As Long As You Love Me
1 Prólogo - Garantia não garantida
Notas iniciais
O problema de uma família influente era o modo como os integrantes lidavam com o poder e fama. A vida dos descendentes de Aaron Emperius sempre foi muito perturbada por causa da mídia. Seus filhos, Bradley e Helena, puderam aproveitar bastante das facilidades que o pai deles tinha perante as autoridades.
Helena tinha um sentimento de orgulho e gratidão por pertencer a primeira família a povoar Ollgra, país situado em uma ilha ao lado da Inglaterra. Já Bradley gostava de exibir o seu sobrenome em qualquer lugar que ia. Ao invés de auxiliar o pai nos negócios do país, ele preferia colecionar saídas para bares e noites de prazer.
Por ser seu único filho homem, Aaron tinha um amor especial por Brad. Era como uma venda que tapava as coisas ruins que ele fazia e deixasse ultrapassar apenas o "bom dia" que Aaron recebia do menino de manhã e os sorrisos diante as câmeras durante um jantar de família. Esse era um fato que Helena conseguia odiar no irmão: o controle sob o pai.
Naquele dia, as atenções não podiam estar mais bem apontadas do que para Bradley. Com o olhar fixo no horizonte, o garoto procurava um bom ângulo para usar em sua tacada. Os dedos entrelaçados esperando somente o momento certo e a gota de suor escorrendo pelo seu pescoço que o deixava mais nervoso.
Por alguns breves momentos, ele voltada seu olhar para a plateia que o assistia. Sua mãe, Rachel, permanecia com o mesmo enorme sorriso desde o começo da partida, seu pai, ao lado dela, o observava como se dissesse "você precisa ser o melhor". E Helena, que poderia deixar o irmão sofrendo a pressão familiar ou ajuda-lo. Por mais incrível que pareça, ela escolheu a segunda opção.
Família era um assunto delicado para Helena, ainda mais quando se tratava do irmão mais novo. Bradley podia ser o mais irresponsável possível, mas mesmo assim ainda era seu irmão e o legado da família Emperius era "proteger quem o protege". De certo modo, a garota sentia que Brad poderia defende-la quando precisasse. Como sempre fez.
A garota se levantou, tentando não despertar Rachel de seus pensamentos de orgulho. Foi difícil, mas ela acabou conseguindo. Seus passos eram fracos e afastados, fazendo o mínimo de barulho possível. Querendo não chamar a atenção, Helena colocou seu chapéu preto e esticou a aba até cobrir sua testa inteira, depois, ela vasculhou a bolsa atrás do óculo escuro. Após achá-lo e o endireitar no seu rosto pequeno, ela seguiu pelo espaço que as cadeiras faziam, formando um corredor de grama verde.
Helena já estava longe quando observou Aaron levantando-se, dando um beijo em Rachel e saindo. Ela não ficou surpresa, o homem sempre saía de eventos com a família para ir organizar seus negócios e isso, deixava Bradley bastante chateado, apesar de não demonstrar.
De repente, a garota sentiu alguém pegando em seu braço. Ela pôde reconhecer o perfume na primeira aproximação e sabia quem estava lhe perturbando. Julian Davis era um homem de vinte e dois anos, cabelo castanho e de estatura mediana. Pertencia ao enorme grupo de funcionários da família Emperius há seis anos e fora contratado único e exclusivamente para proteger a herdeira Helena.
— Uma hora ou outra as pessoas vão perceber que Helena Emperius fugiu. — Ele comentou após ver que a garota virou-se e notou que ninguém havia reparado a sua saída.
— Já fiz isso milhões de vezes. Eles só percebem quando Bradley, o papai ou a mamãe foge. É tão estranho concordarem com o fato do papai gostar mais do dinheiro do que da própria família. — Helena protesta com um tom de raiva misturada à angústia.
— Seu pai precisa cuidar de um país, controlar os gastos e blá, blá, blá que houve desde pequena. Mas, por que ainda se arrisca para salvar quem nunca se importou com você? — Julian tocou, novamente, em um assunto que era difícil para ela responder. Foi então que Helena respirou fundo e falou, seguindo seu caminho:
— Porque eu sou bem diferente deles.
***
Faltavam apenas duas tacadas para acabar as chances de Bradley e a sua reputação ir por água abaixo. Sua irmã ainda observava o quadro de energia. Tentando entender a função de cada botão presente no enorme painel.
Apesar de estar um dia lindo e claro, com o sol marcando presença no grande campo de golfe da capital, estava muito escuro aquela sala. Devia ser porquê o cômodo era todo fechado e não havia nenhuma janela, e isto dificultava a visão de ambos.
— Minha teoria estava certa. — Helena protestou. — O eletricista que fora na minha casa ontem e que meu pai não tratou muito bem, é o mesmo que cuida dessa sala. Provavelmente agora, ele deve estar encarando Brad. Como os outros.
— Você não vai fazer isso, vai? — Julian pergunta curioso. Ele já sabia a resposta, mas alguma coisa o fazia querer repetir e repetir a mesma coisa. Julian amava ouvir o que Helena respondia. A mesma simples frase de semanas atrás, aquela que tornou-se um ritual.
— Senhor Davis, você me conhece tempo demais para não saber as minhas reais intenções em fazer isto. — Rapidamente, ela leu a palavra logo abaixo: "irrigação". Um sorriso brotou na face de Helena e em apenas um movimento, ela apertou o botão.
Todos esperavam ansiosamente para a jogada de Bradley, queriam ver como o garoto lidaria a pressão. Queriam presenciar um deslize do querido da população, principalmente a imprensa, que permanecia com as câmeras apontadas para ele, olhando pela lente, prontos para a foto que no dia seguinte aparecia nas revistas e eles ganhariam muito dinheiro por isso.
"Vamos Hely, me ajude", ele pensou. O silêncio deixava Brad mais nervoso, mas logo isso passou quando percebeu que pequenos espaços do gramado abriam-se, deixando os irrigadores à mostra.
Os aparelhos começaram a espalhar água para todos os lados, molhando os presentes. Há uma enorme movimentação, as mulheres com seus filhos correndo para protegerem-se e os homens tiravam seus casacos para ajudar suas esposas.
Rachel agarrou seu filho pelas costas e o guiou, cobrindo seus ombros que o casaco que levou.
— Mark! — Ela chamou o mordomo que rapidamente apareceu. — Leve Bradley para o carro.
Ela olhou em volta, mas não encontrou Helena. Foi então que decidiu seguir até o carro, sua filha conhecia a cidade e saberia voltar para casa. Rachel sabia o interesse de Helena pelos eventos sociais, que era nulo.
***
Aaron, pela milésima vez, checou o relógio. Ele nunca gostou de atrasos, principalmente da parte dele.
— Ande mais rápido! — Ele ordenou novamente. De repente, o celular de Aaron começou a vibrar, no visor, havia a foto de Rachel.
— Algum problema? — O homem perguntou preocupado. — Bradley fez ótimas jogadas, não é?! Ele sempre faz.
— Querido, Brad não conseguiu terminar o jogo. — Rachel explicou.
— Mas... O que aconteceu? — Aaron já estava começando a se irritar.
— Parece que o jardineiro programou errado os irrigadores. Estamos encharcados. Mas não se preocupe. — A mulher tentava acalmar o marido.
— Vou ter uma reunião agora, oferecer um belo acordo para o senhor Taeyang. Consegue resolver isso antes que eu mande uma carta de demissão para todos os funcionários daquela empresa de quinta categoria? — Aaron pergunta rapidamente depois do carro parar na porta do prédio onde seu escritório ficava.
— Claro, querido. Tenha uma boa reunião. E não se esqueça...
— A família é o mais importante. — Ambos recitaram juntos.
E a ligação encerrou-se.
Segundo Aaron, era tudo questão de saber negociar e conseguir um bom acordo com a famosa família da Coréia do Sul. E ele tinha a certeza que iria conseguir.
O homem adentrou no grande salão do prédio, que era localizado na principal avenida da capital e centro econômico do país. Ele gostava do modo como os quadros com os retratos da família ficavam expostos. Cada um com o rosto de seus filhos e seus pais, todos alinhados rodeando o salão. A sua imagem estava no meio, entre seu pai, Christopher, e Bradley.
Aaron ainda lembrava daquele dia. Era como um ritual. Todos da família, quando completavam quinze anos, tinha que tirar foto para o álbum, onde ficariam imortalizados e seriam recordados por diversas gerações. Depois da foto, houve uma festa. Havia muitas pessoas, parecia que seus pais tinham convidado o país todo. A partir daquele momento, Aaron soube o quão ele era importante para a continuação do legado Emperius.
Aaron caminhou mais um pouco até chegar no final do corredor, onde estavam dois seguranças à postos bloqueando a porta de entrada do escritório. Ao aproximar-se, os homens se afastaram e abriram a porta para ele, o deixando adentrar ao cômodo.
— Senhor Emperius, não poderia estar mais adiantado. — Uma voz muito conhecida por Aaron protestou, irônico.
— E o senhor Taeyang não poderia ser mais simpático. — Aaron respondeu dando uma leve risada.
Chung-ho Taeyang era um importante empresário na área do setor primário da economia. Ele fazia parte da grande população da Ásia que buscava, por meio da agriculta, pesca e extrativismo mineral, uma forma de auxiliar o crescimento econômico do continente.
Sua relação com a família Emperius era de longa dada. Ele havia estudado com Aaron na Universidade de Londres e acabaram se tornando melhores amigos. Porém, essa amizade não durou muito tempo. No segundo ano da faculdade de direito, Chung-ho conheceu Rachel Demiri, que se tornaria esposa de Aaron um ano mais tarde. Ele logo se apaixonou por ela, sua delicadeza e inteligência, mas entre Chung-ho e Aaron, Rachel escolheu Aaron.
— Após a sua ligação, achei que pediria desculpas. — Chung-ho admitiu. — Faz tanto tempo que não ouço sua voz, pensei até que era outra pessoa.
— Você sabe que eu nunca pedirei desculpas pelo ocorrido. Até porque não pedi para vir aqui por esse motivo. — Aaron ajeitou-se na sua poltrona de couro preto e apoiou os braços na mesa de madeira que se estendia pela sala. — Tenho uma proposta de acordo para lhe fazer.
— E por que eu faria um acordo com o senhor? — O oriental passou as mãos nos fios de cabelo pretos e grossos, os deixando totalmente para trás.
Aaron inclinou-se para frente com um olhar desafiador e misterioso. Ele estava se preparando para dizer a coisa mais importante de convencer um futuro sócio. Ele podia até lembrar do seu pai lhe aconselhando: "arrisque tudo para um bom contrato. Arrisque qualquer um, sua esposa, você mesmo ou, no pior dos casos, seus filhos".
— Trabalhe conosco e terá trinta por cento de todo o lucro adquirido. Dividirei o meu país com sua família e seu povo, ganhará um Estado para governar e administrar do modo que quiser. Ajudarei com máquinas, funcionários, dinheiro e o que precisar. — Aaron explicou devagar para que Chung-ho entendesse cada palavra. — Sabe o quão é cansativo organizar e manter a ordem em um país?
— Imagino. — O homem pareceu pensar, estava confuso. — Qual será a minha garantia de receber todos esses recursos? — Ele pareceu interessado. Um sorriso brotou na face de Aaron e ele logo respondeu:
— Minha filha.
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