Notas iniciais
Oi, gente. É isto. O dia tão temido chegou: o último capítulo de As Mulheres de James Sirius Potter. Depois de dez anos, DEZ anos, James finalmente teve o seu final feliz. Leiam o capítulo. Tem coisas nas notas finais. /Laís Oi! É isso, esse é o último oi que darei a vocês. Sem mais pedidos de desculpas, sem felicitações atrasadas pelas festividades que passaram, sem mais longas explicações sobre como a faculdade, o tcc ou meu trabalho estão me deixando maluca. Conseguimos chegar no prazo combinado. Mesmo que parecesse impossível colocar um ponto final nesta história e deixar que ele fosse, de fato, final, nós conseguimos. E após 10 anos de promessas e garantias que essa fic não seria abandonada, o último capítulo chegou. Antes de liberar vocês pela leitura, porém, eu queria dizer algumas coisinhas que não vão encaixar lá em baixo na maior nota final que eu fiz até o dia de hoje. A mudança do nyah não nos permite, até sabe Deus quando, responder comentários, portanto, rebequinha meu amor, me perdoa, mas eu só não te respondi ainda porque os adm do nyah literalmente me impediram de fazer isso. Eu prometo que quando eles instalarem essa funcionalidade eu volto e respondo ok? E Guilherme!! Que alegria foi ver você chegando por aqui. Foi uma honra saber que você topou a maratona de leitura que é essa história e chegou a bem a tempo dessa conclusão. Obrigada de coração pelos comentários! Enfim! Espero de coração que vocês gostem e até breve!


“Ginevra? Elisabeth? Eu não sei do quê vocês estão falando. A mulher da minha vida atende pelo nome de Lois Moira Potter. E ela nasceu em uma bela tarde no começo da primavera no dia 5 de Abril de 2036 me ensinando, com apenas um olhar, apenas ao chorar descontroladamente no meu colo, o que realmente era o amor.

E não me entendam errado, eu amo a minha esposa. E eu amo a minha mãe, mas minha filha? Eu espero que vocês estejam confortáveis, prometo que já estou chegando ao fim, mas já ficaram aqui todo esse tempo me ouvindo falar sobre as mulheres que marcaram minha vida, eu prometo que já vou passar o microfone pra mãe dela, juro, mas tudo isso que eu disse foi para chegar aqui e falar sobre a mulher, a garotinha, pra sempre o meu bebê, mas agora uma mulher, que mudou a minha vida.”

Eu encontrei o olhar de Lois no centro da mesa, ela estava com o nariz torcido, do jeito que ela sempre fazia quando não queria chorar, mas sorria, os olhos cheios de lágrimas. Então eu continuei.

(...)

“Você vai ser pai” As palavras pareciam ecoar infinitamente na minha mente, meus olhos fixos na pequena protuberância na barriga de Lisa, que marcava de leve o tecido da roupa que ela usava. E eu estava completamente congelado. Descobrir que eu seria pai, que Lisa esperava um filho meu… eu não consegui dar um passo, não consegui esboçar uma reação de imediato. A única coisa que eu conseguia fazer era olhar para aquele pequeno mundinho onde uma vida, um filho meu, crescia.

Fui levado de volta no tempo, para um corredor gelado que contrariava a chegada do verão. Para aquele momento em que eu fui prometido um futuro e este me fora tomado antes mesmo que eu tivesse ciência do que poderia ter sido.

Perder Safira tinha doído, muito, mas, conforme os anos passaram, eu percebi que os momentos de luto que me encontravam em situações corriqueiras do dia a dia vinham sempre carregados do pesar que eu sentia por não ter meu filho comigo.

A felicidade daquela descoberta não tinha durado muito tempo, especialmente considerando que apenas descobri a possibilidade de ser pai após a certeza de que aquilo não mais aconteceria. Ainda assim, algo tinha se enraizado em mim quando Melody me contara que Saphira estivera grávida na noite de sua morte e, mesmo que meu filho não tivesse sido nada além de uma possibilidade, de um sussurro em um sonho que tentava me atrair para o além, ao longo de todos aqueles anos eu ainda levava comigo o fantasma do que eu tinha perdido antes mesmo de ganhar.

O apertar no meu coração acontecia ao ver o novo lançamento de uma vassoura de brinquedo, os pequeninos suéteres que vó Molly tricotava para seus bisnetos, para a vista de Scorpius carregando a filha nos ombros e o sentimento de perda daquilo que eu poderia ter tido, daquela realidade que, por apenas um segundo, esteve ao alcance das minhas mãos, revelando que muito mais do que apenas encontrar um amor e ser professor de poções eu também queria ser pai, construir uma família.

Por anos, mesmo que eu e Lisa estivéssemos felizes e casados juntos e eu fosse o homem mais feliz do universo com a mulher que eu verdadeiramente amava, vez ou outra eu não conseguia deixar de pensar em como estaríamos ainda mais completos com um pirralhinho parecido comigo correndo pela casa, um filho meu, que deixou esse mundo muito antes de chegar nele.

O toque de Lisa em minha bochecha serviu para me tirar daquele estupor em que eu tinha entrado, trazendo-me de volta à realidade. Ela enxugava minhas lágrimas e me olhava com um misto de preocupação e apreensão. Já tínhamos conversado sobre ter filhos antes, ambos desejávamos aquilo, mas a hora nunca parecia certa. Muitas coisas para resolver sobre a poção ou a fábrica e Lisa estava ascendendo na carreira, não conseguiríamos dar a atenção necessária a um bebê, então esse desejo ia aos poucos sendo empurrado para depois, por nós dois, um novo “não agora”. Aquela notícia não tinha sido, de forma alguma, planejada.

— James? — perguntou ela.

Ouvir a sua voz foi o que me fez desabar. Eu chorava de emoção, de tudo o que eu perdi muito tempo atrás e agora Lisa, o amor da minha vida, me dava. Ela me olhou sem entender muito bem, mas veio até mim, me abraçando. Meus braços foram para a sua cintura com delicadeza.

— Espero, do fundo do meu coração, que seja um choro de quem queria um filho — Havia preocupação e um tom de ameaça em sua voz.

Eu ri, entre o choro, e isso pareceu aliviar um pouco Lisa, que relaxou os ombros.

— É verdade mesmo? Vamos ter um bebê?

Com a não livre Lisa acariciou a barriga e baixou o olhar, assentindo de leve, seu rosto iluminado quando ela voltou o olhar para mim.

— Estou de 6 semanas, segundo o médico. Ainda há um longo caminho para frente, mas... vamos ter um bebê James.

Eu ri, me afastando dela e enxugando os olhos. Me ajoelhei, ficando com o rosto diante de sua barriga. Dei um beijo ali e levantei o olhar para minha esposa. Mãe do nosso filho. Eu não podia estar mais apaixonado por ela do que agora. Saber que seria ela a mãe de um mini James, ou, melhor ainda, uma mini Lisa. O riso que soltei era choroso, mas, se tinha uma coisa que eu tinha certeza, era que eu estava feliz. Agora, sim, eu conseguia sentir que toda minha felicidade estava completa. Em um só dia eu tinha conquistado os dois outros maiores desejos da minha vida e não existiam palavras o suficiente para descrever o que eu estava sentindo.

Com cuidado, aproximei-me mais, acariciando a barriga de Lisa com cautela, curiosidade e encanto. Havia um bebê ali, um bebê meu, um filho nosso. Eu sei que eu já tinha Paisley em minha vida e nós amávamos irritar Viola com a história de ela ser minha filha, e eu realmente a considerava como uma e moveria mundos por ela, porém aquilo era diferente. Por mais que eu amasse Paisley eu não convivia de fato com ela, para além dos encontros que tínhamos para nos atualizarmos sobre a vida um do outro. Eu não a tinha criado de fato. Mas agora? Aquele bebê? Aquela pequena vidinha que se desenvolvia no útero de Lisa naquele instante? Eu sabia que aquilo seria diferente de tudo que eu tinha vivido ao longo dos meus trinta anos de vida e que aquilo iria me mudar para sempre.

— Oi neném. — Disse em um sussurro para a barriga, o soluço de Lisa misturava uma risada e um choro, mas meu foco naquele momento estava além dela. — É o seu pai aqui e eu estou tão, tão, feliz que você nos escolheu pra ser sua família. Eu prometo que vou te proteger de tudo. Você não tem com o que se preocupar, eu vou cuidar de você com tudo de mim, a cada instante, nenhum mal chegará a você, nunca. Papai está aqui. — Prometi, ciente que cumpriria cada palavra daquela e não deixaria que nada acontecesse a Lisa ou àquele bebê. Não dessa vez.

(...)

Nos mudamos para a casa de Hogsmeade na semana seguinte. Por mais que Lisa já tivesse cuidado de tudo na casa nova — e eu digo tudo —, ainda tínhamos que organizar nossas coisas e encerrar o contrato com a casa que moramos nos últimos cinco anos. Nossa pequena casa em Godrics Hollow caberia 5x na casa nova e eu estava feliz com a mudança, com o futuro a nossa frente, com as perspectivas, com esse novo começo. Ainda assim, era nostálgico deixar o lar que viu nosso amor crescer e florescer.

Eu, obviamente, não deixei Lisa participar de nada da mudança, certificando-me que ela estivesse sempre sentada com um sorvete em mãos enquanto eu empacotava caixas e desmontava móveis. Certo, talvez eu só estivesse balançando a varinha para tudo aquilo, mas movimentos de varinha dão trabalho ok?

Ainda antes da mudança, Lisa me levou ao médico com ela para sabermos mais sobre o neném e se tudo estava ok. Ela tinha insistido por um médico trouxa ao afirmar que a medicina bruxa era muito medieval e ela se sentia mais confortável com as facilidades tecnológicas que o mundo trouxa oferecia para mulheres grávidas: como ultrassons. Eu, obviamente, não a contrariei. O Dr. Lewis era um senhor de idade com muitos cabelos brancos e extremamente simpático que não se irritou com nenhuma das minhas perguntas e me ofereceu muitos, muitos, panfletos informativos e indicou livros para acalmar minhas ânsias. Lisa tinha se irritado um pouco na consulta, mas o Dr. Lews, meu novo melhor amigo, achava graça e validava todas as minhas questões, assegurando que era normal que pais de primeira viagem se preocupassem tanto.

Quando Lisa se deitou para fazer o exame eu não sabia o que esperar. As tecnologias trouxas eram realmente incríveis e identificar um pontinho turvo preto e branco em uma tela bastara para me fazer chorar igual neném. Mas eu fui ainda mais surpreendido quando o bater suave de um coração minúsculo tomou conta da sala. E ao ouvir as primeiras batidas do coração de Lois, o meu parou. E quando ele contou, com nosso pedido muito ansioso pelo sim, que estávamos à espera de uma menina, eu juro que pensei que desmaiaria ali mesmo.

Ao fim da consulta o médico se despediu recomendando cautela e informando que os três primeiros meses da gestação eram mais sensíveis, considerando os maiores riscos de aborto espontâneo e, bom, acho que não preciso dizer para ninguém que isso me jogou em uma espiral de preocupação ainda maior. Como se eu precisasse do incentivo!

Lisa e eu concordamos em não contar para mais ninguém até estarmos livres daquele risco e seguimos com o plano e a mudança. Agora, agosto já tinha chegado e pela primeira vez em anos eu não tinha feito questão do mês ser todo sobre mim. Quando questionado, justifiquei que já tinha passado da idade para toda aquela festança, mas a verdade é que eu não queria exigir tanto de Lisa naqueles primeiros meses e tinha certeza que dias seguidos de festa não fariam bem para o bebê.

Eu estava no escritório do andar principal, avaliando e refazendo alguns planos para minhas primeiras aulas em Hogwarts, que aconteceriam dali poucas semanas, quando ouvi a porta se abrir, e um largo sorriso tomou conta do meu rosto.

— Onde está a minha garota preferida no mundo inteiro? — Perguntei, largando os pergaminhos de lado e indo ao encontro de Lisa, que se desfazia das botas e casaco à porta de entrada. Ela sorriu ao me ver, mas eu logo me ajoelhei aos pés dela, acariciando-lhe a barriga. — Papai sentiu tanto a sua falta. Não vejo a hora de você sair da barriga da bruxa da sua mãe para que eu possa ficar com você o dia inteirinho! — Em resposta, Lisa, me deu um tapa na cabeça.

— Oi pra você também. — Disse, contrariada. Mas eu estava em um momento pai e filha agora!

— Eu vou te sequestrar dela e aí você vai para Hogwarts comigo e eu vou te ensinar um montão de coisas legais. Mas não precisa ter pressa, ok? Eu vou te esperar aqui, no seu tempo, mas não demora tanto também.

— Merlim! — Lisa jogou as mãos pro alto e saiu andando, me largando pra trás.

— Hey! Você não pode roubar minha filha assim de mim. — Ela virou a cabeça para me olhar.

— Me observe. — E entrou em outro cômodo.

— Ok! — Cedi, levantando-me e indo atrás dela. — Olá pra minha segunda garota preferida no mundo também. — Disse carinhoso, abraçando Lisa por trás. E não, eu não tinha feito isso apenas para voltar a segurar a barriga dela, isso é coisa da cabeça de vocês. — Eu senti sua falta também. — Comentei, beijando-lhe o pescoço. Lisa inclinou a cabeça para o lado e suspirou passando a mão pelos meus cabelos.

Bom, porque meu dia hoje foi extremamente estressante e não tinha nada que eu quisesse mais do que voltar para casa para meu marido me ajudar a relaxar.

Tinha desejo no tom de voz de Lisa quando ela se virou em meu abraço para me beijar, algo que eu fiquei feliz em retribuir, puxando-a para mais perto. Mas, então, Lisa se afastou e começou a me puxar pelo suéter.

— O que você tá fazendo? — Perguntei, fazendo-a parar. Lisa me olhou, dúvida estampada em sua expressão.

— Indo pro quarto?

— Ah mas não vamos mesmo. — Ela semicerrou os olhos, então deu de ombros.

— Tudo bem por mim, temos muitos cômodos para estrear nessa casa ainda. — Lisa se aproximou e o mesmo passo que ela deu em minha direção eu dei pra trás.

— Você tá completamente maluca mulher? — Perguntei. E vejam bem, eu estava realmente muito preocupado e cauteloso para ter toda aquela força de vontade para negar sexo à mulher mais gostosa do mundo. Mas prioridades!

Você tá falando sério? James, já tem mais de um mês!

— E vai ter mais um, ou sete se eu for honesto, não queremos correr nenhum risco.

— Que risco homem de Deus?

— Eu sei lá! Pode machucá-la ou afetar alguma coisa aí e, você sabe, esses primeiros meses são cruciais e arriscados! Além do mais, eu não quero que minha filha veja o meu… — Completei dizendo a palavra “pau” sem vocalizá-la, Elisabeth revirou os olhos, irritada.

— Você não é tão grande assim, James.

— Em qualquer outra situação eu estaria profundamente ofendido com essa afirmação. — Novamente, ela revirou os olhos.

— Independente, você não vai machucá-la e ela com certeza não vai ver seu pau, Potter.

— Não fala isso perto dela! — E nesse momento eu coloquei as mãos aos lados da barriga de Lisa, tampando os ouvidos da nossa neném. Lisa me deu um empurrãozinho.

— Sabia que na verdade é recomendado o sexo durante o gravidez? E não apenas porque eu quero e meus hormônios estão me fazendo subir pelas paredes, mas os médicos realmente recomendam. Dizem que faz bem.

— Primeiro: — Ergui um dedo para numerar o que eu tinha para falar. — Você realmente precisa cuidar da sua linguagem perto dela, ela é só um neném. — Lisa ficaria com o rosto desconfigurado em breve se continuasse revirando os olhos tanto assim. — E segundo: esses médicos não sabem de nada.

— E você sabe exatamente como me estressar, aparentemente,

— Meu amor, não sou eu. Foi o trabalho. Vem, sei outras formas de te fazer relaxar. — Chamei, puxando-a para o sofá e fazendo-a sentar ali, enquanto cuidava de retirar-lhe as meias para massagear-lhe os pés.

— Nessa posição é quase fácil demais te seduzir, sabia? — Provocou e eu respirei fundo, porque sabia exatamente do que ela estava falando.

— Não é não, Lisa. — E eu de verdade estava torcendo para aquilo funcionar porque eu não sei quanto tempo mais eu conseguiria resistir às investidas dela. Por sorte, a massagem pareceu bastar para acalmá-la e ela se ajeitou no sofá, resmungando. — Mas me conta, como foi seu dia?

— Ugh, um saco! — Ela puxou uma almofada para mais perto, para apoiar as costas. A barriga tinha crescido um bocado desde a revelação da gravidez e agora era mais visível, Lisa estava usando roupas mais largas para disfarçar no trabalho. — Tem esse cara novo que foi transferido do Departamento Internacional de Cooperação de Magia e ele é um saco. Ele é mais velho, então ele acha que sabe tudo e ele simplesmente se recusa a fazer o que eu peço pra ele mesmo que eu seja a superior da divisão. Juro pra você, ele está me deixando maluca, qualquer dia desses irei azará-lo e culpar os hormônios.

— Você deveria sair. — Comentei, casualmente, enquanto continuava minha massagem.

— O quê? — Ela levantou a cabeça, que tinha jogado para trás, para me olhar. Eu dei de ombros.

— Do trabalho. Quero dizer, todo esse estresse não deve fazer bem para o bebê e, bem, não é como se você precisasse trabalhar e… — Lisa puxou os pés para longe das minhas mãos e ajeitou a postura no sofá, me encarando.

— Cê tá falando sério agora?

— O que eu estou querendo dizer é que…

— Você realmente deveria se calar.

— Você precisa se cuidar! E do bebê! E o trabalho é um ambiente estressante que pode fazer mal para vocês duas e você sabe que eu estou mais do que feliz em sustentar vocês e você pode gastar quanto quiser e…

— Você realmente deveria se calar.

— Meu amor!

— Nu-uh! Deixe sua mãe sequer imaginar que você está dizendo essas coisas para mim.

— Bom… ela continuou trabalhando enquanto estava grávida do Albus e ele claramente nasceu com alguns probleminhas….

— James Sirius Pottter!

— Elisabeth Stella Potter!

Lisa rosnou. Ela literalmente rosnou, como o perfeito leãozinho que ela era.

— Eu nunca fui tão ofendida em toda minha vida e um garoto já apostou pra ficar comigo como naqueles filmes americanos dos anos 2000.

— Eu não estou tentando te ofender, eu só disse que…

— Nem tenta. — Lisa me cortou, levantando-se. — E quer saber? Já que você está com tanto medo assim de dormir comigo, você pode dormir na sala hoje.

Ela não saiu do quarto depois daquilo, mas, no dia seguinte, eu consegui me desculpar e redimir pelo que eu tinha dito. E Lisa, bem, ela me convenceu a ajudá-la a relaxar de outras maneiras, com uma mensagem bem clara do médico me garantindo que nada daquilo representava riscos para o bebê de acordo com os últimos exames feitos e, bem, as coisas se acalmaram depois daquilo.

Ainda assim, eu continuava excessivamente cuidadoso com Lisa e dia desses ela tinha simplesmente me batido porque eu, um marido e pai amoroso, coloquei os dedos debaixo do seu nariz para me certificar de que estava respirando. Agora era errado checar se minha esposa estava viva.

Na casa dos meus pais eu ficava a cercando, não a deixava se abaixar, pedia para todos os meus primos não deixarem que Lisa pegasse um copo de água. Aquilo a irritava, eu sabia disso. Na maioria das vezes ela até aceitava, mas eu começava a perceber que Elisabeth não estava gostando nadinha de eu não deixar com que ela fizesse as coisas sozinha. Mas era mais forte que eu. Eu precisava que ela fizesse o menor esforço possível para garantir que tudo ficasse bem com o bebê. Eu não... Eu não... Não gostava nem de pensar na possibilidade. Elisabeth era o meu mundo e eu queria que a nossa filha também fosse, e para isso ela precisaria nascer.

Naquela noite eu tinha chegado de Hogwarts e corrido direto para um banho, um dos primeiranistas deixara a poção explodir em toda a sala, e terminava de me vestir quando ouvi Lisa me chamar para o jantar. Desci as escadas e a vi carregar uma travessa quente nas mãos. Rapidamente eu fui até ela, pegando o objeto de suas mãos e levando até a mesa. Eu a escutei bufar, mas não liguei. Ajeitei a mesa, enquanto ela voltava com os talheres e os copos. Dei a volta no móvel e puxei a cadeira para que ela se sentasse. Lisa murmurou um agradecimento meio aborrecido e, de novo, eu ignorei. Eu tinha um dom — e esse dom, provavelmente, poderia tirar a minha vida apenas com o olhar dela em minha direção.

Eu me adiantei e servi para mim e para ela, não deixando que fizesse sozinha, sem ter que se esticar para pegar a comida. Lisa agradeceu outra vez, mas eu pude escutar que ela estava puta comigo. Ignorei novamente, colocando o cozido em meu prato. Comemos em silêncio.

Estava sendo assim já tinha uns dois meses, ela agora estava se aproximando da 26ª sexta semana de gestação — seis meses e meio para os leigos — e, ao contrário do que ela esperava, eu não tinha diminuído os cuidados excessivos ao fim do primeiro e temido trimestre. Os riscos eram evidentemente menores agora, já havíamos compartilhado a notícia com nossos entes queridos e até mesmo tínhamos uma entrevista marcada para o mês que vem — éramos meio que celebridades do mundo bruxo, com os feitos de Lisa no ministério e minha poção além, claro, do fator Harry Potter — mas eu tinha mudado pouco meu comportamento desde a revelação daquela gravidez e, por mais que aquilo irritasse Lisa um pouco, tinha começado a irritá-la muito.

Quando terminamos a nossa refeição, Lisa fez menção em pegar a travessa, mas eu fui mais rápido, anunciando que eu lavaria a louça e depois o banheiro — que ela tinha comentado mais cedo que faria. Ela largou o garfo no prato, fazendo um barulho estridente quando metal se chocou com a porcelana. Meus olhos encontraram os da minha mulher e, Deus, eu sabia que seus olhos estavam pegando fogo de raiva, mas eu não podia imaginar minha vida sem ela.

— Muito bem, chega! — exclamou ela, me fazendo sair do transe. — Vamos, agora, me conte o que está acontecendo.

Ela se sentou na cadeira, cruzando os braços. Eu a imitei, sentando em seguida, mas com mais calma.

— Não está acontecendo nada — respondi, confuso.

— Ah, está, sim. Eu estou grávida, James, não doente. Ainda assim, você age como se eu de repente tivesse virado porcelana. Logo eu!

— Mas o médico disse... — me interrompi quando vi sua mão se erguendo para que eu me calasse.

— Eu sei muito bem o que o médico disse, eu estava lá — Lisa disse de forma bruta. — Não é isso e você sabe muito bem. O que está acontecendo? Por que está todo... desse jeito? — apontou para mim com o queixo.

Eu suspirei, passando a mão em meus cabelos bagunçados e desviando o olhar.

Acho que eu teria me tornado superprotetor com Lisa de qualquer forma, mas ela não estava errada ao pontuar que tinha algo a mais. Algo que poucas pessoas naquele mundo sabiam. Para além dos amigos próximos de Saphira que sabiam sobre a existência daquele neném, pouquíssimas pessoas tinham alguma ideia sobre aquela gravidez e o quê o fato dela não ter ido pra frente fizera comigo, todas elas eu tinha conhecido durante o intercâmbio, mas minha família? Meus amigos mais antigos? Não. Aquele era meu segredo mais obscuro, guardado a sete chaves. Nem mesmo Lisa sabia sobre o que tinha acontecido, mas, talvez, aquele fosse o momento.

Eu senti minha voz embargar em minha primeira tentativa de fala e, por isso, pausei por um instante, engolindo em seco e respirando fundo enquanto tentava organizar uma justificativa para minha esposa.

— Eu não... eu não... eu não sobreviverei sem vocês, Lisa. Não teria volta — meu olhar marejado voltou-se para ela, que me olhava confusa. — Eu já passei por uns maus bocados e, chame de drama se quiser, mas já passei por tempos complicados e eu só… se algo acontecer a ela, se algo acontecer com você, eu jamais me perdoaria, eu não… — Travei meu maxilar, uma vez mais desviando o olhar.

Eu sabia que se algo acontecesse a Lisa ou àquela criança não sobraria muito de mim para contar história. Não existiriam Lunas, Violas ou Aimées no mundo que conseguissem me convencer a seguir em frente, não existia um em frente. Seria o final da linha. Se eu falhasse naquela promessa de protegê-las? Eu não gostava de pensar exatamente no quê aconteceria, mas eu sabia que não seria bonito. Cadmus Peverell se mostraria amador perto das loucuras que eu ficaria disposto a cometer.

— James... — A voz de Lisa estava mais calma agora, ela estendeu a mão para segurar a minha. — O que você não está me contando? Você sabe que pode me dizer qualquer coisa. Sou eu, sua mulher. Conversa comigo.

Engoli em seco e assenti. Ela tinha razão. Lisa era minha companheira, minha amiga e confidente. Tínhamos decidido passar a vida juntos, estávamos começando uma família juntos. Ela merecia saber.

— Eu ia ser pai. — Saiu então, rápido e direto, sem enrolações.

— O quê? — ela se endireitou na cadeira, claramente não esperando aquela resposta.

— Saphira estava grávida quando... Quando caiu — respondi e Lisa ficou em silêncio, absorvendo a revelação. — Eu não sabia que queria ser pai até que eu soube da possibilidade. Eu descobri que o bebê não tinha sobrevivido antes mesmo de Melody revelar que ela estava grávida e isso… — Fechei os olhos respirando fundo, Lisa apertou minha mão um pouco mais. — Meu tempo fora de mim, o sumiço inicial, os primeiros e maiores problemas, não foi somente por causa dela. Foi porque um filho meu foi tirado de mim antes mesmo de eu descobrir que… — Depois de todos aqueles anos eu descobri que era mais difícil do que eu esperava falar sobre aquele assunto. Ele provavelmente estaria em Hogwarts agora, conquistando diversas garotas ou garotos ou ambos, causando problemas e me forçando a fingir que estava decepcionado com as marotagens que ele fizesse. Voltei a respirar fundo. — Uma vidinha, que seria meu presente, mas simplesmente não foi e… Você é a mulher da minha vida, Elisabeth. Eu nãoposso perder você e nem esse pequeno ser dentro de você. De repente, não é só você que engloba meu mundo, agora é ela também. Eu não vou aguentar perder vocês, Lisa. Eu não viverei. Passar por tudo de novo… Eu quase não sai vivo da primeira vez, se qualquer coisa… Eu… eu apenas não aguento. — Enxuguei algumas lágrimas que escorriam e voltei a olhá-la. — Conforme os anos foram passando eu percebi que mesmo que Saphira ainda estivesse viva eu não tenho certeza que teríamos continuado juntos. Nós éramos diferentes demais e muito parecidos de todas as formas que condenariam aquele relacionamento em algum momento e acho que isso me ajudou a seguir em frente, a me apaixonar outra vez antes de te reencontrar. Mas você? Não tem como seguir em frente de você Elisabeth, eu sei disso porque eu passei meses tentando e eu acabei no seu casamento pronto pra acabar com o que poderia ter sido o dia mais feliz da sua vida por egoísmo. Não tem depois de você. E essa criança? Eu posso ter feito as pazes com a certeza que Saphira não era O amor da minha vida, posso ter seguido em frente do que tivemos, mas aquele bebê ainda me assombra de vez em quando, nos momentos mais aleatórios que você puder imaginar e isso? Nosso bebê? Eu nunca me perdoaria, eu não poderia viver se eu permitisse algo acontecer a qualquer uma de vocês duas, eu apenas não posso arriscar.

A expressão de Lisa estava muito mais calma agora, emanando compaixão e empatia. Um minuto de silêncio se alongou entre nós dois e ela não soltou minha mão. Na quietude estabelecida, após ter colocado tudo aquilo pra fora, meu choro se intensificou e, apenas então, Lisa levantou-se, dando a volta na mesa e sentando-se no meu colo, segurando-me em seu abraço enquanto acariciava minhas costas.

— Estamos bem aqui, James, e não iremos a lugar nenhum, eu prometo. — Ela disse suavemente, segurando meu rosto. — Eu sinto muito que você tenha passado por tudo isso, sinto muito mesmo que tenha perdido todas essas possibilidades, mas agora sou eu quem te faço uma promessa: nós duas continuaremos aqui por muito tempo. Ela nem nasceu e eu já sei que ela é tão teimosa e forte quanto você. Eu estou me cuidando e aprecio seus cuidados também, só não precisa ser tão exagerado. Vamos ficar bem, eu prometo.

E, antes que eu pudesse responder, Lisa arrumou a postura de repente, fazendo uma cara de espanto. E claro que aquilo não me acalmou nem um pouco.

— O que foi? O que está acontecendo? Vamos para o médico! — Apesar do desespero, com Lisa em meu colo eu não fiz nenhum movimento. A expressão dela relaxou e eu percebi que ela continha um sorriso.

Sem dizer nada mais Lisa pegou minhas mãos e as posicionou em sua barriga, mais para o lado esquerdo e para cima.

— O quê…?

— Shhh. — Mandou e eu obedeci.

E então eu senti. A sensação mais esquisita e maravilhosa de toda a minha vida. A barriga de Lisa estava se pressionando contra minha palma, uma pontada visível mesmo sobre o tecido da blusa. Ela se foi por um instante e então voltou, mais uma vez. Lisa gargalhou, eu a olhei maravilhado.

— Ela promete que vai ficar bem também. — A voz de Lisa era um sussurro e eu… bem, eu era um poço de lágrimas.

(...)

Depois daquele dia as coisas tinham se acalmado da melhor forma possível. Eu ainda estava sendo excessivamente cuidadoso, mas agora escutava mais Lisa quando ela afirmava que estava bem. Lisa, por sua vez, estava mais compreensiva com meus medos e anseios, então se irritava menos quando eu passava um pouco do ponto, e assim os meses seguintes seguiram.

Em setembro eu tinha enfim começado a dar aulas em Hogwarts e foi uma das melhores experiências da minha vida. Desde que Minerva tinha assumido a administração da escola ela fizera algumas mudanças na grade, como diminuir a quantidade de alunos por turma e aumentar a quantidade de professores disponíveis, melhorando tanto a experiência para os professores quanto para os alunos. Naquele começo eu tinha ficado responsável por lecionar para as turmas do primeiro ano, que, apesar de ocuparem muitos dos meus horários ao longo da semana, ainda me permitiam um tempo livre vez ou outra. Com a casa em Hogsmeade eu tinha dispensado o quarto em Hogwarts e sempre estava de volta em casa antes mesmo de Lisa, esperando por ela com o jantar já servido quando ela chegava.

Naquela tarde de sábado, porém, eu precisei deixar Lisa em casa para comparecer à minha reunião mensal na empresa e analisar em qual ponto estava o nosso programa de estágio, que abriria vagas ainda naquele verão. Ao chegar em casa, Lisa aguardava por mim sentada no sofá, com a bolsa que tínhamos deixado feita para a bebê ao lado dela.

— Hm… — Comecei quando Lisa não disse nada, continuando a calmamente ler a revista que tinha em mãos.

Em resposta ela ergueu um dedo, seguindo a leitura até atingir o que eu imaginei ser o final da matéria.

— Você sabia que o trabalho de parto de uma mãe de primeira viagem pode durar até 20 horas? — Ela disse então, ainda sem me olhar, enrolando a revista e colocando-a no bolso lateral da bolsa de maternidade. — É aterrorizante e incrível, na verdade. Eu sempre achei que se a bolsa estourasse tinha que ir direto pro hospital porque o neném nasceria em, no máximo, trinta minutos, mas nam, nada disso. A minha estourou pouquinho depois que você saiu, quatro horas atrás, e ela segue firme e forte aqui, as contrações estão tão esp…

— O quê? Sua bolsa estourou? — Eu soo calmo aqui, certo? Bom, eu não estava.

— Sim e… me coloca no chão! — Lisa me deu um tapa no ombro. Discutimos por um prolongado minuto, ela ganhou. — Como eu ia dizendo… — Ela resmungou, ajustando a blusa quando eu a pus em pé de novo. — O parto pode demorar até 48h depois do rompimento da bolsa. É bastante coisa, mas acho que não vai ser nosso caso porque eu consegui me acalmar sabe? E comecei a ler, você deveria também. — Nesse momento ela pegou a revista que lia e estendeu pra mim. — Enfim, minhas contrações estão durando cerca de vinte e pouco segundos com intervalos de meia hora cada então, teoricamente, não tem porque irmos para o hospital agora. Porém, como pretendemos ter essa criança em Londres e eu não quero arriscar usar meios de transporte bruxo, nem mesmo a rede flu, acho que deveríamos ir agora, mas eu posso esperar você se arrumar antes se quiser.

Eu a encarei por não tenho certeza de quanto tempo. Com Lisa tendo me forçado a segurar meu desespero enquanto ela dava sequência ao monólogo informativo dela, agora minha cabeça estava funcionando muito mais rápido que meu corpo e, enquanto mil e uma coisas passavam pela minha mente, eu apenas fiquei a olhando. E Lisa esperou.

— Nós deveríamos ir para o hospital. — Foi o que eu consegui dizer depois de um tempo.

— Sim, deveríamos.

— Eu deveria tirar o carro.

— Correto.

— Nós temos que pegar as roupinhas e… e… e…

— Está tudo bem, eu já peguei tudo.

— Ok.

— Ok. — Eu continuei a encarando, sem me mover. — O carro James.

— Certo.

Lisa riu quando eu continuei sem sair do lugar e aquilo pareceu me tirar do estupor ao qual eu me encontrava, dei meia volta e fui em direção a porta, então, parei, virando-me para ela.

— Nós vamos ter um bebê. — Minha voz não passava de um sussurro, Lisa sorriu, acariciando a enorme barriga que ela vinha levando para todos os lados.

— Nós vamos ter um bebê. — Ela sussurrou de volta e, então, eu deixei a adrenalina tomar conta.

Não era porque estávamos viajando por métodos trouxas que a magia não estaria envolvida no nosso transporte. Afinal, uma viagem das Terras Altas da Escócia até Londres por rodovias comuns iria levar uma vida inteira, especialmente com Elisabeth em trabalho de parto. Então, sim, é exatamente o que vocês estão pensando: vô Arthur tinha me ensinado a… aprimorar o popular meio de transporte trouxa e é claro que percorremos a maior parte do caminho até o hospital nos ares, a altíssima velocidade e invisíveis aos olhos mundanos. Durante todo o trajeto Lisa ria do meu desespero e tentava me acalmar com mais curiosidades de fatos que eu já tinha lido nos muitos livros que compramos durante aquela gravidez.

Ao chegarmos no hospital, a duração das contrações de Lisa tinha aumentado e o tempo entre elas diminuído, mas após avaliá-la o Dr. Lewis informou que ela só estava com 6cm de dilatação e que deveríamos esperar mais um pouco. Esse um pouco demorou. Muito. Horas. Mas já estávamos no hospital, não havia mais nada que eu pudesse fazer além de atormentar as enfermeiras até levar bronca delas e de Lisa. Então continuamos esperando. De hora em hora checavam novamente a dilatação de Lisa, mas aparentemente nossa filha estava realmente sem pressa para sair dali.

A ansiedade não permitira que eu ou Lisa dormíssemos, por mais que eu tivesse tentado convencê-la a fazer isso, já era tarde na madrugada — quase a manhã do dia seguinte — quando Lisa estava quicando sobre uma gigantesca bola de Ioga enquanto me narrava as vantagens do exercício para acelerar o parto. Se tinha uma coisa que não estava acontecendo por ali era algo acelerado e eu estava prestes a puxar minha varinha e gritar “accio bebê” quando a enfermeira do turno entrou no quarto para verificar a dilatação de Lisa àquela hora. Já tínhamos passado por aquele procedimento outras oito vezes, então as expectativas estavam baixas. Dr. Lewis tinha ido para casa horas atrás, informando que voltaria assim que o chamassem, mas eu não estava com altas expectativas para aquilo.

Então a enfermeira virou-se para mim com um sorriso simpático no rosto — o mesmo de todas as vezes anteriores — e puxou as luvas cirúrgicas que usava.

— Ela está pronta.

Eu gostaria de narrar para vocês tudo o que aconteceu a partir daqui, mas eu não tenho memórias muito fixas da situação. Eu sei que Lisa e eu nos olhamos e a expectativa cresceu. Sei também que a enfermeira comunicou que iria ligar para o dr. Lewis e começou a organizar a sala onde o parto ocorreria, mas todas as memórias são um flash. Eu não desmaiei, disso tenho certeza, e sei também que Lisa amaldiçoou até minha oitava geração por tê-la colocado naquela situação. Houve muito grito e suor e Lisa quase quebrara minha mão, ordens vinham do médico para que Lisa continuasse empurrando e tudo parecia girar e, enfim, foi apenas muita coisa e meus níveis de adrenalina estavam tão altos que uma semana depois eu já não me lembrava de nada.

Bom, quase nada.

Porque um momento muito específico se fixou em minha mente e é umas das memórias que eu mais valorizo até hoje.

Lisa estava completamente suada, descabelada, exausta. Suas olheiras estavam profundas, a respiração ainda lutava para recuperar o ritmo normal e, bem, ela nunca estivera mais linda. Apoiada em seu colo estava um pacotinho rosa que apenas tinha cabelo demais para uma recém-nascida. Elisabeth sussurrava coisas para ela que eu não conseguia distinguir, eu apenas estava deslumbrado demais para fazer qualquer outra coisa que não fosse olhar completamente fascinado para as duas. Meu mundo inteiro estava bem ali diante dos meus olhos; Tudo que um dia eu desejei, tudo que eu poderia sonhar… muito mais do que isso.

— Você vai querer segurá-la contra sua pele?

— Han? — Virei-me para a enfermeira que aguardava pacientemente ao meu lado, parecendo só então ter voltado ao momento presente, puxado para fora daquela bolha de amor e devoção que tinha tomado conta de mim enquanto eu observava Lisa e nossa filha.

— Elisabeth tinha comentado que vocês dois fariam o pele contra pele. Preciso que você tire a camisa.

Eu pisquei. Em uma situação normal eu teria dito para a enfermeira ao menos me convidar para um jantar antes, mas minha personalidade adorável estava abafada por algo muito maior que eu acontecendo naquele momento. Voltei a olhar para o pacotinho seguro nos braços de Lisa e balancei a cabeça.

— Eu não… não posso.. ela é tão… e se eu a quebrar? — Voltei a olhar para a enfermeira e ela riu. Ela riu! Eu estava falando muito sério. Não conseguia imaginar uma forma de segurar aquela pequena — minúscula — criatura sem causar danos a ela.

Um ligeiro pânico começou a tomar conta de mim. Um medo que não viera durante todos os meses da gravidez, mas agora chegava com força, enquanto eu percebia que a mão inteira da neném era menor que um dedo meu. Merlim! Onde estávamos com a cabeça? Como eu ia tomar conta de um bebê? Eu sequer tinha conseguido manter um cacto vivo na minha adolescência. Meu primeiro pet, Marie, me odiava! Como eu iria cuidar de uma criança? Daquele tamanho? Era apenas…

— Tá tudo bem papai… — A enfermeira tocou meu braço, me puxando gentilmente até a poltrona ao lado da cama. — É normal ter esse medo, mas eu te prometo que você não irá quebrá-la, ok? A camisa.

Eu respirei fundo, começando a agir no modo automático e seguir as ordens que me eram dadas. Eu não tirava os olhos de Lisa e da pequena, mas tirei a camisa como instruído e sentei na poltrona. Desviei o olhar de minha esposa para acompanhar o tutorial que a enfermeira fazia com os braços, instruindo-me na forma certa de segurá-la; Então, ela tirou a bebê do colo de Lisa e veio em minha direção.

Ela era minúscula. Meu corpo agiu para pegá-la e o corpo inteiro dela cabia no meu antebraço — com espaço de sobra! Eu tremia levemente e a enfermeira não a soltou por completo até que eu a segurasse com ambos os braços, embalando-a no meu colo e trazendo-a para perto do meu peito. Quando a enfermeira enfim a soltou, o mundo parou.

Ela possuía grandes olhos castanhos, como os da mãe. E o ninho de cabelos castanhos em sua cabeça também parecia ser mais próximo ao tom de Elisabeth. Tudo nela era incrivelmente pequeno, quase microscópico. O nariz, a boca, mas não os olhos… Ela piscou aquelas enormes jabuticabas para mim e eu precisei me encostar mais na poltrona, com medo de estar tremendo tanto que fosse deixá-la cair.

— Oi… — Minha voz não passava de um sussurro, eu a trouxe mais perto para meu colo. Ela era tão pequena. — Eu amo você. — E, Deus, eu amava. Tinha a amado do minuto que descobri que ela existia e sabia que a amaria para sempre. Eu só percebi que chorava quando uma lágrima caiu sobre ela. Me desculpei, mas não ousei enxugar meus olhos e arriscar derrubá-la. Tirei os olhos da pequena por apenas um instante, segurando-a com mais força e o mais delicadamente que consegui enquanto erguia o olhar para Elisabeth. — Obrigado.

Lisa, por sua vez, também estava chorando enquanto mantinha os olhos fixos em mim e em nossa filha. Ela suspirou e deixou uma risada escapar.

— Por Deus James, eu estava minutos atrás te amaldiçoando por me fazer por tudo isso, como é que você já pode estar me fazendo querer mais um?

Isso serviu para me fazer relaxar um pouco mais e eu também ri, voltando a olhar para nossa bebê.

— Oi, minha pequena. — Voltei a cumprimentar, acariciando-lhe as costas. Tão, tão, pequena. — Papai ama muito você. — Eu sei que eu estava sendo um pouco repetitivo, mas, bom, eu não me importava.

— Acho que já sei. — Lisa disse arfando, eu a olhei, preocupado. Ela sorriu. — O que você acha de… — Ela mordeu a boca, baixando os olhos para nossa filha, olhando-a com o mesmo amor e devoção que eu tinha em mim por elas. — Lois?

Durante toda a gravidez discutimos muitas opções de nome, mas nenhum parecia certo. Os que eu gostava Lisa odiava e vice-versa; simplesmente não conseguimos encontrar um meio-termo e decidimos esperá-la nascer para decidir qual nome seria. E ali estava. Lois, como Lois Lane, uma importante personagem da série responsável por ter nos aproximado. Por ter possibilitado o nascimento de uma amizade e ter sido o primeiro passo em direção àquele destino em que agora estávamos.

— Lois Potter. — Testei o nome na minha boca e meu sorriso aumentou, agora eu tinha sido mais rápido ao desviar meu rosto para a lágrima que escorria dos meus olhos não pingar sobre ela. A pequena se mexeu em meu colo, aprovando o nome, eu e Lisa rimos. — Oi, Lois. Você não vai precisar de nenhum super-homem, papai vai cuidar de você e te proteger para sempre. Eu prometo.

(...)

Sabe como as pessoas estão sempre comentando que é necessário aproveitar ao máximo cada momento com seu bebê, por pior que ele possa parecer, porque tudo isso passa muito rápido? Bom, eles estão certos. Talvez não 100%, já que eu definitivamente não sinto falta das noites em claro, mas a verdade é que Lois cresceu rápido. E minha inabilidade de acompanhar a passagem dos anos pode ter completa relação com o fato de que você perde a noção do tempo quando passa aproximadamente seis meses não dormindo mais do que algumas horas por noite, picadas.

Eu amo minha filha mais do que qualquer coisa nesse mundo, mas ela não foi uma criança fácil. Longe disso. E o fato de ser nossa primeira viagem também não facilitou muito nossa vida. Lisa ainda tentava ser um pouco mais controlada que eu, mas mesmo ela não conseguia disfarçar o desespero quando o choro de Lois estava um pouco diferente, ou quando achávamos que ela estava mais quente que o normal. Durante um mês inteiro ficamos hospedados no Caldeirão Furado apenas porque dali era mais fácil e rápido de chegarmos no hospital, fosse o trouxa em que Dr. Lewis trabalhava ou St. Mungus para quando suspeitávamos que o mal-estar (inexistente) da nossa filha pudesse ter algo a ver com magia. Não existia livros ou panfletos — e existiam muitos deles e nós lemos quase todos — que nos mantivesse calmos o suficiente para nos deixar longe dos hospitais.

Para meu segundo ano como professor em Hogwarts Minerva tinha trocado minhas turmas para as do sexto e sétimo ano, me oferecendo ainda mais tempo livre para que eu pudesse desfrutar daquele começo com Lois, dando mais suporte a Lisa e garantindo que ela não ficasse tão sobrecarregada, sem precisar ter desistido do cargo para isso. Foram meses intensos, mas, para além dos choros, vômitos, cólicas e desespero, também vieram incontáveis momentos de alegria que nublavam qualquer outro que pudesse ser considerado negativo.

Como, após horas de choro incessante na madrugada e finalmente ter cedido, Lois acordava com o maior sorriso do mundo, acabando com todos os problemas da humanidade com esse simples ato. Como o mundo ganhava um brilho novo e meu coração aprendia um novo ritmo para bater quando a minúscula mãozinha dela prendia meu dedo. A primeira risada que serviu melhor do que qualquer poção para levar embora o cansaço e o estresse e, claro, a primeira vez que ela sentou ou rolou ou segurou a cabeça enquanto de bruços para então engatinhar e, em uma linda tarde de primavera, na Toca, encantou a mim, a mãe dela e toda nossa família ao se equilibrar nos dois pezinhos e dar os primeiros passos.

Ela era só um neném e lá estava ela, com os bracinhos abertos para manter o equilíbrio e cambaleando igual um bêbado na minha direção antes de cair nos meus braços, rindo. Não foi fácil, foi cansativo e nem sempre eram tudo flores, mas… ah… esses pequenos momentos, esses instantes, essas primeiras vezes, faziam tudo valer a pena. E eu não sinto falta das noites sem dormir, mas eu definitivamente sinto falta de todo o resto porque é… passou rápido demais. E quando eu assustei, lá estava Lois, com seus onze meses de vida, mostrando que, por mais que ela tivesse puxado muito da minha beleza, ela ainda era filha da mãe dela.

Me inclinei para frente e as sobrancelhas da minha filha se franziram, fazendo com que ela ficasse ainda mais parecida com Lisa — quem eu estava querendo enganar, essa garota era uma cópia da mãe, a não ser pelos cabelos que, infelizmente, não tinham herdado os volumosos cachos de Elisabeth — mas depois ela sorriu, estendendo os dedinhos em minha direção. Eu segurei sua mãozinha e ela começou a balançar meu dedo, enquanto eu só acompanhava os movimentos, rindo.

— Pa-pai — eu falei pausadamente. Lois me olhou, mas não por muito tempo, entretida o suficiente com meu dedo para me dar mais do que dois segundos de atenção. — Fala pa-pai. — Pedi de novo.

Vinha tentando já há algumas semanas essa tática, desde que Lisa tinha voltado a trabalhar eu agora tinha mais tempo com Lois durante a semana e ela não conseguiria manipular nossa filha para falar mãe primeiro — eu conseguiria fazer o contrário antes. Naquela noite, porém, Lisa estava bem ao lado, lavando as vasilhas da janta de Lois após eu tê-la alimentado.

— Ela é muito nova ainda, você estava mês passado reclamando que ela está crescendo rápido demais e agora quer acelerar ainda mais o processo?

— Pa-pai. — Repeti, ignorando minha esposa, que bufou. Lois começou a balbuciar. Ela fazia muito isso, sempre emitindo sons e barulhos diversos na língua de bebês. Por isso eu acreditava que era apenas questão de tempo até ela começar a falar como gente, a garota já era tagarela sem nem saber nenhuma palavra em inglês, ela não ia demorar muito para começar. — Você só está com inveja porque sabe que ela vai falar Pa-paii… — Aguardei para ver se Lois reagia ao estímulo, ela apenas soltou meu dedo e virou-se para a mãe. — Primeiro. Lois.. Lois! — Chamei, estalando os dedos para recuperar a atenção da minha filha.

— Mã-mãe. — Elisabeth agora se aproximava mais e Lois bateu as mãozinhas, empolgada.

— Hey! Isso não é justo. — Eu não tinha recebido palmas, elas claramente estavam armando contra mim!

— Lute, James. Todo mundo sabe que garotas falam mãa-mãe primeiro. — Eu percebi o que ela estava fazendo.

— Isso é besteira! A primeira palavra de Lily foi pomo de ouro.

— E a segunda? — Eu murchei.

— Mã… nã-ã! Você não vai me fazer confundí-la. Vamos lá neném, fala pa-pai. — Pedi pra Lois que voltou a olhar pra mim, agora rindo.

— Mã-mãe.

Lisa e eu iniciamos uma disputa ali, Lois, felizmente, parecia estar se divertindo, alternando a atenção entre a mãe e eu, balbuciando na linguagem única dela que impossibilitava qualquer um de nós a cantar vitória. Após alguns minutos, Lisa jogou as mãos para o alto.

— Desista, James. Ela tá muito nova ainda.

Antes que eu pudesse responder, porém, Lois deu um gritinho empolgado e então olhou calmamente para a mãe. E, então, ao abrir a boca novamente, ela disse

— Ja-me.

— Ela acabou de dizer James?

A pergunta fora feita por Lisa, eu estava encantando demais para falar qualquer outra coisa. Lois, então, ouvindo a mãe dizer meu nome, repetiu, agora prolongando o S no final. Eu comecei a gargalhar.

— Uma vitória é uma vitória. — Lisa bufou, mas, então, passamos o restante da tarde aperfeiçoando a pronúncia da primeira palavra de nossa filha.

E, bem, o que eu posso dizer a vocês é que ela certamente usou aquilo contra mim nos anos seguintes.

Depois daquele dia, Lois abrangeu bastante seu vocabulário. Infelizmente, “papai” sequer entrou na lista das primeiras vinte palavras ditas por minha filha, já que sempre que ela precisava de mim ela me chamava pelo nome e tinha preferido gastar as novas palavras para chamar carinhosamente a mãe ou avós, eventualmente ela enfim se deu por vencida e começou a me chamar de papai, porém ainda usava o James em situações que ela julgava mais críticas ou sempre que queria brigar comigo, o que era mais frequente do que vocês podem pensar.

E, bem, como ela poderia pisar em mim que eu ainda acharia lindo, eu não reclamava muito, por mais que ficasse magoado quanto era tratado pelo primeiro nome.

Cada nova palavra acrescentada ao glossário da minha filha, porém, só mostrava o quanto o tempo estava passando rápido e o quanto ela realmente estava crescendo. E, por mais que Lois tivesse os lindos olhos de Lisa e o temperamento da mãe, ela nunca escondeu que era minha filha também.

— LOIS MOIRA CARTER POTTER! QUANTAS VEZES EU JÁ FALEI PARA NÃO MEXER NO RELÓGIO DO SEU AVÔ?!

Eu parei exatamente onde estava, observando minha espoleta filha de três anos e meio escalando o artefato de Arthur Weasley, que tinha dobrado de tamanho na última década para comportar todos os bisnetos que continuavam nascendo por aí. Carter não era um sobrenome que estava oficialmente no registro de Lois, mas, bem, vocês também tiveram déjà-vu?

Lois olhou para trás rindo abertamente e eu não consegui conter minha própria risada, o que não fora uma boa ideia, Lisa me perfurara com os olhos.

— Isso é culpa sua, James Sirius Potter — reclamou ela.

— Culpa minha? Não sou eu que estou pendurado no relógio!

— Ha! Não deixe ele te enganar, Lisa querida, ele vivia fazendo isso! — Minha mãe se intrometeu, fazendo ela o caminho até o artefato para puxar Lois de lá. Minha filha era melhor que eu, mesmo mais nova ela tinha quase alcançado os ponteiros, eu nunca chegara tão longe.

— Ela só tem três anos! E é um relógio bem pendurável. — Defendi a mim e a minha cria, tanto minha esposa quanto minha mãe reviraram os olhos.

— Mesmo assim, a culpa é sua.

— Aparentemente explosivins na cueca é algo hereditário. — Mamãe comentou, o tom de pêsames direcionado à Lisa. Eu bufei.

— Eu nunca pendurei em relógio nenhum. — Harry Potter surgiu, defendendo-se.

— Ah, mas Ginny vivia fazendo isso quando criança. — Vô Arthur, que estava sempre perto para momentos como aquele, disse casualmente, bebendo seu chá da poltrona enquanto me observava virar o rosto lentamente para minha cara-de-pimenta.

Todos aqueles anos ela sempre me atormentara por sempre subir naquele relógio e durante todo aquele tempo…

— Ahá! — Disse, apontando pra ela. Inabalada, Ginny apenas colocou minha filha no chão — que saiu correndo para aprontar em outro canto da casa — e deu de ombros.

— É um relógio bem pendurável.

— Ah Deus… — Lisa comentou e então ela fez algo que me obrigou a parar no ato de ir implicar com minha mãe, Lisa levou as mãos à barriga. — Albus e Lily também faziam isso?

— Albus tentou uma vez, mas caiu e nunca mais fez de novo. Lily era tão atentada quanto James.

— Elisabeth? — Minha esposa se virou lentamente em minha direção, um sorriso travesso no rosto, as mãos ainda na barriga.

— Eu sinto muito senhor Weasley, mas acho que é uma ótima ideia você reforçar esse relógio. — Lisa disse ao meu avô, que apenas riu e afirmou que já tinha cuidado daquilo no momento que descobriu da primeira gravidez de Ginevra.

(...)

Vocês possivelmente estão pensando que isso está indo rápido demais e, bem, vocês estão certos. Foi exatamente assim que eu me senti também.

O tempo é algo engraçado, não é? Quando estamos no momento não o percebemos passar, apenas vivemos aqueles instantes, desfrutando ao máximo cada segundo que nos é concedido e desejando, em vão, congelar aquele minuto para toda a eternidade. Como as areias de uma ampulheta ele apenas escorre por entre nossos dedos e deixa para trás apenas a sensação de algo que um dia foi, que passou, mas não volta mais. As lembranças permanecem, mas flashes de memória incompletos comparados ao que realmente aconteceu, deixando detalhes que na hora pareciam tão importantes passarem despercebidos ao recontarmos uma mesma história.

Mas é, o tempo passou. Aproximadamente 8 meses após o incidente do relógio Harry Potter II nasceu e com ele a certeza de que o primeiro bisneto homem de Harry Potter, o original, também se chamaria James. Era uma tradição de família agora, não tinha mais volta. Com a chegada do primeiro irmão, Lois também tinha demonstrado seu primeiro sinal de magia, fazendo nevar dentro de casa por estar com ciúme. Felizmente conseguimos lidar bem com a situação e ela logo se adaptou à nova realidade e, cinco anos depois, Bernard Fernando Potter veio ao mundo. Lisa ordenou o fechamento da fábrica após nosso caçula, ao contrário da gravidez de Lois ela demonstrara excesso de preocupação na segunda e terceira enquanto eu fui o mais controlado e calmo de nós dois e isso a tinha exaurido em ambos os casos. Eu era mais esperto do que discordar dela. Obviamente que eu não reclamaria de, assim como meu avô materno, encher um time de quadribol apenas com filhos meus, mas estava feliz e satisfeito com a pequena família que tínhamos construído até ali.

E não me entendam errado, eu amo todos os meus filhos igualmente, mas, bem, Lois para sempre seria a garotinha do papai. E é óbvio que eu me preocupava com cada um deles na mesma intensidade, mas talvez eu tenha chorado descontroladamente desolado apenas no primeiro dia de aula na escolinha preparatória — Lisa fizera questão que todos nossos filhos fossem à escola trouxa antes de ingressarem em Hogwarts — de Lois.

Eu ainda achava que ela era pequena demais, julgava extremamente necessário que ela ficasse em casa conosco, mas lá estava ela, com os longos e lisos cabelos castanhos presos em duas maria-chiquinhas no topo de sua cabeça, sorrindo abertamente para a foto enquanto segurava a sua frente uma lancheira quase maior do que ela.

— Ela é apenas um bebê! A mochila vai derrubá-la no chão a qualquer instante. — Reclamei para Lisa, que revirou os olhos, me cutucando com o cotovelo para que eu tirasse mais uma foto.

— Veja bem, o bebê está bem aqui no meu colo e eu não discordo que ela ainda seja um neném, mas ela ainda precisa aprender a escrever.

— Você sabia que eu sou um professor?

— De poções.

— Eu ensinei Lily a escrever!

— James…

— James! — Aquela era Lois, que agora vinha em nossa direção, eu me abaixei na altura de minha filha, que jogou os braços ao redor do meu pescoço.

— Você quer ir embora meu bem? Não precisamos ficar aqui, a gente pode ir pra casa e papai vai te ensinar tudo que você precisa saber e você pode brincar com seu irmão!

— James…

— Estou falando sério, Elisabeth! Lois, meu amor, se você não quiser ir você não precisa, ok?

— Você sabe que tem que ir trabalhar, né?

— Eu levo ela comigo! Tem um monte de gente legal na minha turma, você vai…

— Paiii… — Ela tinha o mesmo tom irritado da mãe e revirou os olhos. Qualquer criança de 5 anos ficaria em êxtase com a possibilidade de passar o dia em Hogwarts, mas não minha filha, ela tinha que ser teimosa e independente como a mãe. — Eu não sou mais um neném.

E lá estavam as lágrimas. Um bebê estava falando pra mim que não era mais um bebê! Eu ainda conseguia carregá-la em um só braço e lá estava ela, me falando que não era mais um bebê. Ela tinha até me chamado de pai para amortecer a queda. O tempo passava tão tão tão rápido, era injusto.

— Tem um montão de brinquedos lá e eu vou voltar rapidinho, você vai ver.

Sim, caso vocês estejam com dúvidas, era minha filha de cinco anos consolando a mim, um homem de 36, no primeiro dia de aula dela. Lois ergueu aquelas mãozinhas ainda minúsculas para enxugar minhas lágrimas e me deu dois tapinhas no ombro.

— Shhh, tá tudo bem. — Elisabeth gargalhou e se afastou alguns passos para rir ainda mais. Eu, bem, aquilo só serviu para me fazer chorar ainda mais.

Eu tinha argumentos, eu queria convencê-la a ficar, mas não muito tempo depois a professora chamou, indicando o início das aulas. E minha filha aventureira e curiosa deu um beijo na cabeça do irmão, abraçou a mãe e, me assegurando uma vez mais que voltava ja já, correu em direção a escola sem olhar para trás.

Naquele dia eu levei Harry para Hogwarts comigo e as aulas não foram muito produtivas, ao invés de ensinar minha turma de N.O.M’s sobre o antídoto para uma amortentia, eu passei toda a aula choramingando sobre a passagem do tempo e como nossos filhos cresciam rápido demais e incentivando meus alunos a enviar cartas aos pais, pois eles certamente estavam com saudades.

E tudo isso seguiu sendo verdade, mesmo ela realmente tendo voltado para casa em poucas horas, compartilhando empolgada seu primeiro dia de aula, os amigos que fizera, tudo que aprendera. Lois era uma garotinha esperta e enérgica, eu sabia que não demoraria muito tempo até ela começar a arrumar problemas, afinal, ela era filha de quem era, mas por mais dolorido que fosse vê-la crescendo, era também deslumbrante acompanhar de perto cada realização e conquista dela. Cada degrauzinho que ela subia para se tornar uma mulher e pessoa tão incrível quanto eu sempre soubera que ela seria.

À altura do aniversário de onze anos de Lois e a chegada da já esperada carta de Hogwarts, eu tinha me preparado melhor para aquele momento. E o fato de eu lecionar na escola para onde ela estava indo e ter garantido que eu seria o professor da turma dela tinha tão pouca relação quanto o fato de que eu tinha gastado todas as minhas lágrimas nas apresentações do dia dos pais da escolinha.

Estávamos todos no carro, a caminho da King’s Cross. Na noite anterior tínhamos aparatado até o Caldeirão Furado e agora seguíamos para a estação. A vantagem de ter apenas 3 filhos? Todos eles cabiam no carro, respeitando a legislação trouxa e garantindo a segurança de todos os passageiros.

Bom, na teoria.

— Você é insuportável! — Ouvi a voz de Lois e senti um chute contra meu banco. Ah… viagens em família.

— Você que é! — Aquele era Harry e, pelo que eu consegui captar da expressão de Lisa, de quem respirava muito fundo para manter a calma, eu soube que o banco dela também tinha sido golpeado.

— E ainda assim papai me ama mais!

— Hey! — Aquilo era o máximo que eu interferiria na briga.

— É verdade! — Lois se defendeu, eu a olhei pelo retrovisor, ela deu de ombros. — Tá tudo bem, pai. Ele já é grandinho o suficiente para aceitar que é adotado.

— Lois… — O aviso viera de Elisabeth, eu me concentrei na estrada e em não rir. Minha esposa era filha única, ela apenas não conseguia entender a linguagem de amor entre irmãos.

— Não é um problema, vê? Papai ama Paisley do mesmo jeito.

Ali eu não consegui controlar e deixar uma risada leve escapar, Lisa me deu um soco no ombro.

— Você é má! — Harry retrucou, na tentativa de outro chute uma perna passou pelo espaço entre meu banco e o de Lisa. — É por isso que você vai para a sonserina.

— Parou com os chutes vocês dois. — Questão de segurança. Pelo retrovisor eu pude vê-la ficar com o rosto vermelho tal qual a avó dela.

— É? Pelo menos eu posso ir para sonserina! E você que é um abortoe só vai para Hogwarts para limpar! — Aos sete anos de idade Harry ainda não tinha demonstrado nenhum sinal significativo de magia e Lois, como irmã mais velha, usava disso para atormentá-lo. E funcionava.

— Mãaaaaae! — Veio o choro do banco de trás e Lisa virou-se, a irritação evidente em cada micro expressão que ela portava.

— Já chega vocês dois! E se eu ouvir mais alguma provocação você também nunca vai pisar em Hogwarts. — Aquilo parecia excessivo para mim, mas eu sabia melhor do que contestar minha esposa naquele nível de estresse.

— Há! — Meu filho, porém, não parecia ter herdado a inteligência do pai.

— E eu queimo todas suas revistas em quadrinhos se preciso for. — Elisabeth estendeu a ameaça para Harry, que, agora mais esperto, ajeitou a postura no banco.

Do espelho retrovisor eu vi ambos mostrarem a língua um para o outro. Bernard dormia pacificamente em sua cadeirinha, inabalado pela disputa de instantes atrás.

— Amo viagens em família. — Vocalizei, com apenas uma dose de sarcasmo na voz. Lisa revirou os olhos.

— Por que estamos indo para Londres afinal? A gente não mora a tipo… 5 minutos de Hogwarts?

— Porque você tem que viver a experiência completa! Imagina ir para Hogwarts sem pegar o trem?

— Seu pai e eu nos conhecemos no trem, sabia? — Elisabeth, agora mais calma, comentou. Eu sorri pra ela, por apenas um segundo, porque Lois logo quebraria aquela memória com o pior comentário que ela poderia pensar em fazer em toda minha existência.

— Então eu posso conhecer meu marido no trem também? Legal!

— Não! — E eu parei o carro não só porque tínhamos alcançado o destino, mas também para efeitos de drama. — Nada disso! Na verdade eu desprezei sua mãe à primeira vista, só fomos ficar juntos anos — e acredite em mim — anos, depois. E você nem precisa de marido! Quem te deu essa ideia? Nada de marido, na verdade, fique longe de meninos no geral! Meninos fedem.

— É feio discriminar por gênero, James. — Lá estava o maldito primeiro nome, eu virei para encará-la. Ela tinha a mesma expressão altiva e sabe-tudo da mãe. Deus, eu as amava tanto!

— Eu tenho certeza de que isso não se aplica a homens. Na verdade é até recomendado. Chute um homem, pra sermos sinceros NÃO!... o seu irmão. — Ela revirou os olhos, recolhendo a perna.

— Você é tão dramático.

— Dramático? Eu? — Levei as mãos ao peito, como se tivesse sido atingido por um forte feitiço, encenando uma falta de ar.

— Não temos tempo pra isso, ela vai perder o trem. — Lisa comentou, descendo do carro.

Lois imitou a mãe, tendo revirado os olhos de novo antes de descer e Harry apenas riu em solidariedade a mim. Francamente essa família!

— A gente nutre a criança 9 meses na barriga, dá amor, carinho, as melhores bonecas, abdica de horas de sono, nunca deixa faltar nada, pra ela crescer e te chamar de dramático! — Reclamei enquanto também descia do carro, indo libertar Bernard — que começava a acordar — da cadeirinha.

— Eu tenho absoluta certeza de que passei 9 meses na barriga da minha mãe.

— Cria do meu próprio ventre! — Gritei, sendo, bem, dramático. Bernard riu da minha encenação. Pelo menos alguém daquela família sabia me apreciar!

— Corta o teatro, James. Você sabe que é. — Lois comentou, tirando o restante das bagagens do porta-malas. O barulho que deixou minha boca era de pura descrença e indignação.

— James? Jaaaaaaameeeeees? Ela nem mesmo me chama de papai mais!

— Tecnicamente… — Lisa começou, mas calou-se com uma risada quando eu a olhei contrariado.

— Todos os sacrifícios que eu fiz! Você sabe como foi difícil recuperar esse corpitcho depois de ter te colocado no mundo mocinha?

— Ela nunca esteve dentro de você. — Lisa quem falou e eu consegui notar uma ligeira irritação em seu tom de voz. Bom, se meu marido dramático também estivesse querendo levar os louros pelo meu muito complicado trabalho de parto eu acho que também ficaria meio irritada.

— Bom, em algum momento ela esteve. — Olhei maroto para Elisabeth, mas a resposta veio de onde eu menos esperava.

— EW! — Lois gritou. — Eu não precisava ser lembrada disso!

Eu virei a cabeça lentamente na direção de minha filha, que organizava as coisas no carrinho despreocupada.

— Lembrada?? Lembrada???? Como- quando… o quê? Quem…

E, uma vez mais, ela revirou os olhos.

— Eu não sou mais criança, James.

E eu continuei sem palavras por alguns minutos, enquanto Lisa e Lois tomavam a dianteira em direção à estação de trem e eu as seguia atrás com os garotos. Aos poucos, a realidade da situação foi tomando conta de mim.

— Não é mais uma criança? — Disse de repente, interrompendo a conversa entre as duas, enquanto nos aproximamos da interseção entre as plataformas 9 e 10. — Não é mais… Você tem onze anos de idade! Você é apenas um neném, quem foi que te ensinou essas coisas? Eu tenho certeza que foi aquela escola trouxa que sua mãe insistiu para você ir! Isso é inaceitável!

— James… — O lamúrio viera das duas, como se eu estivesse errado!

— Eu estou errado, Harry?

— Quantos sapos de chocolate eu vou ganhar pra ficar do seu lado? — Meu filho do meio cobrou e eu o encarei, indignado. Porque meus filhos tinham que ser tão parecidos comigo?!

— Agora você sabe o que nós passamos com você. — Meu pai disse, chegando de repente com minha mãe, Hugo e Lily — que carregava o pequeno Liam no colo — à tiracolo.

— Meu sincero pedido de perdão se eu realmente era 10% do que esses dois são. — Comentei com falso arrependimento para meus pais, que apenas riram. — Agora por favor me digam como foi que vocês conseguiram não me despachar direto para um orfanato porque eu juro que estou quase.

— Hey! — Meus filhos protestaram, Lily riu.

— Quem foi que te disse que eles não mandaram? Você na verdade está em um orfanato nesse minuto e tudo isso foi apenas um longo sonho de um menino desolado e abandonado que só conseguiu encontrar amor de verdade enquanto dormia.

Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!

— Bom dia para você também, Lily. — Já estava tendo problemas com minha filha precoce, eu só conseguia dar atenção a um drama por vez!

— Vamos logo, já são 10h40. Albus, Luna e as garotas já estão lá. — Minha mãe nos apressou, tendo tomado Bernard do meu colo antes de atravessar a passagem, seguida então por meu pai com o outro Harry, Lily, Hugo e o neném, Lisa e então Lois e eu.

Em meio à confusão de fumaça, multidões e barulhos de animais diversos, não foi tão difícil quanto esperado para encontrar meu irmão, a esposa e as pequenas Ariel e Belle, acompanhados de Dominique.

— Estou errado em achar um absurdo o fato de que minha filha de onze anos sabe de onde vêm os bebês? — Saudei o grupo com essa pergunta, Luna imediatamente tampou os ouvidos da caçula, me olhando feio. — Viu? — Apontei para a cena. — Belle é mais velha que Lois e não sabe!

— São das cegonhas. — Ariel, que definitivamente não deveria estar prestando atenção naquela conversa, intrometeu-se.

— Na verdade… — Minha filha começou.

— Lois! — Lisa foi a responsável por pará-la enquanto eu tinha uma síncope bem ali.

— Acho que minha paciência será melhor testada perto de Fred e Freya. — Dominique comentou, afastando-se de nós e indo na direção onde eu imaginei que Fred estava com a filha, que embarcava para seu último ano em Hogwarts.

— Vocês sabiam que eu não sou mais uma bebê né? Eu já estou indo para Hogwarts! — Lois reclamou, cruzando os braços e torcendo o nariz.

— Veja bem, eu estou repensando isso nesse momento.

— James!

— E esse é apenas um dos motivos, mocinha.

— Pai… — Ela era boa, ela sabia exatamente como me dobrar. Droga!

— Isso ainda não acabou! Mas certo, não vou te fazer perder o trem.

Dei-me por vencido com o aviso da maria-fumaça de que estaria partindo em breve. Iniciaram-se, então, as despedidas. Uma quantidade considerável de Potters-Weasleys e Lupins já tomava conta de Hogwarts e Lois e Belle somariam àqueles números. Enquanto minha filha se afastava com a prima em direção a locomotiva eu quase conseguia ouví-la falando que explicaria para a doce e inocente Belle Potter de onde vinham os bebês. Eu às vezes não sabia se ela era mais parecida comigo ou com a mãe. E isso tirava por completo meu sono.

— Muito bem, meu amor, te vejo no jantar- não! No natal. — Inclinei-me para beijar Lisa, que não se deu ao trabalho de fechar os olhos, tendo retribuído apenas um selinho enquanto me encarava, indagadora.

— O quê?

— Eu tenho que trabalhar. — Disse o óbvio e Lisa não se abalou, eu suspirei. — Quero dizer, Lois acabou de revelar que sabe de onde vêm os bebês. Você sabe como foi minha reação quando eu descobri que Lily sabia disso?

— Ele nos acordou no meio da noite. — Harry Potter primeiro de seu nome comentou, eu apontei pra ele.

— Quero dizer, Lois é minha filha. Sem chances de eu sair do lado dela depois disso! Como você pode ver essa descoberta corrompeu Lily, ela está com um filho agora, caso você não tenha notado.

Minha irmã revirou os olhos, assim como minha esposa.

— E eu já tinha combinado com Minerva que iria acompanhar os alunos com o trem-

— Você o quê?

— Quero dizer, uma vez anos atrás um homem muito sábio me perguntou se eu gostaria que minha filha namorasse um cara como eu e a resposta é: definitivamente não. E por mais que eu saiba que não existe ninguém por aí que se equipare a mim eu sei que existe uma quantidade absurda de meninos que tentam e, bem, eles não vão tentar com minha filha.

— James Sirius!

— E a priori eu ia só na viagem e voltava para casa depois da janta, mas depois da descoberta de hoje? É inconcebível que eu volte para casa, me sinto na obrigação de duelar com Neville pelo cargo de diretor da Grifinória e eu apenas terei que passar cada segundo livre ao lado dela. Vigiá-la apenas em horário comercial não é mais suficiente.

— James Sirius Potter! — Elisabeth brigou ao tempo ao tempo que o último chamado do Expresso de Hogwarts ecoava.

— Ela é um bebê!

— Seu bebê tá bem aqui! — Lisa apontou para Bernard, que agora brincava com Liam no colo das ruivas remanescentes naquela plataforma.

— Eu não tenho tempo pra isso agora! Já tirei os olhos dela por cinco minutos, ela já pode ter encontrado um projeto de James Sirius que também sabe de onde vieram os bebês e quer testar a teoria. — Apenas ao falar que eu percebi a possibilidade daquilo de fato acontecer e, bem, o desespero tomou conta de mim.

Dei um rápido beijo em minha esposa e me despedi do restante da família de qualquer jeito enquanto corria em direção ao trem, que já começava a erguer as portas. Elisabeth gritava da plataforma e eu sabia que acabaria voltando para casa naquela noite, mas ah… só por cima do meu cadáver que Lois encontraria o marido naquele trem!



Não sabia que tentar encontrar minha própria filha em um trem que só tinha alunos de Hogwarts seria tão difícil. Principalmente porque, helloo, ela era minha cara! Tudo bem, tudo bem, não tão minha cara assim, mas vocês me entenderam. Parecia que a danadinha tinha se escondido de propósito.

Eu fingia estar inspecionando os vagões enquanto andava por eles, mas na verdade eu só queria achar Lois, que tinha conseguido desaparecer naquele curto espaço de tempo. Os alunos me cumprimentavam enquanto eu passava e eu, como um bom vereador, dava atenção para todos. Esse era o problema em ser adorado por todo mundo: cada um queria um pedacinho de James Sirius Potter. Normalmente eu gostava da atenção, mas naquele momento tudo o que eu queria era apenas encontrar a minha primogênita.

Passando por um dos vagões, umas vozes — nenhuma delas era da minha filha, para deixar claro — me chamaram a atenção. Eu parei para observar a cabine e tinha alguns alunos do primeiro e segundo anos misturados, todos conversando empolgados. O que me fez parar, entretanto, foi que eu tinha ouvido o meu nome ser proferido. E se tinha alguém falando de mim eu com certeza queria ouvir. Principalmente vindo de criancinhas de Hogwarts. Vai que era sobre a minha filha e o furacão Lois já tivesse passado por ali e contado para aquelas crianças de onde vinham os bebês?

— Sim, seu idiota, James Sirius Potter. O melhor professor de Poções que Hogwarts já teve! — ia dizendo um garotinho do primeiro ano. — Meu irmão disse que ele sempre teve dificuldade em fazer uma poção do morto-vivo e quando o professor Potter explicou a dele foi a melhor da turma!

Os amiguinhos dele concordaram veemente, me fazendo ficar surpreso. Ok, eu sempre soube que eu era maravilhoso, mas ouvir isso de meus alunos estava em outro patamar.

— Ouvi dizer que ele nem precisava dar aula — comentou um outro garoto em tom conspiratório. — Vocês sabem, ele, além de ser filho do Harry Potter, também tem uma empresa de poções. O cara é sinistro. Não vejo a hora de ter aula com ele!

Tudo bem, agora eu sabia a influência que eu tinha sobre aqueles garotos, garotos esses que nem tiveram aula comigo ainda! Por dois segundos eu esqueci o meu objetivo de encontrar a minha filha mais velha. Se meu ego era do tamanho da minha cabeça, agora era do tamanho do mundo. Voltei à minha procura muito mais disposto.

E vou lhe contar: a garota sabia se esconder, viu? Eu tive que andar o trem quase inteiro! Só que, quando eu já estava quase alcançando o final da locomotiva, a risada inconfundível da minha filha chegou aos meus ouvidos. Parei no meio do corredor, dando meia volta e seguindo a voz nada sutil de Lois Potter.

A cabine estava cheia e Lois arrastava uma tímida Belle à tiracolo. Haviam outros primeiranistas ali, alguns já estavam sentados, mas minha filha estava de pé e mantinha um dos braços no pescoço da prima, falando pelos cotovelos, tão à vontade e,, droga, ela se parecia tanto com Lisa que era quase possível eu ver minha esposa com a mesma idade, invadindo minha cabine aos gritos e me fazendo surtar com a sua presença. Uma época que eu simplesmente queria que Lisa sumisse da vida da minha família. Graças a Deus, ela jamais deixou Dominique, que era madrinha de Lois e tinha ficado perto o suficiente para que estivéssemos ali agora.

Voltei ao presente, balançando a cabeça. Lois estava tão crescida! Uma mocinha, com uma personalidade tão forte e cativante que o meu receio dela encontrar o futuro marido naquela cabine voltou com força. Então, eu abri a porta, chamando a atenção das crianças sem supervisão de algum adulto.

— Ah, você está aí, Lolozinha! — exclamei, os olhos arregalados de Lois se virando para mim. — Papai te procurou pelo trem inteiro!

James... — a ingrata disse entredentes. Vejam bem, se ela me chamasse de “pai” a humilhação menos pior. A culpa era de Lisa, que nunca tirava o meu nome da boca. — O que está fazendo aqui?

— Seu pai é James Sirius Potter? — um dos garotos que estava na cabine disse de forma assombrada.

Lois se virou para ele, dando uma risadinha que eu não gostei nadinha. Era uma risadinha constrangida, como se eu a estivesse fazendo passar vergonha. Agora vejam só, a garotinha com vergonha do pai incrível e maravilhoso que ela tinha!

— Ele…

— É claro que eu sou! E você é? — Adentrei ainda mais na cabine, ocupando o assento vago, eu senti Lois me perfurar com o olhar.

— Scott Entwhistle senhor. — O rapaz tinha os cabelos loiros levemente bagunçados, mas não com o charme rebelde dos meus fios, não, dava pra ver o rastro de gel e cabelo penteadinhos que foi apenas perturbado por alguém. Ele já estava com o traje de hogwarts e a gravata ainda sem identificação de qual casa ele pertencia já estava afrouxada e solta, não tinha nem uma hora que o trem tinha partido! Eu definitivamente não gostava dele.

— Scott… — Eu sorri, mas não muito amigável. Eu gostava de ter uma boa relação com meus alunos, mas aquele garoto… ah ele ia ver só! — Um prazer, mas sim, sou eu mesmo, James Sirius Potter, pai de Lois Potter, professor de poções dentre diversos outros títulos. Sabe Scott, você parece ser um cara legal e acho que poderíamos ser grandes amigos então vou contar algumas coisinhas para você, ok? Eu sou excepcional em poções, sim, o que significa que eu sei os ingredientes certos e como misturá-los de forma a fazer seus cabelos caírem para sempre, sua língua desaparecer, te deixar com erupções por todo o corpo e… ah… garantir que você seja o último na linhagem da sua família. Além disso eu também sempre fui muito bom em feitiços, modéstia parte, tive minha época na escola sabe, duelos e tudo mais, e em casos mais graves até mesmo o bom e velho soco, você sabe. E a Lolozinha aqui? Ela é minha princesa, a menina dos meus olhos e eu gostaria que ela voltasse para casa exatamente como ela foi pra escola e…

— James! — Eu a ignorei.

— O que eu estou tentando dizer a vocês… — Virei-me para os outros dois garotos que estavam na cabine. — É que meu pai também é Harry Potter, vocês sabem, O Eleito que derrotou o lorde das trevas e tudo o mais, o chefe dos aurores até hoje e o meu velho é ainda melhor que eu em azarações e, bem, ele é um tanto quanto protetor da Lolozinha aqui, e da Belle também. E da Ariel… olhe, tem muitas garotas na família, eu envio uma lista depois, mas o importante é que…

— James!! — Ela foi mais incisiva dessa vez, conseguindo atrair minha atenção.

— Sim flor do meu jardim? — Pisquei simpático para minha filha, os garotos estavam imóveis em seus assentos. — Ah, ela fica meio estressadinha assim mesmo, mas não é com ela que vocês precisam se preocupar. É a falta do Nemo não é? Eu sei que sim, que você deixou ele para trás e eu sei que você não consegue dormir sem ele, então eu o trouxe! Tá na minha mala... — comecei, mas era só uma desculpa para impedir que aqueles abutres tivessem interesse no meu bebê.

— Só um minutinho, pessoal — Lois me interrompeu, puxando Belle e eu consigo para fora da cabine. — Pai, o que pensa que está fazendo? E por que raios você está no expresso? Quer nos matar de vergonha?

— Não acho que seja tão vergonhoso assim, Lolo — disse Belle em minha defesa.

— Tá vendo?

— Ele está ameaçando os meninos!

— Eles realmente pareciam gostar do seu pai e o meu me disse pra ficar bem longe de qualquer um que achasse o tio James legal.

— Viu só? Albus sabe das coisas.

— Tá do lado de quem, Bells? — perguntou a minha filha, irritada. Ela irritada era a coisa mais adorável do mundo, ela ficava meio vermelha assim como minha mãe, mas a aura de pinscher era todinha da mãe dela. — Ele trouxe o Nemo! Eu o deixei de propósito, eu já tenho onze anos!

— Continua sendo um neném! — rebati, fazendo com que ela me fuzilasse com os olhos, igualzinho como Elisabeth sempre fazia comigo. — E duvido que conseguisse dormir sem ele.

A garota se empertigou, o que me ofendeu profundamente. Eu dava amor, um teto, comida, roupa e era assim que ela me tratava?!

— Pai, por favor, volte a fazer... sei lá o que você estava fazendo aqui no expresso e me deixe viver a experiência — pediu Lois, agora fazendo com que os olhos brilhassem e com a voz mais açucarada. Aquilo me desarmou. — Você mesmo disse que eu tinha que viver tudo então deixe que eu viva. Belle vai estar comigo o tempo inteiro. Não é, Belle? — a prima assentiu, reprimindo uma risadinha.

Eu a observei, sabendoexatamente o que ela estava fazendo. E, honestamente, eu sempre caía. Não conseguia dizer não quando Lois me olhava daquela maneira, a garotinha sabia como me ludibriar certinho. Aquilo ela tinha puxado de mim e de Elisabeth. Merlin, que menina difícil.

— Está bem! Eu não acredito que você está fazendo isso comigo... — cedi e Lois bateu palmas, feliz. — Nada de arranjar um marido nesta cabine, ouviu bem?

— Eca, James! Vem, Belle, vamos voltar — Lois fez uma careta para mim e depois abriu outra vez a porta, entrando na cabine.

Eu poderia estar fazendo beicinho naquela hora, mas Belle simplesmente veio até mim e pediu para eu me abaixar. Eu o fiz, ouvindo o sussurro dela:

— Acho melhor deixar o Nemo na cama dela em Hogwarts, tio. Ela não vai dormir sem o peixe de pelúcia dela. E relaxa, eu cuido dela pra você, vou garantir que nenhum Clark chegue perto dela.

E entrou na cabine com a minha filha insolente. Ah… se os problemas fossem apenas os Clarks. Derrotado, eu apenas aceitei minha derrota e me convenci a realmente deixá-la viver aquilo que eu tinha viajado para proporcionar a ela.

(...)

Eu me perguntava se eu tinha falhado em algum momento como pai de menina ou se era algum tipo de castigo por eu ter sido um homem que, literalmente, passou o rodo na maior parte das mulheres de Hogwarts. E da Europa. E quebrou o coração de mais da metade delas. Quantas eu fiz chorar? Eu sabia de algumas, tendo umas chorando na minha frente. Parando para pensar agora eu era um belo de um filho da puta. Felizmente Lisa tinha me tornado um homem mais decente, mas, enfim, a verdade era que agora eu estava colhendo o que eu tinha plantado.

Eu pensei que eu pagaria com Harry II ou Bernard. Eu não poderia estar maiserrado. Lois Moira tinha os meus traços e os de Elisabeth no quesito personalidade, e eu digo isso quase como uma ofensa. Ela tinha os bons... e os ruins também. Pelo o que eu bem me lembro, Lisa era tão pegadora quanto eu. E isso estava refletindo diretamente na personalidade do meu bebê! A verdade era que Lois estava se tornando uma mulher. E aquilo me apavorava. Lisa tinha dito que a minha filhinha já tinha até menstruado! Ela só tinha quinze anos e menstruava desde os doze! Doze! Como que a minha própria mulher escondia isso de mim?

Com essa informação, já podem imaginar o que aconteceu, certo? Hormônios. Não só os da minha filha, mas também daqueles que tinham coragem o suficiente para querer beijar a filha do professor de poções. E, para o meu azar, Lois não era lésbica e muito menos tímida. Por incrível que pareça, Harry II era o menos encrenqueiro. Eu tinha zero preocupações com o garoto, mas com Lois? Eu passava mal todo dia que chegava em casa com as novidades dela — apenas no quesito garotos, já que as peripécias da minha filha era motivo para entretenimento nas noites em que eu estava com Lisa.

Eu era obrigado a ouvir murmurinhos dos alunos que a minha filha andava se agarrando com alguns moleques por Hogwarts. Tinha que ouvir que a minha própria filha beijava bem! Eu vomitei quando fiquei sabendo daquilo e, quando eu fui levar isso à mãe desmiolada, mas que eu amava demais, ela me disse para deixar a garota que, naquela época, eu fazia coisa pior. O que era um absurdo! Com 13 anos eu era um anjo perfeito e inocente. Lisa me olhou, com uma das sobrancelhas erguidas, precisando me lembrar que eu tinha sido envenenado naquele ano justamente por ser um cafajeste. Bem, isso era apenas um detalhe.

Em meados do quarto ano de Lois eu sabia que ela estava namorando e não, não tinha sido ela a me contar. Vocês se surpreenderiam com como aqueles adolescentes fofocavam, mas o que importava era que eu sabia exatamente onde Caspian Fawley tinha levado a minha garotinha no Dia dos Namorados e quais eram os planos dele para aquele dia em especial. Quando eu digo a vocês que levou tudo de mim para não convidar aquele garoto para um banquete especial no dia seguinte e servi-lo com os melhores e mais refinados venenos eu estou falando sério. Lisa era a responsável por me manter são, sempre me lembrando que Lois estava na idade daquelas descobertas — o que eu achava um absurdo! — e conseguindo sempre direcionar minha atenção para outras coisas para garantir que eu esquecesse do namorado da minha filha até estar de volta em Hogwarts ouvindo os boatos e fofocas.

Ela não falava comigo sobre o namoro, mas mandava cartas para a mãe e, por mais que eu ficasse muito ofendido com isso, a menção da própria Lois em uma das correspondências contando sobre como eu tinha ameaçado os garotos no primeiro ano e pedindo para que a mãe não me contasse nada fizera as coisas fazerem mais sentido. Independente dos desejos dela, porém, eu sabia. E sabia que aquele namorico tinha começado um tempo antes do feriado de natal e durou até pouco antes das férias de verão, quando Lois, chorando, veio até mim em um intervalo.

Eu vou lhes contar, nada, nada, doi mais do que ver um filho seu chorar. E Lois? Eu apenas abri os braços e deixei ela vir até mim, mas já estava pronto para dar um fim à vida do responsável por fazer a minha bonequinha sofrer. Lois não disse nada por um tempo, precisando apenas de colo e carinho, o que eu dei. Acariciava-lhe os cabelos e comuniquei à minha turma seguinte que a aula estava cancelada, dando todo apoio e consolo que minha filha precisava. Por longos minutos ela apenas chorou e, então, ela decidiu conversar comigo.

Lois, enfim, contou que estava namorando, eu precisei fingir surpresa aqui, e abriu pra mim como estava apaixonada no garoto e outras coisas que apenas fizeram minha raiva crescer, considerando que aquela história evidenciava que o responsável pelo choro da minha neném era o dito cujo. Ela disse que imaginou que eles ficariam juntos para sempre, mas que tinha ouvido ele dizer ao amigo como apenas estava namorando com ela para conseguir ingredientes do meu estoque de poções, que aparentemente Lois invadia e furtava à bel-prazer. Eu precisei guardar a bronca para outro momento.

— Eu vou...

— O senhor não vai nada, pai — ela fungou, mas a sua voz era firme. — É crime bater em menor de idade, o senhor sabe.

— Fácil. É só pedir para os seus irmãos e seus primos, eles rapidinho resolvem isso — o sorriso diabólico logo surgiu em meu rosto; faziam longos anos que eu não aprontava alguma coisa. E agora eu tinha meus capangas menores de idade para fazer o trabalho sujo, que eles fariam com prazer.

— Não se meta nisso, James! Nem ouse! — disse ela, apavorada. — Eu só quero falar mal dele, pai. Por enquanto. Eu tenho seus genes, se lembra? Seus e os da mamãe. Quando a tristeza passar, ele vai pagar por ter feito com que eu gostasse dele e tirasse a minha virgindade.

Quando a surpresa me acometeu, eu fiquei paralisado. De repente, a minha visão ficou turva e eu só escutava Lois me chamando ao longe. Me levantei, com um zumbido no meu ouvido, enquanto a minha filha tentava me segurar.

— Eu vou matar ele — apenas falei, com a voz calma, mas por dentro eu estava lívido de raiva, colérico. — E será lento e doloroso e ele nunca mais..

— Pai! Papai! — Lois me sacudiu, o chamado me trouxe um pouco de volta à realidade. — Era por isso que eu não queria te contar nada! — Ela estava visivelmente nervosa, como se tivesse percebido tarde demais que ela tinha dito a coisa errada. E, bem, ela tinha mesmo. — Eu sei que eu sempre serei seu bebê pai e, nesse momento, eu preciso só do seu colo! Eu lidarei com ele depois, mas isso é algo que eu tenho que resolver sozinha. Eu não vim até aqui porque quero que você o mate, eu vim aqui porque eu preciso do colo do meu pai.

Ela estava com a voz chorosa de novo e o breve monólogo dela serviu para esvair a raiva de mim. Lois sempre sabia como me desmontar. Então eu me contive e fiz o meu melhor para assumir o papel do pai que ela precisava naquele momento. E, dias depois, quando a tristeza foi dando lugar à raiva, eu fiquei feliz em entregar o ingrediente adulterado para ela repassá-lo ao jovem delinquente. E fiquei mais feliz ainda quando a felix felicis que ele tentava preparar o mandou direto para a enfermaria por um mês inteiro. E fiquei radiante quando Madame Pomfrey veio a mim solicitando um remédio específico para ajudar na situação do garoto e, bom… eu não iria matá-lo, eu era bom demais para isso, então realmente dei meu melhor para garantir que Caspian Fawley deixasse a ala hospitalar de Hogwarts. E fosse imediatamente transferido para o St. Mungus.



A verdade é que nada tinha me preparado para aquilo, para ver Lois se tornar uma mulher, com desejos e vontades e namorados. Sempre que eu olhava para ela eu enxergava aquele pequeno pacotinho rosa no meu colo, tão pequena e delicada; lembrava de quando ela corria para mim quando caía ou de quando ela vinha toda doce piscando aqueles enormes olhos castanhos na minha direção e me chamando de papai. Ela era a minha menininha, meu bebê, e não era apenas o fato de que haviam degenerados tentando corromper minha filha que me incomodava, mas, sim, a ciência de que ela participar voluntariamente daquelas degenerações significava que minha neném estava crescendo e que, em breve, ela não precisaria mais de mim. E deixe eu dizer a vocês que eu não conseguia mais imaginar a minha vida sem servir Lois. Ela era minha maior preocupação diária, tudo que eu fazia era sempre pensando no bem-estar e conforto dela — E dos irmãos, claro, não vamos abordar aqui o tópico de que eu tenho filhos preferidos, eu não tenho —, Lois tinha mudado a química do meu cérebro e me tornado um pai com todas as responsabilidades, alegrias e tristezas que o título trazia. Eu vivia por ela e para ela, no momento que ela não precisasse mais de mim que função eu teria nesse mundo?

Lois tinha um grupinho em Hogwarts: Belle, Emily e Aimée, as últimas uma nascida-trouxa que Lois tinha adotado nos barcos e a caçula de Victoire. Elas eram, segundo minhas fontes, as Marotas daquela geração. E isso porque eu ainda não havia liberado o Mapa do Maroto, o qual eu mantinha trancado dentro do meu escritório em Hogwarts (com um feitiço que ela teria que fazer pós-graduação em Feitiços para conseguir abrir) e tinha parado de usar para localizá-la na fatídica noite em que eu identifiquei os passinhos dela perto demais dos passinhos de Atlas Wood, um dos filhos de Mellody, que gerou detenção para ambos e o coração partido de um pai que não aceitava que sua garotinha estava crescendo. Lisa brigou comigo, mas eu faria de novo.

— Se quer manter isso em segredo de mim, Lois, precisa ser mais esperta — eu falei para ela, quando eu a mandei de volta para o quarto. A garota só faltou explodir de tanta raiva e eu não me arrependi.

Conforme a minha neném ia crescendo, mais preocupações me afligiam. Eu já não podia ser tão perseguidor quanto eu era antigamente. Ela já estava uma moça, uma moça que queria saber muito de garotos. Mas também eu sabia que Lois era inteligente, determinada e corajosa, suas notas eram impecáveis e, na minha matéria, ela era uma das melhores da turma. Aquilo me enchia de orgulho. Ela me dava muita dor de cabeça, mas também me enchia de orgulho. Eu amava aquela garotinha de cabelos lisos e longos, escuros iguais aos da mãe, alta e cheia de energia.

Só não queria que ela fosse igual a mim e a mãe em questão de namoro, um desejo que, não importava o quanto eu pedisse às estrelas cadentes, não era atendido. Eu vi e ouvi que Lois era tão popular quanto eu fora, tanto entre os meninos, quanto as meninas. Algumas odiavam meu bebê por ela ser... ela. Eu não me metia, não mais, é claro, tinha aprendido minha lição com o mapa do maroto e da última vez que eu tentei comprar uma briga de Lois foi pior para ela, então eu tive que reprimir o meu instinto protetor e observar de longe minha filha se virar sozinha, com uma dor no coração.

Era complicado estar num ambiente que chegava até mim tudo que minha filha fazia. Era anti-natural, no mundo ideal ela continuaria sendo minha filhinha perfeita em casa e aprontaria o que tivesse que aprontar na escola, longe dos meus olhos e do meu coração, mas, bem era difícil. Um dia perguntei a Neville como ele conseguira lidar com todas as fofocas e assuntos sobre as Tribottom enquanto ele lecionava em Hogwarts e ele simplesmente respondeu:

— Ah, você sabe, cada uma das garotas tem sua personalidade, mas, hm, elas ainda são minhas filhas. Nunca tive muito problema com elas.

Bem-feito pra mim. É claro que a combinação de genes e personalidade de James Sirius Potter e Elisabeth Stella Carter resultaria em uma explosiva, extremamente charmosa e encantadora garota. Era mais forte do que ela, eu devia ter previsto, mas, ah… ela era meu neném!

Contudo, eu sabia que Lois não era fácil de lidar. Eu poderia dizer que ela era mimada — e eu juro, eu tentei fazer com que ela sempre dissesse que era a garotinha do papai —, mas Lois possuía a minha personalidade, misturada com a de Lisa: não precisava de ninguém. Eu costumava pensar assim... até eu perceber que eu precisava, sim. Mas com quinze, dezesseis anos? Lois era tão imatura quanto eu nessa época — passeando pela Londres com mais três outros adolescentes, conhecendo uma trouxa aspirante a atriz e depois me metendo em brigas, das quais eu não me arrependia, levando detenções —, era sozinho que eu aprendia as minhas lições, com meus pais tentando me guiar pelo caminho certo. Agora eu via que eu não era fácil de lidar. E minha filha conseguia ser, pelo menos, 50% pior do que eu jamais tinha sido. Evolução da espécie ou chamem como quiser.

De volta porém no problema em que eu estava sempre na escola dela, era o fato que, além de seu pai e responsável, eu também era seu docente e superior e precisava colocá-la na linha. O que era quase impossível de fazer. Rebelde, achando que ela mandava no próprio nariz, ela ocupava meus dias. Seus irmãos, às vezes, tinham que segurá-la para que não fizesse besteira. E prova disso foi o que eu escutei certo dia do lado de fora da minha sala de aula.

Os gritos de duas meninas chegaram aos meus ouvidos, impedindo que eu terminasse a minha aula. Até então, eu não sabia que Lois estava envolvida, mas sua voz logo ultrapassou as frestas da minha porta. Fechei os olhos e respirei fundo. Quando os abri, falei para os alunos do terceiro ano ficarem ali, o que, obviamente, não aconteceu. Abri a porta da sala, vendo minha filha pendurada nos cabelos de uma menina da Sonserina.

— Fala de novo, sua cretina! Eu quero ouvir! — dizia Lois, sacudindo a cabeça da outra garota.

— Me solta, você é louca! — gritou a garota, que eu reconheci ser Bianca Nott (essa família ainda existia, por incrível que pareça), do mesmo ano que Lois.

A risada maníaca da minha filha enquanto arrastava a cara da garota na parede era de congelar os ossos. E eu só tinha ouvido uma risada assim uma vez, quando eu estava todo quebrado no chão do Salão Principal e Elisabeth estava ajoelhada ao meu lado, junto com meus primos. Ela realmente fizera um inferno na vida de Saphira e as amigas na época. Lois era igualzinha.

— Sou mesmooo! — rebateu minha filha, sacudindo a garota, que gritou outra vez, que tentava revidar. — Eu vou lavar a sua boca com sabão, sua puta! Ele é casado!

Ok, tá legal, chegou a minha vez de ser o responsável.

— BASTA!

Minha voz ecoou pelos corredores, chamando atenção até dos alunos fofoqueiros que assistiam à briga. Lois, parecendo voltar a si ao me ouvir, me encontrou. Os olhos, ainda determinados, me encararam e eu vi Elisabeth no rosto dela.

— O que está acontecendo aqui? — cruzei os braços, olhando para as duas. Enquanto Bianca ficou branca igual a um papel, Lois cruzou os braços e olhou com um sorrisinho de lado, que se parecia com o meu.

— Conte para ele, Nott — disse Lois, com a voz doce.

Bianca, ainda pálida, abriu a boca, mas nenhum som saiu. Irritado por ter sido interrompido no fim da minha aula, respirei fundo e passei as mãos nos cabelos. Suspiros foram ouvidos, mas não liguei.

— Querem saber? Não importa. As duas estão em detenção por brigar e interromperem uma aula — decretei e as duas começaram a falar juntas, me fazendo interromper os protestos. — Menos cinco pontos para ambas!

Murmúrios de irritação foram ouvidos e eu me virei para os fofoqueiros, irritado.

— Vou tirar de todos que estiverem aqui! — todo mundo arregalou os olhos e logo eles saíram correndo, me deixando com as duas meliantes. Eu odiava ser o professor carrasco, mas às vezes eu precisava ser. — Mais tarde irei falar qual será sua detenção, senhorita Nott, dispensada.

Ela resmungou alguma coisa e saiu dali, tentando arrumar o cabelo que Lois bagunçou. Minha filha se virou para ir com o pessoal e eu quase ri da sua tentativa falha.

— Você fica, senhorita Potter.

Ela parou e ajeitou os ombros, voltando até onde eu estava parado. Seu sorriso de quem não tinha aprontado surgiu em sua face, como se soubesse que aquilo poderia me desarmar. E podia. Mas eu não iria me render tão fácil. No papel de pai Lois conseguia me dobrar muito mais fácil do que quando eu assumia o papel de professor. E, naquele momento, para o azar dela, eu era o último.

— Oi, papai... — ah, agora eu era o pai dela. Ergui uma das sobrancelhas e apontei para a minha sala de aula vazia.

— Entra — Lois bufou, percebendo que o teatrinho não iria funcionar e obedecendo. Ué, um minuto atrás ela não estava toda meiga? Reprimi um suspiro, por que eu tive uma filha tão parecida comigo?!

Fechei a porta, vendo que ela seguia para o meu escritório dentro da sala de aula. Já tinha perdido as contas de quantas vezes Lois estivera ali para ter uma conversa antes de cumprir alguma detenção. Agora eu entendia o que meus pais passavam comigo.

Me sentei de frente para ela, que estava encostada na cadeira, de braços cruzados. Enquanto a garota Nott saiu toda destrambelhada, Lois permaneceu com os cabelos longos intactos. Como ela conseguia? Me recostei na minha própria cadeira, esperando que ela começasse a falar. Ficamos nos encarando por um bom tempo, até que Lois bufou outra vez. Ergui uma das sobrancelhas.

— O que foi?

— Estou esperando você começar a me explicar porque estava agarrada nos cabelos de outra pessoa — respondi.

Lois desviou o olhar.

— Não quero falar sobre isso — disse, ainda sem me olhar.

— Pois vai ter que falar. Não se esqueça que, aqui, eu sou seu professor. — Por mais difícil que fosse brigar com minha princesinha e por mais que eu pudesse achar a situação toda hilária quando chegasse em casa para o jantar, eu ainda era a figura de autoridade ali e não podia permitir que ela mantivesse aquele tipo de comportamento. — Exijo explicações.

Lois detestava quando eu falava aquilo. Era um combinado que eu tinha feito com todos meus filhos, mas apenas com ela eu usava mais. Era como se todos os problemas que eu causei no passado tivessem voltado nela como castigo. Eu não tinha um problema com meus dois meninos, mas com Lois? Como que podia?

— Aquela... piranha... — ela parou, respirando fundo, tentando controlar a raiva. Lois voltou o seu olhar para mim, os olhos expressivos iguais aos de Lisa. — Você tem noção de que é... — ela fez ânsia de vômito — bonito? Você é tipo... o professor mais bonito de todos, desde Lockhart.

Quem fez careta foi eu agora.

— Eca, não me compare com aquele sem noção! Que ofensa!

— Foi o que eu ouvi dizer! — exclamou minha filha, igualmente irritada, também com uma careta no rosto. — De qualquer forma, todos sabem que você é lindo...

— Obrigado.

Lois me fuzilou com os olhos. Respirei fundo, calando a boca para deixar que ela continuasse.

— Eu estava saindo de uma aula de Transfiguração com a Sonserina quando eu ouvi aquela puta falar... — a voz dela morreu e eu a vi apertar os braços com raiva. — Ela estava comentando com as amiguinhas dela sobre... sobre o quanto você é... — Lois parecia estar engolindo a bile — bonito demais. Até aí, nada de novo sob o sol, você realmente é... bonito. Mas então Nott acrescentou que... ai, Deus, que ódio, se você desse mole… urgh… que ela sentaria em você com todo o prazer. Eu falei para ela repetir e a vaca ainda acrescentou que... ai, que nojo!, que chuparia... não vou nem falar — minha filha parecia lívida apenas por se lembrar daquilo. E eu, estava surpreso pela audácia da garota de ter continuado com aquilo na frente de Lois, que todos sabiam muito bem que era minha filha. — Então eu avancei nela e nem reparei que a tinha arrastado até aqui, de tanta raiva.

Não que eu não soubesse sobre as risadinhas e os comentários que as alunas faziam, muitas delas não se preocupavam em ser discretas e as meninas do sétimo ano vinham falar ou tentavam ficar sozinhas comigo, sempre dando em cima de mim de forma descarada. Modéstia parte eu tinha envelhecido como um delicioso vinho, mas esse vinho era restrito a minha esposa e, além de tudo, eu era vacinado contra menores de idade desde Dione. Acima disso, Lisa sempre será a única para mim. O amor que eu sentia por ela era sem precedentes. Mesmo aqui, em Hogwarts, eu sentia o nosso laço invisível me puxar para perto dela, que estava comumente em Londres, no ministério.

Então aquilo não era exatamente novidade pra mim, já tinha ouvido afirmações muito piores e colocado uma quantidade exorbitante de estudantes (garotos também) em detenção por não conseguirem respeitar a mim, mas, no fim, eu ri. Soltei uma risada que fez Lois ficar ainda mais vermelha, visivelmente com raiva por eu estar achando graça naquilo. E eu até que estava, um pouquinho, aquelas adolescentes estavam lendo muita pornografia. Na minha época não tinha isso.

— Não ri! Sabe o quanto foi humilhante? — perguntou ela e eu balancei a cabeça. — Você é casado e o que ela disse é assédio.

— E você bater nela também. Sabe disso — falei, enquanto ela me encarava de boca aberta, pasma.

— O que... o quê? O que quer dizer com isso, James? — a voz esganiçada de Lois ecoou pelo escritório. — Está defendendo ela? Cadê meu pai que sempre concorda comigo?

Dessa vez, quem bufou fui eu. Me inclinei para frente, olhando bem para a face abismada da minha filha.

— Duas coisas. A primeira você deveria estar cansada de saber, já que você também em seu primeiro ano me fez prometer que nunca agiria como seu pai por aqui. Em Hogwarts, não importa o horário, eu sou seu professor. E a segunda é que, por mais que eu sou sim seu pai, mas não estou aqui para sempre concordar com você, Lois. Eu tenho o dever te educar e te colocar em um bom caminho. Por mais que eu aprecie o gesto, bater nela não é a solução correta. Eu te crio para ser uma mulher boa, para ter um bom futuro, e esse comportamento é inaceitável. — Ela cruzou os braços e virou a cara; eu contive a vontade de suspirar. — Eu ri porque eu não estou nem aí para elas, meu docinho — respondi, dando um meio sorriso. — É um pouco engraçado porque eu jamais faria isso, é crime, tenho trauma. E depois, Lisa é o amor da minha vida, Lois. Sua mãe é tudo pra mim, além de você e seus irmãos. Eu não quero mais ninguém, jamais, de nenhuma idade. Só existe a sua mãe para mim, filha.

Lois piscou os olhos, relaxando o corpo, como se estivesse escutando aquilo pela primeira vez, mesmo tendo presenciado muitas vezes o afeto trocado entre mim e Lisa, sempre falando “Eca” quando via. Inclinei a cabeça, enquanto ela ficava quieta, desviando o olhar.

Ela ficou em silêncio por um tempo, o que me fez franzir a testa. Lois nunca ficava quieta, parecia Lisa, sempre uma farpa para soltar, sempre alguma ironia, mas nunca ficou sem dizer nada por tanto tempo. Mas eu era paciente — com meus filhos —, não pressionaria, apesar de querer checar a sua temperatura para saber se minha garotinha estava bem.

— Pai...

— Sim? — ergui uma das sobrancelhas, ansioso para acabar o que a afligia. Principalmente quando ela me chamava de pai, eu sempre ficava emocionado.

— O que é o amor? — ela me olhou.

A pergunta me pegou de surpresa. Um déjà-vu surgiu e eu me vi com quase seis anos, fazendo a mesma pergunta para minha mãe. Lois nunca havia se preocupado com isso, o que me fez perceber que ela não estava ansiosa para saber o que era aquilo antes. A pergunta repentina assim… Tentei manter a compostura. Eu era intrometido e curioso, minha mente funcionava nos 220. Lois, apesar do temperamento, era muito mais controlada, mesmo que se agarrasse com um garoto diferente a cada mês ou semana. Rebater aquilo com outra pergunta a faria se afastar e perguntar para a mãe ou sequer querer saber, eu precisava me controlar.

Talvez, no fundo, eu sempre tenha esperado por aquela pergunta. Porque eu era um homem romântico incorrigível, ainda que na minha época de Hogwarts eu não parecesse. A verdade era que eu sempreestive procurando o que meus pais tinham. Alguns poderiam torcer o nariz quando visse a demonstração de carinho dos pais — Lois fazia isso —, mas toda vez que eu via os meus, eu sempre ficava intrigado. Queria entender, queria saber o porquê daqueles olhares. Harry Potter sempre foi um homem reservado, porém, quando estava com a minha mãe... antes, eu não sabia explicar, hoje eu entendia.

Porque o mesmo olhar que meu pai dava para a minha mãe era o mesmo olhar que eu dava para Elisabeth. Só de pensar nela meu coração, meu corpo, se aquecia, carecendo da presença de Lisa, para me dar amor, para brigar comigo, para implicar comigo. Tudo em Elisabeth gritava amor para mim, tão profundo, tão enraizado em mim, que eu não sabia como sobrevivi tanto tempo sem ela. E amor, para mim era Elisabeth. Tentando focar e não deixar minha mente vagar, concentrei-me em responder a pergunta da minha filha.

— É algo incrível, Lois — respondi, por fim. — É um fenômeno que é tão intenso que é quase palpável — eu conseguia sentir o laço se estendendo até Lisa em Londres. — Tão puro e belo, que é como estar sendo transbordado apenas por felicidade. É algo que te completa. É… a sensação de uma tarde de outono chuvosa, quando você está sentada confortável perto da lareira, aquecida, com uma caneca de chocolate quente em mãos e aquele aroma de terra molhada preenchendo o ambiente. É paz, conforto e carinho. Aquele sentimento que faz tudo fazer sentido, tudo valer a pena, que faz você querer viver, ser a melhor versão de si apenas para ser digno da outra pessoa, entende?

Olhei para minha filha e uma parte de mim esperava que ela não entendesse. Por sorte, minha filha fora atenciosa o suficiente para não concordar ou discordar, tendo apenas continuado ali, me olhando, os pés na cadeira enquanto ela abraçava as pernas.

— Quero dizer, não estou dizendo que tudo são rosas o tempo inteiro, você vê em casa. Lisa e eu estamos sempre trocando farpas, mas isso vem desde que tínhamos onze anos. Mas amor é mais do que isso. É superar as adversidades, é amar apesar das divergências. E o amor que sinto pela sua mãe? Eu o sinto, mesmo daqui, mesmo longe. Eu sinto ansiedade de estar com Lisa no final do dia, eu conto as horas para vê-la de novo pois ela ilumina a minha vida com apenas um sorriso e acho que amor é isso. A maioria dos professores moram aqui e sua mãe sabia que um dia eu teria meu sonho realizado de trabalhar em Hogwarts e comprou a nossa casa quando você ainda era uma sementinha no ventre dela. — Falei com carinho, enquanto Lois me ouvia com atenção, sem interromper, o que era um avanço. — Eu quero estar com ela o tempo todo, quero contar o meu dia, quero falar de vocês, meus amores, quero fazê-la feliz todos os dias. Quero apoiá-la nos piores momentos, quero ser a pessoa para quem ela corra para chorar, quero ser o melhor amigo dela, eu quero que ela conte comigo para o que der e vier, na saúde ou na doença. Eu admiro cada passo que ela deu até ser quem ela é agora. Eu mal posso esperar para estar com ela no final do expediente. Isso é amor, filha.

Lois me encarava de forma abismada. Eu nunca tinha falado assim com ela antes, nunca expressei em palavras o quanto eu era apaixonado pela mãe dela. E vocês sabem, eu souintenso quando quero. Ela abriu a boca e fechou algumas vezes, antes de se endireitar na cadeira, mordendo a bochecha.

— Eu nunca tive isso — murmurou Lois, pensativa. Eu dei uma risada baixa.

— É porque você só tem quinze anos, docinho — respondi, com carinho.

Lois me olhou, estreitando os olhos como se, de alguma forma, soubesse da minha reputação em Hogwarts quando eu tinha a idade dela. E talvez soubesse. Muitas crianças ali eram filhos de conhecidos que estudaram comigo. Mas, pelo o que eu me lembro, com quinze anos eu achava que Teresa era o meu primeiro amor, enquanto eu batia em Scorpius por ter apostado minha futura esposa com a minha prima. Não gostava de saber que a primeira vez de Lisa tinha sido fruto de algo desprezível. Evitei de tremer ao ter aquela lembrança. Agora, casado com Rose e entupindo Hogwarts de Weasleys-Malfoy, Lisa tinha enterrado aquela história bem fundo e fingia que a sua primeira foi — várias ânsias de vômito — Stephen. Enfim, não valia a pena remoer o passado. Lois estava bem na minha frente e minha vida estava completa.

— Você pode achar que encontrou isso em algum momento da sua vida e não ser exatamente isso. Paixão, gostar, essas coisas acabam confundindo às vezes, sei porque foi assim comigo, mas sua mãe? Eu poderia ficar aqui horas falando tudo que ela me faz sentir — Lois fez uma careta e eu ri; — Mas nada nunca seria o suficiente para explicar. Porque a verdade é que você vai saber quando encontrá-lo. É inconfundível, mesmo que você nunca tenha sentido nada parecido antes.

— Obrigada, pai. Foi... esclarecedor — minha filha disse por fim, me fazendo erguer uma das sobrancelhas.

Eu a observei se levantar, parecendo estar decidida a algo.

— Ei, ei, você ainda terá detenção. Nem pense que eu mudei de ideia — falei e Lois se virou, sorrindo igualzinha a mãe dela.

— Eu não esperava menos — respondeu e saiu da minha sala.

Eu ri, descrente, e voltei a preparar a minha próxima aula.

(...)

— Eu vou entrar para o time de quadribol de Hogwarts — comunicou Lois, certo dia, em um dos nossos jantares. Em duas semanas ela começaria o sexto ano e, por mais que ela jogasse extremamente bem, ela nunca tinha demonstrado interesse no time antes, dizia ter preguiça da competição pela vaga, então a mudança repentina de mentalidade surpreendeu.

Harry II largou o garfo no prato e ergueu os braços, como se desse graças a Deus. Olhou para a irmã mais velha, que o encarava com uma das sobrancelhas erguidas.

— Eu tô te falando pra entrar no time desde que você entrou em Hogwarts, eu poderia ter entrado no time ano passado se você fosse a capitã — disse meu filho. Harry iria para o segundo ano e ele tinha tido o desejo de renovar o título de jogador mais novo da grifinória com um II após o nome Harry Potter.

Lois revirou os olhos e Lisa, interessada, perguntou:

— Por que decidiu agora, filha?

— Eu não... sabia o que fazer. Até conhecer Emmett Jordan — respondeu ela, voltando a comer.

— Neto do Lino Jordan? — Lisa ergueu uma das sobrancelhas e ela assentiu. Percebi o olhar da minha esposa era de alguém que tentava enxergar alguma coisa. — Ah, sim... — e me olhou como se esperasse que eu entendesse o que significava aquele olhar.

Eu não entendi na hora, mas, com certeza, eu entendi bem depois.

Assistir aos meus filhos jogarem quadribol juntos não tinha preço. Naquele ano Harry, não mais proibido de ter vassoura ou jogar por não ser mais um primeiranista, tinha ao lado de Lois conquistado o título de batedores. O orgulho borbulhava dentro do meu ser e eram sempre os jogos mais emocionantes da minha vida. Nem mesmo quando eu jogava dava a mesma sensação que eu sentia quando eu os via. Era algo inexplicável, eu amava tanto aqueles dois seres que chegava a chorar quando eles ganhavam.

Depois de mais uma vitória da Grifinória eu voltava pelos gramados junto com alguns alunos e, vocês sabem, eu poderia ser um tanto quanto fofoqueiro. E, bom, eu não era surdo. Esses alunos iam na minha frente e, se eu escutasse o nome de um dos meus filhos, era óbvio que eu iria prestar atenção na conversa.

— Cara, a Lois estava incrível hoje! Não sabia que precisava de dois irmãos Potter jogando juntos até ver dois irmãos Potter jogandojuntos — falou um aluno da Lufa-lufa animado. Eu sorri, meu peito aquecido por saber daquilo.

— Nem me fale, eles massacraram a Corvinal, foi até difícil de ver — outro garoto riu e eu tentei manter o sorriso e o meu comentário para mim mesmo, porque eu não poderia concordar mais. — Mas você viu? Faz um tempo que Lois não sai com ninguém, só fica andando para lá e para cá com o Jordan.

Emmett Jordan era igual ao avô, narrava os jogos de quadribol com tanta maestria que era impossível não se empolgar até mesmo com o jogo mais chato, o garoto era carismático. E era verdade, Lois estava passando bastante tempo com Jordan desde o final do quinto ano, pouco depois que eu e ela tivemos aquela conversa. Mas ela sempre insistia que ele era somente um amigo e eu acreditava nela.

Bom, até aquele momento.

— Ela disse que eles são só amigos, mas não aceitou que eu a levasse para Hogsmeade — lamentou-se o primeiro garoto. — Achei que a gente tinha uma conexão.

O amigo riu e passou o braço em volta dos ombros do outro.

— Conexão só na tua cabeça — ele riu e balançou a cabeça, arrastando consigo o amigo cabisbaixo.

Então, passei a observar melhor a interação de Emmett Jordan com Lois. Ela ria muito com ele, Jordan estava sempre no mesmo grupo que minha filha, eles pareciam conversar com todo mundo. Eu não conseguia ver nada além da amizade que eles tinham, e olha que eu sempre fui bom em ver quando um daqueles adolescentes com os hormônios à flor da pele estava prestes a querer devorar a minha princesa, mas Jordan não parecia fazer isso. Ele a respeitava e era um bom rapaz e certo dia durante o feriado de páscoa ele foi almoçar lá em casa e demonstrou que era realmente um bom amigo para Lois.

Eu tinha começado a gostar do garoto e ele tinha quase conseguido me enganar, até Lois vir até mim para revelar que, aparentemente, eu tinha perdido minhas habilidades especiais de identificar o amor no ar. Ou, talvez, eu só estivesse sendo propositalmente cego ao que estava, literalmente, debaixo do meu nariz porque aceitar aquilo envolvia uma cadeia de outras coisas que eu não estava pronto para aceitar.

— Pai — escutei a voz da minha filha me chamar. Estava tão concentrado que nem a ouvi entrar em meu escritório. Sua voz estava suave e, bem, ela me chamou de pai.

— Oi, Lolo — respondi, passando a mão nos cabelos e me encostando na cadeira, observando Lois sentar-se na cadeira à minha frente. Ela deveria estar preocupada com alguma coisa, já que não fez careta quando eu a chamei pelo apelido. — Está tudo bem? — endireitei-me, ficando preocupado. Os NIEM’s estavam se aproximando e eu tinha o dobro de trabalho naquela época, considerando que estava novamente lecionando para o sétimo ano — queria acompanhar Lois de perto naquela reta final, então eu não reclamava.

Lois ficou em silêncio. Parecia estar lutando contra alguma coisa. Ela estava tão crescida que eu quase me assustei ao olhá-la. Claro, eu a via todos os dias, mas tinha algo diferente na postura dela naquele momento que me fez realmente vê-la. Os cabelos longos e lisos caíam pesados pelas costas, tinha crescido tanto que ultrapassara a mãe e estava quase do meu tamanho e com o porte atlético por causa do quadribol. Dezessete anos que tinham passado em um pisca de olhos. Naquele momento eu a vi como a mulher que ela estava se tornando e não a bebê que eu sempre enxergava quando olhava para ela. Em breve ela prestaria os NIEM’s e sairia debaixo das minhas asas para ver o mundo sem mim. Não gostava nem umpouco de pensar naquilo, mesmo que fosse verdade.

A expressão nervosa de Lois me tirou daquele estupor de realidade, a forma como ela torcia a boca e olhava para os lados me dizia que ela parecia não querer aceitar alguma coisa.

— Quando você percebeu que amava a mamãe? — perguntou assim que eu abri a boca para perguntar outra vez se ela estava bem.

Pisquei, pois não estava esperando essa pergunta. Tinha vezes que Lois me surpreendia com perguntas que eu achava que ela nunca iria perguntar. Por mais inesperadas que fossem, porém, elas sempre traziam um sorriso ao meu rosto. Eu era um romântico incorrigível e amava responder tudo o que eu pudesse sobre meu amor por Elisabeth, vulgo Leãozinho.

— Sabia que o seu nome é por causa de uma série trouxa antiga? — perguntei, olhando-a e colocando as mãos em cima da minha barriga. — Na verdade, descobri que era uma história em quadrinhos que ficou muito popular.

— Minha mãe comentou alguma coisa sobre isso, mas eu não...

— Prestou atenção? — completei e ela engoliu em seco, assentindo. — Eu sei — dei uma risada curta. — Começamos a ver quando tínhamos quatorze anos, foi a primeira vez que eu e Lisa não brigamos. Foi a primeira vez que eu... ignorei que eu e ela tínhamos uma conexão. Eu era um idiota, todo adolescente é. Principalmente os meninos.

— Então foi ali que você percebeu que a amava? — perguntou ela, ansiosa.

E eu ri.

— Ah, Merlin, não! — balancei a cabeça, ainda rindo. — Eu acabei de dizer que eu era um idiota, Lois. Não... eu demorei anos para perceber que eu gostava de sua mãe e meses para conseguir ficar com ela, tinha um obstáculo, sabe como é — vulgo, Stephen. — Sabe quando eu percebi que ela era o amor da minha vida? Quando eu vi o porta-retrato no escritório do seu avô.

— Aquele de formatura?

Assenti. Agora Harry James Potter tinha vários outros espalhados por uma mesa somente com fotos de pessoas importantes para ele.

— Aquele mesmo. Eu nunca tinha visto aquela foto, o que aconteceu depois dela me adoeceu, me cegou, por muito tempo. — Suspirei, lembrando-me de quando eu perdi meu primeiro filho. — Mas, ao ver aquela foto, o modo como nossos olhares procuraram um ao outro... foi ali que eu tive certeza, Lois, que Elisabeth era o amor da minha vida. Que nunca haveria outra pessoa em minha vida além dela. — Disse, com a voz transbordando de carinho. — Algumas semanas antes disso eu tinha voltado do meu intercâmbio, você sabe partes da história e enfim, eu reencontrei sua mãe depois de anos e foi como se uma chavinha tivesse se virado na minha mente, eu não conseguia fazer mais nada além de pensar nela, mas estava em negação, era complicado, mas foi no dia antes de eu ir pro meu último ano na faculdade, fui falar com seu avô e lá estava o porta-retrato e então eu soube.

Lois fez um barulho de concordância e voltou a ficar quieta. Estreitei os olhos e levantei da cadeira, dando a volta para ficar mais perto dela. Encostei-me na mesa e me inclinei, levantando o rosto dela com as mãos. Seu olhar era confuso, mas não em relação a mim, a alguma outra coisa.

— O que foi, princesa? — perguntei, com a voz suave.

— Pai... eu... a mamãe está longe e... — ela respirou fundo, hesitando, desviando o olhar. — Eu acho que estou apaixonada pelo Emmett.

— Ah — foi o que eu disse.

Lois era uma caixinha de surpresa para mim. Seus irmãos eram um livro aberto e eu conseguia lidar com eles com muita facilidade. Lois, por outro lado, tinha muita personalidade, um mix complexo entre Lisa e eu, portanto, lidar com a minha mais velha era algo que eu tinha que premeditar com cuidado.

E toda vez que ela vinha com uma pérola daquelas, eu surtava um pouco, o que tornava um pouco difícil a cautela necessária para o momento. Meu bebê, que já tinha perdido a virgindade, beijado metade de Hogwarts, que me dava um ataque cardíaco por semana, estava frustrada por estar apaixonada. Eu nunca tinha ficado daquele jeito quando amava uma mulher. Ok, talvez por Lisa, mas vocês sabem o porquê. Só que Emmett era o melhor amigo dela e eu queria saber lidar com aquilo melhor. Porque, para mim, Lois ainda era aquela menininha com tranças correndo pela casa e me procurando sempre que tinha um pesadelo ou quando tinha tempestade.

Uma vez, conversando com meu pai quando Lois começou a envelhecer e aprontar e querer sempre viver a vida, eu entendi, finalmente, o que meu pai fizera quando eu sumi. Eu conseguia entender a aflição do não saber onde meus filhos estavam quando isso acontecia e como era aterrorizante o mundo de possibilidades terríveis que poderiam acontecer a eles. Uma vez mais eu precisei me desculpar com Harry e Ginny Potter porque eu não conseguia sequer imaginar como reagiria se qualquer um dos meus fizesse algo como eu fiz. E, olhando para Lois sentada ali, sem saber o que fazer, eu percebi que mandaria alguém segui-la para qualquer lugar, eu faria tudo além do meu alcance para garantir, de qualquer forma que fosse, o bem estar dela.

Eu fiquei em silêncio por um tempo e Lois percebeu. Ao olhar para o rosto da minha filha eu notei que ela esperava algum apoio. Enquanto isso eu surtava internamente por saber que minha garotinha estava amando alguém, eu não estava preparado para isso, ela queria um conselho, uma palavra amiga, e eu estava lutando contra a vontade de prendê-la no quarto mais alto da torre mais alta-

— Ah, quer saber... eu vou esperar a minha mãe voltar e...

— Não! Espera! — pedi, voltando a mim, percebendo que ela iria deixar a sala. — Desculpa, Lois. É que... você sempre me surpreende e eu não me acostumo com a ideia de você estar crescendo e se tornando uma mulher independente. Com o inevitável futuro de que, um dia, muito em breve, aparentemente, você não vai mais precisar de mim.

O olhar de Lois se suavizou e ela voltou para perto. Eu esperei o que viria a seguir, mas nada me preparou para o abraço que ela me deu.

— Eu sempre vou precisar de você, papai — ela disse, com a cabeça encostada em meu peito. Meus braços a envolveram, sentindo que lágrimas logo iriam cair. — É que você surta muito.

Eu ri e enxuguei rapidamente uma lágrima que caiu sem permissão. Eu a afastei e alisei seus cabelos, olhando para os olhos de Lois, que eram os mesmos de Elisabeth. Meus filhos eram as coisas mais incríveis que eu e Lisa tínhamos criado.

— Desculpa, você é a princesinha do papai — respondi fazendo um biquinho, o que a fez revirar os olhos. Suspirei e voltei a me recostar na mesa, apontando para a cadeira que ela ocupava antes. — Como... humm... como percebeu que está apaixonada por Emmett?

Lois voltou a se sentar, passando as mãos nos cabelos, como eu, nervosa.

— Acho... acho que sempre estive apaixonada por ele — ela disse, por fim. — Ele é incrível, meu melhor amigo, pai. Ele me faz rir, briga comigo quando necessário, é atencioso e, às vezes, eu acho que ele me olha de maneira diferente. Mas nunca tenho coragem de perguntar. — Lois suspirou, parecendo estar sentindo dor no peito. — Sabia que ele é fã do Harpias? Disse foi por causa da vovó, ela parou de jogar muito antes dele nascer, mas foi assim que começamos a conversar, ele tinha uma coleção de figurinhas dela e dissera que ela era uma das melhores artilheiras da história e que ela era um dos motivos para ele amar tanto quadribol. — Estranha mudança de assunto, mas ok. — Ele é bem intenso sobre o que ele gosta, sabe? Ele não esconde suas paixões e… — ela me olhou com os olhos marejados. — E se ele não me amar, pai? E se ele não sentir a mesma coisa?

Ver que minha princesa estava daquele jeito por causa do amor doía meu peito. Era como se eu sentisse sua frustração, seus temores. Eu já tinha estado naquela situação antes, droga, diversas vezes se formos sinceros, mas nada nunca tinha doído tanto quanto ver Lois naquela situação.

— Ah, minha princesa... — falei, me abaixando e ficando na altura de seu rosto. — Vou te contar o que eu nunca contei para ninguém. Sua mãe ia casar com outro — o olhar de Lois se arregalou. Eu dei uma risada curta. — Pois é, sua mãe não estava bem da cabeça, perder esse pedaço de mal caminho aqui? — apontei para mim mesmo, como se fosse óbvio. — Quando eu percebi que eu a amava eu fui contar a ela. Como eu disse, era complicado, sua mãe namorava na época há anos, éramos apenas amigos e nunca tínhamos explorado o terreno fora isso, então um dos motivos para eu não ter aceitado antes que a amava foi o medo de ser rejeitado, mas quando eu vi a foto… eu soube e eu não podia mais negar. Então eu fui falar com ela, eu precisava que ela soubesse o que eu sentia. E, quando eu cheguei para contá-la… ela foi pedida em casamento e eu vi tudo.

Lois exclamou em surpresa e eu assenti.

— Aquilo me arrebentou, eu acreditei que tudo o que a gente tinha passado, o beijo que trocamos quando ela ainda namorava, não me orgulho disso, ok?, todos os momentos e olhares, achei que tudo tinha sido apenas um deslize da parte dela. Era claro que ela não me amava e eu tinha sido só uma distração. Por meses eu fiquei miserável. Eu sabia que a amava, sabia que ela era o amor da minha vida, e eu não podia fazer nada quanto a isso porque eu achava que ela estava apaixonada e feliz e pronta para iniciar a vida com outro cara. A verdade é que ela não estava, sua mãe estava tão miserável quanto eu por outros motivos. Tivemos tantos desencontros e eu quase tive que impedir o casamento de acontecer, mas sua mãe, graças a Deus, disse não. Até casarmos demoramos um bom tempo, mas a verdade é que nós dois teríamos nos poupado muito sofrimento se tivéssemos apenas aceitado, e assumido um para o outro antes de todo esse drama, que nos amávamos. — Eu acariciei o rosto do meu bebê. — O que eu quero dizer é que... diga a ele. Não que eu goste muito disso, mas eu sei que o meu desejo aqui é irrelevante. Não espere passar dez anos para vê-lo com outra garota e perceber que não consegue viver sua vida sem ele. Se poupe de uma década de agonia e crie coragem para descobrir agora as possibilidades. Não faça como eu, que demorei para perceber a sua mãe, e não tenha medo da rejeição porque ele seria maluco em não amá-la de volta, meu bebê. — Meu olhar para ela era intenso, cheio de sinceridade. — Olha só para você! Foi feita com muito amor no sofá da nossa antiga casa!-

— Ew!!!!

— Você não tem um defeito. Eu não fiz filho feio. Então, se Emmett não corresponder ao que você sente ele é um completo idiota e eu estarei quando, em dez anos, ele voltar arrependido percebendo tudo que perdeu. E agora, se necessário for, o papai estará aqui para catar os pedacinhos do seu coração, enquanto a minha gangue de menores infratores cuida dele.

Os olhos de Lois brilharam com as minhas palavras. Talvez em diversão, talvez em repreensão... mas eu sabia que ela tinha captado a mensagem.

O sorriso que ela me lançou poderia iluminar aquele escritório, o que me fez sorrir também. Lois atirou os braços em meu pescoço, me abraçando. Não demorei um segundo para devolver o abraço, apertando-a, sentindo um amor que era mais sólido do que qualquer relacionamento.

— Obrigada, pai. Você é doido, mas tem seus momentos — Lois brincou e eu ri, tendo muito mais ciência de que ela estava mais madura.

Ela em breve sairia da minha proteção, das minhas asas, e eu nunca estaria preparado para isso.

(...)

— Então aqui estamos nós. — Disse, olhando ao redor para os convidados.

— Finalmente. — Lisa resmungou ao meu lado e eu sorri para minha esposa antes de voltar o olhar para minha filha. Os dedos de Lois estavam entrelaçados aos de Emmett e eu percebi que ela tinha perdido a batalha contra as lágrimas ao longo daquele conto em especial.

— Contra todos os meus desejos você cresceu e eu honestamente vou passar o resto da minha existência incapaz de compreender o charme de Emmett e como ele conseguiu me convencer a ceder sua mão em casamento. — Meu genro ergueu uma taça para mim, não pude fazer mais nada além de sorrir. — Mas o que eu quis dizer depois desses minutos-

— Horas. Você realmente gosta da sua voz. — Lisa comentou, atraindo risadas dos outros convidados.

— Você me pediu um discurso! — Defendi-me e minha esposa abanou com a mão, me indicando para terminar. — O que eu tentei dizer narrando esses meus amores e desventuras é que por toda a minha vida eu busquei algo que vocês encontraram tão rapidamente e foi uma honra acompanhar de perto enquanto essa amizade se tornava algo mais. Foi uma honra entender que meus erros me preparam para conseguir instruir você, Lois, a esse amor leve e fácil que é exatamente o que você merece. Foi apenas hoje quando eu te vi descendo as escadas vestida de noiva que eu finalmente percebi a mulher que você se tornou, minha filha. Quando eu estendi o braço a você eu percebi que essa pode ter sido a última vez, como um dia eu te peguei pela última vez no colo sem nem mesmo saber que seria a última, e eu queria dizer que eu posso ter lhe entregado ao Emmett, mas gostaria de deixar claro que você sempre vai ser minha garotinha e sempre poderá correr para meu colo, para nossa casa, para o seu quarto, se precisar. E, raios, traga Emmett consigo se achar necessário.

Mais risadas ecoaram pela tenda. Eu torci o nariz, mas minha voz saiu embargada mesmo assim quando eu voltei a falar.

— Eu rodei todo o continente em busca de independência, afirmando que era pra minha própria evolução. Eu errei, acertei, apanhei, bati — mas apanhei mais pra sermos sinceros. Eu amei e odiei e alcancei cada um dos meus sonhos, mas ah, Lois, foi apenas naquela tarde de 05 de abril de 2036, vinte e cinco anos atrás, que eu realmente entendi o que era o amor mesmo, esse que não tem explicação, esse que nunca conseguiremos pôr em palavras. Você me mudou de uma forma que nenhuma dessas outras mulheres — com todo respeito, amor — conseguiram. Você me fez ser o homem que você precisava para garantir que você se tornasse uma mulher exatamente como você é, forte, decidida, pronta para conquistar o mundo. Um pedaço de mim vai embora com você porque a verdade é que eu nunca me preparei para abrir a porta do seu quarto e saber que você não iria mais dormir ali, mas eu espero que você saiba que, não importa quanto tempo passe, quantas bodas você e Emmett comemoram ou quantos filhos vocês tenham, sua cama estará sempre à sua espera com seu Nemo de pelúcia se um dia você sentir saudade de casa e do seu velho e dramático pai. Muito obrigado a todos, felicidade aos noivos!

Lois chorava enquanto tentava ao mesmo tempo não borrar a maquiagem, eu, felizmente, não precisava me preocupar com isso. Quando passei o microfone para Lisa iniciar o próprio discurso me permiti sentar e olhar ao redor. Toda a família estava ali, amigos velhos e novos, conhecidos, muita gente tinha se reunido para celebrar o amor de Lois Potter e Emmett Jordan e enquanto eu observava cada um deles eu percebi que as coisas tinham se desenrolado da melhor forma possível.

Paisley, agora com nove irmãos mais novos, iria em breve assumir o cargo de CEO na fábrica e ela própria estava cuidando de expandir nosso portfólio com novas poções e ingredientes. Lois tinha entrado para o Harpias de Holyhead dois anos atrás e tinha enfim conquistado a posição de batedora titular. Harry tinha escolhido seguir carreira no departamento de criaturas mágicas do ministério e Bernard, que tinha acabado de formar em Hogwarts, começaria o treinamento de auror no fim do verão.

Lisa terminou o discurso dela, evidentemente mais rápido que o meu, e voltou a sentar-se do meu lado.

— Você não precisava ter mencionado todas as mulheres que marcaram sua vida.

— O quê? Tá com ciúmes das mulheres de James Sirius Potter?

Em resposta ela me deu um soco no ombro e eu sorri. Por toda minha vida eu tinha concentrado em encontrar um amor. Mas ao aceitar Lisa como tal e ao iniciar uma família como ela eu passei a me dedicar a algo muito mais importante e que tinha sido essencial para que estivéssemos ali, naquele momento, com tudo exatamente como deveria ser. Para além de ter um amor eu aprendi a cultivá-lo e esse cultivo tinha me rendido os frutos mais belos de qualquer jardim. E isso era tudo que importava.




NOTAS FINAIS PQ ESSA DESGRAMA DESSE SITE AGORA LIMITA ISSO NO ESPAÇO RESERVADO PARA TAL


Então cá estamos nós exatamente 10 anos depois. Eu prometo que essa vai ser a última vez que eu peço para vocês ficarem um pouquinho mais aqui nessas notas finais. Tô escrevendo isso às 02h54 do dia 12/12/2024 e eu to ficando um tanto quanto emotiva de novo, mas eu tenho muito a agradecer ainda então me acompanhem aqui pela última vez ok?

Uma última vez eu queria agradecer à minha lirou friend. Laís, essa última década escrevendo com você foi uma das melhores experiências da minha vida. Nossas conversas de madrugada, nossa conexão mental, a forma como as cenas — e o James — iam criando vida sempre que tiravamos aqueles momentos do dia para conversar e tudo apenas fluia. Obrigada por não me odiar sempre que eu alterava uma cena que você tinha feito e por ter sido paciente todas as vezes que eu, depois de você já ter escrito tudo, falava que não tinha gostado e queria que fosse diferente. Obrigada, acima de tudo, por ter adotado essa ideia maluca e ter me mostrado exatamente o que essa fic deveria ser. Obrigada pelo companheirismo e por essa amizade que eu sei que se fortaleceu ainda mais graças a esse vínculo que o James nos proporcionou. Não estou pronta ainda para não escrever mais com você, mas estou ansiosa para estar aqui de camarote vendo você abrir suas asas e alçar voo. E obrigada por me permitir estar vivendo isso pertinho de você.

A você, leitor. Eu imagino esses agradecimentos desde que o primeiro capítulo foi postado, desde que os primeiros comentários chegaram, mas eu nunca consegui realmente sentar e fazê-la até agora. Foram mais de 170 mil visualizações nesta história, mais de 350 pessoas acompanhando, mais de 300 comentários e 7 recomendações, e isso falando apenas aqui do Nyah. Só números, eu sei, mas números que faziam a mim e a Laís surtarmos sempre que olhávamos para eles. Então eu gostaria de agradecer a cada um de vocês que topou mergulhar nessa loucura de história conosco, que encarou as 500!!!!MIL palavras dessa história e 34h de leitura uma, duas, três ou sabe quantas vezes mais. Obrigada a você que se apaixonou pelo James conosco e chorou com ele e que quis dar uma surra nesse garoto como também pegá-lo no colo e cuidar.

Um obrigada especial a:

baizen, RebecaHarumi, Ncffarias, Ilana Sodré, Marchela, Maria Black, Ana Clara, Nathyy Weasley, Ellie, lauren, YCullen, ms. Ruby Chang herself, art3mis, Lisa Bennet Lupin, Grazielly, Senhorita Black Cupcake, LadyThyssa, Mirellie Hill, Srta Jamie Campbell Bower, Mariah aka Teresa Melikov, Anna D, Willow, AccioPandas, Pokie, FilipaBlack, Just a, The Queen, Miss Moony, LNava, Miss A, patronopotter (que migrou pro wattpad como anaalannister agora), Ana Banana, Gislane Brito, Passos, sakurita1544, Grazi, Milena, Giovanna Donatelli, Colour, Amelia Williams, Shining Star, Thales Murdock, Lily, Anny Hime, rai, Zabela, harry potter fã, speedy, CellyC, Christopher Aguiar aka prongspotter, Pocahontas, Meewy Wu, Srta Cherry, Nena Machado, Mimi Jackson Valdez, Syh All Black, Lorrane, rachellumedeiros, The Queen (que é outra queen diferente da ali de cima), Malyan, Nobody0525, bevy, MariGuedes, Sky, MelEverwoodMalfoy, Vicent Hobday, Isadora Alice, Adhara Mckinnon Black Lilliel Sumire Eucaristia e Guilherme Rodrigues, no nyah, e a readalgo, Gabi_Slytherin, mi-wayne, isinhw_, Laura_m_k, VickyReisX, MarianaCascaes, mahduhsola, LorraneSilvaOliveira, _BeaBarbosa_, breakfastclubxb, GuilhermeRodrigue936, HadesDaughter26, aninh_az, MariBarion, HarrypftStyles, CamilaLopes52, GabiPotter7, aserpentina, Emma2318fg, oshchim, ClaraMikaelson, Hogwartstorys2, Ayumisilva7, ElleCouto, BibicaSoares, tiapandicorn17, ItsMich5, MarilithLpS, drzmatic, Marilicestories, HttpDoraArt, FeHatakeSnape, plsnalua, Giovaaaana, theserpentina, annycaroline1001, no wattpad, por cada comentário. Vocês não imaginam mesmo o quanto cada um deles iluminava nossos dias e nos incentivava cada vez mais a continuar. Cada “amei, continua”, cada risada, cada indício que vocês estavam gostando disso aqui que a gente tava criando significa o mundo para mim e eu serei para sempre grata a cada um de vocês que tirou um tempinho de seus dias para deixar o dessas duas autoras mais feliz.

A Colour, Grazi, patronopotter, Loren, RebecaHarumi, srta Jamie Campbell Bower e Mirellie Hill pelas recomendações que nos fizeram gritar e pular em nossos respectivos quartos por horas quando a notificação de cada uma delas chegou. Obrigada pelas palavras tão gentis e carinhosas que fizeram nossos egos ficarem quase do tamanho do de James.

Agradecimentos ainda mais especiais a Rebequinha. Eu venho te dizendo isso no mínimo desde 2017, obrigada por ter estado aqui desde o minuto um e por ainda estar aqui. Obrigada por ter crescido conosco e com o James, obrigada pelo carinho que você sempre nos demonstrou, obrigada por gostar dessa história, por cada comentário, por cada conversa interrompida pelo software de respostas limitado do nyah, por sempre deixar claro que você ainda estava aqui e que valia a pena continuar postando essa história.

Ao Chris!!! Um dos principais responsáveis para esse capítulo estar hoje no ar. A gente bem sabe que você também está conosco desde beeeeem no comecinho, mas quando você trocou de perfil e decidiu deixar um comentário em cada capítulo dessa história você sabe que isso foi o motivador que eu precisava para começar a sair da inércia e bloqueio que eu estava e voltar para o mundinho mágico dessa fic. Obrigada por ainda estar aqui, obrigada pelos comentários grandes e pequenos, obrigada por ter amado essa história e obrigada por compartilhar um pouquinho da sua vida conosco, eu vou sentir saudades disso.

Obrigada a CellyC, antiga OcèaneLia, NathyyWeasley, Isadora Alice, Adhara Mckinnon Black, theserpentina e plsnalua por terem resistido ao teste do tempo e não terem abandonado essa história. E todos vocês que também estão aí, mas a gente não sabe os nomes certinho aoshaohs

Aos leitores do wattpad, por problemas técnicos e o fato de eu ser uma senhorinha confusa com tecnologia eu acabei não tendo essa relação tão próxima com vocês quanto eu gostaria, mas ainda assim eu agradeço todo o amor que vocês demonstraram a essa história e agradeço cada voto e interação que tiveram com essa fic.

Por dez anos essa história foi uma espécie de porto seguro para mim. Mesmo nos hiatus eu sempre pensava no James, no que poderíamos fazer, em como seria a próxima aventura dele. Quando a vida parecia meio sem rumo eu abria o doc e compartilhava com o James as minhas frustrações e hoje eu sinto que estou quase perdendo um filho, mas feliz e realizada de estar entregando ele, concluído, para cada um de vocês. Então obrigada a cada um de vocês que aceitou essa xícara de chá e quis ler um pouco do que eu tinha pra contar, obrigada a cada um que topou ver esse mix de escrita entre uma autora extremamente sucinta e uma autora extremamente prolixa que conseguiu se mesclar nessa história de mais de 500 mil palavras com um bocado de coisa para contar. Obrigada por terem sido minha companhia nas madrugadas que eu passei acordada escrevendo, revisando ou respondendo comentários. Obrigada por terem se interessado nessa história o suficiente para tornar o ato de escrevê-la ainda mais especial e incrível.

E obrigada ao James, por ter crescido comigo e ter me proporcionado essa história. Sem ele definitivamente não estaríamos aqui hoje e eu sou extremamente grata a esse personagem que, quando essa fic começou, não era nada além de um nome numa folha com a personalidade de um típico irmão mais velho. Foi um prazer tornar você em um pouco mais do que isso e eternizar seu jeito único de ser nessas palavras escritas nos últimos anos. Graças a você eu pude conhecer e me conectar com pessoas incríveis e eu sou extremamente grata a isso, mesmo que você seja apenas um personagem compartilhado no headcannon de todos os envolvidos com essa fic.

Eu vou juntar meus pés de meia e vou tentar tomar meu rumo daqui. A Anália de 17 anos não tinha ideia do que essa fic significa pra ela no futuro e, agora, a de 27 vai precisar descobrir o que é viver sem essa história para contar. Incapaz de viver fora dessa universo, porém, eu já estou rabiscando uma nova fic com foco na Victoire e, em clima de despedida, essa atualização do nyah foi o chute final na minha bunda para deixar essa plataforma pra trás depois de 11 anos. Caso por algum acaso vocês ainda queiram ler qualquer besteira que eu poste ou só bater um papo vocês poderão me encontrar agora no wattpadd (vou deixar o link aqui embaixo) e enfim! Não se esqueçam que a Laís agora é uma mulher de histórias originais e sigam ela no perfil profissional dela (link também abaixo) para acompanharem de pertinho todas as novidades do livro dela que estav simplesmente divino! (Eu sei pq tenho acesso vip a ele kkkk)

Obrigada, de coração, a tudo que vocês me proporcionaram. Eu espero que vocês tenham gostado dessa jornada tanto quanto eu e, mesmo que o nyah por enquanto não nos deixe mais responder, eu ainda gostaria de saber, uma última vez, o que você achou desse capítulo.

Com amor, Anália

Câmbio, desligo

https://www.wattpad.com/user/shesafairy

https://www.instagram.com/loliveira_autora/


---/-/---


Oi, gente. Eu não sei o que dizer sobre o final dessa fic. Parece que um pedaço de mim, um pedaço importante, se foi. É como se eu estivesse tirando um filho meu debaixo das minhas asas. Só agora que a minha ficha está caindo.

Quando Lia surgiu com uma ideia vaga de que queria fazer um fic sobre o James, eu prontamente me ofereci para ajudar a escrever. Fazia muito tempo que eu estava com raiva das fanfics que só focavam no Albus e que pintavam o James como um irmão fdp. Eu tenho CERTEZA que Harry JAMAIS deixaria que um filho dele fizesse o que o James fazia em fics que eu já tinha lido. Então Anália brotou e eu TINHA que ajudar a escrever.

Então, aqui lá vai meu meu primeiro agradecimento para uma das minhas melhores amigas: Lia, juro, antes de James a gente já se falava, mas com James eu percebi que a gente tem uma conexão neural INCRÍVEL. Duas pessoas com estilos de escrita diferentes conseguiram construir um mundo, um personagem coesos, com dramas, com facetas que só a gente conseguia construir. Você é uma parceira de escrita — e revisora e editora — incrível. Com ideias que combinam com as minhas, com conversas que duravam HORAS. Eu não sei como vai ser a minha vida sem que eu te cobre a escrita jkkk às vezes eu sentia tanta saudade, que eu precisava te perturbar kkkkkk e agora a gente fecha um ciclo MARAVILHOSO. Com um trabalho que eu tenho orgulho demais de dividir com você. Obrigada, também, por aceitar as minhas ideias, mesmo que eu algumas vezes você mudasse algumas coisas, você aceitou. Eu não sei o que vou fazer sem, daqui a algumas semanas, te cobrar pra escrever também. No momento, eu estou no metrô, às 23:11 da noite, com os olhos cheios de lágrimas. Meu Deus, lirou friend! A gente terminou algo que durou dez MARAVILHOSOS anos. Com ideias mirabolantes, com risadas das próprias besteiras que a gente escrevia. Eu só tenho a agradecer, Lia. Eu amo você e obrigada por deixar eu fazer parte dessa jornada incrível. A nossa conexão neural ainda vai criar coisas incríveis e qualquer projeto que um dia queira que eu participe, eu estarei aqui. Pronta.

Queria agradecer ao James. Esse personagem complexo, que criou vida durante esses dez anos. Quando eu o escrevia, eu sentia que não eu era EU. Era ele quem dizia o que escrever ou não. Ele é... tão maravilhoso! Eu o amo e ele sabe disso. Agora ele pode viver o resto da sua vida tendo a missão de ser avô, provavelmente. Ele faz parte da minha vida. Na verdade, James é minha metade e a metade de Lia. Eu simplesmente o amo. Amo como se fosse uma pessoa real. Eu o amo por ter se descoberto, por ter vivido, por te amadurecido e, de quebra, ter amadurecido a mim e a Lia.

Agora, vocês, leitores. Vocês que nos motivaram durante todos esses dez anos, mesmo aqueles que já não comentam mais. Vocês também viram James crescer, sofreram, riram e amaram junto com ele. Vocês fazem parte da vida dele e das nossas. Vocês que nos faziam nos mover com seus comentários, com seus acompanhamentos é recomendações. Apesar dessa atualização HORROROZA do nyah, toda vez que eu vejo "absurdamente popular" faz meu coração aquecer. Quero agradecer CADA um por querer saber da vida desse doido do James. Cada recomendação que eu leio sinto meu coração aquecer. À Rebeca, que simplesmente está com a gente desde o início. Ao Chris, a cada leitor que tirou um tempo para se certificar que James tinha ficado com a pessoa certa. Cada capítulo que James nos usava para escrever, além de ser um conforto para nós, também era para que vocês soubessem o quanto ele queria — ora, um narcisista como ele — achar alguém para amar. Mas não só isso, que ele estava crescendo, que ele estava no caminho certo, mesmo com todas essas confusões. Obrigada pelos leitores do nyah e do wattpad. As Mulheres de James Sirius Potter não seria metade do que é sem vocês para nos motivar.

Eu sou péssima nesses negócios de agradecimentos. Mas, apesar de a fic ter terminado, James ainda estará aqui para vocês, mim, para Lia, para os leitores novos que brotar no nyah ou no wattpad. Ele vai encontrar vocês. Ele vai nos encontrar e vocês poderão reviver cada momento com ele, de tristeza à felicidade. Porque eu, com certeza, ainda estarei aqui.

Obrigada. Por tudo. Por lerem, por comentar. Por James ser o James. Por Lia ser a Lia, por ser... uma das minhas melhores amigas.

Só... obrigada.

Beijos, hermosas e hermosos.

Nos vemos em breve.

Laís.

Notas finais
https://www.wattpad.com/user/shesafairy https://www.instagram.com/loliveira_autora/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!