As Três Faces do Medo.

29 Capítulo 28: O Início do Fim


Notas iniciais
Olá pessoas! Como estão? Bem? Mal? "Marromeno"? É o seguinte... Viram o título? Pois é, pois é... Fic, finalmente, entrando na reta final... Terá, aproximadamente, mais 2 capítulos e o epílogo! Quero dedicar esse capítulo a Nick_Uzumaki! Esse é pra vc! *.* Enfim... Capítulo não betado e amanhã responderei aos comentários do anterior! :) Enjoy...

Ao despertar naquele hospital sentindo a cabeça pesada, a boca seca e vendo tudo embaçado, Minato pensou que estava com uma grave ressaca. No entanto, esta ideia morreu quando se deparou com a figura desorganizada de Kushina seguida de uma equipe usando roupas brancas e cheirando a álcool.

Sua consciência foi retornando aos poucos e junto dela as lembranças de como havia parado naquele lugar; então ele assustou os enfermeiros ao gritar desesperadamente por seu filho. Os profissionais o imobilizaram e lhe aplicaram um calmante, mas nem isso o fez parar de chamar por Naruto; foi então que, ao perceber alguns olhares de pesar, ele entendeu que seu filho não estava ali. Onde Naruto estaria? Sasuke também estava perdido? Eles estavam vivos? Mortos?

As questões rodeavam confusamente sua mente entorpecida pelo medicamento e isso o fazia sentir-se letárgico e impotente. Além disso, as visitas foram momentaneamente proibidas para ele evitar o estresse e Minato não pôde saber o que estava acontecendo exatamente.

Um enfermeiro entrou no quarto e foi até ele, ajudou-o a se sentar no leito e lhe entregou um copo com água. Cada ação sendo acompanhada de uma conversava fiada e desinteressante para Minato. Logo o homem saiu e o Namikaze, pela primeira vez desde que tinha acordado, percebeu a presença inconsciente de Itachi ao seu lado.

Fitou longamente o jovem médico e sentiu o coração pesar. Itachi era jovem e tinha um futuro promissor, olhando criteriosamente para sua atual situação, Minato tinha a certeza de que ele acordaria em breve e se recuperaria. Aquilo seria ótimo, mas será que tudo ficaria realmente bem? Ele sabia que se algo acontecesse à Sasuke, Itachi nunca mais seria o mesmo.

Soltou um suspiro cansado e, bem devagar, foi deitando-se novamente. Estava com tanto sono. Como poderia continuar dessa maneira se havia dormido por tanto tempo? Minato rapidamente foi levado para um sono sem sonhos e, por isso, não viu seu companheiro de quarto despertar.

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Mikoto estava sentada ao lado de Kushina e sorria minimante para a, agora, amiga. A ruiva estava dividida entre chorar copiosamente e rir histericamente, os olhos claros brilhavam em puro alivio e isso fazia parte da angustia da morena recuar. Aquela curta, porém intensa, convivência havia deixado-as próximas o suficiente para que conseguissem partilhar toda pequena emoção.

— Ele acordou, Mikoto — Kushina repetiu pela enésima vez.

— Eu sei Kushina e isso é ótimo, agora se acalme — Mikoto respondeu brandamente e segurou as mãos da ruiva entre as suas.

— Eu estou tentando, mas não consigo — admitiu em seu típico tom potente. — Ele acordou após saber da notícia.

— Certo, eu sei disso também — afirmou a Uchiha e lançou um rápido olhar ao redor, verificando se havia realmente apenas elas naquela sala de espera.

Os outros estavam espalhados pelo hospital, Shisui estava com Yahiko só para ter certeza de que o hospital estava realmente seguro; Tsunade e Jiraiya haviam, após muita insistência, ido para casa descansar; Nagato e Shizune estavam em algum lugar do prédio, acompanhando a análise dos exames que haviam sido feitos há pouco no Namikaze.

— Você vai contar qual é a notícia? — Mikoto perguntou suavemente.

Kushina comprimiu os lábios em nervosismo e apertou as mãos pálidas que seguravam as suas de maneira delicada.

— Claro que sim — afirmou um tanto hesitante. — Eu…

A Uzumaki foi interrompida pela súbita entrada de Shisui, que as encarava com um enorme sorriso e os olhos repletos de lágrimas.

— Itachi acordou — anunciou trêmulo de emoção.

Mikoto prontamente se colocou em pé e praticamente correu até o quarto de seu primogênito, sendo seguida de perto por Kushina e Shisui. Eles chegaram ofegantes a porta branca e viram Nagato parado diante desta; o ruivo abriu um pequeno sorriso e deu passagem a morena. A Uchiha entrou no quarto e a primeira coisa que viu foram os olhos escuros de seu filho, ela abriu um sorriso enquanto lágrimas escorreriam livremente por seu rosto.

— Itachi — ela murmurou e avançou até o filho, segurando-lhe uma das mãos. Seu peito preencheu-se de alívio quando seu aperto foi retribuído.

— Oi, mãe — Itachi saudou roucamente e piscou de maneira lenta.

— Finalmente você acordou. — Ela sentou-se na cadeira ao lado do leito dele.

— Onde está Sasuke? — perguntou baixo.

Mikoto suspirou e soube que não poderia esconder o que estava acontecendo, sua tensão só aumentou quando viu Minato abrir os olhos e fitá-la silenciosamente, questionando-a com o olhar.

— A policia está procurando por Naruto e Sasuke… — começou falando calmamente e passou a narrar os últimos acontecimentos.

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Obito estava furioso e andando de um lado a outro da grande sala de estar da Mansão Uchiha. Havia sido orientado por Ibiki a manter sempre alguém nas residências, – tanto Uchiha quanto Uzumaki, que no caso havia ficado sob-responsabilidade de Konan e Mei e supervisão do detetive Yamato –, junto dele estava Deidara, Sasori e Darui.

— Acalme-se, Obito — Sasori repetiu pela décima vez.

— Estou calmo, mas não consigo raciocinar parado — Obito respondeu ríspido também pela décima vez.

— Você está fazendo isso há trinta minutos e tudo que conseguiu foi nos deixar irritados. Pare. — Darui disse em tom entediado, mas seus olhos escuros brilharam furiosos em direção ao Uchiha, que obedeceu ao comando.

— Isso mesmo, um — Deidara concordou com um aceno, mas estava com os olhos voltados para o notebook que estava pousado em seu colo. Relia atentamente os dados relacionados às buscas tentando achar outra pista. — O que deixamos passar?

— Não existe nenhuma outra propriedade Uchiha, procuramos até naquelas que, tecnicamente, não existem — Sasori passou as mãos sobre os cabelos.

— Madara fez negociações com algumas pessoas desde o seu retorno — Deidara refletiu e encarou Obito, que havia parado de andar e estava jogado em uma das poltronas existentes na sala.

— Verificamos cada uma destas pessoas e não encontramos pista alguma — Darui pontuou e suspirou.

Obito balançou a cabeça em negativa e quando estava prestes a se levantar para começar outra caminhada sem fundamento, seu celular tocou. Rapidamente pegou o aparelho.

— Alô?

— Obito, eu recebi uma ligação com uma pista — Fugaku falou severo.

— Vou colocar no viva-voz — Obito anunciou e acionou o viva-voz, todos na sala voltaram-se para ele. — Pode falar Fugaku.

— Alguém me ligou e disse exatamente estas palavras “o soldado lhe alugou seu antigo lar” — Obito arregalou os olhos e sentiu-se estúpido. — Você com certeza sabe o que significa.

— Meu Deus, Fugaku! Como não pensamos nisto antes? — Obito falou indignado. — Estava na nossa cara o tempo todo.

— Isso não importa agora. Preciso que você verifique quem é o tal soldado e porque ele não foi a polícia comunicar que tinha alugado aquele lugar para Madara.

— Ele não pode simplesmente alugar aquele lugar! O terreno pertence ao exército agora! — Obito exclamou furioso, fazendo os outros franzirem o cenho em confusão.

— Exato! Por isso temos que saber com quem ele negociou e tratar de arrancar tudo daquele que fez isso! — Fugaku ditou em tom ameaçador. — Para conseguir algo assim ele deve ter uma alta patente, quero que ele perca tudo.

­— Não podemos acusar uma pessoa desta forma, Fugaku-sama — Darui apontou calmamente. — Nem mesmo sabemos se Madara está neste tal lugar.

— Não há outra possibilidade, Darui-san — Fugaku argumentou. — Se os garotos não estiverem naquele lugar, então estão mortos e enterrados — sentenciou de maneira fúnebre.

— Não diga coisas assim, um — Deidara rebateu indignado. — Nós vamos encontrar aquele desgraçado antes que ele tome outra vida — concluiu com convicção.

— É o que eu espero — Fugaku concluiu.

— Onde você esta, Fugaku-sama? — Sasori indagou, mas já desconfiava da resposta.

— Estou indo para lá — o Uchiha respondeu sem hesitar.

— Você não pode ir até Madara sem ajuda — Obito falou quase desesperado.

— Não se preocupe, Obito, não farei nada tolo e trate de avisar a polícia — Fugaku usou seu típico tom autoritário. — Aguardarei a ajuda lá e diga a polícia para não fazer estardalhaço, Madara pode acabar matando os meninos se souber que foi descoberto — encerrou a ligação.

— Idiota! — Obito teve ímpeto de lançar o aparelho longe, mas se controlou. O idiota do Fugaku adorava dar ordens. — Vamos fazer o que ele disse — disse em tom controlado.

— Você vai nos dizer que lugar é esse? — Darui questionou de braços cruzados.

— Como já expliquei anteriormente: após a tragédia Madara foi levado para morar com minha família, naquela época ele ficou muito próximo da minha irmã e mudou-se após ela aceitar o casamento arranjado — Obito ressaltou. — Pouco depois que Mikoto casou-se com Fugaku, o terreno onde a nossa casa ficava foi cedido ao exército.

— Por quê? — Deidara indagou.

— O terreno já ficava próximo a uma área de treinamento, portanto deve ter existido uma série de subacordos entre a “velharada” do conselho e o responsável por aquela área. Eu realmente não sei o que fundamentou a negociação. — Obito deu de ombros.

— A casa ainda existe? — Darui perguntou com o cenho franzido e a mão no queixo.

— Por incrível que pareça, sim — o moreno assentiu.

— Certo — o agente assentiu e se levantou. — Temos que avisar Ibiki, ele deverá mandar uma equipe ao local.

— Como Madara conseguiu isso? Esconder-se da polícia em um local que pertence àqueles que deveriam servir o país — Deidara pareceu horrorizado. — Isso é surreal.

— Provavelmente o local nunca pertenceu ao exército — Darui deu um pequeno sorriso de lado. — Madara tinha o conselho na palma da mão e, provavelmente, deveria carregar alguma informação comprometedora sobre o tal responsável.

— Ele planejou isso desde aquela época? — Sasori enrugou as sobrancelhas.

— Aquela casa representa o recomeço para Madara, ele provavelmente iria querer levar “Izuna” — Darui fez aspas com os dedos. — Para o local aonde foi acolhido.

— Estava bem no meu nariz e eu não enxerguei — Obito trincou os dentes.

— Como Fugaku disse “isso não importa mais” — Darui colocou a mão sobre o ombro dele. — Agora temos que correr e pegá-lo.

— Certo — Obito assentiu. — Vou relatar tudo a Ibiki — pegou o aparelho celular e discou.

— Enquanto vamos direto para o local, certo? — Deidara deu um sorriso.

— É claro, não podemos perder tempo — retribuiu o sorriso.

Logo os quatro estavam a caminho do local, enquanto Obito relatava a Ibiki tudo que havia descoberto.

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Kyuubi olhava ao redor se sentindo frustrado e extremamente irritado; estava em uma ampla sala onde havia várias estantes vazias, antigamente estas estantes deveriam ter estado repletas de livros. Ele tinha percorrido diversas salas e corredores, forçado portas e janelas, mas todas as saídas daquele lado da casa haviam sido lacradas com placas de aço. Um estranho desespero começou a crescer dentro dele. E se todas as passagens tivessem sido fechadas? Como salvaria Sasuke?

Mordeu o lábio inferior com força e balançou a cabeça em negativa, recusando-se a pensar naquele monte de merdas. Iria salvar Sasuke e ponto, não havia outra opção. Respirou fundo e voltou-se para o local de onde tinha vindo, teria que passar pela ala central da casa, onde ficava o “quarto” em que ficaram presos, e seguir para a outra ala.

Ajeitou melhor o moreno que estava em seus braços, ignorando completamente o cansaço de seu corpo, e seguiu pelo caminho que havia traçado. Passou rapidamente pelos ambientes de janelas lacradas e pelo principal corredor que levava àquele quarto, mas estacou ao adentrar uma grande sala circular.

Sentiu uma estranha vertigem e um cheiro de madeira queimando, seus olhos arderam e ele abaixou-se, evitando derrubar Sasuke. Assim que seus joelhos tocaram o chão, ele deixou parte do corpo do Uchiha ficar apoiado no piso acabado.

— Oh merda — sussurrou sem esconder o pânico. — Naruto você vai ter que tirá-lo daqui, antes que seja tarde — murmurou levantando a cabeça e vendo uma fumaça acinzentada chegar ao grande salão. A fumaça vinha da única porta que levava ao lado oposto ao que tinha vindo.

Kyuubi piscou lentamente e voltou seus olhos para Sasuke, abaixou a cabeça até tocar com os lábios a testa manchada de sangue do garoto e depois deu um sorriso pequeno.

— Você vai ter que ficar bem, seu pirralho cretino — sussurrou antes de entregar-se a escuridão.

Quando o loiro voltou a abrir os olhos, poucos segundos depois de tê-los fechado, eles brilhavam em determinação. Voltou a colocar-se de pé um tanto trêmulo, ajeitou Sasuke em seu colo e seguiu para fora daquele lugar. Com certeza, em circunstâncias normais, não conseguiria carregá-lo, mas Naruto estava sendo impulsionado pelo medo. Medo de vê-lo morrer, medo de perdê-lo.

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Madara caminhava lentamente pelo andar superior da casa, passou por seu antigo quarto, pelo que pertenceu a Mikoto, aos pais desta e até por aquele que abrigou o pirralho irritante do Obito. Sorriu quase nostálgico ao ver que os antigos móveis de madeira estavam ali, ressecados pelo tempo e perfeitos para seu objetivo.

Por onde passava deixava um rastro de álcool, ele poderia ter escolhido a gasolina ou qualquer outro líquido inflamável, mas o álcool havia sido o causador de tudo aquilo e seria ele a terminar com tudo. O álcool o ajudaria a purificar a alma asquerosa que tentava tirar Izuna de si.

Parou no final daquele amplo corredor, próximo à escada, pegou uma pequena caixa de fósforos que estava em seu bolso, ascendeu três deles e jogou no chão. Sorriu satisfeito ao ver as chamas seguirem o rastro que havia deixado, então desceu lentamente as escadas. Havia criado outros focos de incêndio e este fora o último, por isso caminhou em direção a única saída não lacrada da casa e abriu a porta. Aquilo o atrairia para sua armadilha.

Teria Izuna de volta e tudo finalmente acabaria.

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Naruto havia passado por diversas salas e, para seu desespero, a cada distância vencida sentia o calor aumentar, chegando a tornar-se quase infernal, além disso, escutava os estalos altos típicos de madeira queimando e às vezes tinha que desviar de uma ou outra lasca em chamas que despencava do teto.

Toda a pele exposta estava ficando úmida de suor e manchada de fuligem, a dificuldade para respirar crescia cada vez mais, seu nariz e peito ardiam toda vez que inspirava, mas nada disso abalava sua determinação em continuar. A casa estava se consumindo em chamas, as labaredas já alcançavam o teto e a fumaça negra praticamente ofuscava toda sua visão, mas ele não iria desistir. Precisava tirar Sasuke dali, precisava salvá-lo e o salvaria nem que tivesse que morrer no processo.

O Uchiha ainda estava desacordado em seu colo e o Uzumaki evitava olhar muito para ele. Não suportou ver os hematomas enormes espalhados por sua pele, um dos ombros em um ângulo anormal, os braços deformados por cortes profundos, o nariz inchado e torto. Aquilo acabou com Naruto, pois ele deveria ter sido mais forte, deveria ter impedido que as coisas chegassem àquele ponto.

Escutou um estalo e em seguida uma viga de madeira despencou há poucos metros de distância. Começou a andar mais rápido. Seus olhos ardiam e começava a sentir seus músculos se fadigarem devido ao grande esforço que fazia, mas não iria desistir.

Forçou-se a continuar andando, a encontrar uma saída e quase suspirou de alivio quando viu uma porta aberta, nem estava se importando com a estranheza do fato, só queria tirar Sasuke daquele lugar. Aos tropeços chegou até ela, mas antes de pisar fora uma mão puxou agarrou-se a seus cabelos e os puxou com força.

Naruto ofegou e arregalou os olhos ao ouvir o rosnado insano de Madara. Ele o segurava em um aperto de ferro, então tudo que pode fazer foi praticamente jogar Sasuke porta a fora, torcendo para ele estar bem.

Deixou-se ser puxado...

Deu um sorriso pequeno e se virou para o homem que tinha o rosto manchado de sangue, sangue que ele mesmo havia arrancado dele. Os longuíssimos cabelos pareciam voar ao seu redor, dando-lhe um ar espectral e assustador. Percebeu que Madara, em um primeiro momento, lhe encarou com o mais puro ódio, mas ao ver seu sorriso o olhar dele tornou-se vidrado, nostálgico... Insano.

Naquele instante Naruto entendeu o quanto eles eram parecidos. Suas almas estavam despedaçadas e, por isso, eles iriam morrer juntos... Esse era o destino deles...

— Seu sorriso — Madara murmurou tocando suavemente o rosto marcado do adolescente. — Seu sorriso é o mais belo de todos, Izuna. Não o tire de mim, seu sorriso é meu – apesar da frase incoerente e a aparência alienada, seu tom era calmo, quase suplicante.

O loiro esticou mais os lábios no melhor sorriso possível, o sorriso de Izuna, mas não pôde evitar que lagrimas escorressem de seus olhos. Lembrava-se perfeitamente de quando Madara o chamava de Izuna e quando comparava seus sorrisos.

— Nii-san — Naruto chamou em tom suave e infantil, piscando para evitar que as lágrimas embaçassem sua visão. — Nós vamos ficar juntos pra sempre, não é? — Indagou aproximando-se mais do homem e o abraçou com força. Madara tinha que ficar ali.

— Sim, otouto. Juntos! — Confirmou convicto e retribuiu o abraço. Madara não percebeu que o adolescente o empurrava em direção ao meio do incêndio. O fogo parecia abrir caminho para que eles pudessem chegar ao centro do lugar. A casa que representava o recomeço de Uchiha Madara, lar de muitas histórias... Local perfeito para ser sua sepultura.

Madara fechou os olhos e a imagem de um pequeno garoto moreno dono de um estonteante sorriso estava cravado em sua retina, estreitou mais os braços ao redor do loiro. Já o adolescente sentiu o ar pesar cada vez mais e o calor ficar insuportável; ele cerrou os olhos e se viu diante de Kyuubi e Naru, que lhe sorriam cada um de seu jeito. Logo atrás deles estavam todos aqueles a quem amava... Um soluço escapou por seus lábios e ele usou o que restava de seu fôlego para chorar.

Os segundos pareciam horas dentro daquele inferno, mas os dois não estavam se importando com as labaredas que estavam cada vez mais fortes e mais próximas. Não se importavam com o rangido ameaçador que indicava que a antiga e imponente construção poderia cair a qualquer momento.

As consciências de ambos se esvaíram e os corpos foram ao chão, caindo próximos um do outro.

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Sasuke despertou ao sentir o corpo chocar dolorosamente contra o chão e o espanto apenas aumentou ao sentir mãos ágeis, mas cuidadosas o içarem e afastarem da casa em chamas. Nem reparou na pessoa que o carregava, sua atenção estava focada em Naruto.

Queria gritar para voltarem para lá, Naruto ainda estava na mansão com aquele louco. Mas da sua garganta nenhum som saía, apenas grunhidos desconexos e gemidos de dor. Não conseguia se debater, pois seus membros estavam fadigados pela dor, então apenas conseguia manter o olhar desfocado e desesperado na construção que era engolida pelas labaredas.

— Segure-o. Vou entrar e buscar o garoto Uzumaki. – Aquela voz... O moreno virou lentamente a cabeça para visualizar o rosto de quem o carregava, na verdade, o entregava cuidadosamente para outra pessoa.

— Espere a polícia chegar ou então me deixe ir Fugaku! — O protesto veio imediatamente, mesmo que o mais alto tenha prontamente segurado Sasuke.

— Não, Kagami! Eu vou e trarei aquele garoto de volta... Eu vi o que ele fez e é minha obrigação salvá-lo. — Fugaku disse se afastando, não dando mais brecha para qualquer protesto.

— Pai... — Sasuke falou em um fiapo de voz, nenhum dos dois homens conseguiu escutá-lo.

Sasuke acompanhou, com olhar torpe, os passos de seu genitor, viu o grande monstro de concreto, madeira e fogo, engoli-lo e um intenso desespero o dominou. Debateu-se sem saber de onde tirou forças, até que conseguiu chegar ao chão. Tentou avançar para a mansão, mas as mãos de Kagami o seguraram, tentou se soltar, mas suas pernas não caminhavam mais.

Caiu de joelhos e olhou o fogo subir cada vez mais, parecia que aquilo não tinha limites, parecia que jamais teria fim. Percebeu que o mais velho se ajoelhava ao seu lado, mas também tinha os olhos presos a casa.

Ambos torciam para que Fugaku voltasse a aparecer, para que ele saísse cambaleando com Naruto em seus ombros, mas os segundos se transformaram em um minuto e dois. Até que os vidros da casa se estilhaçaram e o som de uma alta explosão reverberou por quilômetros de distancia.

Kagami e Sasuke foram arrastados pela onda de choque e caíram metros longe de onde estavam.

— Não... — O adolescente tentou se arrastar para onde estava seu pai, para onde estava Naruto. — Não... — Os olhos estavam vidrados no monstro de calor, não percebia mais nada ao redor. — Não, por favor... Não...

Um rangido soou ainda mais alto e metade da mansão desmoronou, fazendo com que uma nuvem de poeira, cinzas e fumaça cobrissem todo o local. Sasuke sentiu o ar faltar, seus olhos arderam e tudo escureceu. Sua cabeça caiu pesadamente contra o chão.

Kagami caminhou perdido em busca do adolescente, não queria se deixar levar pelo desespero de toda aquela situação. Quando aquele inferno iria acabar? Assim que encontrou Sasuke desmaiado o som de várias sirenes chegaram até ele. Agarrou o corpo maltratado e tentou levá-lo para longe de toda aquela nuvem tóxica.

Logo policiais e socorristas chegaram até eles e a mente de Kagami tornou-se nublada depois disso. Talvez fosse a quantidade de fumaça que tivesse inalado ou o fato de seu grande amigo não ter voltado.

Notas finais
Olá outra vez! E então? O que acharam? Assustador? Triste? Alguém vai ameaçar a autora por ter feito tal atrocidade com os protagonistas? Naruto e Fugaku irão ficar bem? Quem cedeu o terreno ao vilão do mal? Qualquer que seja a opinião, crítica ou dúvida, não deixem de comentar! :) Beijos Beijos e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.