As Três Faces do Medo.

8 Capítulo 7: Inesperado


Notas iniciais
Oi...
Bom esse capítulo é curtinho, o mais curto até agora, mas espero que gostem! o/
Capítulo não betado, qualquer erro me avisem, por favor! :)

Dois meses se passaram e durante esse tempo Naruto evoluía cada vez mais, era raro ele ficar em silêncio nas consultas com Itachi, geralmente falavam sobre o tempo do jovem no internato e os dias na escola. O loiro ainda não tinha lembrança sobre a época em que havia ficado desaparecido, nem conseguia falar sobre os meses após isso e o Uchiha não queria forçá-lo, pois temia que ele acabasse regredindo.

Em casa o relacionamento com os pais estava cada vez mais descontraído, conseguia conversar com eles, sem ter medo de expor suas ideias e até relatou sobre o que o grupo de Kiba havia feito. Para a surpresa de Minato e Kushina, o jovem não quis que eles fossem expulsos e acreditava que aquilo não iria acontecer novamente.

Na escola as coisas permaneciam praticamente iguais, ele interagia pouco com os colegas, ficava nervoso quando alguém o tocava – mesmo que por acaso -, ainda era alvo de piadas quando tirava boas notas e nem assistiu o torneio de lutas, pois ficava incomodado com cenas “violentas”.

Só que a paz parecia estar prestes a acabar, pois Kiba, Suigetsu e Sakon iriam voltar para a escola, mesmo Naruto tendo a confiança de que não sofreria outro ataque, não podia se impedir de ficar receoso.

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Naruto desceu as escadas calmamente, as vestimentas excêntricas ainda cobrindo o uniforme, mas a touca de lã havia sido aposentada definitivamente. Ao entrar na cozinha encontra os pais conversando baixo, quase sussurrando.

- Bom dia! – O jovem saúda sorrindo. O sorriso desaparece quando percebe as expressões desconcertadas de seus pais. – O que foi?

- Nada, Naruto. – Kushina sorri e gesticula para o jovem sentar-se. – E bom dia!

- Bom dia, filho. Como esta? – Minato se inclina para alcançar a cabeça do rapaz e bagunça seus cabelos.

- Bem... – Olha desconfiado, tentando entender o porquê de seus pais estarem tão inquietos. De repente se dá conta. – Vocês estão assim porque aqueles garotos vão voltar para o Instituto?

O silêncio incômodo que se seguiu foi a única resposta que obteve e aquilo já era o suficiente.

- Eu estou sim ansioso e um tanto amedrontado com a volta deles. – Dá um pequeno sorriso ao ver as expressões surpresas de seus pais. – Mas não tenho como fugir disso.

- Você está certo, Naruto, mas caso sinta-se mal pode nos ligar que iremos buscá-lo.

- Ok, pai. – Retribuiu os sorrisos que lhe foram dedicados e começou a tomar café.

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Quando chegou ao Instituo, Sasuke deparou-se com um pequeno alvoroço em frente ao portão principal, não era necessário ser um gênio para saber quem estava ali. Ele podia apostar a fortuna dos Uchiha em que ninguém estava ao redor daqueles caras por preocupação, mas sim para ter algo para fofocar. Patéticos.

- Parece que eles voltaram. – Neji parou ao lado do moreno. – Hinata-sama me disse que eles se recusaram a depor.

- Resolveu fazer fofoca, Neji? – O Uchiha deu um meio sorriso, ambos começaram a caminhar em direção ao portão.

Os dois não conseguiram evitar reparar na condição dos três rapazes que estavam no centro de toda aquela balburdia.

Kiba estava em uma cadeira de rodas, tinha o braço e a perna esquerdos engessados, estava bem mais magro e tinha alguns machucados e hematomas no rosto. Suigetsu e Sakon estavam em condições melhores, Sakon estava com o braço direito enfaixado e alguns hematomas no rosto, era ele que parecia estar empurrando a cadeira do amigo. Já o Hozuki estava também com hematomas no rosto, a orelha direita estava coberta com um curativo, a perna direta engessada e estava se apoiando em muletas.

- Só queria entender porque eles resolveram proteger as pessoas que fizeram isso a eles.

- Talvez eles não queiram falar por estarem traumatizados ou qualquer coisa assim. – Sasuke fez um gesto de descaso.

- Espero que o que aconteceu a eles não aconteça com mais ninguém. – O Uchiha percebeu que o amigo estava realmente preocupado. – Hinata-sama foi visitar Kiba no hospital e eu a acompanhei, na época ele tinha acabado de sair da UTI e eu sinceramente nunca vou esquecer-me do estado em que ele estava.

- Depois de dois meses, não acho que vai voltar a acontecer.

O Uchiha deu um pequeno sorriso, tentando passar confiança ao outro e o Hyuuga retribuiu o gesto, algo extremamente raro de se ver. A dupla seguiu direto para a sala, evitando prestar atenção nas conversas ao redor.

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Naruto chegou atrasado ao Instituto, quando passou pelo portão, este estava prestes a ser fechado e não havia mais alunos em frente a ele. Andou apressadamente em direção a sala, mas como normalmente andava de cabeça abaixada não percebeu os dois garotos que vinham em sua direção e acabou chocando-se com um deles, caindo no chão em seguida.

- Olha por onde anda idiota! – A voz irritada tão conhecida, fez o loiro olhar assustado para os rapazes a sua frente.

Um deles era um grande e imponente rapaz, mais alto que a maioria dos alunos ali, ele tinha olhos e cabelos laranja. Os cabelos em um corte diferente, na verdade parecendo um moicano do tipo que corria pelo meio e dois tufos semelhantes ao lado.

O outro, o que ele havia esbarrado, era atlético, com cabelos e olhos negros, tinha o cabelo cortado em formato de tigela.

— Me desculpem, Lee-san e Jiroubou-san. – Murmurou tentando se afastar, na verdade se arrastar para longe dos jovens.

- Sabe Naruto-kun, muitos agora tem medo de você, por saberem quem é seu pai, mas eu não me importo! Eu continuo não gostando de você, porque você é fraco e eu odeio pessoas fracas! – O moreno o levantou, segurando-o pelos cabelos, Naruto sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto. – E pessoas fracas não podem ficar no meu caminho. – Acertou um soco no estomago do outro, que caiu no chão tossindo.

- Lee, nós vamos acabar chegando atrasado ao treino. – O mais alto disse friamente.

- Vou chegar atrasado ao treino do Gai-sensei por sua culpa! – Preparou-se para acertar um chute no menino.

- Lee nem pense em fazer isso! – O moreno olhou pra trás, vendo Kiba e Sakon.

- E quem vai me impedir? Vocês? – Lee riu e cruzou os braços, dando as costas para Naruto, que estava aterrorizado demais para ao menos se mexer.

- Não, mas Suigetsu foi chamar o Kakashi. – Sakon deu um meio sorriso.

- Merda! – Os outros dois resmungaram e correram na direção que estavam indo antes.

- EU VOU MATAR VOCÊS DEPOIS! — Lee gritou antes de desaparecer da vistas dos jovens.

- Ele é muito covarde! – Suigetsu, que estava escondido em um corredor lateral, apareceu sorrindo.

- Eu acho que o Kakashi que é muito assustador. – Kiba murmurou e virou-se para Naruto que ainda estava estático. – Hei perdedor, você esta bem?

- Eu... Eu... – Olhou surpreso os três garotos. – Vocês me ajudaram?

- É nós ajudamos. – Sakon resmungou e estendeu a mão para o loiro.

Naruto encarou o menino a sua frente, pensava que quando ficasse frente a frente com eles sentiria medo, mas a única coisa que sentia era surpresa e receio, como se eles soubessem um segredo seu. Aceitou a ajuda e ficou em pé, fez um careta ao sentir um incomodo no abdome.

- Você deveria ir à enfermaria. – Suigetsu mantinha-se afastado do Uzumaki e o olhava com receio, na verdade parecia que a qualquer movimento brusco de Naruto, ele começaria a correr.

- Não precisa eu estou bem, obrigado pela ajuda. – O loiro fez uma mesura.

- Para com isso. – Kiba fez uma careta. – Eu só queria deixar claro que nós não iremos mais mexer com você!

- Sério? – Arregalou os olhos. – É uma oferta de paz? Por quê?

- Porque apenas quem passa pelo verdadeiro terror, sabe o quão valiosa é a vida humana. Agredir outra pessoa não nos torna melhor que ela, só nos deixa sujeito a sofrer nas mãos de outra mais forte e cruel que nós. – Kiba deu um meio sorriso.

Naruto pela primeira vez encarou os olhos dos jovens a sua frente, olhos que estavam repletos de medos e tristeza, olhos de pessoas que amadureceram de forma dura e cruel. Olhos parecidos com os seus.

- Vocês deveriam dizer a polícia quem os agrediu. – Os rapazes se entreolharam.

- Não iremos fazer isso, apesar de tudo, nós merecemos a surra que levamos. – Sakon olhou as próprias mãos. – Naruto nós somos pessoas horríveis, aquele dia iríamos te machucar de uma forma muito pior do que fomos machucados, nós iríamos agredi-lo moralmente.

O loiro se afastou dois passos, sentindo o medo invadi-lo.

- Mas aprendemos, a duras penas, o quanto somos insignificantes diante de outros. Aprendemos que não se deve mexer com ninguém, porque na realidade não sabemos do que as pessoas são capazes. – Kiba tocou o braço engessado.

- Não pode ser. – Os olhos azuis de Naruto encheram de lágrimas.

Suigetsu apenas soltou um riso fraco e começou a caminhar para sala sendo seguido por seus amigos.

- Seu segredo morrerá conosco, Uzumaki-san. – As palavras de Suigetsu ficaram ecoando em seus ouvidos.

O loiro correu na direção oposta, indo para o banheiro que estava vazio nesse período, não queria ver ninguém, sentia-se culpado, amedrontado e precisava se acalmar. Agora ele tinha certeza que quem agrediu os garotos foi Kyuubi, provavelmente o outro deve ter contado sobre o que ele tinha.

- O que eu vou fazer? – Sussurrou angustiado.

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No horário do primeiro intervalo Hinata andou quase todo o Instituto, procurando Kiba e acabou o encontrando no jardim onde Naruto e ela costumava passar os intervalos. Para sua surpresa o Inuzuka não estava acompanhado de seu grupo, na verdade quem estava com ele era Shino.

A jovem sorriu ao vê-los conversando, mas algo nas expressões deles fez com que ela não tivesse coragem para se aproximar. Pareceu-lhe que era uma conversa particular. Quem sabe depois dessa conversa eles voltassem a ser como eram antes?

Resolveu então procurar Naruto, não o havia visto em lugar algum, só havia sobrado os banheiros masculinos e o terraço decidiu ir até lá. O encontrou sentado ao lado da porta, encostado na parede, os joelhos junto ao corpo e o rosto escondido pelos braços, que estavam apoiados nos joelhos.

Hinata aproximou-se e tocou o ombro do loiro delicadamente, seu objetivo era não assustá-lo, mas a tentativa foi em vão. Naruto ao sentir o toque se afastou com um movimento brusco, ainda se levantar e a encarou com os olhos arregalados.

- Calma Naruto-kun, eu não queria te assustar. – Ficou afastada, esperando o amigo se acalmar. Sabia que quando ele ficava desse jeito, só poderia se aproximar quando ele permitisse.

- Hinata-chan... – O loiro respirou fundo e relaxou, voltando a se encostar à parede. – Eu não vi você chegando.

- Eu percebi. – Sorriu, caminhou até o amigo e sentou-se a seu lado. – Como você está?

Naruto passou a mão nervosamente pelos cabelos, deixando-os mais bagunçados que o normal, depois abraçou as próprias pernas, apoiou o queixo nos joelhos e fitou o chão. Hinata entendeu o que aquela postura queria dizer...

- Você não quer falar, certo? – Analisou o Uzumaki e reparou que os olhos dele estavam avermelhados e um pouco inchados. – O que aconteceu? Kiba-kun fez alguma coisa a você?

— Não... – Ele a encarou. – Meu problema não é o Kiba, na verdade nunca foi. Eu sou meu maior problema, sempre foi assim e eu tentei negar isso. – A voz resignada, acompanhada do olhar vazio fez Hinata sentir-se assustada com Naruto pela primeira vez.

- Não diga isso Naruto-kun!

- Eu sairei do Instituo. – A jovem arregalou os olhos. – Pedirei a meu pai para me levar para meu antigo colégio, assim será melhor para todos. – Naruto se levantou e começou a caminhar até a saída do terraço. – Obrigado por ser minha amiga, Hinata-chan.

— Não! – A Hyuuga levantou-se, segurou firmemente o punho do garoto e o puxou para que ele a olhasse. – Você não pode sair do Instituto! Aqui é o lugar onde você pode provar a seus pais sua capacidade, certo?

Naruto ficou estático diante do rosto banhado em lágrimas da amiga.

- Hinata-chan...

- Naruto o que pensa que está fazendo? Há pouco tempo você disse que iria provar a seu pai que era capaz de assumir suas responsabilidades como herdeiro principal! Eu não sei o que aconteceu, mas não me importo! Você não pode desistir agora, não pode!

- Hinata-chan, eu não consigo...

- Consegue sim, eu vou te ajudar no que for preciso! Eu vou me esforçar pra te proteger dos idiotas que te perseguem, vou te ajudar nos estudos e tudo mais, mas não me peça para te ver desistir tão facilmente.

- Eu tenho medo de acabar machucando você também.

Hinata o abraçou, não ligando para o fato de seu abraço não estar sendo retribuído, na verdade sentiu-se calma ao perceber que ele não a afastaria.

- Você não vai me machucar. – Naruto sentia as lágrimas da jovem, molharem seu ombro.

- Como você pode ter certeza?

- Você é meu amigo, jamais me machucaria! – Se afastou dele e abriu um sorriso pequeno. – Vamos tentar superar esse problema juntos, é isso que os amigos fazem.

- Não é tão fácil, se você soubesse o que aconteceu jamais me apoiaria assim. – Os olhos azuis ficaram marejados. – Você não iria mais querer ser minha amiga se soubesse a verdade.

- Isso não vai acontecer, confie em mim. – Ela estava com um olhar determinado e isso fez o jovem sentir-se mais seguro.

- Eu vou pensar com calma, pode ser?

- Já é alguma coisa. – Sorriu. – Não decida sem me contar, ok?

- Não sabia que você era tão mandona. – O clima ficou mais ameno.

- Pois às vezes eu sou. – Escutaram sinal que anunciava o fim do intervalo. – Tenho que ir. – Acenou para o amigo. – Até mais, Naruto-kun.

- Até. — Naruto estava cogitando a possibilidade de contar a Hinata sobre sua condição, ela era uma boa pessoa e talvez continuasse sua amiga.

Mas o que mais o preocupava era a situação com Kiba e seu grupo, Hinata não iria perdoá-lo quando soubesse sobre isso especificamente, na verdade ele também não se achava no direito de receber o perdão de ninguém.

Resolveu que iria para casa, ficar na escola não estava o ajudando a pensar. Iria ligar para seus pais pedindo para vir buscá-lo e a tarde conversaria com a única pessoa que não iria julgá-lo: Itachi.

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Sasuke chegou a casa e estranhou não haver ninguém lá, mas não deu muita importância a isso e subiu direto para o quarto. Lá chegando jogou sua bolsa sobre a cama, só que ela estava aberta e tudo que estava dentro acabou caindo no chão.

- Merda!

Começou a recolher tudo, quando olhou em baixo da cama para ver se alguma coisa tinha caído lá, viu um envelope e o pegou. Franziu o cenho, ao perceber que não havia destinatário ou remetente, se fosse alguma das cartas que recebia de meninas estaria com perfume e seu nome escrito, mas era apenas um envelope em branco.

- Claro! – Exclamou ao lembrar-se, era a carta que havia encontrado no vestiário!

Achava que já tinha ido para o lixo, afinal fazia bastante tempo. Decidiu abri-la, afinal não tinha como ele saber de quem era a carta sem ler.

Notas finais
Gostaram?
E agora o que Sasuke fará ao ler a carta?
Naruto irá se entregar?
O Próximo capítulo virá rápido?
Eu só consigo fazer perguntas?
Reviews?
Ok, parei!
Até a próxima, beijos beijos.