As Raízes de Yggdrasil
17 Capítulo 17 – O reencontro
Quando o badalar dos sinos anunciaram um toque único do começo da tarde, Nero estava saindo da D’Amon, taverna mais rica da capital. Era a mais próxima, porém, a mais cara, e serviu para saciar a fome com a melhor refeição que o rapaz já comera em toda a sua vida. Seu estômago estava cheio, a barriga farta demonstrando isso a qual era acariciada pela canhota, enquanto um sorriso se estampava na face.
Satisfez a fome, mas esvaziou a carteira, com a refeição de dois mil Cernes, e uma bainha agora preenchida pela brisa suave que soprou e arrastou algumas folhas arrancadas do cartaz das missões. Seus olhos se voltaram para aquele local, percebendo que a cidade aos poucos ficava mais e mais abarrotada.
Seus passos encontravam seu início, pesados e lento, passando a língua pelos dentes e às vezes pelos próprios lábios, ainda sentindo o gosto de Peru e batata em sua boca. Mas antes que pudesse alcançar o quadro das missões, um estranho se postava diante ele.
Era levemente mais alto, com uma pele morena, e um corpo esguio, oculto por um manto marrom. O capuz lhe escondia os cabelos e a metade superior de seu rosto por uma tênue sombra, deixando visível apenas a parte inferior do nariz, e os lábios curvados em um sorriso divertido.
— Ei! – Disse o estranho, disparando uma passada em direção do Nero e pousando ambas as mãos em seus ombros. O sorriso apenas aumentou.
— O que pensa que está fazendo?! – Uma reação apropriada, com o tom de voz alto suficiente para gerar um eco por baixo da ponte de madeira, que era na verdade, um corredor com quartos dispostos dos dois lados. Cada quarto era cobrado por dez mil ao dia, disponibilizando apenas Cavaleiros e Templários para arrendamento.
— Não, não. Não faça tanto barulho! – A voz era claramente jovial, pelo menos, comparada com a do ruivo, cujos olhos ostentaram do brilho num intenso carmesim, com a pupila em uma fenda negra, com profundidade imensa como se fosse devorar o próprio mundo.
— O único alarido será o de seus dentes quebrando! – E o rapaz recuou o braço destro, com o punho fechado e o cotovelo fletido à altura do ombro. O quadril permitiu um giro leve para o lado respetivo, mas quando este desencadeava no golpe com ímpeto de um rochedo, contendo toda a cólera do Espadachim, o maior simplesmente lhe segurou o punho com a palma da canhota. O esforço imposto pelo encapuzado era mínimo, e facilmente recuou a mão de Nero, enquanto a destra lhe tampou a boca de forma célere.
— Por favor, por favor. Nero. – Os olhos ficaram visíveis através da escuridão do capuz, numa cor pura e marrom, quase âmbar, súplices ao encontrarem-se com os do ruivo.
— Então me solte! – Falou com a voz abafada, abrindo a boca o suficiente para os dentes caninos e afiados penetrarem na mão alheia, de pele delicada que facilmente se mostrou machucada pelo ato. O rapaz recuou a mão de dedos finos e graciosos, a sacudindo no ar com certa urgência, enquanto o sangue vermelho e sangue se tornava visível, em duas gotas saindo dos golpes.
— Caramba. Você morde com força. – Reclamou, e olhou em volta, onde um grupo de pessoas claramente encarava o alarido criado, porém, ignoravam, continuando suas próprias vidas.
— O que você quer? – E por impulso, deixou que a canhota pousasse sobre a bainha vazia, e a destra se mover com um leve giro do tronco, replicando o movimento de segurar o punho de uma espada, mas agarrou em falso, o que deu certa graça ao movimento.
Tentou recobrar a postura com total normalidade, contendo a vontade de simplesmente sair correndo, não por medo, mas vergonha.
Claramente, o outro ria de forma graciosa, levando ambas as mãos ao próprio estômago.
— Você realmente é ótimo, Nero. Haha. – Elevou a destra, o suficiente para fingir que limpava uma lágrima no canto do olho, roçando a base do indicador no mesmo, e então, sacudindo. – Apenas vim te conhecer.
O silêncio se fez, este preenchido pelas passadas de várias pessoas em suas vidas diurnas, conversas alheias nas praças, e o som de cadeiras arrastando, copos batendo, e fortes homens rindo, vindos de forma abafada pelas paredes de madeira, da D’Amon.
— Pois. – Disse de forma displicente, como se buscasse palavras desconhecidas em seu dicionário. Maioria delas, em forma de insultos que praguejava em sua mente, com os olhos fuzilando a sombra do capuz. – Sabe meu nome, mas não sei o teu.
O maior ergueu a mão direita, com o indicador estendido, e o sorriso se reformou nos lábios, brincalhão.
— Um jogo. – Falou em tom brando.
— Jogo?
— Isso. Um jogo, para que consiga descobrir meu nome. – E os dentes ficaram à mostra, então, recolheu a mão para dentro do manto uma vez mais.
Fora neste momento que Nero percebera as vestes que o rapaz trajava nos braços finos como galhos. Eram de tecido rico e nobre, ostentando das cores laranja, branco e dourado, o que fez o mesmo questionar-se se seria algum relacionado ao Rei de Fial. Conteve suas questões, e suspirou pesadamente, esvaziando completamente o peito que era só pele e osso, porém, estava farto e altivo com ar.
— E como se joga? – Abriu um pequeno sorriso de canto, e os olhos vibraram numa dança, alternando a cor para o dourado.
O maior se animou com aquela mudança súbita vinda do Espadachim, e assim, continuou com grande entusiasmo.
— Ainda não conhece Fial, certo? – Questionou o maior, olhando em volta, como se buscasse alguma coisa.
Nero maneou negativamente a cabeça, complementando duplamente com a voz.
— Não. Eu cheguei hoje cedo, com Elendar. – Olhou para um casal que passava de braços engatados, sentindo uma enorme vontade de simplesmente pregar uma rasteira em ambos, mas se conteve. Tinha um orgulho a pesar em suas costas agora que era Espadachim, deveria batalhar pela justiça, pela paz.
— De onde veio? – Se mostrou surpreso, o rapaz que jamais saíra da capital e almejava conhecer o mundo, porém, grilhões pesados e imateriais o vinculavam a Fial, como uma terrível maldição a um espírito livre.
— Eu vim de Isla. Meu exame de admissão terminou tarde, e… — Franziu o cenho, cruzando ambos os braços frente ao corpo, e batendo o pé destro no pavimento, fazendo tremer as pequenas ervas rasteiras que cresciam no espaçamento entre as pedras. – Estou dando informação demais, e você de menos.
— Cheirava mar? Peixe?! – Quase gritou em euforia, onde o capuz quase lhe tombou da cabeça, mas uma forte ventania o recolocou, escondendo seus cabelos e face uma vez mais. Sacudiu o menor pelos ombros, incessante, até que os antebraços se chocavam com força, de Nero afastando os braços do outro de seu corpo.
— O cheiro parece agradável no começo, mas se torna incômodo depois de uns minutos. – Com pura petulância, sacudiu com a mão os próprios ombros. – Tudo em excesso, é pestilento.
— Isso é verdade. – Assentiu o maior, com a destra encaixada no próprio queixo, ignorando o ato insolente do menor. – Bem. Deseja conhecer Fial, Nero?
O menor encolheu os ombros, revirando os olhos pela estrutura de madeira erguida sobre si, e então, os pousando com um sorriso ameno sobre a figura encapuzada.
— Pois me acompanhe! – E voltou as costas ao Espadachim, iniciando uma série de passadas lentas, sempre olhando sobre o ombro, para ter a certeza de que não caminhava sozinho.
Caminharam em silêncio uma centena de metros para Leste, em direção ao portão de madeira maciço fechado, protegendo a cidade com um amontoado de guardas de alabardas e prontos para a batalha. E em vez de cruzar o amontoado de pessoas percorrendo as ruas principais dos vários mercados dispostos à face da estrada, já que as casas se resguardavam no silêncio profundo, em ruas menores, em prol da tranquilidade dos moradores… pararam a meio do caminho, ao lado da enorme tabuleta de madeira que suportava as dezenas de papéis amarrotados e amassados, prensados uns sobre os outros, e presos de várias formas possíveis.
Em destaque, os dois no topo, com os selos respetivos dos Templários, e Cavaleiros.
— Então… — O maior levou ambas as mãos às costas, balançando o corpo para trás e para a frente, alternando o foco do equilíbrio entre as pontas dos pés, e os calcanhares.
Nero encarou ambos os papéis postados em silêncio, cerrando levemente os olhos com a forte luz que lhe batia, entregando-se à leitura.
— O que deseja em seu futuro? – O sorriso se formou novamente nos lábios do mancebo, enquanto desviou sua atenção para Nero, o qual apesar de parecer indeciso, já sabia bem seu futuro.
— Eu… — Se calou por breves segundos, mas os olhos não se desviavam do desafio proposto pelos cavaleiros. – Eu quero ser um Cavaleiro, claro. Um Lorde… E talvez, algo mais que isso.
— Oh! Pensa transcender os Lordes atuais?! – Incrédulo, precisou questionar uma segunda vez a decisão o Espadachim.
Nero apenas assentiu com a cabeça, levando ambas as mãos atrás das costas de forma ufana, segurando o pulso da canhota com a destra, estufando o peito galgaz e altivo, com um sorriso brioso.
— Isso que chamo de utopia… — Falou em um tom mais brando e baixo, como o vento uivou naquele momento, de forma tão relaxante, balançando as pontas dos papéis. – Acredito em sua determinação. A vejo nos olhos.
— Verá que ascenderei mais do que qualquer um. – E fechou os olhos, cada vez mais esnobe.
— Mas os Lordes da atualidade são bem promissores, Nero. – Disse o rapaz, dando uma passada dançante em direção do quadro das missões, percebendo que o menor não parecia entender as escrituras no papel.
— Serão rebaixados perante o poder de minha espada. Simples. – Cuspiu a resposta, abrindo os olhos e percebendo as reações do maior.
— Bem… Meu sonho é que você encontre sucesso em seu sonho. Assim como todas as outras pessoas deste belo reino. – O indicador tocou o papel dos cavaleiros, seguindo linhas e entrelinhas do texto escrito em Fialês. – Limpeza nos esgotos… — Falou baixinho, desatando em risadas tão altas que ecoaram pelas ruas que fizeram silêncio por alguns segundos, antes da plebe retomar seus rumos.
— Do que está rindo? – Enfureceu-se novamente, preenchendo o dourado com o vermelho, e os punhos se fecharam vigorosamente, como se aprestados para um soco.
— Calma calma, não se irrite. – Estendeu ambas as mãos com as palmas abertas para o rapaz, voltando a esconde-las em seguida. – É que… A missão dos cavaleiros aos Espadachins, é meio… Suja? Pútrida? Indecente? – Segurou o riso uma vez mais, inflando as bochechas.
— Não vi a graça. – Cruzou ambos os braços, batendo ferozmente o pé, que levantou alguma poeira do chão. Os olhos fuzilaram o encapuzado.
— “Espadachins devem proceder sob a custódia de um cavaleiro nomeado posteriormente, mas não revelado nesta carta, para a limpeza interna aos esgotos da Capital. Em prol da justiça, Arthur Windhelm.” – Claro, o irritante Lorde que parecia não querer mais nenhum pretendente ao trono. Era a família perdedora de duas gerações atrás, e por uma boa razão. – É isto que diz aqui. – Com os dedos, selecionou uma parcela pequena do texto, a que resumiu a missão.
— Se a justiça clama que varremos a sujeira, então que seja! – Bravejou com todo seu âmago, batendo o punho da destra com potência no próprio peito inflado.
— Oh! Quanto ânimo. Gosto disso. – Bateu palmas alegremente, e decidido, voltou as costas ao Espadachim.
— Onde está indo? – Questionou Nero, retomando uma postura neutra, porém, sem notar, a sua postura neutra espelhava a de um Lorde. Exemplar, soberba, e com uma autoridade sem igual em suas passadas, e na voz.
— Te mostrar a cidade, oras. Me acompanhe!
Mais alguns passos se fizeram pela rua, enquanto apontou para a direita, onde um grupo de três casas ficavam rondando uma praça pequena. As casas eram idênticas às do ferreiro, e suas costas ficavam voltadas, uma para as escadas, outra para o desnível da área superior da cidade, e outra, com as costas voltadas para a muralha Leste.
Postados sem o uso de bancas, em frente às casas, pessoas anunciavam produtos diferentes. Uma, vendia vestidos e trajes casuais, ditando os materiais que usava para os tecidos ficarem favoráveis por anos. Outra, claramente tentava vender animais de estimação, os quais era possível ouvir de dentro da casa colada à muralha, mas não em tons desesperadores.
O último permanecia em total silêncio, ataviado formalmente em um traje preto, e óculos escuros. Seu cabelo era negro, e a pele morena. Era alto e forte, mas não intimidava tanto quanto esperava.
— Aquele ali. – Começou o encapuzado. – É o atual vendedor do mercado livre.
— Mercado livre? – Questionou Nero, seguindo uns dois metros atrás do maior, com os olhos voltados para o homem que permanecia austero.
— Sim! Você entrega um item, fala o preço, e ele tabela o item em todas as cidades. – Enquanto continuava a explicação, começava a descer a rua, passando pelo enorme portão fechado e ignorando a presença dos guardas que encaravam de soslaio. – É uma organização mundial. Se pagar uma percentagem a mais, eles também anunciam com trovões.
— Então eles ficam com uma parte? – Olhou em volta com os curiosos e grandes olhos expostos ao sol, mas retendo aquele brilho com o próprio. Mercearias costumeiras montadas em bancadas, com toldos refrescando seus vendedores e vendedoras. Desde leite, queijo fresco, a doces. Tudo era vendido em cantos nas calçadas, para não perturbar qualquer tipo de movimentação pelos cavaleiros montados de um lado para o outro, assim como das pessoas que caminhavam pela segurança das calçadas.
— Isso. Eles ficam com dez porcento da venda. Ou talvez mais, dependendo do seu lucro.
— Então jamais os usarei para vender. – Cuspiu para o chão, numa demonstração de asco pela parte daquela fundação, apesar de ela ser neutra.
— Infelizmente… Gatunos e Arruaceiros usam para venderem deliberadamente os produtos que roubam. – Suspirou pesadamente, e mordeu a própria língua, percebendo que estava falando em demasia sobre as leis, e técnicas de sobrepujá-las. – Bem. Não tente uma coisa dessas.
— Jamais tentarei. – Respondeu Nero, desviando a atenção para uma das fontes postadas nos cantos da muralha interna. O recipiente da água era redondo, e um fio saia de jato da parede, preenchendo com água limpa e saudável para o consumo.
— Aqui à frente. – Continuou. – É a ala dos estilistas, junto à muralha Sul. – Apontou para uma grande casa que abrangia o tamanho de três, o que também significa que realmente eram três compartimentos totalmente diferentes, referentes ao estilo.
— Estilistas? – Parou em frente ao estabelecimento, dentro do qual o silêncio predominava. O telhado era único, em triângulo e se erguendo três andares. Três portas separadas por cinco metros cada uma, incluindo um conjunto de mais de dez janelas enormes, com vidraças refletoras para o exterior. Quebrando o silêncio, um grupo de três crianças brincavam em frente a uma das portas, enquanto na outra, um homem de traje formal aguardava pacientemente, espreitando por cima da muralha menor para o grande relógio da Igreja ao longe.
— Eles que arrumam seu cabelo, e tiram medidas para as roupas do alfaiate que vimos mais cedo. – Deu de ombros e continuou a caminhar, contornando outra fonte. – Ela se mudou recentemente para a ala Leste da muralha, porque o barbeiro estava complicando seus negócios.
Fazia meses que não tratava de seu cabelo, o qual agora começava a crescer abruptamente para um certo nível de desconforto. Era obrigado a sacudir a cabeça, para os fios saírem da frente dos olhos e não espetarem suas pontas afiadas neste. Maioria das vezes, tudo que via, era uma escuridão carmesim, da sombra que os cabelos mais longos geravam.
— Talvez eu usufrua disto quando terminarmos a apresentação. – Confirmou, enrolando o indicador num dos fios de cabelo, brincando.
— Concordo! – O encapuzado se voltou ao menor, com um sorriso largo nos lábios, e continuando a marcha solene.
Os minutos se passaram correndo, se tornando horas de conversa jogada fora, por motivos que demonstravam importância alguma. Conversaram sobre os salgueiros e a magia em seus galhos anciãos, e como ultimamente eram caçados por um culto secreto, do qual Nero havia enfrentado um deles, aparentemente. E sobre as propriedades elementares que uma espada de um Lorde honrado consegue suportar. Em si, as conversas acabavam em silêncios inesperados, e o vento as levava embora, enquanto trazia outras. Nero demonstrou algumas curiosidades, mas jamais relacionadas ao moço secreto, e o encapuzado fez o mesmo. Em trocas de opiniões, se tornaram mais sábios, mais espertos e céleres, com respostas cada vez mais breves e explicadas.
Ao fim, permaneciam lado a lado em frente à igreja, onde um grupo de noviços, homens e mulheres, permaneciam em fileiras de cinco. Eram quatro fileiras ao todo, e à frente dos mesmos, umo Sumo-Sacerdote e uma sacerdotisa. A sacerdotisa era bela como uma Valquíria. De longos cabelos loiros e o vestido azul que lhe escondia totalmente o corpo, com bordados brancos e delicados em vários pontos da sua estrutura, a qual balançava levemente ao vento. As mãos delicadas se encaixavam em frente ao peito, com os cotovelos fletidos, e os olhos num imenso e profundo azul, e fechavam momentaneamente, enquanto os lábios róseos se moviam em uma reza silenciosa.
Os noviços cantavam em coro, liderados pelo Sumo-Sacerdote de túnica negra e com detalhes a escarlate, e um manto dourado que lhe envolvia o pescoço, e caia pela fronte do corpo. As mãos gesticulavam freneticamente no ar, controlando a tonalidade dos novatos. Aquele era claramente o teste daqueles que almejavam se tornar sacerdotes e sacerdotisas, enquanto os que almejavam o caminho da batalha solitária dos monges, haviam sido transferidos para o monastério a Oeste.
— Adivinhou quem eu sou? – Questionou o maior, se voltando para Nero ainda com o capuz na cabeça, e um sorriso tênue.
— Não. – Replicou com serenidade, lhe devolvendo o sorriso de forma afável. – Mas não o questionarei.
— Não precisa. – E ambas as mãos subiram até as laterais do capuz, o puxando para trás de forma lenta, revelando os olhos castanhos e fixados no menor, e um cabelo fogoso na tonalidade laranja. Caracóis e mais caracóis, crispado e um ponto em que nenhum pente seria capaz de pentear aquele cabelo selvagem e livre ao vento.
Era Tristan III, filho do atual monarca, o qual havia espreitado por trás do Paladino durante a cerimônia. Nero deu uma risada, levando ambas as mãos à própria cintura, e as repousando ali.
— Ora. Pensei que era mais baixo.
— Nada. Aquele Paladino que é gigante. Deve ter uns três metros, no mínimo. – Deu uma risada baixa, voltando a esconder sua aparência com o capuz.
— E olhe que o escudo tem o mesmo tamanho. – Deu um tapa forte no ombro do maior, e se voltou ao coro.
— E eu devo ir. – O coro cessou, e o sino badalou, anunciando as três horas da tarde. O rapaz se voltou para Nero, e prosseguiu. – Você também deve se apressar. Vá à guilda dos cavaleiros, e se inscreva para a tarefa. Tem mais uma hora. – E antes que Nero pudesse dizer alguma coisa, o rapaz desatou numa corrida em direção ao castelo, rápido como o vento, ostentando da genética vencedora do caminho ao trono.
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