As Três Profecias
1 Mamãe faz o possível para salvar minha pele.
Notas iniciais
Toda a minha cabeça estava girando. Eu me sentia confusa, sabia poucas coisas sobre eu mesma. Meu nome é Elizabeth Sill, sou uma meio sangue, faz três semanas que eu estou perdida. Minha idade? quinze anos. Nasci em São Francisco, sou filha de Vênus. Moro no Acampamento Júpiter.
Não sei mais nada sobre mim.
Há três semanas atrás eu me perdi do meu acampamento. Não me lembro, estava em uma espécie de guerra com alguma coisa como um gigante e tinha um garoto... Ele trouxe a guerra até nós. Desde que eu me perdi lutei com uma dúzia de monstros e presenciei aquela coisa estranha em um galpão. Ainda em são Francisco.
Tive pesadelos a semana inteira com aquela cena. Aquela mulher com vestido branco e o galpão escuro. Um semideus de pele clara e cabelos negros levou a pior. Eu não gostaria de estar na pele dele. Lutaram bravamente por horas e horas. A mulher mesmo com os olhos fechados conseguia levar a melhor, eu não entendia como. Não entendi porque ela me deixou partir, ela me "viu", ou sentiu minha presença. Ela sabia que esta ali, mas agora eu tinha outros inimigos.
Eu corria por uma estrada, não sabia onde estava, nem mesmo onde aquilo me levaria, mas eu corria daqueles garotos.
Era duas meninas alguns centímetros mais baixa que a outra. Elas tinha cabelos vermelhos e olhos castanhos. Pele clara e pareciam ser demasiadamente corpulentas. O que me assustava. Uma delas (a mais alta), tinha uma feição que me apavorava. Aquele olhar fino e analisador procurando algum erro em mim e que dizia "vou te matar", e aquele sorriso malvado. A outra nem tanto, mas, ainda sim não me sentia bem com tudo aquilo.
O garoto que estava entre elas era no mínimo... Fofo, com aqueles cabelos negros e a pele demasiadamente clara, seus olhos azuis-cor-do-céu, se não fosse pelo lado que ele empunhava uma espada apontada na minha direção.
— Mate-a, romana desgraçada — disse a irmã mais alta. Sério, aquela garota me dava arrepios.
— Calma, gente — tentei manter minha voz o mais calma possível, levando em consideração que eu estava subindo uma colina, estava exausta e haviam três pessoas tentando me matar.
Olhei para baixo, observando o asfalto passar em baixo do meu pé. Eu estava correndo em alta velocidade, enquanto desviava de uma dúzia de flechas.
Por um segundo, todos pararam de correr atrás de mim, agora era somente eu que continuava subindo a colina e aquele dragão que parecia um tanto irritado a ponto de cuspir fogo. Droga, ele estava cuspindo fogo.
Os próximos segundos foram muito confusos para minha cabeça. Fogo, muito fogo por todo lado. Me joguei na tentativa de escapar, mas senti as chamas acertando uma das minhas pernas e chamuscando minha calça jeans. Senti que minha perna esquerda estava nua da coxa para baixo. Resolvi não tirar certeza, e sim correr.
Com certeza o dragão deve ter entendido o sinal de "ela é uma inimiga" e tentou me atacar.
Os outros três semideuses estavam parados há vinte metros de mim, me olhando com perplexidade, com certeza devia estar muito difícil entender que EU ESTAVA SENDO PERSSEGUIDA POR UM DRAGÃO QUE CUSPIA FOGO.
Minhas forças já haviam se esgotado. Eu sentia que não aguentaria nem dez minutos em pé, foi quando tudo mudou.
Uma mulher de cabelos castanhos/ loiros — era muito complicado, o lado direito era ondulado e da cor castanha, enquanto o esquerdo era totalmente liso e loiro -, ela era completamente linda. Invejável, sua pele clara, seus olhos castanhos/ verdes — iguais ao cabelo -, faria qualquer homem se perder de sua própria vida por ela, mas eu a reconhecia.
Outra criatura surgiu no alto da colina. Era metade homem, metade cavalo. Ele vinha andando rápido com seu pelo branco também invejável.
Agora estavam todos assustadoramente em choque. Até mesmo o dragão. Estávamos de frente para uma criatura mitológica e uma deusa Romana. Vênus, a deusa do amor e da beleza. Se não me engano sua forma grega é Afrodite.
Quíron (o homem meio cavalo) fez uma reverencia á minha mãe, e depois, avançou suavemente.
— O que está acontecendo aqui? — ele não se atreveu á olhar para Vênus, olhava para os três semideuses, que aparentavam medo.
— É só que... — o garoto do meio tentou falar, mas logo foi interrompido.
— Minha filha deve ficar neste acampamento sob sua supervisão. Ela deve ser tratada como uma semideusa comum e vocês deverão prestar atenção. — ela fez uma breve pausa e se virou para mim. Aquilo certamente me assustou um tanto, seu olhar era confuso, poderia ser interpretado como o toque doce e suave de uma mãe que ama seus filhos, ou a brutalidade de uma mãe feroz — Fique atenta, querida, você poderá fazer a diferença.
Eu tentei protestar. Ela não podia me abandonar ali, no meio das pessoas com a qual eu lutei e perdi semanas atrás. Meus joelhos tremeram, porque eu não conseguia me mover? Mas que droga isso, eu só queria fugir dali.
Vênus olhou para mim com um sorriso suave no rosto que dizia "nos vemos em breve, querida", mas também dizia "não faça nada de errado, me deixe orgulhosa". Ela me parecia um pouco bipolar para falar a verdade, mas eu queria que ela continuasse ali para me ajudar.
Ouvi um grito de uma das garotas, notei um brilho maior no local. Quíron tampou os olhos, notei que os outros semideuses e até mesmo o dragão estavam protegidos. Antes de pensar em algo, por instinto tampei meus olhos também, enquanto sentia minha mãe sumir. Sentia que ela estava errada, passaríamos um longo tempo sem nos ver.
— Espere, Vênus! — gritei com a voz sufocada, mas a deusa havia partido. Agora eu estava sozinha em uma colina, cercada de inimigos e avistando a minha morte em breve. Sozinha, estranho, pois não conseguia me sentir assim. Me sentia igualmente em casa, como era no Acampamento Júpiter, mesmo sabendo o contrário.
ELES SÓ QUEREM TE MATAR, precisei repetir isso para mim mesma inúmeras vezes, mas logo veio a confirmação.
A voz da garota que me assustava irradiou pela estrada.
— Devemos mata-la?
Então, o dia ensolarado de uma tarde de verão ficou cinzento. Tudo perdeu a cor. Meus joelhos ficaram três vezes mais fracos, minhas mãos cinco vezes mais suadas e meu medo aumentou dez vezes.
Aqueles últimos momentos foram confusos. Não me lembro se ouvi alguém dizendo algo ou não, não sabia se o dragão tinha me jogado mais uma rajada de fogo, ou se os gregos estavam me matando. Tudo o que eu tinha era os raios de sol alaranjados desaparecendo na minha visão e o meu corpo repousando suavemente nos asfalto duro e quente. Eu estava perdida.
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