As Time Goes By
3 Locomotive Breath
Notas iniciais
Sam mal teve tempo de por os pés para dentro da casa, antes de ser atingido por um jato de água. Fechou os olhos por reflexo e foi empurrado contra a parede. Quando os abriu deparou-se com Dean. Sua alegria repentina fora substituída pela surpresa ao ver o irmão com uma faca.
– Dean? Cara,sou eu, larga isso. Eu não sou um espírito... Ou um leviatã – o mais novo tentou se livrar do aperto do irmão, em vão. Parou de lutar quando sentiu a lâmina cortando sua pele, o sangue escorreu quando o Winchester mais velho finalmente o soltou.
– Minha vez. — anunciou o mais velho.
Sam o olhou surpreso talvez pela atitude do irmão, ou pelo fato dele estar vivo, ou ambos.
– Eu não preciso disso, sei que é você... Posso apenas dizer oi...
– Droga Sammy. –interrompeu o mais velho, jogando alguns líquidos que Sam só podia imaginar o que eram e depois pegou a faca e fez um corte no antebraço.
–Oi.
– Eu não sei se devo te dar um abraço ou tomar um banho. –confessou o mais novo, feliz em ver o irmão.
Dean não podia sentir-se outra coisa além de feliz, era difícil acreditar que escapara do purgatório, que estava vivo e seu irmão está ali. Sorriu e abraçou o irmão.
Ficaram um tempo abraçados, aquele abraço que só se sente com alguém da família. Com um irmão. Finalmente o tempo unira a família novamente.
– Dean... Nossa. Você está vivo... Caramba! – As procurava as palavras para definir como se sentia. – O que aconteceu?
– Descobri que ficar perto de um Dick prestes a explodir te leva diretamente para o Purgatório. –confessou o mais velho com uma pontada de humor.
– Você estava no Purgatório? – perguntou Sam assustado.
***
Katherine acabara de sair do banheiro. Vestia uma blusa do Batman e um pequeno short que mal servia para essa finalidade, os cabelos caiam molhados pelas suas costas.
– Eu sei, o short é um tanto... Radical, mas é melhor que roupas úmidas e sujas. – a garota se justificou se jogando na cama que o profeta estava sentado.
– Quem diria que seria tão fácil conseguir um quarto descente. – murmurou ele desviando atenção da garota.
– O que importa é que agora temos que traçar um plano. – sussurrou a morena se sentando.
***
Ashley parou o Chevy na frente de uma pequena igreja. Já era noite e não havia ninguém no local.
Não se lembrava de qual fora a última vez que pisara em uma igreja, sentia-se estranha ali. A igreja era pequena, porém possuía colunas que atingiam uma altura significativa com vitrais coloridos onde se via imagens de anjos. À frente, no altar, via-se uma imagem de Jesus pregado à cruz, ele parecia sereno apesar dos machucados, algumas velas brilhavam com sua luz serpenteante e, tirando isso, a luz da Lua através dos vitrais era a única coisa que iluminava o resinto. Por um instante sentiu um arrepio, virou-se para sair quando se deparou com o padre.
Soltou uma pequena exclamação de susto e levou a mão ao peito onde seu coração batia descompassado.
– Desculpe criança, não quis assustá-la. – desculpou-se o velho padre. — Eu estava preparando minha próxima cerimônia quando te vi entrar.
– Tudo bem, eu já estava de saída. Não queria atrapalhá-lo. – Ashley sorriu fracamente.
– Não precisa ir criança. Você parece perturbada não quer ficar e conversar? – propôs o senhor.
– Não sou muito religiosa. – disse ela rapidamente.
– Mas algo te trouxe até aqui. Se não quiser conversar comigo pode ficar aqui e falar com o Senhor.
– Acho que Ele não teria muitos motivos para me escutar. – confessou a ruiva triste. Começou a ficar com raiva de si mesmo por ter entrado ali.
– Deus nunca vira as costas a um filho. – afirmou o velho com convicção e fez sinal para que a menina sentasse ao seu lado.
– Alguns amigos meus desapareceram, eu não sei se estão vivos ou mortos... Só queria... Pedir a Ele que os protegesse... – sussurrou ela sem desviar os olhos da estatua de Jesus.
– Você parece se sentir culpada. – observou o padre.
Ashley soltou um pequeno suspiro. Quando se tornara tão fraca a ponto de precisar de ajuda de um velho padre que era totalmente ignorante ao que ocorria lá fora?
– Eles acreditavam em mim para fazer a coisa certa. Eu disse que poderia protegê-lo... Mas não consegui...
– Acho que pegou mais responsabilidades do que cabe a você, não cabe a nenhum de nós protegermos aos outros, isso cabe à Ele.
– Eles confiaram em mim e eu falhei com eles, com todos que confiaram em mim. Eu devia ter previsto eu deveria ter sabido melhor... –culpou-se ela baixinho.
– Não cabe a você saber o que vai dar certo ou errado. Você apenas pode tentar fazer o certo. Tenho certeza que fez seu melhor. – o padre disse suavemente.
– Não foi o suficiente. – sussurrou ela.
– Querida, seus amigos não podem culpá-la por nada. Tenho certeza que fez o que poderia fazer, mas não cabe a ti saber o que dará certo ou não. Também não cabe a você proteger todos do que está lá fora. Não é sua culpa se às vezes as coisas fogem do seu controle. Não podemos controlar tudo, porque o controle não está ao nosso alcance. Se pensa que pode salvar todos está tentando se colocar no lugar de Deus. Você quer isso?
– Não. – esquivou-se ela rapidamente. Claro que não era isso que ela queria, mas como poderia explicar a aquele gentil senhor que poderia ter feito algo?
– Fique aqui até que se sinta melhor, se precisar estarei logo ali. – ele apontou uma pequena porta.
– Obrigada. – sussurrou ela.
Alguns minutos se passaram, ela não conseguia lembrar-se das orações que seu pai lhe ensinara quando criança, apenas lembrava-se de algumas palavras desconexas. Como queria que Deus escutasse se nem ao menos sabia como rezar?
Viu algumas velas, e pensou em acender uma o velho padre não se incomodaria. Assistiu enquanto a vela derretia noite adentro enquanto implorava mentalmente que tudo desse certo.
Acordou assustada quando o velho tocou seu ombro. Não notara que acabara dormindo a vela agora mal existia.
– Vá para casa criança. – ordenou o padre.
***
Crowley andou pelo corredor mal iluminado até chegar a bruxa que o esperava.
– Você está atrasado. – reclamou ela lixando as longas unhas. Os cabelos loiros penteados formalmente, e a roupa impecavelmente passada.
– Estou exatamente na hora que desejava estar aqui. Agora onde está o garoto? – o demônio intimou.
– Eu não sei? – se fez de inocente.
– Não foi isso o que combinamos. O que está acontecendo? – ele se irritou.
– Eu posso ser loira Crowley, entretanto burra eu não sou! Se te trouxer o garoto no segundo seguinte terei um pescoço quebrado.
– Não faria isso com você. – o demônio se fez de inocente.
– Claro que faria. Então eu tenho uma proposta: darei-te o endereço, mas apenas quando estiver bem longe daqui.
– Você não sai daqui até eu ter o endereço do garoto. – intimou.
– Bom, então você é quem sai do prejuízo, não pode me matar afinal deu muito trabalho conseguir localizá-lo. Levou muito tempo e se você me matar seus planos serão adiados ainda mais. – a bruxa sorriu largamente.
– Levem- na para a masmorra. – ordenou o demônio com um sorriso sem desviar o olhar da mulher a sua frente. E então desapareceu.
***
Ashley seguia apressadamente pelas ruas ainda levaria uns três dias para que encontrasse o local que Charlie passara. Contudo sentia-se renovada após a noite passada, percebeu-se com as energias mais dispostas a fazer o que fosse necessário.
***
– E o Cas? Ele estava no purgatório também? – perguntou o mais novo.
– Estava... Cas não... Conseguiu. — Dean respondeu com pesar.
– O quê exatamente você quer dizer com “o Cas não conseguiu”? – Sam insistiu tentado acreditar que tudo aquilo estava realmente e que seu irmão estava ali, falando que tinha ido ao purgatório.
– Algo aconteceu com ele lá em baixo. As coisas ficaram difíceis e ele... Simplesmente se foi. – o mais velho respondeu com dificuldade.
– Então Cas está morto? Você o viu morrer? – O Winchester mais novo estava decidido a não acreditar que aquilo era possível. Estava feliz por seu irmão estar vivo e bem, mas Castiel era amigo deles e não podia acreditar que esse agora estava morto.
– Eu vi o suficiente. – respondeu Dean de forma evasiva.
– Então você não tem certeza?
– Eu disse que vi o suficiente Sam. – Dean afirmou irritado com a insistência.
O silêncio pairou por alguns instantes, nenhum dos dois sabia ao certo o que dizer.
– Eu... Sinto muito. – murmurou Sam.
– Eu também. – respondeu com pesar e então como se nada tivesse acontecido o mais velho mudou de assunto. – Então não acredito que esteja aqui. Você sabe que metade dos seus números está fora de serviço?
O Winchester mais velho parecia esperar uma resposta então tentou formular uma rapidamente, aquilo seria no mínimo complicado.
– É eu sei. Não recebi os seus recados.
– E eu deveria perguntar o porquê? – divagou Dean já imaginando onde aquela conversa levaria.
– Eu parei de usá-los... – começou o mais novo e como a resposta não pareceu suficiente para o irmão continuou: — Algo aconteceu comigo também. Eu não estou mais caçando, pelo menos não como antigamente.
– O quê?
– É. Você morreu, o Cas morreu, Bobby morreu e até mesmo a Katherine parece ter morrido e Crowley a levou junto com o Kevin...
– E por isso você virou as costas para a família? – interrompeu Dean indignado, enquanto parte do seu cérebro processava o fato de Katherine estar morta.
– Não era como uma família se todos estavam mortos. – Sam tentou justificar-se.
– Mia não estava, Ashley não estava, eu não estava! Na verdade estava atolado no sovaco de Deus matando monstros o que, eu achava, era o que nós fazemos.
– Sim e o que fazemos matou toda minha família pelo que eu sabia. – defendeu-se. – E pela primeira vez na minha vida eu estava completamente sozinho.
– Você não estava sozinho. Você tinha a Mia e a Ashley, ou elas te viraram as costas também? – perguntou Dean.
Sam percebeu que o irmão estava magoado e pensando pelo lado dele conseguia entendê-lo.
– Não, mas elas não eram a minha família realmente e mesmo que fossem também iriam morrer, porque tudo que se aproxima de nós acaba morrendo Dean! Então eu peguei o Impala e dirigi...
– Depois que você procurou por mim. –afirmou, mas diante do silêncio do irmão foi obrigado a perguntar: — Você procurou por mim Sam?
O silêncio se instalou ele era pesado e cheio de resentimento da parte do mais velho, a culpa estava descrita na face de Sam. Ele agora podia ver que realmente abandonara o irmão quando este precisava dele, é claro que ele não sabia na época, mas tornava o que havia feito menos pior? Sam sabia que não.
– Legal. Bacana mesmo. Nós sempre dissemos para um não procurar pelo outro. Isso foi inteligente. Bom para você. Claro que sempre ignoramos isso porque nos amamos, aquele profundo amor de irmãos, mas não desta vez não é Sammy?
Sam engoliu as palavras amargas do irmão enquanto a culpa crescia em si, desta vez quando Dean lhe chamou pelo odiado apelido só havia magoa, ressentimento.
– Olha Dean... Eu ainda sou a mesma pessoa...
– Eu não sou. – interrompeu o mais velho dando as costas ao mais novo.
Dean se sentia traído pelo irmão. Depois de tudo que passaram, de todos que perderam, ele não imaginaria que seria tão fácil para o mais novo simplesmente voltar a uma vida normal pensava que já tinha superado isso há muito.
Não tinha sido fácil para Sam dar as costas as duas garotas, mas ele realmente acreditara que estava fazendo a coisa certa na época. Claro que ele percebeu um pouco tarde demais que não conseguiria levar uma vida comum sabendo tudo o que sabia, entretanto não teve coragem para voltar a conviver com as duas garotas, não sabia o que esperar deles, até recentemente quando finalmente tomara coragem de voltar.
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