As Peripécias de Winder Greed, o Ladino!
1 O começo
Toda lenda precisa de um começo.
Será que os heróis (e vilões!) nascem da mesma maneira que os simples historiadores, como eu? A maioria sim, mas este é um caso especial, deveras especial, diga-se de passagem.
Eu, Arontos Lápidus, clérigo de Ioun, deusa do conhecimento, tentarei colocar em palavras a história de Winder Greed, um dos maiores e mais ousados ladinos que este mundo já viu. Espero que tenham consideração pela dificuldade que houve em obter estas informações, e entendam que houveram situações em que ele simplesmente desapareçeu da maioria dos planos, pois nem as mais poderosas magias de localização encontraram Greed.
Enfim, como citei anteriormente, Winder Greed possuíu um nascimento extremamente fora do comum, devido a uma pequena marca de nascença na palma de sua mão, uma pequena lua nova. Para os menos cultos da cultura halfling, acharia curioso, mas apenas isso, porém caso você tenha estudado o básico sobre eles, saberia que a deusa patrona dos halflings (e dos elfos!) é Sehanine, deusa da lua e do outono, madrinha da trapaça, das ilusões e do amor.
Os halflings nunca tiveram uma grande cidade, apesar de haver várias colônias separadas por longas distâncias uma das outras, a maioria deles preferem ter uma vida nômade, vivendo em constante movimento de cidade a cidade vendendo seus produtos, já que muitos deles são ótimos comerciantes! Imaginem a alvoroço da caravana do jovem Winder, quando viram um claro sinal de que aquele pequeno bebê era abençoado pela deusa mais adorada deles de todo o panteão! Todos acreditavam que um dia aquele pequeno bebê ia trazer uma grande fortuna para todos ao seu redor!
Winder Greed, filho de uma halfling chamada Aleria Greed de tamanho e características normais para sua raça, casada com Perrin Greed, o maior (não em tamanho, ironicamente ele era considerado baixo até para os padrões halfling!) de todos os vendedores da caravana, cresceu ao redor de um ambiente amigável perante os mais velhos e hostil com os mais jovens, que invejavam a atenção direcionada a ele. Motivo que o levou à sempre andar com seus pais, que o ensinaram como enganar um comprador sem que ele se sinta ofendido, obter um objeto por metade de seu preço e o revende-lo pelo dobro, entre outras aritimanhas de um comerciante.
Apesar de ter um talento nato para tal "arte" (como era chamado por aqueles que a praticavam), nunca teve um real interesse em seguir essa carreira, mas como não conhecia nada além disso decidiu aceitar o destino imposto pelos seus pais, e, como não possuia amigos para se distrair, se empenhou ao máximo em tal tarefa.
Tudo corria bem e os anos iam passando, até o fatídico aniversário de 17 anos de Winder Greed, O Abençoado (Como era chamado por vários companheiros de caravana, uns com tom de veneração, outros ironia)!
Winder nunca gostou de festas, pois eram nessas ocasiões que ele era mais ofendido pelos seus "amigos", que cobravam feitos incríveis do tal abencoado, então não foi de se estranhar que ele preferiu visitar a cidade em que estavam "estacionados" no momento, acompanhado apenas por uma pequena sacola de moedas, na qual havia o dinheiro dado por seus pais devido a sua passagem para a maior idade na cultura dos Halflings.
Enquanto passeava pelos bairros mercantes da cidade, procurando um presente para si, encontrou com os outros garotos halflings, que após uma breve conversa o convidaram para passear com eles. Apesar da situação ser inusitada, Winder os acompanhou, acreditando que tinham deixado seus recentimentos para trás, já que agora todos eram adultos (Winter era o mais novo do grupo, só faltava o seu aniversário para que todas as "crianças" da caravana fossem maior de idade).
Os jovens caminhavam por um dos bairros mas pobres da cidade, mais especificamente em uma pequena ruela. Penor, o mais velho de todos, virou-se em direção a Winder e disse:
- Você se acha muito especial, não? Pois bem. Agora é a vez de provar definitivamente que você não é "Abençoado" coisa nenhuma! Os deuses não passam de histórias para velhos gastarem seu tempo e crianças se assustarem! — Enquanto falava isso, os outros rodearam Winder, deixando-o encostado contra o muro — Será que ele sangra, gente?
A maça veio em direção a sua cabeça.
O halfling recobrou a consciência horas depois, quando já havia anoitecido, e ainda desorientado com as pancadas e furioso com a traição, procurou se localizar. Quando abriu os olhos reparou que estava em um pequeno quarto totalmente desconhecido. Ao tentar abrir a porta percebeu que estava trancada e começou a se desesperar, lembrando das histórias de raptores de gente, que então eram forçadas a trabalhar pelo resto de suas vidas.
Ao ouvir barulho de passos se aproximando, preparou-se para uma corrida, apesar da porta de madeira diretamente a sua frente ser estreita e suas chances, pequenas. Quando a porta foi finalmente aberta, suas esperanças acabaram, quem quer que seja que estava na sua frente era grande o suficiente para segurá-lo com apenas uma mão, um meio-orc de quase dois metros e meio de altura.
- Então você finalmente acordou. — disse o grandalhão — Meu nome é Dorn, e fui eu quem o trouxe aqui.
A situação não parecia muito melhor com o meio-orc anunciando seu nome, mas ainda assim Winder arriscou:
- Hmm, obrigado por, ãh... ter me trazido aqui, mas acredito que já estou muito atrasado para encontrar com minha família, se você pudesse me dar licença... — antes que terminasse sua frase, ele já sabia que sua situação estava ruim. Pior do que jamais havia estado.
- Ho, ho, ho, ho! — as gargalhadas de Dorn continuaram por um tempo — Você faz alguma idéia de a quanto tempo você está aqui?
Isso não podia estar certo, pensou ele, apenas algumas horas haviam se passado, correto? — errado.
- Meu pequeno amiguinho, você dorme a quase sete dias, você veio com a caravana grande que estava no centro da cidade, sim? Causaram certo alvoroço procurando você... mas já foram embora a pelo menos dois dias! Ha, he he, he... Seja bem vindo a Mão Sangrenta, a maior guilda de ladrões da nobre cidade de Manora!
- ... ... ... — O, já velho Dorn conta até hoje o quão memorável foi a feição do jovem Greed naquele momento.
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