As Estrelas Caem: o rei e o caçador
10 Campos Elíseos Final
Notas iniciais
Cacieri, após a morte do rei Davi, movido pela ira mata friamente a fera. Davi agora continua seu estirão em direção ao Muro das Lamentações, aonde os três juízes o esperam, Davi sente cheiro de vinho, e ouve três vozes discutindo em latim. “Elysios Campos!” “Tartareo!” “Limbo!” E repetiam essas sentenças varias vezes.
Davi passa pelo portal de pedra nobre, ao chegar, os três juízes lançam a seguinte sentença: “Elysios campos!” Sem negar ele prossegue. Davi passa pelo Muro das Lamentações; a paisagem à sua frente era bela, o cheiro das flores penetra em suas narinas, porém seu estômago começou a ludibriá-lo, enganá-lo e o fez seguir até os pomares de “aurum”, sem saber que ele estava à poucos passos de seu destino.
Ao chegar nos pomares, Davi se depara com um homem colhendo as maçãs. Davi então decide abusar de sua antiga posição no trono de um reino que não existe mais para reivindicar as frutas.
- Senhor, eu, Davi, ex-governante de Zasal, exijo essas maçãs para me saciar.
- Davi? – o homem pergunta – eu já ouvi esse nome, mas me parece tão distante que eu não creio que és da realeza, eu então ficarei com os frutos.
Davi se irrita e derruba a cesta das mãos do homem, e ao tentar comer, uma pedra lhe atinge e os pomos caem ao chão.
- Não deveriam comer dos frutos de Perséfone se desejam voltar à vida e salvar meu reino. Meus reis, se vocês chegaram o ponto de não se reconhecer, é porque não lhes restam muito tempo.
- Hansênico? – pergunta o homem. Que a eles perece que acabara de acordar de um lúdico e antigo sono. – Davi? Sou eu, Danael teu irmão.
Davi o observa, mas ainda não se recorda de teu sectário não idêntico. Com um gesto de mão Hansênico confirma a historia.
- Davi, eu não sei a razão de não nos recordarmos desse nobre homem, mas eu sei que ele não mente, Danael faz parte das minhas presciências como Dominus.
Davi sente um sopro, sua memória, antes perdida pelo rio Lete e que, agora, insistia em retornar ao jovem governante dos caídos. Ele então corre até Perséfone, e lhe pede explicações.
- Vocês têm um estirão pela frente, achei que poderia poupá-lo de teu destino afinal, se uma estrela lhe escolheu, é parte de sua jornada impedir meu marido.
- Hades. – Ele realiza uma pausa — Perséfone, eu preciso saber o que eu farei, meu estirão está confuso, se for meu dever impedir Hades e eu possuir as partes da grande armadura, eu poderei ser o irmão que levará o mundo às trevas, e eu preciso proteger Davi.
Davi observa e sente a flecha da rainha Artelas em seus ombros, mas permanece não se recordando de Danael.
- Isso não é claro para mim, eu não sou uma Dominus, mas posso lhe dizer que apenas o ódio em seu coração não é ardente o suficiente para mergulhar o mundo em trevas e guerras, ainda. – Ela continua — Mas agora devolva o elmo de meu marido – Ela diz, estendendo a mão na direção de Danael, que de início não a compreende.
- Vamos – ela insiste -, devolva-o para meu marido.
Danael permanece confuso e caminha em sua direção. Ele toca em seu ombro e sente a tortura de ficar no submundo em teus olhos, logo percebe a realidade. Ela o beija, e mesmo contrariando todos os seus sentidos ele não reage. Ela então lhe entrega o elmo de Hades e utiliza uma tira de sua recém adquirida veste real para transformá-la em um patuá.
- Vocês precisam ir, seu estirão continuará. – Disse Hansênico – Eu não irei. Como dominus eu continuarei aqui. A minha jornada como dominus acabou.
- Meus príncipes – Perséfone continua –, o poço fere, e a dor continua eterna.
Após perceber que sua fala chegou ao fim os reis sobem as escadarias, mas Perséfone grita à Danael.
- Danael, vá com os deuses.
Danael sorri, se volta para a esposa de Hades e gentilmente sopra as palavras:
- Eu sou cristão.
A subida à escadaria demorou três Grins, mas ao chegar se deparam com grandes ruínas. Um pequeno lago de pedra cuja água não passava do calcanhar de Davi foi encontrada e do outro lado suas bordas uma pequena parede quebrada estendia se até o céu, e enquanto seus olhos acompanhavam a extensão Danael percebeu que ela se fecharia no topo, era como olhar por dentro de um poço.
- Poço – a palavra escapa da boca de Danael, era isso que a rainha dos Campos Elísios quis enfatizar.
Ele então avisa a Davi que terão de subir pelo poço. Eles começam a escalar a pedras almofadadas. Pouco a pouco, as ásperas rochas esfolam seus braços e pernas, Davi então observa outras almas caindo e se chocando bruscamente com as paredes; depois de dois Grins, Davi e Danael se sentam em um aqueduto, que para eles parecia-se com uma janela sem vitral. Davi zelava por seu irmão e após alguns minutos, puseram-se a subir novamente. Após algum tempo eles já poderiam ver o céu noturno em contraste ao céu sempre ensolarado dos Campos Elísios, quanto mais perto da borda mais seus pulmões se enchiam de ar, se desamassando e fazendo os reis darem um urro tão estrondoso que só poderia comparar-se ao próprio parto, e de fato era essa a sensação.
Notas finais
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