As Três Faces do Medo.
26 Capítulo 25: Matriarca Uchiha
Notas iniciais
A madrugada estava se transformando em uma cinzenta manhã. Uma manhã mórbida e com o odor característico de álcool para algumas pessoas. Os meios de comunicação transmitiam apenas a notícia sobre o ataque ao Instituto Namikaze, repórteres estavam cercando o Hospital Central de Konoha e tentavam de tudo para entrar e saber informações a respeito do estado de Minato e Itachi.
Dentro do prédio havia policiais, seguranças particulares, enfermeiros, médicos e nenhum deles conseguiu barrar Mikoto quando ela praticamente invadiu o lugar em busca de um rosto conhecido, alguém que pudesse lhe dar notícias... Por Deus... Que fossem boas notícias!
Avançou por vários corredores como se sentisse para onde deveria ir, ignorava os chamados das pessoas que tentavam detê-la e só parou de andar quando virou em um corredor e deparou-se com três pessoas sentadas em um banco de espera. As três pareciam extremamente abatidas... Talvez dopadas...
– Shisui... – Sussurrou o nome do rapaz que estava sentado de forma desleixada e tinha os olhos fixos na parede branca a sua frente. Ainda vestia as roupas sofisticas da noite anterior, mas estas estavam amarrotadas e com manchas escuras.
– Tia Mikoto... – Ele respondeu sem desviar o olhar da parede.
A mulher caminhou até ele, parando a sua frente e isso permitiu que visse os olhos negros do mais novo. Olhos um pouco avermelhados e inchados, olhos de quem havia chorado até se cansar...
– O que aconteceu? – Tentou soar calma, mesmo que seu coração estivesse cada vez mais apertado e sua mente repleta de pensamentos angustiantes.
– Eu... Eu não consegui protegê-lo... – Abriu um sorriso de canto, sem humor. – Não consegui fazer nada... – Enrugou a testa e olhou para as próprias mãos. – Não pude fazer nada. – Grunhiu e fechou as mãos, apertando com força.
Mãos delicadas sobrepuseram as suas e as apertaram. O moreno levantou a cabeça para conseguir fitar a mulher, que agora tinha o rosto marcado por finas lágrimas que teimavam em cair-lhes dos olhos.
– O que aconteceu, Shisui? – Indagou em um desespero mal contido.
– E... – Ele pareceu se perder completamente e voltou a fitar a parede branca que estava atrás da mulher.
– Ele não vai responder, Uchiha-san. – A morena se virou para o homem que acabava de chegar. Era Jiraiya e ele vinha acompanhado de Yahiko, Mei e Konan. Todos pareciam completamente acabados.
– O jovem está em estado de choque, na verdade os três estão. – Mei falou com pesar, lançando um olhar aos três que estavam sentados. Shisui, Kushina e Tsunade.
– O que aconteceu? – Indagou sem lagar as mãos do moreno e sem tentar conter as lágrimas.
– Nós não sabemos direito... Nagato e eu voltamos ao Instituto para buscar algo que eu havia esquecido e encontramos Shisui e Kushina, já em estado de choque, segurando Itachi e Minato. – Yahiko respondeu quase mecanicamente. – E... Naruto e Sasuke não estavam lá... – Quase murmurou a ultima parte.
– Como assim? Segurando? Então todas as notícias são verdadeiras? Meus filhos... Meus bebês... – Apertou com força as mãos fechadas de Shisui.
– Se acalme Mikoto-san... – Konan foi para o lado dela e a afastou de Shisui, fazendo-a sentar em outro banco. – Mei... Busque um copo com água, por favor.
– Sim... – A ruiva assentiu e saiu.
– Mikoto-san... – Segurou o queixo da mulher e a fez olhá-la. – Itachi já está estabilizado, a bala...
– Bala? – Sussurrou assustada.
– Sim... Ele levou dois tiros... Um o atingiu de raspão no braço e o outro no tórax, mas a bala se alojou entre duas costelas. – Deu um sorriso pequeno. – Ele é um homem de fibra, lutou com todas as suas forças para ficar vivo e agora os médicos estão apenas o monitorando para evitar que a hemorragia volte.
A mulher assentiu e soltou um soluço audível, qualquer um poderia dizer que ele estava bem, mas ela só acreditaria se o visse bem. E ainda faltava algo... Alguém...
– Sasuke? – Indagou torpemente.
Konan travou, os olhos âmbar adquiriam um tom escurecido de tristeza. Antes de ela conseguir articular algo, Mei voltou carregando um copo plástico na mão e o entregou a Mikoto.
– Tome, Mikoto-san. – Disse com gentileza.
A mulher aceitou e tomou todo o conteúdo do copo, mas os olhos negros estavam presos a Konan, esperando por sua resposta. A mulher de cabelos azuis não conseguiu manter-se encarando a Uchiha e lançou um olhar para o outro lado do corredor, vendo que Yahiko e Jiraiya estavam conversando com aqueles três, possivelmente repassando as noticias que os médicos haviam dado.
– Me responde... – Ordenou entre dentes.
– Ele e Naruto foram levados, nós... Nós não sabemos para onde... – Falou lentamente.
– Levados... – Sussurrou com incredulidade e apertou o copo descartável, amassando-o completamente. Porque levariam seu filho? O que estava acontecendo? Queriam dinheiro?
– Mikoto-san... – Mei se incomodou com o olhar um tanto febril da mulher, ela parecia prestes a perder completamente o controle.
A matriarca Uchiha secou as lágrimas e se levantou, a postura ereta e o olhar gelado. Seu filho mais velho estava internado em um hospital, mas estava seguro... Já seu filho mais novo estava em algum lugar qualquer, poderia estar sofrendo todo tipo de coisas... Ela não tinha tempo para ficar chorando e se lamentando...
– Já conversaram com a polícia? Contaram-lhes tudo que sabem? – Indagou séria.
– Sim, mas precisamos dos depoimentos de Kushina ou Shisui... Mas eles não conseguiram falar nada concreto até agora. – A azulada respondeu.
– Certo... – Se virou, dando as costas para as duas. Estas se entreolharam receosas, mas permaneceram no mesmo lugar apenas vigiando de longe.
Mikoto foi em direção ao moreno e parou novamente a sua frente. Percebeu que ele ignorava completamente o que Jiraiya explicava, ele parecia não conseguir entender realmente o que o homem falava. Levou as mãos ao rosto anguloso e o levantou, para que pudesse fitar diretamente os olhos daquele rapaz... Quantas vezes não havia feito isso quando ele era uma criança? Shisui sempre sofria da mesma forma, sempre se punia por todo mal que acontecia... Foi assim quando sua jovem mãe morreu, mesmo que ele nem estivesse junto dela no dia do acidente.
– Shisui... – Chamou suavemente, os olhos presos firmemente aos do outro, prendendo completamente a atenção do mais novo. – Eu preciso que você conte tudo que sabe, todos os detalhes... Preciso que você me ajude a encontrar os meninos...
– Mas o Itachi... – Sussurrou.
– O Itachi ficará bem... Ele terá pessoas para protegê-lo aqui, mas Sasuke não tem ninguém para protegê-lo no lugar onde está. Por favor, Shisui... Ajude-me a encontrar meu menino. – Praticamente suplicou.
– Como? Como posso te ajudar? – Os olhos marejaram. – Eu não fui capaz...
– Você não poderia fazer nada além do que fez, mas agora nós precisamos que você conte tudo o que sabe a policia, para que eles possam encontrar os garotos. Você entende? – Se inclinou um pouco em direção ao rapaz e lhe lançou um olhar confortante.
– Me perdoe tia... Perdoe-me po... – Foi silenciado por uma mão pequena e um olhar duro.
–A culpa não é sua, Shisui! – Enrugou a testa em uma expressão de repreensão. – Pare de dizer que a culpa é sua... Pare de se lamentar! Você é um ótimo rapaz, alguém que eu ajudei a criar, a pessoa em quem Itachi mais confia... Não fique se lamentando! Ajude-me a tomar uma atitude e prender a pessoa que fez isso com ele... Conosco...
O rapaz ficou em silêncio, o raciocínio que estava vagaroso devido ao calmante que haviam lhe dado começava a trabalhar mais rápido. O coração voltava a pulsar acelerado e um ódio cresceu dentro dele... Madara... Madara havia feito tudo aquilo... Madara havia machucado Itachi. Trincou os dentes e se levantou de supetão, não havia mais tempo para lamentos.
Precisava encontrar Madara... Madara precisava morrer... Lentamente...
– Jiraiya, Ibiki ainda está aqui? – O tom saiu controlado, carregado de um ódio mal contido.
O Namikaze mais velho assentiu um tanto surpreso pela súbita mudança de comportamento do mais novo.
– Ele está em uma sala reservada, junto de Nagato. Eu o levarei até ele. – Yahiko se prontificou.
– Certo... – Olhou para a mulher morena que lhe transmitia apoio pelo olhar. – Você vem comigo tia, precisa ouvir o que tenho a dizer. – Segurou a mão pequena da mulher que considerava como uma segunda mãe e logos os três seguiam para o local onde Ibiki estava.
– Ela está certa... – A voz rouca de Kushina soou pouco depois dos três terem desaparecido. – Não há tempo para ficar lamentando, Minato já está fora de perigo e agora precisamos nos concentrar em encontrar meu filho. – Levantou-se e limpou as lágrimas.
– Eu também vou, mas antes quero ver Minato! – Tsunade também recobrou parte de sua costumeira postura severa.
– Ele e Itachi ainda estão na UTI e ainda não sei quando serão levados para um quarto. – Jiraiya esclareceu.
– Tudo bem... – A ruiva assentiu. – Então iremos até Ibiki para contar tudo e ajudá-lo no que for possível... Quando Minato acordar, Naruto estará aqui. – Disse convicta.
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Kisame havia acabado de acordar, Madara havia lhe liberado de seus serviços por duas semanas. Não entendeu o motivo, mas não questionou, afinal fazia uns bons anos que não tinha uma folga prolongada.
Levantou-se da cama e a passos lentos rumou para o banheiro que era em anexo ao quarto, ao passar pela pequena TV que tinha ali a ligou... Gostava de ver/ouvir as notícias do dia, mesmo que nunca houvesse grandes novidades.
Entrou no banheiro e começou a fazer sua higiene matinal, os olhos brilhavam sonolentos, mas tinha parte da atenção voltada para a voz monótona da repórter que soava do aparelho de televisão. Ela fala sobre o clima, mas logo seu tom tornou-se grave... Aquele tom usado para notícias mais tensas. Kisame se concentrou um pouco mais e travou olhando assustado para seu reflexo no espelho:
– A polícia ainda não tem maiores informações sobre o sequestro dos dois herdeiros mais influentes do País do Fogo, Namikaze Naruto e Uchiha Sasuke. Mas nos foi repassada a informação de que o estado de saúde Namikaze Minato e Uchiha Itachi já está estabilizado. As famílias ainda se recusam a dar qualquer declaração. Os dois foram atingidos... – Ela continuou a relatar o que havia acontecido.
O Hoshigaki correu até estar diante do aparelho, os olhos azuis e pequenos presos à imagem de Itachi sendo transportado em uma maca às pressas para dentro do Hospital Central de Konoha. A cena foi rápida, pois logo um homem de cabelos alaranjados surgia diante da câmera e gritava uma ordem de afastamento.
Sentiu um arrepio de terror por sua espinha e trincou os dentes, sentindo o sangue ferver ao entender o motivo de seu súbito afastamento. Madara não o queria atrapalhando seus planos. Agora, além da preocupação com Itachi, perguntas surgiam: quando ele soube? Quem viria pegá-lo? E quando?
Rapidamente se vestiu e correu para o hospital. Precisava se certificar de que Itachi estaria seguro, tinha certeza que era para ele estar morto e se não estava, logo alguém iria tentar terminar o serviço. Mas Kisame não permitiria isso.
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– Maldito transito! – Fugaku murmurou olhando furioso para a fileira de carros que estava parado a sua frente. O maldito aeroporto não permitiu sua saída sem as malas e quando conseguiu sair daquele lugar se deparou com aquele transito típico de horário de pico. Como poderia existir esse tipo de situação em um domingo?
Kagami que estava ao volante olhou de esguelha para o amigo e suspirou, tomando a decisão mais sensata para o momento, mas a menos sensata para sua vida. Trocou a marcha, respirou fundo e entrou na contra mão. Acelerou o carro e usou de toda sua experiência para ziguezaguear entre os carros até entrar em uma rua estreita, fazendo um caminho alternativo e mais longo, porém sabia que chegaria mais rápido...
– Você é louco. – O patriarca Uchiha sibilou.
– Não temos tempo para ficar parados no transito. Aonde vamos primeiro?
– Ao clã... Preciso saber sobre todos os possíveis locais que Madara pode ir... Só lá tenho dados suficientes.
– Certo.
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Obito ainda estava no saguão do aeroporto e andava de um lado a outro, com os olhos sempre fixos no painel de avisos a espera do anuncio sobre o pouso de um avião particular. O avião em que a equipe de Kumo estaria, aqueles que poderiam ser seu maior auxílio nessa nova situação.
– Kisame não atende o celular. – Sasori anunciou olhando apático para o moreno.
– Eu não acho que ele tenha qualquer informação importante... Se ele soubesse de alguma coisa, teria dito. – Deidara se pronunciou com extrema seriedade.
– Mesmo assim a ajuda dele é muito importante. – O Uchiha rebateu e arregalou os olhos em expectativa quando o anuncio que queria apareceu no painel. – Eles chegaram.
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Ibiki, Kotetsu e Izumo estavam em uma sala branca e impessoal, era ali onde aconteciam as reuniões da diretoria, portanto era espaçosa e tinha uma grande mesa retangular. O delegado estava sentado à cabeceira desta e lia atentamente as informações obtidas até aquele momento referentes ao sequestro e as duas tentativas de assassinato. Sua experiência lhe dizia que uma informação muito importante estava faltando, algo que faria o rumo das coisas mudarem completamente.
E essa certeza aumentava consideravelmente a cada vez que olhava para expressão claramente aflita do ruivo presente na sala. Nagato queria falar alguma coisa, mas não se sentia suficientemente seguro para isso.
Alguém bateu duas vezes na porta e Kotetsu a abriu, dando passagem a Mikoto, Shisui e Yahiko. Imediatamente Nagato foi até eles e parou em frente ao moreno, parecendo questioná-lo com o olhar e recebeu um leve aceno dele.
– Está se sentindo melhor, senhor Uchiha? – O delegado olhou criteriosamente para o mais novo.
– Sim. – Assentiu.
– Então eu esperarei lá fora. – Yahiko anunciou já se dirigindo a saída, mas na porta encontrou Kushina, Jiraiya e Tsunade.
– O depoimento deve ser sigiloso... – Kotetsu começou a dizer educadamente.
– Eles também devem ouvir o que tenho a dizer. – Shisui o interrompeu. – Por favor... – Olhou diretamente para Ibiki.
O mais velho assentiu e lançou um olhar significativo ao seu subordinado, que imediatamente indicou as cadeiras em que eles deveriam se sentar. Após se acomodarem e Izumo, que estava com um notebook, se preparar para registrar tudo que seria dito pelo Uchiha, o delegado se pronunciou.
– Então, por favor, conte-nos o que aconteceu ontem. Você chegou a ver o rosto de alguém? Algo que possa nos indicar quem está por trás disso? – Deixou de lado os papeis que segurava e cruzou os braços em frente ao peito.
– Eu sei quem fez isso. – Falou com firmeza.
Alguns não conseguiram conter o espanto ao escutar a sentença, mas não ousaram dizer nada.
– E quem seria essa pessoa? – O Morino se inclinou ligeiramente, mostrando-se completamente atento as palavras do advogado.
– Uchiha Madara. – Falou pausadamente, sem deixar de encarar o delegado e antes dos outros saírem do estupor causado pelo espanto, começou a narrar tudo que sabia.
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Sentia-se estranho, parecia que todo seu corpo estava dormente, sua boca tinha um gosto amargo e a visão estava completamente embaçada. O que havia acontecido? Tentou se levantar, mas seus movimentos estavam limitados. Estava amarrado?
Piscou tentando focar a visão e todas as memórias surgiram. A colação, o pátio, um furgão, desespero, tiros... Itachi. Arregalou os olhos e lutou para se sentar, mas suas mãos e seus pés estavam firmemente amarrados, então não conseguia se mexer.
Deixou-se cair sobre o chão de madeira e sua nuca doeu devido ao impacto. Lágrimas vieram-lhe aos olhos. Itachi foi acertado no peito, ele viu! Um tiro naquele lugar era morte certa... Seu irmão estava morto.
Virou a cabeça para o lado e perdeu o ar. Naruto estava deitado no lado oposto da sala, mãos e pés também amarrados, olhos fechados e corpo relaxado contra o chão de madeira. Não usava mais a beca, vestia apenas uma calça social, mas não tinha nenhum machucado a vista. O moreno suspirou aliviado, mas o alivio durou pouco.
– Bom dia, Sasu-chan. – O homem imponente parou ao seu lado, inclinou-se sobre si e abriu um sorriso gentil. Era estranho, falso... Não combinava com a falta de vida dos olhos escuros. – Está se sentindo bem?
O adolescente contraiu o rosto em uma expressão de fúria e novamente tentou levantar, desta vez seu objetivo era atacar Madara!
– Filho da puta! – Rosnou e quase conseguiu sentar-se, mas Madara colocou o pé sobre seu peito e o forçou a deitar-se.
Então Sasuke percebeu que estava na mesma situação que Naruto, seu dorso estava livre de qualquer vestimenta e o solado frio do sapato fez sua pele arrepiar-se.
– Se acalme garoto. Porque está tão nervoso? – Indagou calmamente.
O moreno trincou os dentes, a raiva e o medo nublavam completamente sua racionalidade. Só conseguia pensar em fugir ou então desfigurar aquele maldito rosto plácido.
– Maldito! O que você quer, Madara? – Praticamente rosnou, mas ao perceber o tom e o próprio descontrole decidiu tentar se acalmar. Precisava estar calmo para pensar em uma forma de tirar Naruto daquele lugar. – Porque você fez tudo isso? O que você fez com o Naruto?
Madara se inclinou para frente, colocando boa parte de seu peso sobre o pé que pressionava o peito pálido do jovem no chão. Sasuke não conteve a leve expressão de dor ao sentir seus braços, que estavam firmemente atados às costas, serem comprimidos.
– Muitas perguntas, Sasu-chan. – Abriu um sorriso ladino. – Eu quero algo que só vocês podem me dar. Fiz o que deveria fazer. Naruto está apenas descansando. – Pressionou mais o pé sobre o outro e o sorriso aumentou ao escutar o leve ofego de dor.
– Apenas nós podemos dar? Que merda você tá falando? – Soltou entre dentes. A dor começava a incomodá-lo muito.
– Eu quis dizer que vocês juntos formam o que eu busquei durante muito tempo. Tanto tempo, tantos empecilhos, mas agora eu os tenho e nada ficará no meu caminho. – Sorriu com uma estranha doçura, uma doçura que não chegava aos olhos. – Mas vocês ainda precisam ser moldados.
Sasuke sentiu o desespero crescer cada vez mais. Nada de toda aquela merda fazia sentido! Toda aquela porcaria de coversa alucinada. Que porra ele queria dizer com aquilo?
– Moldados? O que você quer da gente?
O homem afastou o pé e se agachou diante do jovem, os longos cabelos caíram em cascata ao redor do rosto claro e acariciaram suavemente a pele exposta do outro. Uma mão enluvava segurou com firmeza o queixo fino e o puxou para cima, deixando os rostos próximos.
– Eu quero Izuna. – Sussurrou roucamente.
Sasuke arregalou os olhos ao ver o olhar insano tão de perto.
– Quem é Izuna?
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O silêncio caiu opressor sobre os ombros de todos os presentes assim que a última palavra foi proferida por Shisui. Os três policiais estavam diante do computador lendo o depoimento, enquanto os familiares estavam com expressões carregadas em suas faces...
– Como vocês puderam? – Mikoto cravou os olhos negros e frios sobre o rapaz. – Como puderam fazer isso e ainda esconder! O que vocês estavam pensando? – Suas feições se contorceram devido a pura indignação e fúria que sentia.
– Nós tivemos medo... – Shisui sussurrou, encolheu ligeiramente o corpo e abaixou a cabeça. – Medo do que Madara poderia fazer a vocês...
– Do que ele poderia fazer? – A mulher soltou um riso seco. – Ele fez Shisui... Os garotos estão desaparecidos, Itachi e Minato-san estão internados e nós... Nós estamos nas mãos dele. – Se levantou bruscamente, assustando os outros presentes que assistiam a cena atônitos, e se inclinou para o homem sentado a sua frente. – Vocês eram crianças imaturas e agora são adultos imaturos! Deveriam ter nos contado!
– Senhora Uchiha... – Ibiki tentou intervir, mas foi calado com apenas um olhar. Como alguém poderia imaginar que aquela pequena e passiva mulher poderia mudar tanto.
– A senhora acreditaria? Todos do clã se faziam de cegos quando se tratava dele... A senhora acreditaria em nós? – Rebateu baixo, mas com certo tom de rancor. – Itachi tentou alertar Fugaku, mas ele não fez nada e a senhora sempre foi submissa às decisões dele. Nem mesmo foi capaz de ficar ao lado do seu irmão...
Mal concluiu a frase e sentiu um golpe ardido na face direita, a força o fez virar a cabeça de lado, em seguida seu queixo foi fortemente segurado e puxado, para que ele pudesse encarar o olhar furioso da matriarca Uchiha.
– Quem você pensa que sou, Shisui? Quem você acha que ficou louca durante todos esses anos tentando enganar os anciões para poder custear toda a vida de vocês três fora das paredes do clã? Quem perdia tempo visitando suas casas em horários específicos para saber se tudo estava bem? Quem teve que lidar todos esse anos com a falta de fé de todos aqueles que mais amou? Eu!
Apertou com mais força o maxilar do rapaz que a encarava com profundo espanto.
– Eu larguei meus sonhos, meus objetivos e parte do que eu era para ser a Matriarca Uchiha, pois é apenas isso que sou, não é? A esposa dócil de Fugaku, a irmã amorosa, a mãe víbora que permitiu a expulsão do próprio filho. – Afastou-se com certa grosseria. – A idiota que não merece saber de nada... Pois olha no que deu? – Indicou tudo ao redor, como se aquilo pudesse resumir toda a situação.
– Tia... Eu... – Murmurou arrependido.
– Cale-se, Shisui. – Voltou a sentar-se e adotou uma postura altiva. – Está na hora de vocês saberem sobre o que fiz antes de viver em função de vocês. Está na hora de vocês saberem que quem trouxe Madara para o seio da família principal Uchiha foi eu.
– Vocês são todos uns loucos! – Kushina se manifestou pela primeira vez. A voz potente e desesperada reverberou pela ampla sala. – No que isso vai adiantar? Já sabemos que foi ele... Não precisamos escutar mais nada... Cassem aquele maldito, agora! – Bateu o punho na mesa.
– Kushina-san... – Encarou diretamente os olhos claros da ruiva. – Não é tão fácil assim, eu o conheço desde que era criança e nunca o vi falhar em nada, mas com ele aprendi que toda informação é necessária para derrubar um inimigo.
– E qual informação pode servir, senhora Uchiha? – Jiraiya indagou sem esconder o tom desgostoso.
– O que o levou a se tornar quem ele é hoje... Está na hora de falar sobre Izuna...
– Izuna? – Kushina contorceu o rosto em indignação. – Quem é esse...
– O irmão do Madara... – Mexeu na bolsa que estava pendurada no encosto, tirou uma fotografia e a lançou em direção a Uzumaki.
A ruiva pegou a foto desgastada em mãos e viu a imagem de duas crianças sorrindo. Uma menina de curtos cabelos negros e sorriso afável e... Sasuke... Aquele era um pequeno Sasuke com um enorme sorriso?
– Quem é essa menina ao lado do Sasuke? – Indagou voltando os olhos para Mikoto.
– Esta sou eu e o garoto é Izuna... Irmão de Madara... – Voltou a encarar Shisui que parecia estar congelado. – Apenas eu, além de Madara, sei da história deles... Apenas eu sei o que Madara passou e isso me cegou para o que estava acontecendo... A pena me cegou.
– Pena? Como pode sentir algo assim por aquele monstro? Ele me enganou! Quando Naruto desapareceu, ele me ajudou a procurá-lo! – Tsunade vociferou em meio a lagrimas.
– Se você estivesse no meu lugar também sentiria pena, Tsunade-san. Ibiki-san... Pode tomar nota do que direi a partir de agora, por favor... Contarei sobre o passado abafado do clã Uchiha e o motivo dos anciões temerem Madara.
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O homem de jaleco cortava os corredores do hospital a passos rápidos e silenciosos. Cumprimentava educadamente cada um que se dirigia a si, até que chegou ao seu destino... Unidade de Tratamento Intensivo. Sorriu ladino e caminhou até parar diante dos quartos.
– Bom dia senhores. – Cumprimentou os dois seguranças que estavam diante da porta.
– Bom dia... – Um deles respondeu automaticamente, mas não fez menção de se afastar.
– Posso? – Fez um gesto em direção a porta.
– Não... Só o médico responsável pode entrar.
– Agora eu sou o médico responsável. – Ajeitou os óculos que escorregaram até a ponta do nariz. – Troca de turno, sabe?
– Não fomos avisados disso, então o senhor não vai ent...
– Kabuto-san! – Um outro homem usando jaleco e com aparência cansada aproximou-se rapidamente.
– Senpai... – Fez uma mesura respeitosa. – Aconteceu alguma coisa?
– Eu vim correndo, pois sabia que teria problemas... O plantão foi tão conturbado que me esqueci de avisar que você seria meu substituto. – Olhou para os sisudos seguranças. – Podem deixá-lo entrar, Kabuto é meu subordinado de confiança, não penso em alguém melhor para cuidar deles e ele é ético acima de tudo.
– Não precisava ter se desgastado em vir até aqui, senpai... Eles não poderiam me impedir, de qualquer forma, sou o médico da família Uchiha. – Revelou calmamente e viu o espanto passar pelos olhos de seu superior. – Não faça essa expressão... Eu sou ético acima de tudo, não iria revelar isso em situações normais.
O médico mais velho assentiu, mas não saiu do lugar até que tivesse a certeza de que o outro iria entrar. Já os seguranças analisaram criteriosamente a figura estranhamente confiável do jovem médico e logo deram passagem para que ele entrasse.
Kabuto fechou a porta logo após passar por ela, seus olhos escuros passearam calmamente pelas figuras deitadas em macas. Ambas as macas rodeadas por vários aparelhos, tubos e fios. Ele se aproximou do que estava mais próximo e pegou a prancheta onde estavam as informações referentes ao estado do paciente.
– Itachi Uchiha... – Sussurrou com os olhos presos aos dados contidos no papel timbrado do hospital. – Você é realmente irritante... Não consegue nem morrer quando deve. – Sorriu de lado. – E hoje começariam minhas férias... Tsk... – Colocou a prancheta no lugar e foi em direção a Minato.
Cuidaria deles da melhor forma possível, cuidaria até ser ordenado a fazer o contrário...
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