As Estrelas Caem: o rei e o caçador
6 Tártaro 2
Notas iniciais
"Agora é tampada pelo firmamento que eu seguro."
Escondido no castelo da morte, esperando para sair daquele lugar. Hella, a deusa da morte nórdica, sabe que há algo de errado e sugere que eles conversem depois. Danael aproveita para passar pelo castelo, após algumas horas de caminhada sobre o seco e doloroso calor do deserto ele chega a uma cidade cercada por oito bruxas mas que não parecem com as bruxas das histórias que ouvira, pelo contrario, elas não eram pavorosas de aparência, Danael não se sentia intimidado por aquela cidade como se sentia pelo restante do Tártaro.
Ele passa as fronteiras, os chãos cor de escarlate, fervem, e mesmo com seus calçados pode perceber. As bruxas o acompanham com seus rostos e recitam palavras em hebraico. Assustado, Danael prossegue por entre a cidade, com fome e calor.
– Não se preocupe, essas bruxas encantadoras rogam praga para que os que não merecem entrar nessa vila pereçam, isso nunca funciona aqui em baixo, creio eu que essa pode ser a maneira delas de dizer bom dia.
Danael procura á sua volta pelo responsável por tal alegação, e lá estava, utilizando um pequeno chapéu de aventureiro em sua cabeça, vestes de um poderoso caçador, botas de couro de dragão siberiano, com um pequeno espaço em suas escamas. Era o mensageiro do Olimpo, Hermes.
Ele saúda Danael, o reconhece como rei de Zasal e lhe diz que o Tártaro não é seu lugar. No palácio de Zasal, Davi reina, seus olhos observam dois camponeses entrarem na sala do trono.
– Posso auxiliá-los em alguma coisa? — Generosamente questiona o rei.
– Faltam menos de quatro semanas para o inverno chegar, nossas plantações não prosperam com essa quimera vagando pelo seu reino, pelas especulações dos aldeões ela está aqui atrás de você, governante. Precisamos de alimento.
– Adentrem nos reinos de capricórnio – ele sinaliza aos guardas — levem consigo ouro e oferta de paz, tragam o que puderem, peguem as sementes.
Os guardas saem em rumo ao reino junto aos camponeses, o rei dera a eles também outras ordens. Sabendo de seu irmão pelas palavras do misterioso “Sir P.”, Davi, para se vingar do reino, pede aos guardas que junto aos presentes levem nove tochas e nove cães, e assim que os camponeses pegarem os alimentos, que amarrassem as tochas as caudas dos cães selvagens para alastrar o fogo pelos campos.
No submundo, terra das almas, Danael continua a vagar, desta vez com um presente que recebera de Hermes, Danael se lembra de passar por Aqueronte junto a Ah Puch. Se ele seguir o fluxo daquele rio, possivelmente achará Atlas, e por consequência, o Muro das lamentações. Ao correr os sapatos de Hermes tentaram levantar voo mas fracos e sujos, logo derrubaram o príncipe caído ao chão.
Perto do rio Aqueronte, estava o rio Lete. Ele levava até os campos Elísios, mas se lembrava dos velhos mitos. Sua fome consumia ainda mais seu corpo imortal, mas agora já estava próximo, já podia ver mesmo que desfocada, a imagem do titã aprisionado. Um elmo e manoplas de chumbo, pioravam seu castigo. O titã que ficou encarregado de segurar a terra logo avista Danael.
Danael sobe em uma colina para chamar o grande titã. O titã sorri.
– Zasalem, quem diria, você por aqui.
Danael se confunde.
– Zasalem? Conheceste meu pai? — Danael sente se estranho — Ele está aqui no Tártaro?
– Não, seu pai vive, mas me ajudou com meu fardo há alguns anos. Sabe, o Tártaro nem sempre foi o local de sofrimento das almas. Há anos a primeira estrela caiu na terra, Zeus era jovem e já tinha em si a fúria de seu pai Cronos, porém os Campos Elísios se estendiam até aqui, o local do tártaro. Aqui caiu a estrela, ela foi soterrada e quando os titãs souberam, resolveram provocar essa guerra, que iria acabar com “a era de ouro”, Permitiram a Pandora, que abrisse a sua arca, e depois embebedaram Cronos com uma mistura que o fez vomitar os outros senhores do olimpo. Além disso, foram forjadas na terra três grandes armas, o raio, o capacete invisível da morte, e o tridente dos mares. A guerra terminou com os titãs sendo jogados aos campos, o que fazia parte de seu plano. Eu á procura da estrela, não percebi meu mal. Os titãs vagaram por ai destruindo tudo. As almas que ainda eram pacíficas, pois vieram antes da abertura da arca de Pandora, Criaram o muro das lamentações sobre o rio Lete, para proteger a parte ainda pura, a entrada atrás de mim, agora é tampada pelo firmamento que eu seguro.
– Mas o que sustentava o mundo antes? – pergunta o curioso príncipe caído.
– Uma torre, possuía em seu ultimo andar uma ponte para a entrada nos campos. Quando eu a quebrei na esperança de encontrar a estrela, tive de segurar o planeta. Sendo aliviado uma vez por Herácles durante um de seus doze trabalhos, e por teu pai, Zasalem.
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