, gênios natos. Em seguida suspirou. Filhos geniais eram um saco..
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