As Três Faces do Medo.

21 Capítulo 20: Encontro!


Notas iniciais
Olá pessoas, como estão?
É... Esse capítulo também veio rapidinho!
AVISO NECESSÁRIO:
Minha história é bastante ocidentalizada (isso é bem óbvio), eu só trago alguns conceitos da cultura japonesa e os misturo com partes da cultura ocidental (que é a que eu tenho contato direto e por isso consigo escrever melhor assim). É por isso que não escrevo histórias que se passam no Japão e sim uso mais ou menos a geografia de Naruto e construo uma cultura própria para a realidade criada!
Expliquei tudo isso para dizer que aqui na história as férias escolares seguem o padrão brasileiro, ou seja, o mês de férias é Julho! o/
Isso é importante saber! Hehehehe
É isso!

Obrigada a quem comentou! Apareceram algumas carinhas novas, senti falta de outras carinhas, mas tudo bem! :) Agradeço os novos acompanhamentos e novos favoritos! :)

Vamos ao capítulo!

O moreno estava deitado na cama, usava fones de ouvido e tinha um livro nas mãos. Havia se passado uma semana desde que seu suplicio começara, agora estava ali, em uma segunda-fera a tarde trancado em casa e com os empregados como companhia – mesmo eles não interagindo muito com ele, era melhor do que estar sozinho -, seu pai tinha ido para a empresa e sua mãe estava por ai fazendo trabalhos filantrópicos.

Esse tempo foi o suficiente para organizar suas ideias e a conversa que tinha tido com o irmão o havia ajudado nisso. Não adiantava se culpar pelo que seu tio havia feito, não tinha como mudar o que havia acontecido, mas poderia construir algo com o que tinha agora.

O que ele tinha?

Tinha a certeza de estar apaixonado por Naruto e isso, mais do que qualquer coisa, o tinha levado a aceitar a atitude de Kyuubi e até as peripécias de Naru. Amor? Ainda não poderia dizer que era algo tão profundo, mas poderia ser um dia.

Ainda se sentia livre perto do outro, ainda tinha aquela sensação de poder ser e fazer qualquer coisa quando estava com ele. Era algo que trazia desde a infância? Com certeza, mas já se sentia assim antes de descobrir quem era Naruto.

Agora só esperava ansiosamente ter noticias do loiro, havia mandado alguns emails e até mensagens no celular, mas o outro não tinha respondido. Será que não queria falar com ele?

Assim que teve esse pensamento a música que tocava foi interrompida e substituída por um toque monofônico. Aquele som indicava uma mensagem recebida. Rapidamente deixou o livro de lado e pegou o celular...

“Oi, Sasuke. Desculpe não ter respondido antes... Eu ‘to bem sim e vc como tá?”

O coração do Uchiha disparou ao ler a mensagem e um sorriso nasceu em seu rosto, havia esperado tanto para receber qualquer notícia e agora se sentia até um tanto patético por reagir de um modo tão diferente do seu normal.

Primeiramente pensou em responder a mensagem, mas logo descartou a ideia. Pausou a música, retirou os fones do aparelho celular e discou para o loiro. Precisava ouvir que ele estava bem.

- Alô... – A voz baixa soou logo após o segundo toque, só naquele momento o moreno percebeu o quanto tinha sentido falta daquele tom suave. – Sasuke?

­- Oi... – Quase sussurrou. Uma risada baixa chegou até ele.

- Oi. – Mais silêncio. Sasuke não tinha ideia do que falar. – Não diga que você ligou pra falar “oi”, Sasuke. – Não era um tom de repreensão.

- É que eu não sei bem o que falar. – Nem hesitou em admitir.

- Nós temos muito que conversar. – A seriedade do outro o fez se endireitar.

- Eu sei...

- Mas não acho que seja bom conversarmos por telefone.

- Vou ficar em cárcere privado por um mês. – Disse com um, quase imperceptível, tom de divertimento. Jamais pronunciaria que estava “de castigo”, não achava ter mais idade pra algo assim.

- Está de castigo? – Mas Naruto parecia não pensar da mesma forma.

- Meu pai me proibiu de sair no mês de férias por ter desobedecido, fugido de casa e passado uma noite fora sem dar notícias. – Explicou em tom neutro.

- Desculpe por isso... – O moreno quase pode enxergar os olhos azuis brilhando com culpa.

- Foi uma decisão minha e não me arrependo dela. Não tem nada pra você desculpar.

- Mesmo assim, foi por minha cul...

- Não foi! – Rebateu em tom inflexível. – Eu fiz o que tinha que fazer e ponto.

- Tudo bem. ­­- Suspirou. ­– Então obrigado por ter ido me buscar.

- Ok... – Queria dizer que não precisava de agradecimento, mas sabia que isso poderia magoá-lo.

O silencio caiu sobre eles novamente, apenas as respirações calmas eram escutadas, foi o loiro quem tornou a falar:

- Tem uma coisa que preciso saber e acho que pelo menos isso você pode me contar por telefone...

Pela mente de Sasuke passou todas as possíveis coisas que Naruto poderia querer saber. As cenas dele com Kyuubi se fixaram diante de seus olhos e seu rosto pareceu esquentar. Respirou fundo.

- Pode falar. – Tentou soar o mais calmo possível.

- Preciso saber como você descobriu meu segredo.

O moreno soltou o ar que ele nem sabia que estava prendendo...

- No dia em que você teve aquele problema com o Kiba... – Calmamente narrou tudo que o levou a encontrar e ler a carta, da mesma forma que havia feito com Itachi.

­- Então... – A voz do loiro falhou e Sasuke o escutou respirar profundamente. – A carta estava com você esse tempo todo... Foi depois de ler que você quis se aproximar de mim?

- Foi depois de ler que eu decidi me aproximar de você. Meu pai não queria que eu tivesse qualquer tipo de relação com você, depois que eu li a carta pensei que fosse por preconceito dele. – Fez uma curta pausa. – Então resolvi ir contra a ordem dele e segui minha vontade.

- Você acha que seu pai sabe sobre mim? – Pareceu receoso.

- Eu acho que sim, mas não se preocupe com isso. Ele não vai fazer algo que te prejudique... – Soltou um riso amargo. – Ele não arriscaria o precioso nome Uchiha.

- Entendo... É... – Hesitou. — Mesmo depois de ler a carta e conhecer aqueles dois, você não está com medo ou me achando uma aberração?

- Não. – Disse confiante. – Mas não vou negar que Kyuubi tem uma presença... Er... Marcante. – Levou a mão ao pescoço, onde ainda havia uma mancha clara e um pequeno machucado.

- Ainda tenho muitas coisas pra falar com você e isso significa também saber como você convenceu Kyuubi. – O tom do loiro ainda permanecia suave como o de costume, mas aquilo havia soado como uma ordem para o Uchiha.

- Hm... – Ainda temia a reação do loiro. – Como você sabe que eu o convenci?

- Se ele não quisesse voltar, hoje eu já estaria bem longe de Konoha. – Murmurou. — Ele te machucou?

­- Não.

- Ainda bem. – Era impressão dele ou havia uma leve desconfiança no tom do outro. – Sasuke eu tenho que desligar...

­- Tudo bem...

- Posso te ligar depois? – O moreno abriu um pequeno sorriso.

- Claro que sim.

- Certo... Então até depois.

­- Até... – A ligação foi encerrada e o rapaz ficou um tempo encarando o celular. – “Será que ainda tenho alguma chance?”

**********//////********

Naruto estava sentado no chão da sala, encostado ao sofá, seus pais não estavam em casa. O garoto segurava o celular, enquanto fitava pensativamente uma página do caderno negro. Ali havia um pequeno texto, escrito em uma letra desleixada:

“ Na-ru-to-kun! Yoo... Sou eu o Naru!

Quanto tempo desde a última vez que deixei uma mensagem, né? Hehe... Muito legal esse seu caderno, tem coisas bem interessantes. Então você anda sonhando com o Sasuke, dattebayo? E tendo outros sonhos meio estranhos também... Bem esquisitões!

Bom... Não ligo muito, ttebayo!

Resolvi escrever numa página qualquer, será que você demorou muito pra encontrar? Espero que não!

Eu queria dizer que conheci o Sasuke... Ele é um cara bem legal e parece te considerar muito. No caminho pra Konoha conversamos um pouco sobre você... Vocês estudam juntos e tudo mais... Legal, dattebayo!

Quando eu acordei (lá no nosso lugar não tão secreto), vi que ele tinha alguns machucados e manchas estranhas no corpo... Acho que Kyuubi aprontou das dele, mas o cara pareceu não se importar com isso... Só quero dizer que ele ficou estranho quando perguntei e resolvi deixar pra lá (não é problema meu)... Mas espero que isso não te traga problemas, dattebayo.

Ele até foi legal comigo, então não acho que ele tem medo e tudo mais, mas é bom ter certeza, dattebayo! Um amigo nunca é demais, certo?

Até mais, Naruto-kun!

Boa sorte, dattebayo!”

Sasuke tinha dito que Kyuubi não o tinha machucado, mas ali Naru dizia que ele tinha machucados pelo corpo. Porém o Uchiha não tinha mostrado qualquer sinal de medo ou repulsa ao conversar com ele pelo telefone.

Suspirou...

Teria que esperar o castigo dele acabar para conversarem pessoalmente, saber o que tinha acontecido na Vila das Fontes Termais, o tal “lugar não tão secreto”.

Mas isso não iria impedi-lo de continuar conversando com o Uchiha de algum jeito, a amizade deles até poderia continuar da forma que estava antes... Antes... Tocou os próprios lábios e fechou os olhos, lembrando-se do beijo.

- “Eu acho que gosto de você.” – Abriu os olhos e fitou a televisão desligada. – “Será que ele ainda sente isso?”

**********/////**********

O mês se passou sem grandes novidades. Naruto passou grande parte de seus dias com seus melhores amigos, incluindo Hinata, e até conseguiram aproveitar bem as férias. Durante esse tempo conversou todos os dias com o caçula Uchiha, por mensagem, pela internet e algumas vezes por telefone.

Já Sasuke, mesmo trancado em casa, não conseguiu sentir-se completamente sozinho. Leu alguns livros, finalizou alguns jogos e, o mais importante, tinha as conversas diárias com Naruto. Não falaram sobre a fuga, a declaração e nem sobre o beijo, mas os assuntos banais serviram para que se sentisse ainda mais próximo do outro.

Além disso, não havia tido notícia alguma de Madara e homem não apareceu na mansão Uchiha nem uma vez, para o alivio de Sasuke, que não saberia o que fazer se ficasse frente a frente com o outro.

Agora ali estava ele, arrumando-se para o primeiro dia de aula, como sempre estava impecavelmente arrumado e adiantado, dificilmente se atrasava para qualquer compromisso. Foi em direção a sala de jantar, onde estariam servindo o café da manhã e lá encontrou seus pais.

- Bom dia, pai, mãe... – Foi até a mulher de cabelos negros e beijou delicadamente sua testa.

- Bom dia, filho. – Mikoto sorriu docemente para o jovem.

Após Sasuke acomodar-se em seu lugar e deixar a bolsa no chão ao lado da cadeira, Fugaku voltou sua atenção para ele. Os olhos de brilho neutro, mas opressor cravaram-se no mais jovem.

- Agora que você passou esse mês trancado, espero que tenha aprendido a não ir contra uma ordem minha. – Seu tom era calmo e constante. O jovem parou de se servir e o encarou. – Não o quero perto do garoto Uzumaki.

Antes que o adolescente pudesse responder qualquer coisa, uma voz suave como seda cortou o silêncio incomodo que havia caído no ambiente.

- Ele ficará perto de quem quiser, querido. – A matriarca Uchiha sorriu minimamente para o marido. – Sasuke já tem idade suficiente para escolher com quem deve e não deve andar, além disso, Naruto-kun parece um jovem encantador.

- Mikoto... – Começou em tom sibilado.

- Fugaku... – O encarou seriamente, uma fina sobrancelha erguida e o olhar gélido. Sasuke jamais a tinha visto daquela forma. – Enquanto você não me apresentar argumentos válidos eu não irei voltar atrás, então Sasuke poderá continuar sua amizade com o jovem Uzumaki e ponto.

- O fato de o nosso filho ter fugido para ir atrás dele não é argumento suficiente? – Apesar da pergunta, a voz não tinha aquela altivez típica.

- Isso foi um erro do Sasuke e não do Naruto-kun. – Virou-se para o filho e sorriu com ternura. – Tenho certeza que ele não irá cometer esse erro novamente. Não é mesmo, Sasu-kun?

- Sim, mãe! – Assentiu prontamente. As costas eretas e a postura tensa.

- Ótimo. – Seu olhar caiu novamente sobre o marido. – Não vou permitir que você o trate como um de seus subordinados, Fugaku. Sasuke é seu filho e não seu empregado.

O patriarca apenas voltou a prestar atenção ao seu café e agiu como se nada tivesse acontecido, Sasuke ainda estava estático e já não sentia mais fome. Quando se preparou para sair da mesa, a voz de sua mãe voltou a soar:

- Tome seu café, Sasuke. – O sorriso terno estava no rosto delicado, mas os olhos ainda estavam gelados.

- Tudo bem...

A família Uchiha ficou em silêncio pelo resto do tempo, até que cada um seguiu para seus compromissos diários. Obviamente Sasuke não saiu sem antes despedir-se corretamente da mãe com o costumeiro beijo na testa, afinal ela merecia mil desses pelo que havia feito.

**********/////*********

Os alunos do Instituto estavam mais agitados do que o normal, era sempre assim na volta às aulas. Por todos os cantos do prédio havia reencontros, novidades sendo contadas e adolescentes falando alto.

Naruto entrou sem chamar atenção, o que tinha ficado mais fácil depois de também ter, definitivamente, aposentado o casaco verde musgo e o cachecol quadriculado, agora só restavam as luvas. O loiro caminhou diretamente para o corredor dos armários. Assim que parou em frente ao que lhe pertencia, sentiu uma mão pousar em seu ombro e ficou tenso.

- Sou eu Naruto.

Aquela voz que lhe parecia sempre neutra, fez com que se acalmasse automaticamente. Então se virou sorrindo para o moreno de expressão calma, quando fitou aqueles olhos seu coração começou a bater mais rápido e uma estranha alegria encheu seu peito.

- Bom dia, Sasuke. – Apesar das emoções intensas, sua voz saiu normal.

- Bom dia. — O Uchiha deu um sorriso curto.

O silencio caiu sobre eles e ficaram apenas se encarando, um súbito constrangimento surgiu e a capacidade de falar caiu por terra. Era primeira vez que ficavam frente a frente desde o final de semana conturbado. Quando resolveram falar, foi ao mesmo tempo e riram da situação...

- Pode falar primeiro. – O loiro disse e se virou em direção ao armário para pegar o material que iria usar. Isso ajudaria a não ficar encarando bobamente o moreno.

- Só iria dizer que... – O sinal tocou, fazendo os dois se assustarem. – É melhor irmos pra sala.

- É o Kakashi-sensei... Ele vai chegar atrasado, tenho certeza. – Fechou o armário, segurava um livro grosso nas mãos.

— Mesmo assim...

Ambos seguiram em silêncio em direção à sala e ignoraram o fato de serem os centros das atenções. Assim que chegaram se acomodaram lado a lado.

- Será que poderemos conversar hoje depois da aula? – O Uchiha indagou baixinho.

Haviam ficado tanto tempo sem falar, que o loiro se assustou ao escutar a pergunta.

- Já está em liberdade? – Soltou um riso leve ao ver o outro girar os olhos. – Podemos sim. Mas onde vamos conversar?

- Tem uma praça não muito longe daqui, acho que podemos ir até lá. – Deu de ombros.

- Tudo bem. – Assentiu e em seguida voltou sua atenção para Kakashi que entrou na sala com sua típica expressão de tédio.

- Desculpem o atraso, culpem o gato preto que atravessou meu caminho. – Alguns alunos gritaram indignados, fazendo o professor dar um sorriso divertido. – Espero que tenham aproveitado bem as férias, pois agora as coisas vão complicar ainda mais, afinal vocês estão ainda mais próximos dos vestibulares...

O grisalho seguiu com um discurso motivador sobre a nova fase de estudos. As outras aulas seguiram ritmos semelhantes e antes que os dois jovens pudessem perceber, já estavam rumo à praça do qual Sasuke tinha falado.

A praça era grande, tinha vários bancos, brinquedos e mesinhas feitas de concreto espalhadas por toda sua extensão. Árvores frondosas a enfeitavam belamente e os risos das crianças que brincavam por lá a deixava mais agradável.

Os jovens encaminharam-se para um banco de madeira que ficava estrategicamente entre duas árvores, o que permitia que fosse o local mais calmo e discreto da praça. As conversas banais que vinham tendo até aquele momento foram substituídas por uma quietude incomoda.

- Eu sei que você tem um monte de coisas pra me perguntar. – O moreno tentou soar relaxado, mas sua postura tensa o denunciava facilmente.

Naruto suspirou, lembrando-se do recado que Naru havia deixado, então se voltou para o Uchiha...

- Eu quero saber tudo que aconteceu na Vila das Fontes Termais. – Percebeu que a tensão do outro aumentou. – E, por favor, não minta e nem esconda nada.

- Eu não quero mentir e nem esconder nada, mas... – Passou a mão nos cabelos, em sinal de nervosismo. – Não sei por onde começar.

- Por que você decidiu ir atrás de mim? – Olhou as próprias mãos.

- Eu pensei que você tinha fugido por causa do que tinha acontecido entre nós...

Sasuke narrou tudo da forma mais calma e direta que conseguiu, não comentou nada sobre o passado de Itachi, mas não omitiu nada do que havia acontecido na pensão. Estava com medo da reação de Naruto, mas havia se proposto a encarar o que viesse.

Já o jovem Uzumaki ouviu tudo em silêncio, sua mente trabalhando freneticamente ao processar todas aquelas informações, enquanto uma mistura de sentimentos o preenchia. Ao final do relato sentiu-se até um tanto zonzo.

O silêncio caiu novamente sobre os dois adolescentes, o moreno estava de cabeça baixa, fitando as mãos pousadas em seu colo e o loiro parecia vidrado em um ponto qualquer a sua frente.

- Ele te forçou? Te machucou? – A voz rouca fez Sasuke levantar a cabeça, para encarar o perfil do loiro.

- Não. – Respondeu em um sussurro. – Eu aceitei e até retribui... — A última parte saiu quase inaudível.

Naruto balançou a cabeça assentindo, fez uma expressão pensativa e cruzou os braços, ainda sem encarar o Uchiha. Já o moreno faria qualquer coisa para saber o que estava se passando na cabeça dele.

- Isso é bom... Me sentiria péssimo se ele tivesse te forçado. — Aquele tom ameno estava incomodando profundamente o moreno. – Mas eu não entendo... – Franziu as sobrancelhas claras, fitando intensamente uma pequena pedra. – Ele nunca fez esse tipo de coisa com ninguém.

- O que? – A pergunta saiu gaguejada.

- No normal Kyuubi teria te esmurrado e expulsado da pensão sem hesitar. Ele nunca faz o que os outros sugerem, segue sempre suas próprias decisões e, principalmente – encarou o moreno, os olhos azuis livres de qualquer sentimento – ele não confia em ninguém. Mas confiou em você, tocou você e deixou-se ser tocado por você.

O jovem Uchiha esperava por qualquer coisa, julgamento, acusação, decepção, revolta... Tudo menos aquilo e tudo que conseguiu fazer foi ficar encarando o Uzumaki sem conseguir articular nenhuma palavra.

- O que isso significa? – O loiro murmurou pra si mesmo, então seus olhos brilharam em compreensão. – Ele... – Arregalou os olhos em direção ao Uchiha e ficou o olhando como se o redescobrisse.

Já incomodado com aquele olhar o moreno decidiu soltar logo o que o preocupava:

- Você está com raiva de mim? – Indagou de forma neutra e expressão séria, já esperando o pior. O receio fazendo-o ficar cego para as atitudes do Uzumaki.

- Hãn? – Piscou confuso e enrugou as sobrancelhas. – Com raiva?

- Sim. – Balançou a cabeça afirmativamente. – Por ter... Sabe... Feito aquilo com o Kyuubi.

Naruto inclinou a cabeça para o lado, as feições contraídas demonstrando concentração. Só naquele instante ele raciocinou sobre as ações de Sasuke e não de Kyuubi. Após alguns segundos pensando, sua expressão mudou, seu rosto adquiriu um leve tom avermelhando, enquanto os lábios e olhos abriam-se em espanto...

- Você... Você... – Olhou pra si e para o moreno várias vezes. – Você me tocou e viu as cicatrizes... – Constatou trêmulo.

- Hm. – Assentiu aparentemente calmo, mas completamente nervoso por dentro.

- Eu... Eu... – Apertou as mãos uma na outra. – Eu não sei como me sinto. – Resmungou, balançando a cabeça em negativa. – Eu ainda não sei se enxergo Kyuubi como outra pessoa ou como parte de mim. Agora só consigo ficar constrangido pelo que aconteceu e aflito por ter feito você passar por algo assim.

O Uchiha não conseguia acreditar, Naruto era uma pessoa única e que nunca correspondia as suas expectativas, sempre o surpreendia com sua atitude sincera e livre de pensamentos orgulhosos ou arrogantes.

- Sinceramente, esperei que você sentisse raiva. Eu achei que havia tomado uma atitude precipitada... Me deixei levar...

- Não precisa ficar se justificando. Eu consegui entender o que você fez e porque fez. – Deu um sorriso mínimo, mas seu rosto ainda estava tingido de rosa. – Você achou que era o melhor na hora...

- Mas... – O dono dos olhos azuis fez um sinal, pedindo silêncio.

O jovem com rosto de cicatrizes respirou fundo, parecendo criar coragem e logo começou a falar de forma calma:

- Quando eu estudava no internato todos os alunos, exceto Gaara e Juugo, tinham medo de mim, eles sentiam um terror tão profundo que abriam caminho para eu passar. Eu odiava aquilo, odiava despertar medo nas pessoas, como se fosse um monstro.

Os olhos azuis ficaram sem brilho...

– Já no instituto a maioria parecia me desprezar, como se eu fosse apenas um objeto de brincadeiras e chacotas. Junto da minha família eu me sinto bem, mas eles sempre temem o aparecimento do incontrolável e violento Kyuubi, até meus amigos mostram certo receio dele...

O Uchiha ponderou, lembrando-se da conversa que teve com Kyuubi e não pode deixar de dar certa razão aos temores dos familiares do loiro.

- Mas você foi até ele, conquistou sua confiança e também confiou nele. Confiou em mim. – O loiro deu um pequeno sorriso de lado ao ver a expressão confusa do companheiro. – Se não tivesse confiado nele, teria simplesmente fugido e desistido de qualquer aproximação comigo.

O moreno não tinha pensado por aquele ângulo, havia ficado tão focado em conquistar a confiança do outro que nem chegou a perceber em qual momento Kyuubi conseguiu a sua.

- Você foi a primeira pessoa que o fez mudar de ideia sobre algo. – Inclinou a cabeça para o lado e deu um sorriso um pouco maior do que os anteriores.

Sasuke sentiu-se desconcertado diante daquela expressão, naquele momento os olhos azuis não estavam envoltos em incertezas ou medos. Havia neles um brilho suave e caloroso que pareceu envolvê-lo, fazendo o coração do rapaz disparar e a certeza de estar apaixonado crescer ainda mais.

Ficou tão absorto em contemplação, que não percebeu os chamados do mais novo...

- Sasuke?

- Oi? – Piscou confuso e sentiu o rosto esquentar.

- Eu te perguntei sobre as cicatrizes. – O loiro tinha voltado a encarar um ponto aleatório no chão e sua voz transbordava receio.

O jovem moreno suspirou e tocou gentilmente o ombro do outro, fazendo-o encará-lo.

- Eu não me importo com elas. – Disse extremamente sério, olhando diretamente nos olhos azuis. Lentamente levou uma das mãos até o lado direto do rosto bronzeado, tocando gentilmente as cicatrizes finas daquela região. – Não me importo com nenhuma delas.

Os olhos azuis se arregalaram, como se diante dele estivesse uma pessoa com duas cabeças.

- Você é estranho... — Se afastou do toque.

- Hm. — Enrugou as sobrancelhas, desconfortável.

- Deve ser por isso que eles gostaram de você. — Fez uma expressão de carinho.

O silêncio voltou a cerca-los, mas desta vez sem nenhuma tensão. Os olhares estavam conectados, os jovens foram, inconscientemente, se aproximando e quando já estavam sentido as respirações misturarem-se:

- O que você disse no dia da festa ainda é verdade? — O sussurro do loiro estava marcado pela insegurança.

- Sim. — Respondeu também sussurrando, mas sem traço de hesitação.

- Mesmo depois de tudo que aconteceu?

- Hm. — Assentiu. — O que aconteceu me fez ter certeza do que sinto.

- E o que você sente?

- Eu estou apaixonado por você. — Não conteve o sorriso ladino ao ver a expressão chocada do outro.

- Eu... Er... — Se afastou desconcertado e então seu rosto se iluminou. — Ah... Eu quase me esqueci.

Abaixou-se para pegar a mochila que estava ao lado do banco e, sob o olhar levemente curioso do moreno, retirou um pequeno pacote quadrado.

- O Itachi-san me contou que você fez aniversário dia 23 do mês passado... E... Bom... Eu te comprei isso. — Estendeu o pequeno embrulho para o moreno. — Espero que você goste. — Feliz aniversário... Com muito atraso. — Sorriu envergonhado.

O jovem de olhos negros não conseguiu esconder a surpresa. Nem tinha imaginado que o loiro iria se preocupar com isso. Ele nunca disse sobre a data de seu aniversário, tinha achado desnecessário.

Sasuke percebeu que havia ficado um tempo encarando fixamente o pacote em suas mãos. Ainda sem dizer nada abriu calmamente o presente e se surpreendeu ainda mais ao encontrar um colar com pingente de falcão.

- Gostou? — O tom saiu incerto.

- Gostei sim... — Tirou o colar da pequena caixinha de tampa transparente e olhou com mais atenção para o pequeno falcão prateado, tendo duas pequenas pedras ônix como olhos.

- Eu comprei de última hora, porque só descobri que era o seu aniversário semana passada e tentei achar alguma coisa que combinasse com você, mas se não go... — Falou tudo de forma rápida e baixa, até ser interrompido por uma risada curta e um toque na mão.

- Eu realmente gostei. — A corrente grande permitiu que o moreno colocasse o colar sem abrir o fecho. — Eu posso te agradecer? — Perguntou disfarçando a expectativa.

- Pode... — Respondeu um tanto confuso.

Sasuke abriu um pequeno sorriso e se inclinou lentamente em direção ao loiro, dando tempo para que este se afastasse caso quisesse, mas Naruto, mesmo entendendo a intenção dele, permaneceu quieto.

Os lábios se encostaram com suavidade, havia um toque de redescobrimento e saudade, algo muito mais simbólico do que carnal. Ali eles eram apenas amigos de infância, colegas de classe e dois adolescentes enamorados.

**********/////**********

Em outro ponto, não muito distante dos dois jovens, um homem de porte elegante e feições bonitas encarava a cena sem disfarçar. Seus olhos brilhavam misteriosamente e em seus lábios tinha um sorriso de apreciação.

Há mais de dez anos ele havia traçado um plano, algo sem sentido para os outros, mas de extrema importância para si... Teve que adiar tudo... Apenas adiaria mais um tempo, afinal o tempo lhe trouxe coisas interessantes para brincar.

- Madara-sama? — O homem alto e de feições duras, chamou polido. — O senhor tem uma reunião em quinze minutos.

- Eu já terminei o que vim fazer, Kakuzu-kun. — Sorriu com simpatia, mesmo que seus olhos estivessem indiferentes. — Vamos. — Antes de seguir o segurança pessoal, olhou uma última vez para os dois adolescentes que conversavam sob uma aparente aura de cumplicidade. — Apenas mais um tempo... — O sorriso tornou-se maníaco.

Notas finais
O casal está aí... Exalando açúcar por todos os poros! kkkk
Madara também está aí! xD
Entenderam os avisos iniciais? O loiro usou o aniversário pra mudar de assunto! kkkk
E agora? O que vai acontecer?

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Pode mandar... Eu leio e respondo tudo!
Beijos Beijos