De Ironia.

Ela com certeza era uma pessoa que poderia ser denominada como irônica. Adorava uma ironia, um sarcasmo. Então, seu sorriso mudava. Dessa vez seus lábios ficavam entreabertos deixando a pontinha de seus dentes à vista. Sua sobrancelha esquerda se erguia e seus olhos se mantinham fixos na pessoa da qual a ironia era direcionada. Precisava confessar, ela ficava sexy assim.

- Oh, sério? – Sua sobrancelha logo estava erguida. Parecia me desafiar com aquele conjunto de detalhes faciais. – Ninguém ama John Lennon.

- Você é única que deve gostar do Ringo Starr.

- Mais um motivo para eu gostar dele – Deu de ombros e aos poucos seu sorriso foi se desfazendo, a sobrancelha esquerda voltando para o lugar original.

- Você fica sexy assim, desafiadora – Confessei fazendo-a sorrir, mas não vou detalhar esse sorriso, se não terei de voltar mais uma vez para o seu sorriso envergonhado.

Nunca havia gostado muito de pessoas irônicas, sempre me pareceram cheias de si demais. Isso me incomodava um pouco, mas então eu a conheci e me foi apresentado uma outra face dos sorrisos irônicos.

Seria bom se seu sorriso irônico só servisse para um propósito: Desafiar. Mas não era, havia outro motivo, este que quando o experimentei pela primeira vez, conheci o que era fica sem chão. Era a ironia com si própria, o sorriso que zombava.

- Eu sou tão burra – Ela murmurou e cobriu o rosto com as mãos. Chorava silenciosamente.

- Você não é, isso ia acontecer algum dia – Tentei acalmá-la, mas não adiantou. Discordou com um aceno de cabeça e a levantou, um sorriso pairava em seus lábios.

- Eu sou burra, eu sei disso – Sorria ironicamente. – Podia ter adiado, mas não, eu fui burra e deixei tudo desmoronar.

- Nós vamos passar por isso – Falei com determinação. Ela apenas concordou e voltou a esconder o rosto. Agradeci mentalmente quando ela fez isso, já que assim não me deixava ver mais aquele sorriso irônico e falso.

O sorriso de ironia era um sorriso de extremos. Eu amava e odiava.