As Três Faces do Medo.

14 Capítulo 13: Interlúdio: Reencontro.


Notas iniciais
To batendo recordes de velocidade de postagem!
Estou até impressionada comigo! O.O

Mas então... Capítulo não betado (Nossa que novidade! ¬¬)

Espero que gostem... Eu adorei escrever esse! *.*

Obrigada a quem está me acompanhando e bem-vindo novos leitores!

Vamos ao capítulo!

O sábado foi corrido para Naruto, o loiro havia adiado o máximo possível a compra do smoking que deveria usar na festa. Graças a isso teve que passar o dia inteiro com a avó e a mãe em um shopping escolhendo o maldito traje.

Considerando que Kushina não tinha muito paciência para isso, sobrou para Tsunade convencer o neto de que: sim! Aquele tipo de traje era necessário e que ele deveria parar de fingir que nunca haviam conversado sobre aquilo.

Traje escolhido, os três voltaram para a casa e assim que possível Kushina correu para o local onde a recepção seria feita: a mansão Senju. Minato levou horas para convencer a mãe a liberar a casa, afinal não poderia fazer na própria casa e nem queria alugar um salão de festas.

Tsunade e Jiraiya ficaram na casa do filho, junto do neto. Não tinham paciência para a bagunça que estava acontecendo na casa deles e também queriam ter certeza de que Naruto iria. Era sempre assim. Para que ele fosse a qualquer tipo de evento, era preciso montar um esquema infalível. E, muitas vezes, não dava certo.

Mas, desta vez, Kushina tinha um trunfo. A ruiva proibiu o loiro de encontrar Gaara e Juugo antes da recepção, ou seja, ele só iria encontrá-los na festa. No entanto, além da perspectiva de encontrar os amigos, o que realmente alimentava a vontade do loiro de ir para a festa era Sasuke.

Pena que Kushina não havia pensando nisso.

**********////**********

Naruto estava a quinze minutos fitando o próprio reflexo. Ele definitivamente odiava aquela roupa, ficava parecendo um maldito pinguim loiro. Bom... Ao menos não era preto, mas sim cinza. O que não o tornava menos parecido com um pinguim.

Odiava a gravata borboleta, odiava aquela camisa branca, odiava o maldito colete e aqueles sapatos. Porque tinha que usar os cabelos penteados daquele jeito? Odiava aquele penteado!

- Naruto! – A voz de Tsunade soou seguida de batidas delicadas na porta. – Vamos ou iremos nos atrasar.

- Já vou! – Desânimo enchia sua voz.

A vontade de tomar o remédio para dormir só crescia, mas quando ele estendeu a mão para pegar o frasco, o toque de seu celular soou. Ele havia recebido uma mensagem. Pegou o aparelho.

Era de Sasuke. Sorriu sem perceber, afinal era a primeira vez que recebia uma mensagem do outro.

“Me sinto horrível vestindo essa maldita roupa! Pareço um mordomo ou um garçom. Droga de gravata borboleta!

Nos vemos no baile?

Ps: Só precisava compartilhar meu ódio com alguém!”

O Uzumaki foi tomado por alívio e uma súbita vontade de rir. Que não era o único a sentir-se desconfortável com aquelas roupas ele já sabia, mas descobrir que Sasuke era uma dessas pessoas o deixava mais... Confortável.

“Pelo menos não vai faltar garçom no baile. Kkkk

Nos vemos por lá.

Ps: Gravatas borboletas deveriam ser extintas.”

Hesitou momentaneamente, mas enviou e guardou o celular no bolso da calça.

- Naruto! – Tsunade deu um murro na porta e esta estremeceu.

O loiro deu uma última olhada no espelho, o monstro meio-homem/meio-pinguim havia desaparecido, dando lugar a um jovem bem vestido e com ar de mordomo.

- Pronto vó. – Saiu do quarto.

A loira abriu um sorriso satisfeito...

- Você está lindo! – Ajeitou a gravata borboleta, que estava ligeiramente torta e em seguida o segurou pelos ombros, agora tendo que levantar um pouco a cabeça para encarar o jovem nos olhos. – Toda vez que te olho me sinto um tanto mais velha, pirralho.

- Se fosse assim a senhora já teria uns trezentos anos, vive me vigiando. – Murmurou, mas sorriu. – E aposto que não estou tão bonito quanto você.

Tsunade estava usando um vestido longo, verde-água, de uma alça só e tinha uma echarpe jogada charmosamente nos ombros. Fora isso o loiro não sabia mais nada sobre o vestido, só que havia ficado muito bem nela.

- Tenho que estar bonita. Não quero ser ofuscada por você. – Piscou e entrelaçou o braço com o dele. – Agora vamos antes que o paspalho do seu avô comece a gritar feito um idiota.

- Sempre delicada. – Soltou uma risada.

**********/////**********

Quando os três chegaram ao local, ainda não havia convidado algum. E os poucos garçons que desfilavam por lá estavam se ocupando de dar os últimos toques na arrumação.

- Finalmente chegaram! – A Uzumaki surgiu de uma porta lateral e atravessou o salão em direção a eles.

Estava impecável usando um vestido vinho, longo, tomara que caia e com uma fenda do lado esquerdo da saia. Tinha os longos cabelos vermelhos presos em um coque bonito. Sem contar a maquiagem e as joias que a tornavam ainda mais bela.

Porque seu pai tinha a deixado usar um vestido daquele? Com certeza aqueles velhos babões, sócios dele, iriam ficar encarando sua mãe!

- Filho que cara é essa? – A ruiva franziu o cenho. – Ainda está com raiva por ser obrigado a usar smoking? Saiba que salto é muito pior.

Jiraiya soltou uma risada. Tinha acompanhado cada expressão do neto ao ver Kushina se aproximar e sabia a causa daquela carranca.

- Mãe... – Respirou fundo. – Porque você esta usando esse vestido?

- O que tem ele? – Olhou para si mesma, procurando algum defeito, rasgo ou mancha.

- Ele tem um rasgo bem aqui! – Apontou para a fenda, que ia até um pouco acima da metade da coxa esquerda. – E esta praticamente mostrando tudo! – Sibilou.

- Não está mostrando tudo, mocinho. Mostra apenas parte da minha perna, não é nada demais. – Arqueou uma sobrancelha e rebateu no mesmo tom que o filho.

- Como não é nada demais, mãe? – Indignou-se. – Aqueles velhos babões vão ficar te secando! Porque o papai deixou você usar isso?

Jiraiya estava ficando sem ar de tanto segurar o riso...

- Eu lá preciso de permissão para escolher roupa? Onde já se viu? – Colocou as mãos na cintura e uma veia saltou em sua testa. – Eu me sinto bem com ele, isso é um detalhe charmoso, nada demais. Além disso, as esposas desses velhos que cuidem deles, eu não vou ficar escolhendo o que vestir pensando na opinião dos outros!

- Mas mãe...

- Sem mais! Eu fico feliz que você esteja expondo seu ponto de vista, querido. Fico mesmo! Mas não venha tentar controlar meu jeito de vestir.

- Isso é injusto! – O adolescente resmungou. – Eu sou obrigado a me vestir como um pinguim, mas não posso te obrigar a usar um vestido comportado?

- Meu vestido é comportado! Além disso, eu te dei a opção de escolher o modelo e cor do smoking. – Apontou o dedo no nariz dele. Era uma cena bizarra, considerando que ele já era mais alto que ela.

- Como se houvesse muita opção. – Murmurou.

Jiraiya não aguentou mais e caiu na gargalhada, Tsunade tentava conter o marido com beliscões e cutucões, mas acabou o acompanhando.

- Quero saber o que é tão engraçado. – Minato se aproximou sorrindo.

Os cabelos estavam penteados pra trás com gel, deixando o rosto livre. Usava um smoking preto, mas ao invés do colete, usava uma faixa vinho, no mesmo tom que a gravata borboleta e o lenço. O tom de vinho era idêntico ao do vestido de Kushina.

- Que lindo. Vocês estão cominando. – Tsunade comentou entre risos.

- Você também queria que viéssemos combinando, Tsunade. – Jiraiya rebate. Ele vestia um modelo igual ao de Naruto, mas preto e com o colete cinza.

- Cale-se. – Cruzou os braços e fez um ligeiro bico.

- Então... Qual o motivo das risadas? – O loiro mais velho virou-se para o filho e nem estranhou a expressão irritada. Ele sempre ficava assim nessas ocasiões.

- Não sei pai e não me importo. – Minato arqueou uma sobrancelha ao escutar o tom agressivo do filho. – Eu só quero entender como o senhor permitiu que a mãe viesse com um vestido desse?

- Naruto! – A ruiva estava se segurando para não perder a calma.

- Eu até tentei interferir, filho. Mas sua mãe é teimosa. – O Namikaze deu de ombros e suspirou. – Então só me resta treinar minha expressão mais assassina para espantar os velhos tarados. Certo?

- Não sei como fazer uma dessa, mas prometo tentar. – Respondeu sério.

Diante de uma atônita Kushina, os dois apertaram as mãos, selando um estranho pacto.

Jiraiya voltou a gargalhar...

-Você ri alto demais, velhote. — O tom debochado na voz conhecida fez com que todos se virassem para a porta.

- Olha o respeito, Yahiko. — O mais velho rebateu nervoso ou quase isso.

Naruto arregalou os olhos ao ver rostos conhecidos. Rostos que lhe faziam ficar repleto de nostalgia e saudade. Nagato sorriu para o sobrinho e abriu os braços ao vê-lo praticamente correr em sua direção.

- Eu senti sua falta, tio. – Disse baixo, assim que abraçou o mais velho.

- Eu também senti. – Respondeu sorrindo.

- Eu também! – Yahiko se juntou ao abraço quase esmagando o loiro que ficou preso entre ele e o namorado.

- Vou acabar morrendo sufocado. – Reclamou.

- O amor não mata! – O de cabelos alaranjados estreitou mais o aperto.

- Ok... Já chega! – Nagato se afastou e girou os olhos ao ver o namorado fazer um ligeiro bico.

O Uzumaki loiro se virou para a família Sabaku, especificamente Gaara e Juugo, que estava junto dos tios e ficou um pouco perdido. Sentiu tanta falta dos amigos, mas agora não sabia direto como agir.

Gaara, percebendo o conflito do amigo, se aproximou e lhe estendeu a mão dando um meio sorriso.

- Como vai, Naruto?

O loiro aceitou o cumprimento e devolveu ao outro um sorriso idêntico...

- Bem... E você?

- Completamente deslocado e um tanto aborrecido. – Respondeu friamente.

Para os outros a frase soou estranha e um tanto grosseira, mas Naruto aumentou o sorriso e assentiu.

- Eu sei como é... Mas não se preocupe, vai dar tudo certo. – Findou o contato com Gaara e se direcionou a Juugo. – Hei Juugo, tudo bem?

Juugo comprimiu os lábios e lançou um olhar ao redor, como se certificando de algo e em seguida soltou um suspiro.

- Acho que sim, mas essa roupa não é muito confortável. – O tom sério e ponderado, fez o loiro sorrir mais abertamente.

- Concordo completamente.

Todos observavam a interação dos três com profundo interesse, como se a qualquer momento eles fossem saltar um sobre os outros e se espancar até a morte. Eles não podiam evitar. Aquilo, realmente, quase havia acontecido algumas vezes.

Os três perceberam, mas decidiram ignorar e iniciar uma conversa sobre qualquer besteira. Logo a festa começaria e eles não teriam mais momento nenhum de descanso, pois precisariam seguir a maldita etiqueta e, junto de suas famílias, receber os convidados ou, pelo menos, cumprimentá-los.

**********/////**********

Já era noite, o baile estava no seu auge, o Buffet já estava sendo servido e a família Sabaku já tinha sido apresentada a todos os convidados. Em algum momento, ao sentir-se sufocar no meio de toda aquela gente, Naruto se refugiou no jardim da mansão.

Sentou-se na grama próximo a uma árvore, que servia para mantê-lo oculto de olhos indesejáveis. Sozinho. Apenas preso em si mesmo e com seus pensamentos. Eram tantas pessoas, tantos assuntos, tantos elogios e conversas vazias. Aquilo o irritava tanto...

Sentiu o celular vibrar e o pegou.

“Até que você não ficou tão ruim vestido de mordomo. Na verdade parece mais um gângster”.

Toda a irritação se dissipou ao ver a mensagem de Sasuke. Nem o tinha visto no baile, provavelmente a família Uchiha chegou quando ele estava fazendo companhia a Gaara e Juugo ou quando tentou se esconder na cozinha.

“Espero que isso tenha sido um elogio. Mas quando vc me viu? Eu nem cheguei a te ver na festa.”

Enviou a mensagem e voltou a fitar a escuridão a sua frente.

- Foi um elogio sim e você pode me ver agora.

O loiro virou assustado em direção a voz, mas relaxou ao entender o que foi dito e deparar-se com Sasuke parado ao lado da árvore. O moreno estava impecável com o smoking negro, que destacava ainda mais a tez pálida e a camisa social branca. Para Naruto ele parecia mais um príncipe daqueles melosos contos de fadas do que um mordomo ou um pinguim.

- Como descobriu que eu estava aqui?

- Eu vi você fugindo e te segui. – Soltou um riso pelo nariz e se sentou ao lado do loiro. – Você não é tão discreto quanto pensa.

- Obrigado por avisar. – Deixou o corpo tombar em direção ao tronco e levantou a cabeça para observar o efeito da luz do luar na copa da árvore.

Sasuke olhou para o loiro decidido a começar uma conversa, mas as palavras morreram na garganta assim que seus olhos tocaram a figura do outro.

A face era iluminada parcamente pela luz do luar, o que deixava a pele levemente mais pálida que o normal, o tom de azul dos olhos parecia mais escuro e a boca estava ligeiramente curvada em um sorriso. Permitiu-se absorver cada traço, as finas cicatrizes que o loiro tinha no rosto, o formato dos lábios e dos olhos, os fios loiros que balançavam suavemente ao contado com a brisa noturna. Naquele instante o moreno desejou poder registrar aquela imagem em uma tela.

Estava tão absorto em sua contemplação que não percebeu que se inclinava em direção ao outro, até que Naruto o encarou um tanto surpreso.

- O que você tá fazendo? — Perguntou baixinho. Podia sentir a respiração de Sasuke tocando seu rosto, mas não conseguia desviar o olhar dos olhos negros que brilhavam de forma estranha.

- Eu não sei... – Respondeu no mesmo tom. – Mas eu realmente queria saber. Você me deixa confuso, curioso, preocupado e propenso a fazer coisas imprevisíveis. Acho que eu estou gostando de você.

Naruto sentiu seu coração acelerar. Um misto de medo, surpresa e ansiedade o tomou.

- Se isso for um tipo de brincadeira... – Murmurou e estreitou os olhos. — Não tem graça nenhuma.

Sasuke suprimiu o impulso de girar os olhos e tocou com delicadeza o rosto do Uzumaki.

- Não tem brincadeira nenhuma. Porque eu brincaria com uma coisa assim?

- Como eu vou saber? – A voz adquiriu um tom mais agudo. – Estamos nos falando há poucos dias e antes disso você nem olhava na minha cara! Agora você me diz que acha que está gostando de mim?

- Você queria que eu te dissesse isso no seu primeiro dia de aula? Olá meu nome é Sasuke e que quero te dizer que você me deixou curioso e acho que gosto de você! A propósito: Bem vindo a nossa escola. – Fez uma careta de sarcasmo.

- Estou naquela escola há quase seis meses e só agora você resolveu falar comigo! – Disse verdadeiramente chateado.

- Isso é mentira! – O Uchiha franziu o cenho. – Eu tentei falar com você nos primeiros dias de aula, mas você não parecia muito receptivo a amizades.

O loiro ficou calado por alguns momentos...

- Você tá falando daquelas duas vezes que você devolveu os livros que eu esqueci na sala? – Não conseguiu conter o tom divertido.

- Sim.

- Lembro que você disse apenas: “hei você esqueceu seu livro, idiota”. – Soltou um riso pelo nariz. – Como eu ia saber que esse é seu jeito de ser amigável?

Sasuke sentiu as bochechas esquentarem. Ele nunca foi muito bom em puxar assunto ou em ser legal. Nunca tinha precisado disso realmente.

- Tudo bem... Tudo bem... Mas nada disso significa que eu estou brincando com você. – Suspirou e se aproximou ainda mais, os narizes quase se encostando. – Posso?

O loiro assentiu levemente e fechou os olhos. O moreno o fitou por milésimos de segundo e enfim o beijou.

Naruto esperava sentir o frio na barriga que as pessoas tanto falam, desejava sentir tudo ao redor desaparecer, para que ele pudesse se concentrar apenas na sensação de ter Sasuke ali.

Mas nada disso aconteceu...

Quando o moreno aprofundou o casto beijo, o loiro sentiu a cabeça pesar e no segundo seguinte...

Estava correndo, fugindo de alguém, mas não sentia medo e sim alegria. Corria por brincadeira e quando olhou para trás, para encarar seu perseguidor, acabou tropeçando e indo ao chão, mas antes segurou no outro e o puxou junto. O moreno não conseguiu se manter em pé e acabou caindo sobre o loiro.

Acidentalmente os lábios se encostaram. Os olhos negros estavam tão arregalados quantos os azuis. Apenas alguns segundos e eles se afastaram envergonhados.

Naruto voltou a si e empurrou delicadamente Sasuke. O moreno o encarou confuso e temeu ter avançado demais. O loiro ofegava, não pelo beijo, mas pela lembrança.

Aquilo era uma lembrança, mas porque Sasuke aparecia nas lembranças?

- Naruto me desculpe se eu... – Começou constrangido.

- Não tem nada pra desculpar. – Sorriu e as bochechas coradas se evidenciaram. Ele tocou o rosto do outro. – Eu apenas não estou acostumado a toques.

O toque do celular do loiro cortou o silencio que surgiu entre eles...

- Alô? – Antedeu rapidamente.

- Filho onde você está? – A voz de Kushina soou preocupada.

- Er... Estou no jardim tomando um ar. – Ainda estava com os olhos presos em Sasuke e viu um sorrisinho surgir no rosto deste.

- Certo. Mas eu sei que você ainda não comeu nada desde que chegou. Ao menos entre e coma alguma coisa.

- Tudo bem, mãe. Estou indo. – Encerrou a ligação.

Os dois ficaram em silêncio, Naruto deveria entrar e Sasuke deveria deixá-lo ir, mas nenhum deles parecia muito disposto a se separar. Então o Uchiha desistindo de resistir, beijou novamente o Uzumaki.

Dessa vez o loiro sentiu as famosas borboletas, tudo ao redor desapareceu, permanecendo apenas o perfume de Sasuke invadido seu olfato, o sabor dele combinando-se ao seu e a respiração deles se misturando. Levantou o tronco afastando-se da árvore, tornando a posição mais confortável para ambos e abraçou o moreno pelo pescoço, ao mesmo tempo em que se sentia cingido pela cintura.

O toque do celular do Uzumaki soou novamente, mas eles se separam lentamente, finalizando o beijo com leves selinhos até se separarem completamente. Encostaram as testas e sorriram...

- Tenho mesmo que ir, antes que minha mãe venha me buscar. – Sussurrou.

- Certo... – Disse no mesmo tom e encostou novamente os lábios, porém afastou-se rápido. – Eu vou ficar por aqui mais um pouco.

- Tudo bem... – Se levantou e andou rapidamente em direção à mansão. Não olhou pra trás, para não acabar ficando por mais tempo.

**********/////**********

Shisui estava encostado em uma pilastra no lado de fora da casa e tinha uma visão completa do jardim, mas estava oculto tanto para quem estava no jardim quanto para quem estava dentro de casa. Ao seu lado estava Itachi, ambos observavam a interação dos dois adolescentes e assim que Naruto passou por eles e entrou na casa, Shisui soltou um assovio de admiração.

- Seu irmãozinho não perde tempo mesmo. — Soltou uma risada marota. – Você disse que eles estão interagindo há o que? Duas ou três semanas? E até já rolou um beijo!

- Como você pode ter tempo pra pensar em piadas? – Rebateu irritado.

- Cara você tá muito irritado! Nem parece o cara calmo, com expressão de nada que eu conheço! – Arqueou uma sobrancelha. – Se você não se acalmar vai acabar ficando careca.

- Como seu eu me importasse com isso. – Girou os olhos.

- Se você não se importa, eu me importo. – Abraçou o amigo pelos ombros. – O que seria de mim se você ficasse sem todo esse cabelão? Meu cabelo é ondulado e rebelde, então eu realizo meu sonho de consumo através de você. Então relaxe e aproveite essa noite bonita.

- Shisui você é irritante... – Murmurou e fechou os olhos, disposto a se acalmar.

Sabia que se descontrolar não resolveria nada, mas era difícil engolir toda raiva e magoa que sentia. Respirou fundo e soltou o ar calmamente e então reabriu os olhos.

- Viu? Não foi tão difícil! – Estreitou mais o abraço, o puxando para bem perto de si. – Você tem sempre que lembrar que é o “cabeça” da equipe, deixe os exageros e imprudências comigo. – A mão que estava no ombro do mais novo subiu e pousou sobre os longos cabelos, sempre presos em um rabo de cavalo baixo, e começou a acariciá-los. Shisui nunca largaria esse vicio.

- E você ainda disse que era melhor eu trazer uma garota. Como ela iria me impedir de fazer uma besteira? – Arqueou uma sobrancelha e virou o rosto para encarar o amigo. Em momento algum fez menção de se afastar.

- Ora... As mulheres têm os truques delas. – Deu de ombros e piscou.

- Sim... Elas têm o dom de me deixar entediado. – Soltou um riso pelo nariz. – Só conheço duas que não me entediaram: minha mãe e a Konan.

- Oh... Aquela amiga do seu senpai? – Balançou as sobrancelhas sugestivamente. – Ela é muito bonita.

- Nós tivemos um caso quando eu ainda estava na faculdade, mas não deu em nada.

- E você vem me contar isso só agora? – A indignação fez a voz rouca do mais velho, ganhar tons agudos. – Que espécie de melhor amigo é você?

- Eu não achei necessário, durou apenas duas semanas. – O tom calmo de sempre havia retornado.

- Duas semanas? Isso porque ela não te deixava entediado. – Falou sarcástico.

- Na verdade ela terminou tudo comigo. – Deu um meio sorriso sugestivo. – Konan só gostava do meu cabelo longo. Hoje ela está muito bem com uma tal de Mei, que tem um enorme cabelo castanho-avermelhado.

- Então você não quis me contar porque foi trocado por uma mulher? – Riu. – Orgulho em primeiro lugar. Mas e aí? Não rolou um encontro a três?

Itachi acertou uma cotovelada no mais velho, que soltou um gemido de dor.

- Vamos entrar. Logo serei apresentado aos meus novos pacientes. – Itachi se afastou e se dirigiu a porta.

- Estamos em um baile, Itachi! – Fez uma careta. – Pelo amor de Deus! – Ainda resmungando, seguiu o outro.

**********/////**********

Naruto se dirigiu diretamente ao Buffet, estava disposto a comer rapidamente e escapar outra vez. Talvez arrastasse Gaara e Juugo pra fora da festa chata, seria legal trazer Hinata também. Quando a família Hyuuga chegou ele apresentou a amiga aos dois e ao passar pelo salão principal há pouco viu os três conversando.

O loiro olhava distraído para as opções de petiscos a sua frente, mas desviou a atenção para o celular quando o sentiu vibrar no bolso da calça. Pegou o aparelho e leu a mensagem que recebeu de Sasuke.

“Não deu tempo de perguntar.

Vc ainda acha que estou brincando?

Ps: Acho que a grama deve ter manchado meu smoking. Não estou triste com isso. :)”

Sorriu bobamente para a tela do aparelho e estava preparando-se para responder quando algo o fez gelar.

- Ora... Quanto tempo, Naruto-kun. Você cresceu bastante. — A voz amigável fez todos os pelos do corpo do loiro se arrepiarem.

O Uzumaki levantou a cabeça e deparou-se com um homem imponente que sorria ladinamente em sua direção. Os olhos negros e sem brilho, pareciam capazes de atravessar sua alma e rasgá-la. Seu corpo se retesou, os olhos azuis marejaram e um suor gelado escorreu por sua testa.

- Não se lembra de mim? – Arqueou uma sobrancelha.

O loiro deu um passo pra trás, mas parecia incapaz de se afastar daquele homem. As batidas de seu coração aceleraram e sentiu-se zonzo. Deixou o aparelho celular cair e mergulhou em uma escuridão.

**********/////**********

Estava sentado em um banquinho do parque, sua avó tinha dito para esperá-la ali, mesmo que Sasuke chegasse. Ele deveria esperar ali. Suspirou entediado e fez um bico, observando tediosamente uma formiga carregando uma folha.

- Naruto-kun?

O menino se virou sorrindo para o homem de porte elegante, longos cabelos negros e sorriso de canto, que estava parado ao lado do banco.

— Oi tio. Cadê o Sasuke?

- Bom ele não vai poder vir ao parque hoje. – A expressão alegre do loiro se desfez. – Mas pediu que eu viesse buscá-lo pra brincar com ele na casa dele. Você vai?

O pequeno arregalou os olhos azuis e não conseguiu conter o grande sorriso que quase cobriu toda sua face. Já fazia alguns dias que não via Sasuke e, mesmo não querendo admitir, estava sentido muita falta do amigo.

- Sério?- Saltou do banco e parou em frente ao homem. – Eu vou sim... Só preciso esperar minha avó voltar para avisar pra ela.

- Não se preocupe, pequeno. – Colocou as mãos grandes sobre os pequeninos ombros. – Eu a avisarei e você já pode ir com meu motorista. Não se preocupe, ele sabe o caminho. – Sorriu calmamente. Ele já tinha a confiança da criança, afinal era tio do amiguinho dele.

- Certo, tio! – Sorriu. – Mas não esquece de avisar ou vou ficar séculos de castigo, dattebayo.

O homem soltou uma risada... Aquele menino era realmente encantador...

- Não irei esquecer e já pode ir para o carro. É aquele ali. – Apontou para um automóvel preto parado não muito distante dali.

- Tá bom, mas e você tio?

- Eu vou esperar sua avó voltar pra falar com ela. – Deu duas tapinhas na cabeça do menino que sorriu. – Agora vai logo.

O menino assentiu e correu em direção ao carro, abriu a porta de trás – seu pai sempre dizia que ele ainda não tinha idade para ir no banco da frente – e acomodou-se no banco.

- Oi. – Sorriu para o motorista.

O homem alto o olhou pelo retrovisor, os olhos verdes não transmitiam sentimento algum e isso fez a criança sentir-se um pouco temerosa.

— Olá, garoto. – Disse friamente e deu partida.

**********/////*********

Os olhos azuis brilharam furiosos em direção ao homem, que ainda o encarava esperando alguma resposta. O adolescente de um passo a frente, adotando uma postura completamente oposta a anterior.

Kyuubi estava com medo, muito medo. E isso o levava a atitudes impensadas.

- Maldito! – Rosnou. – O que você faz aqui?

- Eu fui convidado para o baile. – O sorriso falso, transformou-se em um cruel. – Além disso, tenho coisas para terminar por aqui. – Deu uma risada e voltou-se para uma das saídas. – Em breve nos veremos novamente, Naruto-kun.

Kyuubi apertou os punhos, sentia todo seu corpo tremer. Precisava sair daquele lugar, daquela cidade... Precisava ficar o mais longe possível daquele homem!

O loiro virou-se para a direção oposta a que o outro havia tomado e correu o mais rápido que suas pernas permitiam, tentando ao máximo não esbarrar em ninguém para não acabar chamando mais atenção que o necessário.

Quando saiu da mansão continuou correndo até chegar a casa de Naruto, que não era tão longe da mansão Senju.

Foi até o quarto e pegou uma mochila velha em baixo da cama, colocou dentro dela tudo que julgou necessário. Em seguida trocou de roupa, escolhendo uma que chamasse menos atenção e colocou uma das toucas feias que Naruto usava, esconder o cabelo era necessário.

Depois pegou as economias que o loiro guardava e seguiu para o quarto do casal, onde pegou mais uma boa quantidade de dinheiro e um cartão de crédito. Ele precisava fugir e esperava que aquilo fosse o suficiente, pensava em passar no máximo dois dias em uma vila vizinha, para esquematizar com calma a fuga. Não queria acabar deixando rastros.

Saiu da casa sem olhar pra trás, não deixou bilhetes, recados e nem nada. Não deveria alertar ninguém. Com a mochila nas costas avançou noite à dentro com apenas um sentimento o dominando: medo.

Notas finais
Um beijoooo... Oohhhhhhh!
Dois stalkers... Oohhhhh!
O dia do sequestro... Vish...
E Kyuubi na área.

Reviews? Hein? Hein? Eu mereço? (To mendigando, que feio... Ou não. xD)

Beijos Beijos e até mais. ;)