As If We Never Said Goodbye

41 Darling, have a heart


Notas iniciais
Depois de 83 anos, ai vem o autor postar mais um capitulo haha, se você ainda está aqui caro leitor, saiba que você é foda por ainda acreditar nessa história. E finalmente estamos chegando ao fim, embora tenha procrastinado tanto, aguentem mais um pouco comigo, este ainda não é o ultimo capitulo, mas está muito próximo!

O que é estar em casa? Se sentir em casa? Quando alguém verbaliza a frase “estou em casa”, esta frase precisa de uma situação. Por si só ela indica estar em algum lugar, mas sabemos que este lugar pode não ser algo palpável, como a frase possa indicar. Muitas vezes “casa” não indica um lar, mas quando dizemos “estou em casa” referente a algo não material, indicamos um sentimento, na maioria das vezes bom, ligado a diversas situações que podem tornar uma pessoa sua casa, seu lar. Alguém pode ser seu indicador de conforto, estabilidade, felicidade e afins, quando este alguém entra na sua vida, não é necessária uma explicação plausível para se sentir “em casa”, a questão é sentir.

E é neste exato momento de profundo entendimento que Quinn se encontra. Ao acordar antes de Rachel ela percebeu que sua vida tinha mudado e que ela tinha que se acostumar, mas não no sentido de que não havia uma maneira diferente de fazer as coisas, ela tinha que se acostumar por que era isso que seu subconsciente clamava. Os dias de menina do papai, queridinha da escola tinham se passado, e a vida tinha avançado e ela tinha que correr atrás do abismo de memória que ela tinha. Ela queria acompanhar este ritmo louco e redescobrir cada passo que levou a essa mudança, que levou ela a amar Rachel Berry.

Depois dos eventos da noite passada, que graças a Deus ela não esqueceu, ela tinha certeza mais que absoluta que Rachel era uma peça fundamental em sua vida, que ela estava onde estava na vida por causa daquela mulher que dormia pacificamente ao seu lado.

Percebeu que a loucura que se instalava em sua mente quando tentava lembrar das coisas era boa, sentia que sua memória era um conto de mistério onde o leitor é envolto pelo sentimento de querer mais, de querer se entregar a loucura que é não saber o que está acontecendo. Em parte ela se sentia como uma criança, curiosa, querendo mais e mais, estar ali não era suficiente, ela queria reviver e viver e reviver novamente, marcar na pele e na memória cada aspecto da vida que ela esqueceu. Quinn sabia, Rachel ia ajudá-la e não a abandonaria.

Rachel se remexeu na cama sentindo falta do corpo quente de Quinn que a havia envolvido a noite toda. Acordou assustada, com o pensamento que Quinn poderia ter se arrependido da noite anterior.

—Relaxe -ela ouviu a voz de Quinn vindo da direção da janela do quarto. Ao se virar pode observar a loira sentada na poltrona do quarto com um caderno na mão a observando.

—O que está fazendo? — sua voz saiu sonolenta e um pouco esganiçada, seu olhos um pouco embaçados puderam observar a cena e ela não pode evitar o sorriso que brotava de seus lábios. -Você está desenhando?

—Não só desenhando, desenhando você — respondeu com um sorriso doce nos lábios.

Rachel jogou os lençóis do corpo e sem se importar com sua nudez caminhou até Quinn, que se ajustou na poltrona a fim de acomodar Rachel em seu colo, seus corpos sabiam como se ajustar e ela nem precisava pensar sobre isso.

—Sua safada, me desenhando praticamente pelada -brincou Rachel.

—Não é pelada! É um nu artístico -disse a loira enlaçando seu braço ao redor da cintura de Rachel.

—É lindo, independente do termo -Rachel resmungou enquanto afundava o rosto na curva do pescoço de Quinn. -Você quer conversar sobre ontem?

—Acho que temos muito o que conversar -respondeu fechando o caderno com o lápis marcando a página. -Primeiramente, como eu sei fazer sexo desse jeito? Eu parecia um animal!

—Deve ser algum tipo de memória sexual que tem dentro dessa sua cabeça pervertida!

—Eu sou pervertida? Você que está nua e montada em mim! — disse a apertando. -Mas sinceramente, temos muito o que conversar.

—Você precisa de espaço, ou algo assim?

—Não, preciso de você — sorriu acalentando Rachel que já começava a se questionar se o sexo da noite passada seria apenas algo casual para Quinn. -Eu quero tudo de novo, seja la o que tiver acontecido. Quero viver novamente.

—Tudo?

—Tudo mesmo!

—Olha tem como pular algumas partes? Como a namorada louca, anos separadas por um oceano e um tiro? — riu sentindo liberdade para brincar com a loira.

—É, acho que pensando bem, só as coisas boas -Quinn sorriu se inclinando para beijar a morena.

—Então para reviver tudo, temos que voltar ao lugar em que tudo começou -Rachel a observou com um sorriso que não havia cessado desde a noite passada.

—Lima? -Quinn sabia que o momento de retornar a Lima chegaria. Mais uma vez o medo do desconhecido a assolava, parecia que estava prestes a pular de bungee jump, onde você está caindo de verdade e encarando toda sua mortalidade, porém uma corda o segura. E ela sabia que Rachel a seguraria. -Pelo pouco que sei de Rachel Berry só posso esperar um grande evento.

—Oh, pode esperar, vou ligar para William, ele vai ficar tão feliz, vou fazer uma lista gigantesca do que precisa ser providenciado -Rachel se levantou abruptamente e correu para se vestir e começar a fazer sua lista de tarefas.

Quinn observou a garota e sorriu. Rachel estava tão empolgada que parecia explodir, sentiu que era assim que pessoas extremamente apaixonadas devem se sentir quando programavam algo para quem ama, desejou um dia fazer o que Rachel fazia por ela.

Fora do conhecimento de que habitava aquele apartamento, no saguão de entrada, um enfrentamento necessário e que ocorreria mais cedo ou mais tarde tomava lugar.

—Senhor, não posso deixá-lo subir, é uma ordem dos moradores que o senhor quer visitar, sugiro que ligue para os mesmos para que eles autorizem — O porteiro falou de maneira ensaiada, ele tentava soar natural, mas como podia se Santana Lopez em pessoa o havia feito repetir dezenas de vezes essa frase caso Russel Fabray aparecesse.

—Me ouça garoto, minha filha está aqui e ela acabou de sair do hospital, eu como pai, tenho o direito de entrar! -Russel começava a ficar vermelho com a situação, se sentia afrontado pelo porteiro.

—Senhor, receio que mesmo nessa situação não posso deixá-lo entrar…

—Foram aquelas lésbicas que te passaram essa ordem? -perguntou perdendo de vez seu temperamento. -Saiba que elas estão prendendo minha filha nesse lugar imundo contra sua própria vontade!

—Deixe de falar merda para o pobre homem! -A voz alta e clara de Judy se fez inundar pelo saguão. Ela havia acabado de pôr os pés no edifício e acaba de encontrar uma de suas maiores preocupações, um Russell fazendo papel de arrependido para levar sua perfeita Quinn para longe de tudo.

—Você finalmente apareceu! Cansou de suas férias e finalmente percebeu que abandonou sua filha?

—Não venha me falar de abandono Fabray! Ninguém cai nos seus arrependimentos falsos — Judy olhou Russell se inflar de raiva, ela ja havia visto aquele rosto raivoso e por muito tempo havia sentido medo dele, mas agora ela simplesmente ignorava aquela feição retorcida.

—Judy, vamos subir, não adianta fazer concurso de quem encara mais -Oliver surgiu ao lado de Judy carregando sua mala.

—Eu vou com vocês -apontou Russell caminhando em direção ao elevador.

—Oh, não vai não -Oliver se impôs na frente do homem mais velho o empurrando levemente em direção a porta. -Judy e eu conversamos um pouco e eu vou tomar a liberdade de te espantar daqui.

—Garoto, eu paguei por tudo esses meses, você acha que não tenho direitos?

—Primeiro, você pagou por que quis, e segundo, você não pagou para ter direitos, não é dono de Quinn -A cada palavra Oliver o empurrava para fora do saguão. -Em algum lugar ainda ama sua filha, infelizmente ainda mais agora que ela não se lembra dos erros que cometeu e que fizeram com que você a abandonasse. Quando aprender a ser um ser humano capaz de perdoar de verdade tente falar com ela, mas por enquanto, vou insistir que não volte mais aqui.

Russell estava sem palavras, aproveitando esse momento Oliver fechou as portas do saguão na cara do homem e voltou sua atenção a Judy que não tinha palavras para agradecer a Oliver.

Oliver no meio de todo caos que se instalou nos últimos tempos se dedicou a uma única coisa, achar Judy. Tinha sido algo muito difícil, embora todos tentassem entrar em contato, ele e Ben foram os únicos que procuram destinos de viagens “sabáticas” e graças a muita sorte e insistência em perguntar em diversos telefones de hotéis sobre Judy Fabray conseguiram entrar em contato. Assim que soube do que se passava Judy, desde o dia anterior, estava enfiada em vários aviões fazendo escalas e conexões para chegar a Nova York.

Oliver abriu a porta do apartamento, espiando para conferir se Santana não estava fazendo besteira na sala. Assim que viu tudo certo, deu espaço para que Judy passasse. Ela ficou imóvel na sala, apenas esperando que sua filha aparecesse, sabia que não adiantava morrer de ansiedade agora, o pior havia passado. Ela se martirizava um pouco em não ter estado aqui quando a filha precisava mais.

Rachel caminhou pela sala saindo do cômodo que servia de escritório, seus olhos se arregalaram em surpresa quando viu Judy no meio da sala. Sem nenhuma palavra caminhou e a envolveu em um abraço apertado.

—Você cuidou dela, não cuidou? -perguntou devolvendo o abraço de Rachel. -Que pergunta idiota, claro que cuidou.

—Fiz meu melhor… eu vou chamar ela -sorriu caminhando em direção a porta. Enfiou a cabeça por ela e viu a loira desenhando e imersa nas músicas que vinham do ipod. Caminhou até ela e beijou o topo de sua cabeça. Quinn tirou os fones e sorriu para a garota. -Tem alguém querendo te ver lá fora.

—Por favor não me diga que é meu pai, ele não para de ligar, não me sinto bem falando com ele… -As feições de Quinn eram de quem precisava chorar mas mantinha preso.

—Hey, relaxe, é alguém que vai te deixar tão bem, acredite em mim -sorriu passando as mãos pelos cabelos sedosos. -Eu vou deixar ela entrar, vai dar mais privacidade a vocês.

Quinn se sentia ansiosa, Rachel saiu do cômodo e ela pode ouvir uma conversa leve do lado de fora. A porta se abriu e sua mãe entrou, as lágrimas de angústia pelo pai agora viraram lágrimas de felicidade em ver sua mãe. Quinn se levantou e a envolveu seus braços pela cintura da mãe, sua cabeça em seu busto, como um pedido de socorro. As lagrimas caíram e o som de seus soluços fizeram Rachel sentir a queimação no seu rosto, o anúncio de que suas lágrimas iam começar a cair. As mãos de Judy passaram pelos cabelos da filha, com cuidado pelo ponto onde uma mecha castanha começava a crescer, ver aquela mecha fez com que Judy sentisse o sangue ferver, tinham machucado sua filha naquele lugar, não adiantava ficar brava agora, o que adiantava era embalar sua filha em seus braços.

—Então moça, temos trabalho a fazer, o que me diz de passar no Pet Shop e ver o que precisa ser terminado? -Oliver sorriu triste para Rachel, ele odiava ter que chamá-la para trabalhar, por mais que ela quisesse trabalhar, o que mais desejava era ver a garota de volta aos palcos da Broadway.

—Sim, vai ser ótimo, preciso me organizar com todas as tarefas, Quinn e eu estamos planejando viajar para Lima então quero ter tudo em dia -sorriu indo até o escritório para pegar seus pertences. Era hora de deixar Quinn ter seu momento com sua mãe, ninguém melhor para ajudar a entender melhor a vida.

Enquanto caminhavam em direção ao Pet Shop Rachel questionava Oliver sobre como tinha achado Judy.

—Eu não acredito que essa ideia fugiu do pensamento de todo mundo, foi só um pouco de insistência -Explicou Oliver. -Achei que todos estavam fazendo o mesmo...

—Se todos nós tivéssemos conversado um pouco teriamos trazido ela bem mais rapido, mas estou muito feliz que no fim das contas deu tudo certo, imagine se tivessem se passado muitos meses com Quinn naquele estado..., “hey Judy, tudo bem? Olha sua filha está em coma depois de levar um tiro na cabeça”, eu me sentiria muito culpada se estivesse no lugar dela, ainda mais por ter se desconectado totalmente do mundo, sem sequer um celular, e ter estendido a viagem direto para a Ásia… Aliás, dá pra sentir que ela sente um tantinho de culpa…

—Mas o que poderia ser feito, não é mesmo? Assim que a encontrei fiz questão de dizer que estava tudo bem, a pobre coitada disse que veio chorando o vôo inteiro, o pior de tudo foi dar de cara com o pai da Quinn no saguão.

—Ele estava aqui? -Rachel perguntou olhando para os lados, sempre achou Russell um canalha e sabia de todo seu preconceito.

—Sim, o porteiro o barrou na entrada e ele ficou todo revoltado, parecia um daqueles religiosos que se enfureceram com Madonna quando ela lançou Like a Prayer -riu da imagem de Russell totalmente vermelho a ponto de explodir. -Ele fez um caso, mas eu fiz aquele estereótipo de hétero machão e disse umas verdades na cara dele.

—Eu acho que não digo o suficiente que você é um amigo maravilhoso, Oliver -Rachel sorriu abraçando o amigo de lado.

—Você não precisa dizer, Rachel, eu sei o quão maravilhoso eu sou -riu abraçando a diva ao seu lado.

—Rachel! Rachel Berry! -Os dois se viraram simultaneamente em direção a voz que chamava a morena. Rachel o reconheceu imediatamente, era Joe Montello, o diretor da montagem de Spring Awakening. -Como está?

—Oh, muito bem e você? -Sorriu amargamente com os pensamentos de derrota.

—Estou bem mas estaria melhor se não estivesse com um problemão nas mãos… -sorriu para Rachel e a morena não pode decifrar o que aquilo significava. -Perdi seu contato, mas lembrava vagamente do seu endereço, então vim tentar a sorte…

—Posso ajudar em alguma coisa? -Seu coração se inflou de esperança, Joe Montello estava lhe pedindo ajuda.

—Eu sei que você se ausentou da peça por problemas pessoais, mas queria que talvez você pudesse repensar na situação e quem sabe voltar a trabalhar comigo, a peça vai encerrar a temporada e só voltará em dois meses e pra ser sincero, esse papel não é de Harmony, ela é boa, mas só boa… -ele alcançou a carteira em seu bolso e deu seu cartão de visitas. -Por favor, reconsidere.

Rachel o observou incrédula por alguns segundos sem saber o que dizer. Oliver soltou um pigarro e tomou a frente.

—Oh, ela vai reconsiderar com certeza, se ela não fizer sozinha eu a amarro em uma cadeira e dou uns tapas nela até que ela pense direto -Sorriu pegando o cartão de visitas. Joe sorriu e começou a se afastar olhando para Rachel com esperança de que ainda pudesse salvar sua peça.

—O que diabos acabou de acontecer? -Rachel estava embasbacada com a situação. -Joe Montello simplesmente ficou me esperando aparecer na rua?

—Por Meryl Streep e toda sua glória, sim, aconteceu! Me diga que vai pensar, senão eu vou aprender a cantar e roubar sua vaga -Oliver sorriu chacoalhando levemente os ombros de Rachel.

—Oliver… e Quinn? -Rachel tinha sentido uma enorme excitação correr pelo seu corpo, mas agora sentia-se mal em pensar em não estar ao lado de quem amava nesse processo de recuperação.

—Rachel… sei que não é fácil, mas você não a está deixando, a situação é diferente agora, Quinn está bem, está se recuperando, você sabe disso, então deixe de se auto sabotar e pense direito nessa oportunidade — Oliver a observou com cuidado e resolveu colocar seu coração para fora. -Eu venho te observando há algum tempo, Rach, e dizer que nunca mais te ouvi cantar não é exagero. Eu estava lá quando você abdicou a peça para ficar com Quinn, e foi como ver uma luz se apagando dentro de você, em parte por ver ela tão mal e também pela chance de entrar na Broadway. Não estou dizendo que você deveria ter largado Quinn e se enfiado de cabeça na peça, sei que você é um ser humano bom. E Quinn sabe disso, esse é o momento de agarrar as oportunidades, nunca a vida tem um timming tão perfeito como esse de agora. É sua segunda chance e eu aposto que sua namorada vai ficar muito feliz em te ver de volta aos palcos.

—Por que hoje está sendo um dia tão emotivo? — Rachel respondeu limpando as lágrimas de felicidade pelas palavras do amigo.

—Porque tudo está indo pros seus devidos lugares… exceto Santana sendo prefeita de Nova York. -Oliver fez Rachel rir e os dois continuaram seu caminho em direção a Pet Shop.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.