As Férias Da Fairy Tail
36 Cap. 32 - Negro
Notas iniciais
Lá estava ele. Sozinho.
Como em tantas outras vezes. Via-se sem esperanças, sem forças, com a certeza da derrota, mas a única coisa com a qual se importava era a presença de Lissana. Ainda não concebia as palavras que dissera a albina naquela manhã, limitando tudo o que viveram a mera atuação. Transformando-se no vilão da história.
Ele estava cansado. Cansado de lutar, cansado de resistir, cansado de viver, cansado de ser o vilão da história. Fairy Tail o impressionou de várias formas, a força, os laços, a amizade, mas principalmente a vontade de viver que eles tinham. A vontade de prosseguir e a força para fazê-lo.
Rogue não conhecia nada disso e, agora, diante daquela que poderia vir a ser o amor da sua vida, ele se via como o lixo que era.
Humilhante? Talvez sim, isso porque os golpes dos três poderosíssimos magos a sua frente ainda não o atingiram. Naquele momento, ele sentia vergonha de existir, porque sua existência só causava sofrimento.
— Por favor, não façam isso! — a voz de Lissana ecoou pelo corredor, fazendo o moreno sentir-se ainda pior, depois de tudo o que ele tinha feito, ela ainda era capaz de defendê-lo, ainda era capaz de amá-lo.
— Dá um jeito na sua irmãzinha, Elfman. — entoou Laxus, impaciente — Nós não temos tempo pra paixão adolescente.
— Elf... Por favor... Não faça isso... — Lissana pediu, em vão. Os olhos do irmão brilhavam de ódio, ele nunca compreenderia os motivos de Lissana de querer defender o moreno, especialmente depois de tudo que ele fez.
— Não se intrometa, Lis. Isso é coisa de homem. — ele disse, voltando-se para Freed que assentiu antes de envolver a albina com suas runas, obrigando-a a permanecer parada.
— Vamos acabar logo com isso — o esverdeado disse, antes de sorrir com extrema frieza.
Os três se entreolharam e a decisão foi instantânea. Não sabiam como aquilo acabaria, mas pouco se importavam, afinal, era Rogue quem iria sofrer. O que Freed disse anteriormente era uma promessa, o moreno apanharia pelos dois.
Elfman materializou-se como um escorpião o que pareceu um pouco inútil a Rogue que sentiu-se aliviado. Mas a sensação não durou muito tempo quando Laxus posicionou-se sorrindo antes de esbravejar “Rairyū no Hōkō” simultaneamente com Freed que lançava-lhe poderosas runas e Elf liberava o veneno.
Lissana logo percebeu o que os três planejavam e, embora incerta quanto a execução do golpe, desesperou-se com o que viria a seguir. Se apenas um mago era poderoso, imagine três, ainda mais quando eles atacam juntos. O resultado seria desastroso, como Gray e Juvia um dia fizeram, ao invocar Unison Raid. Dessa vez, no entanto, a magia era compartilhada por três magos poderosos.
Ele não vai sobreviver, ela pensou, desesperando-se aos poucos. “Eu tenho que impedir. Eu preciso impedir”, seus órbes tremiam enquanto o cérebro trabalhava numa maneira possível de interromper o inevitável. “Ele não conseguir... Ele... Eu...”.
— PAREM! — a voz de Lissana soou mais grossa e certa do que nunca. Os três magos olhavam-na com surpresa e preocupação. Ela conseguira se libertar das runas e agora estava na frente de Rogue, com os braços abertos e olhar determinado. Freed não poderia imaginar, ninguém poderia imaginar, nunca haviam conseguido escapar de suas runas antes, nem mesmo os mais fortes.
Mas ali, materializado naquele frágil corpo feminino, habitava uma das forças mais poderosas e misteriosas do universo, ali, em Lissana, habitava o mais puro amor. E só ele foi o suficiente para liberta-la.
Mas era tarde, a magia havia sido lançada. Rogue fora atingido. Lissana também.
E tudo ficou negro.
FFT
Natsu tropeçava mais que corria, mas negava-se a parar. Ele nunca ia parar. Não iria desistir de secar aquelas lágrimas. Ele não iria desistir daquele sorriso.
— LUCEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! — gritava enquanto desbrajava a mata que outrora pareceu mil vezes menor. Mas a distância não importava, na verdade, a distância o fazia ir cada vez mais rápido ele sabia que quanto mais demorasse, mais ela choraria.
Ele não admitiria que ela continuasse chorando. Não mais, não agora.
Agora ele estava ali.
A praia estava vazia, as ondas batiam silenciosas quase que respeitando o sofrimento da única pessoa ali presente. Ele não demorou a notá-la, Lucy estava exatamente onde ele imaginou, sentada na areia branca da praia onde mais cedo eles trocaram juras de amor.
Calou-se quando a viu e, embora ainda estivessem a uma distância considerável ele podia ouvi-la chorar. As vezes, Natsu julgava sua audição apurada de Dragon Slayer como uma maldição. Sentiu-se mal por ela.
Lucy estava sempre sorrindo... Sempre sorrindo... E eu cheguei e...
Eu estraguei tudo.
Natsu desejou aos céus que Lucy melhorasse o mais rápido possível antes de virar-se para ir embora. Decidira que o melhor para Lucy, aliás, o melhor para todos seria que ele não estivesse mais ali. Chamaria Levy, diria onde a loira estava e iria embora, para sempre.
— Aquele idiota... — escutou a voz da maga celestial, em meio a soluços — E o pior é que tudo que eu queria é que ele estivesse aqui...
— E eu estou — ele completou, sentando-se ao seu lado
— Na-Natsu! — ela surpreendeu-se — Há quanto tempo você está aqui?
— Eu acabei de chegar — ele respondeu, deitando-se na areia, com os braços por trás da cabeça — Por que? Estava falando mal de mim? — ele brincou e ela riu, sem graça
— E eu estaria errada se estivesse? — retrucou, em tom de brincadeira, mas é como dizem, toda brincadeira tem um fundo de verdade
Natsu sorriu e ela duvidou que ele realmente tivesse entendido a indireta. Natsu as vezes é tão lento!
— Eu estava quase indo embora agora, Lucy — ele disse — Mas a sua voz me fez ficar. — sentou-se novamente e pegando sua mão, emendou — Eu prometo que nunca mais vou fazer você chorar. Eu te amo. Muito.
— Eu também te a— ela interrompeu-se, desviando o olhar — Não posso fazer isso com você, Natsu... — disse, confundindo o rosado — Eu não posso continuar mentindo...
Ele a observava preocupado. Do que a loira poderia estar falando? Como assim continuar mentindo?
Ela, por outro lado, só conseguia lembrar de Sting e do que fizeram. Martirizava-se ao pensar no loiro. Ela não era digna daquelas palavras. Não era digna do amor de Natsu.
— Do... Do que você está falando? — o rosado perguntou, mesmo temendo a resposta.
Lucy o encarou, não sabia como contar o que fizera, mas sabia que devia. Natsu merecia uma resposta, merecia uma justificativa. Os olhos castanhos do rosado brilhavam em ansiedade e medo enquanto focalizava a loira desnorteada.
— Eu... — ela começou, olhando para baixo — Eu... — interrompeu-se novamente, deixando uma lágrima escapar. Natsu levantou seu queixo, secou a lágrima com o polegar e pôs-se a acariciar-lhe a bochecha.
— Nada que você disser agora vai mudar o que eu sinto por você. Você pode me contar qualquer coisa. Eu sempre estarei com vo-
— EU E STING NOS BEIJAMOS — as palavras saíram e a expressão de Natsu mudou abrupdamente, ele retirou a mão do rosto dela e levou ao próprio queixo, numa expressão pensativa.
Uma lágrima escorreu do seu olho direito e Lucy sentiu-se a pior pessoa do universo.
— Então... — ele começou, evitando olhar a loira — Acho que só há uma pergunta a ser feita... — emendou, assustando-a, o que viria a seguir? O que ele diria? Será que estava com raiva? Será que sentia-se irado? Ela podia jurar que sim, mas a expressão do rosado se mostrava tão... abatida, deprimida. O que ela fizera? Como ela conseguiu fazer Natsu, o tão alegre Natsu, desfazer-se em mágoa e tristeza?
— Pode falar — ela disse, quando conseguiu reunir toda a força que ainda restava em seu ser. Era agora. Ele iria destruí-la. E o pior é que ela sabia que merecia aquilo.
— Então... Ele beija melhor que eu? — perguntou, sorrindo. Deixando Lucy confusa.
— O-o que?
— O que você ouviu, Luce: ele beija melhor que eu? — Natsu tornou e Lucy passou a pensar que ele só podia estar tirando uma com a cara dele.
— Não, mas...
— Então tá resolvido. — ele sorriu, deitando-se novamente na areia quente, parecendo tranquilo.
— Você não está chateado? — ela perguntou, incrédula
— Por que eu estaria? — tornou — Eu prometi pra você que o que você dissesse não iria mudar nada. E não vai — ele sorriu — A menos que... você não tá pensando em fazer isso de novo, está?
— É CLARO QUE NÃO! — ela gritou em resposta, ainda tentando entender como a mente do dragonslayer funcionava.
— Então, Luce. Então estamos bem — retrucou e, voltando-se para ela, disse — Eu te amo, Heartfilia. E nada vai mudar isso.
— Eu também te amo, Dragneel. — sorriu, deitando-se ao seu lado — Desculpe ter feito aquilo.
— Desculpe tê-la deixado sozinha tantas vezes. Eu nunca mais farei isso.
Ela sorriu novamente e ele a trouxe para perto, selando o contrato à moda antiga: com um beijo de amor verdadeiro.
FFT
*Lissana pov’s on*
Abri os olhos, mas era como se não o tivesse feito. Tudo ao meu redor era penumbra. Perguntei-me como fui parar ali. Perguntei-me onde seria ali. Olhei ao redor: tudo negro. Não havia chão ou céu, paredes ou limites era tudo interminavelmente negro, como se eu flutuasse no abstrato.
Uma voz familiar rompeu o silêncio:
“Bem vindo ao seu pior pesadelo, Rogue”.
Era a voz de Freed, não demorei muito para reconhecer. Mas por que ele estaria aqui? Eu não sentia sua presença, não havia mais ninguém ao meu redor, como a sua voz estava aqui?
Lembrei-me do que acontecera anteriormente, Elf estava como um escorpião, Laxus lançou-lhe uma rajada de raios e Freed suas runas. Magia em conjunto. Esse era o resultado. Eu também fui atingida.
Será que vou ficar aqui para sempre?
O que é aqui?
“Esperamos que você goste.”
A voz tornou e, com ela, paredes de madeira materializaram-se ao meu redor, uma pequena mesa surgiu a minha frente e sentada numa cadeira havia uma senhora que parecia estar tricotando.
— A-ano... A senhora sabe me dizer o que está acontecendo? — perguntei, mas não tive resposta.
— Jiji-san — um pequeno menino que aparentava ter 6 anos entrou correndo no cômodo — Lá fora... As pessoas estão dizendo... Jiji-san! — ele esbravejou percebendo que ela não lhe dava a devida atenção
— Fala logo, não tá vendo que eu to ocupada? — respondeu, ríspida e eu me senti mal pelo menino
— Eles estão dizendo que a fábrica desabou, Jiji-san! A fábrica que a mamãe trabalha! — ele disse, alarmado e a senhora deu de ombros — Jiji-san! A mamãe... A MAMÃE MORREU!
A notícia fez a senhora colocar o tricot sobre a mesa e encarar o garoto. Eu imaginei que ela iria abraça-lo, mas ela sorriu.
— Finalmente — disse, levantando-se — Vamos, saia daqui!
— Mas Jiji-san — o menino protestou, segurando na saia da senhora que rosnou, atirando-o para longe
— Não me chame assim. Agora que a mulher se foi, não tenho mais porquê cuidar de você.
— Mas...
— Apenas suma. Eu tenho mais o que fazer.
A frieza do tratamento me deixou perplexa e ainda mais confusa. Quem era aquele menino? Aquela cena era real? O que estava acontecendo? O que eu estou fazendo aqui?
Um choro tirou-me desses pensamentos. O menino tinha sentado na cadeira que outrora fora ocupado pela senhora, levou as mãos a cabeça e começou a chorar como a criança que era.
— Ei... — eu disse, me aproximando — Sua mãe está num lugar melhor agora... Eu tenho certeza que ela não ia gostar de te ver chorando... Vamos, eu vou te levar para um lugar maravilhoso onde você vai fazer muitos amigos e aprender a fazer até magia!
Ele continuou imóvel, chorando, fingindo não me ouvir.
— Chama-se Fairy Tail, é uma guilda de magos não muito longe daqui. Lá somos uma família. Você nunca mais vai se sentir sozinho...
Ele estaria mesmo fingindo não me ouvir?
— Vem comigo — eu disse e tentei segurar sua mão, mas não havia matéria. Era como se toda a cena estivesse sendo projetada na minha frente.
Era oficial, eu não estava ali.
Eu percebi, o menino que chorava era Rogue, aquele era seu insconsciente. A magia o faria viver e sofrer suas piores lembranças e eu o acompanharia nessa jornada.
Novamente, tudo ficou negro.
*Lissana pov’s off*
FFT
“Nós enfeitiçamos seu namoradinho, você sabia?” as palavras ecoaram na mente de Gajeel “Por isso que ele quer sair da Guilda.”
“Nós enfeitiçamos seu namoradinho... Enfeitiçamos seu namoradinho... Enfeitiçamos...”
— Como é que é? — Gajeel disse, quando notou que quem estava ao seu lado não era a baixinha de nariz arrebitado a quem tanto amava, mas sim Ami. — Eu... Eu... Não acredito! Como você pôde? — perguntou empurrando-a para longe
— O Sting... Ele me-
O resto da resposta foi deixada no ar enquanto Gajeel corria desesperado pelo hotel, atrás da única que poderia fazê-lo verdadeiramente feliz.
Minutos que mais pareciam horas se passaram e nada daquele pingo de gente surgir, só faltava um lugar e, quando o dragonslayer se lembrou dele, sentiu-se estúpido por não ter ido até lá primeiro.
— Levy! — esbravejou tão logo sendo repreendido pela bibliotecária local. — O que você está fazendo aqui? Eu te procurei por toda parte!
A maga, que segurava um grosso livro de magias antigas, não parecia estar ali. Seus olhos estavam negros e sua áurea assustadora. As madeixas azuis flutuavam quando sua boca mexeu, quase que automaticamente e uma voz sombria surgiu:
— O amor não resistirá, porque não é amor, nunca foi. A ilusão é forte, porém acaba, há uma data. Por isso se chama desilusão. Não há sentimento. Nem haverá. Nunca houve.
Fale com o autor