As Três Faces do Medo.

15 Capítulo 14: Poslúdio: Desencontro!


Notas iniciais
Oi galerinha!
Olha quem está de volta: EU!

Hoje quero dar um agradecimento especial a Larissa Mikaelson que recomendou a FIC. Obrigada mesmo! *.*

Obrigada a quem comentou (aos poucos estou conseguindo responder todos), bem-vindos novos leitores e obrigada a quem favoritou! ^^

Vamos ao capítulo! o/

Ps: Não betado, qualquer erro podem avisar!

Uzumaki Kushina nunca foi um exemplo de dama gentil e delicada, na verdade era conhecida na alta sociedade como uma mulher que parecia carregar toda a força do mundo sobre os ombros. Uma dama de ferro. Era admirada por ter uma carreira, por manter-se bem em uma conversa de negócios e por sempre fugir de conversas fúteis. Muitos duvidavam de sua capacidade de chorar e de se mostrar fragilizada.

Mas os poucos retardatários do baile de recepção dos Sabaku — aqueles que ficaram para conversar por mais tempo sobre negócios — nunca esqueceriam as feições desesperadas da bela mulher ruiva, quando esta apareceu correndo no salão segurando um aparelho celular de encontro ao busto. Jamais esqueceriam o grito estrangulado e nem o caos que se seguiu a ele.

Uns diriam que ela gritou que o filho foi sequestrado, outros juram ter escutado algo relacionado a assassinato, mas Sai acompanhou silenciosamente a crise desde o inicio.

Estava cansado, entediado e com muita vontade de ir para casa, mas Danzou insistiu em permanecer mais um pouco na festa, para conversar com um tal Madara. Coisas sobre investimento para sua base militar ou algo assim. Sai não se importava.

Kimimaro parecia entretido conversando com um garoto meio gigante. Juugo era o nome do garoto. E ele parecia um amigo da família Sabaku, provavelmente amigo do estranho de tatuagem na testa.

Sasuke e Neji não estavam falando com ele, ainda muito irritados com o que ele havia feito no dia anterior. Então restou ao moreno sentar-se em uma mesa no canto do salão secundário – onde o Buffet estava sendo servido – e observar o vai e vem das pessoas.

Viu quando a senhora Uzumaki entrou, ela parecia procurar algo e estava com uma expressão preocupada. Foi isso que chamou a atenção do moreno, fazendo-o segui-la curiosamente com os olhos.

Ela pegou o celular e hesitou antes de discar, assim que ela colocou o aparelho próximo à orelha o som de uma música monofônica espalhou-se pelo local. Sai percebeu que o toque vinha de baixo da mesa em que estava, encontrou um aparelho celular, o pegou e viu que a palavra “Mãe” piscava na tela, junto de uma foto da senhora Uzumaki.

Escutou o barulho do salto chocando-se com chão bem encerado e logo a ruiva estava ao seu lado, o rosto pálido e os olhos repletos de angústia.

- Sai-kun. – A voz da ruiva soou perturbada. – Onde está meu filho? – O moreno não queria ver aquela expressão desesperada, não queria aqueles olhos marejados o encarando.

- Eu não sei, Kushina-san. – A voz saiu pesada. Ele queria poder dizer onde o Uzumaki estava. – Eu encontrei o celular em baixo da mesa.

A ruiva tomou o aparelho das mãos do jovem, se virou para a saída que dava para o salão principal e sem falar mais nada saiu quase correndo. Sai a seguiu, queria poder ajudar em alguma coisa.

- Minato! – O grito saiu estrangulado e fez as conversas no salão silenciarem. – Eu não encontro Naruto em lugar nenhum. Ele sumiu!

E então tudo aconteceu muito rápido, em questão de segundos a família de Naruto se espalhou pela mansão, nem se importando com os convidados, que foram praticamente expulsos da casa pela família Sabaku. Sai viu Sasuke sair quase arrastado pelo pai, viu os Hyuuga partirem – Hinata parecia em choque –, outros retardatários também foram delicadamente expulsos e ele mesmo cedeu a ordem do pai de ir para casa.

Sai sabia que apenas os parentes e amigos próximos da família ficaram na casa, além disso, dois homens – que tinham traços Uchiha – também permaneceram por lá.

E o resto, todas as teorias sobre gritos de morte, sequestro e desmaios eram fofoca.

No entanto, algo passou despercebido por Sai. Uma troca de olhares entre dois Uchiha, um olhar acusador que se encontrou momentaneamente com um olhar debochado.

**********/////**********

Eram seis da manhã, haviam procurado por todos os lugares possíveis, rodaram a cidade quase toda e perguntaram para muitos se tinham visto um jovem loiro vestido com um smoking. Nada teve resultado.

Todos que estavam na busca se reuniram na mansão, onde a família Sabaku havia permanecido para o caso do loiro voltar. Os únicos que ainda não haviam aparecido eram Nagato e Gaara, que insistiu em sair à procura do amigo.

- Ele não está em lugar algum. – Minato disse desolado e jogou-se em uma cadeira, o corpo tremulo e a vontade de chorar fazia-o quase sufocar. Os cabelos estavam em completo desalinho, a roupa toda amarrotada e provavelmente ele não sabia onde estavam seu terno e gravata.

- Por Deus... Se ele foi sequestrado outra vez... Eu... Eu... – Kushina caiu em prantos e foi abraçada pelo cunhado.

- Ele não foi sequestrado. Provavelmente está escondido em algum lugar e voltará logo. – Yahiko disse com o máximo de certeza que conseguiu reunir. – Isso já aconteceu antes.

Após isso todos caíram em um silêncio pesado, até Nagato e Gaara aparecerem ofegantes.

- Fomos até a casa de vocês e eu olhei com calma o quarto de Naruto. – O mais velho fez uma pausa para regularizar a respiração. – O guarda-roupa está completamente bagunçado, algumas peças de roupa estão faltando.

- E o cofre no quarto de vocês estava aberto e vazio. – Gaara acrescentou. – Isso não é algo que Naruto faria.

- Oh Deus... – Kushina soluçou. – Kyuubi!

- Sim, Kushina-san. – O Sabaku ruivo assentiu e adquiriu uma expressão austera. – Só resta saber o motivo de sua fuga, pois por experiência própria, eu sei que sempre há um motivo.

Minato deixou o choro sair e Tsunade o abraçou tentando consolá-lo. Ela era mãe, deveria ser forte, mas também era avó e ainda sentia-se culpada por tudo que havia acontecido.

**********/////**********

Tsunade gostava de levar Naruto ao parque e enquanto o neto brincava, ela geralmente lia um livro ou até brincava com ele. Já havia até brincado de esconde-esconde com o menino e o amiguinho dele, que não parecia gostar muito de interagir com as outras crianças.

- Naruto eu tenho que passar no banco antes de irmos. – Tsunade segurava firmemente a mão do neto, enquanto caminhava em direção ao parque que era próximo a casa de Minato.

- Mas vó e se meu amigo chegar no parque e eu não estiver lá? – Rebateu já pronto para fazer um bico.

- Ele não pode esperar um pouco?

- Vó! Faz duas semanas que eu não vejo ele! Eu prometo que fico quietinho esperando ele chegar e não vou falar com nenhum estranho! – Fez a melhor cara de pidão que sabia. Aquela que usava pra convencer Kushina a preparar lamen.

- Eu sei que você não vai falar com nenhum estranho. Não perdeu o amor a vida. – Fitou severamente o pequeno. – Meu medo é te deixar sozinho no parque e você acabar colocando fogo em tudo. – Apertou a bochecha dele.

- Ai... aí... Eu prometo não queimar ou destruir nada. Vou ficar quietinho! – Parou na frente da loira e fez um beicinho. – Por favor, vovó!

Tsunade suspirou. Sabia que o loiro iria se comportar, ele sempre cumpria suas promessas e vivia gritando isso pelos quatro cantos. Mas hoje ela havia sentido uma enorme vontade de passar o dia colada a ele. Era como uma espécie de mau presságio, mas a Senju não acreditava nessas coisas e deveria parar de assistir telejornais sensacionalistas, estava ficando muito impressionada com as notícias sobre o tal Ceifador de Anjos.

- Tudo bem... – Voltou a caminhar e adentrou o parque. Era de manhã e o dia estava nublado, portanto havia poucas pessoas no local.

- Yeah! Você é a melhor avó do mundo, dattebayo! – Naruto começou a saltar empolgado e socar o ar. Tsunade riu dele.

Foram até o lugar preferido do loirinho, uma parte do parque onde poucas crianças gostavam de ficar já que tinha apenas um banco de madeira pintado de branco e um balanço velho que foi montado no galho mais grosso de uma frondosa árvore. Era a parte mais antiga do parque. Kushina e Minato haviam se conhecido ali e isso tornava o local especial para Naruto.

- Você vai ficar aqui até eu voltar, de preferência fique sentado e nem ouse olhar para os lados. – Cutucou a testa do menino. – Caso Sasuke-kun chegue, brinquem de quem fica mais tempo sem piscar até eu voltar. Entendeu?

- Sim capitã! – Fez uma continência e deu um grande sorriso para a loira, enquanto se acomodava no banco.

- Certo. – Beijou o rosto do neto e se afastou. – Eu volto logo e não saia desse banco!

A loira saiu do parque e foi até o banco, precisava apenas entregar um documento ao seu gerente, não era nada que iria demorar, mas ela se desdobrou para fazer tudo com ainda mais rapidez.

Em quinze minutos ela estava novamente no parque e quando chegou ao local onde Naruto deveria estar encontrou apenas o tio de Sasuke, Uchiha Madara. Ele parecia estar esperando alguém e sorriu assim que a viu se aproximar.

Tsunade lançou um olhar ao redor, buscando encontrar Naruto e Sasuke brincando, mas o local estava tão vazio quanto antes. Uma angustia apertou seu coração.

- Tsunade-san. – Madara se levantou e caminhou até ela, o sorriso ainda estava preso em seu rosto.

- Madara-san. Onde estão os garotos? – Nem se importou em cumprimentar o homem, só desejava que ele dissesse que os dois estavam correndo por aí atrás de uma bola ou uma pipa.

- Garotos? – Ele ficou confuso por um momento. – Eu não sei de garoto nenhum, na verdade só vim para dizer ao Naruto-kun que ando muito ocupado com o trabalho por isso não tenho tido tempo de trazer Sasuke ao parque. E não quero que o garoto pense que Sasuke está doente. – Soltou uma risada, mas esta morreu ao ver o rosto da mulher ficar pálido. – O que houve Tsunade-san? Está passando mal?

- Diga que Naruto está brincando por aí, Madara. – Os olhos âmbar marejaram. – Por favor...

- Tsunade-san, você o deixou aqui? Sozinho? – Perguntou calmo, mas não conteve o tom reprovador.

- Ele disse que iria esperar... Prometeu me esperar aqui. Quietinho. – Olhava ao redor com olhos arregalados e a voz saiu embargada.

- Tudo bem, fique calma. Vamos procurá-lo pelo parque.

A loira assentiu e eles começaram a procurar Naruto, mas ninguém o tinha visto. Ele parecia ter sumido sem deixar rastros e assim o pesadelo teve inicio.

Tsunade nunca mais voltou a ser a mesma... E nunca parou de sonhar com aquele dia...

**********/////**********

Os dois Uchiha conversavam do lado de fora da casa, nenhum deles conseguia raciocinar diante do desespero daquela família.

- Você acha que Madara está envolvido nisso? – Não havia resquício da postura relaxada que Shisui apresentava na noite anterior.

- Possivelmente não. – Itachi massageava as têmporas. – Ele não age desse jeito, não é o estilo dele. Provavelmente eles se encontraram e, por isso, Kyuubi apareceu e decidiu fugir.

- Você sempre consegue chegar a conclusões irrefutáveis numa velocidade assustadora. – Shisui abriu um pouco mais os olhos. Sempre se impressionava com a inteligência do outro.

- Não é irrefutável e por isso precisamos averiguar. – Pegou o celular e discou, em seguida ativou o alto-falante.

- Alô? – A voz masculina soou sonolenta.

- Desculpe te acordar, mas preciso de um favor.

- São... – Uma pausa e barulho. – Seis da manhã, Itachi! Você quer um favor agora?

- Naruto desapareceu... Você precisa me garantir que Madara não está com ele.

- Certo, certo. Tenho quanto tempo?

- Uma hora, Kisame.

- Tudo bem. Em uma hora te dou uma resposta. Caso o garoto esteja com ele, o que você vai fazer?

- Eu decido isso depois...

- Ok pequeno chefe, eu vou verificar os passos do grande chefe e depois te ligo. – Pausou. – E bom dia Shisui-chan.

— Como soube que eu estava aqui? – O moreno fitava indignado o aparelho celular, como se o objeto fosse o próprio Kisame.

- Eu sempre sei. ­– A ligação foi encerrada.

- Itachi... Esse cara sempre me assusta. – Murmurou sem graça.

- Não sei o motivo. Ele é leal, inteligente e nos ajudou naquele dia­. Ele merece nossa confiança. – Deu de ombros.

- Ele tem mais de um e noventa de altura e a pele é tão clara que parece azulada às vezes, sem contar aqueles dentes estranhos. – Começou em tom de zombaria, mas finalizou com seriedade. – E ele também tem a confiança total de Madara. Não acha que ele pode nos trair?

- Ele não nos traiu por onze anos, porque faria isso agora? – Disse tentando controlar a irritação.

- Como eu vou saber o que se passa na cabeça dele? – Rebateu entre dentes. – Ele esta sempre com aquele sorriso estranho e parece constantemente disposto a atirar em alguém.

- Ele é um dos seguranças pessoais de Madara, estar pronto pra atirar é a função dele. – Girou os olhos. – Você sempre implicou com ele, desde que éramos adolescentes, mas ele nunca o atacou ou ameaçou.

- Exatamente! Ele nunca foi o cara legal pra nenhuma outra pessoa, mas com você – e em menos escala – comigo ele sempre foi cheio de gentilezas e coisas assim.

Itachi ia rebater, mas parou. A mente trabalhou rápido e ele por fim entendeu o que Shisui estava dizendo, não de forma literal, mas estava claro como cristal. Como ele não tinha percebido antes?

- Você está com ciúme? – Passou a mão no rosto e soltou uma risada nervosa. – Todos esses anos com essa implicância estúpida por ciúme!

- Não é isso. – Contrapôs sem muito confiança.

Ele nunca teve um motivo plausível para implicar com Kisame, na verdade, nunca teve motivo algum, Shisui apenas sentia raiva da forma como o Hoshigaki olhava e tratava Itachi. Ciúme? Sim... Era ciúme.

- Shisui... – Itachi se aproximou do outro e segurou os braços do amigo e este o encarou. – Isso até pode soar cruel, mas não temos tempo pra esse tipo de coisa agora. Naruto está desaparecido, Madara está de volta e ainda tem o envolvimento do meu irmão nisso tudo. Nós precisamos de toda ajuda possível para alcançarmos nosso objetivo. Mas quando isso terminar iremos conversar seriamente, ok?

- Ok...

- Tudo bem vamos entr... – O toque do celular o interrompeu. – Alô? – Assim que identificou a pessoa, ativou o alto-falante. – Pode falar agora.

- Não tem nada. – Usou um tom displicente, com se estivesse rebatendo algo.

­- Tão rápido? Não levou nem meia-hora. – Shisui não impediu que a surpresa dominasse sua voz.

- Estou em horário de serviço, troca de turno e o maçante relatório da situação geral. O de sempre. ­– Durante o horário de serviço ele tinha que falar sem soltar informações específicas. – É um saco, mas o chefe deu permissão pra te ligar.

Madara estava por perto...

- Obrigado, Kisame. – Itachi agradeceu com a típica voz monótona.

- Não me agradeça pela noite de ontem, baby. Sabe que pode contar comigo. Mas só nos dias de folga. – Soltou uma curta risada arrogante. – Enfim... Tenho que desligar... Só liguei para ouvir sua voz. Até mais.

Shisui estreitou os olhos e trincou os dentes, Itachi se despediu e encerrou a ligação, disposto a não dar corda as paranoias do amigo. Antes que Shisui pudesse falar qualquer coisa Nagato impôs sua presença e os encarava inquiridoramente...

- Aconteceu alguma coisa, Nagato? – Itachi indagou calmamente, fingindo não notar o olhar do outro.

- É isso que eu quero saber, Itachi. – Cruzou os braços. – Pra que você precisa de ajuda? O que você esconde? E o que meu sobrinho tem a ver com isso?

- São muitas perguntas, Nagato-san. – Shisui coçou a nuca e olhou nervosamente para o amigo, que mantinha-se extremamente calmo.

- Acho que você está fazendo associações paranoicas, Nagato.

- Mesmo? Então porque seu amigo está tão nervoso? – Arqueou uma sobrancelha. – Tsunade ficou desconfiada com a evolução rápida de Naruto e andou me questionando sobre você e sabe o que eu descobri? Que tirando seu excelente desempenho na faculdade e seu caso com minha amiga, eu não sei nada sobre você.

- Não somos amigos tão próximos.

- Não, não somos. Mas você aos poucos foi conquistando minha confiança e sutilmente descobriu tudo sobre minha família, até que finalmente passou a fazer parte de nosso circulo social mais intimo! Eu confiei aos seus cuidados a pessoa mais preciosa pra mim. E agora eu encontro vocês dois aqui, tendo uma conversa bem estranha.

- Nagato... – Itachi tentou interrompê-lo.

- Então eu irei perguntar novamente e você vai me responder: o que você esconde, Itachi?

Itachi respirou fundo e soltou o ar pela boca. Encarava Nagato diretamente, sem hesitar, porém pensava em várias explicações para dar ao outro. Mas tinha certeza que o ruivo, no mínimo, já tinha reunido informações suficientes para tirar conclusões precipitadas e, com isso, acabar afastando Itachi da família Uzumaki. Só restava ao moreno a verdade...

- Tudo bem. – Levantou as mãos em sinal de rendição. – Eu irei contar a você a verdade.

- Itachi! – Shisui o olhou chocado, mas o mais novo o ignorou.

- No entanto... – A expressão de Itachi tornou-se dura e os olhos tornaram-se frios. – Caso o meu segredo seja revelado para a pessoa errada, na hora errada. Naruto correrá perigo, na verdade, todos nós estaremos em perigo.

Nagato soltou um som de descrença, mas ao fitar a expressão quase mórbida de Shisui, resolveu se silenciar e assentir.

- É melhor conversarmos em um lugar privado. Tem algum lugar nessa casa onde possamos conversar sem sermos atrapalhados? – O moreno de longos cabelos parecia calmo, mas sentia uma imensa vontade de bater no ruivo e depois fugir... Parecia algo bobo e covarde, ele se sentia exatamente assim por ter sido descoberto.

- Vamos para a biblioteca, ela não é muito frequentada e hoje menos ainda. – Virou-se e entrou na casa.

Os dois Uchiha trocaram um olhar de puro pesar e seguiram o mais velho.

**********/////**********

Sasuke estava sentado na cama, observando silenciosamente a porta do quarto e esperando que a corajem sobrepujasse de uma vez o impulso de seguir as ordens de seu pai.

Fugaku ficou o vigiando a madrugada inteira, só havia deixado o quarto há pouco, quando Sasuke deitou-se e fingiu adormecer. E assim que o moreno captou apenas o silêncio na casa levantou-se e começou a se aprontar.

Ele havia preparado uma mochila com duas mudas de roupas, uma garrafa com água, o kit de primeiro socorros que sua mãe insistia em deixar em seu quarto e algum dinheiro. Estava disposto a ir procurar Naruto e não sabia quanto tempo iria demorar... Poderia levar uma hora ou uma semana.

Algo lhe dizia que era o único que poderia encontrá-lo, o único que poderia trazê-lo de volta com segurança. Talvez fossem devaneios de um maldito adolescente apaixonado, mas não se importava.

A corajem finalmente venceu e o moreno se dirigiu a sacada, sair pela porta estava fora de cogitação. Olhou pra fora verificando se havia alguém próximo e depois encarou o chão. Estava no terceiro andar e uma queda seria no mínimo incapacitante, mas não tinha outra opção.

- Que as malditas aulas de escalada me sirvam de alguma coisa. – Murmurou.

O moreno pegou impulso, subiu na mureta, observou atentamente seus possíveis pontos de apoio e começou a descer o mais rápido possível. Quando faltava pouco para alcançar o chão escutou o barulho de alguém se aproximando. No susto acabou se desequilibrando e caindo.

- Merda. – Ofegou baixinho.

Arrastou-se até encostar-se à parede, onde ficaria oculto por um arbusto. Sentia uma dor aguda no calcanhar esquerdo, mas a ignorou e ficou quieto, torcendo para não ter sido visto.

Esperou por algum tempo e quando teve a certeza de que não havia ninguém, correu ignorando a dor no tornozelo, e finalmente conseguiu sair da casa. Continuou correndo até chegar a um ponto de Táxi e em pouco tempo estava a caminho da mansão Senju. Não sabia se havia alguém lá, mas sua buscava deveria começar pelo inicio.

O moreno chegou à mansão, mas os seguranças não permitiram sua entrada e ele já estava planejando um meio alternativo de entrar.

- Sasuke-kun? – Uma voz abatida fez os seguranças e o garoto virarem em direção a casa.

- Minato-san... – O moreno deixou o nome sair em um sussurro espantado.

O Namikaze estava péssimo, parecia ter adoecido da noite para o dia, literalmente. O rosto estava pálido, os olhos estavam inchados e avermelhados, os cabelos completamente desgrenhados e as vestimentas amassadas.

- O que faz aqui essa hora garoto? – O tom do mais velho era de completo desanimo.

- Eu quero notícias do Naruto.

Minato suspirou e fez um sinal para os seguranças, estes abriram o portão, permitindo a entrada de Sasuke.

- Eu também quero, Sasuke-kun. – Disse assim que o moreno parou ao seu lado. – Vamos entrar.

O Uchiha queria falar palavras de consolo, queria poder dizer que iria encontrar Naruto, mas ao mesmo tempo queria sair correndo e voltar para a segurança da sua casa. Sem contar seu tornozelo que ainda estava um tanto dolorido.

Quando Sasuke adentrou a mansão, foi recepcionado pelo silencio. O ambiente antes repleto de conversas e cores, agora estava sombrio, melancólico... Cinza.

- Estão todos descansando. – Minato respondeu a pergunta não proferida. – Procuramos a noite toda e há pouco seu irmão nos obrigou a tomar calmante, por isso estou agindo tão estranho. – Olhou as próprias mãos e franziu o cenho, como se não as reconhecesse.

Minato sentia-se perdido, fraco, frustrado e seus olhos mostravam claramente isso. Olhos azuis tão iguais aos do filho, tão transparentes que chegavam a angustiar Sasuke. Mas então o moreno compreendeu a fala do Namikaze.

- Meu irmão está aqui?

- Sim... – Encarou o jovem. – Ele foi para a biblioteca, fica no final do corredor a sua direita. – Apontou a direção. – Vá ter com ele, eu não sou uma boa companhia agora. – Sorriu melancolicamente e bagunçou os cabelos negros do menino. – Obrigado por vir Sasuke-kun. Naruto ficará feliz em te ver aqui quando voltar.

Sasuke assentiu e viu o homem desaparecer por um dos corredores da mansão, em seguida seguiu para o local indicado. Fez menção de bater na porta dupla, mas parou ao escutar uma estranha frase.

- Chega de enrolar Itachi. Eu já entendi que esse segredo é perigoso, mas está na hora de você contar. – Sasuke não reconheceu a voz e franziu o cenho em concentração.

Escutar atrás da porta era falta de educação e a curiosidade que sentia o impedia de sentir-se mal por isso.

- O segredo que eu guardo pertence ao clã Uchiha, na verdade alguns não sabem sobre ele. – A voz de seu irmão soou. – Eu fui expulso do clã por querer trazer esse segredo à tona. ­– Sasuke arregalou os olhos e levou a mão à boca, para impedir que qualquer ruído saísse dela.

­­- Tudo bem. Essa parte eu entendi, mas qual a relação desse segredo com meu sobrinho? – O homem parecia estar ficando irritado.

- Acalme-se Nagato-san, Itachi irá contar. – Uma voz diferente soou, Sasuke a conhecia... Era Shisui.

- Eu tinha quinze anos na época...

Notas finais
PQP como eu sou malvada!!

Parar logo em uma hora dessas? Eu merecia apanhar, mas aí o capítulo não ia chegar tão cedo! hehe

Sasuke tendo seu momento ninja... Está no DNA dele, ele não consegue fugir disso!

Sai mostrando sua preocupação e a família do Naruto novamente passando por problemas.

Nagato pressionando o misterioso Itachi.

E agora? Qual o segredo dos Uchiha?

Até o próximo! o/

Reviews?