As Três Faces do Medo.
10 Capítulo 9: Novos Passos.
Notas iniciais
Bem?
Mal?
Mais ou menos?
Demorei 20 dias (caraca tudo isso?), mas aqui estou eu com mais um capítulo!
Espero que gostem! ;)
Ps: O de sempre... Não betado, qualquer erro, me avisem!
Quando Naruto chegou à escola, não pode evitar sentir alívio ao saber que Kiba e sua turma não estavam lá, pois estariam prestando depoimento. Confiava no que Kyuubi havia dito, mas ainda sentia-se mais leve por não ter de encara-los. Havia decidido falar com Hinata naquele mesmo dia e se os afrontasse temia acabar perdendo a coragem.
O período de aulas passou quase normalmente, pois o loiro estranhou o fato de Sai não ter se aproximado dele em momento algum. O garoto, nos últimos tempos, sempre achava um jeito de perturba-lo, tentava o abraçar, bagunçar seus cabelos e coisas do tipo, o loiro conseguia evitá-lo na maioria das vezes. No entanto hoje a paz reinava, Naruto estranhava, mas não iria reclamar.
Estava agora na última aula, a ansiedade tomando conta de si, pois o momento em que iria contar seu segredo para Hinata estava chegando. Quando seus pais souberam de sua decisão ficaram extremamente surpresos, mas lhe deram apoio. Além disso, eles sugeriram que o filho convidasse a amiga para jantar em sua casa, por ser um ambiente em que ele sentia-se mais confortável.
Tudo já havia sido combinado na noite anterior, logo após ele ter chegado da consulta. Hinata pareceu surpresa ao receber a ligação e o convite do amigo, mas logo em seguida mostrou-se feliz e empolgada com a ideia. Ficou decidido que Jiraya os levaria até a casa do loiro e depois Kushina levaria a jovem até em casa.
O jovem Uzumaki havia praticamente montado uma estratégia de batalha, ao invés de ter organizado um jantar agradável com uma amiga. Ele não tinha culpa de não conseguir enxergar aquilo como algo agradável, pois não tinha ideia de qual seria a reação da Hinata e também tinha medo de acabar desistindo.
Naruto estava tão envolvido nos próprios pensamentos, que se assustou quando um caderno foi jogado na mesa ao lado da sua e Sasuke apareceu no seu campo de visão, o moreno havia se sentado na carteira ao lado da sua.
- Sonhando acordado, Uzumaki? — Deu um sorriso ladino, que fez o loiro corar de vergonha.
- Eu... Er... O que está fazendo aqui, Sasuke-kun? — Indagou baixinho, receando receber uma resposta grossa.
- Você não estava prestando atenção na aula. – Declarou, fazendo um gesto de negativo com a cabeça. — Iruka-sensei acabou de passar um trabalho em dupla, no sorteio eu acabei me tornando sua dupla.
O loiro arregalou os olhos e virou-se para a lousa, onde o professor havia anotado as orientações para a atividade. Era um trabalho sobre os principais movimentos revolucionários do País do Fogo, para ser entregue na próxima semana, que seria a penúltima antes das férias do meio do ano.
- Ele liberou os últimos minutos de aula para discutimos sobre o trabalho.
Naruto estranhou o jeito educado, para não dizer gentil, com que o Uchiha falava. O que estava acontecendo?
- Entendi. Podemos dividir o trabalho, depois você me manda sua parte por e-mail e eu finalizo. — O menino estava acostumado a fazer trabalhos deste modo, era mais fácil para ele.
- Eu não gosto de trabalhar assim, prefiro que façamos tudo junto, além disso, o Iruka-sensei quer que a dupla debata o assunto e escreva uma pequena dissertação também.
- Mas como iremos fazer então? Eu não acho que seja problema discutirmos por e-mail. — Naruto até poderia sentir-se um tanto acanhado diante de qualquer pessoa, principalmente de Sasuke. Mas quando o jovem era ameaçado a sair de sua zona de conforto, parte de sua timidez e medo desaparecida.
- O trabalho não vai ficar tão bom se fizermos isso. E não tem nada demais em nos reunirmos. Pode ser aqui mesmo na biblioteca do Instituto. – Usou um tom que não dava brecha para questionamentos. O moreno sabia que não convenceria o outro a encontrarem-se fora da escola, ao menos por enquanto.
Sasuke havia esperado a manhã inteira por uma oportunidade de aproximação, mas nem a perseguição de Sai, que seria uma desculpa perfeita, aconteceu. Quando Iruka anunciou o trabalho e as duplas que havia sorteado, o moreno agradeceu a própria sorte e determinou que não iria deixar a chance passar.
- Tudo bem. – Naruto falou resignado. Por um lado estava receoso por ter que passar mais tempo com Sasuke, mas sentiu-se feliz por isso, talvez nunca tivesse outra oportunidade.
- Certo, podemos começar amanhã depois da aula?
- Não! – Disse rapidamente, com a voz um pouco mais alta que seu normal e corou ao ver o moreno franzir o cenho. – Eu tenho compromisso depois da aula, toda segunda, quarta e sexta. – Baixou o tom.
- Tudo bem. Mas temos apenas uma semana para fazer o trabalho. – Sorriu de lado. – Você pode chegar uma hora mais cedo amanhã?
- Posso.
- Então começaremos amanhã cedo! – Determinou.
- Ok. – Fitou os olhos negros do outro por alguns segundos, reparando que eles estavam livres da frieza habitual.
O sinal tocou fazendo Naruto se sobressaltar. O loiro viu Sasuke levantar-se, pegar seu caderno, fazer um meneio de cabeça em despedida e sair acompanhado de seus amigos. O Uzumaki ficou tão impressionado diante do tratamento amistoso do outro, na frente de todos, que nem conseguiu responder o aceno. Apenas permaneceu lá parado, olhando de forma abobada para o lugar onde antes estava o Uchiha.
- Naruto-kun?
O loiro virou-se em direção a voz, dando de cara com Hinata. A jovem estava parada na porta e sorria para ele. O adolescente piscou confuso e olhou em volta, percebendo que não havia mais ninguém na sala.
- Está tudo bem? – A Hyuuga indagou preocupada.
- Sim, sim. Eu que perdi a noção do tempo. – Disse sem graça, enquanto guardava rapidamente seu material.
- Você estava encarando a cadeira do seu lado de um jeito esquisito. Até parecia uma adolescente apaixonada. – Murmurou com um pequeno sorriso.
- Eu já disse para parar de me tratar como uma garota, Hinata-chan! – Rebateu um pouco irritado.
- Desculpe, mas eu apenas disse a verdade.
Ambos saíram da sala caminhando lado a lado, indo em direção ao estacionamento, provavelmente Jiraya já estaria os esperando lá.
- Eu estava apenas impressionado. – Resmungou.
— Com a cadeira? – Disse surpresa.
- Não!
- Com o que?
- O Iruka-sensei passou um trabalho em dupla... – Mordeu o lábio e encarou o chão. – Minha dupla é o Sasuke-kun.
- Oh... – A morena levantou as sobrancelhas. – Você também é um dos fãs dele?
- É claro que não! – Corou. – Eu fiquei apenas surpreso, porque ele me tratou amigavelmente na frente de todos. Sem aquela arrogância costumeira, sabe?
- Oh! – O queixo de Hinata praticamente foi ao chão. Primeiro: Naruto havia corado com a insinuação. Segundo: Sasuke tratando alguém, de fora do seu grupo, amigavelmente? Impressionante! – Vivendo e aprendendo. – Murmurou.
- Pois é... – O loiro sorriu ao lembrar-se da curta conversa que teve com o Uchiha, acabando por se recordar do dia em que ele o apoiou, após Sai tê-lo irritado. – E não é a primeira vez.
- E quando foi a primeira vez? – Hinata indagou verdadeiramente curiosa.
- Bom... É... – Naruto sorriu sem graça. Não queria contar que Sasuke o tinha visto chorar igual uma criancinha.
Eles já estavam no estacionamento, mas caminhavam lentamente e de forma despreocupada.
- Vocês podem andar mais rápido? Eu ainda preciso comprar o saquê da sua avó, Naruto. – Jiraya gritou. Ele estava parado ao lado do carro e os encarava com os olhos estreitos, mas tinha um sorriso o rosto.
- Se meu pai descobrir ele vai ficar muito bravo, vô!
Tsunade sempre obrigava Jiraya a comprar seu tão amado saquê. Lógico que isso sempre era motivo de broncas por parte de Minato e Shizune que diziam que ela não tinha mais idade para beber.
- Aquele pirralho tem que aprender a cuidar da própria esposa e me deixar cuidar da minha. – Resmungou entrando no carro. — Minato sabe muito bem as consequências de negar algo a uma mulher na TPM. Afinal ele negou o tão amado lamen de Kushina apenas uma vez e ganhou um belo olho roxo por isso.
Os dois jovens, que haviam se acomodado no banco de trás do carro, riram e foram acompanhados pelo homem.
- Sério? – Naruto perguntou entre risos. De uns meses para cá era muito comum vê-lo rindo com a família e até com Hinata algumas vezes. – Eu não me lembro disso.
- É porque aconteceu quando eles ainda eram namorados. Eu nunca vi seu pai tão assustado. – O homem soltou uma gargalhada. – Kushina sempre foi uma mulher de gênio forte, talvez seja por isso que ela e Tsunade sempre se deram tão bem.
- Kushina-san deve ser realmente incrível. – Hinata respirou fundo, tentando controlar o riso. Quem poderia imaginar que Minato-sama havia apanhado da esposa quando era jovem.
- Minha mãe é demais.
Jiraya estacionou o carro em frente a casa do neto...
- Chegamos pirralhos, podem descer. – Virou-se para os dois adolescentes, sorrindo.
- Não vai entrar vô?
- Eu disse que tenho que comprar o saquê, garoto. – Girou os olhos. — Além disso, tenho que terminar de escrever meu próximo livro, eu já enrolei muito e a editora está pressionando.
- Certo. Até amanhã. – O loiro sorriu e saiu do carro, mas ficou parado segurando a porta, esperando Hinata descer.
- Até amanhã, Jiraya-sama e obrigada pela carona. – A Hyuuga sorriu gentilmente, enquanto saía.
- Por nada e até. – Acenou e deu partida, buzinando antes de acelerar o carro.
- Jiraya-sama é bem diferente do que eu imaginava, ele é tão sério na escola. – A Hyuuga falou, enquanto seguia o amigo em direção a porta da casa.
- Ele diz que tem que ser assim para não “dar brecha pra pirralhada”. – O loiro fez aspas com os dedos.
- Entendo. Naruto-kun, que tipo de livro seu avô escreve?
O Uzumaki estava prestes a abrir a porta, mas ficou estático ao escutar a pergunta e seu rosto adquiriu um tom muito vermelho. Hinata o olhava sem entender.
- Ele escreve livros para adultos. – Sussurrou.
Foi a vez de Hinata corar de vergonha, a menina começou a tocar um dedo indicador no outro e abaixou a cabeça. Naruto permanecia encarando a porta, que foi aberta bruscamente por sua mãe.
- Vocês dois vão ficar aí parados até quando? — A ruiva indagou alto, com uma expressão falsamente nervosa, mas esta foi substituída por confusa, quando viu os dois envergonhados. – O que aconteceu?
- Eu contei para a Hinata-chan... – O loiro murmurou e fez uma longa pausa. Kushina arregalou os olhos. – Que o vovô escreve livro para adultos. – Completou.
- Oh! – A ruiva virou-se para a Hyuuga. – Hinata-chan aquele velho escreve desde que era adolescente, ele até tem talento, pena que só escreve porcaria. Qualquer dia desse eu dou um bom corretivo nele. – Disse raivosamente e estalou os dedos.
- Mãe! – Naruto arregalou os olhos. – A senhora vai acabar assustando a Hinata-chan!
- Ok, ok. – Fez um gesto de descaso, puxou os dois adolescentes para dentro da casa e fechou a porta. – Não me culpe por estar empolgada, é a primeira vez que você traz uma amiga em casa.
Naruto olhou para a amiga e murmurou um “sinto muito”, apenas recebeu um sorriso em resposta.
- Kushina deixe as crianças em paz e vem me ajudar aqui! Acho que queimei alguma coisa! – Minato gritou da cozinha.
- Vocês que estão cozinhando? – Naruto indagou abismado.
- Por ser um dia especial, eu dispensei a cozinheira. Seu pai e eu formamos uma excelente dupla na cozinha. – A mulher levantou o punho direito em frente ao rosto. — Não existe ninguém melhor! – Abriu um enorme sorriso.
- Kushina! –Minato apareceu na sala ofegante.
Quando o homem entrou no campo de visão da Hinata, a jovem arregalou os olhos, seu rosto ficou extremamente vermelho e sentiu uma vontade gigante de gargalhar. Namikaze Minato estava vestindo um avental branco enfeitado com flores laranja, na cabeça tinha uma touca branca e seu rosto estava sujo de farinha.
- Pai? – O adolescente fez uma careta. – O senhor esqueceu que teríamos visita?
- Meu filho, é justamente por termos visita que estou nessa situação. – O mais velho sorriu e virou-se em direção a garota. – Logo o jantar ficará pronto, senhorita Hyuuga, enquanto isso fique a vontade. – Foi até a esposa e arrastou-a para a cozinha. – Você sabe que o máximo que sei fazer é picar legumes e cortar carne, mulher!
- Eu só pedi para você observar a panela! E porque seu rosto está sujo de farinha? – A voz de Kushina soou por toda a casa.
— Eles estão empolgados demais. – Naruto murmurou para si mesmo.
- Eu os achei extraordinários! – A morena abriu um grande sorriso. – É tão diferente da minha casa. Eles são sempre assim?
- Apenas em ocasiões especiais. – O garoto estendeu a mão em direção a Hyuuga. – Me dê sua mochila para eu guardar. – Hinata entregou o objeto ao amigo. – Sente-se e pode ligar a TV se quiser.
O jovem foi em direção ao hall, onde havia um cabide, sua mãe os arrastou para sala sem nem dar tempo deles guardarem suas bolsas. Entendia a empolgação dos pais, mas o motivo de ter trazido a amiga ali o impedia de sentir-se da mesma maneira que eles. Respirou fundo antes de voltar à sala, estava disposto a não adiar mais.
Assim que voltou ao ambiente em que amiga estava, viu a mesma observando alguns retratos que havia na parede. Ela parecia incomodada com algo, pois estava com a testa franzida e fazia um ligeiro bico.
- O que foi? – Indagou parando ao lado dela e observando o mesmo retrato. Nele sua mãe o segurava no colo e sorria alegre, seu pai estava ao lado deles abraçando a esposa pelos ombros.
- Aqui não tem nenhuma foto recente sua. – Virou-se para o amigo. — Você não gosta de tirar foto?
- Não muito. – Sorriu triste. – Eu preciso te contar uma coisa. – Sentou-se no sofá e a morena fez o mesmo.
— O que? Você não está pensando em sair do Instituto, está? – Indagou rapidamente.
- Não estou mais pensando nisso. Na verdade vou lhe explicar porque sou tão... Excêntrico. – Soltou o ar pela boca, tentando se acalmar. Percebeu que Hinata apenas o fitava seriamente, esperando-o tomar coragem para falar. – Quando eu tinha seis anos, fiquei um tempo desaparecido, não me lembro de nada sobre aquele período, tudo que sei foi o que me contaram.
- Naruto-kun... – O Uzumaki fez um sinal pedindo para que ela apenas escutasse.
- Meus pais contam que eu fiquei desaparecido por seis semanas e que me encontraram largado em uma praça, muito machucado. Ninguém sabe quem foi meu sequestrador, na verdade associaram meu desaparecimento com uma onda de crimes que ocorreram na época. – Fez uma pequena pausa, respirou fundo antes de continuar. – Você já ouviu falar do Ceifador de Anjos?
- Aquele assassino em série que sequestrava crianças, as violentava e matava? – A jovem arregalou os olhos e apertou uma mão na outra.
- Esse mesmo. A polícia pensou que eu havia sido uma de suas vítimas, eu tinha o perfil certo, no entanto, eles abandonaram essa teoria ao me encontrarem vivo. O Ceifador nunca deixou ninguém vivo, na verdade nenhuma das crianças levadas por ele pôde ser reconhecida sem o uso do exame de DNA.
- Meu Deus! – Ela estremeceu, só de imaginar o estado daquelas crianças. – Mas e você, o que aconteceu quando você foi encontrado?
- Dizem que eu fiquei meses internado, pois meu estado era gravíssimo. Passei por todo tipo de tratamento, sendo acompanhado por vários profissionais da saúde. Mas mesmo com toda essa ajuda fiquei com sequelas. – A última parte saiu sussurrada e o loiro abaixou a cabeça.
- Que tipo de sequelas, Naruto-kun? – Perguntou, usando o mesmo tom de voz que o outro.
- Além das minhas esquisitices... – A morena o olhou com desaprovação, mas Naruto ignorou e continuou. — Eu tenho Transtorno Dissociativo de Identidade.
- Você tem o que? – Hinata o encarou sem entender.
– Você deve conhecer isso como múltipla personalidade. – Sorriu de canto e silenciou, sem encarar a Hyuuga. Pronto, havia contado! Agora era só esperar pela reação da amiga.
Hinata recostou-se no sofá, seus olhos desfocados e os lábios entreabertos. Pensamentos e sentimentos misturando-se dentro de si, como se o caos tivesse se instalado em sua mente. Inspirou uma grande quantidade de ar e depois expirou lentamente, precisava se acalmar e organizar seus próprios pensamentos.
- É por isso que você ficou tão estranho na semana em que Kiba o atacou? – Indagou após alguns minutos de silêncio absoluto.
- Sim. No dia em que isso aconteceu uma de minhas outras personalidades surgiu.
- Quantas são? – Virou-se para o amigo e o fez encará-la.
- Além da minha, existem mais duas: o sombrio Kyuubi e o alegre Naru. – Sorriu de lado. – Provavelmente você os conheceu.
- Oh! – A jovem abriu um pequeno sorriso. – Provavelmente Kyuubi foi o que ofendeu o Neji-nii-san e o Naru foi o que brincou com todos no dia em que prestamos depoimento.
- Ele ofendeu o Neji-san? E o que aconteceu? – Arregalou os olhos.
- Nada demais, Sasuke-kun apareceu para acalmar a situação. Você não se lembra? – Franziu o cenho e inclinou a cabeça para o lado.
- Eu não me lembro de nada do que eles fazem, na verdade é como se eu ficasse o tempo todo desmaiado. — Novamente desviou o olhar da jovem, passando a fitar o chão. – Você deve me achar o cara mais bizarro da Terra.
- Nem tanto. – Sorriu mais abertamente. – Estou bastante surpresa e tudo mais, mas fico feliz que tenha confiado em mim.
- Sério? – Voltou a encará-la fazendo uma expressão de desconfiança.
- Sim, agora só falta você admitir que é fã do Sasuke-kun e já poderei me considerar sua melhor amiga! – Fez o sinal de positivo.
- Eu já disse que não sou fã dele! – O rosto do loiro ficou corado e ele fez um pequeno bico.
- Você sempre o acompanha com o olhar nos intervalos de aula, hoje estava olhando apaixonadamente para cadeira onde ele estava sentado e fica corado toda vez que alguém fala sobre ele. – Ela estreitou os olhos. – Vamos lá... Admita!
- Eu só sinto admiração, afinal ele é meu completo oposto, mais nada. – Fez uma careta. – E eu não fico o seguindo com o olhar!
- Acho que sua cota de revelações do dia já foi esgotada. Vou ter que esperar a próxima vez. – Sorriu.
- O jantar está pronto! – Minato apareceu sorridente na porta da sala. Ainda mais sujo do que antes.
- E o senhor vai jantar todo sujo? – O loiro parecia realmente incomodado.
- Ok, eu vou tomar um banho. – Resmungou. – Mas me esperem, volto logo.
- E cadê a mãe?
- Está os esperando na sala de jantar. – Disse indo em direção à escada.
Dez minutos depois todos estavam reunidos na sala de jantar, conversavam amigavelmente. A postura diferente de Naruto, quando próximo dos familiares, deixou a jovem Hyuuga realmente surpreendida. Além disso, admirava a força daquela família que havia passado por tantos problemas e ainda era capaz de ter momentos tão agradáveis.
Apesar de ainda não ter absorvido completamente tudo que Naruto havia dito, sentia-se estranhamente calma e ainda mais determinada em ajudar o amigo no que fosse preciso.
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Abriu os olhos, mas foi em vão, pois o ambiente lhe parecia estar envolvido por uma escuridão opressora, não podia enxergar um palmo à frente. Tentou tatear ao redor, mas ao fazer um pequeno movimento sentiu todo o corpo latejar. Mesmo assim estava calmo, na verdade o termo correto seria apático. Sua única vontade era que tudo acabasse logo... Queria dormir para sempre.
Escutou um barulho alto, provavelmente a porta havia sido novamente aberta. Inconscientemente se encolheu. Sua mente estava em branco, mas seu instinto o fez querer se afastar.
- Não tenha medo. – Escutou um sussurro, mas aquela não era a voz Dele. Era uma voz mais fina e menos sombria. – Eu vou te tirar daqui.
Um grosso pano foi colocado sobre si para lhe cobrir a nudez, mas acabou soltando um gemido de agonia. Mesmo aquele tecido lhe causava uma imensa dor, seu corpo estava coberto por ferimentos.
- Terei de carrega-lo, por favor, não faça barulho.
Quando foi erguido, sentiu seu mundo explodir em sensações angustiantes, o corpo tremeu e a pessoa que o carregava teve que se esforçar para não deixa-lo cair. Dor... Dor... Dor... Tudo se resumia a isso, até que não sentiu mais nada.
Naruto sentou-se na cama, ofegando, seu rosto e tórax estavam completamente molhados de suor. Demorou alguns segundos até perceber que estava em seu quarto.
- Naruto – Kushina bateu na porta –, você não disse que iria para o Instituto mais cedo? Levante-se ou vai se atrasar.
- Já vou mãe... – A voz saiu rouca, os olhos desfocados estavam voltados para um ponto aleatório da parede clara do cômodo. – Isso foi um sonho ou uma lembrança? – Passou as mãos nos cabelos, bagunçando-os ainda mais.
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Sasuke havia chegado vinte minutos mais cedo, não sabia o porquê disso, afinal os portões do Instituto abrem exatamente uma hora antes do inicio das aulas e provavelmente o Uzumaki não chegaria antes do horário combinado. Mas não conseguiu ficar em casa esperando dar o horário certo de sair, estava extremamente inquieto. Talvez fosse a adrenalina de estar indo contra a ordem de seu pai.
Só que o garoto Uchiha havia esquecido um pequeno detalhe de sua própria personalidade, odiava esperar! Já estava ali há dez minutos e ficar parado em frente ao portão durante esse tempo estava acabando com seu humor, que já não era dos melhores.
- Bom dia, Sasuke-kun. – A voz soou amigável, mas quase sussurrada.
O moreno virou-se em direção ao portão do Instituto, deparando-se com Naruto já do lado de dentro lhe dedicando um pequeno sorriso, sem encará-lo nos olhos.
- Você está aí desde quando? – Perguntou com o cenho franzido.
- Eu cheguei agora pouco, mas entrei pelo estacionamento com meu avô.
O loiro fez um gesto pedindo ao segurança para abrir o portão, o homem o fez sem questionar e assim que Sasuke entrou, o fechou novamente.
- Você sempre pode entrar antes do portão abrir? – O Uchiha indagou baixinho.
- Não, mas eu pedi permissão ao meu avô. – Saiu caminhando na frente. – Só que foi apenas hoje.
- Entendi...
O silêncio que se seguiu deixou ambos incomodados, Sasuke nunca foi muito bom em puxar conversa e Naruto não tinha confiança para falar com o Uchiha, tinha receio até de fita-lo. Foram até a biblioteca, onde o loiro já havia deixado seu material e se acomodaram para iniciar o trabalho.
O Uchiha embrenhou-se pelas prateleiras procurando livros que pudessem ajuda-lo na pesquisa, enquanto o Uzumaki retirou da bolsa os livros que havia trazido de casa. Quando Sasuke voltou à mesa com o que havia conseguido, fitou o outro com um pouco de curiosidade.
- Onde conseguiu esses livros? – Sentou-se ao lado do loiro, percebendo este ficar tenso com sua aproximação.
- Peguei com meu pai. – Respondeu baixo, ainda sem encará-lo.
- Porque Namikaze-sama teria livros desse tipo? – Pegou um dos livros e os folheou, percebeu que o volume tinha uma linguagem mais rebuscada, provavelmente eram livros universitários.
- Ele gosta muito de história, principalmente a do País do Fogo. – Disse de forma mais relaxada e pela primeira vez o loiro encarou o outro. – Se meu pai tivesse seguido seu sonho de dar aulas, com certeza ele ensinaria história.
- Professor? Nunca teria imaginado. – Deu um meio sorriso.
- Ninguém imagina. – Sorriu, tinha muito orgulho de seus pais e gostava bastante de falar sobre as qualidades que eles tinham. – Ele gosta de contar várias coisas sobre a história do nosso país e de Konoha também.
- Talvez isso facilite nossa vida. Eu acho história um saco... – Resmungou.
- Não é tão chata. – Naruto puxou um dos livros e o abriu em uma página marcada. – Quando realmente descobrimos os motivos que levaram as revoluções, cada pequeno movimento que originou as grandes batalhas e as melhores ou piores mudanças no nosso governo. Tipo essa...
O Uzumaki apontou para a página e o moreno inclinou-se em sua direção para ver melhor. Mesmo corado pela aproximação o jovem prosseguiu com sua explicação, deixando o Uchiha impressionado, pois nunca tinha o visto falar tanto e de forma tão leve. Sasuke só não considerou que aquele era Naru, pois este parecia ser impaciente e irritadinho demais para perder tempo explicando alguma coisa.
A hora que eles tinham reservado para o estudo passou rapidamente, toda aquela tensão inicial tinha desaparecido e ambos já debatiam o assunto estudado como se fossem velhos amigos. Nunca tinham passado tanto tempo juntos e a cumplicidade que acabou surgindo nessa pouca convivência deixou ambos curiosos e até um tanto assustados.
- Meninos a aula já começou, vocês vão acabar chegando atrasados. – A bibliotecária disse calmamente.
Ambos olharam assustados para um relógio que estava pendurado na parede, recolheram todo o material e saíram praticamente correndo da biblioteca. Eles teriam uma prova na primeira aula.
Chegaram à sala juntos, quando passaram pela porta todo o barulho que estava no ambiente cessou e os alunos os encararam. Naruto percebeu que Sakon e Suigetsu estavam lá e estremeceu.
- Bom dia, Naruto-kun. – A voz fria soou atrás dele, em seguida o loiro sentiu seus cabelos serem bagunçados e se encolheu.
- Sai, deixe-o em paz. – Sasuke disse baixo, encarando o amigo friamente.
- Você sempre o defende, Sasuke-kun. – Sorriu falsamente e abraçou o loiro pelos ombros. – Eu li em um lugar que... – Calou-se ao sentir algo bater contra suas pernas, fazendo-o se afastar de Naruto, que suspirou aliviado.
- Opa! Foi mal aí, branquelo. – Kiba sorriu sarcástico. – É complicado manobrar uma cadeira de rodas com apenas um braço.
— Kiba eu pedi para você esperar. – Shino surgiu atrás do castanho, com a mesma expressão sombria de sempre. – Bom dia. – Desejou fitando Naruto, o Aburame era um dos únicos que sempre o tratava com educação, desde que ele havia chegado ao Instituto.
- Bom dia... – Respondeu incomodado com aquela aglomeração de pessoas a sua volta.
- Eu pensei que o professor já estava na sala. – O Inuzuka se justificou para o amigo, ignorando o olhar “atravessado” que recebia de Sai.
- Vocês podem sair da porta e ir sentar-se! – A voz da professora Kurenai soou atrás do grupo, fazendo-os rapidamente se acomodarem em seus lugares, Sasuke e Naruto acabaram sentando-se lado a lado. – Hoje eu resolvi facilitar para vocês... – Sorriu. – Os testes serão feitos em dupla, já com a pessoa que vocês sentaram ao lado e sinto muito por aqueles que escolheram mal. – Sorriu de lado e fitou Suigetsu e Sakon que soltaram um resmungo.
A professora passou pelas mesas, entregando as folhas da prova e não conseguiu evitar a surpresa ao ver o Uchiha e o Uzumaki sentados juntos, era uma dupla muito inusitada.
Quando ambos pegaram a folha, Naruto leu superficialmente os exercícios e soltou um suspiro. Química não era sua matéria preferida e era a única em que ele tinha um pouco mais de dificuldade de aprender.
- Pelo visto química não é seu forte? – Sasuke sussurrou, sem esconder o sorriso prepotente.
- A Química é chata, tem muitos detalhes e tudo mais. – Evitou encarar o outro.
- Então agora é minha vez de mostrar meus conhecimentos. – Colocou a folha em frente ao loiro e apontou a primeira questão. – Aqui você precisa primeiro...
Foi a vez de Naruto surpreender-se com a facilidade que o moreno tinha em explicar a matéria, ficou completamente focado nas palavras do outro, não queria deixar nada passar. Ter Sasuke lhe dando tanta atenção o fez sentir-se bem, muito bem. Mesmo tendo começado com um horrível pesadelo, o jovem loiro poderia considerar que aquele era, de longe, o melhor dia que estava tendo na escola.
Notas finais
Ceifador de Anjos?
Sonho ou lembrança?
Sasuke finalmente se aproximou...
Escutei um Aleluia?
Kiba curte atropelar branquelos indefesos?
E o que será que vai acontecer com essa tal aproximação?
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