As Heroínas do Apocalipse
23 Nem tudo que vem é pelo bem
Notas iniciais
Carol, Becky e Rick | Beco - Hospital.
Eram quase meio dia, e aquele sol de agosto castigava qualquer um que saísse. O suor escorria por suas testas, e estavam ficando cada vez mais ofegantes naquele pequeno beco. Foi naquele momento em que Carol percebeu que Rick estava soluçando, e também estava febril. Aquilo a deixou realmente preocupada, até que sem avisos, ela derrubou a enorme barra que separava eles dos zumbis.
– Vamos lá, não temos muito tempo! — Carol gritou enquanto pegava seu arco e flecha, deixando-os pendurados nas costas, e carregando a arma de Becky.– O que você está fazendo? — Perguntou Becky, colocando as mãos no rosto. — Você quer nos matar? – Não, mas se ficarmos aqui o menino morre. Então, faça o favor de pega-lo no colo, enquanto eu vou matando todos que aparecerem na nossa frente. — Carol fez uma pausa, olhando nos olhos da amiga. — Ou será que você prefere ficar e morrer, junto com o menino? Ele está em estado crítico!Becky concordou com a cabeça e o pegou no colo. Rick parecia um cadáver, não tinha mais controle sobre seu corpo. E estava começando a delirar. Carol deixou Becky ir na frente, para dar cobertura, caso alguma manada resolvesse aparecer.– O que fazemos agora? — Perguntou Becky, que estava no meio da rua, ofegante.Carol viu que uns 15 zumbis — ou poderia ser mais, pois ela estava cansada, com fome, e aquele calor realmente estava a punindo — estavam vindo em sua direção. Cada "Grrrrrrrr!" era uma esperança a menos, até que ela entrou em pânico.– Corre, Rebecca! Antes que eles nos alcancem! — Gritou Carol com os olhos arregalados e com a arma em mãos.Becky obedeceu, mas Carol conseguiu ser mais rápida que ela, por conta do garoto que ela estava carregando. Desde que o conhecia, ela nunca tinha percebido que tinha emagrecido tanto, mas Rick estava esquelético. Era realmente assustador. Estavam no meio do caminho, e Carol só tinha usado a arma umas duas ou três vezes, até que Becky se jogou no chão, caindo com o menino em cima dela.– Você está louca? Vamos, só falta pouco agora! Para de ser molenga, Rebecca.– Carregue esse menino, por que eu não aguento mais.– Se você soubesse atirar, até que eu carregaria, mas nem pra isso! – Xiu! — Becky falou, olhando atentamente para os lados.– Cala boca você, ridícula. Só eu que estou me ferrando aqui, e você acha que eu gosto disso? NÃO!– Carol gritou, até que ouviu uns "Grrrrrr!" bem próximos. – Temos companhia. — Falou Rick entre tosses, e depois sorriu. Carol jogou a arma na mão de Becky, que agora estava se levantando. E pegou uma flecha, como se fosse uma arma, Becky achou aquilo estranho, mas resolveu que não ia perguntar nada, afinal, Carol lidava com isso a mais de anos. O primeiro zumbi apareceu, e antes que pudesse dar um tiro certeiro no meio de sua cabeça, Carol pulou nesse e fincou a flecha em sua cabeça. Depois do baque do zumbi no chão, ela usou a mesma flecha e abriu a barriga dele.– O que eu vou fazer agora é bem nojento... — Carol fez careta enquanto enfiava as mãos na barriga do morto, e remexia dentro.– Pode fazer, esse é o preço pra vivermos, não é? — Becky fechou os olhos e esperou de braços abertos, largando a arma no chão.Carol lançou um grude em sua cara, e o cheiro a deixou atordoada. Depois, fez o mesmo com Rick, e quando chegou sua vez, os "grrr!" estavam ficando mais altos, estavam chegando mais perto, até que ela paralisou. – Faça logo, Caroline! — Gritou Becky, enquanto pegava a arma do chão, e carregava Rick. Ela enfiou sua cabeça dentro daquela barriga gosmenta, e depois disso, pegou o resto de líquido que sobrava lá e passou no resto do corpo. – Agora podemos ir. Mas vamos logo, antes que eu vomite. — Disse Carol, com nojo.O sol os ajudou, fixando mais ainda o sangue em seus corpos. Era como uma segunda pele, e cada vez que Carol pensava nisso, se sentia enjoada. Elas finalmente avistaram o hospital, e com Rick desacordado em seus braços, Becky fez o possível para tentar atirar um zumbi, o que foi em vão e acabou atraindo todos os outros em sua direção.– Não falei que você era ruim de mira?! — Disse Carol, enquanto tentava montar um plano pra conseguir sair daquele pesadelo. – O que vamos fazer agora?– Me dê o menino, e mate todos que conseguir, e se você errar, eu juro, eu serei a última pessoa que você verá neste mundo. — Carol olhou no fundo de seus olhos. — Então, por favor não erre.Becky assentiu e entregou o garoto nas mãos de Carol, que logo deixou no chão. Pegando seu arco e suas flechas para ajudar a amiga, e para sobreviver.Becky correu o mais rápido que podia, até que acenou para Carol, que de longe parecia que era ruiva, e tinha feito californianas. Sua aparência estava horrível, e isso fez ela pensar na vaidade que sua amiga tinha, e tinha abandonado tudo isso pelo simples fato de poder sobreviver.Carol guardou suas coisas e recolheu todas as suas flechas, pegou o garoto no colo, que mais parecia um cadáver e correu pra porta do hospital.– Você está bem? — Carol perguntou enquanto corria, ofegante.– Eu não, mas com certeza Sam está.– Do que você está falando?– De você ser uma tonta, ele com certeza está com outra. Ninguém iria querer alguém como você. Afinal, ninguém é tão tonto assim! — Uma longa pausa. — Lindsay, você não nasceu pra ser feliz.
Pensando naquelas palavras que o menino lhe dissera, ela correu o mais rápido que podia, e finalmente chegou no hospital. Ela jogou o menino no chão, e Becky arregalou os olhos pra ela.– O que foi que você fez?– Ele falou coisas absurdas pra mim! Vamos matá-lo! — Carol pegou uma flecha e a posicionou em seu arco.Becky entrou na frente dele.– Você não vai fazer isso! – Por que não?– Carol, ele está delirando... Trate de salva-lo, depois, você pode fazer o que quiser com ele, mas, por favor, o salve!– Mamãe.. — Rick sussurrou para Becky.– Por favor, Caroline. — Suplicou Becky. — Faça isso por Lilly; Sam; Lia; e até por mim.Carol concordou com a cabeça.– Mas lembre-se que eu vou fazer isso por eles, não por você e por sua misericórdia infinita! — Disse Carol enquanto jogava sua arma no chão.– Obrigada. — Sussurrou Becky, com o menino em seu colo.Aquela visão fez com que Carol tivesse calafrios, mas ela tinha que salva-lo. Afinal, ela concordou.
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