As Três Faces do Medo.
24 Capítulo 23: Presságio!
Notas iniciais
Primeiramente: um agradecimento especial à kymyi que deixou uma linda recomendação para nossa história! Obrigadaaaa!!!!!
Agora vamos as notas!
Venho trazendo duas notícias:
1° Meu computador pegou um vírus mais difícil de derrotar do que o Obito na guerra ( eita spoiler)... kkkkk
O jeito vai ser formatar meu baby, mas não tenho o disco com o sistema operacional que eu quero, então vou ter mandar alguém formatar! Buuaaaa
A sorte é que tenho o PC da minha querida maninha! xD
2° Arrumei um emprego e, portanto, vou ter menos tempo para postar. Continuarei escrevendo pelo celular, afinal eu já tava fazendo isso mesmo (a inspiração vem quando menos se espera). kkkkkkk
Mas terei menos tempo para sentar na frente do PC e revisar, então peço paciência e se eu demorar muito podem mandar MP! Hehehehe (mas estou falando em caso de uma demora de, no mínimo, um mês galera!)
É isso! Espero que consiga conciliar bem e estou contando com o apoio de vocês!^^
Chega de lenga-lenga e vamos ao capítulo! o/
Fugaku terminou de vestir-se e conferiu seu reflexo no espelho, estava impecável, como sempre. Alcançou a mala de tamanho mediano que estava ao lado da cama, ajeitou as cobertas sobre o corpo adormecido de sua esposa e saiu do quarto rumo às escadas.
Era sexta-feira e no dia seguinte teria uma reunião em Kumo, País do Trovão, logo pela manhã. Isso o impediria de ir à colação de grau de seu filho, pois só voltaria à Konoha na madrugada de domingo.
O patriarca Uchiha chegou ao hall de sua casa, onde Kagami o esperava. O homem tinha uma figura ligeiramente mais rústica que a sua, era mais alto, tinha ombros mais largos e sempre carregava uma expressão relaxada.
– Bom dia, Fugaku. – Cumprimentou meneando a cabeça. Por ser o braço direito e amigo do líder do clã e presidente da corporação, não o tratava com formalidades.
– Bom dia, Kagami. – Imitou o meneio de cabeça. – O carro já está pronto?
– Claro. – Pegou a mala do superior e abriu a porta.
Os dois estavam prestes a sair da casa, quando escutaram passos apressados vindos de dentro da residência. Fugaku foi o primeiro a virar-se.
– Pai? – Sasuke apareceu com uma expressão sonolenta.
– Sasuke? – Arqueou uma sobrancelha. – Aconteceu algo?
– Não. – Balançou a cabeça em negativa e desviou o olhar, sentindo-se envergonhado. – Eu... É...
Kagami deu um sorriso, o que chamou a atenção do adolescente fazendo-o pensar no quanto aquele homem era parecido com o filho. Kagami era um Shisui de cabelos grisalhos.
– Acho que o Sasuke-kun quer lhe desejar boa viagem. Esperarei no carro. – Piscou para o rapaz e saiu da casa.
– Então... – O mais velho tentou usar a expressão mais receptiva possível.
– Boa viagem, pai. – Se curvou em uma reverencia respeitosa, costume comum entre os Uchihas mais tradicionais. – Vá em paz.
Fugaku abriu um sorriso de lado e colocou a mão sobre a cabeça de seu caçula, bagunçando um pouco os fios negro azulados.
– Obrigado filho. Logo estarei de volta. – Falou sem o tom austero a qual estava acostumado. – Não se esqueça do jantar do domingo.
O mais novo se endireitou e fitou os olhos negros do pai...
– Eu não esquecerei. – Sorriu de canto.
O patriarca assentiu e saiu de casa, fechando a porta em seguida.
Sasuke ainda ficou fitando a madeira por um tempo e sentiu um estranho aperto no peito. Após a expulsão de seu irmão, havia parado de despedir-se do pai quando este ia a viagens, mas naquela manhã de sexta-feira um impulso o fez levantar-se da cama e descer apressadamente as escadas. Uma estranha necessidade de despedir-se.
Balançou a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos estúpidos e voltou para o quarto, jogando-se na cama sem olhar para nada ao redor. Nem percebeu que o vidro do pequeno porta-retratos que tinha em seu criado mudo estava trincado, nele estava uma foto de sua família.
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Itachi estava fitando seriamente a xícara que tinha nas mãos, o olhar era tão intenso que Shisui, assim que entrou na cozinha, pensou que o namorado estava tentando destruí-la com a força do pensamento.
– Itachi? – Indagou hesitante, mas o outro continuou com o olhar preso ao objeto. – Itachi? – O mais novo virou a cabeça em sua direção com uma lentidão quase assustadora e os olhos opacos caíram sobre si.
Foi naquele instante que o advogado percebeu algo pingar na mesa, um líquido vermelho e viscoso. Arregalou os olhos.
– Sua mão está sangrando! – Tirou a xícara da mão do outro, pegou papel toalha e o pressionou sobre o corte na palma da mão de dedos finos. – O que aconteceu? – Sua voz saiu carregada de preocupação.
O médico o encarou com um olhar perdido e franziu os lábios finos...
– A xícara trincou na minha mão. Ela trincou e me cortou. – Murmurou.
Shisui lançou o olhar sobre o objeto de porcelana e viu uma rachadura que ia da borda até a base e ainda se ramificava para os lados. Que merda era aquela?
– Você tava tomando ácido corrosivo? – Tentou brincar, mas o de longos cabelos negou sério.
– Eu estava tomando chá preto.
– Chá preto? – Arqueou as sobrancelhas, surpreso. – Mas você não gosta de chá preto. – Afastou o papel do machucado do namorado e o amassou.
– Eu acordei com muita vontade de tomar... – Olhou o pequeno corte na sua mão direita, que já não sangrava mais. – É o chá preferido do meu pai.
O mais velho suspirou. Pegou a xícara e a jogou no cesto de lixo junto com o papel manchado, depois se sentou ao lado do namorado e o abraçou, fazendo-o encostar a cabeça em seu peito. Itachi se deixou ser abraçado e enlaçou a cintura do mais alto.
– Pode ter sido uma forma de matar a saudade. – Sussurrou carinhoso, enquanto acariciava os cabelos longos e macios.
– Mas a xícara rachou e você sabe que isso pode significar um mau presságio.
O advogado parou de acariciar os cabelos do outro e suas feições se contraíram em desconfiança.
– O que aconteceu, além disso? – Indagou baixo. – Você sempre foi do tipo cético e agora está completamente abalado por causa de uma xícara rachada.
– Eu passei a noite tendo pesadelos, acordei me sentido angustiado e pensando muito no meu pai. – Suspirou. – Por isso quis tomar o chá.
Shisui levou a mão até o bolso da calça que usava e pegou o aparelho celular, sem dizer nada, discou um número e aguardou.
– Alô? – A voz conhecida e calma soou.
– Pai? Tudo bem? – Apesar da pergunta amistosa, seu tom era baixo e tenso.
– Oi, Shi-kun. Como você está? Aconteceu alguma coisa? – O mais velho pareceu preocupado.
– Já disse que esse apelido é muito constrangedor? – Resmungou ouvindo uma risada divertida do pai. – O senhor está com o Fugaku-sama? – Ao fazer a pergunta sentiu Itachi ficar tenso entre seus braços e tentar se afastar, mas não permitiu e o manteve encostado a si usando o braço livre.
– Ele tá aqui sim.
– O senhor pode passar o telefone pra ele?
– Shisui... – Hesitou.
– Por favor... – Usou um quase tom de súplica, o que sempre usava para conseguir convencer o pai.
– Certo.
O advogado escutou uma conversa rápida e logo ruídos indicando que o celular havia trocado de mãos.
– Fala, Shisui. – O moreno sorriu ao escutar a voz grossa e tão conhecida no mesmo tom seco de sempre.
– Alguém precisa falar com você, Fugaku-sama. – Anunciou e empurrou Itachi, conseguindo ver a expressão carrancuda dele.
– Quem?
– O senhor já vai saber. – Estendeu o celular para o namorado e o encarou com intensidade.
Itachi negou com a cabeça, Shisui estreitou os olhos e trincou os dentes, adquirindo sua expressão mais severa. O mais novo suspirou e pegou o aparelho.
– Fugaku... – Seu tom saiu mais fraco que o normal. As imagens dos pesadelos que teve vieram a sua mente e a angustia cresceu.
– Itachi? Aconteceu alguma coisa? – O médico estranhou o tom mais leve e preocupado.
– Não... Não aconteceu nada. – Limpou a garanta, buscando retomar seu tom normal. – Só queria desejar boa viagem. – Era a desculpa quase perfeita, tinha que agradecer a Sasuke por ter lhe avisado da viagem do pai.
A resposta demorou alguns segundos para vir...
– Hm. – Pausa. – Você e seu irmão combinaram isso?
– Como assim? – Franziu as sobrancelhas.
– Ele acordou logo cedo pra me desejar boa viagem, algo que não fazia desde os seis ou sete anos. E agora você me liga pra fazer o mesmo.
A expressão de Itachi ficou carregada de tensão. Será que Sasuke também estava daquele jeito?
– Não, não combinamos. – Soltou um curto suspiro.
– Certo... – Pausa. – Já estão anunciando o voo, tenho que desligar.
– Tudo bem... Boa viagem e vá em paz. – Escutou um som incomum... Aquilo foi uma risada, vindo de seu pai?
– Obrigado filho. Logo estarei de volta. – Encerrou a ligação.
Itachi ainda ficou um tempo parado com o celular encostado a orelha, depois entregou o aparelho ao mais velho e voltou a encostar a cabeça no peito largo.
– Melhor? – Shisui murmurou.
O mais novo levantou a cabeça e encarou os olhos adornados por cílios longos...
– Hm... – Resmungou se aproximando do mais velho.
Shisui entendeu o recado e inclinou a cabeça, capturando os lábios finos entre os seus, iniciando um beijo lento e molhado. Os dois se perderam naquele contato que foi evoluindo e se intensificando cada vez mais...
Aquela sexta-feira podia ter começado de forma turbulenta, mas eles a deixariam livre de qualquer angustia e incerteza, afinal era folga deles.
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O sol da tarde transpassava a copa da frondosa árvore iluminando e aquecendo o casal acomodado na grama bem tratada do jardim da mansão Senju. O loiro estava sentado com as costas apoiadas no tronco, enquanto o moreno apoiava a cabeça nas pernas do namorado.
–... E quando acordei percebi que o quadro estava rachado. – Sasuke falou. Sua voz saiu um tanto preguiçosa devido ao carinho que recebia nos cabelos.
– Pode ter sido apenas uma coincidência... – Naruto rebateu calmamente, os olhos azuis presos ao rosto relaxado do outro, que mantinha os olhos cerrados.
– É... Pode ser... Mas ainda algo me incomoda. — Abriu os olhos e fitou os azuis pairando sobre ele.
– Então é melhor você conversar com alguém... – Mordeu o interior da bochecha, fazendo uma expressão preocupada.
– Eu to falando com você. – Enrugou as sobrancelhas.
O Uzumaki soltou um riso sem humor...
– Eu sou o cara cheio de neuroses, lembra? Posso acabar criando uma teoria maluca que envolve premonições, espíritos malignos e um pacto com um demônio. – Arqueou uma sobrancelha.
O moreno deu um sorriso mínimo e voltou a fechar os olhos...
– Se eu fosse você iria pensar o mesmo. – Torceu os lábios. – O que eu disse foi bem esquisito, quero dizer, todos já tiveram pesadelos com os pais e nem por isso ficaram se achando os videntes... – Riu forçado.
– Não precisa fazer isso, Sasuke. – Parou de mexer nos fios negros e esperou que o outro o encarasse. – Não faça pouco caso de seus sentimentos, mas também não se deixe levar completamente por eles. – Aconselhou com seriedade.
O Uchiha assentiu...
– Eu torço pra que seja só uma besteira minha, um sonho idiota e uma angustia idiota. — Suspirou.
– Eu também... – O loiro sorriu de forma confortante.
– Hm... — Se sentou e virou-se para o loiro. – No fim não vai ser nada e no domingo iremos jantar com o Supremo Senhor do Clã Uchiha. – Falou com uma falsa pompa.
– Vou acabar morrendo de ansiedade até lá... – Resmungou e fez um leve careta.
– Ele não é tão ruim e seus pais estarão lá pra te proteger... Eu acho... – Soltou uma curta risada ao escutar um lamento vindo do outro.
Sasuke havia chegado ali com o coração pesado, sua mente traiçoeira fazia questão de manter as imagens de seus pesadelos bem claras e quase palpáveis. Mas agora, após contar tudo à Naruto e receber em troca companheirismo e carinho, sentia-se mais calmo.
– Porque você tá me encarando assim? – Naruto indagou desconfiado e passou a mão no rosto, pensando que tinha alguma sujeira.
– Nada... – Deu de ombros e abraçou o outro, os rostos ficaram próximos o suficiente para que iniciassem um beijo lento.
– Naruto! Sua tia acabou de chegar! – A voz potente de Jiraiya chegou até eles e os fizeram se separar.
O loiro, ao se afastar, abriu um lindo sorriso e seus olhos brilharam.
– Ela chegou! — Se levantou quase correndo e puxou o namorado pela mão.
– Ei... Calma... — O moreno era praticamente arrastado pelo mais novo.
Quando os dois entraram na casa foram até a sala de estar onde encontraram os avós do Uzumaki conversando com uma mulher de feições gentis. Seus cabelos lisos eram curtos e escuros, seus olhos eram negros e tinha um corpo magro e estatura baixa.
A mulher abriu um grande sorriso ao ver o loiro entrar no recinto, este soltou a mão do Uchiha e se adiantou em abraça-la.
– Tia, quanto tempo! — A envolveu pelos ombros.
A mulher, num primeiro momento, se espantou com o ato carinhoso, afinal fazia quase um ano que não o via e da última vez o garoto mal dava apertos de mão. Quando a surpresa passou, ela envolveu a cintura do garoto e encostou o queixo em seu ombro, sem conter a emoção que a envolveu.
– Senti saudades, garoto. — Soltou contente.
Logo eles se afastaram...
– Você tá realmente muito bem... — A morena segurou o rosto naturalmente bronzeado e espremeu levemente as bochechas. — E mudou bastante também... — Lançou um olhar rápido sobre as roupas que o garoto usava. Uma camiseta de mangas compridas verde-clara com o símbolo de uma espiral preta no peito, calças jeans largas e tênis branco.
– É... Eu mudei um pouquinho. — Sorriu envergonhado.
A moça assentiu ainda sorrindo e se afastou, seus olhos negros caíram sobre o jovem parado atrás de seu sobrinho. Já tinha uma ideia de quem ele era, mas aguardou a apresentação.
Naruto seguiu o olhar da tia e seus olhos brilharam em compreensão. Voltou a segurar a mão de dedos longos e trouxe o garoto para o seu lado.
– Tia, este é o Sasuke meu namorado. Sasuke, esta é Shizune, minha tia.
– Prazer em conhecê-la, Shizune-san. — Fez uma curta mesura com a cabeça e estendeu a mão livre em direção a mulher.
– O prazer é meu, Sasuke-kun. — Aceitou o cumprimento e depois olhou para o loiro. — Você arrumou um namoradinho muito fofo, Naruto-chan.
– Tia... — Resmungou fazendo uma leve careta.
– Ih... Shizune, ele não gosta que chamem o namorado de fofo... Acho que é ciúme. — Tsunade se manifestou.
– Não sei o que vocês veem de fofo nesse moleque... Não tem nada de fofo nele. — O homem de cabelos platinados apontou para o tórax do Uchiha, que franziu o cenho e olhou para o próprio peito, sem entender.
Naruto levou a mão livre à testa e massageou levemente, seu avô nunca iria deixar o assunto “falta de peitos” morrer...
– Ah Jiraiya, você só pensa em peitos! — A loira acertou um cascudo no marido.
– Vocês dois continuam os mesmos, ou talvez, estejam mais felizes. — A morena falou um tanto reflexiva.
– Com certeza estou mais feliz, meu novo livro está vendendo como água! Sou um gênio! – Os olhos do homem brilharam e ele abriu um mega sorriso.
Logos os três mais velhos se envolveram com o assunto do livro e praticamente se esqueceram da presença dos adolescentes. Aproveitando a brecha, o casal saiu de cena e voltou para o jardim.
Queriam aproveitar o fim de tarde ali em paz, afinal o dia seguinte seria repleto de correria...
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Darui entrou calmamente no restaurante. Era um local simples, havia algumas pessoas comendo e conversando, a maioria ali era de trabalhadores aproveitando o fim de sexta-feira.
Os olhos escuros e tediosos viajaram pelo local, passaram pelas mesas de madeira escura, pelas garçonetes de sorrisos ensaiados, pelo balcão onde havia algumas pessoas bebendo enquanto assistiam a uma pequena TV e finalmente pararam em uma mesa em um canto mais afastado, onde três homens conversavam. Caminhou até lá...
– Uchiha-san? – Indagou ao homem de cabelos negros e curtos, que estava ao lado de um loiro de longos cabelos.
– Darui-san! – Obito se levantou para cumprimentar o homem e depois sentou-se, sinalizando para ele sentar a sua frente.
Darui se acomodou e lançou um rápido olhar sobre o homem ruivo que estava ao seu lado...
– Estes são Deidara e Sasori, eles trabalham pra mim. – Apresentou.
Os dois balançaram a cabeça em cumprimento, mas seus olhos pareciam tentar desvendar o homem a frente deles. Darui não se incomodou com os olhares e virou-se para Obito.
– Você é realmente persistente, poucos conseguiriam convencer Kira-sama a liberar um de seus subordinados para uma conversa particular. – Comentou casualmente.
– Um inimigo em comum pode facilitar muitas coisas. – Sorriu de lado.
– Hm... – Assentiu e fez um sinal a para uma garçonete. Após a jovem anotar seu pedido e se retirar, voltou a falar. — Eu fiquei distante por mais de dez anos não sei como posso ajudá-lo.
– Pelo que soubemos você ficou afastado por ter desacatado uma ordem. – Sasori começou com voz neutra. – Mas dez anos são mais que a média, não? Geralmente vocês passam até cinco anos afastados.
O de cabelos platinados coçou o queixo...
– Passei cinco anos preso e o resto do tempo sob proteção. Madara descobriu que matei seus subordinados e resolveu me perseguir pelas sombras. – Colocou o cotovelo sobre a mesa e apoiou o queixo na mão. – Quase fui morto duas vezes no ultimo ano preso...
– Tudo isso por um subordinado? – Deidara não escondeu a indignação.
– Fiquei três meses vigiando Madara de perto e descobri algumas coisas bem idiotas, que talvez aos mais próximos – olhou rapidamente para Obito e voltou a encarar o loiro – passasse despercebido.
– Como o que, por exemplo? – O Uchiha arqueou uma sobrancelha.
– A mente dele funciona de um modo particular, seus objetivos são demarcados por motivos que não fazem sentido para qualquer outra pessoa. Ele tem a necessidade, quase doentia, de concluir tudo que começa e, muitas vezes, o tal começo está apenas dentro da cabeça dele. – Pausou quando a jovem garçonete apareceu com sua cerveja, sorveu um gole. – Ele odeia ser contrariado, quem o contraria é marcado como inimigo e todo inimigo deve ser eliminado. Vocês três, o garoto Itachi, seu amigo Shisui, Kira, eu e quem mais estiver em seu caminho...
– Como você conseguiu tanto sobre o perfil dele? – O moreno o olhou um tanto surpreso, nunca tinha fechado um perfil para Madara, sua mente estava sempre focada em acabar com ele.
O homem negro soltou uma risada curta...
– É o que eu faço. Geralmente não faço trabalhos em campo, mas fui colocado lá para traçar o perfil de Madara e conseguir descobrir sua fraqueza... Algo que pudesse desestabilizá-lo ao ponto dele se entregar sem querer. – Tomou mais um gole da cerveja. – Descobri seu ponto fraco, mas após isso a missão desandou e fiquei em risco.
– E qual é ponto fraco dele? – Deidara indagou com certo tom de descrença. Estava envolvido na busca pela queda de Madara há anos, para ele era impossível que alguém em apenas três meses tivesse conseguido descobrir algo que ele nem sabia existir.
– Sua obsessão por concluir ciclos. – Fitou atentamente os olhares confusos. – Tudo dele envolve um ritual que deve ser planejado, iniciado, desenvolvido e concluído. Isso vale para matar alguém ou tomar banho.
– Tudo se resume a isso? Toda a merda que ele já fez é por isso? – Obito soltou indignado.
Darui suspirou e virou o copo de cerveja, sorvendo o líquido até o final. Após fazer um som de satisfação voltou a olhar os homens tensos...
– Existem apenas duas coisas que motivam as pessoas da sociedade atual: satisfação pessoal e econômica. Dentro disso existem filosofias pessoais, caráter, expectativas sociais e etc... – Fez um sinal displicente. – Madara não é diferente de ninguém nesse ponto, no entanto, o que ele busca para se satisfazer economicamente e pessoalmente é bem distante do que é considerado normal.
– Sim... Ele é um louco nojento que ganha dinheiro com drogas e se satisfaz torturando crianças! – O loiro fechou a expressão e seus olhos azuis brilharam com ódio.
Darui percebeu que havia algo de muito pessoal naquela ação, não era uma indignação geral... Era como se ele tivesse vivenciado algo ruim relacionado à Madara.
– Para uma mente dentro dos padrões normais é realmente difícil entender a lógica por trás das ações e pensamentos de Madara e isso, de certa maneira, não é ruim. Uma mente saudável nunca entenderá como uma mente não saudável funciona.
– Então você tá dizendo que o Madara é daquele jeito por uma doença?
– Não é uma doença, digamos que ele desenvolveu uma personalidade diferente, que não se adapta aos nossos padrões. Então ele age seguindo regras pessoais e sempre segue seus instintos.
– Em palavras comuns? – O ruivo arqueou a sobrancelha.
– Ele é mal, cruel e precisa ser parado. – Deu de ombros.
– Estou trabalhando pra isso. E acho que está bem próximo, amanhã ele fará uma transação aqui em Kumo e... – O Uchiha foi interrompido por uma risada seca.
– Você caiu nessa? Mesmo? – Arqueou uma sobrancelha clara.
– Como assim? – Franziu o cenho, sentindo-se com raiva daquele homem.
– Tantos anos o perseguindo, Caçador, e não percebeu que ele nunca atua pessoalmente quando os negócios estão ligados ao tráfico? Principalmente no território do Kira-sama? – Sorriu de lado.
– Então o que é toda essa transação em Kumo? – Deidara soltou ranzinza.
– Distração. Madara quer colocar o foco do seu maior perseguidor no local onde ele não vai estar. — Passou as mãos nos cabelos claros e jogou um olhar severo em direção a Obito. – Afinal sua fraqueza é a obsessão por fechar ciclos e tem um que ele ainda não terminou.
–Então a transação não vai acontecer? – O loiro indagou após perceber que seu chefe estava perdido em pensamentos.
– A transação vai acontecer, mas ele não vai estar lá.
– Então quem vai? – O ruivo perguntou.
– Alguém que será preso em seu lugar, provavelmente uma pessoa que ele quer dispensar. – Retirou a carteira do bolso e mexeu em algumas notas que estavam ali.
– Como você pode saber tanto? – Obito sussurrou virando os olhos negros em direção ao homem.
– Eu me afastei fisicamente do trabalho, mas ainda sou o melhor no que faço e eles precisam de mim. – Sorriu de canto e colocou a quantidade que pagava por sua cerveja sobre a mesa. – Durante um tempo eu fugi de Madara, mas nunca permiti que ele fugisse de mim.
O policial se levantou calmamente, fez um curto aceno para os três homens à mesa e saiu andando a passos preguiçosos. Era um homem peculiar.
Após sua saída o silencio caiu sobre os ocupantes da mesa, até o loiro arregalar os olhos e virar-se para Obito.
– Uma pessoa que ele quer eliminar. – Repetiu as palavras de Darui, o que fez o moreno o olhar confuso. — Sua irmã não disse que Fugaku está vindo pra Kumo?
Obito se levantou de supetão, chamando a atenção de algumas pessoas do local, mas não se importou.
– Sasori ligue pra o Fugaku e conte a ele o máximo que puder! Chega de segredos e só assim ele ficará longe daqui! – Orientou com voz autoritária e o ruivo assentiu. — Deidara tente descobrir os movimentos do Hidan, se o Kakuzu está cuidando das transações em Kumo, aquele albino desgraçado deve estar trabalhando no objetivo verdadeiro...
– E você? – O loiro perguntou.
– Vou conseguir alguns aliados para impedir Madara de fazer seja lá o que ele estiver pensando em fazer. – Saiu correndo, precisava alcançar Darui.
Loiro e ruivo se entreolharam, tinham tantas coisas que Madara havia deixado de fazer no tempo em que foi forçadamente afastado. Como eles iriam descobrir o que era mais importante?
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O lugar estava quente, muito quente... Sentia a garganta, o nariz e os olhos arderem... A fumaça negra envolvia tudo... Tossiu...
Mas não podia desistir... Aquele seria o fim do tormento, aquele seria o caminho certo, aquele seria o fim deles...
Escutou passos... Alguém se aproximava... Voltou a correr para dentro do local em chamas...
Ao escutar um rangido alto, olhou pra cima... Uma parte do telhado estava despencando, mais a frente um corpo era coberto por escombros... Sorriu... Finalmente ele estava morto... Iriam juntos...
Escutou o barulho de madeira caindo e aguardou...
Logo sentiu algo pesado cair sobre suas costas e um gemido de dor escapou de seus lábios... A escuridão o abraçou... Era o fim...
Naruto abriu os olhos e deparou-se com a porta do banheiro que era em anexo ao seu quarto. Sentou-se lentamente, sentindo o coração descompassado e o suor frio em sua testa.
Não era uma lembrança... Era só um maldito pesadelo idiota!
Passou a mão no rosto e virou-se para o relógio no criado-mudo. Eram sete horas da manhã... Teria que levantar dali à uma hora, mas não tinha mais sono algum. O jeito era levantar e procurar algo pra ocupar a mente e esquecer-se do estranho pesadelo.
Notas finais
O que vocês acham que vai acontecer?
Comentários?
Sugestões?
Críticas?
"Curti, continua?" kkkkk
Beijos Beijos
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