As Heroínas do Apocalipse
12 Antes morta do que virar zumbi
Todos ouviam rosnados de zumbis, eles estavam se aproximando. Parecia que quanto mais ficavam com medo, mais saboroso o sabor ficava. Todos já sabiam o que estavam por vir; o que tinham de enfrentar para sobreviver. Carol e Sam estavam um de costas pro outro, todos estavam em silêncio, em posição de ataque.
– Sério que você iria ficar por minha causa? — Sam falou tão baixo, que só Carol conseguiu ouvir. Ela arqueou as sobrancelhas. – Não, agora foque no inimigo. Você não vai ajudar muito se estiver morto. — Carol sussurrou enquanto arqueava a sobrancelha, e olhava para Lia, como se estivessem num quartel militar.– Eu gosto realmente de você. — Sam falou num tom de sussurro, no qual Lia ouviu e deixou escapar um riso.Lilly fez sinal com a mão para calarem a boca, e eles obedeceram. Os rosnados estavam ficando cada vez mais fortes, até que de um em um, o bando de zumbis foram aparecendo na fortaleza que eles haviam construído. – Morram como covardes, ou tentando. Qual opção vocês preferem? — Lilly falou sem dar tempo pra resposta. — FOGO!Só se ouvia barulhos de balas perfurando a cabeça de seus inimigos, e o barulho de espada enlouquecido que vinha de Lilly. Becky e Lia estavam com muita munição; poderiam ficar a tarde inteira atirando, mas as flechas de Carol já se foram. O suor pingava em sua nuca até molhar seu cabelos dourados, ela estava realmente nervosa, até que começou a olhar pros lados em busca de apoio; quem sabe até de uma ajuda. Mas todos estavam realmente ocupados, tentando sobreviver naquele caus. Um zumbi veio pra cima de Carol, Lilly tinha percebido isso antes e conseguiu detê-lo. – Obrigada, irmãzinha. — Sussurrou Carol, enquanto colocava as mechas de seu cabelo atrás da orelha para abaixar a pegar suas flechas que estavam na cabeça dos zumbis que ela tinha acertado.– De nada, eu te dou cobertura, mas vê se acelera aí, por que eu não posso proteger nós duas ao mesmo tempo! — Lilly falou, quase num berro.Proteger. Essa palavra lembrava a promessa que Lilly fez a seu pai antes de partir. Na verdade, ela poderia proteger Carol, mas assim ela morreria. Morreria como uma heroína, honrando sua palavra. Eles conseguiram matar todos, e eles se entreolharam, orgulhosos pelo que tinham feito, até que no meio daquela troca de sorrisos, ouviram alguém gritar. Era Melissa. Sua pele estava branca, transparecendo medo e terror, e ninguém sabia o por quê disso, até olharem pro braço dela. Ela foi mordida. Sam correu em direção á ela, com lágrimas nos olhos, ele a segurou entre os braços e começou a sussurrar:– Não aqui, não agora, por favor meu Deus... Melissa deu um meio sorriso, e Lia foi ao lado dela.– Que ironia, não? Minha pior rival do meu lado. — Melissa tossiu e continuou a falar. — Me matem, eu imploro. – Não, todo mundo aqui é importante, e mesmo que você me odeie, eu me importo com você. Nós vamos salvar você, Melissa. — A medida que Lia foi falando, Melissa começou a dar um riso irônico enquanto Sam tentava descobrir o por quê disso. Por que agora?– Eu só queria falar pro Gregory, que se um dia ele pensar em namorar de novo, eu quero que seja com a Nathalie. — Gregory concordou com a cabeça, com os olhos vermelhos. — Vocês dariam um ótimo casal. Eu não tenho nada contra você ou com a Carol, é aquilo que o Sam disse: vocês são melhores que nós, eu queria ser como vocês, mas eu nasci assim. — Melissa disse com lágrimas nos olhos. – Eu não vou deixar você morrer, não posso! — Sam disse entre as lágrimas. Melissa começou a passar a mão em seu rosto, e Becky assistia tudo aquilo, assustada. Lilly sabia muito bem o que Sam estava sentindo: necessidade de cuidar da sua irmã mais nova. Ela também sentia isso em relação com Carol, o choro estava em sua garganta, mas ela conseguiu disfarçar com uma tosse. Carol passou a mão nos ombros de Lilly, e ela deu um meio sorriso. Ninguém merecia morrer assim, nem mesmo Melissa. Melissa olhou para Lilly, e o seu olhar fez com que Lilly congelasse. – Lilly Bloomwood, eu lhe peço, atire em mim. Pare com esse sofrimento. Por favor, líder. – Você não pode pedir pra ela te matar, Melissa! Não pode! Você está ficando louca? — Sam falou.– Por que você acha que minha vida vale mais que a sua? Eu quero acabar com o meu sofrimento. Pra você é fácil falar, não é você que está passando isso. Tente me entender, Sam. Pelo menos uma vez na vida. — Melissa falou e começou a chorar.– Tudo bem, eu faço. — Lilly concordou, em torno de seus olhos verdes estavam vermelhos, ela ia chorar a qualquer momento. – Você não pode, Lilly. — Sussurrou Carol em seu ouvido. – Eu quero que seja assim. — Melissa falou. Becky olhava com uma cara de pavor, enquanto Lia estava do lado de Melissa, concordando no que ela dizia, e pela primeira vez na vida, as irmãs Bloom viram Lia chorar. Sam apoiou Melissa de um lado, enquanto Lia apoiava de outro. Melissa dispensou a ajuda dos dois quando viu que poderia se manter sozinha. Ela sorriu pra Lilly. Lilly pegou a arma de Lia.
– Bem, é hora do show. — Disse Melissa. — Faça com que isso seja rápido, e que eu nem sinta a dor do disparo, ok? Lilly concordou com a cabeça, antes de atirar ela olhou em sua volta e estavam todos chorando, até Carol que tinha brigado com ela. Num único tiro, a bala foi de encontro com sua cabeça e o corpo caiu. Lilly começou a chorar, e Carol a abraçou. Enquanto Lia e Sam iam no corpo de Melissa.– Eu não quero te perder assim, não quero.. — Sussurrava Lilly no ouvido de Carol.
Fale com o autor