Deixe-me apresentar. Sou Trafalgar Law, 26.

Eu levava uma vida normal como o filho rebelde de uma família rica e tradicional que decidira estudar para ser alguém além de um idiota bom-pra-nada.

E sim, e levava uma vida normal. Isso mudou quando minha "quase noiva" – que fora escolhida pela minha madrasta – foi morta. Isso mesmo, ela foi morta. A facadas. Por um lado agradeci a Deus. Aquela menina era horrível. Digo, ela era muito bonita, mas com um gênio terrível e voz de gralha. Por outro, fiquei curioso. Quem mataria uma pretendente, sendo que há outros membros na família que tem mais valor?

Estava dividido em três partes: Alívio por não ter que me casar, curiosidade de saber quem era o culpado, e, talvez, alguma minúscula parte de mim estivesse com pena dela. Meu pai e minha madrasta, sempre pensando em meu bem estar, ficaram ultrajados por não terem mais uma candidata para dar-lhes o neto perfeito, já que Bepo, meu irmão, tinha apenas dez anos e não podia se casar ainda, e acreditavam que eu era um caso perdido.

Geralmente, dariam um jeito de isso não sair nas redes sociais e seguiriam em frente. Mas já era o terceiro caso consecutivo. E isso fez com que eles resolvessem contratar detetives. E é aí que toda a parte complicada da minha vida entra. Não é como se eu me importasse, mas não fazia sentido algum tudo aquilo.

Depois de uns dez detetives e mais dois casos de "quase noivas" assassinadas, eu já havia perdido a esperança de saber quem estava matando minhas pretendentes. Não que me importasse com as quatro primeiras, mas eu gostava da última. Era inocente, não estava atrás de fortuna e glória como, aliás, toda e qualquer mulher que chegue perto de minha família. A morte dela fora ainda pior que as outras. Esfaqueada e feita em pedaços.

Tudo me parecia suspeito. Por que apenas minhas pretendentes? Por que não meu pai ou meu irmão? Não podia ser alguém da família, pois não faria sentido algum. Algum dos empregados? Talvez, mas não havia como saber. Nunca havia pistas o suficiente para se chegar numa hipótese.

- Ainda pensando nas suas noivas cadáveres? – Roronoa perguntou. Ele não se importava com mais nada além de sua bebida. Ambos nos vestíamos como pessoas "normais", ele de bermuda, regata e chinelos e eu de camisa e calça, mais os meus sapatos característicos.

- Apenas cale-se e beba, Roronoa-ya. – Resmunguei, levantando-me do banco perto do balcão do boteco – Se me dá licença, vou me retirar. Você cheira a bêbado.

- Obrigado, senhor Trafalgar, fico lisonjeado. – Ele respondeu, sarcástico, e voltou a encher a cara de... Bem, nem Deus saberia dizer o que tinha no copo dele naquela vez.

Saí pensativo. Não achava muito sensato, mas teria de fazer algo. Iria investigar por mim mesmo. Estava tão pensativo que nem sequer notei a chegada de alguém. Apenas me dei conta de sua presença, quando a pessoa falou comigo.

- Uma noite bonita, não? – Era uma mulher. Ela tinha cabelos alaranjados. Vestia-se de modo peculiar. Um top de biquíni verde e branco, calça jeans e sandália. Possuía uma tatuagem num dos ombros – Pare de me olhar, eles vão perceber que não nos conhecemos.

- Eles? – Murmurei, virando-me para frente. Não paramos de andar.

- Sim, estamos sendo seguidos por dois... Não, três homens. – Murmurou em mesmo tom – Ou melhor, você está. Eu apenas entrei no meio. – Silenciei-me e notei, surpreso, que era verdade. Enquanto passávamos por um carro, no retrovisor mostrava que haviam pessoas atrás de nós. Não soube dizer quantas, pois estava escuro.

- Sim, é uma bela noite, senhorita. – Aumentei a voz um pouco, apenas o suficiente para que quem estivesse nos seguindo ouvisse, ao mesmo tempo em que bolava uma armadilha rápida para saber quem era minha estranha companhia.

- Não vou te dizer meu nome assim tão rápido, rapaz. – Ela sorriu de leve – Tente não fazer armadilhas, eu não caio fácil.

Andamos pelas ruas silenciosas, já que eu preferia andar ao invés de dirigir um carro e o boteco era perto, lado a lado. Apesar de saber que estava sendo seguida, a mulher continuava com expressão serena. Gostei daquela calma desmedida. De fato, ela era uma figura interessante. O silêncio me ajudou a ouvir passos atrás de nós. Ao todo, três pares de pés. Surpreendi-me pela precisão dela.

- E o que faremos? – Questionei baixo.

- Se estiverem armados e nós corrermos um de nós será morto ou ferido... Certo, você corre e eu viro para enfrentá-los.

- Você vai se matar. Vai atrair a atenção deles, já que vão prestar mais atenção em quem os enfrenta do que em quem foge. Se estiverem armados, você morre.

- Por isso eu adoro o "se...", pois é apenas uma suposição.

- Não seria muito cavalheiro de minha parte deixar uma dama sozinha numa enrascada, sabe?

- Então não seja um cavalheiro. Eles são os primeiros a morrer.

- Isso é impossível. Eu me recuso a fugir. – Teimei. Ela me fitou com os olhos chocolate. Estava me analisando.

- Certo... Faça o que quiser, mas não me culpe quando morrer. – Disse e parou.

- Fique despreocupada quanto a isso. – Repliquei, parando ao seu lado.

De repente, ela virou-se para encará-los. Foi tudo muito rápido. Em um minuto, eu estava ao seu lado, e no outro ela me tirava da mira deles com um empurrão e corria até meus perseguidores. Recobrei a compostura e corri atrás dela, ágil, pronto para desacordar um deles. E foi isso que fizemos. Dois minutos depois, dois estavam no chão e o outro havia fugido.

- Espere aí, seu...! – A jovem gritou, irritada, mas já era tarde, ele havia escapado.

A polícia resolveu aparecer. Se me pegassem ali, estava ferrado. A ruiva notou minha agitação e me puxou pela mão, até uma rua que julgava não conhecer. Estávamos ofegantes.

- Droga, um fugiu e a polícia apareceu no pior momento! – Ela exclamou irritada, soltando minha mão.

- Ei, quem é você? – Questionei – Por que me ajudou?

- Se-gre-do! – Disse, sorrindo. Ergui uma sobrancelha.

- Está zombando da minha cara?

- Não, estou te dizendo a verdade. Aliás, estamos em frente a sua mansão, basta você se virar. – Virei-me. Minha casa estava logo atrás de mim. Voltei minha atenção à ruiva misteriosa, mas esta já estava indo embora.

- Espere, não vai me responder?

- Eu já respondi. – Replicou – Foi um prazer conhecê-lo, Trafalgar Law.

Notas finais
Reviews?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.