As Heroínas do Apocalipse
18 A verdade sobre Camp
No momento em que Sam disse aquilo, o coração de Lilly gelou. Já não haviam muitas pessoas, e agora eles queriam se matar por causa de um menino? Um menino doente? Eles só podem estar de zoeira com a minha cara, pensou Lilly.
– Como quiser. — Falou Spencer. – Não! Matança aqui não! Senhores Sean, vamos ser civilizados, por favor. — Lilly tentou acalmar.– Civilizados? Caso você não percebeu começou o apocalipse! — Gritou Spencer.Carol ergueu o dedo indicativo, e os olhos azuis dela penetraram nos de David. Ele é mais durão, ele deve falar algo se estiver sobre pressão, pensou Carol. – David, me conte, o que Rick fez? Se você falar, nós devolvemos ele pra vocês, eu juro!– Traidora... — Rick falou com a voz rouca, e estava ainda com os olhos fechados.Aquela imagem era de partir o coração, observou Lia. Lia queria atirar nos irmãos e acabar logo com aquela palhaçada, mas pensou melhor, e se Rick tivesse feito uma coisa muito grave mesmo pra que eles perdessem seu tempo para procura-lo? Até para mata-lo eles se ofereceram, então, ou Rick fez uma coisa muito ruim ou ninguém gosta dele, raciocinou Lia.– Ele fez uma coisa muito ruim, Carol. — Falou David.– Pra você é Caroline. Que tipo de coisa ruim? Hein David? — Falou Carol com a voz mansa, um pouco sensual. Quem sabe um pouco de charme resolveria toda aquela bagunça?Enquanto Carol estava distraindo David, Becky foi pro lado de Rick com uma concha na mão, e o menino bebeu um gole da sopa, ele abriu os olhos e olhou diretamente pros olhos dela.– Você me lembra minha mãe. — Sussurrou ele.– Vamos salvar você. — Becky sussurrou de volta, e quando voltou a olhar os irmãos, Spencer estava mirando bem em sua cabeça.– Não acredito que eu tenha que matar uma jovem tão bonita assim... — Spencer falou, analisando bem o corpo escultural de Becky.– Você não precisa fazer isso cara. Pensa bem. — Sam tentou argumentar, na esperança que poderia salvar sua amiga.– Cala boca, eu não falei com você. — Spencer olhou para Sam, e depois voltou a olhar para Becky. — Quais são suas últimas palavras, moça? – Primeiramente, o nome dela é Rebecca Roberts. E o segundo, ninguém vai morrer aqui além de vocês. — Disse Lia, tirando a AK-47 de suas costas para que os irmãos pudessem ver. — Estão vendo isso daqui? — Eles assentiram com a cabeça, os olhos demonstravam puro medo. — Então, o nome dessa belezinha é Avtomat Kalashnikova obraztsa 1947 goda, mas vocês devem a conhecer como AK-47, quando eu era criança, sonhava em ter uma arma como esta, e aqui estou. Com apenas um disparo, eu acerto a cabeça de vocês e faço com que seus miolos fiquem aí grudados na parede, apesar de ser um pouco nojento, eu gosto. Antes de matar vocês, eu peço para que meus amigos amarrem vocês, pra que assim eu possa torturar vocês. Olhem pelo lado bom, vai ser divertido! Já matei várias pessoas assim, vocês nunca ouviram falar da famosa família Northmann? – D-d-do famoso advogado Northmann? — Perguntou David, já gaguejando, provando que estava com medo.– Esse mesmo! Ele é meu pai. Olha, como eu achei vocês bonitinhos, vou dar três segundos para que vocês possam sair daqui... Caso o contrário, eu mato vocês. — Falou Lia num tom agressivo e obsessivo. Como se aquilo fosse verdade. — Estamos entendidos, meninos? Eles afirmaram com a cabeça.– Ótimo! Vocês tem exatamente três segundos. — Ela começou a mirar em Spencer. — Um, dois... Os dois correram o mais rápido que podiam, os passos que antes eram pesados e firmes, agora eram rápidos e leves. O som de seus pés foram sumindo naquela escuridão que estava formando. Lilly olhou para Carol e a abraçou com todas as forças, depois disso, Lilly e Carol voltaram a encarar Lia.Sam olhou para a cara de Lia e começou a rir logo após de lhe dar um abraço. – Onde conseguiu essas idéias malucas? – Sua namorada, Carol. Ela só me falava desses loucos, e eu peguei uma parte. — Lia sorriu. Carol e Lilly deram um abraço duplo em Lia, e depois do abraço, Sam olhou para Carol com a felicidade em seus olhos. – Verdade que foi você que ensinou tudo isso pra Lia? — Carol assentiu com a cabeça. — Você não vai me matar, como disse, não é? Sam nem esperou que Carol respondesse e logo a abraçou, e aquela foi uma sensação tão boa que os dois poderiam ficar abraçados pelo resto de suas vidas.– Eu quase perdi você, não quero ficar sem você. — Sam sussurrou no ouvido de Carol, para que só ela pudesse ouvir.– Eu também não quero ficar sem você. Seria um castigo. — Carol sussurrou de volta.Lia e Lilly conversavam de como os irmãos eram bonitos, até que perceberam que alguém estava faltando: Becky. Becky estava dando sopa pra Rick, e quando percebeu que todos estavam olhando pra ela, ela disse:– Alguém tem que cuidar do menino, né? – Mas que diabos ele fez pra merecer morrer? — Perguntou Carol.– Eu matei. — Sussurrou Rick, com a voz quase irreconhecível de tão rouca que estava.
– O que você fez, muleque? — Perguntou Lia, com o maxilar tenso.
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