Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS FINAIS.


No dia em que eu cheguei ao acampamento, estava maravilhada. Era grande, legal, e parecia verdadeiramente um lar.

O chalé de Hermes era grande, mas com tantas pessoas juntas parecia ser menor, as pessoas de lá eram simpáticas. Eu nunca fui sociável, virei amiga de Jessie por culpa de um acidente, ele derramou refrigerante de uva na minha blusa!

Fiquei com muita raiva dele, fazia de tudo pra ele passar vergonha, assim como eu passei. E ele sempre estava com aquela garota loira. Até que um dia ele me pediu desculpas, não que ele não tenha pedido antes, mas ele tocou uma música pra mim, naquela flauta. A garota, que descobrir chamar Marina, cantou enquanto ele tocava, eu dei boas risadas, mas eu adorei.

As pessoas ali me olhavam disfarçadamente, ou algumas, como as filhas de Afrodite nem disfarçavam. Eu sei, era por causa das minhas roupas, um jeans preto e rasgado, uma blusa preta e vermelha do Metallica, e um coturno preto, meus olhos estavam esfumaçados e completamente contornados de preto, o meu batom vermelho chama atenção, ficava em contraste com meu cabelo preto. Dizem que numa primeira impressão meus olhos parecem negros, mas na verdade eles são verdes.

Jessie me mostrava o lugar, ele era realmente bonito, admito que já tive uma queda por ele, mas isso passou pra mim ele é como um irmão mais velho. Olhar pra ele me fazia lembrar a escola, o que me fazia lembrar-se de Mar, como eu sinto falta dela, das suas piadas que não tinham graça, da sua lerdeza, do seu sorriso descontraído, até daquele jeito sarcástico e irônico dela. Como eu sinto falta.

No jantar, um dos filhos de Hermes me explicou que tínhamos que oferecer um pouco da comida para nossos pais divinos, eu não sabia quem era o meu. Fui lá, percebi algumas pessoas me olhando, retribuía o olhar friamente, eles voltavam a fazer aquilo que faziam antes.

–Oi, ainda somos amigos, certo? -Afirme com a cabeça e olhei pra Jessie. -Daqui a alguns dias vou buscar novos semideuses... Um deles é a Marina.

Me engasguei com minha própria saliva, arregalei os olhos e dei um enorme sorriso, abracei ele e óbvio que todos pararam pra olhar. Esse povo não tem vida, não?

–O que foi seus bando de idiotas? Tão olhando o que? Uma garota não pode abraçar seu melhor amigo sátiro?

Disse olhando pra eles com raiva, alguns voltaram a conversar mas o resto ainda olhava pra mim, não entendi o porquê. Até Jessie falar, e eu perceber que me corpo estava rodeado de uma luz negra.

–CONTEMPLEM CHARLOTTE, FILHA DE HADES, DEUS DO MUNDO INFERIOR E DOS MORTOS.

Abri a boca surpresa, Jessie me puxou até uma mesa com um garoto estranho de cabeça baixa, pele pálida, cabelos negros e roupas mais negras ainda. Percebi logo que era meu irmão.

–Nico.

O garoto olhou para cima, seus olhos quase negros, sabe quando você olha pro céu e pensa que é tudo preto? Mas você percebe que pode ser roxo, ou azul, você nunca sabe ao certo. Os olhos dele eram dessa cor. Eram infinitos, daqueles que te prendem no olhar.

–Essa é Charlotte Evans, sua meia-irmã. Filha de Hades e Sarah Evans. Charlotte esse é Nico Di Angelo, filho de Hades e Maria di Angelo. E a partir de agora, você terá que se sentar aqui. -Dei um olhar alarmada pra Jessie, mostrando todo o meu pânico. — Desculpe, são regras. Cada um na mesa do seu chalé.

E ele saiu.

–É, hum, Di Angelo né?

Ele acenou com a cabeça, dei um suspiro frustrada. Ele não quer papo, eu provavelmente não iria querer se fosse um dia na escola, ou um desses semideuses aí, mas ele é meu irmão, poxa, quero conhece-lo.

–Você não é muito de papo, eu também não, na verdade. Mas você é meu irmão, gostaria de saber mais sobre você.

–Eu já terminei, podemos conversar no chalé mais tarde. Chalé treze, entre o doze e o quatorze, sabe?

Ele disse, sua voz era arrastada, lenta e rouca, fingi que não percebi a ironia no fim da frase. Seu tom de voz era frio e me causava arrepios, seu olhar ameaçador e distante. Ele se levantou e me deixou lá sozinha. Ótimo.

Tive que pegar comida de novo, já que o meu lindo e maravilhoso pai me proclamou bem na hora que eu ia fazer a tal oferenda e comer, eu amo comer. Comida é meu verdadeiro amor.

Logo depois de comer, fui a procura do meu chalé, nem foi tão difícil como eu pensava. Uma tocha chamuscava um fogo esverdeado, o número 13 estava em destaque, a frente feita de mármore preto, havia duas colunas pesadas (dã), não vi nenhuma janela. Entrei com um pouco de medo, estava separado em cômodos. Avistei três portas, a do meio era aparentemente o banheiro, a porta da esquerda tinha caveiras desenhadas de branco e cinza, a porta era preta assim como as paredes do lugar.

A porta direita se destacava, já que era branca e sem nenhum enfeite ou algo do tipo, bati na porta branca. Ninguém. Abri a porta, meu queixo caiu.

Era idêntico ao meu antigo quarto, o mesmo guarda-roupa, a parede com tinta preta com cola que grudava minhas fotos preferidas, cobrindo toda a parede. Peguei minha mala, peguei um pijama, calça vermelho sangue solta e confortável, e uma regata branca. Me troquei rapidamente, e assim que prendi meu cabelo num coque, a porta se abriu.

–Ei, sua mãe não te deu educação não? Bate na porta antes de entrar, um minuto atrás eu tava sem blusa!

Vi o seu rosto antes pálido ficar levemente rosado, dei um sorrisinho de lado que se desmanchou com a seguinte frase.

–Minha mãe está morta.

–Ah, hum, me desculpe. Sério, não tive a intenção.

–Nada, esquece. Posso?

Ele apontou pra cama, eu estava sentada numa cadeira que ficava em frente a minha penteadeira roxa. Balancei a cabeça, ele se sentou e ficou frente a frente comigo.

–Então, o que quer saber, maninha?

Dei um sorriso animado, e ficamos ali conversando a noite toda. Quando acordei percebi um peso em cima da minha barriga, abri os olhos assustada. Eram os braços de Nico, acho que ele acabou dormindo durante a nossa conversa. Dei um sorrisinho, fui até minha mala e peguei um short branco e a blusa do acampamento que tinha ganhado.

Andei até o banheiro, tomei banho e me troquei, penteei o cabelo e prendi num rabo de cavalo. Quando voltei pro quarto, o meu irmão não estava mais lá. Dei de ombros e fui tomar meu precioso café da manhã. Quando cheguei lá logo percebi que quase todo o acampamento estava em cima de uma garota que não tinha percebido no dia anterior, era loira e tinha os olhos da cor do mar.

Notas finais
Eu gostei bastante desse. E vocês? Olha, eu tenho leitores e só um comentário. Isso me deixa bem frustrada, eu não vou ficar pedindo reviews, e nem colocar metas de comentários. Mas seria bom vocês comentarem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.