As Três Faces do Medo.
6 Capítulo 5: Regras Sociais.
Notas iniciais
Beijos Beijos
E vamos ao capítulo!
Capítulo 5: Regras sociais.
Pov Naruto on:
Eu não estou com vontade de ir a aula, na verdade sinto que deveria ficar na cama o dia todo, meu domingo foi tão bom, porque passou tão rápido? Ele poderia durar para sempre, ou pelo menos, por uma semana, ou mais vinte e quatro horas. Não seria nada mal. Mas, por mais que eu queira, eu não posso fugir da escola a vida inteira, eu escolhi esse caminho e vou ter de trilhá-lo inteiro!
Eu optei por tentar ser uma pessoa normal, prometi provar ao meu pai que sou capaz de dar-lhe orgulho, não posso voltar atrás agora, não posso desistir frente ao primeiro problema que surge.
– Você vai acabar se atrasando. – A voz de minha mãe despertou-me dos devaneios.
Terminei de me aprontar e fui até o jardim, onde minha mãe mandou servir o café, pois hoje o dia havia amanhecido agradável, na opinião dela, não poderíamos desperdiçar nenhum minuto dele... Eu não concordo, minhas vestimentas excêntricas e expressão fechada mostram perfeitamente isso.
Eu me sinto sufocado em dias assim, parece que tudo ao redor exala calma e felicidade, todos parecem sentir-se bem, seguros e sem problemas, enquanto eu não sou capaz de me livrar das amarras que me prendem a um passado que eu nem sei qual é, mas que não me deixa em paz. Eu sempre pareço estar rodeado por uma “nuvem” de mal estar.
Tomei meu café em silêncio, me esforcei ao máximo para não implorar para ficar em casa, mamãe pareceu compreender minha luta interna e não puxou assunto algum.
Fui caminhando até a escola, os passos exageradamente lentos, não sei o que me espera lá. Eles me dominaram por três dias, é verdade que comparado as outras vezes que fiquei inconsciente, três dias não são nada, já cheguei a ficar apagado por quase seis meses. Só que antes eu vivia no internato ou em casa, lugares onde todos sabiam de minha condição... E no caso do internato muitos eram semelhantes a mim então não me julgavam.
Antes de entrar na rua do colégio, parei e respirei fundo tentando me acalmar, voltei a caminhar com a maior segurança que eu conseguiria e nada poderia me preparar para o que eu estava prestes a vivenciar.
Já na rua do colégio, muitos me olharam num misto de admiração e receio, como se a qualquer momento eu pudesse saltar sobre eles e esmagar suas feições esnobes, outros me cumprimentaram educadamente, mas era obvio que estavam forçando a educação.
Quando entrei no prédio as conversas pararam e todos os olhares se voltaram para mim, parei de respirar momentaneamente...
– Bom dia, Naruto-san. – Arregalei os olhos e me virei em direção a voz.
– Sa... Sakura-san? – Balbuciei sem acreditar, ela parecia estar fazendo um esforço enorme para soar simpática, seu belo rosto contorcido em um sorriso falso e assustador, em minha opinião.
Aquela garota de cabelos rosa? Logo ela me tratando de forma tão respeitosa? Dentre todas as garotas do fã clube dos Preciosos, Sakura era, de longe, a que menos simpatizava comigo. Ela nem ao menos falava comigo, mesmo que muitas vezes suas amigas fizessem piadas sobre mim, ela somente fazia uma careta de asco, soltava alguma ofensa ao ar e saia de perto. Como se eu tivesse alguma doença contagiosa ou algo assim, admito que as ações dela eram mais ofensivas e humilhantes do que as provocações infantis das outras garotas.
Eu era tudo que alguém como Sakura poderia desprezar, eu simplesmente negava o que eu era, aquilo que eu tinha, eu nunca busquei ser aceito, nunca expressei querer fazer parte da sociedade que eles faziam parte. Nunca quis fazer parte do mundo que ela ama.
Eu acho que Sakura era a única que tinha real chance com Sasuke, por mais que ela parecesse fútil, ela era a única garota do fã clube que aparentava se preocupar com o futuro que teria e sempre buscava algo diferente de apenas casar-se com um homem rico e influente para administrar sua vida.
Hinata chegou a me falar que Sakura queria tornar-se a primeira mulher a administrar sozinha o patrimônio da família Haruno, eles que eram sinônimo de sucesso no ramo farmacêutico e hospitalar, desde muito tempo.
Isso me fez sentir uma pequena admiração por ela, afinal ela buscava um reconhecimento similar ao que eu fazia, no entanto, nunca pensei que ela seria capaz de um dia ao menos falar comigo, quem dirá desta forma.
Mas então percebi, ela não falava com Uzumaki Naruto um garoto diferente, sem nada de impressionante e sim com Namikaze Naruto o herdeiro de Minato. Sem pensar a deixei sozinha e caminhei o mais rápido que conseguia até minha sala, ignorando fielmente cada saudar e palavra dirigidas a mim.
Nunca tive paciência com pessoas deste tipo, sempre fui cercado de mimos por pessoas que só queriam a atenção de meu pai, eram momentos raros estes em que eu iria até jantares ou passeios de negócios com minha família, afinal era muito difícil deixar-me ao menos apresentável para essas ocasiões e mais difícil ainda me tirar do quarto depois delas.
Fico pensando que se soubessem do meu problema, como iriam me tratar? Como ficaria a imagem da minha família? Eles cairiam por minha causa ou ficariam mais poderosos por causa da pena dos outros?
Um grande homem como Minato além de ser genial, ainda tinha um filho retardado para cuidar em casa... Pobrezinho!
Quando entrei na sala quase me choquei com Sasuke, que estava com seu grupo e estranhamente me senti aliviado quando recebi três olhares de desprezo – de Kimimaro, Sasuke e Neji — e um sorriso falso por parte de Sai, este sorria desta forma para qualquer pessoa. Um sorriso que muitas vezes era acompanhado por palavras ferinas.
Durante o dia ignorei cada pessoa que tentava se aproximar de mim, alguns ainda continuavam da mesma forma, Karin e Ino fizeram piadas por eu ter passado mal depois de prestar depoimento e também sobre minhas tentativas fúteis de tentar aparecer – no mínimo se referindo aos dias que fiquei “apagado” -, Shikamaru e Chouji falaram comigo só quando Iruka separou grupos para fazer um trabalho sobre a fundação de Konoha e a as batalhas que levaram ao surgimento desta vila.
Eu bizarramente estava sentindo falta de ser o centro do ódio e desprezo daqueles que agora tentavam me bajular. Hipócritas nojentos!
No intervalo me isolei como sempre nos jardins da escola, agora evitando a todos por motivos diferentes de antes.
– Naruto-kun... – Hinata correu até mim, sorrindo, como sempre fez.
– Hinata-chan. – Tentei expressar um sorriso, mas falhei e abaixei a cabeça.
– Esta tudo bem? – A morena perguntou enquanto se agachava na minha frente, eu estava encostado em uma árvore.
– Sim...
– Não, não está! – Ela levantou meu rosto, afastei-me automaticamente, mas Hinata não ligou estava acostumada a isso, sabia que eu não gostava de toques. – O que há? Alguém tentou te machucar novamente?
– Não, pelo contrário, a maioria está me tratando muito bem. – Disse baixo e ouvi um suspiro da morena.
– Você veio acompanhado de seus pais no dia do interrogatório, estava agindo tão diferente, sorria sem parar e tratou a todos muito bem. Pensei que gostaria de ser tratado de forma diferente...
– Eu não quero que as pessoas me tratem diferente por ser filho de Minato e sim por ser quem eu sou, assim como você faz.
– Isso é difícil de acontecer no mundo em que vivemos Naruto-kun, a maioria das pessoas ao nosso redor não buscam conhecer alguém realmente, elas querem saber apenas o que você pode oferecer a elas.
– Isso é ridículo!
– Mas é a verdade...
– Até a Sakura-san foi afetada por isso, ela me saudou pela manhã, mas parecia muito contrariada ao fazer isto.
– Haruno-san deve tê-la forçado a ser educada e ela sempre busca fazer tudo que ele manda corretamente, para assim poder ganhar sua confiança. – Hinata soou triste ao dizer estas palavras, então encarei seus olhos, algo raro de acontecer.
– Você... – Hinata tinha os olhos repletos de lágrimas.
– Todas as meninas que querem uma posição social significativa têm que passar primeiro pela aprovação da própria família, elas têm que mostrar que podem ser mais do que apenas mercadoria de troca. – Ela apertou as mãos delicadas e fechou os olhos fortemente. – Quando homens de negócios têm filhas, eles sempre escolhem casá-las com filhos herdeiros de outras famílias ricas, garantindo assim alianças memoráveis e outros homens para administrar suas empresas.
– Isso acontece com os Hyuuga também?
– Não serei forçada a casar com ninguém, afinal meu pai já tem seu herdeiro. – Nunca pensei que minha amiga pudesse fazer uma expressão tão melancólica. – Eu nunca fui uma opção, quando nasci meu pai ficou decepcionado, tentou ter outro filho, mas aí nasceu Hanabi e como minha mãe morreu no parto ele não poderia tentar mais, então nomeou Neji como seu sucessor na empresa.
Olhei minhas próprias mãos, lembrei que meu pai queria nomear outra pessoa como seu sucessor... Outro garoto, ele nem pensou na possibilidade de um casamento arranjado, afinal no mundo do qual fazíamos parte, mulheres tinham a função apenas de reprodução. Nojento.
– Sakura busca o reconhecimento do pai a todo custo, se falar com você garantir a ela ao menos um olhar de orgulho, ela fará isso sem hesitar. Ela não busca futuros aliados ou possíveis maridos, ela só quer ter um futuro diferente das outras garotas.
– Mas ela vive correndo atrás do Sasuke-san...
– Isso se chama paixão adolescente, todos nós estamos fadados a passar por isso e cada um passa por esse processo de forma diferente. Sakura é do tipo histérica... – Hinata riu da própria piada, eu dei apenas um curto sorriso.
– Você já passou por isso?
– Ainda não, mas quando acontecer espero que seja por alguém como você... – Ela sorriu sincera e eu corei.
– Como assim?
– Você é uma pessoa gentil e amiga, mesmo sendo um tanto... – Ela torceu os lábios em concentração. – Excêntrico.
– Você quer dizer esquisito...
– Se eu disse excêntrico, é porque o acho excêntrico e ponto.
– Você sabia que um dos sinônimos de excêntrico é louco? – Ela suspirou e balançou a cabeça.
– Naruto-kun...
– Desculpe.
– Mudando de assunto. – Ela baixou o tom de voz, parecendo receosa. – Porque você ficou tão diferente na semana passada?
Congelei! Não sabia o que responder, eu confiava em Hinata, mas não sei como ela poderia reagir ao saber meu segredo... Talvez ela parasse de falar comigo, ou sentisse medo. Com receio preferi ficar em silêncio, puxei a touca fazendo-a cobrir meus olhos e me encolhi contra a árvore.
– Tudo bem, não precisa responder se não quiser. – Suspirou. – Mas saiba que não sei por que você se esconde tanto, você é um menino muito bonito Naruto-kun.
Meu rosto esquentou e arregalei os olhos...
– Não... Não fale assim... Vão pensar que tenho preocupações de garotas... – Resmunguei e ela riu.
O sinal tocou e tivemos que voltar para as aulas, não nego que estava me sentindo um pouco mais calmo após conversar com Hinata. Quando entrei na sala dirigi meu olhar para Sakura, ela também me encarou e tomado de uma coragem anormal fui até ela.
– Se minha amizade puder ajudá-la a alcançar seu sonho, não se preocupe, você a terá. – Sussurrei e vi os olhos dela arregalarem-se.
Fui rapidamente para meu lugar, muitos olhando curiosos para mim e para a garota de cabelos rosados, algumas meninas foram até ela perguntar o que eu tinha falado, mas ela não disse nada e eu continuava ignorando os falsos que me rodeavam.
Olhei para o lado, encontrei olhos negros e profundos, olhos vazios. Sasuke me encarou apenas por poucos segundos, mas foi o suficiente para meu coração quase saltar do peito, foi a primeira vez que não vi desprezo nos olhos dele.
Pov Naruto off.
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Ele estava novamente no antigo consultório de seu tio, deitado no divã, sentado na poltrona ao seu lado estava Itachi. O loiro ainda sentia-se nervoso perto dele, ao mesmo tempo em que uma estranha confiança crescia dentro de si.
– Acha que isso vai funcionar, Itachi-san? – O menino encarou o médico descrente.
Quando Naruto soube que suas consultas com Itachi iriam continuar, sentiu-se frustrado e receoso, a primeira havia sido conturbada, mas sua avó disse que isso tinha acontecido por causa de todos os problemas que tinha passado durante a última semana.
– Lógico que sim, eu já fiz esse tratamento com outros pacientes e foi bem eficaz.
– Eu não acredito em hipnose, dizem que se você não acreditar em algo deste tipo, seu cérebro não “registra” tal coisa e isso tornaria o tratamento ineficaz.
– O cérebro humano é complexo demais, Naruto-kun. – O homem deu um meio sorriso. – Você, por exemplo, é afetado por um fato que seu consciente não lembra, no entanto se algo estimular sua memória, automaticamente seu subconsciente “bloqueia” você. Ou seja, sua opinião nem sempre é levada em consideração por seu cérebro.
– Obrigado por me lembrar... – Resmungou.
– O que eu quero dizer Naruto-kun, é que não custa nada tentarmos, se você não for afetado pela hipnose tentaremos outras coisas para ajudá-lo. – Disse calmo e pela primeira vez parou para analisar criteriosamente a figura a sua frente. – Porque tanta roupa?
– Apenas me sinto bem, vestido assim. – Respondeu sem muita certeza.
– Não sente calor?
– Aqui está fresco...
– Mas lá fora não. – Arqueou uma sobrancelha.
– Que tipo de médico é você? Até agora não fez nenhuma pergunta útil. – Naruto tomou uma postura defensiva, mesmo sendo introspectivo era comum ele mostrar irritação quando se sentia acuado.
– Certo, não se estresse, só fiquei um tanto curioso... – O loiro percebeu a mentira na hora, sabia que o médico queria entender o que ele queria “dizer” ao se vestir assim.
– Quando vamos começar com a hipnose?
– Apenas deite-se no divã, de forma mais confortável possível. – Naruto obedeceu intrigado e receoso. – Só para esclarecer na hipnose não existe aquela história de “você está com muito sono”. – Itachi usou um tom de zombaria e arregalou os olhos, em uma expressão cômica de hipnotista, o loiro deu um ligeiro sorriso diante da brincadeira do outro.
– Como funciona então?
– Em resumo, com uma conversa. – O tom de voz do moreno tornou-se calmo. – Feche os olhos Naruto-kun – o menino obedeceu -, o que você vê quando fecha os olhos?
– Nada, eu estou com os olhos fechados. – Disse com nervosismo, ele via sim, mas não queria falar.
– O que você vê, Naruto-kun? – O moreno nem se abalou.
– Olhares...
– Que tipo de olhares?
– Olhares de admiração, receio, nojo... – A voz saia baixa e tremula. – Olhos vazios.
– Eu quero que você limpe sua mente de tudo, deixe esses olhares de lado, pelo menos por enquanto...
– Eu não consigo.
– Você não tentou, apenas tente... – O loiro juntou as sobrancelhas e apertou os olhos. – Substitua esses olhares por algo que lhe agrade, por algo que o faça sentir-se bem. – A expressão do garoto suavizou.
Após um tempo em silêncio, apenas observando o paciente se acalmar, o médico continuou.
– O que você vê agora?
– Meus pais...
– O que eles estão fazendo?
– Sorrindo pra mim, conversando. – Suspirou, o corpo ficando mais relaxado.
– Imagine uma estrela sobre eles, uma estrela que emite uma suave luz azul. – O loiro se remexeu e após poucos segundo assentiu indicando para Itachi continuar. – Concentre-se nesta estrela e em sua luz, deixe a claridade invadir sua mente e limpá-la...
Naruto conseguia enxergar perfeitamente a estrela e sua luz, com o tempo tudo em volta de si pareceu desaparecer, não via mais a imagem de seus pais, tinha a sua frente apenas a luz da estrela e a voz serena o deixando entorpecido, em um estado de quase sonolência.
– Volte até quatro horas atrás... – A luz ficou mais fraca, mas ainda presente, o loiro viu-se na escola, diante dos olhares e falsidade dos alunos. – O que você vê?
– A escola, alunos, alguns estão vindo me cumprimentar... – Apertou os punhos com raiva. – Falsos... – Resmungou.
– Acalme-se... – Naruto respirou fundo. – Quando ficar irritado concentre-se na estrela. Continue me relatando o que vê.
– Estou no intervalo, sentado no jardim da escola, ao meu lado está Hinata, estamos conversando sobre Sakura e sobre as famílias nobres... – Mais uma vez sentiu-se irritado, mas se concentrou na estrela e se acalmou. – “Sakura busca o reconhecimento do pai a todo custo, se falar com você garantir a ela ao menos um olhar de orgulho, ela fará isso sem hesitar.” Ela disse. E eu lembrei que eu também busco ser reconhecido pelo meu.
– A luz da estrela volta a preencher o ambiente, Naruto-kun, você agora voltará para uma semana atrás...
O Uzumaki novamente se viu envolvido pela luz azul, tudo desapareceu e em seguida ele viu-se diante de sua mãe, tomando café.
– Estou com minha mãe, ela disse que não poderia me levar até a consulta com meu tio, mas que iria direto para o consultório depois de terminar o trabalho. Agora estou indo para a escola, lá Suigetsu esbarra em mim, a maioria esta apontando, sussurrando e rindo com deboche. – A voz treme. — Depois Kiba chega dizendo que tenho um caso com o diretor, ninguém sabe que sou neto dele, ele diz que se eu fizer com ele o que fiz com o diretor para conseguir a vaga, que ele me deixará em paz. – O loiro começa a hiperventilar. – Estão me carregando para o vestiário, me tocando, eu tento me soltar, eles estão em maioria, jogam minha mochila longe e tentam arrancar minha roupa... Eu não quero! Me soltem! – Itachi percebeu que o loiro não suportava mais.
– Concentre-se na estrela Naruto-kun, ela o está afastando deles, você está seguro, tudo já passou, não precisa se preocupar, você é capaz e forte para superar isso... Volte para mim.
O loiro abriu os olhos repletos de lágrimas, mas mesmo assim sentia-se estranhamente calmo, seguro. Ele sentia-se capaz de se recuperar de sua mais recente ferida. Virou-se para Itachi, este o encarava atentamente, mas não mostrava qualquer sentimento em seus olhos. Olhos vazios. Naruto sorriu ligeiramente diante disso.
– Você está bem?
– Estou melhor do que imaginei, nos últimos dias toda vez que me lembrava do que aconteceu na escola, me sentia sufocado, enjoado, nervoso ou completamente deprimido, mas hoje eu não sinto nada além de incomodo. – Disse um tanto surpreso. – Por quê?
– Você enfrentou a situação de outro modo e mesmo tendo sido algo grave, me parece que não o afetou tanto quanto afetaria normalmente uma pessoa, talvez isso esteja relacionado de alguma forma com seu passado. Além disso, os garotos não chegaram a fazer nada com você.
– Ainda bem!
Batidas na porta...
– Entre. – Itachi e seu paciente viraram em direção a entrada, deparando-se com uma enfermeira.
– Naruto-kun, sua mãe já está o esperando na sala da Tsunade-sama.
– Já estou indo, obrigado.
A enfermeira fez uma ligeira reverência e se retirou em silêncio, Naruto virou-se para o Uchiha, estava inquieto.
– Você vai conversar com minha mãe?
– Achei que já tínhamos superado isso. – O moreno arqueou uma sobrancelha.
– Não custa nada relembrar. Até quarta-feira, Itachi-san. – Acenou tímido e saiu da sala.
O moreno sorriu ao perceber que o garoto estava sem a touca estranha, ela havia saído de sua cabeça quando ele se remexeu no divã e pelo jeito o loiro nem se deu conta disso.
– Talvez ele esqueça de uma vez.
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Sasuke estava em uma lanchonete junto de seus amigos, no entanto ele não parecia disposto a participar da conversa que estes estavam tendo. O assunto principal: Naruto.
– Meu tio disse que tenho que tratá-lo com educação, eu me recuso a agir desta forma, não gosto dele e ponto. E achei ridículo o jeito que ele estava agindo semana passada, primeiro parecendo um bad boy, depois alegrinho e fingindo ser amigo de todos. – Neji bufou, exasperado e raivoso.
– Talvez ele não quisesse passar vergonha diante dos pais, além disso, nós sabemos o que Kiba fez com ele segunda passada, aquilo deve tê-lo afetado de alguma forma, por isso a “mudança”. – Sai respondeu frio, enquanto desenhava em um guardanapo.
– Eu concordo em parte com você, não precisa tratá-lo sempre com “gentileza”, Danzou-san disse para continuar tratando-o normalmente, sendo extremamente educado apenas quando necessário. – Kimimaro apoiou o queixo na mão direita e ficou olhando a rua movimentada através da janela, assim como Sasuke fazia.
– E você Sasuke, seu pai disse alguma coisa sobre como tratar o filhote do homem prodígio? – Sai indagou, quase parecendo curioso.
– Ele disse para eu não me aproximar, na opinião dele Namikaze/Uzumaki é sinônimo de problemas. – A voz soou entediada.
Os outros três garotos o olharam surpresos, na verdade o mais surpresos que conseguiriam, afinal os preciosos pareciam não saber expressar sentimentos utilizando os músculos da face. Eles também não falavam muito e isso, muitas vezes, faziam os outros alunos se questionarem se eles algum dia já “jogaram conversa fora”, ou se só conversavam quando extremamente necessário.
Sai e Kimimaro eram irmãos de criação, viveram no mesmo orfanato até completarem cinco anos, quando Danzou, um General de Exército, os adotou. Eles foram criados sob disciplina militar, portanto não se curvariam diante de um empresário, afinal não dependiam de relações sociais para manterem-se ricos.
Neji tornou-se um “cubo de gelo” após a morte de seus pais, seu destino de tornar-se o herdeiro principal dos Hyuuga perseguindo-o e tirando dele quase todo o “espírito da juventude”.
– Então eu sou o único que tenho como obrigação tratá-lo bem?
– Sim, afinal Hyuuga Hiashi firmou um acordo com Namikaze-san para passar os ensinamentos nas artes marciais dos Hyuuga em seus institutos. Ou seja, Naruto é seu futuro sócio. – Sasuke debochou.
– Merda! Não tinha pensado nisso, meu tio deveria ter ficado apenas com suas escolas militares e academias. – Resmungou.
Sai sorriu falso para o amigo, Kimimaro riu de lado, com deboche e Sasuke não estava mais prestando atenção neles.
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Naruto desceu as escadas rapidamente, estava atrasado para a aula, havia dormido demais, na verdade não queria ter acordado, afinal estava sonhando com os dois garotinhos, desta vez eles brincavam, riam e depois despediam-se prometendo se encontrar logo. Sem a sombra negra tentado levar um deles.
Ele passou apressadamente por seus pais, acenando e como um furacão atravessou o hall de entrada, deixando o casal surpreso.
– Ele estava sem touca? – Minato encarou a esposa com o cenho franzido.
– Sim – a ruiva sorriu -, desde ontem que ele não usa, na verdade ele parece ter se esquecido dela.
– Isso pode significar um progresso? – O loiro disse feliz.
–Eu liguei para Itachi ontem, ele disse para não nos precipitarmos. – A expressão alegre do outro se desfez. – Mas não posso acreditar que seja outra coisa, ele não fica sem aquela touca há anos.
– Só acho estranho que tenha sido tão rápido...
– Talvez tenha ligação com o que aconteceu semana passada.
– Pode ser... – Voltaram a tomar o café em um silêncio confortável.
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Sai viu o loiro passar quase correndo pelos portões do instituto e resolveu ir até ele, saber como o garoto estava se sentindo agora que era a nova celebridade do colégio e claro, aproveitaria para zoar um pouco com o menino. Sorriu friamente com essa perspectiva.
– Olá Naruto-kun. – Sussurrou próximo ao ouvido do jovem, que estava muito concentrado em guardar seus pertences no armário.
O Uzumaki saltou para longe do moreno, a respiração dele estava acelerada.
– Calma, não precisa se assustar, não vou fazer nada – o sorriso falso brincava em sua face -, só queria cumprimentar a mais nova celebridade do instituto.
O olhar temeroso, tornou-se irritado, o garoto optou por ignorar o outro e sair dali, mas Sai segurou-o pelo braço.
– Me solta... – Naruto disse baixo, mas firme.
– Não quero... – Inclinou-se em direção ao outro, este se afastou o máximo que pode, os olhos azuis arregalados. – Esta com medo de mim? – Não obteve resposta. – Responde! – Apertou mais o braço do outro.
– Me solta, por favor... – Murmurou, a voz desta vez saiu tremida. – Você disse que queria apenas me cumprimentar, já fez isso. Me deixa em paz.
– Sabe, Naruto-kun... – Tocou os cabelos loiros do menino e aproximou o rosto do dele. – De perto até que você é bem bonitinho. – Naruto fechou os olhos ao sentir a respiração do moreno deslizar por sua face. – Sinto até vontade de te beijar...
– Por favor, não... – Disse choroso.
– Não sabia que você se misturava com esse tipo de gente, Sai. – O Uzumaki sentiu alivio ao escutar a voz fria e arrogante.
– Cai fora Sasuke, eu estou tendo uma conversa particular com o garoto celebridade. – Disse debochado.
Naruto sentiu uma raiva crescer dentro de si e sem pensar, se livrou do aperto do outro com um movimento brusco e o empurrou, saindo correndo em seguida, com lágrimas nos olhos e sem olhar para traz.
– Esse tipo de provocação não tem graça nenhuma... – Sasuke o encarou duramente.
– Eu não ia fazer nada demais com ele. – Sorriu de lado.
– Espero que sim. – Virou de costas para o outro, mas antes de sair de perto o olhou por cima do ombro, dando um sorriso de escárnio. – Os últimos que tentaram estão hospitalizados, lembre-se disso. – Saiu andando, deixando Sai pensativo.
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Naruto estava sentado no chão do vestiário masculino, encolhido contra a parede, tentando controlar a crise de choro... Sasuke olhava a cena, penalizado, não sabia que o garoto ficaria tão abalado, aproximou-se lentamente e colocou uma mão sobre o ombro dele.
– Hei Uzumaki. – O loiro o encarou espantado e se afastou do toque. – Calma, não vou fazer nada, — levantou as mãos em sinal de rendição – só preciso saber se você quer que eu chame alguém.
– N... Nã... Não precisa. – Tentou secar o rosto. – Daqui a pouco eu estarei melhor, não conte a ninguém, por favor. – Abaixou a cabeça, a voz saiu embargada.
O Uchiha suspirou, não queria desobedecer o pai, mas mesmo assim deixar o Uzumaki naquele estado, sozinho no vestiário masculino, não era uma opção para ele. Então contrariando seu bom senso, sentou-se ao lado do jovem, disposto a esperar ele se acalmar.
Naruto o encarou surpreso e envergonhado, não queria que Sasuke o visse naquele estado, mas não podia evitar. Além disso, uma parte dele sentia-se feliz pelo moreno estar ali.
– Porque você está fazendo isso? – Perguntou baixo, com medo de ser repelido pelo outro de alguma forma.
– Não sei... – Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, ao lado do loiro sentia-se estranhamente confortável, desde que aquele garoto chegou a escola foi assim e isso nunca o agradou, mas agora não ligava. – Talvez você seja um imã para problemas e eu tenha um imã que me atrai para ajuda-lo.
O loiro não conseguiu se lembrar de nenhum outro momento que foi ajudado pelo Uchiha, mas não se apegou a isso, o importante é que ele estava ali agora e isso o deixava um pouco feliz.
– Obrigado. – Sorriu verdadeiramente e novamente o moreno sentiu-se hipnotizado pelo sorriso do jovem loiro.
– “Porque toda vez que ele sorri, me sinto desse jeito? Onde vi esse sorriso?” – Pensou com o olhar preso na face do outro.
– O que vocês estão fazendo aqui? – A voz impaciente de Anko, professora de ginastica, soou fazendo os garotos se levantarem rapidamente. – Vão pra aula! AGORA! – Rapidamente os dois saíram do vestiário e foram rumo a sala de aula.
Mesmo todos tendo estranhado a chegada da dupla inusitada, ninguém comentou nada e o dia passou normalmente. Sasuke havia voltado a ser o cara frio e arrogante de sempre, Sai não tentou se aproximar mais e Naruto continuava afastado de todos, mas agora preso às lembranças da conversa no vestiário.
Continua...
Notas finais
Sai é um tarado?
Até onde será que essa "regressão" de Itachi pode ir?
Ainda mereço Reviews?
Beijos Beijos
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