Notas iniciais
Só digo que... Pelo o que houve no cap anterior dá pra imaginar o que vai ter agora né? :(

– Só não entendo porque não matar ele de uma vez — diz Ana — Não tem um plano?

Rick não a responde, ele olha em volta e vê Daryl e Drake chegando. Drake anda com as mãos nos bolsos escondendo sua mão machucada de tanto bater e a mão visível de Daryl está cheia de sangue e o nós dos dedos estão no vivo.

– O rapazinho tem um grupo, uns trinta caras e muita arma… E não fazem amigos, se vieram pra cá, nós homens morremos e as mulheres… Muito pior.

– O que você fez? — pergunta Carol.

Daryl olha para sua própria mão, para Marie e depois pra ela — Bati um papinho

– Ninguém chega perto desse cara!

Lori se aproxima do marido — E o que você vai fazer?

– Ele é uma ameaça… — Rick olha para Ana — Executa-lo.

Ana sorri para o xerife. Até que enfim alguém me entendeu!

– Simplesmente mata-lo? — pergunta Dale

– Tá resolvido, faço isso hoje — ele dá a palavra final e vai embora

Dale vai atrás dele, o grupo se dispersa, Ana se aproxima de Drake e Marie engole o orgulho e vai junto. Daryl não tira os olhos dela.

Ana pega a mão do Daryl, dá uma boa olhada e depois, antes que ele recolha o braço com violência, ela solta.

– Drake as mãos — ela pede com a mão aberta

Drake suspira e acata às ordens dela, ele retira as mãos dos bolsos e coloca em ciam da mão dela, estão horríveis, cheias de machucados e sangue até em baixo das unhas.

– Se a mão de vocês tá assim não quero nem imaginar a cara dele.

– Era o único jeito — diz Daryl olhando Marie ainda.

Ela se sente mal com os olhos dele nela e vai embora.

Daryl rosna envés de suspirar e Ana e Drake param sua conversa sobre a decisão de Rick estar certa e o encaram.

– Quer um conselho? — pergunta Ana

– Não.

– Foda-se, vou falar mesmo assim… Vai atrás dela.

– Quase levei um murro dela ontem, não vai mudar muita coisa hoje.

– Você é burro mesmo né?

Daryl a olha — Já sei. E o que mais?

– Lento e apaixonado. Ai você fica mais burro ainda. Ela só tá brava, a Marie não é assim, ela sabe perdoar. Vai lá, fala tudo pra ela de uma vez, se explica e ela vai entender. Você disse que confiava em mim… Confia agora e vai — ela sorri

Ele olha para Drake que ergue os ombros, sua mãos direita, mais machucada ainda recebe carinho da ponta dos dedos de Ana — Eu faria isso se fosse você, vai lá cara.

Daryl aperta a corda da besta no ombro e caminha atrás dela, ela já está longe e ele dá um corridinha

– Você tem alguma coisa pra passar na mão?

Puta que pariu, como eu sou burro! Não tinha nada melhor pra falar?!

– Tenho. Pega no jipe e pode usar.

– Nem sei o que é… Fora que eu tenho machucado nas duas mãos, você pode passar pra mim?

Ela para de andar e o encara, respira fundo e começa a juntar os cabelos no alto da cabeça, ela enrola todos os seus cachos volumosos e armados e prende num coque bem grande.

– E daí você me deixa em paz?

– Não. Eu sou teimoso e burro, lembra?

– Como esquecer? — ela volta a andar, agora em direção ao Jipe, chegando lá ela abre o porta malas e pega a maleta prata, abre a porta do motorista e indica com a mão — Senta ai

Ele faz como ela manda, ela põe a mala nas pernas dele e coloca o pé no pequeno degrau que tem para subir no carro, ela pega a mão dele e coloca em sua perna, abre o pote de água oxigenada e joga em cima. Bem diferente de como fez quando ele apanhou para o Merle, ela estava carinhosa naquele dia.

– Wow, isso aí arde — ele diz quase recolhendo a mão

– Que bom, significa que tá matando os germes.

Ela pega o pano e derrama álcool nele, e passa nos dedos de Daryl. Ele puxa o ar pelos dentes, arde mesmo.

– Para de reclamar, Daryl. Se queria delicadeza, pedisse à Patricia.

– Vou parar — ele se segura pra não rir, não deveria ser engraçado, mas ela nervosa é muito.

Marie pega a pomada dentro da maleta, pega um pouco nos dedos e passa com força na mão dele.

– Ai. Ai — ele murmura segurando o riso de novo

– Seja homem, Dary!

– Quer que eu seja homem? — ele aperta coxa dela com força, sua mão grande envolve boa parte da perna dela.

Ela suspira e sente o arrepio percorrer suas costas. A outra mão dele segura sua cintura e a puxa para o meio de suas pernas, ela deixa uma risada sair.

– Você riu! Tô perdoado!

– Não!

Daryl prensa sua boca contra a dela com força também, sua mão entra por baixo da camisa e chega ao fecho do sutiã e volta para o quadril, a outra mão sobe sua cintura até o seio esquerdo, que ele aperta de leve, Marie apoia as mãos nas coxas dele e intensifica o beijo.

Ele já está pronto para a erguer no braço e a levar para dentro da barraca e começar o que não deveria ter acabado quando ela se afasta.

– Você me beijou! Agora eu tô perdoado. Eu sei que eu sou burro, eu assumo isso. Mas não acredite no que eu te disse ontem. Eu tava puto com tudo.

– Hm…

– E para de falar “hm” por que uma conversa entre duas pessoas não pode ter “hm” como fala.

– Uhum — sibila séria, mas um sorriso vai aparecendo e com ele suas covinhas e as marcas ao lado dos olhos, ela começa a rir e logo está gargalhando — Você cuida da sua outra mão agora! Já sabe como faz! — ela anda de costas por uns dois metros e ai se vira.

– Espera! A gente tá tranquilo?

– Pois é — ela diz balançando um dedo acima da cabeça — Pra você ver como e não sou igual às outras!

Mas não é mesmo…

***************

Quatro. Quatro flechas novas, até que tá bom, contando que as madeiras que ele achou eram todas muito ruins para se fazer flecha. Ele as coloca na aljava e deixa em cima do tronco que ele usa como banco. Olha para o lado e vê Dale vindo

– O lance de eu vir pra cá foi pra ficar longe de vocês — Daryl diz

– Não funcionou.

– Foi a Carol que te mandou?

– Não. Ana. Elas não são as únicas preocupadas com seu novo papel no grupo.

– Eu não preciso da minha cabeça sendo analisada. O grupo tá rachado. Melhor eu cuidar de mim mesmo — ele pega a jaqueta pendurada na pedra

– E da Marie.

Daryl o olha torto, mas não dá nenhuma resposta atravessada, porque isso não deixa de ser verdade.

– Você age como se não se importasse…

Daryl veste a jaqueta — E não me importo.

– Então é viver ou morrer, não se importa com o Randall

– Não — ele diz seco

– Então fique do meu lado pra tentar salvar a vida dele, já que não se importa com isso.

– Você nem parece muito desesperado pra isso.

– Sua opinião faz diferença quanto à isso.

– Ah… Ninguém liga pra minha opinião.

– A Marie liga, Ana, Drake, Carol e eu. E obviamente tem o Rick--

– Rick só escuta o Shane! Deixa assim

– Você se importou com o que aconteceu com a Sophia, com o que ela significava para o grupo… Torturar pessoas… Você não é assim. Você é um homem decente e o Rick também. O Shane — ele hesita — É diferente.

– Porque? Porque ele matou o Otis?

– Ele te disse isso?

– Não. A história dele… O Otis deu cobertura pra ele, mas como é que a arma dele apareceu na mão dele? A Ana também sabe… E o Rick não é burro, não sacou ainda porque não quis. Como eu disse, o grupo tá rachado.

***************

– E ai… Como é que é feito? — pergunta Glenn — Só votar?

– Tem que ser unanime? — questiona Andrea

– Que tal “a maioria vence”? — sugere Lori

– A gente pode ouvir a opinião de todo mundo e ai discutir as melhores — diz Rick, se ele disse, provavelmente é isso que vai ser feito.

– Na minha opinião só tem uma opção — diz Shane

Ana concorda com a cabeça.

– Mata-lo! — Dale diz bravo

Ana concorda com a cabeça de novo, agora olhando o velho, Drake dá um tapa nela pra ela parar.

– Pra que votar né… Já dá pra saber como as coisas ficaram — Dale fala irônico

– Se alguém quer poupa-lo, eu quero saber — Rick diz ainda calmo

– É um grupo pequeno, talvez só eu e o Glenn.

– Olha só… — diz Glenn — Ele não é um de nós, já perdemos muitas pessoas, não quero arriscar isso mais uma vez.

– E você? — ele olha Drake — Concorda com isso?

Drake balança os ombros — Tanto faz, de verdade. Não muda minha vida.

– Mas não é assim que se faz! É a vida de um jovem! E ele está sendo condenado por um crime que ele pode nem tentar cometer!

– Sugere o quê? — pergunta Ana — Menores infratores que pintam parede pra se redimir com a justiça?

– Seria o certo — diz Andrea — E você sugere o quê? Por uma corrente no pé dele e deixa-lo trabalhando com escravo?

Elas não estão se entendendo desde o dia anterior, quando Andrea deixou a entender que Beth deveria ter se matado mesmo.

– Não. Eu sempre fui a favor de mata-lo. Por que eu tô pouco me fodendo se é a vida de um jovem ou de um velho. Inocente ou não, ele não é um dos nossos e não vai ser de nenhuma utilidade, ele pode estar… E provavelmente está… Mentindo. Ele não vai fazer falta e aposto que o Dale está mais preocupado com o fato de Rick matar um jovem do que um jovem ser morto pelo Rick.

O grupo pensa sobre a frase dela e Rick concorda que provavelmente é isso mesmo, e ele está do lado dela agora, como deveria ter feito desde o começo.

– Então… — ela diz — Só o Dale e a Andrea querem manter ele vivo? — ela olha em volta e quem cala consente, ela concorda — Rick?

– Farei isso hoje à noite então.

Andrea esquarteja Ana com os olhos e Ana a enforca com a força do pensamento, as duas vão embora por lados opostos. Marie e Drake se encaram, ele tem um pequeno sorriso nos lábios.

Dale ao passar por Daryl, dá um tapa no ombro dele e diz — Tem razão, esse grupo está quebrado.

***************

Drake entra no armário que Randall está e o menino se debate.

– Não! O que vocês vão fazer?

– Relaxa ai… Tua hora tá chegando.

– NÃO! O QUÊ?

– Modo de falar — Drake diz sacana, erguendo o menino pelos braços, ele o empurra — Começa a andar, vai!

Daryl, Shane e Rick já estão no celeiro quando Drake chega com o menino, ele coloca o garoto de joelhos em frente ao policial que aponta a arma para sua cabeça.

– Perai… o que tá acontecendo? O que vocês…

– Cala a boca e saboreia — Drake diz encostado numa pilastra do celeiro.

Rick destrava a arma e põe bem na testa do menino.

– Atira, pai. Atira.

Os quatro se viram e olham a porta, Carl está ali e Rick começa a tremer. Ele não pode matar um carinha na frente do seu filho. Shane vai em direção a Carl furioso.

– O que você tá fazendo aqui?! Vai embora!

Rick dá um passo pra trás — Não consigo.

Drake e Daryl se encaram putos, e ai Daryl ergue o menino.

– Deu sorte por hoje

– Não! Não me matem, eu não quero.

Daryl dá um tapa na cara do rapaz — Fica quietinho.

Ele joga o menino dentro do armário de novo e o acorrenta, é quando escuta um grito.

Marie se vira no automático com o grito, em uma fração de segundo, ela pega a faca de carne na mesa do acampamento e corre, não está nem ai se foi uma arma improvisada fraca, ela só precisa saber o que está acontecendo.

Todos correm junto com ela, mas ela é mais rápida, logo ultrapassa todo mundo.

Daryl retira a faca da cabeça do errante e se vira para o ferido, ele sabe que já não tem o que fazer.

– Aguenta firma, cara! Aqui! AJUDA!

Ele vê primeiro a Marie, depois o Drake e bem atrás dele o restante do grupo.

Marie vai parando aos poucos quando começa a ver o vermelho do sangue e ai ela para por completo.

– Dale…

Ela dá uma rápida examinada, ele não vai viver. Sua barriga fora aberta pelo errante agora morto, seu intestino está amostra e ele já perdeu muito sangue, e mesmo se não tivesse perdido sangue algum, seria impossível salvá-lo… Ela encara Daryl com água nos olhos.

Andrea e joga ao lado de Dale — Calma, calma, você vai ficar bem!

– Hershel! — grita Rick — Precisamos do Hershel!

Hershel chega no mesmo instante.

– Ele precisa de sangue, vamos leva-lo.

– Não — diz Hershel — Ele não vai sobreviver até lá

– Vai ter que operar aqui mesmo!

– Rick… — Hershel toca o ombro do colega e balança a cabeça

– Não! Não! — ele vira de costas e cobre os olhos.

Ana entra em choque agora, ela está vidrada na cena e sua frase de mais cedo vem à sua cabeça.

“Por que eu tô pouco me fodendo se é a vida de um jovem ou de um velho”

Como ela queria agora um tapa na boca da sua mãe. Um tapa bem dado, que a fizesse parar de falar de uma vez por todas.

Dale a olha, os olhos suplicando a morte agora. Os lábios dela tremem.

– Ele tá sofrendo! — ela grita — Faz alguma coisa! Por favor!

O grupo se afasta alguns passos, ninguém quer fazer aquilo. Mas Rick dá um passo a frente e aponta sua arma para a cabeça dele, o olhar de Dale é de suplica e sofrimento, Rick treme e vê sua arma sendo pega por outra pessoa. Daryl.

Daryl aponta a arma para Dale

– Desculpa, irmão.

Todos fecham os olhos quando a arma estoura.

Notas finais
R.I.P Dale :'( E para a alegria de quem shippa Marie e Daryl, eles se acertaram. Gente, não tenho nome pra esse casal ainda! Me ajudem.