As Maravilhas Do País De Alice

1 Alguém pediu uma torta de amora?


O livro que o professor Lancellot havia entregado para Alice pairava sobre a pequena mesa, ao lado de sua cama. Alice esticou a mão para pegá-lo, mas por um momento hesitou, não era de seu gosto ler livros tão fantasiosos como esse. Por mais que nunca o tivesse lido, Alice sabia a história – uma menina seguia um coelho branco de vestes azuis e um relógio de bolso até um buraco e acidentalmente caía lá dentro. Então, participava das aventuras de um País das Maravilhas – Mas tinha que ler, era um trabalho pra aula de literatura, então ela não tinha escolha. Alice leu das 18 até às 19 horas, quando adormeceu subitamente.

Acordou somente no dia seguinte, era seu primeiro dia das férias de verão. Alice se levantou e foi até o espelho.

– Eca – pensou alto para si própria.

Alice era de estatura média, pele clara, olhos de um tom azul acinzentado e cabelos loiros. Tinha 15 anos, solteira — muito bonita pra falar a verdade – e do tipo que não tem muitos amigos, mas se diverte muito com os poucos que têm. Seu planejamento para as férias era viajar com seus amigos, mas sua mãe não deixou, então resolveu ir para a casa de seus avós maternos, em uma pequena cidade na costa. Alice arrumou suas coisas e quando o relógio bateu nove horas, pegou o ônibus para encontrar seus avós.

A “viagem” demoraria um pouco, eles moravam em uma pequena cidade pouco distante de Londres, sabendo disso, Alice pegou os fones, ligou o iPod e começou a ler enquanto ouvia sua playlist favorita.

Kashmir – Led Zeppelin

Dani California – Red Hot Chili Peppers

Blackbird – The Beatles

Crazy – Simple Plan

Asleep – The Smiths

Carmen – Lana Del Rey

Dear Prudence – The Beatles

The Bad Thing — Arctic Monkeys

Black Math — The White Stripes

Careful – Paramore

Hell Yeah — Rev Theory

Alice terminou de ler o livro pouco antes de chegar à rodoviária. Ao sair do ônibus, pôde sentir o cheiro dos pinheiros e do mar. Uma enorme sensação de alívio invadiu o peito de Alice assim que avistou seu avô, esperando por ela na caminhonete vermelha.

Ela correu até ele e o abraçou sorridente. Após o longo abraço, Alice se afastou, fitando o interior da caminhonete.

– Onde está a... – seu avô, Bill, interrompeu-a.

– Está em casa fazendo a torta de amoras que você tanto gosta!

Alice deu um sorriso de orelha a orelha. Finalmente entrou na caminhonete e rumaram para a casa. Não demorou muito pra chegar, a casa ficava em uma rua um tanto sem movimento. A casa tinha um caminho de pedras que passava entre um jardim e levava até a porta de entrada. Era em um estilo bem rústico, feita de madeira envernizada, quase como no conto de João e Maria. Tinha somente um andar, entretanto, era um pouco mais alta por conta do sótão. Logo atrás da casa encontrava-se uma parte da floresta de pinheiros bem verdes, motivo do aroma forte que era levado com a brisa.

Quando Bill estacionou, Alice saiu correndo e encontrou sua avó, Elizabeth, na cozinha. Deu-lhe um beijo no rosto e um forte abraço.

– Como você cresceu! E como vão as coisas em Londres? Sua mãe? Tudo bem? – disse Elizabeth, com as frases mais clichês dos diálogos de familiares que você não encontra há certo tempo. Alice concordou com a cabeça.

Os três sentaram-se a mesa e comeram a torta de amora – que estava maravilhosa – então Alice foi para um balanço antigo que ficava no quintal da casa.